quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Novo líder do PMDB não pode se transformar em um assessor do governo, diz Cunha

• Presidente da Câmara defende que nome eleito atue pela unificação da bancada e avalia que liderança atual contribuiu para a desunião entre os peemedebistas

Daiene Cardoso - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Ao deixar seu gabinete nesta quarta-feira, 13, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), defendeu que o novo líder da bancada do PMDB não se comporte como um representante do Palácio do Planalto na Casa.

"A liderança do PMDB não pode se transformar em um assessor do governo ou alguém que represente o governo. Ele (novo líder) não pode ser nem de governo, nem de oposição, tem de representar a bancada", pregou.

Cunha, que nos bastidores atua contra a recondução do atual líder Leonardo Picciani (RJ), disse que a bancada precisa de um perfil de líder que reúna os 67 deputados e lembrou que o PMDB da Câmara sofreu nos últimos tempos um processo de divisão. "Alguém que tenha essa condição de compor a bancada de novo, de unir a bancada. Não necessariamente alguém que seja contra o governo ou a favor do governo", declarou.

Para Cunha, Picciani contribuiu para a desunião entre os peemedebistas. "Me parece que ele não conseguiu unir, ao contrário, conseguiu desunir. É importante buscar alguém que una", reforçou o presidente da Câmara. O peemedebista reafirmou seu desejo de votar na eleição deste ano, ao contrário do ano passado, quando não votou.

Cunha deixou a Câmara nesta tarde evitando comentar as últimas denúncias envolvendo a delação premiada do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, e nomes como do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, sua sucessora Dilma Rousseff e o presidente do Senado, Renan Calheiros. Ao ser questionado se gostaria que Renan recebesse o mesmo tratamento dado a ele pela Procuradoria Geral da República (PGR), Cunha respondeu apenas que não.

Sobre o conteúdo da delação de Cerveró que menciona a presidente Dilma, Cunha evitou relacionar os desdobramentos da Operação Lava Jato com o processo de impeachment iniciado na Câmara. "A motivação (da abertura do processo) é por causa das pedaladas e não tem a ver com as denúncias. Isso é mais uma questão de sentimento que alguém possa ter. As motivações do pedido de impeachment são outras", afirmou.

Temer vai até Jucá por aliança com senadores

• Em campanha pelo comando do PMDB,vice tenta se aproximar do grupo de Renan

Erich Decat - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O vice-presidente Michel Temer propôs ao senador Romero Jucá (RR) um acordo que pode amarrar a ala do PMDB no Senado a sua candidatura à presidência do partido. Temer telefonou para Jucá, que está em férias na Itália, e ofereceu a ele a primeira-vice-presidência do partido em sua chapa para a convenção, em março deste ano. O senador tem sido colocado como um potencial adversário do vice na disputa pelo comando da legenda.

O ex-ministro Eliseu Padilha, braço direito de Michel Temer, também procurou Jucá, com quem teve uma conversa anteontem. Segundo relatos de integrantes da cúpula do PMDB envolvidos nas negociações, caso Jucá aceite o acordo, existe até a possibilidade de ele assumir o comando da legenda de forma interina, após Temer se licenciar do cargo, como já fez em outras ocasiões.

De acordo com relatos ouvidos pela reportagem, Jucá teria indicado estar disposto a assumir a cadeira oferecida. Ele teria ressaltado, contudo, que antes de dar uma resposta definitiva iria consultar os demais integrantes do grupo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que ensaiam lançar um nome para bater chapa com Temer na convenção do partido.

Sintonia. O gesto do vice, além de minar as movimentações de potenciais adversários numa disputa interna, sinaliza ao Palácio do Planalto uma sintonia com os senadores do PMDB que até aqui têm se colocado contra o avanço do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Dentro de parte da cúpula do PMDB, há o entendimento de que o cenário atual é favorável ao governo no debate em torno do afastamento da petista. Alguns chegam a endossar, reservadamente, o discurso de integrantes do Planalto de que, hoje, dificilmente o impeachment passa pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados.

Paralelo à aproximação com o grupo do Senado, existe a possibilidade de o secretário-geral do partido, deputado Mauro Lopes (MG), assumir na próxima semana a Secretaria de Aviação Civil. O ingresso de Lopes na pasta – além de atender parte da bancada mineira e ao grupo de Temer – deverá acarretar a diminuição dos espaços políticos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos principais algozes do governo.

Conforme relatos, entre as possíveis mudanças previstas para ocorrer na estrutura da Secretaria de Aviação Civil com o ingresso de Lopes está a demissão do diretor comercial da Infraero, André Luis Marques de Barros – cargo atualmente sob indicação de Cunha.

Câmara. Outro efeito esperado pelo governo com a indicação de Mauro Lopes para a Secretaria de Aviação Civil é o esvaziamento da candidatura do deputado Leonardo Quintão (MG) para a liderança do PMDB da Câmara. O deputado representa o grupo da bancada pró-impeachment. Apoiado por Eduardo Cunha, Quintão pretende disputar no próximo mês o cargo com o atual líder Leonardo Picciani (RJ), ligado ao Planalto.

Alçado para o comando da Secretaria de Aviação Civil, a tendência é que Lopes consiga levar pelo menos quatro dos sete votos da bancada mineira do PMDB para Picciani.

Vice-líder. Na operação para desmontar a candidatura à liderança do grupo pró-impeachment, também estão em curso negociações para que deputado Newton Cardoso Júnior (MG) fique com o cargo de primeiro-vice-líder da legenda na Câmara. As costuras nos bastidores levam em conta o fato de que Picciani deverá se afastar da liderança no fim do ano para realizar viagens pelo País, em campanha para disputar a presidência da Câmara.

