sábado, 16 de novembro de 2013

Futura presidente do PC do B cobra apoio do PT

Deputada Luciana Santos, que assumirá cargo em 2015, quer 'reciprocidade' de petistas

Diógenes Campanha

SÃO PAULO - A deputada federal Luciana Santos (PE) deve ser confirmada hoje como a próxima presidente do PC do B, no encerramento do congresso do partido, em São Paulo. Sua posse, no entanto, só acontecerá em 2015.

O rito da legenda prevê que, após os delegados referendarem seu nome no encontro, terá início um ano de transição, no qual Renato Rebelo, no comando da legenda desde 2001, começará a lhe passar o bastão para um mandato de quatro anos.

Luciana espera que sua posse no PC do B coincida com a de Flávio Dino no governo do Maranhão. O pré-candidato comunista lidera as pesquisas no Estado, e sua eleição é a prioridade do partido para 2014.

Para isso, o PC do B busca atrair o apoio do PT, seu aliado no plano federal desde 1989, quando Lula perdeu a primeira eleição presidencial. Em 2010, o Diretório Nacional petista interveio no do Maranhão para vetar a aliança com Dino, que novamente tem poucas chances de prosperar no ano que vem.

"É preciso que, em função de nossa aliança programática, tenhamos reciprocidade", diz Luciana, 48.

Para a ex-prefeita de Olinda (PE), o PT já fez muitos gestos de apoio ao PC do B, incluindo em seus dois mandatos na cidade (2001-2008), mas não "no patamar justo e desejado", em comparação à fidelidade dos comunistas. "A balança ainda está desequilibrada", afirma.

Nascida no Recife, Luciana foi atleta de corrida na adolescência. Seu recorde pernambucano nos 400 m rasos durou de 1980 a 1984.

Abandonou as pistas ao iniciar, ao mesmo tempo, o curso de engenharia elétrica e a militância no movimento estudantil --e chegou a ser vice-presidente da UNE.

Quando se formou, em 1992, concorreu a vereadora para ajudar a organizar o PC do B em Olinda e virou segunda suplente. Foi deputada estadual de 1996 até ser eleita prefeita, em 2000.

Ao deixar a administração, virou secretária de Ciência e Tecnologia do governo Eduardo Campos (PSB), em Pernambuco. "O PSB, como o PT, é nosso aliado histórico e estratégico", diz.

Ela diz que a tendência é que o PC do B apoie o aliado de Campos no Estado e dê palanque ao presidenciável no Maranhão, mesmo estando com Dilma no plano federal.

Fonte: Folha de S. Paulo

Antonio Gramsci no tempo presente

Presidente da Fundação Instituto Gramsci, Giuseppe Vacca defende a atualidade das ideias do pensador italiano e diz que um novo reformismo, na Europa, precisa ter um caráter supranacional

Por Leonardo Cazes

Presidente da Fundação Instituto Gramsci, responsável por guardar os manuscritos do pensador italiano e que comanda a publicação das suas obras completas, Giuseppe Vacca defende que os conceitos estratégicos do filósofo permanecem atuais para entender a atual conjuntura mundial, como sua interpretação da história mundial. No Brasil para participar de eventos na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), onde participa de debate na terça-feira, às 10h, e na Universidade Estadual Paulista (Unesp), Vacca concedeu entrevista ao GLOBO por e-mail, da Itália, antes de partir para um tour pela América Latina. Entre seus livros publicados no Brasil estão “Por um novo reformismo”, de 2009, e a biografia intelectual “Vida e pensamento de Antonio Gramsci 1926-1937”, lançada no ano passado, ambas em uma parceria entre a editora Contraponto e a Fundação Astrojildo Pereira.

Como o pensamento de Gramsci nos ajuda a compreender e transformar o mundo atual, radicalmente diferente daquele em que o próprio pensador viveu?

A originalidade do pensamento de Gramsci está ligada a alguns conceitos estratégicos que, embora originados da interpretação da história mundial das primeiras décadas do século XX, são muito eficazes para interpretar os processos históricos de nosso tempo. Por exemplo, Gramsci interpretou a grande crise de 1929-1932 como um fenômeno histórico gerado pelo conflito entre o cosmopolitismo da economia e o nacionalismo da política, estabelecendo sua origem na Primeira Guerra Mundial e afirmando que essa contradição fora a causa da própria guerra. Penso que esta conceituação seja válida hoje para analisar os acontecimentos mundiais: comumente se fala de crise econômica e se pensa na economia e na finança. Acredito, ao contrário, que se trata de um conflito econômico mundial: uma guerra que se combate com as moedas e a finança.

Em sua biografia de Gramsci, o senhor adota uma perspectiva específica, concentrando-se nos anos compreendidos entre 1926-1937. Por que razão eliminou o “jovem Gramsci”?

Para a compreensão do pensamento de Gramsci, é indispensável reconstruir sua vida momento a momento. Sobre o período 1914-1926, existem ótimos livros, o último dos quais, obra do estudioso italiano Leonardo Rapone, está para sair no Brasil pela editora Contraponto (“O jovem Gramsci. Cinco anos que parecem séculos, 1914-1919”]. Sobre o período entre 1926 e 1937, os anos transcorridos no cárcere durante os quais Gramsci escreveu os Cadernos, uma biografia histórica nunca fora escrita, até porque faltavam os documentos para poder reconstruí-la. Senti quase o dever de escrevê-la.

Na Europa, os partidos socialistas que estavam no poder na eclosão da crise de 2008 sofreram duras derrotas, como Zapatero, na Espanha. Outros, que chegaram ao poder depois, como François Hollande na França, não fazem uma ruptura com as políticas conservadoras de seus antecessores. A esquerda europeia está em crise?

Sim, na Europa há uma crise séria da esquerda porque não consegue dar a si mesma uma configuração supranacional indispensável para condicionar as políticas da União Europeia e as políticas nacionais, que, na realidade, são políticas europeias. Já as dificuldades da esquerda italiana não dependem do” berlusconismo”, politicamente em crise há mais de três anos, mas derivam das mesmas dificuldades das outras esquerdas europeias e, sobretudo, das incoerências de um sistema político que a esquerda também contribuiu para construir depois de 1989. São processos que já duram vinte anos, muito peculiares à Itália.

O senhor escreveu um livro, “Por um novo reformismo” (Contraponto). Quais são as bases deste “novo reformismo”, hoje? Que grupos ou partidos representam este projeto?

O livro que cita nasceu de uma longa reflexão centrada na Itália para repensar as experiências do reformismo nacional em perspectiva europeia. Para nós, europeus, o traço distintivo do novo reformismo é sua dimensão supranacional: uma novidade qualitativa, pois tem como ponto de referência menos o “espaço” europeu do que a união política do velho continente. Isso implica mudanças fundamentais de mentalidade e um salto de paradigma na construção dos sujeitos. Na Itália, o partido que melhor corresponde a este projeto é o Partido Democrático. Mas meu país foi atingido por uma crise gravíssima do sistema político e do Estado, e é difícil prever se o Partido Democrático poderá se consolidar ou fracassar.

A Europa está atravessando uma grave crise econômica e social. A resposta de quase todos os governos foi o corte de direitos dos trabalhadores e políticas de austeridade. Grupos de extrema-direita estão crescendo em alguns países. Como o projeto do “novo reformismo” poderia intervir neste contexto?

As políticas de austeridade são ditadas a cada país europeu pelas instituições da União Europeia com base numa construção da supranacionalidade que, depois da criação da moeda única, foi bloqueada. É forçoso recordar que isso ocorreu quando os países que aderiram à moeda única eram predominantemente governados por partidos social-democratas ou por coalizões de centro-esquerda. A criação do euro, dissociada da efetivação da integração econômica e da soberania política da UE, impediu que a Europa se tornasse o segundo pulmão da economia mundial, ao lado dos Estados Unidos, e deu origem a um dualismo antagônico entre o euro e o dólar que, a meu ver, é a causa verdadeira da crise americana e da estagnação europeia. Do ponto de vista do “novo reformismo”, o problema é chegar o mais rapidamente possível a um “novo Bretton Woods” global, isto é, a uma negociação entre os principais países protagonistas da economia mundial da qual possa nascer um sistema monetário e uma divisão internacional do trabalho regulados consensualmente.

A América Latina é cenário das principais experiências de governo de esquerda na última década. O senhor acredita que existem na América Latina possibilidades para experimentar um “novo reformismo”?

Não conheço bastante a América Latina para responder apropriadamente a sua pergunta. Pelo que conseguimos compreender a partir da Itália, diria que a experiência reformista mais significativa do continente ibero-americano é aquela em curso no Brasil há cerca de vinte anos.

