terça-feira, 29 de outubro de 2013

Prova dos noves - Dora Kramer

Desafio de Campos e Marina é transformar sonho em realidade.

O enunciado do problema em tese é simples, não tem nada de novo. O complicado na prática é a solução a que se propõem o governador Eduardo Campos e a ex-senadora Marina Silva, agora que iniciam a elaboração do programa conjunto dessa aliança para a eleição de 2014 sustentado na ideia da "nova política".

De acordo com o esboço do documento que seria discutido ontem e antecipado em parte pelo Estado, "é necessária mudança profunda do sistema político". Até aí, morreu neves.

O trecho seguinte é que são elas: mudança apara permitir a emergência de outro modelo de governabilidade, cujos alinhamentos se deem em torno de afinidades programáticas, e não em torno de feudos dentro do próprio Estado, do desmantelamento da gestão pública e do uso caótico, perdulário e dispersivo do orçamento nacional".

Não resta dúvida de que existe outra maneira de se governar em sistema de coalizão que não seja a adotada hoje e descrita com precisão na proposta a ser debatida. Não é aceitável que uma democracia esteja condenada a pagar pedágio ao físiologismo e à corrupção.

O desafio de Campos e Marina será o de demonstrar com objetividade e clareza como isso pode ser feito. A coragem de esmiuçar o assunto para além do simples slogan em plena trajetória de campanha conta ponto a favor deles.

Nenhum partido fez isso até hoje, provavelmente com medo de afugentar potenciais aliados acostumados à dinâmica de usurpação do bem coletivo para uso particular.

Para se afastar dos "moldes tradicionais" é preciso mais que boas intenções. É indispensável a capacidade realística (a "sonhática" não basta) de mudar as regras de funcionamento do modelo. E isso não se faz com lei, com reforma política, mas com mudança de procedimento.

Começando pela superação de algumas contradições. Marina Silva ficou no governo Lula até 2008, sabendo perfeitamente bem em que base se formou a maioria parlamentar, até porque foram reveladas três anos antes no escândalo do mensalão.

Eduardo Campos governa Pernambuco com uma coalizão de 14 partidos. Todos comprometidos e motivados por programa de governo? Pode até ser, mas tal hipótese otimista não elimina o fato de que até "anteontem" o PSB fazia parte do governo federal, cujos métodos são exatamente aqueles que se propõe a mudar.

Nada é necessariamente eterno, as pessoas podem tentar fazer diferente, mas votos de confiança são concedidos com mais facilidade se precedidos de algo mais concreto que a mera inspiração da esperança. Este filme o Brasil já viu.

Retomada. Agora que uma pesquisa (Datafolha) mostra em números o repúdio de 95% dos consultados à ação violenta dos vândalos ditos "black blocs", é possível que gente tão influente quanto equivocada perceba o que a maioria da população já percebeu: a diferença nítida entre protesto e bandidagem.

Se os mascarados refluírem é possível que o cidadão perca o medo de se manifestar. Para os alvos dos protestos de junho, nada mais útil que um bando de inúteis a interditar as ruas - estrito e lato sensos - fazendo, em plena democracia, o papel da repressão na ditadura.

Dá no mesmo. Roberto Carlos tenta se penitenciar da fria a que levou seus colegas a entrar (porque quiseram) na questão das biografias: ofereceu suporte legal de primeira - e caríssima - linha ao grupo Procure Saber e deu entrevista ao Fantástico depois de semanas de silêncio.

Disse que é a favor de biografias não autorizadas. Mediante, entretanto, um "acordo prévio". É de se supor que com os autores e/ou editoras sobre o conteúdo do que seria publicado. De onde trocou "censura" por "acordo" e deixou intacto o conceito de obrigatoriedade de autorização.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Panorama político - Ilimar Franco

Maioria no PPS quer Eduardo
O PSDB está chegando tarde demais. O PPS deve aprovar, segunda-feira, um texto base para seu Congresso, em dezembro, que, segundo seu presidente, deputado Roberto Freire (SP), representa "uma virada mais à esquerda do partido" O PPS já tem uma maioria favorável a um "bloco democrático de centro-esquerda" que dê sustentação à chapa Eduardo Campos-Marina Silva.

Apesar de Marina Silva
Os ministros da Agricultura nos governos FH e Lula, Francisco Turra, Pratini de Moraes e Roberto Rodrigues, não interromperam o diálogo, iniciado em janeiro, com Eduardo Campos (PSB). Mesmo após as declarações polêmicas de Marina Silva (Rede), eles continuam firmes. Os três têm em comum, segundo um parlamentar ruralista, dúvidas sobre a competitividade de Aécio Neves (PSDB). Roberto Rodrigues disse um dia desses que a candidatura de Eduardo tem charme de direita. Avaliam que ele tem condições de "derrubar" a reeleição da presidente Dilma. Eles sustentam que Marina não atrapalha, desde que fique claro que Eduardo é o cabeça da chapa.

"Está fora da agenda do mundo quem tratar da produção sem considerar a sustentabilidade, a preservação e a redução da emissão de carbono"
Beto Albuquerque, Líder do PSB na Câmara (RS), sobre as polêmicas em torno do ingresso de Marina Silva no partido

Ética seletiva
Chama a atenção da bancada no Congresso, autodenominada "ética" a displicência do Ministério Público de São Paulo e das autoridades do estado, inclusive seu Poder Legislativo, com o caso de corrupção envolvendo a multinacional Alstom.

Por dentro do PT
Integrante do comando do PT nacional, Alberto Cantalice, na condição de vice do partido, participa das articulações nacionais sobre a política eleitoral petista nos estados e na sucessão presidencial.

Sobre o Rio, ele garante:
"Não há pressão possível. O PT terá candidato próprio para governador, em 2014. E o pré-candidato é Lindbergh Farias!"

Superprodução
A cineasta Tizuka Yamasaki está documentando todos os passos da dupla Eduardo Campos e Marina Silva. Gravou tudo ontem no seminário conjunto PSB/Rede, em São Paulo, e continuará andando com os dois pelo país.

Erosão de quadros
A perda de quadros, provocada pelo escândalo do mensalão, abalou a qualidade da bancada do PT na Câmara. O partido considera que tem hoje três quadros de experiência para comandá-lo na Casa. O líder do governo, Arlindo Chinaglia (SP), o líder do PT, José Guimarães (CE), e o ex-líder Cândido Vaccarezza (SP). Por isso, a preferência do partido é que eles disputem a reeleição.

Para enxugar o quadro partidário
Numa conversa com a presidente Dilma, semana passada, um dos caciques do PMDB afirmou que o governo deverá jogar todas as suas fichas numa única mudança na lei eleitoral. A da proibição das coligações nas eleições proporcionais.

Nos mínimos detalhes
Na reunião do PSB-Rede, a maior preocupação era garantir total equilíbrio. Eduardo Campos e Marina Silva falaram o mesmo tempo. As dez mesas temáticas foram montadas com um presidente e um relator. Mas um de cada lado.

O governador Camilo Capiberíse (PSB-AP) anda dizendo por aí que não fará comício nem para Eduardo Campos (PSB) nem para a presidente Dilma (PT).

Fonte: O Globo

Painel - Vera Magalhães

É pra já?
Integrantes do Supremo Tribunal Federal sustentam que a súmula vinculante 354 determina que os condenados do mensalão devem começar a cumprir pena pelos crimes sobre os quais não há embargos infringentes. A súmula diz que é "definitiva a parte da decisão embargada em que não houve divergência na votação". Por esse entendimento, se o Ministério Público pedir ou o relator suscitar a questão, os mandados de prisão podem ser expedidos a partir de 6 de novembro.

Aquele abraço Eduardo Campos (PSB) telefonou para Lula no domingo para desejar feliz aniversário ao ex-presidente. Campos disse à coluna que a conversa "foi boa", mas não relatou o conteúdo.

1+1 Em um dos intervalos do seminário de ontem com a Rede, o governador pernambucano projetava a aliados qual deverá ser a fatia do PSB na propaganda eleitoral: até quatro minutos por bloco.

Bê-a-bá Segundo correligionários, esse tempo levaria em conta PPS, PV e PDT ou Solidariedade.

Minimalista Campos tomou café da manhã ontem com Miguel Manso, presidente nacional do PPL. A sigla não tem bancada na Câmara, mas sua adesão, segundo pessebistas, retiraria um nanico da disputa, o que aumentaria o rateio do tempo entre os demais candidatos.

Claquete Uma equipe comandada pela cineasta Tizuka Yamasaki captou imagens do encontro de ontem. A diretora trabalha com a Link, agência que atende o PSB e o governo de Pernambuco.

Dinâmica... Rede e PSB criaram regras pitorescas para tentar organizar o debate. Em cada mesa, só podia falar aquele que estivesse segurando uma bolinha de tênis.

... de grupo Um papel ensinava: "O silêncio faz parte da conversa", "preparar mentalmente o que tem a dizer" e "falar apenas o necessário".

