O Estado de S. Paulo
As próximas eleições provocam angústia não só em políticos. Mas também entre integrantes do STF, que enxergam na permanência do atual governo sua melhor chance de sobrevivência. São os encrencados em escândalos, que temem perder a condição atual de intocáveis. Eles manobram em dois eixos de atuação que, no fundo, são uma coisa só. Operam sob um sentido de urgência.
O primeiro é exercer o que puderem de controle sobre as investigações da Polícia Federal. Isso se dá por laços pessoais, mas também institucionais, como se viu recentemente na tentativa do diretor-geral da PF de acionar a AGU contra um dos ministros do Supremo, André Mendonça, o principal alvo dos encrencados.
Não é coisa fácil, pois, como se sabe,
ninguém controla totalmente essa corporação, por sua vez também dividida entre
lealdades políticas diversas e ambiente de suspeitas. Que piorou
consideravelmente nos últimos dias em função das investigações do Master, do
INSS e de Lulinha, e o papel central do STF.
Ocorre que todo mundo em Brasília, incluindo
o Supremo, se convenceu de que a PF já juntou o material referente
especialmente a Alexandre de Moraes, extraído do celular de Daniel Vorcaro.
Isso vai parar nas mãos de quem?
O caminho “natural” seria a confecção de um
relatório que seria então entregue ao relator do caso no STF – André Mendonça.
Que o enviaria ao PGR e, na sequência (não importa a posição de Paulo Gonet),
ao plenário da Corte para que se decida sobre eventual abertura de investigação
contra um dos ministros.
Este é o segundo eixo da atuação dos
encrencados. Garantir que André Mendonça esteja em minoria nessa eventual
votação. Qual o peso que o “clamor popular” teria numa situação dessas? O STF
já decidiu “não” uma vez em cima de achados da PF sobre seus integrantes, mas
foi uma reunião “secreta”. Faria isso de novo?
Neste momento, a ala em torno dos encrencados
sentese no comando, apesar de algumas ações de bastidores traduzirem grande
ansiedade. Como a oferta a enroladíssimo cacique de partido de poupá-lo de
dissabores em troca de não deixar Tereza Cristina candidatar-se como vice na
chapa de Flávio (a senadora era considerada um reforço importante).
Ou seja, a incógnita são as eleições,
principalmente pelo que possam significar nos previsíveis e já antecipados
cenários de confronto do STF com o Legislativo. Em Brasília, conjectura-se em
gabinetes relevantes sobre a possibilidade de que se acabe chegando a algum
tipo de desobediência civil, isto é, um Poder desafiando o outro e recusando-se
a cumprir uma determinação. E quem chamaria uma GLO, e como seria obedecida?
É algo tido como distante, mas surgiu na tela dos radares. Algo que a marcha dos encrencados parece tornar mais próximo, e não mais longínquo.

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