Fonte Prosa & Verso / O Globo

Símbolos - Merval Pereira

Há muitos simbolismos neste processo do mensalão, que vão se revelando no transcorrer do caso, mas nenhum deles é assumido, apenas sutilmente insinuado. Quando o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, apresentou sua denúncia, eram 40 os acusados. Viu-se no número redondo a intenção de relacionar o caso com a história de Ali Babá e os 40 ladrões e, mais que isso, de insinuar que o então presidente Lula não estava indiciado por questões políticas.

No decorrer do processo, petistas tentaram impedir que a mídia se referisse ao caso como “mensalão’ mas o máximo que conseguiram foi que o noticiário oficial, tanto do governo quanto do Supremo Tribunal Federal, passasse a se referir ao caso como a Ação Penal 470. Agora, ao serem expedidas as primeiras ordens de prisão, atribui-se ao ministro Joaquim Barbosa a intenção de marcar a comemoração da Proclamação da República com as prisões de José Dirceu e companhia.

Seria nada além de uma jogada de marketing de Barbosa, já se preparando, quem sabe, para uma futura carreira política. Mesmo que a intenção tenha sido a de marcar a “refundação” da República brasileira, nada a criticar no presidente do Supremo Tribunal Federal, pois nenhum trâmite legal foi atropelado para que a coincidência se desse. o criticável será se, nos próximos meses, o relator do mensalão sair do Supremo para se candidatar, pois, como todos os magistrados, ele tem um prazo mais largo para se filiar a um partido político.

Será inevitável que todos os seus passos como relator do mensalão, e mesmo suas indignações cívicas, sejam confundidos com ações políticas, o que nublaria suas decisões. Mais simbolismos a serem decifrados. Quando Barbosa apareceu com nada de novo sobre o mensalão na quinta-feira, houve uma espécie de decepção, e logo críticas foram feitas a ele, que prometera divulgar a lista dos presos naquela sessão. Houve até quem desconfiasse de que alguma coisa acontecia nos bastidores, mas o que realmente aconteceu é que Joaquim Barbosa trabalhou até de madrugada, e ontem, no feriado, para poder expedir as ordens de prisão sem cometer erros técnicos que as invalidassem.

Não ter expedido as ordens de prisão imediatamente após a sessão de quarta- feira foi, aliás, uma demonstração de que Barbosa e o STF que preside não estavam ávidos por uma vingança. A própria presidente Dilma veio em socorro indireto a Barbosa na mensagem que enviou pelo Twitter para saudar a Proclamação da República. Ela afirmou que a origem da palavra República “nos ensina muito vem do latim e significa ‘coisa pública Sendo assim, ser a presidente da República significa “zelar e proteger a ‘coisa pública cuidar do bem comum, prevenir e combater a corrupção".

Nada mais adequado, portanto, para comemorar a República do que colocar na cadeia os condenados por tentar desmoralizar suas instituições, superdimensionando o poder do Executivo pela submissão do Legislativo através da compra de apoio político. Nesta nossa República democrática, surge agora a figura dos “presos políticos sejam os componentes dos Black Blocs, sejam os mensaleiros que assim querem ser identificados. Assim como não existe caixa dois com dinheiro público, como definiu o STF, não há presos políticos em uma democracia.

José Genoino provavelmente não reconhece a existência de presos políticos em Cuba, ou não manteria seu apoio ao regime ditatorial cubano. Mas se considera um “preso político” na democracia dirigida por seu partido há 11 anos. Além de insistir na teoria da conspiração de que houve uma “operação midiática inédita na História do Brasil” para condená-lo, Genoino acusou ontem o julgamento do Supremo de ter sido “marcado por injustiças e desrespeito às regras do Estado democrático de Direito".

Esse processo “de exceção” teria ocorrido num Supremo Tribunal Federal (STF) de um regime democrático, cuja maioria dos ministros foi nomeada pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma, ambos do PT, partido que José Genoino presidia quando o mensalão aconteceu. Durma-se com um barulho desses.

Fonte: O Globo

No dia da república - Fernando Rodrigues

Dilma Rousseff começou o dia ontem no Twitter fazendo uma exegese da palavra República. Nada poderia ser tão premonitório.

"Hoje [ontem] comemoramos o 124º aniversário da Proclamação da República. A origem da palavra República nos ensina muito. Vem do latim e significa coisa pública'. Ser a presidenta da República significa exatamente zelar e proteger a coisa pública', cuidar do bem comum, prevenir e combater a corrupção", escreveu Dilma Rousseff.

No final do dia, no aniversário da República, a Polícia Federal recebeu os mandados de prisão dos condenados no mensalão. Estão no grupo políticos famosos, inclusive o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. O simbolismo desse fato é fortíssimo.

Há dezenas de anos na cobertura de assuntos políticos, presenciando casos de corrupção impunes, confesso que cheguei a duvidar da chegada do dia de ontem. É bem verdade que a lentidão do processo beirou o inaceitável. O mensalão é de 2005. Estamos em 2013. Justiça que tarda não é Justiça, costuma repetir o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

Mas, mesmo com todas as ressalvas, não é pouca coisa para um país patrimonialista e protetor dos mais fortes como o Brasil assistir a tantos poderosos serem levados para a cadeia, onde cumprirão suas penas. Ninguém deve imaginar que a nação amanhecerá hoje 100% limpa e livre de corrupção. Isso não existe. O combate à corrupção e a diminuição da impunidade é o que mais importam num processo civilizatório no qual o Brasil parece ter entrado já há cerca de duas décadas.

É imenso o exemplo cívico das prisões de réus condenados no mensalão. Mesmo com todos os seus excessos e protelações, a Justiça está sendo realizada. O país vai ficando melhor. Mais justo. E tudo acabou ocorrendo no dia da República. Uma grande homenagem a valores dos quais o Brasil não pode se privar.

Fonte: Folha de S. Paulo

Bom dia, tristeza - Demétrio Magnoli

Dirceu, Genoino e Delúbio não aprenderam nada, depois de um quarto de século de democracia

Acordei anteontem sob o impacto da notícia da expedição de mandados de prisão para os condenados do "mensalão". Uma tristeza, inicialmente indefinível, tomou conta de mim. Sim: eles devem ser presos, em nome da democracia e da justiça. Sim: a prisão deles é um sinal de que a igualdade perante a lei ainda tem uma chance na nossa pobre república habitada por tantas figuras "mais iguais" que as demais. Por que, então, a tristeza?

Os integrantes do núcleo político do "mensalão" foram condenados sem provas, por um recurso à teoria do domínio do fato, alegam ali (no PT, em sites chapa-branca financiados com dinheiro público) e aqui (neste espaço, por comentaristas que não se preocupam com a duplicidade de critérios morais), numa tentativa canhestra de confundir o público. A teoria do domínio do fato, amplamente utilizada nos tribunais brasileiros, não equivale a uma noção arbitrária de "responsabilidade objetiva", que é coisa de tiranias, e não dispensa provas. Ela é uma ferramenta analítica destinada a identificar responsabilidades em crimes cometidos pelo concurso de agentes: no julgamento de uma quadrilha de assaltantes de banco, serão imputadas penas não só aos que empunharam armas, mas também aos planejadores da ação. Sobram provas nos autos do processo do "mensalão". Não: a lenda do "julgamento político" não me comove nem um pouco.

A Ação Penal 470 é "um ponto fora da curva", dizem alguns cínicos e incontáveis porta-vozes informais do governo. O diagnóstico é compartilhado por não poucos advogados de boa-fé que se habituaram às transações internas de nossa elite de fidalgos a ponto de confundirem impunidade com justiça. Talvez seja mesmo: o STF nem mesmo abriu processo contra Antonio Palocci, apesar dos indícios clamorosos de que o então ministro cometeu um crime de Estado, violando o sigilo bancário de uma testemunha sem posses ou poder. Mas, se assim for, que o "ponto" inaugure uma nova "curva", traçada por um compasso que não reconheça privilégios derivados do convívio nos palácios. Não: o ineditismo real ou suposto da prisão de gente de "sangue azul" não é o que me entristece.

Na hora em que li a notícia da prisão iminente dos cérebros do "mensalão" veio-me à mente uma frase de Leon Trotsky, pronunciada perante uma maioria stalinista hostil que o isolava no Partido Comunista: "Em última análise, o Partido está sempre certo, porque é o único instrumento histórico que a classe trabalhadora tem para a solução de suas tarefas fundamentais. Só podemos ter razão com o Partido e através do Partido, porque a História não criou nenhuma outra forma para a realização do nosso direito. Os ingleses têm um lema: Meu país, certo ou errado'. Com muito maior justificação, podemos dizer: meu Partido, certo ou errado." Dirceu, Genoino e Delúbio não são revolucionários, nem de longe, mas herdaram da tradição comunista a convicção de que o Partido possui direitos extraordinários, oriundos de uma aliança especial com a História. Por pensarem isso, agora se declaram "presos políticos". Sim, estou triste e sei por quê: eles não aprenderam nada, depois de um quarto de século de democracia.

