quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

PSDB entra com representação contra André Vargas por falta de decoro

Ao lado de Joaquim Barbosa, Vargas repetiu várias vezes o gesto de punho erguido feito pelos mensaleiros

Henrique Alves diz que não vê no ato motivo para quebra de decoro parlamentar

Adriana Mendes, Isabel Braga e André de Souza

BRASÍLIA – O líder do PSDB na Câmara , Antonio Imbassahy (BA), protocolou nesta terça-feira na Corregedoria da Câmara representação por quebra de decoro parlamentar contra o vice-presidente da Casa, deputado André Vargas (PT-PR). Ontem, sentado ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) na abertura do ano do Congresso, Vargas repetiu várias vezes o gesto de punho erguido feito pelos mensaleiros na hora da prisão. Para o líder tucano, houve uma afronta ao presidente do Supremo.

Segundo a representação, a atitude constitui um desrespeito à autoridade que se encontrava na dependência da Casa e viola o Código de Ética e Disciplina Parlamentar.

“Vargas é vice-presidente de um Poder, o Legislativo, e deve se comportar com a dignidade que o cargo requer, e não desrespeitando o presidente de outro poder, o Judiciário. Foi uma chacota à Justiça, um total acinte. A sociedade não aceita esse tipo de desrespeito. Ele perdeu todas as condições de permanecer no cargo”, afirmou Imbassahy na representação.

Em nota, o deputado André Vargas justificou que o gesto feito por ele ao lado de Joaquim Barbosa foi uma saudação direcionada exclusivamente " aos companheiros dele em plenário. O petista diz ainda que sempre pautou sua vida pública em defesa e respeito ás instituições.

"E dessa forma procedi (ontem) ao cumprimentar o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, naquela ocasião, com aperto de mãos, como demonstram fotografias anexas", diz um trecho da nota.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), preferiu minimizar o episódio. Alves não vê no ato motivo para quebra de decoro.

- Você pode discutir a questão da oportunidade, se foi um gesto de falta de gentileza, de cordialidade. Mas é o direito do parlamentar de se expressar. Não é usual, mas foi um gesto dele que assim se manifestou talvez de forma mais emocional do que racional, mas não a ponto de uma quebra de decoro parlamentar – disse Henrique Alves ao chegar à Câmara na tarde de hoje.
Indagado se houve exagero da parte do PSDB, Henrique respondeu:

- De ambos os lados.

Os petistas saíram em defesa de André Vargas. O deputado Amauri Teixeira ((PT-BA) classifica a representação do PSDB como um factoide.

- Ele não distratou (Joaquim Barbosa) e não maltratou. É factoide o que o PSDB quer fazer. Ele apenas se manifestou.

Durante a cerimônia, o petista fazia troça com colegas no plenário e também postou nas redes sociais ironias sobre o ministro. No momento da leitura da mensagem presidencial ontem , quando Barbosa saiu da Mesa e se ausentou do plenário, André Vargas fotografou a cadeira ao seu lado vazia e postou no Instagram com a legenda: “Joaquim sumiu?”.

Na representação, o PSDB também menciona a troca de mensagens flagradas pelo jornal “O Estado de S.Paulo” em que o petista sugere que gostaria de “dar uma cotovelada” no presidente do STF. André Vargas justificou que o conteúdo das mensagens fotografadas “além de não serem ofensivas, são de cunho privado”.

Crítico de Barbosa, no domingo André Vargas criticou o presidente do Supremo por causa da publicação de uma foto ao lado de um empresário foragido, em Miami. "Joaquim Barbosa tira foto em Miami com empresário foragido. “Cadê os moralistas da mídia brasileira? Se fosse o Lula!", escreveu Vargas.

Fonte: O Globo

Dilma comanda 'pacto mofado', diz Campos

Ao lado de Marina Silva, pré-candidato do PSB à Presidência lança diretrizes de governo e afirma que 'o país parou'

Secretário-geral do PSB diz que a ex-senadora será candidata a vice-presidente na chapa; Marina desconversa

Ranier Bragon, Bernardo Mello Franco

BRASÍLIA - O pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, fez ontem seu mais duro ataque ao governo Dilma Rousseff ao lançar, ao lado de Marina Silva, as diretrizes de seu programa de governo.

Em discurso para um plenário lotado de correligionários, ele afirmou que o país "parou" e está sendo comandado por um "pacto mofado", baseado no patrimonialismo e no loteamento de cargos.

Possível vice na chapa, Marina atacou a reforma ministerial de Dilma dizendo, sem citar o nome da petista, que ela herdou e comanda hoje o "entulho da velha política".

"As pessoas estão vendo que o país parou. Que o país saiu do trilho em que vinha", disse Campos, para quem o PT já estaria "desesperado" com a possível derrota: "A sociedade brasileira não tolera mais este velho pacto político que mofou. Não há, neste país, ninguém que ache que mais quatro anos do que está aí vá fazer bem ao povo brasileiro. Nem eles mesmos".

Tanto Campos quanto Marina são dissidentes do governo petista --a ex-senadora saiu em 2008; o PSB de Campos, em setembro de 2013.

Ontem ele disse que não se envergonha de ter apoiado a eleição de Dilma e que saiu "pela porta da frente". Tanto ele como Marina evitaram críticas ao ex-presidente Lula.

"Não podemos botar cabresto na democracia. Querer enquadrar o debate político distribuindo cargos ou pensando que todos se põem de joelhos diante do poder."

Em 2010, Campos se reelegeu governador de Pernambuco numa aliança de 15 partidos. Parte deles ganhou cargos em seu secretariado.

O secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, apresentou Marina como vice da chapa. A ex-senadora desconversou, mas pela primeira vez desde que anunciou a adesão ao projeto de Campos, em outubro, foi direta ao dizer que o candidato é o governador, saudando-o como "futuro presidente do Brasil".

Mais cedo, ela disse que "vice quem define é o candidato, e o candidato é ele". A declaração animou políticos próximos a Campos que temiam pressão para inverter a chapa e lançar Marina, mais bem colocada nas pesquisas.

Ao citar o "entulho da política", Marina se referia à tendência dos políticos de privilegiar a busca de aliados para aumentar o tempo na propaganda eleitoral na TV.

Nos bastidores, porém, o PSB busca o apoio do PV e do PDT para tentar elevar a exposição de Campos na TV, hoje a mais baixa entre os três principais pré-candidatos a presidente. Ontem o PPS anunciou oficialmente o apoio à chapa do governador.

As diretrizes de Campos foram apresentadas em um documento em que é dito que o atual modelo político e de desenvolvimento econômico e social está "esgotado".

Embora a política econômica do governo Dilma esteja sob crescente questionamento no mercado, o documento da aliança é omisso quanto às contas públicas, à inflação e ao deficit do país nas transações externas.

O texto defende uma "vigorosa" política de incentivo à indústria, sem detalhar suas diferenças em relação à atual. Há ainda pregação de melhoria da infraestrutura, mais inovação, menos desigualdades sociais e outros clichês dos programas de governo.

Fonte: Folha Online

Em seu discurso mais forte, Eduardo Campos critica o PT e o governo Dilma

Para Campos, petistas ‘se agarram’ a cargos e já se desesperam com a possibilidade de perder poder

Maria Lima, Paulo Celso Pereira

BRASÍLIA - No discurso formal do ato de lançamento das diretrizes do programa de governo da aliança PSB-Rede, o presidenciável Eduardo Campos inaugurou o estilo que pretende levar para a campanha eleitoral, rompendo de vez sua relação com o governo do PT. Na sua fala mais dura feita como pré-candidato, Campos fez críticas pesadas à gestão da presidente Dilma Rousseff e aos petistas que, segundo ele, temem perder o poder e os cargos.

Disse estar preparado para os ataques que virão e que não vai temer o debate, mesmo com o nível dos ataques já muito baixo contra a candidatura dele:

- Não tememos o debate, nem (tememos) enfrentar o desespero dos que já se batem e se agarram a cargos. (não tememos o debate) com os que não pensam na nação, e já se desesperam com a possibilidade de perder poder e os cargos.