Dessa forma, Newton Cardoso Júnior poderá assumir o comando da bancada de forma interina e trabalhar na sucessão do deputado fluminense.

STF voltará a analisar impeachment

A decisão do STF que definiu o rito do impeachment tem sido alvo de críticas. Ex-ministros avaliam que o tribunal interferiu indevidamente no Congresso. Eduardo Cunha, presidente da Câmara, deve recorrer, e há a expectativa de que algum ministro possa mudar seu entendimento.

STF voltará a discutir ritos do impeachment

• Recursos levarão Corte a tratar dúvidas, como o voto aberto para comissão especial, que divide juristas

Carolina Brígido - O Globo

-BRASÍLIA- Ao retomar suas atividades, em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) voltará a discutir o rito do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Congresso. As regras para o andamento do processo, definidas em dezembro pela Corte, são questionadas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que deverá apresentar recurso. O julgamento vem sendo alvo de críticas, e há a expectativa no meio político e jurídico de que algum ministro possa alterar o seu entendimento num ponto específico, embora a maioria considere ser improvável a mudança do resultado no julgamento dos recursos.

Cunha promete mover o chamado embargo de declaração, que pede o esclarecimento de pontos da decisão. O principal questionamento é o de que o STF não poderia ter interferido no funcionamento do Congresso ao definir como deve ser formada a Comissão Especial que analisará o pedido de impeachment na Câmara.

O tribunal declarou que apenas líderes de partidos poderiam indicar integrantes da comissão. Em seguida, os nomes seriam submetidos a votação aberta dos deputados. O STF também proibiu a participação de chapas avulsas na disputa. Se os indicados por líderes não forem aprovados em votação, será necessário escolher outros nomes, até haver a aprovação.

O processo de escolha dos integrantes da comissão, que já havia sido iniciado, foi anulado. Por voto secreto, a Câmara tinha escolhido uma chapa alternativa, de tendência pró-impeachment.

Para o ex-ministro do STF Carlos Velloso, que foi presidente da corte, o tribunal errou ao interferir indevidamente no funcionamento do Congresso. Para ele, todas as eleições devem ser secretas para dar ao parlamentar a liberdade de votar conforme sua consciência.

— O que garante a independência do eleitor, seja o eleitor cidadão, seja o eleitor parlamentar, é o voto secreto. Essa é a regra de ouro em se tratando de eleição. O regimento é expresso, o presidente (da Câmara) não tirou a regra da cabeça dele — afirmou Velloso.

O ex-ministro ressaltou que a questão das candidaturas avulsas é “interna corporis” — o que, na linguagem jurídica, significa dizer que cabe apenas ao Congresso defini-la. Velloso disse que as candidaturas avulsas são importantes para ensejar a liberdade de escolha por parte do parlamentar. Embora considere difícil o STF modificar sua decisão em embargos de declaração, Velloso avalia que isso não é impossível:

— A decisão pode ser mudada em embargos de declaração, se o Supremo entender que houve um erro de fato. Se algum ministro entender que errou, ainda dá tempo de corrigir o erro.

Carlos Ayres Britto, que também foi presidente do STF, explica que o processo de impeachment não pode ser analisado à luz do regimento, mas com base na legislação específica e na Constituição. Para ele, o STF acertou ao definir a votação aberta.

— Tudo tem que ser público: as sessões, os votos. A Constituição não fala nada de sigilo sobre a matéria, nem a lei especial — explicou.

Ayres Britto considera que o STF se equivocou ao proibir a apresentação de chapas avulsas. Mas considera improvável que o tribunal volte atrás.

— No julgamento de embargos de declaração, não tem como recuar. Acho que o Supremo errou. Mas digo isso com todo o respeito. A decisão foi legítima, transparente, fundamentada.

Ministros atuais consideram improvável alterar a decisão. Isso porque o julgamento ocorreu há pouco tempo, e a composição do tribunal não sofreu qualquer mudança desde então. A decisão para que o voto fosse aberto foi tomada por seis votos a cinco. A proibição de apresentação de chapa alternativa, por sete votos a quatro.

O artigo 33 do Regimento da Câmara diz que as comissões especiais devem ser integradas por deputados indicados por líderes. Já o artigo 188 elenca as situações em que a votação deve ser secreta na Casa. O texto menciona a eleição dos presidentes das comissões “e nas demais eleições”. Ou seja, qualquer eleição na Câmara deve ser realizada de forma secreta. Daí a polêmica, como mostrou Merval Pereira em sua coluna.

Defensores da posição de Barroso alertam para o fato de que nem a Constituição nem a Lei do Impeachment apresentam a possibilidade de votação secreta nesse tipo de processo.

A decisão do STF também levou em conta a autonomia partidária expressa na Constituição. Portanto, candidaturas avulsas seriam uma afronta à representatividade dos partidos.

Perguntas e respostas

- O que o STF decidiu?
Que a escolha dos integrantes da Comissão Especial do Impeachment seja feita por líderes de partidos, sem a possibilidade de candidatura avulsa. Os nomes serão submetidos ao plenário da Câmara, com o voto aberto dos deputados.

- Como votou o relator no STF?
O ministro Edson Fachin havia determinado o voto secreto para a escolha de integrantes da Comissão do Impeachment. Ele também concordou com a apresentação de candidaturas avulsas.

- Como votou a maioria do STF?
A maioria concordou com o voto de Luís Roberto Barroso, que propôs votação aberta, para dar transparência ao procedimento, e a proibição de candidaturas avulsas.