Dirceu et caterva aparentemente não desviaram dinheiro público para formar patrimônios privados próprios, mas para estabilizar e reproduzir um sistema de poder. Eles fizeram o que fizeram em nome dessa ideia: a Verdade do Partido. É bom, muito bom, que a Corte diga-lhes que nossa República não reconhece nenhuma verdade transcendental. Não estou triste, mas feliz, com o triunfo da mensagem de que a corrupção em nome de uma causa, de um Partido ou da História, escrita assim com maiúscula, é um crime tão grave quanto a corrupção em nome do vil metal. Entristece-me, isso sim, a constatação inevitável de que nossa democracia, imperfeita mas real, não conseguiu civilizá-los.

Fonte: Folha de S. Paulo

A equação de uma encrenca - Luiz Carlos Azedo

Com as prisões dos mensaleiros, a próxima questão é o quanto tal coisa pode interferir nas eleições dos petistas em 2014. A 12 meses das urnas, é possível apostar todas as fichas, mas tudo vai depender do discurso do PT

A questão volta ao centro do debate: até onde o resultado do julgamento atrapalha os planos de petistas nos cenários federal, estaduais e municipais? Com as primeiras prisões e com as imagens de caciques (sim, ainda o são) do governo Luiz Inácio Lula da Silva em direção à cadeia, é mais do que razoável tentar avaliar o tamanho e o tempo do desgaste no ambiente eleitoral do próximo ano.

Antes de buscar respostas — ou pelo menos tentar — para a primeira pergunta, vale dificultar ainda mais o exercício e, ao mensalão, somar outro escândalo, o dos fiscais de São Paulo. Se o caso de corrupção é tratado como um atropelo eleitoral para o prefeito Fernando Haddad e para o pré-candidato a governador Alexandre Padilha, não é de todo um exagero considerar riscos à presidente Dilma Rousseff.

Os elementos para montar a equação poderiam ainda ser expandidos com a força da guerra entre militantes antipetistas e governistas nas redes sociais, um fator cada vez mais forte a cada eleição. Tal selvageria, combinada com estratégias de multiplicação de memes, ocupa muito o tempo de profissionais de comunicação dos políticos, principalmente nas eleições. Tudo muito bem utilizado por personalidades remuneradas ou simplesmente em campo por “amor” à causa.

Os escândalos de corrupção, por sua vez, são, no ambiente eleitoral, o rastilho de pólvora pronto a ser aceso. E os casos do mensalão e dos fiscais de São Paulo se transformam em dois ótimos exemplos explosivos. Pelos menos é o que quer a oposição. O governo, assim, prepara-se desde já para evitar a combustão, ou pelo menos manter o incêndio distante de Dilma e Padilha — afinal, Haddad apenas precisa se preocupar com as eleições daqui a três anos, na reeleição para a prefeitura de São Paulo, por mais desgastes que possa sofrer daqui para lá.

De forma mística, o Planalto espera que o mensalão tenha, em 2014, o mesmo efeito de 2006 e 2010, quando o PT conseguiu reeleger Lula e eleger Dilma. Assim, acreditar nos pequenos efeitos do escândalo seguindo uma lógica histórica serve apenas como algo subjetivo, no próprio campo da reza. Nada garante que o fenômeno se repita, apesar de alguns elementos apontarem para isso.

Justiça
Dilma, Padilha e Haddad têm uma relação com o mensalão pelo fato de serem petistas. Por mais que isso possa ser uma credencial às avessas, tende a afastá-los do centro da crise. A lógica deles será mais ou menos a seguinte: os culpados pelo caso já passaram pelo crivo da Justiça e foram para a cadeia, mesmo que no semiaberto. E isso não tem nada a ver com as atuais gestões.

Mas é importante observar que tudo é uma questão de discurso, da marquetagem. Se eficientes, os governistas podem, sim, de fato, isolar o mensalão de Dilma e de Padilha e, no auge da eficiência, até mesmo inverter a culpa, jogando para políticos de outros partidos o fato de nunca terem sido julgados ou mesmo ido para a prisão por crimes parecidos. Mais uma vez, é tudo uma questão de trabalhar a imagem, coisa que hoje Haddad não consegue, deixando-se enrendar pelo escândalo alheio.

No caso de Dilma, se o governo não conseguiu recuperar os índices de aprovação anteriores às manifestações, ela ainda guarda um trunfo pouco ou nada visível nas pesquisas, tanto para a oposição quanto para o governo. Trata-se da aprovação pessoal, item que a petista tem pouco mais de 55% na maior parte das pesquisas. Para o diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, tal índice mostra força. “Todos os últimos presidentes que chegaram ao fim do mandato com mais de 55% de aprovação pessoal conseguiram se reeleger ou eleger um sucessor”, afirma ele.

De volta à pergunta inicial, o PT não está preocupado à toa, a imagem de políticos presos por corrupção nunca, em qualquer cenário, é positiva, por mais que as análises estejam abertas. Falta um ano para as eleições. Todas as fichas podem ser jogadas.

Fonte: Correio Braziliense

Onde está o Brasil nesses vários 'Brasis'? - Oliveiros S. Ferreira

Muitos terão esboçado um sorriso, poucos terão entendido o grito de dor de João Ubaldo Ribeiro em sua crônica de 3/11: "Não tem essa besteira de Brasil-Brasil-Brasil, isto é coisa para os iludidos de minha marca, que agora estão abrindo os olhos. Agora tem o Brasil das mulheres e o Brasil dos homens (...) 0 Brasil dos negros, o Brasil dos brancos (...) 0 Brasil dos evangélicos e o Brasil dos católicos (...) e nem sei quantas categorias, tudo é dividido direitinho e entremeado de animosidades, todo mundo agora dispõe de várias categorias para odiar. (...) esquece esse negócio de Brasil, não tem mais nada disso!".

João Ubaldo está nos dizendo que aquilo que chamávamos de sociedade brasileira deu lugar a tantas corporações quantos sejam os que, minimamente organizados, têm alguma influência sobre os que são tidos como formadores de opinião. Influência que se transforma em poder, para reclamar tratamento distinto do que recebem os milhões que compõem o corpo eleitoral - os cidadãos.

"Se é possível esquecer, hoje, esse negócio de Brasil", é porque o ovo da serpente foi posto nas florestas, nos sertões e nas cidades há muito tempo, antes mesmo que cedêssemos à sedução do mercado e aceitássemos que grana não tem nacionalidade" - a partir do momento em que não se cuidou de superar as servidões da infraestrutura e se permitiu que houvesse vários Brasis: o do Norte, o do Nordeste, o do Centro-Oeste, o do Sudeste e o do Sul. Eram Brasis distintos, e tão distintos continuam hoje que ilustre autoridade militar declarou, em entrevista, que o Norte é colonizado!

Não se culpem, porém, apenas as infraestruturas pelo progressivo desaparecimento da ideia de Brasil. O descaso com as comunicações que permitiriam o contato freqüente e duradouro entre as populações -umas influenciando outras, as mais adiantadas do ponto de vista da Civilization puxando as outras para a Kultur - tem raízes no isolamento, mas também no regionalismo. Boa parte dos que orgulhosamente pertencem ao escol culto tem sua cota de responsabilidades na destruição da ideia do Brasil, vale dizer do Estado brasileiro. Nossa História passou a não ter grandeza - grandeza alguma! Os que fundaram Império são vistos até hoje como indivíduos não só estúpidos, como sem etiqueta alguma no trato social. Não importa que dom Pedro I tenha dado ao País uma Constituição que durou mais de 40 anos com uma única emenda, revogada quando ficou claro que a unidade do Estado estava em jogo. A Guerra do Paraguai não decorreu de uma invasão do território nacional - foi feita pelo Brasil a mando da Inglaterra! Outras tantas atitudes foram tomadas por pressão dos norte-americanos. Seria de estranhar que um País sem História, sem brasileiros, portanto, sem consciência de Brasil, fosse hoje não um Estado, mas a reunião de corporações? É de estranhar que não saiamos da crise, se todos nossos males são sempre dados como efeito da índole da raça e dos interesses externos?