Direcionando críticas para os discursos da presidente Dilma Rousseff, nos quais ela alega as dificuldades da economia mundial, o ex-aliado do PT afirmou:

- Não podemos ficar tapando o sol com a peneira, de que os problemas estão lá fora. Muitos dos problemas estão aqui dentro e precisam de liderança. De alguém que tem a sinergia e consiga resolver os problemas não com conversas e promessas (discursos).

Sobre as políticas sociais, que afirmou considerar importantes, disse que é preciso que elas sejam protegidas pelo crescimento na economia:

- Se não, é enxugar gelo. Não seguram as conquistas. Não há política social que faça efeito sem desenvolvimento. Se não, é o que estamos vendo agora: crescimento do analfabetismo, emprego perdendo qualidade, país perdendo competitividade. Vamos legar o quê para as futuras gerações deste país?

Ao pregar que é preciso reconquistar novas práticas da política no país, Eduardo Campos afirmou que não se arrependeu de ter apoiado o PT e os governos petistas:

- Ninguém que está aqui se arrepende de ter ajudado a eleger Lula e Dilma. Mas da mesma forma que nos empenhamos pelas conquistas, tivemos a capacidade de sair pela porta da frente.

Para Eduardo Campos, a sociedade exige mudança. Disse que não vê, nos quatro cantos do país, pessoas que acham que mais quatro anos do atual governo vão fazer bem ao país. E alertou para o risco da perda de conquistas democráticas:

- Eu conheço o fel da ausência da democracia. Sei o quanto custou a quem já não está mais aqui a luta pela conquista democrática. Não podemos botar cabresto na democracia, distribuindo cargos e pensando que todos se põem de joelho diante do poder do dia. Não! Tem muitos que têm coragem e carregam na consciência as lutas pela democracia e se rebelam pelo o que aí está.

Questionado sobre o tom duro do discurso, Campos afirmou que não terá medo de levantar o debate político.

- Eu elogiei o Lula e as conquistas que ajudamos a trazer. Mas agora é a hora do debate político que eu vou fazer sem medo. Aqui, ninguém treme não. Os cabras lá não conhecem a natureza de uma pessoa que nasceu onde eu nasci – disse Eduardo Campos.

Fonte: O Globo

Campos apresenta programa de governo e diz que 'País parou'

Ao lado de Marina Silva, governador e provável candidato à Presidência criticou 'letargia do Estado' e afirma que educação será prioridade

Erich Decat

BRASÍLIA - Protagonista do lançamento das diretrizes da campanha presidencial do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, utilizou parte do discurso para criticar o que classificou como letargia do Estado brasileiro. O evento foi realizado na Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 4, e contou com a participação da ex-ministra Marina Silva e alguns parlamentares do PPS, PDT e PROS.

"Temos a clara percepção de que as pessoas estão vendo que o País parou", disse Campos, provável candidato à Presidência. Assim como Marina, o dirigente defendeu a manutenção das atuais conquistas sociais, mas disse que é preciso resgatar bandeiras deixadas para trás ao longo dos últimos anos. "Se quisermos salvar os próximos 20 anos, temos que fazer o que foi deixado para trás", afirmou. "Temos que recolher as bandeiras que foram ficando no caminho e ter coragem de levantá-las com a nossa história."

Campos também criticou o que chamou de apropriação do Estado por parte de partidos, uma referência indireta à atual reforma ministerial iniciada pela presidente Dilma Rousseff. "Temos coragem de dizer desde já: o Estado não pode ser apropriado". Também sem citar nominalmente os adversários, o governador mandou o recado de que durante a campanha presidencial não pretende "baixar o nível" do debate. "Não vamos fazer o jogo daqueles que querem baixar o nível do debate político", afirmou.

Na primeira semana de janeiro, um texto publicado no Facebook do PT nacional classificava o governador de Pernambuco como "tolo", "playboy mimado" e como candidato "sem projeto, sem conteúdo e sem compostura política" para disputar a Presidência da República neste ano.
"O desespero já se abate sobre alguns, que não pensam na nação", ironizou Campos no evento.

Segundo ele, a prioridade do partido será a educação. "Sonho em ver a classe média ou executivos matriculando seus filhos na escola pública."

O documento apresentado hoje contem 70 páginas e, conforme antecipou o Broadcast Político, as diretrizes serão divididas em cinco eixos: Estado e a democracia de alta intensidade; Economia para o desenvolvimento sustentável; Educação, cultura e inovação; Políticas sociais e qualidade de vida; Novo urbanismo e o pacto pela vida.

Marina Silva, por sua vez, afirmou que é preciso ampliar as conquistas dos brasileiros. As declarações reforçam o possível mote de campanha do partido de que é preciso manter as conquistas das últimas décadas realizadas nos governos do PSDB e PT, mas fazê-las avançar.

Antes do evento, a ex-ministra reafirmou que o candidato da coligação é Campos e cabe a ele definir quem ocupará a vice-candidatura. Dentro da Rede, há expectativas de que ela anuncie a vice até março.

Ao longo do discurso Marina também focou as críticas no modelo de coalização dos partidos, segundo ela, baseado no tempo de TV e estruturas de cada legenda. "Essa política com base em estruturas precisa mudar", afirmou. "Se Eduardo Campos ganhar [a disputa presidencial] só haverá um a quem se deve agradecer, o povo brasileiro."

Fonte: O Estado de S. Paulo

PPS, PSB e Rede passam a elaborar juntos programa de governo de Eduardo Campos

Por: Assessoria do PPS

A direção do PSB e da Rede Sustentabilidade, capitaneadas pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e pela ex-senadora Marina Silva reuniram-se, na sede do PPS, com o presidente do partido, deputado Roberto Freire (SP), com o líder da legenda na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), parlamentares e outras lideranças políticas para entregar o documento contendo as diretrizes iniciais que vão compor o programa de governo da aliança.

A partir dessa iniciativa, o PPS passa a participar, oficialmente, da elaboração do programa de governo de Campos. No encontro, o governador pernambucano lembrou que o PCB/PPS e o PSB já travaram muitas lutas juntos no passado e afirmou que os dois partidos sempre tiveram muita proximidade. Segundo o governador e pré-candidato a presidente, as ideias do documento estão colocadas em debate, que será fundamentado em três pontos principais: preservar as conquistas, melhorar a democracia e retomar o desenvolvimento sustentável, já que, na sua avaliação, o país parou. “Nossa dinâmica econômica está muito menor do que a do mundo”.

Mudança
Campos voltou a condenar o modelo de desenvolvimento econômico do governo do PT, falou sobre seu esgotamento, a concentração de renda que ele gera e a existência de “indicadores preocupantes”. Segundo o governador, a união do PSB com o PPS significa o “realinhamento do campo progressista”. Ao se referir ao governo petista declarou: “O que está aí não vai legar nada de bom para o país; se eu estivesse convencido de que a continuidade era boa para o país estaríamos caminhando juntos (com o PT)”.

O governador afirmou ainda que sabia que iria encontrar o PPS na sua jornada rumo ao Palácio do Planalto, “ajudando a encontrar o caminho” do que é possível empreender para melhorar a vida dos brasileiros. “Estamos confiantes de que o Brasil não vai querer a reeleição, por mais que eles (os petistas e seus aliados) tenham tempo de televisão (na campanha) e poder”. Campos deixou claro também que espera compartilhar com o PPS não só o programa de governo, mas as alianças nos estados.

A ex-senadora Marina Silva ressaltou que o país vive um “atraso na política governamental” e disse que é preciso buscar conquistas possíveis. Ela defendeu a aliança programática da pré-candidatura de Eduardo Campos e condenou as composições políticas baseadas na “oferta de pedaços do Estado”.

Roberto Freire
“Tínhamos uma ideia na origem e estamos reencontrando essa ideia de tentar mudar o Brasil”, disse o deputado Roberto Freire ao receber o documento das mãos de Eduardo Campos, referindo-se à aposta que um dia o PPS fez no governo do PT. O partido rompeu com a administração Lula em 2004. Segundo Freire, o que levou o PPS a buscar a aliança com Campos foi a premência de viabilizar uma alternativa para o Brasil.

