O Estado de S. Paulo
Chama a atenção a facilidade com que Vorcaro
chegou também ao mais alto cargo do Executivo
As datas não são precisas, mas impressiona a velocidade com que o banqueiro Daniel Vorcaro conseguiu acesso ao gabinete do presidente da República.
Em novembro de 2024, Vorcaro foi chamado ao
Banco Central para assinar um “termo de comparecimento”. Conforme revelado pelo
Estadão, era uma espécie de alerta que dava a ele 180 dias para resolver os
problemas de liquidez do Master.
Em dezembro daquele ano, portanto, cerca de um mês depois, ele chegava ao Planalto para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Um en controque não constava na agenda
oficial, marcado pelo ex-ministro Guido Mantega. Lula diz que chamou para a
reunião o chefe da Casa Civil, Rui Costa, e, naquela época, o quase presidente
do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Conforme apurou a coluna, quando Galípolo
chegou à sala, os outros já estavam sentados e conversando. Ele estava ali a
pedido de Lula para esclarecer as dúvidas do presidente.
No fim de 2024, o mercado já sabia do
carrossel financeiro do Master, que vendia papéis de alto risco contando com a
cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, e havia alertado o BC. O que ninguém
imaginava é que a autoridade monetária estava nos calcanhares de Vorcaro.
Lula disse em entrevista ao portal UOL que
Vorcaro afirmou no encontro que era “vítima de perseguição” dos concorrentes. O
presidente afirmou ter garantido ao banqueiro que não haveria “posição política
pró ou contra o Master, mas uma investigação técnica”.
Operadores políticos experientes “leram” a
cena para a coluna. Vorcaro chegou ao Planalto graças a padrinhos políticos
fortes. Oficialmente teria sido Mantega, mas é conhecida a relação de seus
sócios com o PT da Bahia.
Tentou, portanto, chegar ao chefe para
ameaçar o subordinado. Lula chamou Galípolo e, a se confirmar o relato do
presidente sobre o encontro, o respaldou. Não há notícias de interferências do
governo federal contra ou a favor da liquidação do Master.
Era conhecida a influência de Vorcaro junto
ao Centrão, que montou uma “bancada” a seu favor, que tenta até agora barrar
qualquer iniciativa mais concreta de investigação no Congresso. A imprensa
revelou ainda os tentáculos do banqueiro no Judiciário. A facilidade com que
ele chegou também ao mais alto cargo do Executivo é de assustar. •

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