Não apenas a infraestrutura e a destruição da História nos conduziram ao grito de dor que João Ubaldo emitiu. É preciso ver que a serpente pôde vir ao mundo - ao nosso mundo político e social - quando deixamos de ser cidadãos e passamos a ser membros de uma categoria: metalúrgicos, bancários, comerciários, jornalistas, nem sei mais quê. Consagrou-se a corporação como a reunião de indivíduos com interesses distintos dos demais e sem coisa alguma que os unisse uns aos outros, a não ser o mero interesse imediato. Quando se criou o PT, nada mais se fez que seguir o caminho corporativo -basta ver a distinção semântica e política entre "Partido Trabalhista" e "Partido dos Trabalhadores" para entender o processo. E atentar para a divisão das bancadas no Congresso Nacional: os ruralistas, os evangélicos, os verdes, os que não se dão nomes, mas votam corporativamente. Ao nos identificarmos como membros de uma categoria, deixamos de ser cidadãos e passamos a ser apenas indivíduos ligados por laços de interesse curto, ainda que vil. Não nos projetamos, nem no tempo nem no espaço.

Há mais! Um olhar, superficial que seja, a Mannheím permite compreender que a sociedade e o Estado corporativos -porque o Estado é hoje também uma corporação - mataram a Política, e não mais conseguimos ver-nos como cidadãos de um Estado nacional. Que diz Mannheim? Que a Política se faz naquele reino das condutas que não são reguladas administrativamente pelo poder de Estado. É um reino imenso. Sendo campo em que as ações são livres, é no confronto que os diferentes grupos darão asas à imaginação para criar condições que permitam resolver o conflito. Não é jogo de soma zero. É jogo cujas regras são feitas no seu desenrolar - com maior ou menor agressividade, mais ou menos astúcia, maior ou menor consciência dos fins, das alianças e dos compromissos a serem feitos e até da necessidade de parar a ação. Essa é a natureza e a razão de ser da Política!

O Estado Novo, criando os sindicatos sustentados pelo Imposto Sindical e organizados em categorias, matou o jogo da Política nas relações de trabalho, já que as tomou regidas por atos administrativos, não políticos. O jogo é hoje de curto alcance porque os interesses a defender são estritamente imediatos e mediados pelo Estado. Essa relação medíocre foi levada aos partidos políticos, que se organizam como corporação e a agravam "resolvendo" problemas sociais com "bolsas" ou prebendas administrativas.

As crises de junho mostraram a falência do Estado e que, não tendo os governos impedido a presença do crime organizado no território, a ideia do Brasil perece. Porque a ideia de Estado - que não é o mesmo que a ideia de corporação, a de algo relativo a uma "categoria" - morreu.

Professor da Usp e da PUC-SP, é membro do Gabinete e Oficina de Livre Pensamento Estratégico.

Fonte: O Estado de S. Paulo

O Brasil emperrado e a tese de Nelson Rodrigues -Rolf Kuntz

Se toda unanimidade for mesmo burra, como escreveu Nelson Rodrigues, respeitados economistas nacionais e estrangeiros devem estar errados, porque as avaliações negativas da economia brasileira estão ficando quase unânimes. A Standard & Poorís, uma das principais agências de classificação de risco, poderá mudar a nota do País antes das eleições de 2014, se a situação das contas públicas continuar piorando, disse em Nova York, na quarta-feira, o diretor responsável pelo acompanhamento do Brasil, Sebastian Briozzo. Ele também revelou a previsão de crescimento econômico para este ano e para 2014, em torno de 2,5%. Um dia antes o Conference Board, organismo especializado em estudos macroeconômicos, havia indicado uma projeção pouco menor para o próximo ano, 2,3%. Estimativas semelhantes haviam sido divulgadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): expansão de 2,2% neste ano, 2,5% no próximo e 3,1% em 2015. Os cálculos anteriores, publicados no primeiro semestre, haviam sido mais otimistas - 3% para 2013 e 3,6% para 2014. Mas essas estimativas são apenas uma parte - e a menos preocupante - da unanimidade em formação.

As coincidências mais importantes referem-se à qualidade da política econômica, ao ambiente de negócios e ao fiasco brasileiro no cenário internacional, sintetizado recentemente na capa da revista The Economist pela queda do Redentor-foguete. Na pesquisa da OCDE, as economias emergentes e em desenvolvimento continuam perdendo impulso, mas ainda devem crescer em média 4,5% em 2013, 5% em 2014 e 5,3% em 2015. A zona do euro continuará em marcha lenta, mas a recessão vai ficando para trás. Os Estados Unidos, mesmo com a trava nos gastos públicos, devem manter-se em aceleração.

Na sondagem de clima econômico, realizada pelo instituto alemão IFO em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a projeção de crescimento para o Brasil nos próximos três a cinco anos ficou em 2,6%, número modestíssimo quando confrontado com aqueles previstos para Chile (3,8%), Colômbia (3,9%), Equador (4,1%) e Peru (5%). Na avaliação do clima econômico o Brasil aparece em 9º lugar numa lista de 11 latino-americanos. Os principais problemas detectados nas entrevistas são três faltas: de confiança na política econômica, de competitividade internacional e de mão de obra qualificada.

Bem conhecidos no País, esses pontos negativos se tomaram lugares-comuns nas avaliações divulgadas por entidades internacionais públicas e privadas, como a OCDE, o Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial e as agências de classificação de risco.

A quase unanimidade internacional a respeito das más condições do País tem sido alimentada por informações e avaliações também de entidades oficiais brasileiras. O Banco Central (BC) tem chamado a atenção, há um bom tempo, para as limitações do lado da oferta, para o desajuste no mercado de trabalho, para a demanda de consumo perigosamente aquecida e para a inflação resistente, mas a cúpula do Executivo continua agindo como se o grande entrave ao crescimento brasileiro estivesse do lado dos consumidores. Como conseqüência, o governo tem queimado dezenas de bilhões de reais em estímulos fiscais ao mercado, com pouquíssima ou nenhuma resposta da indústria. Mesmo o dinheiro do Tesouro entregue aos bancos públicos para financiar o investimento produziu efeitos abaixo de pífios nos últimos anos. O valor investido pelo governo e pelo setor privado continua na vizinhança de 19% do produto interno bruto (PIB), uns cinco pontos abaixo da média latino-americana.

Os sinais de estagnação continuam pipocando. O mais recente é o índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB. O número de setembro foi 0,01% inferior ao de agosto e 2,68% maior que o de um ano antes na série com ajuste sazonal. O índice do terceiro trimestre foi 0,12% inferior ao do segundo e o acumulado em 112 meses chegou a 2,48%.

A estimativa do PIB atualizada até o período de julho a setembro só deve ser divulgada no começo do próximo mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por enquanto, os levantamentos indicam um resultado muito fraco. Isso inclui o crescimento industrial de apenas 1,1% nos 12 meses até setembro, segundo os últimos dados do IBGE.

Enquanto isso, a alta dos preços ao consumidor continua : em aceleração, mesmo com a I acomodação dos preços no atacado (IPA). O IGP-10 de novembro subiu 0,44%, freado por seu componente de maior peso: o IPA, com elevação de 0,4%, avançou bem menos que no mês anterior (1,48%). Mas os preços ao consumidor, também cobertos pela pesquisa, aumentaram 0,61%, com variação de 5,44% em 12 meses. Em outubro haviam subido 0,33%. A nova apuração mostrou alta de preços em seis dos oito grupos de bens e serviços pesquisados, com destaque, novamente, para os serviços - mais um forte sinal de excesso de demanda.

Toda unanimidade pode ser burra, mas pode causar muito prejuízo antes de ser descoberta a burrice. A movimentação no mercado financeiro já tem mostrado os efeitos da desconfiança em relação à política fiscal, muito frouxa, e às possibilidades de crescimento econômico nos próximos anos. Além disso, restam dois motivos de preocupação. Primeiro: talvez haja algum exagero na tese de Nelson Rodrigues. Nesse caso, pelo menos algumas unanimidades poderão ser fundamentadas. Segundo: mesmo avaliações defeituosas podem motivar profecias autorrealizáveis. Pelo sim, pelo não, a presidente Dilma Rousseff deveria pensar nessas possibilidades, para tentar garantir nos próximos anos uma economia mais bonitinha e menos ordinária.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Portas fechadas - Cristovam Buarque

A história oferece uma certeza: não tem passaporte para o futuro econômico e social o país que não for capaz de fazer parte do mundo da inovação. Para ingressar neste mundo, o país deve abrir pelo menos cinco portas.

A primeira é ter universidades e institutos de pesquisas, públicos e privados, com padrões internacionais, convivendo com o setor produtivo em um robusto Sistema Nacional do Conhecimento e da Inovação, interagindo com os mais qualificados centros científicos e tecnológicos do mundo.

A segunda envolve as empresas. Não entra no mundo da inovação o país cujos empresários se limitem a produzir apenas o que é inventado fora, porque têm aversão a investimentos em pesquisas e desenvolvimento ou porque o setor público despreza a inovação ao não vincular seus financiamentos à criatividade da empresa. Para entrar no mundo da inovação é necessário que os incentivos fiscais e financeiros exijam contrapartida criativa das empresas beneficiadas.