Linha de frente Com as denúncias de que os EUA espionavam até Angela Merkel, a ação do Planalto contra a agência de inteligência NSA virou a prioridade da política externa e interna.

Pretensão Segundo assessores, Dilma Rousseff considera que pode liderar uma reforma real nas ações pela privacidade na internet, mas para isso terá que aprovar o Marco Civil no Congresso.

Costura Os ministros da área política foram autorizados a negociar para aprovar a matéria, que encontra forte oposição das companhias telefônicas e de informática.

Caça às bruxas O Planalto ordenou pente-fino nas denúncias de atraso de entregas de cisternas no Nordeste. O governo quer entender se a demora foi por dificuldade de acesso às localidades, como diz o Ministério da Integração, ou por razões políticas.

Onde pega A pasta era comandada até recentemente por Fernando Bezerra, aliado de Eduardo Campos.

Pra ficar O ministro Guilherme Afif (Micro e Pequena Empresa) já avisou Dilma que não será candidato em 2014. Ele é do PSD de Gilberto Kassab, mas foi nomeado na cota pessoal da petista.

Nordestina A presidente irá pela segunda vez à Bahia em 15 dias. Ela vai sexta-feira a Salvador para a inauguração da Via Expressa, obra de R$ 500 milhões com recursos federais e estaduais.

Visita à Folha Claudio Luiz Lottenberg, presidente da Associação Beneficiente Israelita Brasileira Albert Einstein, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava com Valdeci Verdelho, assessor de comunicação.

Tiroteio

"Se o PT quiser oferecer a vice de Alexandre Padilha para o PSD, o PR vai procurar outro aliado para a eleição em São Paulo em 2014."

DO SENADOR ANTONIO CARLOS RODRIGUES (PR-SP), sobre as negociações entre o PT e partidos aliados para composição da chapa ao governo do Estado.

Contraponto

Nota zero

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, se posicionou em frente às câmeras de TV para conceder entrevista sobre o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), na última sexta-feira. Prestes a iniciar sua fala, ouviu o apelo de um jornalista para que aguardasse mais alguns minutos até que fosse providenciado um novo microfone. Passado algum tempo, ao perceber que o equipamento não chegava, o ministro disparou, aos risos:

--Vejam a cena: quem não se preparou para a coletiva não conseguiu chegar na hora. Se fosse no Enem, os portões já estariam fechados e ele seria desclassificado!

Fonte: Folha de S. Paulo

Brasília-DF - Denise Rothenburg

Apostas paulistas
Todos os pré-candidatos a presidente da República pisaram nos últimos dias em São Paulo e saíram de lá com um pré-desenho dos palanques no estado. Dilma Rousseff fica com três e sem o fosso de problemas que enfrenta no Rio de Janeiro. A preços de hoje, tem o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do PT, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, do PSD, e do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, do PMDB. A campanha pela reeleição só não engloba o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, até o momento restrito à candidatura presidencial do senador Aécio Neves.
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Na seara de Dilma, o grupo de Kassab faz o seguinte cálculo: o PT terá dificuldades por causa do desgaste do partido na prefeitura, uma vez que estão em cena dezenas de problemas, como o aumento do IPTU. Skaf é novo nesse ramo, visto pelos kassabistas como um piloto que acabou de tirar o brevê e quer comandar um avião de grande porte, ou seja, sem experiência de administração pública. Falta, entretanto, combinar com os eleitores, que mantêm Skaf com boas intenções de voto nas pesquisas.

Operação salvamento
A presidente Dilma Rousseff vai retirar do Senado a indicação de Paulo Passos para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O relator da proposta é nada mais, nada menos do que Alfredo Nascimento, presidente do PR e antecessor de Passos no Ministério dos Transportes. Alfredo atribui a Passos parte de suas agruras na pasta e estava pedindo aos líderes que rejeitassem a indicação. Passos, entretanto, “cai para cima”, vai para a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) no lugar de Bernardo Figueiredo.

Pano de fundo I
Os petistas adiaram todos os afazeres de rotina entre hoje e amanhã para dedicar os dois dias a enaltecer a presença do ex-presidente Lula em Brasília. Querem fotos e imagens, em especial dos aniversários do Bolsa Família e de Lula. A turma do PT está convicta de que terá lucros eleitorais, caso consiga disseminar a ideia de que o programa estará em risco se houver troca de comando no país.

Pano de fundo II
Os tucanos, por sua vez, querem aproveitar a presença de Fernando Henrique Cardoso hoje na cidade para colocar em cena a ideia de que o partido, pai do Plano Real, será aquele capaz de oferecer qualidade aos serviços que a população precisa.

“Não sei qual foi o dirigente petista que teve essa ‘brilhante’ ideia. Comício não é programa de calouros!”

Do líder do PR na Câmara, Anthony Garotinho, rechaçando a ideia de palanque quádruplo no Rio de Janeiro

Brigas futuras
As discussões sobre direito autoral de conteúdos veiculados na internet ficaram para uma legislação posterior sobre o tema, que ainda está em debate no governo. Ou seja, saíram do marco civil que está na ordem do dia. O mesmo vale para o armazenamento no Brasil de dados de usuários que navegam aqui. Essa parte será incluída no projeto de proteção de dados pessoais, em gestação no Ministério da Justiça. Sobra a polêmica neutralidade da rede, considerada o coração da proposta.

Número mágico/ JK prometeu 50 anos em cinco. Fernando Henrique Cardoso, quando em campanha, tinha a mão espalmada com cinco dedos elencando suas prioridades. Dilma Rousseff falava dia desses dos cinco pactos. Agora, Eduardo Campos e Marina Silva prometem afunilar as discussões de ontem em cinco desafios. Dois deles devem ser a reforma do estado e a maneira de indicar pessoas ao governo.

Feriadão/ O pessoal do Poder Judiciário trabalhou normalmente ontem porque o feriado pelo Dia do Servidor foi transferido para quinta-feira, 31. Epa! Folga na quinta… Sexta-feira, trabalha… Sábado, 2 de novembro, Finados… Noves fora… Tá com cara de emenda. Pode ser só impressão de alguns. Afinal, o que não falta nos poderes da República é serviço.

Meirelles, o retorno/ Toda eleição é a mesma coisa. Lá está Henrique Meirelles citado candidato, ora como vice, ora como governador, senador. Para 2014, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, cogita fazer do ex-presidente do Banco Central candidato ao Senado por São Paulo.

A volta da musa/ Convidada especial da cerimônia de 25 anos da Constituição, hoje no Senado, a cantora Fafá de Belém jantou ontem com um grupo de senadores. Ela entrou para a história do país com uma interpretação magistral do Hino Nacional na campanha das Diretas Já, na eleição de Tancredo Neves e também na Constituinte, aliás, uma bandeira do movimento das eleições diretas. Hoje, espera-se uma performance na sessão do Senado, a partir das 10h30.

Fonte: :Correio Braziliense

Política – Claudio Humberto

• Readmitidos acabam em gabinetes de senadores
São desviados para gabinetes de senadores funcionários recontratados com salários maiores e carga horária menor. Em fevereiro, o Senado anunciou “corte de gastos” e a demissão de 512 terceirizados, mas tudo não passava de factóide. Estão sendo recontratados a pretexto de atuar no apoio operacional (copa, limpeza etc), mas parte deles é designada para serviços administrativos em gabinetes de senadores.

• Disparidade
Hoje, 1.243 funcionários terceirizados pegam pesado no Senado, mas ganhando menos que os recontratados para realizar trabalho idêntico.

• Pressão
A recontratação de terceirizados atende a senadores como Inácio Arruda (PCdoB-CE), que conseguiu de volta uma “assistente”.

• Nada a declarar
Interpelado desde quinta (24) sobre a recontratação de terceirizados, o Senado não ofereceu qualquer explicação, por meio de sua assessoria.

• Olha a conta
Só uma empresa mantém 614 terceirizados no Senado, que representam despesas mensais de R$ 28.462.655,52.

• Vencedora de licitação não dá conta do serviço
Ganhadora de milionária licitação da Sabesprev, uma empresa de Maringá (PR), Benner Tecnologia e Sistemas de Saúde, ainda não consegue implementar o contrato conquistado, segundo revelam preocupados servidores da Sabesp, estatal de águas de São Paulo. Com capital social de R$ 5 mil, a Benner atuava na área de informática, mas agora participa de licitações como na Sabesprev, para assumir a gestão de planos de saúde. Funcionários da Sabesp temem a falta de expertise.

• Perna curta
A Gama Saúde gerenciou os planos de saúde dos funcionários da Sabesp por 19 anos e foi substituída pela Benner em 2011.

• No seu quadrado
A Benner tem fornecido apenas o “sistema de gerenciamento”, não a gestão. Como no caso do Ministério Público da União.

• Demora
O sistema de gestão dos planos de saúde dos funcionários da Sabesp começou a ser implementado em 2012 e até agora não foi concluído.

