domingo, 10 de maio de 2026

A verdade encontra um caminho, por Ana Dubeux

Correio Braziliense

A desinformação é considerada o mal maior deste século. Mas existe um porém: em algum momento, a verdade se estabelece. Ela encontra caminhos e normalmente eles são institucionais.

A desinformação é considerada o mal maior deste século. Porque ela pode decidir eleições, destruir a democracia, matar pessoas. A IA generativa eleva o risco a uma potência extrema, até incalculável. O uso de inteligência artificial para criar conteúdos falsos cresceu 308% entre 2024 e 2025, segundo dados da Agência Lupa. Estamos na véspera de uma campanha eleitoral mais uma vez polarizada, e as fake news serão fermento para a animosidade. 

Segundo o DataSenado, cerca de 70% dos brasileiros afirmam ter visto notícias falsas recentemente e 91% da população acredita que as fake news representam um perigo real para a sociedade. Ou seja, estamos todos preocupados.

Mas existe um porém: em algum momento, a verdade se estabelece. Ela encontra caminhos e, normalmente, eles são institucionais. Com todas as críticas à imprensa e aos poderes constituídos, é fato que a correlação de forças e interesses políticos não impede a verdade de vir à tona pelas vias previstas em um país democrático, em que cada poder tem sua função. Assim, é garantida, inclusive, a defesa de acusados, garantindo um direito fundamental. 

A sucessão de fatos das últimas duas semanas é prova inequívoca disso. A operação-abafa do caso Master-BRB no Congresso não evitou os desdobramentos das investigações, que culminaram com a visita nada bem-vinda da Polícia Federal aos endereços de Ciro Nogueira, presidente do PP, artífice do Centrão. E, por vias institucionais, ele teve direito à defesa. Assim como vários outros acusados de terem ligações de alguma forma com Vorcaro tiveram seus espaços de fala e argumentação. 

Poderia citar outros mil exemplos de como a verdade liberta e conduz a democracia, por mais dura que ela seja. Também traz consequências positivas, como o franco debate, levantado pelo ministro do STF Flávio Dino em artigo publicado no Correio Braziliense, a respeito da necessária mudança na gestão da Justiça diante de atos de corrupção comprovados de magistrados. Sem a verdade vir à tona, quando seria proposta uma mexida nessas regras de privilégio do Judiciário?

Financiadores de fake news, sabemos todos, contam com a ajuda vigorosa das big techs para disseminá-las. O algoritmo não tem vontade própria, é treinado para ter apreço pela mentira. A questão é que quem espalha pode ser vítima e não ter sequer chance de defesa. Ou seja, esse combate é de todos e beneficia a todos. No próximo dia 26, o Correio Braziliense promove um debate sobre desinformação. Desde já, estão todos convidados. 

 

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