- Por que a decisão é polêmica?
Para alguns juristas, o STF não deveria intervir em questão interna do Congresso e a votação deveria ser secreta, com a possibilidade de candidaturas avulsas, para dar mais opções aos deputados.

- O que diz o Regimento Interno da Câmara?
O texto menciona votação secreta na eleição dos presidentes e vice-presidentes das comissões “e nas demais eleições”.

- O que diz a Constituição Federal?
A Constituição e a Lei do Impeachment não apresentam a possibilidade de votação secreta nesse tipo de processo.

- Cabe recurso à decisão?
A eficácia da decisão é imediata. O tribunal deve publicar em fevereiro o acórdão da decisão. Depois, será aberto prazo de cinco dias para a interposição de embargos de declaração.

- Os embargos de declaração podem mudar o resultado do julgamento?
Há uma corrente que diz que esse tipo de recurso não pode modificar o resultado, servindo apenas para detalhar a decisão. Outros acreditam que, se houver erro no julgamento, ele pode ser corrigido.

Ameaça de impeachment une PMDB e PT na disputa pela Prefeitura do Rio

Por Renata Batista – Valor Econômico

RIO - Diferentemente de 2014, quando PMDB e PT complicaram a disputa eleitoral no Rio de Janeiro ao romperem oito meses antes da eleição, neste ano, os dois partidos já acertaram caminhar juntos. E tudo indica que será o cenário nacional, afetado pelo debate sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, que dará o tom das alianças com os outros partidos.

No PMDB o apoio à presidente está claro. A divisão que havia no PMDB estadual na época das eleições presidenciais não existe mais. O grupo que chegou a apoiar, Aécio Neves (PSDB), agora dá sustentação a Dilma.

Quem vai tentar reverter a hegemonia do PMDB, que está há 14 anos no governo do Estado e completará oito na prefeitura da capital, será novamente o senador Marcelo Crivella (PRB), que disputou o segundo turno com o governador Luiz Fernando Pezão. Crivella já confirmou a candidatura a prefeito do Rio.

Entra também na disputa pela prefeitura da capital o candidato do PSOL, o deputado estadual Marcelo Freixo. Há ainda a possibilidade do Rede lançar o deputado Alessandro Molon, que deixou o PT. Apesar da força de Marina Silva no Rio, Molon pode enfrentar resistência da militância do PT. Em especial depois que ela assumiu posição a favor da revisão do processo eleitoral de 2014, do qual saiu derrotada.

"Para mim, o rompimento com o PMDB é etapa vencida. A aproximação do Picciani [Jorge Picciani, presidente regional do PMDB] com o governo do PT é fundamental para impedir o impeachment e a governabilidade. A aliança está selada", diz o presidente do PT fluminense, Washington Quaquá.

Ele afirma que está reestruturando o partido no Estado, depois que a baixa votação alcançada pela candidatura própria do senador Lindbergh Farias ao governo do Estado em 2014 enfraqueceu o PT. "Precisamos de novas lideranças. É um projeto para 10 anos", diz Quaquá.

O PT garante apoio incondicional ao PMDB e abriu mão até da vice-prefeitura da capital, que hoje ocupa. Atende ao desejo do PMDB de chapa pura, apesar das fortes denúncias de violência contra a ex-mulher terem abalado a imagem de seu provável cabeça de chapa, o secretário de governo Pedro Paulo Teixeira.

O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani (PMDB), deve ser candidato a vice, independentemente da pressão de aliados, como PTB e PSD, que demonstram incômodo com a hegemonia pemedebista.

"O PMDB tem uma chapa. Vai em busca de apoio para essa chapa", afirma Picciani, para quem não há possibilidade de mudança dos nomes. Apesar das denuncias a Pedro Paulo, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) defende com unhas e dentes a candidatura apesar de reações no partido.

"Ele vai ter que sair em defesa das mulheres vítimas de violência, apresentar políticas para isso, e mostrar sua capacidade de gestão", resume Picciani.

Enquanto aguardam uma maior clareza no cenário nacional, em especial em torno do impeachment, os demais partidos como PTB e PSD conversam com outros da oposição como o DEM e o PSDB. 

Estes últimos avaliam candidaturas próprias e flertam com um pré-candidato preterido no PMDB, o atual secretário estadual de Transporte, Carlos Osório. Há a hipótese de Osório sair do PMDB para disputar a eleição por outro partido. Ele foi criticado pelo governador Pezão que em entrevista ao jornal "O Globo" disse que Osório fala demais e ao abrir a geladeira e vê a luz fala pensando que é um flash.

O senador Romário (PSB) chegou a ser considerado candidato imbatível. Mas deve ficar fora da disputa. Alvo de denúncias sobre a existência de contas no exterior, mencionado nas gravações que levaram o senador Delcídio Amaral (PT-MS) a prisão, e abalado por acusações contra seu assessor mais próximo, o ex-jogador de futebol foi destituído da presidência do PSB poucos meses depois de ser nomeado, em uma decisão atribuída ao presidente nacional do partido, Carlos Siqueira.

Partidos evitam candidaturas sem chances no interior

- Valor Econômico

RIO - Apesar da crise econômica que afeta os governos estaduais e a maioria dos municípios, o PMDB do Rio de Janeiro trabalha para manter a força que já detém no interior. Terá candidatos a prefeitos em 68 municípios e apoiará partidos aliados em outros 24. Promete apoio para o PT em apenas dois municípios: Niterói, de Rodrigo Neves, e Maricá, do presidente estadual da sigla, Washington Quaquá.