• Mão de vaca
Se o Pronaf comeu o pão que Lula amassou, a situação piorou muito no governo Dilma, que destinou ao programa de agricultura familiar R$ 17,3 milhões. O Bolsa Família, que dá mais votos, teve R$ 54 bilhões.

• Não procure saber
Cresce nas redes sociais um movimento pregando boicote a CDs e livros de artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso, que, adotam a atitude “fascista” de tentar censurar biografias não autorizadas.

• Amigo é para se guardar
Os governos de Alemanha, França e Espanha, que fizeram obsequioso silêncio diante da espionagem americana no Brasil, agora dizem ser “inadmissível” espionar “amigos e aliados”. O Brasil não está entre eles.

• Com aliados assim…
O PPL-DF, liderado pelo chefe Marco Antonio Campanella (DFTrans), realizou um grande evento para receber – com pompa de candidato – o ex-lutador Marcelo Tigre, que foi detido pela polícia no Rio de Janeiro após participar do quebra-quebra no protesto contra o Leilão de Libra.

• Serviço público
As ruas de Brasília estiveram desertas, ontem, no dia do servidor público, mas a debandada começou na sexta-feira (25), quando o trânsito, de tão tranqüilo, lembrava a Capital aos anos 1980.

• Viagem inútil
A visita dos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Vanessa Grazziottin (PCdoB-AM) a Moscou, para “interceder” pela bióloga brasileira presa, é tão inútil quanto tolerar uma delegação cubana pressionando o STF, por exemplo, pela absolvição do ex-ministro José Dirceu, no mensalão.

• Outro erro
A Cooperativa Nova Aliança garante ter entregue sucos de uva a Cia Nacional de Abastecimento (Conab). Na nota fiscal consta que foram vendidas garrafas de 2 litros, mas a vinícola Aliança entregou de 1,5L.

• Luxo contra crime
A Polícia Militar do Distrito Federal vai renovar a frota de viaturas para combater a bandidagem. Numa lapada só, vai torrar R$ 9,2 milhões na compra de 80 caminhonetes S10, cabine dupla e tração 4×4.

• Pensando bem…
…nomear Sergio Cabral ministro, como ele exige desesperadamente, significa tornar o Rio de Janeiro exportador de black blocs para Brasília.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Fim de ciclo - Mirian Leitão

A eleição na Argentina, para renovar parte da Câmara e do Senado, antecipou o debate da eleição de 2015. Desde que as umas começaram a mostrar a forte derrota das forças governistas, os possíveis candidatos à eleição presidencial começaram a se apresentar. Com uma margem estreita nas duas Casas, a presidente não terá chance de realizar seu projeto de permanecer no poder em um terceiro mandato.

Dramático, como tudo na Argentina, o quadro é assim: a presidente não votou, continua de licença médica, e seu filho, Máximo, que nunca se pronuncia, falou que não há data para ela voltar. O retorno era previsto para o dia 9. Enquanto isso, no dia exato que completava o terceiro aniversário da morte de Nestor Kirchner, o Kirchnerismo perdeu em estados que representam 70% do eleitorado, perdeu até na pequena Santa Cruz, na Patagônia, reduto eleitoral da presidente.

O projeto de Cristina Kirchner é o mesmo que embalava Hugo Chávez: eleições sucessivas. Ela agora tentaria mudar a Constituição para ter o direito de disputar o terceiro mandato. Para isso, precisaria de dois terços nas duas Casas, o que não tem mais. Ficou com uma estreita margem: três deputados a mais, dois senadores a mais que a maioria simples. Isso contando o grupo Kirchnerista e seus aliados.

Na economia, a inflação continua em tomo de 25%, o governo já admite que ninguém acredita no índice oficial, o câmbio está controlado porque as reservas se esgotam, e o crescimento não cresce mais como nos últimos anos. Os investidores abandonam a Argentina tamanha a intervenção do governo na economia.

O secretário de Comércio, Guilhermo Moreno, que é o mais poderoso integrante do gabinete, nem apareceu no bunker onde aliados do governo esperaram o resultado. O senador Anibal Femandez, que também é forte defensor do governo, também não apareceu. Isso fortalece a ideia de que a derrota começa a produzir dispersão nas fileiras do governismo.

A vitória de Sérgio Massa, ex-aliado da presidente, em Buenos Aires, foi acachapante. Lá, o voto é em lista, portanto, seus 42% de votos puxam uma grande bancada no colégio eleitoral que, sozinho, representa 38% do eleitorado. Por isso, Massa já começa a postular candidatura. Mas não é o único. Dentro do grupo da presidente apresenta-se Daniel Scioli, na hipótese de a presidente não ter o terceiro mandato. Outros vitoriosos, como o ex-vice-presidente Julio Cobos, que saiu do governo brigado com a presidente e foi para a União Cívica Radical, também usaram a vitória para falar como candidato. Isso, além de Mauricio Macri, de centro-direita, governador de Buenos Aires.

Felipe Solá, um críticos ferrenho do governo, disse que o resultado mostra que "a Argentina está cansada desse estilo de governo, querendo sempre cada vez mais poder" Os empresários estão cansados do que não funciona numa economia que tem tanta chance de dar certo.

O economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central do Brasil, resume assim a situação:

— A Argentina não está em recessão, mas cresce pouco. Em 2012,1,9%, este ano, 2%, e no ano que vem a projeção é 1,5%. Mas isso se confiarmos nos números do instituto de pesquisas do país (que sofreu intervenção). O país continua sem reservas. O turista argentino para gastar dólares tem que se justificar, exportadores brasileiros têm dificuldade de receber não porque o importador não tenha como pagar, mas porque não recebe autorização do Banco Central, tem muita empresa fechando as portas porque o desabastecimento de insumos industriais está atrapalhando a produção. Tudo parece mostrar o fim de um ciclo na Argentina.

É um espanto que o país enfrente uma crise cambial depois de um longo período de boom de com-modities. Na definição de Loyola, a Argentina continua sendo um país com grande potencial e uma péssima gestão macroeconômica.

Fonte: O Globo

Juntos em 2014

Dirigentes e deputados do PSDB e do PPS do Rio se reuniram ontem para conversar sobre uma aliança em 2014. Devem ficar juntos mais uma vez – os tucanos insistem que a candidatura de Bernardinho ao governo é pra valer.

Fonte: O Dia (RJ) / Informe

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Roda de Choro - Noites Cariocas (Jacob do Bandolim)

"Oropa, França e Bahia" – Ascenso Fereira

(Romance)

Para os 3 Manuéis:
Manuel Bandeira
Manuel de Souza Barros
Manuel Gomes Maranhão

Num sobradão arruinado,
Tristonho, mal-assombrado,
Que dava fundos prá terra.
( "para ver marujos,
Ttituliluliu!
ao desembarcar").

...Morava Manuel Furtado,
português apatacado,
com Maria de Alencar!
Maria, era uma cafuza,
cheia de grandes feitiços.
Ah! os seus braços roliços!
Ah! os seus peitos maciços!
Faziam Manuel babar...

A vida de Manuel,
qque louco alguém o dizia,
era vigiar das janelas
toda noite e todo o dia,
as naus que ao longe passavam,
de "Oropa, França e Bahia"!
— Me dá uma nau daquelas,
lhe suplicava Maria.
— Estás idiota , Maria.
Essas naus foram vintena
Que eu herdei da minha tia!
Por todo o ouro do mundo
eu jamais a trocaria!
Dou-te tudo que quiseres:
Dou-te xale de Tonquim!
Dou-te uma saia bordada!
Dou-te leques de marfim!
Queijos da Serra Estrela,
perfumes de benjoim...
Nada.
A mulata só queria
que seu Manuel lhe desse
uma nauzinha daquelas,
inda a mais pichititinha,
prá ela ir ver essas terras
"De Oropa, França e Bahia"...
— Ó Maria, hoje nós temos
vinhos da quinta do Aguirre,
uma queijadas de Sintra,
só prá tu te distraire
desse pensamento ruim...
— Seu Manuel, isso é besteira!
Eu prefiro macaxeira
com galinha de oxinxim!
"Ó lua que alumias
esse mundo de meu Deus,
alumia a mim também
que ando fora dos meus..."
Cantava Seu Manuel
espantando os males seus.
"Eu sou mulata dengosa,
linda, faceira, mimosa,
qual outras brancas não são"...
Cantava forte Maria,
pisando fubá de milho,
lentamente no pilão...

Uma noite de luar,
que estava mesmo taful,
mais de 400 naus,
surgiram vindas do Sul...
— Ah! Seu Manuel, isso chega...
Danou-se de escada abaixo,
se atirou no mar azul.

— "Onde vais mulhé?"
— Vou me daná no carrosé!
— Tu não vais, mulhé,
— mulhé, você não vai lá..."
Maria atirou-se n´água,
Seu Manuel seguiu atrás...
— Quero a mais pichititinha!
— Raios te partam, Maria!
Essas naus são meus tesouros,
ganhou-as matando mouros
o marido da minha tia !
Vêm dos confins do mundo...
De "Oropa, França e Bahia"!
Nadavam de mar em fora...
(Manuel atrás de Maria!)
Passou-se uma hora, outra hora,
e as naus nenhum atingia...
Faz-se um silêncio nas águas,
cadê Manuel e Maria?!
De madrugada, na praia,
dois corpos o mar lambia...
Seu Manuel era um "Boi Morto",
Maria, uma "Cotovia"!
E as naus de Manuel Furtado,
herança de sua tia?