A terceira porta trata da estabilidade institucional. Não é possível o país ser inovador se professores e pesquisadores são obrigados a parar suas atividades por falta de recursos ou salários ou se leis instáveis mudam constantemente as regras de funcionamento dos centros de pesquisa.

Da mesma forma, não há como um país ser inovador se seus empresários não souberem quais leis nortearão o funcionamento da economia, a política fiscal, o grau de abertura comercial e de intervenção estatal.

Uma quarta e decisiva porta para o mundo da inovação é a educação básica de qualidade máxima e equivalente para todas as crianças e jovens. Cada criança que não aprende idiomas, regras básicas das ciências e da matemática é um capital inovador interrompido.

Mas a mais necessária porta para o mundo da inovação é a vontade nacional de dar um salto para ingressar no seleto conjunto de países inovadores. O Brasil não parece ter a vontade necessária para fazer hoje os sacrifícios necessários para entrar em um mundo inovador, daqui a 20 ou 30 anos. O país prefere dar isenções fiscais aos automóveis criados no exterior e fabricados aqui do que investir na criação de nossos carros e sistemas de transporte público.

Prefere incentivar o aumento do consumo de energia elétrica por meio de isenções fiscais do que investir no desenvolvimento de fontes alternativas de energia. Prefere ser um celeiro de alimentos, do que uma fonte de novas tecnologias. Nossa mentalidade imediatista e obscurantista não olha o longo prazo, nem dá valor aos produtos da inteligência, mantendo fechadas as portas que nos separam do mundo da inovação.

Não há estadistas nem partidos a propor a conduzir o país nesta direção, com visão de futuro, carisma para mobilizar a opinião pública, competência política para conseguir os votos e os apoios necessários para abrir as portas que nos amarram no lado de cá, enquanto outros países menores e mais pobres estão avançando em direção ao futuro por meio da inovação.

Cristovam Buarque é professor da UnB e senador pelo PDT-DF.

Fonte: O Globo

Painel - Vera Magalhães

Há vagas
A Secretaria de Administração Penitenciária do governo de São Paulo deve informar à Justiça Federal que dispõe de vagas para que condenados do mensalão cumpram pena em regime semiaberto em pelo menos dois presídios do Estado. Levantamento mostra que há dez leitos na Penitenciária 2 de Tremembé e pelo menos o mesmo número no Centro de Ressocialização de Limeira. Nas duas unidades, quem cumpre pena nesse regime dorme em um tipo de alojamento, e não em celas.

Em casa A comunicação do governo paulista sobre a disponibilidade de lugares deve frustrar a estratégia de vários advogados de requerer regime aberto por falta de capacidade do sistema prisional para receber esses presos.

Tensão Advogados e parentes de José Genoino se preocuparam com a saúde do ex-presidente do PT, que chegou muito ofegante à sede da Polícia Federal em São Paulo. O petista está sob acompanhamento médico por problemas cardíacos e toma remédios anticoagulantes.

Resignado A pessoas próximas, Genoino desabafou, logo antes de se apresentar: "Já passei por situações piores. Enfrentarei esse momento com dignidade".

Cuidado 1 A defesa de Marcos Valério pediu ao governo de Minas que seja providenciada uma cela especial, em que o operador do mensalão fique sozinho.

Cuidado 2 Valério relata ter sofrido agressões quando ficou preso. O governo mineiro concordou com o pedido e o publicitário deverá ir para o presídio de Sete Lagoas, mais seguro que os da capital.

Mesozoico Na sessão de quinta-feira do STF, a ministra Rosa Weber brincou que a duração de sua carreira na magistratura a tornava "jurássica". "Então estamos com Steven Spielberg, no parque de dinossauros que ele imaginou", disse o colega Luiz Fux.

Rei do... O PMDB vai protestar se Dilma Rousseff "fatiar" a reforma da Esplanada, dividindo entre janeiro e março a saída dos ministros que disputarão a eleição.

... camarote A sigla acha injusto que Alexandre Padilha (Saúde), por exemplo, fique no governo para aumentar sua exposição por mais dois meses, enquanto os peemedebistas candidatos podem ser instados a sair antes.

Pano rápido A presidente não escondeu o constrangimento ontem no Congresso do PC do B diante do coro "É Flávio Dino, é união, é Flávio Dino para mudar o Maranhão". O PT deve apoiar o candidato do PMDB à sucessão de Roseana Sarney.

Camaradas Dino e a deputada federal Jandira Feghali, que também deve enfrentar o PT se disputar o governo do Rio, foram apresentados como candidatos a governador durante o evento do PC do B. Padilha foi saudado apenas como ministro.

No bolso Eduardo Campos agendou uma maratona de encontros com representantes do mercado financeiro na segunda-feira, em São Paulo. O pessebista tem almoço marcado no Banco Pine, palestra no Credit Suisse e jantar no JP Morgan.

Senta lá Apesar de negociar a indicação de um vice para Alexandre Padilha, o PR procurou o PSDB paulista e fez chegar ao Palácio dos Bandeirantes que a decisão sobre seu apoio na eleição só será tomada em 2014.

1 x 0 Tucanos festejaram por Aécio Neves ter sido ovacionado no Mineirão ao aparecer no telão após o título do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro, quarta-feira. Lembram a vaia a Dilma na Copa das Confederações, em junho.

Tiroteio
"Marina sempre fez terrorismo ambiental. Ao prever inflação de 10%, faz terrorismo econômico e prova que vive em outro mundo."
DO DEPUTADO ANDRÉ VARGAS (PT-PR), vice-presidente da Câmara, sobre texto de Marina Silva na Folha, em que aponta inflação "extraoficial" de 10% anuais.

Contraponto
O homem que sabia demais

Em uma sala com o ex-chanceler Antonio Patriota e o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), o diplomata sueco Jan Eliasson, secretário-geral-adjunto da ONU, relatou episódio da abertura da Assembleia-Geral da entidade, em setembro. Eliasson contou que, antes de entrar na sessão, Barack Obama perguntou o que Dilma Rousseff havia dito em seu discurso.

O sueco entregou a Obama uma cópia da fala da brasileira, que criticou a espionagem dos EUA no Brasil. O americano leu trechos e, resignado, devolveu o papel.

--Não estou surpreso... --respondeu Obama.

Fonte: Folha de S. Paulo

Panorama político - Ilimar Franco

Bolsa assentado
Uma nova bolsa de transferência de renda será lançada pelo governo Dilma. Ainda sem nome, vai para os assentados pela reforma agrária. Ela vai substituir o crédito instalação, financiamento com 100% de inadimplência. Cada assentado terá seu cartão e receberá os recursos sem ter que pagar depois. O objetivo da bolsa é garantir a subsistência e fomentar o aumento da produção pelos assentados.

Overdose de paulistas
Um dos mais antigos partidos do país, o PCdoB, realiza Congresso neste fim de semana. Um dos objetivos, não declarados, dos comunistas é o de promover uma redução de paulistas em sua direção. Hoje, cerca de 50% de seu diretório nacional, é composto por quadros que atuam em São Paulo. Esta reorientação pesou na escolha da deputada Luciana Santos (PE) para suceder, a partir de janeiro de 2015, ao atual presidente, Renato Rabelo. O dirigente mais conhecido do partido, o deputado Aldo Rebelo (SP), atual ministro dos Esportes, foi descartado. Além disso, pesaram divergências nos rumos estratégicos da atuação dos comunistas no Brasil.

“A Lei Kandir é uma mentirinha. Não há ressarcimento da isenção de impostos aos estados exportadores. Mentirinha dos governos Dilma, Lula e, justiça seja feita, FH”
Paulo Bauer Senador (PSDB-SC)

Na trilha da oposição
A candidata do PP ao governo gaúcho, senadora Ana Amélia, recusou sondagem do PT para que a presidente Dilma tenha duplo palanque. O dela e o do governador Tarso Genro. Sua estratégia eleitoral requer distância dos petistas.

O Candidato
As tendências que reelegeram o presidente do PT, Rui Falcão, já articulam a escolha de um novo secretário-geral. O deputado federal Geraldo Magela, do Movimento PT, vem sendo apontado como o nome mais forte para ocupar a função. Magela liderou em sua organização o movimento para apoiar a reeleição do atual presidente.

Marcando em cima
O governo vai incluir no marco civil da internet prazo máximo para a Justiça determinar a retirada de conteúdo difamatório. E que o provedor responderá solidariamente em ações penais contra o autor do conteúdo ofensivo.