Com a expectativa de menos recursos para a campanha - doações de empresas a candidatos estão proibidas - e de forte descrença dos eleitores, os outros partidos estão centrando esforços nos municípios onde têm chances reais de vitória contra a máquina do PMDB e de seus aliados, partidos como PP, PSC, PTB e PSD, que funcionam quase como linha de apoio aos pemedebistas no Estado.

O PT, que elegeu 10 prefeitos em 2012, perdeu três e agora vê a possibilidade de reeleição em três - Maricá, Niterói e Paracambi. Em Angra dos Reis, Quaquá acha que o partido não terá candidato. E diz, ainda, que prefere não se envolver em municípios como Miguel Pereira onde, afirma, o atual prefeito tem pouca identidade com o partido. "Prefiro ter gente de qualidade a número", diz Quaquá que é prefeito de Maricá. Ele aposta em uma eleição mais focada no histórico dos candidatos.

O PSOL, por sua vez, acredita na militância para tentar enfrentar a força pemedebista. Terá candidatura competitivas em quatro municípios - a capital, Friburgo, Niterói e Itaocara. A proposta é defender um projeto de governo mais participativo.

"Mesmo com a crise econômica e política, o PMDB ainda deve sair da eleição de 2016 como a força dominante do Estado. Em muitos municípios, mesmo onde o prefeito é de outro partido, como em Friburgo que é governado pela PSD, na verdade, a força é do PMDB", resume o deputado federal pelo PSOL, Glauber Braga. Ele deixou o PSB após o partido ter voltado a apoiar o PMDB.

Em todos os partidos, a avaliação é de que a campanha será difícil e não permitirá aventuras. "O ambiente está muito avesso a qualquer participação política e isso afeta quem está no governo e quem não está. Os prefeitos vão sofrer muito não apenas pela crise, mas também pelo desencontro com a sociedade. O eleitor vai avaliar a experiência de governo que o candidato tiver para mostrar", aposta o prefeito de Macaé, Aluízio dos Santos Júnior, que deixou o PV para reforçar a legenda do PMDB.

Segundo ele, muitos prefeitos vão desistir da disputa porque as dificuldades econômicas tornam a reeleição mais difícil. "Será uma eleição sem máquina, sem dinheiro. A força são as pessoas", completa.

O discurso do Dr. Aluízio, como é conhecido, está em linha com o do presidente do PMDB no Estado, Jorge Picciani, que atraiu para o partido outros nomes já bastante testados nas urnas.

"Nossos candidatos serão prefeitos, ex-prefeitos, deputados estaduais e federais. Todos têm experiência", completa Picciani, citando além do Dr. Aluízio, o deputado estadual Geraldo Pudim, com quem planeja impor mais uma derrota à família de Anthony Garotinho, agora em Campos.

Líder tucano diz que delação de Cerveró aproxima Dilma e Lula do escândalo na Petrobrás

• Em publicação no Facebook, Carlos Sampaio afirma que declarações 'estão comprovando suspeitas' de que ambos 'não só sabiam' do esquema, mas também 'ajudaram a mantê-lo como fonte de arrecadação para o PT e seus aliados no governo'

Daiene Cardoso - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Atual líder do PSDB na Câmara, o deputado Carlos Sampaio (SP) disse nesta quarta-feira, 13, em sua página no Facebook, que as investigações da Operação Lava Jato aproximam "cada vez mais" a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva do escândalo de corrupção na Petrobrás.

"Aos poucos, as delações estão comprovando nossas suspeitas de que Lula e Dilma não só sabiam do esquema de corrupção na Petrobras, como ajudaram a mantê-lo como fonte de arrecadação para o PT e seus aliados no governo", disse Sampaio, ao comentar o conteúdo da delação premiada do ex-diretor da estatal, Nestor Cerveró.

Cerveró declarou à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter ouvido do senador Fernando Collor (PTB-AL) menção à presidente Dilma. Segundo ele, em setembro de 2013, Collor afirmou que suas negociações para indicar cargos de chefia na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás, haviam sido autorizadas diretamente pela petista.

Líderes governistas, no entanto, avaliaram hoje que o conteúdo da delação não reacende o clima favorável ao andamento do processo de impeachment contra a presidente. "Não tem força (para estimular o impeachment) porque não tem base, não tem consistência. O objetivo dele é se livrar dos delitos que ele praticou", avaliou o vice-líder do governo na Câmara, Paulo Teixeira (PT-SP).

Advogados do PSDB pretendem pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a inclusão da delação premiada do ex-diretor da área Internacional da Petrobrás em três ações que podem levar a Corte a cassar a chapa da petista e do vice-presidente Michel Temer (PMDB). Os tucanos também discutem se vão sugerir o depoimento do próprio ex-diretor para instruir as ações do TSE.

Já o atual líder do DEM, Mendonça Filho (PE), anunciou nesta quarta que vai propor a convocação de Cerveró para a comissão especial do impeachment, assim que o colegiado começar a trabalhar. Cerveró já esteve em outras ocasiões no Congresso para falar sobre o esquema de corrupção na estatal.

Fernando Pessoa: Acho tão natural que não se pense

Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa ...

Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas. . .
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente. . .

Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos ...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.

Banda Eva e Emanuele Araujo: Pequena Eva

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Opinião do dia: Dora Kramer

Vem de longe. Iniciava-se o ano de 2003, Lula recentemente eleito presidente da República. O PT organizou um encontro em São Paulo, no Hotel Hilton, pela primeira vez na vida do partido a portas fechadas, vedado o acesso da imprensa.

José Eduardo Dutra e Jaques Wagner eram cotados para a presidência do partido. Nenhum dos dois queria a função. Dutra por causa da experiência no comando do PT de Sergipe – “um horror” – e Wagner pelo desejo de ocupar a presidência da maior empresa brasileira.