Segundo o presidente do PPS, o país enfrenta estrangulamentos, e é necessário “tomar outra direção”. Na avaliação de Freire, a eleição presidencial de 2014 “será presidida pelo princípio da mudança”. Ele ressalvou, porém, que não basta o novo pelo novo, e citou o caso da prefeitura de São Paulo como exemplo de mudança para pior. “A liderança de Eduardo Campos demonstra que essa aliança busca uma mudança com responsabilidade”.

Freire disse ainda que Eduardo e Marina são “muito bem-vindos e que o PPS vai ajudar no programa de governo por meio da Fundação Astrojildo Pereira, dirigida pelo vereador Raul Jungmann, de Recife. “A mudança concreta aqui se inicia”, afirmou ao final do encontro.

Participaram do encontro no PPS os deputados federais do PPS Arnaldo Jardim (SP), Stepan Nercessian (RJ) e a deputada Carmen Zanotto. Também estavam presentes a deputada distrital e pré-candidata ao governo do Distrito Federal, Eliana Pedrosa; o vice-prefeito de Manaus e pré-candidato ao governo do Amazonas, Hissa Abrahão; o deputado estadual licenciado e secretário de Gestão Pública do Estado de São Paulo, Davi Zaia; o tesoureiro do partido e secretário de Pesca de Alagoas, Regis Cavalcante; e o dirigente do PPS-SP Carlos Eduardo Fernandes. Dentre os representantes do PSB, estavam o senador Rodrigo Rollemberg (DF), o líder do partido na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS), e o prefeito de Recife Geraldo Júlio.

Leia mais:

Confira a íntegra das diretrizes para o programa de governo de Campos

Por: PSB/Rede

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Dilma comanda abafa sobre risco energético

André Borges, Daniel Rittner e Raymundo Costa

BRASÍLIA - O risco de um apagão às vésperas da eleição de outubro, e, o que é pior, num ano em que o país sedia a Copa do Mundo, assombra o Palácio do Planalto e a presidente Dilma Rousseff. Não é à toa que a presidente, em pessoa, organizou a ofensiva do governo ontem para tentar tranquilizar o país sobre a situação dos reservatórios e da oferta de energia.

Em meio a essa operação, o governo se viu surpreendido na tarde de ontem por um apagão que afetou 7% do consumo do país e procurou, insistentemente, desvincular as duas situações. "Queremos deixar uma mensagem de extrema tranquilidade", afirmou o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

Advertida sobre o cenário de baixo volume de chuvas e queda nos reservatórios, Dilma convocou o ministro Edison Lobão ao Palácio da Alvorada e determinou à cúpula do setor elétrico uma resposta contundente para afastar os temores de um déficit de energia neste ano, um risco crescente, como publicou ontem o Valor.

"O sistema está equilibrado", garantiu Zimmermann, descartando medidas de estímulo à redução do consumo. Ele fez questão de ressaltar que, dos 21 mil megawatts disponíveis no parque instalado de usinas térmicas, estão sendo efetivamente utilizados 15 mil MW

Fonte: Valor Econômico

Apagão afeta 6 milhões e operação-abafa é frustrada

Daniel Rittner e André Borges

BRASÍLIA - Em meio à operação-abafa desencadeada para negar os riscos de desabastecimento de energia elétrica em 2014, o governo se viu surpreendido ontem por um apagão que afetou 7% do consumo do país, mas procurou insistentemente desvincular essas duas situações e considerou um "sucesso" a normalização do sistema após os cortes de luz. "Queremos deixar uma mensagem de extrema tranquilidade", afirmou o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, em entrevista convocada minutos antes do apagão.

Advertida sobre o cenário de baixo volume de chuvas e queda dos reservatórios, a presidente Dilma Rousseff chamou o ministro Edison Lobão para uma reunião no Palácio da Alvorada e determinou à cúpula do setor elétrico uma resposta contundente para afastar os temores de um déficit de energia neste ano, conforme demonstrou o Valor em sua edição de ontem. "O sistema está equilibrado", garantiu Zimmermann, descartando medidas de estímulo à redução do consumo.

De acordo com o secretário, há um "equilíbrio estrutural" entre oferta e demanda. Ele fez questão de ressaltar que, dos 21 mil megawatts (MW) disponíveis no parque instalado de usinas térmicas, estão sendo efetivamente usados 15 mil MW. E buscou desatrelar o apagão de um suposto "estresse" do sistema elétrico, com os seguidos recordes de demanda verificados nos últimos dias - ontem, às 15h32, foi atingido o pico histórico de 84.331 MW. Foi o sexto recorde batido desde o início deste ano.

Zimmermann evitou comentar, embora muito questionado, se o risco de déficit nas regiões Sudeste e Centro-Oeste chegou mesmo aos 20% apontados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Ele preferiu remeter-se a previsões feitas em anos anteriores, quando o país também enfrentou períodos rigorosos de estiagem, com queda do estoque de água nas hidrelétricas. "Em 2008, tivemos vários especialistas dizendo que o risco era 20%. Mais uma vez, em 2014, estamos trabalhando com equilíbrio estrutural", afirmou.

As causas do apagão de ontem, que afetou 6 milhões de pessoas em quatro regiões do país, devem ser discutidas em uma reunião da cúpula do setor elétrico já agendada para amanhã.

O governo se esforçou, no entanto, para destacar aspectos positivos do sistema interligado nacional. Zimmermann disse que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) teve uma "atuação correta" e frisou que a "integridade" da operação foi preservada. Ele classificou o episódio como um apagão de "médio porte".

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, foi ainda mais incisivo. Para ele, poderia até ter ocorrido um efeito-dominó, com apagões mais extensos. "Aparentemente, houve um sucesso nessa operação. O sistema funcionou, cortou pequenas cargas em algumas regiões e não houve um desligamento geral."

Lembrando o rigor da atual estiagem, com o pior janeiro desde 1954 no Sudeste/Centro-Oeste, Tolmasquim afirmou que cortes de carga semelhantes antes produziam transtornos maiores em regiões inteiras. "Houve um avanço aparente, que ainda precisa ser confirmado, em relação a fenômenos do passado."

Paralelamente ao fantasma do déficit de energia, há indefinição ainda sobre o acerto de contas que deverá ser feito com as distribuidoras, a fim de evitar uma forte alta nas contas de luz. O uso intensivo das termelétricas se soma a outro fator crítico: a exposição das distribuidoras ao mercado de curto prazo, já que não conseguiram contratar toda a quantidade de energia que precisa ser levada aos consumidores. Com os preços no mercado "spot" em nível recorde, a conta aumentou.

Para "tranquilizar as distribuidoras", conforme as palavras de Tolmasquim, o aceno é de que o Tesouro Nacional voltará a arcar com essas despesas - a mesma solução adotada no ano passado. "Elas (as empresas) não serão impactadas além do que podem pagar pelas térmicas", disse o executivo.

Questionados várias vezes sobre a necessidade de aporte de recursos, Zimmermann e Tolmasquim evitaram projeções. "Eu desconheço qualquer número. Alguém deve estar com uma bola de cristal para prever o comportamento do PLD [preço no mercado de curto prazo] para o resto do ano. É uma temeridade", disse o secretário. Tolmasquim também fugiu de uma resposta. "Como é que podemos dar a solução sem conhecer o tamanho do problema? E se, daqui até o fim de fevereiro, começa a chover e desligamos as térmicas?".

O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, deu o tom de urgência que o assunto exige. "Até março, temos que ter uma decisão sobre isso. Não podemos deixar que as distribuidoras quebrem", disse Rufino. Em fevereiro, as distribuidoras ainda podem contar com os recursos alocados no ano passado pelo Tesouro. A partir do mês que vem, não há repasse garantido.

Fonte: Valor Econômico

Elio Gaspari: A fritura de Helena Chagas

O comissariado fritou a ministra Helena Chagas. Pela primeira vez em quase um século, desde que o jornalista Lourival Fontes foi cuidar da imagem de Getúlio Vargas, o funcionário encarregado da comunicação do Palácio do Planalto caiu por causa de dinheiro, acusado de não atender aos objetivos políticos do governo.

