Correio Braziliense
O Brasil de hoje está ligado por comunicações
de norte a sul, de leste a oeste. Mas faltam equipamentos para informar
violações das fronteiras nacionais
O presidente Lula descobriu que o Brasil precisa dar mais atenção às suas Forças Armadas para proteger o país de eventual ataque externo. É uma descoberta óbvia, um pouco tardia, porém verdadeira. Os militares brasileiros sempre estiveram mais preocupados com a gestão do país, com a política partidária, com suas próprias vantagens e relegaram a segurança nacional a segundo plano. Mas a invasão da Venezuela, o sequestro de Nicolás Maduro, pelas forças especiais dos Estados Unidos, chamaram atenção dos países do continente para sua fragilidade.
A última vez que o Brasil teve suas
fronteiras violadas foi na guerra contra o Paraguai, no século 19. A notícia de
que o país tinha sido invadido levou três semanas para chegar ao Rio de
Janeiro, sede do Império. O Brasil de hoje está ligado por comunicações de
norte a sul, de leste a oeste. Mas faltam equipamentos para informar violações
das fronteiras nacionais. Elas são quase abertas. Contrabandistas de todos os
calibres de drogas, armas, e equipamentos diversos, conhecem os caminhos para
fazer o material chegar ao consumidor brasileiro. Quando Maduro ameaçou invadir
a Guiana, o Exército brasileiro fez uma penosa transferência de equipamentos de
Manaus para Roraima. operação levou mais de um mês. Tempo mais que suficiente
para que o eventual invasor se instalasse confortavelmente no território
nacional.
O atual efetivo das Forças Armadas
brasileiras é de aproximadamente 360 mil militares na ativa. No Exército, estão
213 mil; na Marinha, 74 mil; e na Aeronáutica, 68 mil militares. Cerca de 10%
do efetivo é constituído por mulheres. A esse número se somam 409 mil militares
da reserva, pensionistas e as famosas filhas solteiras que recebem pensão por
toda a vida. Cerca de 70% das despesas militares no Brasil são dirigidas para
pagamento de pessoal, da ativa ou da reserva. Resta pouco dinheiro para
investir em novas tecnologias e equipamentos modernos capazes de fazer frente
aos desafios da guerra moderna.
O governo brasileiro investe pouco nas suas
forças armadas. O gasto fica em torno de 1,3% do produto interno bruto. Os
Estados Unidos investem 3,5%, a Rússia 4%, a Índia 2,4%. Donald Trump pressiona
países europeus para aumentar os gastos militares até 5% do PIB. As guerras de
Trump na Venezuela e no Irã, além de ameaçar Cuba e outros países, têm
provocado uma corrida para aumentar gastos militares. Ele quis ser campeão da
paz, mas promoveu conflitos em todos os recantos do planeta. A França decidiu
aumentar sua capacidade estratégica, os ingleses estão se mexendo nessa
direção. O governo do Japão decidiu também aumentar seus efetivos. Os chineses
não economizam nesse segmento. Estão na vanguarda. Os arroubos do presidente
norte-americano tornaram o mundo mais inseguro. O governo brasileiro se coloca
dentro dessa moldura.
O programa de modernização e rearmamento das
Forças Armadas é caro, porém substancial. A Marinha pretende construir quatro
submarinos convencionais e um nuclear nas instalações de Itaguaí, no estado do
Rio de Janeiro. Três deles estão operando, o quarto vai entrar em testes, e o
nuclear deverá entrar em operação em 2033, apesar da má vontade dos norte-americanos
que não gostam da ideia de o Brasil construir seu submarino nuclear. O objetivo
dos marinheiros brasileiros é defender a chamada Amazônia Azul. O programa
envolve o domínio da tecnologia nuclear para construção de reatores. Tudo com
tecnologia nacional. Além disso, o projeto de renovação prevê a construção de
quatro fragatas modernas, no Brasil, com transferência de tecnologia.
A Marinha também pretende construir um
sistema de radares costeiros, satélites e centros de comando com objetivo de
monitorar o mar territorial e a zona econômica exclusiva do Brasil. O Exército
planeja substituir os antigos Urutu e Cascavel por veículo blindado 6x6 para
transporte de tropas, ambulância e comando. Sonha em criar um sistema
tecnológico para proteger a fronteira terrestre com radares, sensores, drones e
centros de comando. O objetivo é a vigilância da Amazônia e ocombate ao tráfico
e crimes transnacionais. Está nos planos também a modernização da artilharia e
a modernização dos carros de combate Leopard, além do desenvolvimento de novo
modelo nesta categoria. Na Aeronáutica a modernização já é conhecida. Trata-se
da produção no Brasil dos jatos suecos Grippen, o que está em curso, e a adoção
do cargueiro Millenium C-390, produzido pela Embraer.
Vale lembrar que a Polícia Militar do estado
de São Paulo, com 82 mil militares, é maior que a Marinha e a Aeronáutica. Há
muito o que crescer e organizar no dispositivo militar nacional que precisa
esquecer o inimigo interno, ganhar agilidade e mobilidade para identificar as
ameaças externas.

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