Palavras de Wagner na ocasião: “Com a Petrobrás nas mãos, serei governador da Bahia”. De imediato, o interlocutor não entendeu a relação de causa e efeito, mas em retrospectiva, o diálogo, do qual jamais me esqueço, fez todo sentido.

No mesmo evento, José Genoino explicitou os planos do partido: a bordo do poder conquistar a hegemonia política, social e partidária de maneira a dominar o Brasil.

Deu errado para o PT. Mas, no fim, acabará dando certo para o combate à impunidade no Brasil. De maneira torta, os petistas escreveram de forma certa sua antiga defesa da ética na política.
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Dora Kramer, jornalista, ‘Salve-se se puder’, O Estado de S. Paulo, 13.1.16

Merval Pereira: Repensar a política

- O Globo

É preciso controlar a criação de partidos. Essas mudanças de partidos, um troca-troca interminável, muitas apenas previstas, mas tantas outras concretizadas, são a evidência cristalina de que precisamos urgentemente tratar de uma reforma que obrigue os políticos a se darem o respeito que deveriam merecer por serem representantes do cidadão brasileiro. Mas eles pensam primeiro em seus interesses pessoais, e trocam de siglas como se elas fossem aquelas peças de tamanho único que servem para todos os tipos de pessoas.

Os potenciais candidatos à Presidência, por circunstâncias específicas ou mero arranjo político de ocasião, passaram por diversos partidos, não sendo incomum que um mesmo político tenha participado de nada menos que oito siglas, ou até mais, durante sua carreira política, muitas delas conflitantes entre si.

Os mais coerentes são os do PT e do PSDB, não por acaso as duas siglas que polarizam a política nacional. Mas, nos bastidores, há movimentos por parte de potenciais candidatos tucanos para abrir mão da coerência por acertos partidários heterodoxos que viabilizem suas candidaturas.

Não é possível discutir sistema político sem colocar um controle institucional na criação de partidos, que se transformou em um dos melhores negócios da política. É inconcebível que candidatos a presidente da República em quase todas as eleições, como Levy Fidelix do PRTB, ou Eymael do PSDC, simplesmente desapareçam do noticiário político nacional depois das eleições, para apenas retornarem em novas eleições ou em propagandas oficiais no tempo gratuito que a legislação partidária lhes oferece, com uma boa verba anual do Fundo Partidário com dinheiro público.

O surgimento de partidos políticos esdrúxulos como o Partido da Mulher Brasileira (PMB), que não tinha nenhuma deputada ou senadora no seu lançamento, é sintoma de um sistema partidário exaurido, que já conta com 35 partidos políticos atuando no Congresso, a maioria deles sem representatividade nas urnas, vários compostos de deputados e senadores que ficam zanzando de um partido para outro nas brechas da legislação, vendendo literalmente seus tempos de televisão.

O cientista político Sérgio Abranches, em recente estudo sobre o nosso sistema político que ele batizou de “presidencialismo de coalizão”, adverte que não basta apenas “rever o mecanismo de voto em si, é preciso repensar as campanhas eleitorais, para deixar de serem uma batalha caríssima entre marqueteiros que escondem, em lugar de expor, os candidatos”.

Essa característica das nossas campanhas eleitorais, que se tornam cada vez mais caras, é uma das razões da deterioração de nosso sistema político: “Campanha deve expor os candidatos ao escrutínio persistente do eleitorado, informá-lo adequadamente sobre as intenções, valores e capacidades dos candidatos, para fazerem uma escolha informada”.

Se o debate fosse em torno de programas partidários, e as coalizões se fechassem a partir deles, seria mais difícil praticar o estelionato eleitoral que se tornou habitual em nossa política. Para Sérgio Abranches, “os mandatos devem estar sujeitos à renovação por algum tipo de recall e algum mecanismo de convocação de eleições antecipadas”.

O erro original foi o Supremo Tribunal Federal ter barrado a instituição das cláusulas de barreira, que haviam sido instituídas dez anos antes justamente para que os partidos pudessem se preparar para adotá-las. Poderíamos ter quantos partidos políticos quisessem fundar, mas apenas uma parte deles — no máximo dez — estaria em condições de exercer atividades congressuais, e de usar o Fundo Partidário, pela votação recebida.

As coligações teriam uma lógica interna menos sujeita a questões circunstanciais, e os programas partidários ganhariam maior importância para representantes e representados.

Dora Kramer: Salve-se se puder

- O Estado de S. Paulo

O vice-presidente Michel Temer prepara série de seis visitas às cinco regiões do País e uma especial ao Rio de Janeiro entre o fim de janeiro e a segunda quinzena de março, dando margem à interpretação de que a caravana visa a “tomar o pulso” do PMDB e da sociedade em geral em relação ao pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff em tramitação na Câmara.

De modo quase geral, analistas da cena política apontam a busca de visibilidade com vista a uma possível substituição dela por ele como a verdadeira razão da rodada. Não acreditam na versão de que o objetivo de Temer seja pacificar e unificar o PMDB antes da convenção do partido a ser realizada em março.

Contrariando o habitual, no entanto, desta vez a versão oficial está em consonância com a realidade. Por um motivo simples, objetivo e que, para ele, se impõe como prioridade: a permanência na presidência do PMDB, que ocupa desde 2001.
Nesses quinze anos, nunca foi tão importante para Michel Temer assegurar a manutenção no comando do partido.