A jornalista, com 32 anos de carreira, teve no seu ofício um desempenho muito superior à média do comissariado petista. Não a fritaram porque divulgou o que não devia, ou deixou de divulgar o que devia. Muito menos porque suas opiniões políticas divergiam do governo. Na raiz do mal-estar estavam apenas verbas, o dinheiro da Viúva.

Seja qual for o governo, sempre haverá alguém reclamando porque não recebe dele verbas publicitárias proporcionais à fidelidade com que o defende. O patrono dessa espécie deveria ser o jornalista Alexandre von Baumgarten. Amigo de generais da ditadura, queria reerguer uma revista falida e buscava no Planalto perdões de dívidas e verbas publicitárias. Acabou-se em 1982, com uma bala na cabeça, e deixou um dossiê acusando o Serviço Nacional de Informações pela sua morte.

Em 2012 a máquina de propaganda do palácio moveu R$ 1,9 bilhão. Esse é o dinheiro que Brasília promete repassar ao governo do Estado Rio para enfrentar desastres naturais. Noutra conta, R$ 1,2 bilhão é o total dos financiamentos brasileiros para obras e serviços em Cuba. Vale lembrar que esse tipo de munificência não foi inventado pelo PT, nem é exclusivo do governo federal. Ele apenas inflou-o, pois em 2000 o tucanato torrou R$ 1,2 bilhão.

Em 2012 o Planalto gastou mais em publicidade que a Ambev (R$ 1,6 bilhão), que vive de vender cervejas e refrigerantes. Com R$ 1,7 bilhão, a Caixa Econômica (cujas despesas não estão na caixa do Planalto) gastou mais que o Bradesco e o Itaú, somados.

A conta de R$ 1,9 bilhão expande-se para uma cifra difícil de ser calculada. Nela entram outras campanhas promocionais, como as de ministérios, empresas estatais e contratos com agências de relações-públicas que se superpõem às burocracias do Estado. Num cálculo grosseiro, esse aparelho federal pode custar até R$ 4 bilhões por ano.

Quando um governo desenvolve a mentalidade do sítio, julgando-se injustiçado pelos meios de comunicação, a arca torna-se um saco sem fundo, capturada por um círculo vicioso: se estão contra nós, precisamos ajudar quem nos defende e, se alguém nos defende, nada mais natural que ajudá-lo.

Num outro estágio, o hierarca federal, estadual ou municipal, seja qual for seu partido, confunde deliberadamente a divulgação de políticas públicas com a exaltação de suas próprias atividades (leia-se candidaturas). Como fica feio fazer isso com o aparelho do Estado, privatizam a ambição política e estatizam seu custo. Em 2013 o Ministério da Saúde gastou R$ 232 milhões e Alexandre Padilha disputará o governo de São Paulo.

Pedir que os governos parem de gastar dinheiro com publicidade num ano eleitoral é um exercício fútil. Precisamente porque este é um ano eleitoral, o balcão está aberto para candidatos capazes de se comprometer a reduzir drasticamente esse tipo de despesa. Basta contar ao público quanto seus antecessores torraram e dizer quanto e como pretendem gastar.

Elio Gaspari é jornalista.

Fonte: O Globo

Fernando Rodrigues: Delúbio é uma potência

Delúbio Soares é uma potência. Conseguiu mais apoio financeiro na internet do que Dilma Rousseff e Marina Silva juntas.

O ex-tesoureiro do PT, agora cumprindo pena após ter sido condenado no mensalão, lançou uma campanha on-line para pagar sua multa de R$ 466.888,90. Abriu um site na internet e entesourou R$ 1.013.657,26. Num dia apenas entraram cerca de R$ 600 mil na conta delubiana.

Trata-se de um fenômeno novo na política brasileira. Em 2010, Dilma Rousseff elegeu-se presidente e não chegou nem perto disso. Com o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva e a tecnologia comprada da equipe digital de Barack Obama, a petista recebeu 2.032 doações via web, totalizando R$ 180 mil.

Também em 2010, a sonhática Marina Silva, uma avalanche nas redes sociais, conseguiu pífias 3.095 doações na internet. Arrecadou R$ 171 mil nessa plataforma.

O tucano José Serra nem tentou pedir dinheiro na internet há quatro anos. Somados os valores obtidos via web por Dilma e Marina, chega-se a R$ 351 mil. Ou seja, mesmo juntas elas receberam durante toda a campanha presidencial de 2010 menos da metade do que Delúbio Soares ganhou em poucas semanas.

Ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes disse enxergar "algo muito estranho" nessas doações a jato para mensaleiros condenados. Além de Delúbio, outro sucesso arrecadatório foi José Genoino, que pagou com folga sua multa de R$ 667.513,92.

Estranho ou não, quem vai esclarecer é a Receita Federal --mas só em 2015, quando o Leão analisará as declarações de Imposto de Renda de todos os contribuintes brasileiros sobre o ano-base 2014.

É fácil acelerar o processo. Basta o Ministério Público requerer detalhes sobre todos os doadores e de onde saiu o dinheiro de cada um. Seria útil o Brasil conhecer como funciona esse fascinante novo fenômeno de benemerência na política.

Fonte: Folha Online

Dora Kramer: Lua de fel

No fim, pode ser que fique tudo na mesma e a história se repita como acontece desde 2002. Dilma Rousseff ganhe a eleição, o PT continue na Presidência e Luiz Inácio da Silva se prepare para lutar pela permanência do poder em 2018.

Mas, uma coisa é certa: as eleições de 2014, pelo menos no tocante às campanhas, notadamente ao tom do embate entre governo e oposição, não serão iguais àquelas que passaram.

Pela primeira vez desde que o PT assumiu o Palácio do Planalto, os adversários da candidatura governista dão sinais inequívocos de contundência.

Já foram muito mais tímidos. Lá no início, em 2002, em parte porque não acreditavam que poderiam perder para o PT, em parte porque o então presidente Fernando Henrique Cardoso não considerou de todo desagradável capitanear uma missão civilizatória na transição de governo muito fidalga ao mitológico operário Lula. Isso até ouvir a referência à "herança maldita" já no primeiro discurso do sucessor.

Nas campanhas seguintes a oposição perdeu-se em brigas internas, traições explícitas com alianças implícitas ao governismo, atos patéticos e discursos acanhados. Era quase como se pedissem desculpas ao País por se opor a Lula e ao PT.

Agora se desenha outro cenário. Os adversários estão dizendo que são contra tudo "isso que está aí". O senador Aécio Neves, contrariamente à sua atuação no Senado nos últimos anos, vem subindo o tom das críticas a fim de firmar posição junto ao eleitorado.

De parlamentar praticamente omisso, o tucano passou à condição de comentarista cáustico de quaisquer atos e declarações com origem no governo.

Quanto a Eduardo Campos, se alguma dúvida havia em relação à forma como vai se posicionar na campanha, ele tratou de dirimir todas elas ontem no lançamento das diretrizes do programa de governo da aliança firmada com a ex-senadora Marina Silva.

Foi aos pontos de maneira direta e sem titubeios. Nas palavras dele os governistas se agarram desesperadamente aos cargos, falta liderança no Brasil, a política social distributivista sem o crescimento do grau de qualificação das pessoas é mero exercício de enxugamento de gelo, o governo é pródigo em promessas e ineficaz na resolução dos problemas.

O governador de Pernambuco ainda atribuiu a saída do PSB da base governista à percepção de que o País havia sido tomado pela paralisia. Em miúdos: atacou a capacidade de gestão da presidente, o atributo mais festejado pelos construtores da imagem de Dilma.

As pontes se incendiaram. Por elas já não passam Campos, o aliado militante; nem Aécio Neves, o oposicionista simpatizante.

Apropriação. Teria sido apenas um ato pueril (no sentido da tolice), não fosse a justificativa do vice-presidente da Câmara, André Vargas, para o braço erguido e o punho cerrado ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal durante a cerimônia de reabertura do Congresso.

