Por O Globo
Com filiação de Caiado, PSD passa a contar com três postulantes à disputa pela presidência
A filiação do governador de Goiás, Ronaldo
Caiado, ao PSD, faz com que a sigla de Gilberto Kassab passe a reunir três
possíveis candidatos ao Planalto. O anúncio da chegada do goiano ocorreu na
terça-feira em vídeo ao lado dos governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo
Leite (Rio Grande do Sul), que também manifesta interesse em disputar o
Planalto em outubro.
Em vídeo divulgado ao lado de Ratinho e de
Leite, no qual anunciou sua filiação, Caiado afirmou que fez um "gesto de
total desprendimento", e indicou que o PSD ainda decidirá, entre os três,
quem será o candidato à Presidência neste ano.
O governador goiano disse ainda que buscava
"uma oportunidade para contribuir com a discussão nacional", e que as
portas para isso haviam se fechado no União Brasil.
-- Aqui não tem interesse pessoal de cada um. Aquele que for escolhido levará esta bandeira de um projeto de esperança e de resgate daquilo que o povo tanto espera. É dessa maneira que sou recebido aqui. E tenho a graça de ter a minha filiação partidária ao PSD. O que sair daqui candidato terá o apoio dos demais - afirmou Caiado.
Ao declarar que o goiano é bem-vindo no PSD,
Leite afirmou que "antes da aspiração individual, como agentes políticos,
vem nossa aspiração como brasileiros". O governador gaúcho também disse a
Caiado que "será um prazer trilhar" ao lado dele e do colega do
Paraná.
Ratinho Jr, por sua vez, disse que a filiação
de Caiado ao PSD representa um "projeto de união pelo Brasil".
Mais cedo, em entrevista à rádio Novabrasil,
em Goiânia, Caiado disse que já havia comunicado à direção do União Brasil que
buscava outro partido para se filiar.
A leitura predominante hoje na cúpula do
União Brasil é que o partido não deve bancar uma candidatura própria ao
Planalto e que a prioridade é preservar margem de manobra. A avaliação é que,
sem um nome competitivo, o partido não teria muito a ganhar entrando numa
disputa presidencial para marcar posição e poderia sair menor do processo.
Internamente, o desempenho de Caiado em pesquisas presidenciais era visto como
baixo.
Por ora, Ratinho Jr é visto como o favorito
dentro do PSD para se candidatar à Presidência. Kassab, porém, não fecha as
portas para outros nomes, e também tem elogiado posicionamentos públicos de
Eduardo Leite.
Movimentação na sigla
No início do mês, Ratinho intensificou o
diálogo com lideranças do PSD sobre o desejo de disputar a Presidência pela
sigla. O partido de Kassab já sinalizou que optará por uma candidatura própria
ao Planalto, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) se mantenha na corrida contra
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Uma eventual desistência da candidatura
própria do PSD depende do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas
(Republicanos). Caso Tarcísio opte por disputar o Planalto, Kassab declarou
publicamente que deve apoiá-lo.
Há duas semanas, Ratinho disse que aceitará
ser o candidato do partido para a disputa presidencial em 2026 caso o seu nome
seja escolhido internamente.
— Mais do que nomes, é projeto. Quem vai ter
a capacidade de liderar um novo projeto para o Brasil? Se meu nome for
escolhido internamente, eu fico muito honrado e obviamente vou aceitar o
desafio. Mas isso é uma coisa que tem de ser construída internamente — disse o
governador do Paraná, que afirmou ainda: — Não é "eu ser candidato",
é apoiar alguém que possa conseguir aglutinar melhor um novo Brasil. As pessoas
não estão mais aguentando esse ambiente de briga política.
Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo
Leite, afirma publicamente que mantém a disponibilidade para liderar um projeto
alternativo ao da polarização radicalizada. Segundo o gaúcho, a definição sobre
o nome do PSD ao Planalto se dará no tempo adequado a partir do "bom
diálogo" no partido.

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