No momento ele está menos preocupado com o mandato da presidente da República e muito mais mobilizado para salvar o próprio mandato à frente do PMDB. Se ocupando a presidência Temer já não tem controle total sobre os pemedebistas, fora do cargo aí mesmo é que seria uma figura decorativa. Um vice-presidente pela metade, desprovido de serventia política.

Uma caravana pró-impeachment nessa altura só traria mais problemas ao vice e não lhe renderia benefício algum. Já um périplo pelas seções regionais do PMDB com o intuito de pacificar o partido e sob o argumento de que a unidade em torno da figura do vice-presidente da República é crucial nessa hora de incertezas, pode dar substância ao seu cacife para vencer a ala que lhe faz oposição.

Não é um grupo qualquer. Reúne senadores de peso (Renan Calheiros, Romero Jucá e Eunício Oliveira), a seção regional fluminense, a de maior representação no partido com 10% dos delegados à convenção, com indiscreto apoio do Palácio do Planalto.

Pela primeira vez nessa década e meia, Michel Temer se vê diante da possibilidade concreta de perder a presidência do partido. De onde o mandato da presidente torna-se, para ele, uma questão secundária face à necessidade premente de salvar a própria pele. Prova disso é a visita especial à seção fluminense, impermeável ao impeachment. A discussão do tema serviria apenas ao aprofundamento da divisão, enquanto Michel Temer deseja e necessita conquistar votos apostando na união.

Vem de longe. Iniciava-se o ano de 2003, Lula recentemente eleito presidente da República. O PT organizou um encontro em São Paulo, no Hotel Hilton, pela primeira vez na vida do partido a portas fechadas, vedado o acesso da imprensa.

José Eduardo Dutra e Jaques Wagner eram cotados para a presidência do partido. Nenhum dos dois queria a função. Dutra por causa da experiência no comando do PT de Sergipe – “um horror” – e Wagner pelo desejo de ocupar a presidência da maior empresa brasileira.

Palavras de Wagner na ocasião: “Com a Petrobrás nas mãos, serei governador da Bahia”. De imediato, o interlocutor não entendeu a relação de causa e efeito, mas em retrospectiva, o diálogo, do qual jamais me esqueço, fez todo sentido.

No mesmo evento, José Genoino explicitou os planos do partido: a bordo do poder conquistar a hegemonia política, social e partidária de maneira a dominar o Brasil.

Deu errado para o PT. Mas, no fim, acabará dando certo para o combate à impunidade no Brasil. De maneira torta, os petistas escreveram de forma certa sua antiga defesa da ética na política.

Fernando Exman: Um palco à espera da protagonista Dilma

• Pesquisas mostram que petista deveria liderar debate

- Valor Econômico

Os imponderáveis desdobramentos da Operação Lava-Jato continuam a assombrar o governo, mas autoridades do Executivo já têm um roteiro desenhado para tentar retirar a administração Dilma Rousseff da postura defensiva que a caracterizou nos últimos meses. O diagnóstico do que vem sendo feito errado também está claro para o Palácio do Planalto. Falta, porém, a própria presidente da República assumir pessoalmente a tarefa de liderar o debate a respeito das principais questões nacionais. Tal espaço, hoje, é ocupado por discussões sobre o impeachment e a crise econômica.

Com o amparo da Justiça, o governo conseguiu no fim de 2015 redirecionar o rito do impeachment no Congresso para um rumo relativamente mais seguro. A troca do comando do Ministério da Fazenda também deu novo fôlego às propostas do chamado "pós-ajuste fiscal". Mesmo que as medidas a serem anunciadas não tenham o impacto inicialmente esperado, as propostas voltadas à retomada do crescimento ganharam maior destaque na narrativa oficial, atendendo a uma demanda do PT, dos movimentos sociais e do empresariado. A oportunidade para que o governo pare de trabalhar apenas de forma reativa, portanto, teria sido construída.

Pesquisas internas do Planalto concluídas no fim do ano passado fundamentam o plano esboçado. As sondagens qualitativas foram feitas para ouvir avaliações de integrantes das classes C, D e E que moram em centros urbanos sobre o desempenho do governo, a atuação pessoal de Dilma, os programas sociais e as conjunturas política e econômica.

O resultado não chega a ser novidade para quem tem contas a pagar ou acompanha o noticiário político, mas deu novas evidências sobre o que derrubou a popularidade da presidente e o que a petista deveria fazer. A percepção majoritária, mesmo entre os entrevistados que a apoiam, é de que a situação econômica do Brasil é "péssima", "difícil" e o orçamento familiar está "muito apertado". 

Quando comparam a atual conjuntura com 2014, ano em que a presidente reelegeu-se, os participantes dos grupos de discussão reclamam do aumento dos gastos com energia, água e alimentação. Demonstram insatisfação com o desemprego e o achatamento dos salários oferecidos a quem tenta uma recolocação no mercado de trabalho. Em outras palavras, a crise é sentida no dia a dia da população, gerou mudanças de hábitos e cortes de gastos principalmente em lazer.

A crise política é vista como resultado da corrupção, da tentativa de a oposição derrubar o governo e da carência de políticos honestos. Além da sensação de abandono, foi detectado sentimento de que os políticos brigam por benefícios próprios e se esquecem dos interesses da população.

Se por um lado a pesquisa captou um reconhecimento das realizações do governo para beneficiar os mais pobres e um esforço pela manutenção de programas sociais mesmo num momento de ajuste fiscal, também colheu cobranças para que Dilma tenha uma postura mais enfática no combate à crise econômica. Como há um descrédito geral em relação aos políticos, houve um consenso de que a entrada de um outro governante na Presidência não resolveria a situação.