"No PT a gente tem se cumprimentado assim. Foi o símbolo de reação dos nossos companheiros injustamente condenados. O ministro (Joaquim Barbosa) está na nossa casa, tem nosso respeito, mas estamos bastante à vontade para cumprimentar do jeito que a gente achar que deve", disse o petista.

Equivocado no seguinte ponto: a Câmara dos Deputados não é a "casa" desse ou daquele partido. É uma das Casas do Poder Legislativo. Instituição da República. O PT está no poder, mas continua sendo uma entidade privada de direito público como qualquer outra agremiação partidária.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Luiz Carlos Azedo: Bons e maus acordos

Um velho ditado na política diz que um bom acordo é aquele no qual todos reclamam, mas ninguém pode romper. Esse é o ponto de liga da negociação entre a presidente Dilma Rousseff e a cúpula do PMDB fechada na noite de segunda-feira com o vice-presidente Michel Temer, mas que ainda provoca muito ranger de dentes na legenda. Os líderes do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (CE), não tiveram os pedidos contemplados e o problema com os dois foi terceirizado: caberia aos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e do Senado, Renan Calheiros (AL), acalmar os dois caciques.

Pelo acordo, o senador Vital do Rêgo (PB) assumiria a Secretaria de Portos em vez do Ministério do Turismo, pasta liberada pela volta do deputado Gastão Vieira (MA) para a Câmara. O Ministério da Ciência e Tecnologia, hoje controlado pelo novo chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, serviria para remover a candidatura do senador Eunício Oliveira ao governo do Ceará, mas ele já avisou que não está interessado na proposta. O deputado Eliseu Padilha (RS), que havia sido indicado para a Secretaria de Portos, foi para o espaço, com o Ministério da Integração Nacional, que era pleiteado por Vital do Rêgo, mas já está na cota dos irmãos Cid e Ciro Gomes (Pros).

Eduardo Cunha está estrilando, mas Eunício é bom cabrito. O PMDB não romperá com o governo por causa disso. O contencioso com Dilma Rousseff e o PT será cozinhado em fogo brando, nas disputas regionais, nas quais o partido costuma dar o troco quando pode. Eunício é candidato ao governo do Ceará e não abre; se não receber o apoio do PT, vai para a disputa como franco-atirador. Cunha apoia a candidatura do vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) à sucessão de Sérgio Cabral (PMDB) no Palácio Guanabara. As negociações com o PMDB no Senado e na Câmara para aprovação das matérias de interesse do Palácio do Planalto ficarão mais difíceis; é o velho toma lá dá cá.

No mais, a reforma ministerial segue o curso chinfrim. Depois de acomodar o PT e o PMDB, e garantir o Ministério da Integração para os irmãos Gomes, a novidade será a entrega do Ministério do Turismo para o presidente do PTB, o ex-deputado Benito Gama. Se houver alguma emoção, será por conta das frituras dos ministros das Comunicações, Paulo Bernardo, e da Fazenda, Guido Mantega, pela própria bancada do PT.

Pomo da discórdia
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), divulgou ontem as diretrizes de seu programa de governo, elaboradas em comum acordo com Marina Silva, líder da Rede. O ato incorporou o PPS, de Roberto Freire, à coalizão. Ainda não foi dessa vez que a chapa Eduardo Campos–Marina Silva foi anunciada, mas a afinidade política entre os dois passou a ser maior depois do documento. O pomo da discórdia no bloco PSB-Rede-PPS, porém, continua sendo a questão eleitoral de São Paulo. A Rede defende uma candidatura própria, os dirigentes do PSB estão divididos e o PPS apoia a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Jus esperneandis petista
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, expediu ontem o mandado de prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha. De todos os condenados, foi o mais desaforado com o presidente do STF. Pegou 9 anos e 4 meses por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva em regime fechado, porém deverá cumprir inicialmente a pena de 6 anos e 4 meses no semiaberto, que dá direito a trabalho externo durante o dia. Tem um recurso pendente em relação à pena de lavagem, cuja punição é de três anos. Ao contrário de outros parlamentares condenados na Ação Penal 470, João Paulo não pretende renunciar ao mandato. A cassação terá que ser submetida ao voto aberto do plenário da Câmara. O PT ataca duramente Barbosa e cria constrangimentos para a Câmara e o próprio STF.

Outro "apagão"
Faltou energia nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste — Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso Sul — e Tocantins, no Norte do país, ontem. O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, atribuiu o problema a um curto-circuito numa linha de transmissão, e não à queda do nível dos reservatórios das hidrelétricas por falta de chuva. Se tem um assunto no qual a presidente Dilma Rousseff não poderia pisar na bola é energia.

Fonte: Correio Braziliense

Merval Pereira: Luz e sombras

Os deuses parecem estar ao lado do governador Eduardo Campos. Quase ao mesmo tempo em que ele apresentava o primeiro esboço do que será o seu programa de governo caso vença a eleição para a Presidência da República em outubro, um apagão de grandes proporções tomou conta de boa parte do país, deixando mais de 3 milhões de unidades consumidoras sem energia.

O acidente, ainda sem explicação oficial, parecia dar razão a Campos quando ele afirmava que “o governo saiu dos trilhos”. Não se sabe ainda o que ocasionou a falta de luz, mas mesmo o governo dizendo que o caso nada tem a ver com o consumo elevado devido ao calor, fica a sensação de insegurança quanto ao sistema elétrico em si, que vem sofrendo apagões freqüentes.

Campos parece querer com sua fala marcadamente oposicionista enfatizar essa insegurança que detecta no cidadão comum: “Não há ninguém que ache que mais 4 anos do que está aí vai fazer bem ao povo brasileiro. Nem eles mesmos.”

O governador pernambucano foi cuidadoso ao centrar suas críticas no governo Dilma, deixando sempre claro a distinção entre ele e o governo Lula, do qual foi Ministro: “Onde vamos temos a clara percepção de que o Brasil parou, de que saiu dos trilhos, que estava avançando no sentido de acumular conquistas e mais do que de repente teve a sensação de freada e de desencontro”.

O Palácio do Planalto assustou-se com o tom elevado das críticas do governador Eduardo Campos, como se ainda esperasse espaço para negociar apoios num segundo turno com o ex-companheiro. A também ex-ministra Marina Silva, na campanha de 2010, comportou-se não como uma candidata de oposição, mas como quem estava acima dos dois partidos hegemônicos, PT e PSDB, considerando-os igualmente nocivos à política brasileira.

Ela continua na mesma, mas não consegue levar Eduardo Campos a essa posição radical de negação da política partidária. Em nome dela, quer que o PSB não apóie o PSDB em São Paulo, mas, no entanto, deseja manter o apoio a seu grupo político no Acre, onde o PT permanece comandando o governo estadual há muitos anos.

Ontem Campos mostrou qual será o nível de seu engajamento na oposição, dando pouca margem a dúvidas sobre qual será sua posição na eventualidade de o senador Aécio Neves vir a ser o representante da oposição num segundo turno. O compromisso que os dois já assumiram de apoio recíproco corresponde à linguagem dura que o governador de Pernambuco utilizou ontem no lançamento de seu pré-programa de governo.

Ao afirmar que “não há justiça social sem desenvolvimento” Campos deixou claro qual será o centro de seu governo, a educação. Em vez de detalhar quais são seus planos para chegar à meta principal, o que certamente constará do programa final que será lançado no meio do ano, depois de seminários e debates, Campos resumiu em uma frase o que quer ver no país de seus sonhos: “Sonho em ver um dia um cidadão da classe média, um empresário, matriculando seu filho na escola pública brasileira”.

A exemplo do que já fez o senador Aécio Neves, virtual candidato do PSDB à Presidência da República, o governador de Pernambuco atacou o inchaço da máquina pública com seus 39 ministérios, atribuindo-o à necessidade de o governo acomodar os diversos partidos aliados: “O Estado não pode ser apropriado pela estrutura, pelos partidos políticos. Esse padrão está esgotado”, afirmou Campos.

