Valor Econômico
Levantamentos Genial/Quaest mostram que
aglutinação dos votos de candidatos da direita contra Lula não é automática
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um
eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é
automática, conforme deixa claro o pacote de pesquisas da Genial/Quaest nos dez
principais colégios eleitorais do país. Caso chegue ao segundo turno, Flávio
precisará do engajamento dos que ficaram para trás na primeira rodada. Os votos
não virão por osmose.
O caso de dispersão de votos mais gritante na simulação de segundo turno em relação ao quadro do primeiro turno está em Minas Gerais. De acordo com a Genial/Quaest, 21% dos eleitores mineiros escolheram candidatos fora da polarização, sendo que 12% optaram pelo ex-governador Romeu Zema (Novo). Lula ficou com 30% e Flávio com 29%. No segundo turno, o senador do PL avança apenas seis pontos percentuais, enquanto o petista cresce oito pontos. O total de eleitores que alienam o voto, seja por indecisão, recusa em votar ou opção por voto em branco ou nulo, avança de 20% para 27%.
Se Flávio em Minas Gerais herdasse
automaticamente os votos da direita, ele somaria não só os 12% de eleitores de
Zema, mas também os 4% que escolheram Ronaldo Caiado (PSD) e os 2% que optaram
por Renan Santos (Missão), ou seja, 18% dos 21% que votaram fora da
polarização. Na simulação de segundo turno, contudo, este manancial se
dispersa.
Pode estar pesando contra o candidato do PL a
ausência de um palanque sólido em Minas. O líder nas pesquisas para governador,
senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) seria uma opção, mas tem um
comportamento político errático e está com dificuldades de viabilizar sua
candidatura junto ao seu próprio partido. O governador Mateus Simões (PSD) é
aliado de Zema e pertence ao partido de Caiado.
MG tem o caso de dispersão de votos mais
gritante na simulação de segundo turno
Também em Goiás, Estado que era governado por
Caiado, existe dispersão da direita em um segundo turno que oponha Flávio
Bolsonaro a Lula, mas em um grau menor do que o caso mineiro. Em nenhum outro
lugar do país a quebra da polarização ocorre com tanta força como lá. Entre os
goianos, 37% votam por alternativas ao PL e ao PT, sendo que 33% deles escolhem
Caiado. Flávio obtém 27% no primeiro turno e Lula 23%. Na simulação de segundo
turno, o bolsonarista cresce 20 pontos percentuais, ou o equivalente a cerca de
3/5 do eleitorado caiadista. Lula avança 12 pontos percentuais. A alienação de
voto (indecisos, em branco, nulos, ausentes) sobe de 13% para 18%.
A transferência automática de votos nesse
caso ocorre em outra situação, a de um improvável segundo turno entre Lula e
Caiado. O goiano, nesse cenário, passa de 33% para 67% no segundo turno,
absorvendo na integralidade o eleitorado local de Flávio.
Em São Paulo, os eleitores fora da polarização
somam apenas 13%, e também se fragmentam no segundo turno. Flávio ganha seis
pontos percentuais, passando de 34% no primeiro turno para 40% no segundo. Lula
avança cinco pontos, indo de 30% para 35%. E o total de votos alienado cresce
de 23% para 25%. Também não há transferência automática, embora tanto o PSD de
Caiado quanto o Novo de Zema estejam acoplados na campanha de reeleição do
governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), um bolsonarista. O Missão de
Renan Santos não tem palanque no Estado.
No Rio de Janeiro, domicílio eleitoral de
Flávio, a terceira via é frágil, representando a opção de apenas 10% dos
eleitores. Ainda assim, não há adesão automática ao senador do PL no segundo
turno. A diferença a favor de Flávio em relação a Lula de dois pontos
percentuais no primeiro turno (32% a 30%) passa para três pontos percentuais no
segundo turno (38% a 35%).
Também nesse caso a falta de um palanque
firme pode prejudicar o senador. O PL perdeu o comando do Estado quando o então
governador Cláudio Castro (PL) renunciou e a sucessão estadual, judicializada,
terminou nas mãos do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de
Justiça. O candidato bolsonarista, Douglas Ruas (PL), não decola e passou a
enfrentar a concorrência do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) pelo
flanco da direita. O líder nas pesquisas, Eduardo Paes (PSD), tenta se manter
distante da eleição presidencial.
Nos Estados do Norte e do Nordeste a
transferência automática de votos a Flávio é quase inexistente. Só é relevante
no Pará, onde o candidato do PL passa de 31% no primeiro turno para 37% no
segundo turno. Ele divide com Lula, que passa de 38% para 44%, o espólio dos
13% obtidos pelos candidatos de fora da polarização, sendo que Zema, Caiado e
Renan somam 7% dessa fatia.
Os únicos casos de aglutinação automática de
votos da direita no segundo turno mostrados pelas pesquisas Genial/Quaest estão
na região Sul. Flávio passa de 42% para 50% no Paraná, absorvendo quase todo o
eleitorado não polarizado (9%), enquanto Lula avança de 24% para 28%. No Rio
Grande do Sul, o candidato do PL cresce de 32% para 40%, ficando com 100% dos
não polarizados. Lula avança de 30% para 35% em cima dos que alienam o voto,
fatia que cai de 30% para 25%.

Nenhum comentário:
Postar um comentário