Correndo contra o tempo
Para aprovar o marco civil da internet, o governo está disposto a ceder ao líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), delegando a regulamentação da neutralidade para a Anatel. E a neutralidade da rede que impede as teles de cobrar preços diferentes para o tráfego de conteúdo, como no caso das TVs a cabo. Se isso acontecer, o relator, Alessandro Molon (PT-RJ), sofrerá um revés.

O que dá para rir dá para chorar
Toda vez que os tucanos defendem uma chapa pura, seja na eleição presidencial ou para o governo de São Paulo, os deputados do DEM que defendem a candidatura própria (do líder na Câmara, Ronaldo Caiado) comemoram.

O choro dos desamparados
É comum ouvir de petistas reclamações contra o “jeitão” da presidente Dilma. Eles gostam de cantar em prosa e verso, sobretudo os que não eram próximos ao ex-presidente Lula, como ele era “carinhoso” e “caloroso” com os companheiros.

O CANDIDATO DO PSDB, AÉCIO lança em dezembro sua “Agenda para o Futuro”, com propostas para enfrentar os temas mais urgentes da economia.

Fonte: O Globo

Brasília-DF -Denise Rothenburg

Preparar para recuar
Os parlamentares acreditam ter encontrado um discurso para fazer com que os congressistas possam retirar de pauta o aumento dos agentes de saúde sem que fique muito feio para eles. Na terça-feira, quando a presidente Dilma Rousseff reunir o conselho político (presidentes de partido, líderes e ministros palacianos), o bloco PP-Pros, o PMDB e o PT apresentarão a proposta de “pacto pela estabilidade econômica”, tomando como iniciativa deles, deputados e senadores, a proteção da economia.

A ordem é para não votar nada que possa aumentar a despesa pública, sem a contrapartida da receita. “O Congresso tem que fazer a sua parte”, diz o líder do bloco PP-Pros, Eduardo da Fonte (PE), que há menos de 20 dias batia o pé em prol da aprovação do aumento dos agentes de saúde. Agora, com o aval dos presidentes dos partidos da base, Henrique Eduardo Alves terá discurso para retirar os aumentos de pauta. Falta combinar com o plenário.

À flor da pele
A prisão dos condenados no processo do mensalão em pleno feriado levou o PT ao confronto direto com o Supremo Tribunal Federal. Daí, a nota emitida ontem. Internamente, há quem defenda que essa guerra perdure. Lula será o árbitro dessa disputa.

Reservado
O Ministério da Agricultura continua com o PMDB quando o ministro Antonio Andrade sair para concorrer à reeleição para deputado federal em Minas Gerais.

Estilo
Depois de ter dito a alguns interlocutores que a aposta para a Casa Civil era Carlos Gabas, a presidente Dilma Rousseff voltou a embaralhar a carta, sacou o nome de Miriam Belchior, e ainda jogou Aloizio Mercadante na roda. Tudo para evitar as pressões sobre o secretário executivo da Previdência e distribuir bajuladores e aqueles que costumam puxar os tapetes pela Esplanada.

Duelo marcado
A briga pelo diretório do PMDB no Tocantins foi parar na Comissão Executiva Nacional do partido. Lá, na próxima terça-feira, a senadora Kátia Abreu tenta tomar o controle da legenda do presidente, deputado Júnior Coimbra.

Comparações
Jader Barbalho se referiu ao voto secreto no Senado no caso de vetos e indicação de autoridades como aquele que serve de proteção a integrantes de um júri popular. Na hora, o líder do PSB na Casa, Rodrigo Rollemberg (DF), reagiu: “Eles estão protegidos é de bandidos, nós aqui temos que ser que nem os ministros do STF: votar aberto”.

Dias de treinamento
Com a pedofilia e os crimes contra crianças e adolescentes cada vez mais frequentes, a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados decidiu armar melhor seu exército para o combate. Pela primeira vez, os juizes interessados terão curso sobre como conduzir os processos contra pedófilos sem causar novos traumas às vítimas.

Felicidade
O deputado Luiz Pitiman (PSDB-DF) está na maior alegria desde que foi citado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) em programa de tevê como o possível candidato a governador do Distrito Federal pelos tucanos. E, assim, segue a disputa dele com Izalci Lucas.

Escola Agaciel
A secretária-geral da Mesa Diretora do Senado, Claudia Lyra (foto), é pré-candidata a deputada federal pelo PMDB do Distrito Federal. Segue assim o caminho percorrido pelo ex-diretor-geral da Casa Agaciel Maia.

Fonte: Correio Braziliense

Política – Claudio Humberto

• Rumores de fuga cercam o sumiço de Pizzolato
Como a Polícia Federal não conseguiu prendê-lo nesta sexta-feira, ressurgiram rumores de possível fuga de Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil condenado a 12 anos e 7 meses de prisão, em regime inicialmente fechado. Sumido há mais de dois meses, ele tem cidadania italiana e poderia repetir o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que usou a dupla cidadania para se fixar em Roma.

• Promessa
Familiares de Pizzolato garantiram que ele se entregaria neste sábado, mas se não o fizer será declarado foragido.

• Supremo republicano
O ministro Joaquim Barbosa jamais perderia a chance mandar prender os mensaleiros no Dia da Proclamação da República.

• Um carioca
Joaquim Barbosa estava exausto, mas logo mudou o astral ao chegar ao Rio. A cidade faz bem a ele.

• Correndo para o abraço
Nesta segunda-feira, o ministro Joaquim vai a Belém participar do Encontro Nacional do Judiciário.

• Ministérios são cobiçados, mesmo sem estrutura
Apesar de serem objetos de desejo de partidos da base aliada do governo federal, como o PROS, PSD e até PMDB, ministérios como o do Turismo e órgãos de considerados de nível ministerial, como a Secretaria dos Portos, têm poucos cargos para distribuir e orçamentos modestos, mas oferece aos titulares pompa e circunstância, holofotes, carro oficial com placa verde e amarela e carona em jatinhos da FAB.

• Tá bom aqui
O ministro Gastão Vieira (Turismo) tem orçamento raquítico e só 92 cargos para preencher, mas nem quer pensar em perder o posto.

• Cargos, cargos
O Ministério da Integração tem orçamento modesto, mas os 279 cargos são objetos de desejo dos partidos que o ambicionam: PMDB e Pros.

• São tantos
A Secretaria de Portos, que é ministério, mas ligada ao Planalto, alegou “precisar de 24h” para levantar o número de comissionados.

• PMDB que se cuide
Líderes governistas garantem que a presidenta Dilma fará a reforma ministerial em dezembro, mas deixará na geladeira, até março, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) – a quem faria “ressalvas”.

• Na moita
A Fundação Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal bancaram no mês passado congresso sobre softwares livres, realizado em Itaipu, em Foz do Iguaçu. Mas se recusam a divulgar quanto gastaram.

• É o futebol, peixe
O deputado Romário quase teve um troço, quando soube de estudo do Comitê Organizador da Copa 2014, mostrando que 90% dos brasileiros acha o evento muito importante para o País: “Tá de sacanagem, né?”

• Puxasacovsky
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi condecorado com a faixa preta de Taekwondo pela federação coreana, mas a intenção é apenas fazer divulgação, pois Putin é judoca e nunca fez Taekwondo na vida.

• Fantasia reafirmada
Para o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), o ex-presidente João Goulart “foi envenenado p(*) nenhuma”, quem aponta militares como malvados “deveriam conhecer Cuba para saber o que Jango planejava”.

• Conspiração
Responsável pela liberação de emendas no Ministério do Turismo, o secretário nacional Fábio Mota, ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, é cotado no PMDB para suceder o atual Gastão Vieira.

• Mesmo erro
Líderes aliados reclamam que ministro José Cardozo (Justiça) cometeu o mesmo erro que Gleisi Hoffmann na MP dos Portos. Acertou o Marco Civil da Internet com PMDB, mas esqueceu de combinar com troianos.

• Não conte comigo
O líder do PSC, André Moura (SE), já avisou ao Planalto que não há chance de o partido votar contra o projeto que cria um piso nacional para agentes comunitários de saúde, bandeira da bancada.

• Pensando bem…
…mensaleiro preso às vésperas de um feriado só mesmo no engarrafamento.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Venezuela em apuros - Míriam Leitão

Na Venezuela , a inflação em 12 meses é quase dez vezes a do Brasil. Há tabelamento de preços e faltam produtos da cesta básica e dólares . As filas para compra de alimentos racionados , como açúcar e leite em pó , são de até duas horas . Muitos estão endividados . Diante de tudo isso , o governo Maduro tirou da cartola medidas que não resolvem o problema. Baixou por decreto os preços dos eletrodomésticos . Não vai adiantar .