A ex-senadora Marina Silva aproveitou a deixa para atribuir “à velha política” a troca de cargos por apoio político, criticando a troca de ministros da Educação que, para ela, foi feita para acomodar aliados pensando na próxima eleição.

O tom elevado das críticas já demonstra que as oposições estarão mais próximas entre si na disputa presidencial do que nunca estiveram.

Fonte: O Globo

Cláudio Gonçalves Couto: O transbordamento do copo

As ondas de ação política expressam saturação social

Certas situações, de tão esdrúxulas, têm o condão de promover mudanças na percepção dos atores sociais em relação a situações ou comportamentos que, de qualquer maneira, já seriam por si mesmos intoleráveis. Assim, embora a reiteração de condutas impróprias, ou a manutenção de um estado de coisas inadequado já fossem - em tese - razões suficientes para que a mudança de percepção se desse, parece faltar na realidade objetiva um elemento capaz de deflagrar subjetivamente nos atores a transformação da consciência.

Deve-se notar, contudo, que tal mudança de percepção não implica diretamente uma disposição à ação - ou, ao menos, a certos cursos de ação. Afinal, uma coisa é dar-se conta de que se convivia de forma mais ou menos normal até então (mesmo que a contragosto) com algo que se reputava como indesejável, mas que passa a ser notado como intolerável. Outra coisa é decidir que, diante do caráter intolerável de certas situações ou condutas, deve-se reagir ativamente contra elas, incorrendo em custos e riscos. É a magnitude desses custos e riscos que pode tirar alguém do imobilismo e ensejar ações.

Assim, por exemplo, se sou um eleitor indiferente à política e me abstenho de votar e de me informar sobre política, pois não vejo razões para isso, posso mudar de atitude caso certas condutas ou situações sejam tão ofensivas a minhas preferências (interesses ou valores) que mesmo minha habitual indiferença acabe por ser suplantada. Há de se notar, contudo, que de todas as ações políticas talvez a menos custosa de todas seja a de votar; mais ainda se o voto for obrigatório, como entre nós, de modo que o custo de justificar ou pagar uma multa é, no mínimo, igual ao de comparecer às urnas.

São muito diferentes atitudes como a disposição de sair as ruas, deixando de cuidar de afazeres privados, arriscando-se a apanhar da polícia ou de outros manifestantes, sendo alvo de balas de borracha ou coquetéis Molotov, tomando chuva ou podendo ser pisoteado por uma multidão em fuga. Nestes casos, a disposição à ação apenas surge porque algum evento suplantou o grau de "normalidade" do que até então era apenas desagradável, tornando-se não só objetivamente intolerável, mas tão intolerável a ponto de propiciar uma ação a despeito de seus custos.

Essa suplantação da "normalidade" pode-se dar de duas maneiras. Primeiramente, por uma situação ou atitude notada como demasiada ao ponto de suplantar o limiar que até então mantinha os sujeitos limitados a um grau mais contido de reatividade. Um exemplo recente disto foi a ida às ruas de milhares de manifestantes após a repressão promovida, em 13 de junho passado, pela Polícia Militar paulista contra os manifestantes na Rua da Consolação, em São Paulo. De tão desmesurada, a violência policial teve o condão de retirar da zona de conforto mesmo pessoas que até então condenavam as manifestações.

A segunda forma de suplantação da "normalidade" é a gota que transborda o copo. E esta enseja uma complexidade maior do que a primeira, que torna difícil compreender de forma nítida as motivações dos sujeitos políticos. Abusando da metáfora, um copo cheio de um determinado líquido pode transbordar pelo acréscimo de gotas de quaisquer outras substâncias. Assim, se tenho um copo cheio de vinho, posso transbordá-lo com gotas de água, de suco, de tinta ou do que quer que seja. Da mesma forma, uma coletividade saturada por situações ou condutas tidas como impróprias, porém inerte, pode passar à ação em decorrência de qualquer novo evento percebido como ofensivo, mesmo que desvinculado das causas iniciais.

O problema é que nem todo novo evento ofensivo, por razões que precisam ser explicadas circunstancialmente, enseja necessariamente uma reação. Nem todo novo evento é a gota que transborda o copo. Abusando novamente da metáfora líquida, é como se uma gota de óleo fosse jogada sobre um cheíssimo copo d'agua. Como eles não se misturam, o óleo, em vez de fazer transbordar a água, talvez apenas deslize sobre ela. Por isso, o desafio que se coloca à análise de cada conjuntura política é o de identificar as substâncias do copo e da gota.

Talvez isto seja um fator a explicar o porque de - na esteira das grandes manifestações iniciadas em junho do ano passado - não ter havido nenhuma reação popular de monta à manutenção do mandato do deputado Natan Donadon, condenado ao cárcere pela justiça. Tendo em vista o ânimo popular demonstrado anteriormente, um tal disparate parlamentar poderia sugerir que se teria um novo cerco ao Congresso, novos quebra-quebras, ou algo do gênero. Porém, não houve nada. Seria óleo sobre a água? Ou teria já havido o transbordamento, de modo que a nova gota já não seria capaz de produzir o mesmo efeito? Abandonando a metáfora, após a catarse representada pelas grandes manifestações talvez não só faltasse fôlego para uma nova investida, como também talvez faltasse ânimo.

O problema é que copos transbordados não se esvaziam por completo, de modo que novas gotas tendem a levar a um novo transbordamento. A dificuldade da análise de conjuntura política é identificar com precisão - na própria conjuntura - quando novos ciclos de transbordamento se abrem e se fecham. Assim, observando agora as manifestações contra a realização da Copa do Mundo e as preocupações dos governos em evitá-las, fica difícil medir com clareza se elas tenderão ou não a levar a um novo ciclo de radicalização mobilizadora. E, caso levem, quando tal ciclo ocorrerá.

Caso tais manifestações se iniciem por agora, mas se encerrem num delta de tempo similar ao das manifestações de junho de 2013, os governos e a Fifa não terão muito com o que se preocupar. Contudo, caso o gotejamento siga continuamente até o aniversário das manifestações do ano passado, certamente as razões para preocupações serão muitas, afetando não só a realização da Copa, como - em caso de tumultos na Copa - muito provavelmente o ânimo que cercará a realização das eleições. E tudo tende a se complicar mais ainda na contingência de um novo evento capaz de - sozinho - transbordar o copo, como fez a PM paulista no ano passado.

Cláudio Gonçalves Couto é cientista político, professor da FGV-SP

Fonte: Valor Econômico

Diário do Poder – Cláudio Humberto

• Dilma atormenta embaixadas cortando recursos
A presidenta Dilma, que jamais escondeu sua aversão ao Itamaraty, agora atormenta representações diplomáticas no exterior cortando-lhes recursos para manutenção. Todas estão a pão e água, e algumas nem isso: a embaixada do Brasil em Londres já recebeu aviso de corte de água. Ao Itamaraty não resta alternativa senão aguardar, mas o governo garantiu que até sexta-feira (7) vai “regularizar a situação”.

• Maior pindaíba…
Várias embaixadas e consulados, principalmente as maiores, ficaram sem recursos para contas essenciais como água, luz e aquecimento.

• …em tempo gelado
A manutenção tem sido rateada pelos servidores. No duro inverno do hemisfério norte, impossível trabalhar (e até viver) sem aquecimento.

• Ela é o cara
Marina Silva foi aplaudida quando pegou o microfone para discursar sobre diretrizes do programa PSB/Rede. Já Eduardo Campos…

• ‘Barulhaço’
Militares da reserva organizam na internet “foguetório” nas ruas e nas janelas às 20h de 31 de março para lembrar o golpe de 1964.

• Ciúmes de Nizan iniciaram fritura de ex-ministra
Audiência de Dilma ao publicitário Nizan Guanaes, em 27 de outubro, deflagrou o esquema vitorioso com a demissão da ex-ministra Helena Chagas (Comunicação), que possibilitara o encontro. O problema é que Dilma adorou a conversa e aprovou a campanha que ele propôs para a Copa do Mundo. A expressão “Copa das Copas”, sugerida por Nizan, foi imediatamente adotada pela presidenta em entrevistas e discursos.