— continuam mar em fora,
navegando noite e dia...
Caminham para "Pasárgada",
para o reino da Poesia!
Herdou-as Manuel Bandeira,
que, ante a minha choradeira,
me deu a menor que havia!

— As eternas naus do Sonho,
de "Oropa, França e Bahia"...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

OPINIÃO DO DIA - Sérgio Fausto: ‘Dissidências são um problema para quem está no poder’

O possível retomo do PT à planície refletirá a formação de uma maioria em favor de fronteiras de separação mais nítidas entre Estado e governo, entre governo e partido, entre governo, partido e sociedade civil. No Brasil consolidamos algumas conquistas: democracia eleitoral, estabilidade, prioridade à inclusão social. Falta-nos uma República em que o Estado esteja a serviço da coisa pública e o fortalecimento da cidadania, definida como exercício efetivo de direitos e obrigações iguais para todos, seja a razão de ser da vida política. É um logo processo, sem um ponto fixo de chegada. Nesta etapa, avançar nessa construção requer a quebra da hegemonia do PT na política nacional.

Sérgio Fausto, “Amplia-se o campo da oposição”. O Estado de S. Paulo, 27 de outubro de 2013.

Sem o peso do passado

Em 1989, o então presidente da Fiesp, Mário Amato, afirmou que, caso Lula fosse eleito presidente, "uns 800 mil empresários" deixariam o país. O setor produtivo paulista ainda é refratário ao PT, mas, segundo um senador que transita bem no meio, a Fiesp não tem o peso político de antes. "O presidente atual é Paulo Skaf, que está interessado na candidatura ao governo de São Paulo. A Fiesp virou uma entidade político-partidária", disse o parlamentar.

A mesma dúvida recai sobre a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), presidida pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO). Para o governo, ela é a garantia de que parte do agronegócio apoiará a reeleição de Dilma, em uma negociação semelhante à que aproximou Blairo Maggi (PR-MT) do ex-presidente Lula, em 2006. "Mas tenho dúvidas se ela tem capacidade para indicar um rumo para o setor", comentou um integrante da bancada ruralista.

Outros setores, como o comércio, também não têm um candidato ideal. E os bancos, que nas contas dilmistas são avessos à presidente, podem ter dinheiro, mas, na visão de políticos experientes, não têm tanta força política para decidir uma eleição. "Eles odeiam o PT. Podem apoiar o PSDB se o candidato for Aécio. Se os tucanos escolherem Serra, o diálogo também estará suspenso", completou um parlamentar ouvido pelo Correio.

Para o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), esse não é o momento de discutir financiamento, mas de apresentar propostas. "Os empresários estão em busca de projetos que garantam retorno a longo prazo", disse. Para o deputado Duarte Nogueira, presidente do diretório do PSDB-SP, os tucanos levam vantagem nessa disputa. "Os empresários sabem que, mais do que projetos, os governos do PSDB dão estabilidade jurídica e abrem possibilidades de parceria com o setor público", completou. (PTL e LK)

Fonte: Correio Braziliense

Afagos nos rivais: Campos exalta FH e Lula, mas fala em avançar

Governador de Pernambuco e Marina Silva lançam manifesto em ato hoje em São Paulo

No ato que realizarão hoje em São Paulo, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva (ambos do PSB) devem chancelar documento em que reconhecem as "conquistas" dos governos Fernando Henrique e Lula. Apesar de destacar os ganhos para o país, o texto pregará a necessidade de avançar de uma "maneira diferente", considerando que o modelo atual de se fazer política não é o mais adequado para assegurar avanços.

Pelo texto, é preciso um "planejamento estratégico de longo prazo" – um dos bordões usados por Marina –, não só limitado ao atual governo. O documento de referência deve ser dividido em três eixos: a manutenção das conquistas passadas – estabilidade econômica e inclusão social –, a necessidade de novas práticas na política e a promoção do desenvolvimento sustentável.

"É necessária mudança profunda do sistema político para permitir a emergência de outro modelo de governabilidade, cujos alinhamentos se deem em torno de afinidades programáticas, e não em torno de distribuição de feudos dentro do Estado, do desmantelamento da gestão pública, e do uso caótico, perdulário e dispersivo do orçamento", diz o texto.

Uma das intenções do manifesto é combater a crítica de que Marina seria limitada à atuação ambiental, afirmando que o desenvolvimento que a dupla defende não se restringe à ecologia, mas abrange os campos econômicos, social, ético e cultural.

Selada no dia 5 de outubro, a aliança entre Campos e Marina realizará o primeiro encontro para discutir um programa comum para PSB e Rede – sigla que Marina não conseguiu criar a tempo de disputar o Planalto em 2014 por não ter cumprido as exigências legais.

O ato, com cerca de 120 pessoas, terá grupos de discussão e participação de militantes pela internet. Ao final, devem ser definidos "cinco grandes desafios para o Brasil". O grupo deve fazer ao menos mais um encontro semelhante até o final do ano.

Fonte: Zero Hora (RS)

Eduardo e Lula com pesos semelhantes

Nada menos que 45% dos eleitores ouvidos admitiram votar em um candidato a governador indicado por Eduardo. Para a dupla Lula-Dilma, esse percentual foi de 42%

Os dois já foram aliados afinadíssimos, já estiveram juntos em eleições diversas, trocaram elogios à beça e, agora, apresentam-se em lados opostos. Tanto para a sucessão presidencial 2014 - quando um pretende encarar a disputa pela primeira vez e o outro estará em palanque contrário, o da reeleição da presidente Dilma -, como na sucessão estadual. Eduardo Henrique Accioly Campos (PSB), o ex-governador que deixará o governo para o desafio do voo nacional, e Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente que segue como a maior força do PT, travarão uma disputa à parte na sucessão de Pernambuco.

Esse embate ficou evidente na primeira pesquisa do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau, em parceria com o JC, sobre os cenários das eleições 2014 no Estado. O peso da possível influência de Eduardo e Lula na escolha do candidato a governador, pelos eleitores entrevistados, é quase o mesmo: 45% dos 2.423 dos consultados sinalizaram o desejo de votar em um candidato a governador apoiado por Eduardo, enquanto 30% responderam que "não". Com a mesma pergunta endereçada à dupla Lula-Dilma, 42% responderam "sim" e 32% "não".

Mesmo que a chamada "tese do andor" seja, sempre, questionada, o resultado sinaliza para um embate duro na sucessão estadual, num momento em que tanto o partido de Eduardo como o de Lula não decidiram ainda qual caminho adotar. O PSB, sabe-se, terá candidato próprio, mas o nome ainda não foi escolhido. E o PT, envolvido em uma briga interna há tempos, vai se envolver em outro debate: se lança nome próprio ao governo - o do ex-prefeito João Paulo é o mais citado - ou se faz aliança com o senador Armando Monteiro Neto (PTB), já firme no palanque da reeleição de Dilma, para enfrentar o ex-aliado socialista. Uma coisa, porém, parece certa: Lula estará presente na campanha de Pernambuco, depois de ignorar o palanque do PT na eleição do Recife em 2012.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Pelo agronegócio, Campos procura ex-ministro de Lula

Governador encontrou Roberto Rodrigues e ouviu que apoio depende da definição de quem encabeçará chapa

Débora Bergamasco

BRASÍLIA - O governador de Pernambuco e provável candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, quer consolidar um canal de diálogo com o setor agropecuário tendo como ponte o ex-ministro Roberto Rodrigues, titular da Agricultura no governo Lula, Da conversa, ele saiu com a seguinte mensagem: a definição de um eventual endosso do setor à candidatura do partido dependerá, entre outras razões, de quem será o cabeça de chapa do PSB - Campos ou a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, recém-filiada à legenda.

Rodrigues disse ao Estado que hoje seu único compromisso político é com os produtores rurais e os cooperativistas e que, se for chamado para expor suas ideias pelos demais postulantes ao cargo, irá.

Campos esteve na casa do ex- ministro na noite de sexta-feira, em São Paulo. Foi ouvir as demandas e tentar evitar que o agronegócio se afaste de sua candidatura. Após se filiar ao PSB, Marina criticou o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caia¬do (DEM-GO), um dos principais articuladores da bancada ruralista e até então apoiador dos planos de Campos. O parla¬mentar desistiu da aliança de¬pois das críticas da ex-ministra.

Sutilmente, Campos tocou no assunto sobre apoio político e o produtor rural se explicou: "Eu disse a ele que a definição sobre quem é o cabeça de chapa tem que acontecer antes de decidirmos sobre apoio".