A inflação está em 54% pela taxa anualizada, mas como a de alimentos é ainda maior , de 72,2%, os mais pobres são os mais prejudicados. Segundo o economista venezuelano Pedro Palma, que conversou com a coluna, o poder de compra das remunerações dos trabalhadores é hoje quase 20% menor do que há 15 anos .

Os venezuelanos não tinham visto os preços dos produtos subir em tão rápido nesse período como agora, de acordo com a imprensa local. O site do jornal “El Nacional” informava que, enquanto os preços de alguns eletrodomésticos tinham sido reduzidos, o racionamento de alimentos continuava. E que dois tipos de filas eram vistas pelas ruas de Caracas: uma para a compra de TV s, por exemplo; nas outras , diante dos supermercados, donas de casa aguar davam para comprar dois quilos de leite em pó , dois de açúcar e quatro quilos de farinha.

Produtos racionados . Em meio a essa crise na economia e a proximidade das eleições municipais, que serão uma prova de fogo para o governo , o que Maduro quer mesmo é poder governar por decreto, ter superpoderes. E continua lançando mão de medidas que podem até aliviar um pouco a situação no curto prazo, mas não corrigem de forma efetiva os desequilíbrios da economia.

Nesses últimos dias, além da redução de preços, Maduro fez novos anúncios, como a criação de um órgão para ad-ministrar as divisas para as importações e fomentar as exportações . É o terceiro desse tipo desde fevereiro. —As medidas absurdas que o governo está implementando , que ordena redução dos preços e fixação de margens de lucro “justas ”, podem gerar um efeito transitório de redução da inflação , mas não vão se traduzir em um abatimento exitoso das pressões inflacionárias .

Pelo contrário , com o controle, o que vai acontecer é um represamento da inflação , que depois voltará com mais força. É pão para hoje e fome para amanhã. As perspectivas não são boas — disse Palma.

Siderúrgicas surpreendem
O balanço das siderúrgicas no terceiro trimestre tem surpreendido analistas que acompanham o setor . A rentabilidade das empresas voltou a crescer , impulsionadas pelo real mais fraco , que desestimulou as importações de aço . Segundo Celson Placido , da XP Investimentos , as ações na bolsa estão em forte alta desde meados de julho . A CSN teve expansão de 133%, enquanto Usiminas valorizou 93% nesse período . A Gerdau teve alta menor , porque depende das vendas nos EU A, que foram fracas . Ainda assim, tem um ganho de 36% na Bolsa.

Cenário difícil para construtoras
Já as empresas ligadas à construção civil continuam reportando resultados fracos, segundo Celson Placido, da XP . O cenário é de menos lançamentos , menos vendas e estoques elevados. As construtoras estão tendo aumento de custos, de um lado , pelas restrições de mão de obra e pouca oferta de terrenos, e encontram também consumidores mais cautelosos e endividados. A alta da Selic e a inflação elevada não ajudam. Tudo isso tem se refletido no desempenho na bolsa das principais companhias do setor . A Brookfield cai 66% este ano; a Rossi, 47%; enquanto a PDG sofreu queda de 42% nas ações; e a Gafisa, 33%.

SOBE E DESCE. A volatilidade do dólar tem novo capítulo agendado. O BC americano divulga na quarta-feira a ata de sua última reunião.

MENOS CONSUMO. A consultoria Go Associados reduziu de 4,5% para 4,3% a projeção de crescimento das vendas do varejo este ano.

Alvaro Gribel e Valéria Maniero (interinos)

Fonte: O Globo

Alerta desde Venezuela: "Que no quede nada en los anaqueles".

Estimados amigos:

Solicitamos su atención para hacer de su conocimiento uno de los mayores actos de irresponsabilidad política de quienes hoy ocupan ilegítimamente el gobierno en Venezuela.

Miles de ciudadanos han salido a las calles de manera desesperada por el anuncio en el que Nicolás Maduro llamó a tomar establecimientos comerciales con el argumento de que han especulado y aplicado incrementos injustificados en los precios de electrodomésticos y otros artículos para el hogar.Bajo el lema “que queden todos los anaqueles vacíos”, el régimen ordenó la ocupación de una gran cantidad de comercios, la detención de sus gerentes y un proceso de “fiscalización”a fin de llegar al “precio justo”. En realidad, persecución e irrespeto al derecho de propiedad con la clara intención de acabar progresivamente con la actividad comercial y económica privadas.

Este caos, promovido por el régimen, es un intento desesperado por generar un clima de inestabilidad que oculte su debilidad y desvíe la voluntad soberana que se expresará contundentemente en las elecciones municipales del 8 de diciembre. La Movida Parlamentaria y la Mesa de la Unidad Democrática (MUD) ya han fijado una posición firme invitando a todos a votar y a mantener la calma, pese a que el gobierno pretende responsabilizarlos de la difícil situación actual y continúa con una persecución sin precedentes.

Seguros de su solidaridad, comprensión y apoyo a la Venezuela democrática, les solicitamos transmitir este mensaje a todas las redes de aliados por la Democracia y a quienes consideren necesario. De igual forma, les pedimos estar atentos a todas las acciones que buscan hundir al país en la servidumbre con el fin de sostener un proyecto que se sabe con los días contados.

A continuación, el enlace hacia vídeo contentivo de la declaración de Maduro donde solicita “que no quede nada en los anaqueles" y del rechazo de la alternativa democrática:


Atentamente,

María Teresa Belandria E.
+58-414-305-80-73
Comité Internacional

Passado é sombra tímida em campanha eleitoral chilena

Vida de candidatas durante ditadura é ofuscada por debate social

Janaína Figueiredo

BUENOS AIRES - O primeiro nome que surgiu com força para ser o candidato do presidente chileno , Sebastián Piñera, nas eleições presidenciais de amanhã, foi o de Laurence Golborne , ex-ministro de Minas e Energia e, posteriormente , de Obras Públicas. Mas Golborne enfrentou problemas judiciais e a candidatura acabou ficando para o ex-ministro da Economia, Pablo Longueiras, que terminou renunciando por sofrer de depressão .

Finalmente , a ex -presidente socialista Michelle Bachelet, grande favorita , teve como principal rival uma ex -amiga de infância, cujo pai — o general reformado da Força Aérea Fernando Matthei — é considerado por advogados especializados em casos da última ditadura (1973-1990) responsável pelo assassinato de seu pai, Alberto Bachelet, que também foi general da Força Aérea e amigo da família Matthei.

Apesar das circunstâncias inéditas, num país que foi cenário de uma das ditaduras mais violentas das décadas de 70 e 80, o passado de duas mulheres de longa trajetória política esteve longe de ser o eixo de uma campanha que centrou- se nas demandas sociais de uma população que, ao fim do primeiro governo de direita eleito após a re democratização , em 1990, parece não contentar-se apenas com estabilidade econômica.

Na visão de analistas locais ouvidos pelo GLOBO, a história de vida de Bachelet, que além de perder seu pai esteve presa, foi torturada e obrigada a rumar para o exílio , e Matthei, até hoje defensora dos “êxitos ” do governo Augusto Pinochet, não foi motivo de debate nem de grande interesse por parte dos cerca de 13 milhões de eleitores chilenos. Detalhe: deste total, cinco milhões poderão pela primeira vez participar de uma eleição presidencial. O voto é facultativo .

—Nenhuma das duas candidatas quis usar esse passado como elemento de campanha, para os chilenos este aspecto de ambas candidaturas não teve o menor peso — comentou Marco Moreno, reitor da Faculdade de Ciência Política e Administração Pública da Universidade Central do Chile. Para ele , o único momento em que as vidas de Bachelet e Matthei, de 62 e 60 anos, respectivamente , ocuparam espaço importante na agenda eleitoral foi durante as homenagens às vítimas do regime militar em 11 de setembro, 40 anos após o golpe dado por Pinochet contra o governo de Salvador Allende.

—Não houve confronto pelo passado em momento algum, mas nos 40 anos do golpe o passado esteve muito presente e Matthei não fez aautocrítica que muitos esperavam, o que a prejudicou —explicou Moreno . O analista lembrou que a candidata da direita votou a favor de Pinochet no plebiscito de 1988 e até hoje assegura que a ditadura teve aspectos positivos, embora tenha reconhecido as gravíssimas violações dos direitos humanos.

As famílias Bachelet e Matthei chegaram a conviver numa mesma base militar , na região de Valparaíso, onde ambas as candidatas, ainda meninas, foram amigas. No governo Allende e em meio às pressões cada vez maiores das Forças Armadas, o general Bachelet se manteve fiel ao presidente socialista e terminou sendo assassinado numa prisão militar transformada em centro de torturas após o golpe. O chefe da prisão era o general Matthei. A candidata e sua mãe, Angela Jeria, foram detidas e torturadas no centro clandestino Villa Grimaldi.