• Início da fritura
A reunião de Dilma com Nizan deixou injuriado o marqueteiro João Santana, que se uniu a Franklin Martins para derrubar Helena Chagas.

• Emocional
Apesar da cara feia, prevaleceu a campanha “mais emocional” de Nizan, que até publicou artigo sobre o tema, em 6 de dezembro.

• Conspiração
Franklin Martins topou se unir a Santana contra Helena Chagas até por causa de interesses contrariados da produtora de TV da mulher dele.

• Fio desencapado
Dirigentes do PT estão apavorados com os métodos de Paulo Abreu, negociante cuja oferta de emprego no hotel St. Peter prolongou a permanência de José Dirceu na Papuda. O PT teme que Abreu ressurja no noticiário, o que seria desastroso em ano eleitoral.

• Eunício é candidato
Em negociação com o PMDB, Dilma admitiu nomear o senador Eunicio Oliveira (PMDB-CE) para o Ministério da Integração. Mas ele avisou que prefere disputar o governo do Ceará. Eunicio lidera as pesquisas.

• Nova ameaça
Deputados do PMDB se reúnem nesta quarta para discutir se devolvem os ministérios do Turismo e da Agricultura. Eles estão indóceis, após Dilma priorizar a negociação com a bancada do PMDB no Senado.

• Haja medalha
O Ministério da Defesa torrou R$ 13,5 milhões com condecorações e homenagens em 2013. Só a cerimônia do Dia do Marinheiro no Comando do 7º Distrito Naval custou R$ 311 mil aos cofres públicos.

• Para inglês ver
Na reta final da campanha de reeleição, o governo Dilma abriu licitação de R$ 30,6 milhões para contratar uma assessoria internacional de imprensa e relações públicas para dar maior “visibilidade” ao país.

• Campanha
O presidente da Câmara Legislativa do DF, Wasny de Roure (PT), voltou a sonhar com o cargo vitalício no Tribunal de Contas. Aliou-se ao sindicato dos funcionários para tentar tornar definitivo o afastamento do conselheiro Domingos Lamoglia, e forçar a abertura de nova vaga.

• Telhado de vidro
Petistas se preocuparam tanto com a foto do ministro Joaquim Barbosa com um foragido da Justiça, Antonio Mahfuz, que começou a circular na internet uma foto de Dilma ao lado do traficante William da Rocinha.

• Estranho no ninho
Ligado ao presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG), o prefeito socialista de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, mal cumprimentou o governador Eduardo Campos (PSB-PE) ontem em evento em Brasília.

• Musos do mensalão
Não bastasse o “rolezinho”, agora temos o “cecêzinho” do mensaleiros condenados e cupinchas erguendo o punho em sinal de “vitória”.

Fonte: Diário do Poder

Brasília-DF -Denise Rothenburg

O jogo em silêncio
Neste momento da corrida presidencial, vale mais o que se conversa entre quatro paredes do que os discursos inflamados, sejam de governistas, sejam da oposição. Ontem, por exemplo, assim que saiu do ato político do PSB/Rede, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, praticamente fechou seus palanques no Centro-Oeste. Em Tocantins, o nome para governador é o do procurador da República Mário Lúcio Avelar, aquele que prendeu Jader Barbalho (PMDB-PA). Em Goiás, Vanderlan. Em Mato Grosso, Pedro Taques (PDT), e em Mato Grosso do Sul, Murilo Zauite, prefeito de Dourados. Isso se não conseguir atrair o PMDB de Nelsinho Trad para uma composição.

PMDB...
Foi tensa a reunião da cúpula peemedebista que varou a madrugada, no Palácio do Jaburu. A tentativa de oferecer o Ministério da Integração ao senador Eunício Oliveira foi um tiro no pé. A leitura foi a de que Dilma queria resolver o palanque do Ceará e não atender o PMDB, uma vez que o mesmo posto não foi oferecido ao senador Vital do Rego Filho, hoje um ministro sem pasta.

...em chamas
A novela está chegando ao ponto de desgastar até mesmo o vice-presidente da República, Michel Temer. Os deputados do PMDB dizem que ele está mais preocupado com o próprio cargo do que em atender a bancada.

Teste de fidelidade
O vice-presidente Michel Temer escalou o deputado Eliseu Padilha (RS) como coordenador político na campanha da reeleição. Assim, se Dilma conquistar um segundo mandato, o gaúcho — que, por 20 anos, ajudou as campanhas presidenciais do PSDB — estará na boca para ocupar um cargo no primeiro escalão do governo do PT.

Aécio comanda
Prefeitos do interior de Minas Gerais têm feito o seguinte pedido aos deputados federais de qualquer partido que chegam cobrando apoio para a campanha: "Tudo bem, mas não me peça para apoiar outro candidato a presidente da República que não seja Aécio Neves, o mineiro autêntico".

Por falar em Minas...
Se Antônio Andrade deixar o governo e os peemedebistas mineiros ficarem sem ministério, Dilma verá o restante da bancada migrar para a campanha de Aécio. Hoje, o tucano reúne 70% dos deputados do PMDB de Minas em seu palanque.

Convidado/ Só depende agora do senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB-PE, a decisão de concorrer à reeleição. Da parte do PSB, a porta do apoio está totalmente aberta. Jarbas, entretanto, ainda não se decidiu.

Na música/ O ministro do Tribunal de Contas da União José Múcio Monteiro (foto) vai lançar, em breve, um CD com 22 composições de sua autoria, em parceria com Nando Cordel. O trabalho está em fase de produção e definição de arranjos.

Fitness/ Era 7h30 de ontem, quando um deputado abriu a porta do elevador do prédio em que mora e se deparou com João Paulo Cunha. O deputado petista voltava de sua última caminhada em liberdade, antes da ordem de prisão.

O especialista/ A TV Justiça estreia hoje, às 13h30, um programa em que quatro jornalistas convidados sabatinam o presidente do TSE, Marco Aurélio Melo, sobre as eleições de 2014. O Correio estará representado pela editora de opinião Dad Squarisi.

Fonte: Correio Braziliense

Panorama Político – Ilimar Franco

A guerra suja nas redes sociais
A campanha eleitoral ainda não começou e o Paraná registra flagrante de golpe baixo. O TRE tirou do ar, no Facebook, o perfil “Gleisi Indelicada” e a comunidade “Gleisi não”. Anônimas, foram para a rede pelas mãos do jornalista José Gilberto Maciel. Ele ocupa cargo em comissão na agência estadual de notícias do governo do Paraná e um dos IPs mais utilizados, para os ataques, era de uma empresa pública do estado, a CELEPAR.

Um franco-atirador?
O desembargador Edson Vidal Pinto comandou a investigação e seu despacho é de 28 de janeiro. Relator, ele afirma: "Houve flagrante violação ao direito de personalidade, ao ridicularizar a reclamante com referências grosseiras que transbordam os limites do livre exercício da liberdade de expressão”. O alvo era a senadora Gleisi Hoffmann, candidata do PT ao governo do Paraná. O magistrado conclui: “O único intuito da criação do perfil falso “Gleisi Indelicada” era denegrir a imagem da autora". No processo, o Facebook informou que em um mês o tal jornalista gastou mais de R$ 4.600,00, para atacar a petista, usando seu próprio cartão de crédito.

Todos são iguais na internet?
A campanha nas redes sociais será um novo foco de tensão nas eleições. Nelas, se pratica um Vale-Tudo. Sua audiência cresce aos saltos e todos querem fazer melhor. Este “melhor” deve ser visto pelos lados do aceitável e do inaceitável.

“A expectativa é que a bancada do PMDB na Câmara libere a presidente Dilma e entregue as pastas do Turismo e da Agricultura”
Gastão Vieira
Ministro do Turismo, sobre a ação do partido para se descolar da pecha de fisiologismo

Contra tudo e todos
A ex-deputada Luciana Genro (RS) será a vice do candidato do PSOL ao Planalto, senador Randolfe Rodrigues. O lançamento da chapa deve ocorrer no dia 17 no Rio. O partido vai disputar a Presidência para reforçar as candidaturas ao Congresso. O partido sonha chegar, ao menos, aos 6.575.393 votos (6,85%) alcançados por Heloísa Helena em 2006.