Para não se comprometer ago¬ra com este ou aquele partido, Rodrigues contou ainda que, com cuidado e transparência, avisou ao colega: "Quem quiser me ouvir para saber o que penso sobre as políticas públicas necessárias ao setor eu vou falar. Pode ser a (petista) Dilma (Rousseff), o (tucano) Aécio (Neves), ou o "Geraldo das Couves"".

Na visão de Campos, o ex-titular da Agricultura poderia servir como um primeiro canal para tentar romper a resistência dos produtores rurais ao nome de Marina, que aumentou depois do veto a Caiado.

Quando ministro, Rodrigues protagonizou embates diretos com Marina, que estava no Meio Ambiente. Sete anos de¬pois, ela passou a elogiar o cole¬ga publicamente e costuma apontá-lo como uma pessoa com quem é possível conversar sobre sustentabilidade.

Conversas. Para mostrar que não é inimiga do agronegócio, Marina tem mantido contato com interlocutores do setor que considera mais ligados aos temas verdes.

Entre os nomes com os quais conversa está Marcos Jank, que até o ano passado era presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), e Roberto Waack, da Amata, empresa que explora áreas da Amazônia de maneira sustentável.

Jank, que atualmente está na BRF, também afirma que o diá¬logo não significa apoio eleitoral, mas que tem sentido o grupo da ex-ministra aberto a discutir ideias vindas do setor.

Waack, por sua vez, defende que não há nada de "radical" no discurso de Marina: "Nós estamos falando de uma forma mais racional do uso da terra, que é desejada por grandes marcas do agronegócio".

Marina tem dito que há"agronegócios no plural" e defendi¬do que o importante para o País é investir no aumento da produtividade, e não na expansão da área agrícola. / colaborou I.P.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Para Erundina, PSB e Rede manterão identidades

Deputada fala hoje em evento com Campos e Marina para debater programa conjunto

SÃO PAULO - Escolhida pelo PSB e pela Rede Sustentabilidade para participar da abertura do encontro de hoje entre os dois partidos em São Paulo, a deputada socialista Luiza Erundina terá a missão de explicar a "inusitada" aliança entre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva.

A ex-prefeita de São Paulo fará uma das quatro "falas inspiradoras" que abrirão o evento, em que 120 integrantes dos dois partidos começarão a discutir um programa em conjunto. Mesmo com a aliança, ela acha que PSB e Rede manterão identidades distintas.

"Marina veio se juntar ao PSB para construir um caminho comum às duas forças, mas cada uma delas mantendo identidades e compromissos. É algo inusitado, novo na nossa história política, e pode ser o diferencial no processo eleitoral", diz Erundina.

A filiação de Marina ao PSB e a consequente aliança com Campos, formalizadas no início de outubro, ainda não foram assimiladas por integrantes dos dois partidos.

Fundadores da Rede chegaram a abandonar o projeto por considerar que a união ao PSB desviava o grupo da proposta de novas práticas políticas. Ao mesmo tempo, socialistas enfrentam resistência dos novos aliados para dar sequência a projetos em curso, como o apoio à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo.

Respaldo
Bem vista por integrantes da Rede, Erundina foi uma das escolhidas para tentar aparar as arestas restantes.

Ela tem respaldo dos militantes da Rede em São Paulo, que, críticos da aliança do PSB com os tucanos, defendem uma candidatura própria. A ex-deputada chegou a ser objeto de uma campanha interna da Rede para ser lançada candidata ao governo.

Hoje, com a presença de Campos e de Marina, os partidos fazem a primeira reunião para estruturar o documento que deve servir de base para a candidatura presidencial do PSB em 2014.

Também farão "falas insipiradoras" o empresário Guilherme Leal, o porta-voz da Rede paulista Celio Turino e a deputada estadual Aspásia Camargo (PV-RJ).

Para as discussões, os presentes partirão de um texto referência com três eixos: a preservação de conquistas dos governos FHC (PSDB) e Lula (PT) --a estabilidade econômica e a inclusão social--, a necessidade de novas práticas políticas e a promoção de um desenvolvimento sustentável.

Erundina diz também que o grupo quer "levar o programa à sociedade, para que não seja algo só de campanha".

Fonte: Folha de S. Paulo

Crítica à 'distribuição de feudos' pauta primeiro encontro entre PSB e Rede

Rumo a 2014. Documento que embasa discussão entre aliados de Campos e Marina ataca "modelo de governabilidade, voltado para acordos circunstanciais, ocupação de postos e alocação casuística de recursos", sem mencionar participação da sigla nos governos do PT

Isadora Peron

A crítica ao presidencialismo de coalizão será um dos te¬mas que pautará as discussões do primeiro encontro programático da aliança PSB-Rede, marcado para hoje em São Paulo. Documento elaborado em conjunto por integrantes das duas agremiações, com o objetivo de nortear o debate, aponta para a falência de um modelo baseado em "distribuição de feudos" no governo e para a necessidade de se pensar novas formas de fazer política no País.

"É necessária mudança profunda do sistema político para permitir a emergência de outro modelo de governabilidade, cujos alinhamentos se deem em torno de afinidades programáticas, e não em torno de distribuição de feudos dentro do próprio Estado, do desmantelamento da gestão pública, e do uso caótico, perdulário e dispersivo do orçamento nacional", diz trecho do documento ao qual o Estado teve acesso,

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva tem mantido um discurso duro em relação ao que define como a prática de lotear cargos em troca de apoio no Congresso. Ela defende que é possível governar o País sem uma base de apoio formada nos moldes políticos tradicionais, desde que haja o apoio da população.

Depois da aliança, formalizada no último dia 05, o governador de Pernambuco e provável candidato à Presidência, Eduardo Campos, incorporou o discurso de Marina e também tem atacado o modelo de distribuição de cargos a aliados políticos. Na prática, porém, o governo de Pernambuco abriga 14 partidos em sua base e não viu problemas em colocar na sua administração pessoas que o ajudaram nas eleições de 2006 e 2010.

O PSB também fazia parte da base aliada do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) até meados de setembro e só decidiu entregar os cargos para poder articular, com menos constrangimento, a candidatura própria ao Palácio do Planalto.

Para o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, um dos responsáveis por preparar o documento que será apresentado hoje, a forma de conquistar a maioria para poder governar, através da distribuição de cargos a aliados, é um problema de todos os governos, que tem de ser amplamente discutido com a sociedade. "Para mudar isso, é preciso fazer uma reforma política de verdade", defende.

Outros pontos. Bazileu Margarido, membro da Executiva da Rede, explica que o documento tem um caráter preliminar e será entregue aos cerca de 120 participantes para servir como ponto de partida para o debate. Além de pregar mudanças no sistema político, o texto desta¬cará outros dois temas: a necessidade de o País avançar nas conquistas econômicas e sociais e a promoção do desenvolvimento sustentável

Durante o encontro, as pessoas serão divididas em grupos para discutir as ideias contidas no documento. O evento, que será transmitido pela internet, também prevê a contribuição online de militantes.

O líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), afirma que o principal objetivo do encontro de hoje é traçar um panorama de quais desafios precisam ser enfrentados. "O principal deles é como fazer o Brasil voltar a crescer...", opina, e, como para mostrar que já assimilou o discurso da Rede, completa: "De maneira sustentável".

Até o final da tarde, o grupo pretende ter elaborado um no¬vo memorando, que vai orientar a construção de um programa de governo para a eleição presidencial de 2014. O tom do documento deve repetir o do discurso que Campos e Marina têm adotado: o de que é preciso dar início a um novo ciclo na política, sem abrir mão da estabilidade econômica criada por Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e da inclusão social iniciada por Luiz Inácio Lu¬la da Silva (2003-2010).

Sem polêmica» No encontro de hoje, no entanto, ficarão de fora temas polêmicos, como a formação de palanques esta¬duais. Ainda em clima de lua de mel, integrantes da Rede e do PSB têm repetido que, por en-quanto, há "mais convergências do que divergências" entre os dois grupos.

Para evitar atritos, Campos e Marina orientaram seus aliados a não comentar temas ligados à campanha. A dupla tem dito que o momento agora é de discutir ideias e que o debate eleitoral deve ser deixado para 2014. Até mesmo a decisão de quem será o candidato a presidente na chapa do PSB será tomada somente no ano que vem.

Entretanto, na última pesquisa Ibope/Estado, divulgada no dia 24, Marina aparece na frente de Campos: a ex-ministra chega a 21% das intenções de voto, e o governador atinge 10%.

Documento
"O processo de construção da democracia brasileira teve inegáveis avanços desde o fim do regime militar.

No entanto, a base de funciona¬mento do sistema político permanece impregnada de práticas atrasadas, permeadas de uma persistente cultura patrimonialista, que se transformou no eixo do modelo de governabilidade, voltado para acordos circunstanciais, ocupação de postos e de alocação casuística de recursos públicos. Uma das mais nefastas consequências dessa prática é o afastamento da população da participação política, transformando-a em mera espectadora no processo de tomada de decisões. É necessária mudança profunda do sistema político para permitir a emergência de outro modelo de governabilidade, cujos alinhamentos se deem em tomo de afinidades programáticas e não em tomo de distribuição de feudos dentro do Estado, do desmantelamento da gestão pública e do uso caótico, perdulário e dispersivo do orçamento".