As sugestões apresentadas ao governo para enfrentar a crise são "combater e estancar a corrupção", recuperar o dinheiro desviado e reinvesti-lo no país ou usá-lo para o pagamento de dívidas. Outros exemplos são a execução da reforma administrativa, que ainda não saiu do papel, e até uma ação de maior firmeza em relação à oposição. Essa percepção poderia dar lastro a um discurso de que o país é vítima de um boicote das siglas oposicionistas. A recriação da CPMF, contudo, sofre resistências.

A comunicação do governo, segundo os entrevistados, deve ser encabeçada pela própria presidente e precisaria demonstrar de forma didática onde são gastos os impostos, quais os resultados dos programas sociais e as ações para combater as causas e os efeitos da crise econômica. O mesmo conselho é endereçado ao gabinete de Dilma por integrantes do governo, os quais lembram que em muitos casos esse tipo de iniciativa não gera despesas. A presidente e os ministros de Estados teriam apenas que, retomando prática comum durante os governos Lula, defender os programas do Executivo nas mais diversas áreas e o projeto de país da esquerda, num momento em que uma onda conservadora ganha força em vários segmentos da população. Em sua recente reforma ministerial, no entanto, Dilma optou por ministros com perfis modestos, mas que lhe garantam apoios no Parlamento, onde as batalhas mais duras do impeachment serão travadas.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, é lembrado como um exemplo. Mesmo sem receber os recursos que esperava do governo federal, ele estabeleceu uma agenda capaz de sensibilizar parcelas do eleitorado paulistano que até então sempre foram menos simpáticas ao PT. Apostou no transporte público, ciclovias, redução da velocidade máxima de vias a fim de melhorar o fluxo de veículos e diminuir o número de acidentes e no uso da avenida Paulista para lazer. Também recebe elogios por sua luta contra máfias locais.

Dilma, por outro lado, nem transmite mais o programa semanal de rádio "Café com a Presidenta" desde junho de 2014, quando a campanha eleitoral se iniciava formalmente.

Quem assumiu em parte esse papel recentemente foi o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, assim como Haddad cotado como possível candidato petista para 2018 e homem forte do segundo mandato. Wagner defendeu uma reforma política. Nas redes sociais, escreveu sobre o reajuste do salário mínimo, o reconhecimento internacional do Bolsa Família, a eficiência dos aeroportos, o Estatuto da Pessoa com Deficiência e a lei que garante cirurgias reparadoras a mulheres vítimas de violência. Nesse meio tempo, Wagner teve que rebater denúncias - até agora inconsistentes - pinçadas do material obtido com os investigados pela Lava-Jato. Novamente os imprevisíveis desdobramentos da operação estão atropelando os planos do governo.

Eliane Cantanhêde: Strike

- O Estado de S. Paulo

Numa só jogada de boliche, o delator Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobrás e da BR Distribuidora, mira três ex-presidentes e balança a presidente Dilma Rousseff. É intrigante, ou pior, angustiante confirmar a desenvoltura e a sofreguidão com que a BR Distribuidora foi tomada de assalto pelo poder político, tanto quanto a própria Petrobrás, hoje campeã mundial de endividamento, e os fundos de pensão, que viraram pau para toda obra. O que sobra, afinal?

A BR, ou Petrobrás Distribuidora S.A., é uma sociedade anônima de capital fechado, subsidiária integral da Petrobrás. Criada em setembro de 1971, é a maior rede de postos de distribuição de derivados de petróleo do país. Hoje, está presente em todo o território nacional com cerca de 7.500 postos de serviços e mais de 10 mil grandes clientes entre indústrias, termoelétricas, companhias de aviação e frotas de caminhões, tratores e carros.

Em seu site oficial, a companhia se gaba de ser “uma das empresas brasileiras que mais valoriza o seu capital humano”. E continua: “Faz isso porque sabe que é impossível alcançar seus resultados financeiros, de produtividade, de tecnologia, sem valorizar as pessoas que nela trabalham”. A questão é quem é valorizado. Ou melhor, quem manda lá.

Toda essa potência virou um joguete político. Caiu no colo de um sujeito já mais do que conhecido como Fernando Collor, foi manipulada pelo braço direito dele, Pedro Paulo Leoni Ramos, assaltada por políticos de diferentes partidos e vilipendiada de vários modos. Exemplo contundente do que virou: Lula embrulhou em papel de presente a diretoria mais sensível da BR, a de Finanças e Serviços, e, segundo ele, a deu como mimo para Nestor Cerveró - que é quem é.

Em suas delações e em documentos sobre elas encontrados pela Polícia Federal no gabinete do senador Delcídio Amaral (então líder do governo e atualmente na cadeia), Cerveró fala genericamente de propina de US$ 100 milhões “ao governo FHC” na compra de uma empresa petrolífera na Argentina. Também diz que ganhou de presente de Lula uma diretoria da BR - justamente a de Finanças! - por ter facilitado uma operação do banco Schahin para o PT. Revela que Lula teria ofertado todas as diretorias da BR para Fernando Collor e propôs reunião da cúpula da empresa com ele e arremata contando que Dilma teria avalizado a decisão.

É ou não de tirar o fôlego? Se mentir, Cerveró corre o risco de perder todas as vantagens da delação premiada e cair no pior dos mundos e na pior das penas.

Lembram-se de Marcos Valério, do mensalão? É por isso que os investigadores levam os depoimentos de Cerveró a sério e é por isso que Delcídio Amaral morria de medo das revelações que ele faria. A ponto de cair como um patinho na rede do filho do ex-gerente da Petrobrás e acabar sendo preso não pelas roubalheiras, mas por tentar planejar a fuga de Cerveró para bem longe do Brasil, da Lava Jato e dele próprio.

