sexta-feira, 26 de junho de 2026

Duelo entre Michelle e Flávio expõe disputa por herança política de Bolsonaro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ex-primeira-dama e senador travam batalha aberta pelos votos de Jair

A nova crise na campanha de Flávio Bolsonaro surgiu dentro de casa. A ex-primeira-dama Michelle disse que o enteado a “maltratou”, “desrespeitou” e “humilhou”. O candidato do PL já penava com o eleitorado feminino, determinante na derrota do pai em 2022.

O projeto dos Bolsonaro sempre foi familiar. O capitão lançou na política os filhos Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan. Não contava com a rivalidade entre os herdeiros de sangue e a madrasta, que também mostra apetite pelo poder.

Michelle foi a última a ingressar no clã. Terceira mulher do ex-presidente, tem 44 anos, um a menos que Flávio. Quando se casou com Jair, o Zero Um, o Zero Dois e o Zero Três já eram adultos e esperavam na fila para sucedê-lo.

Os sinais de desalinho são visíveis desde a posse do capitão, quando Carluxo se aboletou na garupa do Rolls-Royce presidencial. Desempenhava um duplo papel: guarda-costas do pai e olheiro dos irmãos. Mais tarde, o vereador seria proibido de entrar no Palácio da Alvorada. “Ele tem o gênio dele, eu tenho o meu. Não sou obrigada a conviver”, justificou a madrasta.

Quando Jair se tornou inelegível, o Datafolha mostrou que a ex-primeira-dama tinha mais potencial de voto que os enteados. O capitão ignorou as pesquisas e optou pelo primogênito. Preterida, Michelle passou a boicotar os atos de campanha. Agora cria a maior crise para a direita desde a descoberta de que Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro.

O estopim da nova briga foi a divergência sobre o palanque bolsonarista no Ceará. Michelle era contrária ao acordo do PL com Ciro Gomes. No vídeo em que detonou o Zero Um, ela recitou palavras do ex-ministro sobre Jair: “ladrão de galinhas”, “corrupto”, “burro”, “jumento”.

O arranjo local frustrou o plano da ex-primeira-dama de lançar uma aliada ao Senado. Impedida de concorrer ao Planalto, Michelle quer formar uma bancada de mulheres evangélicas em Brasília. O objetivo é se fortalecer na disputa com os enteados pelo espólio político do marido. Agora ou em 2030.

Em causa própria

Ao defender o sigilo sobre as isenções fiscais do governo de Minas, Romeu Zema disse que a divulgação das empresas beneficiadas seria “perniciosa” para o estado.

A revelação de que a Eletrozema deixou de pagar R$ 2,2 milhões em impostos indica que a preocupação era outra.


Um comentário:

ADEMAR AMANCIO disse...

Pois é,Seu José!