Fonte: O Estado de S. Paulo

Aécio volta a Minas pela 3ª vez em quatro meses

Senador tucano inicia hoje a série “Conversa com os Mineiros”

Gustavo Prado

O senador mineiro e pré-candidato à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB), retorna à sua terra-natal hoje para o início da série de encontros políticos denominado “Conversa com os Mineiros”. O evento será realizado em Uberlândia, no Triângulo, e irá contar com a participação de cerca de dez partidos aliados.

A série de encontros irá garantir pelo menos mais outras duas visitas de Aécio ao Estado. Em novembro, o evento será realizado em Poços de Caldas e, em dezembro, em Montes Claros. Conforme a reportagem de O TEMPO mostrou, o senador tem dedicado suas visitas principalmente a São Paulo e ao Nordeste. Enquanto o tucano, no segundo semestre, esteve em Minas apenas duas vezes, a presidente Dilma Rousseff (PT) compareceu ao Estado seis vezes.

“Estamos nesse momento de organização e mobilização das forças políticas. É a chance de construir um projeto nacional em torno do Aécio”, disse o presidente do PSDB mineiro, deputado Marcus Pestana.

Estratégia

Nome. Para “nacionalizar” o projeto, o PSDB mineiro trocou, inclusive, o mote da pré-campanha. O movimento “Minas mostra o caminho” passou a se chamar “Quem muda o Brasil é você”.

Fonte: O Tempo (MG)

Aécio diz que fez esforço pessoal para Serra ficar no PSDB

Senador conta com qualificação do companheiro de partido

Presidente Prudente. O senador Aécio Neves (PSDB), pré-candidato do partido à Presidência da República, afirmou, que neste domingo (27,) ele fez um “esforço pessoal” para que o ex-governador de SP, José Serra, permanecesse no partido e disse que irá respeitá-lo.

“Antes que vocês me perguntem, quero, com toda a sinceridade do mundo, dizer que acho extremamente positivo que Serra esteja nos quadros do PSDB pela sua qualificação. Fiz um esforço pessoal para que abandonasse sua saída do partido”, afirmou ele, em visita a Presidente Prudente, no interior paulista. “Onde estiver, Serra estará com sua qualificação nos ajudando, mesmo na oposição. Assim como devemos respeitar a presença de Eduardo e Marina na disputa.”

O senador esquivou-se, porém, de comentar sua pretensão em disputar as eleições e disse que a chapa será anunciada até março do próximo ano. “Devemos tomar a decisão correta no tempo certo, não vamos nos antecipar. Acredito que 2014 é o momento do PSDB definir quem vai empunhar esta bandeira”, disse. “Considero que o PSDB, pela sua estrutura, tem as melhores condições para chegar ao segundo turno e vencer as eleições.”

Ações
Segundo Aécio, que tem feito reuniões com correligionários por todo o país, os tucanos estão elaborando uma agenda de ações que deve ser lançada até dezembro. O documento pretende traçar as metas e compromissos do partido para as próximas eleições. “A minha preocupação agora é a construção desta agenda, pois através dela serão definidos nossos compromissos e metas para um crescimento mais vigoroso do país.”, reforçou o senador.

Aécio Neves antecipou que a nova agenda do PSDB buscará o fortalecimento de Estados e municípios. Ele criticou o governo federal dizendo que e Estados e municípios estão abandonados com relação aos investimentos essenciais nas áreas da saúde, educação e segurança. O senador tucano discursou defendendo um modelo de desenvolvimento que possa favorecer a retomada do crescimento econômico do Brasil e que possa permitir aos brasileiros a superação da pobreza.

O prefeito de Regente Feijó, Marcos Rocha, discursou em nome dos colegas e também fez críticas. “Os repasses para os municípios são uma vergonha. Não conseguimos diálogo com o governo federal. Os municípios são a base desse país, onde temos que resolver os problemas de saúde e educação de toda a população.”

O encontro teve a presença de cerca de 800 pessoas e ocorreu no auditório das Faculdades Integradas Antônio Eufrásio de Toledo. Entre as presenças estavam o líder do partido no Senado, Aloysio Nunes Ferreira Filho, e também o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Samuel Moreira.

Fonte: O Tempo (MG)

Justiça proíbe cargo de confiança nos Correios

Liminar questiona mudança em estatuto que permite contratação de servidores sem concurso para a cúpula

Andreza Matais

BRASÍLIA - A Justiça do Trabalho proibiu os Correios de contratarem servidores sem concurso e analisa pedido do Ministério Público para que pessoas já contratadas nessas condições sejam demitidas do quadro de funcionários. Em julho de 2011, ano em que o PT assumiu o controle dos Correios, o estatuto da empresa pública foi alterado para permitir o loteamento de cargos.

A mudança no estatuto dos Correios permitiu ao presidente da empresa e a cada um dos oito vice-presidentes contratarem duas pessoas cada um sem concurso público, num total de 18 cargos de confiança. O Ministério Público do Trabalho obteve a decisão, em caráter liminar, após ingressar com ação na Justiça por considerar que as vagas não poderiam ser criadas sem autorização do Congresso e que esses postos deveriam ser preenchidos por pessoas concursadas.

"A Justiça tem entendido que não existe emprego em comissão. Ganha a sociedade, que não fica na mão de meia dúzia de apadrinhados. Normalmente não são pessoas comprometi¬das com o interesse público", justificou ao Estado a procuradora do Trabalho Ludmila Reis Brito Lopes.

Na quinta-feira, a procuradora recebeu representantes dos Correios, que apresentaram justificativas para as contratações sem concurso. Contudo, não houve acordo entre as partes. Segundo o gabinete da juíza Odélia França Noleto, o caso deve ir a julgamento no dia 22 de novembro.

"Expertise". Após a concessão da liminar pedida pelo Ministério Público, os Correios apresentaram novas considerações à Justiça do Trabalho. Em 30 de setembro, a estatal argumentou que "determinadas vagas disponibilizadas nas vice-presidências da empresa necessitam de expertise e qualificação profissional que a reclamada não encontra em seu quadro de empregados". No quadro de funcionários concursados dos Correios, há 7 mil profissionais de nível superior e mais de 5,5 mil técnicos.

Entre os "experts" contratados para assessorar a diretoria dos Correios estão Ernani de Souza Coelho. Funcionário aposentado da estatal, ele é marido da ex-senadora petista Fátima Cleide, de Rondônia.

Também estão na lista Getúlio Marques Ferreira, que é professor de eletromecânica; Mario Sergio Castanheira, ex-funcionário do fundo de pensão dos servidores da Petrobrás (Petros) e a jornalista Vanda Célia.

"Trabalho na vice-presidência de Relações Institucionais. Não sei o nome. Acredito que tenho qualificação para isso. Eu presto consultoria na área de comunicação. Vou todo dia ao trabalho", disse a jornalista. Conforme o Portal da Transparência dos Correios, Vanda Célia está lotada, desde junho de 2011, na Vice-Presidência de Clientes e Operações. O Estado não conseguiu localizares demais servi¬dores.
O salário dos "sem concurso" chega a R$ 15 mil, enquanto os servidores concursados com nível superior Ingressam na em¬presa estatal com vencimentos de RS 6 mil.

Decreto, A Justiça questiona, um artigo do Decreto 8.016, assinado no dia 16 de maio de 2013 pela presidente Dilma Rousseff e pelos ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Miriam Belchior (Planejamento), que trata da livre nomeação. O mesmo decreto também permitiu aos Correios trazer para seus quadros servidores concursados em outros órgãos. Esse item não é alvo de questionamento do Ministério Público do Trabalho.

Os Correios afirmam que a decisão da Justiça é liminar e está. sendo contestada pela empresa. Em nota ao Estado, a estatal afirmou que, dos 18 cargos comissionados de livre nomeação, três não estão preenchidos e argumentou que o universo é pequeno diante de 124 mil trabalhadores concursados.

O número de cargos de confiança, porém, supera o de outras empresas públicas, como o Banco do Brasil, que tem quatro assessores especiais.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Oposição derrota kirchnerismo em eleição legislativa argentina

Exatamente três anos após a morte do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), o governo de sua viúva e sucessora, a presidente Cristina Kirchner, sofreu mais um revés nas umas, em meio a um clima de apreensão pela saúde da chefe de Estado argentina, que continua de licença e ainda sem data para retomar à Casa Rosada. De acordo com pesquisas de boca de uma divulgadas por canais de TV locais, nas eleições legislativas realizadas ontem para renovar metade da Câmara e um terço do Senado, o desempenho dos candidatos kirchneristas foi, em alguns casos, pior do que nas Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (PASO), realizadas em 11 de agosto passado — que até então tinham marcado o pior desempenho nas umas do kirchnerismo. Os aliados de Cristina foram derrotados nos principais distritos eleitorais, entre eles a província de Buenos Aires, onde o grande vencedor foi o peronista Sergio Massa, um ex-kirchnerista que este ano lançou seu próprio partido e surgiu como uma das grandes promessas para a eleição presidencial de 2015. Massa, que é prefeito do município de Tigre, na Grande Buenos Aires, foi eleito deputado pela Frente Renovadora (sublegenda do Partido Justicialista) com mais de dez pontos percentuais em relação ao candidato kirchnerista, Martin Insaurralde.