Libertadas, optaram pelo exílio. Já a candidata da direita permaneceu no país e foi pinochetista. Hoje , Matthei (c asada e mãe de três filhos), que foi militante juvenil, congressista e ministra, representa a conservadora direita chilena. Já Bachelet (divorciada e mãe de três filhos) lidera a chamada Nova Maioria, a relançada Concertação entre socialistas e social-democratas , que, nesta eleição , se aliou com o Partido Comunista.

O último pacto eleitoral dos comunistas chilenos , que nesta eleição podem passar de três para seis representantes no Congresso Nacional, foi com Allende, em 1970. —Com Bachelet, os comunistas poderiam retornar ao governo . A candidata socialista quer uma mudança de esquerda, moderada e dentro do sistema de economia livre e com propriedade privada — afirmou Roberto Méndez, diretor da empresa de consultoria Adimark.

REFORMA DA CONSTITUIÇÃO
Para ambos analistas, Bachelet e Matthei “representam dois mundos que convivem no Chile”. —A ex-presidente nunca fez papel de vítima, mas sempre defendeu os direitos humanos. Matthei nunca escondeu sua simpatia por Pinochet e o defendeu quando esteve sob prisão domiciliar em Londres (em 1998).

São duas posturas de vida radicalmente opostas — enfatizou Moreno. Nesta campanha, Bachelet prometeu uma reforma constitucional profunda (a atual Carta Magna é de 1980) e políticas sociais mais abrangentes, principal em saúde e educação . Matthei também priorizou demandas sociais , mas jamais mencionou a possibilidade de reformar a Constituição herdada de Pinochet.

Fonte: O Globo

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Mercedes Sosa-Todo cambia

Ai de ti, Copacabana! - Rubens Braga

1. Ai de ti, Copacabana, porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te abalará até as entranhas.

2. Ai de ti, Copacabana, porque a ti chamaram Princesa do Mar, e cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras; e deste risadas ébrias e vãs no seio da noite.

3. Já movi o mar de uma parte e de outra parte, e suas ondas tomaram o Leme e o Arpoador, e tu não viste este sinal; estás perdida e cega no meio de tuas iniqüidades e de tua malícia.

4. Sem Leme, quem te governará? Foste iníqua perante o oceano, e o oceano mandará sobre ti a multidão de suas ondas.

5. Grandes são teus edifícios de cimento, e eles se postam diante do mar qual alta muralha desafiando o mar; mas eles se abaterão.

6. E os escuros peixes nadarão nas tuas ruas e a vasa fétida das marés cobrirá tua face; e o setentrião lançará as ondas sobre ti num referver de espumas qual um bando de carneiros em pânico, até morder a aba de teus morros; e todas as muralhas ruirão.

7. E os polvos habitarão os teus porões e as negras jamantas as tuas lojas de decorações; e os meros se entocarão em tuas galerias, desde Menescal até Alaska.

8. Então quem especulará sobre o metro quadrado de teu terreno? Pois na verdade não haverá terreno algum.

9. Ai daqueles que dormem em leitos de pau-marfim nas câmaras refrigeradas, e desprezam o vento e o ar do Senhor, e não obedecem à lei do verão.

10. Ai daqueles que passam em seus cadilaques buzinando alto, pois não terão tanta pressa quando virem pela frente a hora da provação.

11. Tuas donzelas se estendem na areia e passam no corpo óleos odoríferos para tostar a tez, e teus mancebos fazem das lambretas instrumentos de concupiscência.

12. Uivai, mancebos, e clamai, mocinhas, e rebolai-vos na cinza, porque já se cumpriram vossos dias, e eu vos quebrantarei.

13. Ai de ti, Copacabana, porque os badejos e as garoupas estarão nos poços de teus elevadores, e os meninos do morro, quando for chegado o tempo das tainhas, jogarão tarrafas no Canal do Cantagalo; ou lançarão suas linhas dos altos do Babilônia.

14. E os pequenos peixes que habitam os aquários de vidro serão libertados para todo o número de suas gerações.

15. Por que rezais em vossos templos, fariseus de Copacabana, e levais flores para Iemanjá no meio da noite? Acaso eu não conheço a multidão de vossos pecados?

16. Antes de te perder eu agravarei a tua demência — ai de ti, Copacabana! Os gentios de teus morros descerão uivando sobre ti, e os canhões de teu próprio Forte se voltarão contra teu corpo, e troarão; mas a água salgada levará milênios para lavar os teus pecados de um só verão.

17. E tu, Oscar, filho de Ornstein, ouve a minha ordem: reserva para Iemanjá os mais espaçosos aposentos de teu palácio, porque ali, entre algas, ela habitará.

18. E no Petit Club os siris comerão cabeças de homens fritas na casca; e Sacha, o homem-rã, tocará piano submarino para fantasmas de mulheres silenciosas e verdes, cujos nomes passaram muitos anos nas colunas dos cronistas, no tempo em que havia colunas e havia cronistas.

19. Pois grande foi a tua vaidade, Copacabana, e fundas foram as tuas mazelas; já se incendiou o Vogue, e não viste o sinal, e já mandei tragar as areias do Leme e ainda não vês o sinal. Pois o fogo e a água te consumirão.

20. A rapina de teus mercadores e a libação de teus perdidos; e a ostentação da hetaira do Posto Cinco, em cujos diamantes se coagularam as lágrimas de mil meninas miseráveis — tudo passará.

21. Assim qual escuro alfanje a nadadeira dos imensos cações passará ao lado de tuas antenas de televisão; porém muitos peixes morrerão por se banharem no uísque falsificado de teus bares.

22. Pinta-te qual mulher pública e coloca todas as tuas jóias, e aviva o verniz de tuas unhas e canta a tua última canção pecaminosa, pois em verdade é tarde para a prece; e que estremeça o teu corpo fino e cheio de máculas, desde o Edifício Olinda até a sede dos Marimbás porque eis que sobre ele vai a minha fúria, e o destruirá. Canta a tua última canção, Copacabana!

Janeiro, 1958

O cão sem plumas - João Cabral de Melo Neto


II. Paisagem do Capibaribe

Entre a paisagem
o rio fluía
como uma espada de líquido espesso.
Como um cão
humilde e espesso.

Entre a paisagem
(fluía)
de homens plantados na lama;
de casas de lama
plantadas em ilhas
coaguladas na lama;
paisagem de anfíbios
de lama e lama.

Como o rio
aqueles homens
são como cães sem plumas
(um cão sem plumas
é mais
que um cão saqueado;
é mais
que um cão assassinado.

Um cão sem plumas
é quando uma árvore sem voz.
É quando de um pássaro
suas raízes no ar.
É quando a alguma coisa
roem tão fundo
até o que não tem).

O rio sabia
daqueles homens sem plumas.
Sabia
de suas barbas expostas,
de seu doloroso cabelo
de camarão e estopa.

Ele sabia também
dos grandes galpões da beira dos cais
(onde tudo
é uma imensa porta
sem portas)
escancarados
aos horizontes que cheiram a gasolina.

E sabia
da magra cidade de rolha,
onde homens ossudos,
onde pontes, sobrados ossudos
(vão todos
vestidos de brim)
secam
até sua mais funda caliça.

Mas ele conhecia melhor
os homens sem pluma.
Estes
secam
ainda mais além
de sua caliça extrema;
ainda mais além
de sua palha;
mais além
da palha de seu chapéu;
mais além
até
da camisa que não têm;
muito mais além do nome
mesmo escrito na folha
do papel mais seco.

Porque é na água do rio
que eles se perdem
(lentamente
e sem dente).
Ali se perdem
(como uma agulha não se perde).
Ali se perdem
(como um relógio não se quebra).

Ali se perdem
como um espelho não se quebra.
Ali se perdem
como se perde a água derramada:
sem o dente seco
com que de repente
num homem se rompe
o fio de homem.

Na água do rio,
lentamente,
se vão perdendo
em lama; numa lama
que pouco a pouco
também não pode falar:
que pouco a pouco
ganha os gestos defuntos
da lama;
o sangue de goma,
o olho paralítico
da lama.

Na paisagem do rio
difícil é saber
onde começa o rio;
onde a lama
começa do rio;
onde a terra
começa da lama;
onde o homem,
onde a pele
começa da lama;
onde começa o homem
naquele homem.

Difícil é saber
se aquele homem
já não está
mais aquém do homem;
mais aquém do homem
ao menos capaz de roer
os ossos do ofício;
capaz de sangrar
na praça;
capaz de gritar
se a moenda lhe mastiga o braço;
capaz
de ter a vida mastigada
e não apenas
dissolvida
(naquela água macia
que amolece seus ossos
como amoleceu as pedras).