Aposta na divisão
O PMDB não gostou da atitude da presidente Dilma. Ela sugeriu a Integração para o líder no Senado, Eunício Oliveira (CE), sabendo que os senadores tinham indicado Vital do Rego (PB).

Na linha fina
Pesquisa qualitativa realizada pelo DEM, que ouviu 27 grupos em nove capitais, revela que: “Entre o "ruim" (a presidente Dilma) e "o ruim desconhecido" (Eduardo Campos e Aécio Neves), os eleitores preferem Dilma”. Os eleitores não engolem promessas na saúde, na educação e na segurança pública porque nunca são cumpridas.

Faça chuva ou faça sol
A direção nacional do PT vai baixar o centralismo em Santa Catarina. O partido vai apoiar a reeleição do governador Raimundo Colombo (PSD). O presidente petista no Estado, Cláudio Vignatti, será o candidato da chapa ao Senado.

Uma pedra no meio do caminho
Um simpatizante da candidatura Aécio Neves à Presidência, que esteve recentemente no Rio Grande do Sul, relata que o drama do tucano é que lá “ninguém quer chegar perto nem quer em seu palanque a ex-governadora Yeda Crusius".

A sede da agência de notícias do PT será Brasília, que abrigará 80% da redação do portal de informação na internet. São Paulo terá sucursal.

Fonte: O Globo

Celso Ming: A indústria patina

Ninguém esperava retração tão forte da produção industrial em dezembro: queda de 3,5% em relação a novembro (veja o gráfico).

Dezembro é, em geral, um mês mais fraco para a indústria, pela temporada de final de ano e pelas férias coletivas. Todos os anos têm dezembro mais ou menos assim – o que é verdade – e, no entanto, este foi o pior dezembro para a indústria desde 2008, que foi o do auge da crise global.
O mau desempenho compromete o resultado do PIB de 2013 e carrega o baixo empuxo para o primeiro trimestre de 2014. De todo modo, o dado mais preocupante não é o recuo em relação a novembro, mas a queda generalizada, que atingiu 22 dos 27 subsetores da área.

Praticamente de tudo quanto a indústria pediu para o governo foi dado muito ou um pouco. A indústria quis mercado interno, pois teve mercado interno, já que o consumo cresce à proporção de 5% a 6% ao ano. O governo deu câmbio (desvalorização cambial de 3,4% entre agosto e dezembro de 2013); deu crédito, um bom pedaço dele subsidiado; deu redução de impostos, principalmente para a indústria de veículos, aparelhos domésticos, mobiliário e materiais de construção; deu desoneração de encargos sociais, que, em 2013, reduziu a arrecadação em R$ 60 bilhões; continuou proporcionando enorme proteção alfandegária para praticamente todos os setores; deu reserva de mercado para importantes segmentos, especialmente para a área de petróleo; e deu redução de tarifas de energia elétrica. A indústria não quis enfrentar mais concorrência com a abertura de mercado por meio de acordos comerciais? Pois o governo a atendeu, recusando negociações no âmbito da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e com a União Europeia.

E, no entanto, a indústria patina. Seu nível de competitividade é baixo, o de investimento, também; o de inovação, mais ainda. Por mais que conclame o empresário a soltar o espírito animal, a presidente Dilma não consegue ser atendida.

A leitura do governo é a de que a indústria precisa de política industrial. Pois teve a tal política industrial consubstanciada nos itens acima citados. Mas será por aí? Ou a melhor política não seria cuidar da solidez dos fundamentos da economia e do crescimento sustentável?

Mas isso não é tudo. O empresário não tem confiança no governo e vice-versa. Ele identifica no governo um viés intervencionista, que achata seus lucros. E o governo às vezes sugere que o empresário não tem espírito público, porque só pensa em levar vantagem.

O que parece permear tudo é certa deterioração do ambiente de negócios porque toda a política econômica está vulnerável. A política de administração das finanças públicas não é austera o suficiente para controlar a inflação e, ao mesmo tempo, dispensar a disparada dos juros básicos; a carga tributária é desencorajadora; a infraestrutura é precária e cara demais; os investimentos são insuficientes; as regras do jogo não passam firmeza; as reformas não andam.

Ora, direis, ouvir lamúrias… Também não dá para seguir afirmando que os problemas se devem à crise externa. As mazelas são nossas. E as lambanças, também.

CONFIRA:

Esta foi, em 12 meses, a evolução da atividade industrial por média móvel trimestral, critério que neutraliza excessos de volatilidade.

‘Pendiente’. A edição desta terça-feira do diário espanhol ‘El País’ trouxe queixa/cobrança do presidente da Bolívia, Evo Morales. Ele afirma que a Petrobrás não paga uma dívida correspondente a fornecimento de gás natural (rico em etano, butano, propano, pentano, hexano e heptano). É coisa um tanto variável: “20, 30, 40 millones de dólares”. Morales acrescentou: “Se eu fosse a Petrobrás pagaria isso”.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Aécio culpa má gestão do governo federal e falta de investimentos por apagão

DEM pediu a convocação de Lobão para falar sobre falha que atingiu quatro regiões nesta terça

Presidente da Câmara diz que vai analisar o pedido para que ministro seja chamado a falar em uma comissão geral da Casa, em plenário

Júnia Gama, Cristiane Jungblut

BRASÍLIA - O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), lamentou nesta terça-feira o apagão que atingiu quatro regiões do país. Em nota, Aécio Neves responsabilizou o governo federal pela “má gestão e pela falta de investimentos no setor elétrico”.

- Estamos agora colhendo, infelizmente, os frutos da má gestão do governo federal na área de energia. O governo federal afugentou os investimentos. Ele poderia ter simplesmente tirado os impostos federais da conta de luz para alcançar o objetivo da sua redução. Essa excessiva intervenção do governo federal vai certamente custar muito caro a todos os brasileiros que são afetados por esses apagões, e que, se não chover rapidamente, poderão ser maiores ainda no futuro.

Tudo isso fruto da incompetência e da má gestão do governo federal nesse setor fundamental para a vida dos brasileiros - afirmou.

O líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), apresentou nesta terça-feira requerimento pedindo a convocação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para falar sobre a política energética e os novos apagões, durante reunião de líderes partidários com o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Segundo Mendonça Filho, Lobão seria chamado para falar numa comissão geral da Câmara - audiência pública que é realizada no plenário da Casa - e não em uma simples comissão temática. Mas o presidente Henrique Alves vai analisar o pedido.

Para o DEM, há uma crise energética no país, mesmo com a concessão de pesados subsídios por parte do governo federal.

- A política energética do governo Dilma está fracassando, mesmo com a concessão de subsídio na veia por parte do Tesouro. Queremos saber do ministro que rumo a política energética está tomando - disse Mendonça Filho.

Na mesma linha, o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), como presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Infraestrutura, disse que o setor elétrico está vivendo um "momento de estresse".

- O apagão é resultado da incúria do planejamento do setor elétrico - disse Jardim.

Segundo ele, o Tribunal de Contas da União (TCU) realizou levantamento sobre a situação do setor elétrico e identificou falhas, mas que elas persistem com o registro do primeiro apagão do ano e o 10º somente no governo Dilma Rousseff.

- A postura do ministro Edison Lobão, que sempre diz que o sistema elétrico é robusto, é idêntica a adotada pelo ministro (da Fazenda) Guido Mantega, que produz frases animadoras para ocultar ou desmentir fatos negativos ao governo - disse Jardim, em tom irônico.

Fonte: O Globo

O que pensa a mídia - editoriais de alguns jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Casuarina, Frejat - Já fui uma brasa

Vinicius de Moraes: Receita de mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança,
qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize
elegantemente em azul,
como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso
que súbito tenha-se a
impressão de ver uma
garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só
encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas
que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso,
é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que
umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como no âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos então
Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas,
e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras:
uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável.
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!).
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser frescas nas mãos, nos braços, no dorso, e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.