— Estamos muito satisfeitos, em apenas 120 dias fizemos a melhor campanha desde a redemocratização do país (em 1983) — disse Dario Giustozzi, candidato a deputado da lista liderada por Massa.

Dúvidas sobre a saúde de Cristina

Ontem foram eleitos 127 deputados (de um total de 257) e 24 senadores (de 72), que serão empossados no próximo dia 10 de dezembro. Atualmente, o governo controla 112 cadeiras na Câmara e tem 23 aliados que o ajudaram a aprovar projetos enviados pelo Executivo sem grandes dificuldades. No Senado, os kirchneristas tem 33 representantes e sete aliados. Segundo a maioria dos analistas, a Casa Rosada continuará tendo as maiores bancadas em ambas as casas, mas perderá alguns congressistas e com isso margem de manobra para transformar em lei iniciativas oficia-listas. Um projeto de reformar a Constituição para permitir que Cristina concorra a um terceiro mandato, já defendido por alguns dos aliados da presidente, seda definitivamente enterrado.

Tudo parecia indicar, segundo pesquisas de boca de uma, que nesta eleição 70% dos argentinos votaram pela oposição. Há dois anos, Cristina foi reeleita com 54% dos votos.

— Com esta proporção de 70 contra e apenas 30 a favoi; está claro que a sociedade argentina está demandando uma mudança e estão surgindo novas lideranças

— disse o analista Hugo Haime.

Pela primeira vez desde que os Kirchner chegaram ao poder, em 2003, a Frente para a Vitória (sublegenda do Partido Justicialista fundada por Kirchner) participou de uma eleição sem a presença de seu líder. Cristina está há três semanas afastada do governo e de qualquer tipo de atividade política. A presidente está de repouso na residência oficial de Olivos, onde recebe apenas a visita de seus familiares e colaboradores mais próximos. Ontem, o filho mais velho da chefe de Estado, Máximo Kirchner, falou pela primeira vez com a imprensa, no momento em que votou na província de Santa Cruz. Perguntado pela saúde de Cristina, seu filho limitou-se a dizer que "ela está bem, de bom humor" No entanto, Máximo não soube informar quando terminará a licença da presidente.

— Não sei, não sou seu médico — respondeu Máximo, braço-direito da presidente desde a morte do pai.

Nos últimos dias, os rumores sobre a saúde presidencial se intensificaram. Quarta-feira passada, a Casa Rosada divulgou um comunicado no qual confirmou que em recentes exames realizados na Fundação Favaloro, onde está sendo tratada Cristina, foi detectado "de forma intermitente um bloqueio do ramo de condução esquerda" do coração. Este seria um novo problema cardíaco, que se soma à arritmia que o governo confirmara nos primeiros dias de outubro, quando Cristina foi internada de urgência para retirar um hematoma craniano. Não se sabe que tipo de tratamento fará a presidente e meios de comunicação especularam sobre a possibilidade da colocação de um marca-passo ou algo similar.

Com um kirchnerismo enfraquecido, as eleições de ontem se transformaram numa espécie de ensaio para as presidenciais de 2015. Além de Massa, cujos colaboradores admitem que pensa numa candidatura presidencial daqui a dois anos, o governador da província de Córdoba, o peronista José Manuel de la Sota, que teria obtido um ótimo resultado em seu distrito, também está cotado para as futuras presidenciais. Outro potencial candidato é o ex-vice presidente Julio Cobos, eleito deputado pela província de Mendoza, onde teria sido o candidato mais votado. Dentro do kirchnerismo e com a possibilidade cada vez mais remota de que Cristina possa reformar a Constituição e ser novamente candidata, o nome mais forte é o do governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, um dos derrotados ontem. Porém, Scioli não teria o respaldo da ala mais dura do kirchnerismo, que apostaria no governador de Entre Rios, Sergio Urribarri.

— Começa uma nova etapa, precisamos recuperar o Congresso e dar respostas às demandas do povo — declarou Cobos.

"Estamos vivendo um final de ciclo” Já o chefe de governo da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri, outro dos vencedores de ontem, admitiu publicamente suas aspirações presidenciais.

— Trabalhamos para 2015 — disse.

Na província de Santa Fe, onde o kirchnerismo também foi derrotado, o governador Antonio Bonfatti, que sofreu um atentado durante a campanha, afirmou que "se alguém pensa numa eleição presidencial e perde esta eleição (legislativa), terá poucas chances"

O kirchnerismo teria sido derrotado até mesmo na província de Santa Cruz, governada durante 11 anos por Néstor Kirchner.

— Estamos vivendo um final de ciclo — opinou o governador Daniel Peralta, ex-aliado da família presidencial, 

Fonte: O Globo

Consenso - Aécio Neves

Mais uma vez não foi diferente. O governo federal reagiu com desdém aos relatórios divulgados na última semana pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), carregados de advertências sobre a equivocada condução da política econômica em vigência no país, como já vinham apontando as agências internacionais de risco.

Essas análises, delineando um cenário de dificuldades e incertezas à frente, apenas reproduzem os alertas de muitos brasileiros --e não apenas das oposições. Sem respostas para os problemas, a estratégia oficial é a de sempre: desqualificar a crítica e o interlocutor, como se estivesse em curso um verdadeiro complô contra o governo.

Trata-se da contumaz terceirização de responsabilidade pelos problemas, que parecem nunca estar na órbita de quem tem o dever de decidir e governar. A verdade é que o discurso otimista das autoridades econômicas não corresponde aos fatos descritos com riqueza de detalhes nos relatórios e muito menos nos indicadores da economia brasileira.

A principal e mais grave conclusão é a crescente deterioração das contas públicas e a utilização de recursos que ficaram conhecidos como "contabilidade criativa", cuja face mais visível é a promiscuidade das relações entre Tesouro Nacional, bancos públicos e empresas estatais, no processo de fechamento de resultados fiscais sem transparência e descolados da realidade.

Em vez de imaginar conspirações fantasiosas e inimigos invisíveis, melhor seria que se reconhecesse a existência dos problemas. Afinal, não haverá solução para distorções e falhas graves como as atuais se, na órbita do governo, elas simplesmente não existem.

A responsabilidade pela crônica falta de planejamento governamental ou disfarçada leniência com a farra dos gastos públicos e os desperdícios em série são intransferíveis.

Não há como tapar o sol com a peneira --há um indiscutível consenso formado entre especialistas brasileiros e estrangeiros em relação às fragilidades do cenário econômico e as desconfianças geradas pela ação do governo em áreas diversas.
A má gestão dos recursos públicos tem impacto importante nos males que afligem a economia do Brasil, como inflação elevada, a escalada das taxas de juros, o baixo nível de investimentos, o fracasso do programa de concessões de obras de infraestrutura e, como consequência desta sinergia, o baixo crescimento.

É fundamental que tenhamos a compreensão do momento delicado porque passa o país e das decisões que estão sendo tomadas, tanto quanto daquelas que estão sendo adiadas. Ambas terão papel decisivo na vida dos brasileiros, nos próximos anos.

Aécio Neves, senador (MG) e presidente nacional do PSDB

Fonte: Folha de S. Paulo

Entrevista - Luiz Eduardo Soares: "O Brasil tem que acabar com as PMs"

Uma das maiores autoridades do País em segurança pública, o professor diz que a transição democrática precisa chegar à polícia

Wilson Aquino e Michel Alecrim

Doutor em antropologia, filosofia e ciências políticas, além de professor e autor de 20 livros, Luiz Eduardo Soares é conhecido, mesmo, por duas obras: "A Elite da Tropa 1 e 2", que inspiraram dois dos maiores sucessos de bilheteria do cinema nacional: "Tropa de Elite 1 e 2". Considerado um dos maiores especialistas brasileiros em segurança, Soares, 59 anos, travou polêmicas em suas experiências na administração pública. Foi coordenador estadual de Segurança, Justiça e Cidadania do Rio de Janeiro entre 1999 e 2000, no governo Antony Garotinho, e Secretário Nacional de Segurança do governo Lula, em 2003. Bateu de frente com os dois e foi demitido. Nos últimos 15 anos, dedicou-se, junto com outros cientistas sociais, à elaboração de um projeto para modificar a arquitetura institucional da segurança pública brasileira, que, no entender do professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), passa necessariamente pela desmilitarização das polícias e o fim da PM – como gritam manifestantes em passeatas. O trabalho virou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 51, apresentada no Congresso Nacional pelo senador Lindbergh Faria (PT-RJ).

Istoé -Por que o sr. defende a desmilitarização da polícia?

Luiz Eduardo Soares - Porque já passou da hora de estender a transição democrática à segurança pública. A Polícia Militar é mais do que uma herança da ditadura, é a pata da ditadura plantada com suas garras no coração da democracia. A polícia é uma instituição central para a democracia. E é preciso que haja um projeto democrático de reforma das polícias comprometido com o novo Brasil, com a nova etapa que a sociedade está vivendo. O Brasil tem que acabar com as PMs.

Istoé -Deixar de ser militar torna a polícia mais democrática?

Luiz Eduardo Soares - A cultura militar é muito problemática para a democracia porque ela traz consigo a ideia da guerra e do inimigo. A polícia, por definição, não faz a guerra e não defende a soberania nacional. O novo modelo de polícia tem que defender a cidadania e garantir direitos, impedindo que haja violações às leis. Ao atender à cidadania, a polícia se torna democrática.

Istoé -Mas o comportamento da polícia seria diferente nas manifestações se a polícia não fosse militar?

Luiz Eduardo Soares - Se a concepção policial não fosse a guerra, teríamos mais chances. Assim como a PM vê o manifestante como inimigo, a população vê o braço policial do Estado que lhe é mais próximo, porque está na esquina da sua casa, como grande fonte de ameaça. Então, esse colapso da representação política nas ruas não tem a ver apenas com corrupção política nem com incompetência política ou falta de compromisso dos políticos e autoridades com as grandes causas sociais. Tem a ver também com o cinismo que impera lá na base da relação do Estado com a sociedade, que se dá pelo policial uniformizado na esquina. É a face mais tangível do Estado para a grande massa da população e, em geral, tem um comportamento abusivo, violador, racista, preconceituoso, brutal.

Istoé -Mas no confronto com traficantes, por exemplo, o policial se vê no meio de uma guerra, não é?

Luiz Eduardo Soares - Correto. Mas esses combates bélicos correspondem a 1% das ações policiais no Brasil. Não se pode organizar 99% de atividades para atender a 1% das ações.

Istoé -Como desmilitarizar uma instituição de 200 anos, como a PM do Rio?

Luiz Eduardo Soares - Setenta por cento dos soldados, cabos, sargentos e subtenentes querem a desmilitarização e a mudança de modelo. Entre os oficiais, o placar é mais apertado: 54%. Mas a desmilitarização não é instantânea. Precisa de um prazo que vai de cinco a seis anos e que depois pode se estender. É um processo muito longo, que exige muita cautela, evitando precipitações e preservando direitos.

Istoé -Como poderia ser organizada uma nova polícia?

Luiz Eduardo Soares - Os Estados é que vão decidir que tipos de polícia vão formar. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 51 define dois critérios de organização: territorial e de tipo criminal. Isso porque a realidade do Brasil é muito diversa. O melhor modelo policial para o Amazonas não precisa ser o do Rio. São realidades demográficas, sociológicas, topográficas e geográficas distintas.

Istoé -Como funcionaria o modelo territorial?

Luiz Eduardo Soares - Seriam corporações com circunscrição dentro dos municípios, regiões metropolitanas, distritos e o próprio Estado. Poderíamos ter polícia municipal ou na capital, o Estado é que definirá. São Paulo, por exemplo, tem tantas regiões distintas, com características diversas, que poderia ter várias polícias. Essa seria uma possibilidade. Muitos países têm polícias pequenas a partir de certas circunscrições. Então poderíamos ter desde uma polícia só, porque a unificação das polícias é possível, até várias dentro do mesmo Estado.

Istoé -E o tipo criminal?

Luiz Eduardo Soares - Teríamos uma polícia só para crime organizado, outra só para delitos de pequeno potencial ofensivo. Mas todas são polícias de ciclo completo, fazem investigação e trabalho ostensivo. Poderia ter polícia esta-dual unificada para delitos mais graves, que não envolvam crime organizado. E pode ter uma polícia pequena só para crime organizado, como se fosse uma Polícia Federal do Estado. São muitas possibilidades.

Istoé -Como fica a União?

Luiz Eduardo Soares - Poderia ter atuação destacada na educação policial. No Rio, para ingressar na UPP o policial é treinado em um mês. Em outros Estados, são oito meses. O Brasil é uma babel. Tem algo errado. Tem que ter regras básicas universais. Na polícia, a bagunça, a desordem e a irresponsabilidade nacional, consagradas nesse modelo, são de tal ordem que formamos policiais em um mês, que têm o mesmo título de outro profissional formado em um ano. É necessário que haja um Conselho Federal de Educação Policial, como existe Conselho Federal de Educação. E o Conselho tinha que estar subordinado ao Ministério da Educação, não no da Justiça.

Istoé -Os policiais foram consultados sobre esses novos modelos?

Luiz Eduardo Soares - Fiz uma pesquisa sobre opinião policial, junto com os cientistas sociais Silvia Ramos e Marcos Rolim. Ouvimos 64.120 profissionais da segurança pública no Brasil todo. Policiais, guardas municipais, agentes penitenciários. A massa policial está insatisfeita, se sente alvo de discriminação, de preconceito, recebe salários indignos, se sente abusada, sente os direitos humanos desrespeitados. Mais de 70% de todas as polícias consideram esse modelo policial completamente equivocado, um obstáculo à eficiência. E os militares se sentem agredidos, humilhados, maltratados pelos oficiais. Acham que os regimentos disciplinares são inconstitucionais. Pode-se prender sem que haja direito à defesa, até por um coturno sujo!

Istoé -Mas isso não ajuda a manter a disciplina?

Luiz Eduardo Soares - De jeito nenhum. Mesmo com toda essa arbitrariedade não se evita a corrupção e a brutalidade. Estamos no pior dos mundos: policiais maltratados, mal pagos, se sentindo desrespeitados, não funcionando bem. E a população se sentindo mal com essa problemática toda. E os números são absurdos: 50 mil homicídios dolosos por ano e, desses, em média, apenas 8% de casos desvendados com sucesso. Ou seja: 92% dos crimes mais graves não são nem sequer investigados.

Istoé -É o país da impunidade?

Luiz Eduardo Soares - Somente em relação ao homicídio doloso. Estamos longe de ser o país da impunidade. O Brasil tem a quarta população carcerária do mundo. Temos 550 mil presos, eram 140 mil em 1995.

Istoé -O que mais é necessário para democratizar a segurança pública?

Luiz Eduardo Soares - Precisamos de uma polícia de ciclo completo, que faça o patrulhamento ostensivo e o trabalho investigativo. Hoje temos duas polícias (civil e militar), e cada uma faz metade do serviço. Nosso modelo policial é uma invenção brasileira que não deu certo. Até porque quando você vai à rua só para prender no flagrante, talvez esteja perdendo o mais importante. Pega o peixe pequeno e perde o tubarão. Tem que ter integração. O policiamento ostensivo e a investigação se complementam.

Istoé -O que mais é importante?

Luiz Eduardo Soares - É fundamental o estabelecimento de carreira única. Em qualquer polícia do mundo, se você entra na porteira pode vir a comandar a instituição, menos no Brasil. Hoje temos nas instituições estaduais quatro polícias de verdade. Na PM são os praças e oficiais. Na civil, delegados e agentes. São mundos à parte. Você nunca vai ascender, mesmo que faça o melhor trabalho do mundo, sendo praça. Mas para quem entra na Escola de Oficiais, o céu é o limite. Isso gera animosidades internas. Isso separa, gera hostilidade. E esse modelo tem que acabar na polícia. Isso é o pleito da massa policial.

Istoé -O sr. foi secretário de Segurança e não fez as reformas. Por quê?

Luiz Eduardo Soares - Por causa da camisa de força constitucional. Não podíamos mudar as polícias. Mas dentro dos arranjos possíveis fizemos o projeto das Delegacias Legais, que é uma das únicas políticas públicas do Brasil a atravessar governos de adversários políticos. São 15 anos desse projeto, apesar da resistência monstruosa que enfrentei. Fui demitido pelo (Anthony) Garotinho porque entrei em confronto com a banda podre da polícia. Após minha queda, policiais festejavam e o novo chefe de polícia dizia: agora estamos livres para trabalhar. Foi uma explosão de autos de resistência.

Istoé -O crescimento do PCC se deve ao modelo policial vigente?

Luiz Eduardo Soares - Acho que a resistência do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) em enfrentar a brutalidade letal da polícia, sua dificuldade em enfrentar a banda podre, de confrontar a máquina de morte, com a bênção de setores da Justiça e do Ministério Público, está no coração da dinâmica terrível de ascensão do PCC. Durante os primeiros anos, o PCC foi um instrumento de defesa dos presos, de organização que falava em nome da legalidade que era desrespeitada pelo Estado. Depois se dissociou das finalidades iniciais. Como já existia como máquina, poderia servir a outros propósitos, inclusive criminais. E foi o que começou a acontecer. O PCC deixou de ser instrumento de defesa para ser de ataque. Aí eles começaram a funcionar como uma organização criminosa.

Fonte: Revista Istoé