Nos relatos sobre a bilionária roubalheira no setor de petróleo do Brasil, a BR Distribuidora aparece como um joguete de mão e mão, roubada por diretores, funcionários e clientes, ao sabor da conveniência política. E o mais grave é que ela não era e não é um caso isolado, mas apenas parte de um esquema que emerge a cada dia da Lava Jato em estatais, bancos públicos, agências de governo. Você está estarrecido? Pois não fique. Vem muito mais por aí, isso está longe do fim.

Democracia. Já que fala tanto em democracia, Dilma precisa urgentemente resgatar a cláusula democrática da Unasul e do Mercosul contra a ingerência ditatorial do Executivo e do Judiciário sobre o Legislativo na Venezuela. Ou Dilma toma a dianteira, ou a liderança brasileira vai continuar sangrando, com o Brasil a reboque da Argentina de Mauricio Macri.

Luiz Carlos Azedo: O fantasma de Santo André

• Cerveró puxou o fio da meada do assassinato do prefeito Celso Daniel, sequestrado e assassinado em 18 de janeiro de 2002

- Correio Braziliense

O vazamento da delação premiada do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró é apenas uma peça no tabuleiro da Operação Lava-Jato, pois há mais 34 envolvidos no escândalo da Petrobras que optaram por contar e provar o que sabem sobre o esquema de propina. Ao afirmar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe deu o cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora como reconhecimento pela ajuda que ele prestou para quitar um empréstimo de R$ 12 milhões considerado fraudulento, Cerveró puxou o fio da meada do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel, sequestrado e assassinado em 18 de janeiro de 2002, um caso que assombra o PT.

Segundo Cerveró, em 2004, o fazendeiro José Carlos Bumlai obteve empréstimo do Banco Schahin e repassou R$ 6 milhões para o empresário de Santo André Ronan Maria Pinto, que detinha informações comprometedoras sobre o PT na região. Anos depois, sob comando de Nestor Cerveró, a diretoria internacional da Petrobras aceitou contratar a empresa Schahin Engenharia por US$ 1,6 bilhão para a operação de um navio-sonda. O contrato seria uma forma de o PT retribuir o grupo Schahin pelo empréstimo.

No embalo da Lava-Jato, o publicitário Marcos Valério, condenado no mensalão, que teria sido um dos “operadores” escalados para abafar o caso Celso Daniel, agora se oferece para fazer delação premiada na Operação Lava-Jato. Teve oportunidade de fazê-la no mensalão, mas preferiu manter o silêncio e acabou condenado a 37 anos e 8 meses de prisão. Em 2012, Valério havia revelado que metade do dinheiro fora destinado ao empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, amigo de Celso Daniel e principal suspeito do crime, mas que foi absolvido desse crime por falta de provas. Ele era um dos cabeças de um esquema de cobrança de propina de empresas de transportes contratadas pela prefeitura de Santo André, no ABC, de 1997 a 2002, Além de Sombra, foram condenados por corrupção Ronan Maria Pinto e o ex-secretário de Serviços Municipais da cidade Klinger Luiz de Oliveira Sousa.

Os três chantageavam a cúpula do PT. O caso Celso Daniel é uma espécie de divisor de águas na trajetória do partido. Coordenador do programa de governo de Lula, o prefeito de Santo André fazia parte do núcleo dirigente da campanha petista, ao lado de José Dirceu. A investigação interna realizada pelo PT deu muita confusão na cúpula do partido, mas também não esclareceu o crime. O promotor Francisco Cembranelli, responsável pela acusação no caso Celso Daniel, porém, concluiu que o prefeito de Santo André foi morto porque descobriu que o esquema de propina obtido com empresários para caixa dois de campanha do PT passou a ser desviado também para contas particulares dos envolvidos. Segundo depoimento de pessoas que sofriam extorsão, elas pagavam de R$ 30 mil a R$ 40 mil por mês ao esquema.

Círculo macabro
A família de Celso Daniel nunca engoliu a versão de crime de encomenda e responsabiliza o PT pela morte do prefeito, o que nunca foi comprovado. Uma lista macabra de assassinatos aumenta o mistério sobre o caso, pois representa uma verdadeira queima de arquivo. O garçom Antônio Palácio de Oliveira, que serviu o prefeito e Sérgio Sombra no restaurante Rubaiyat em 18 de janeiro de 2002, noite do sequestro, foi assassinado em fevereiro de 2003. Usava documentos falsos, com outro nome. Teria recebido R$ 60 mil de fonte desconhecida por seus familiares e fora citado numa conversa gravada pela polícia entre Sombra e Klinger. Era testemunha de desentendimento entre Daniel e Sombra.

Paulo Henrique Brito, a única testemunha do assassinato do garçom, foi morto no mesmo lugar, com um tiro nas costas, 20 dias depois. O agente funerário Iran Moraes Rédu, o primeiro a identificar o corpo do prefeito na estrada, foi morto com dois tiros quando estava trabalhando, em dezembro de 2003. Apontado pelo Ministério Público como o elo entre Sérgio Sombra e a quadrilha que matou o prefeito, três meses depois, o detento Dionísio Severo foi assassinado na cadeia, na frente do advogado. Ele havia sido resgatado do presídio dois dias antes do sequestro, mas acabou recapturado. Tinha sido escondido por Sérgio Orelha, que também foi assassinado em 2003. O investigador do Denarc Otávio Mercier, que ligou para Severo na véspera do sequestro, morreu em troca de tiros com homens que tinham invadido seu apartamento, em julho de 2003. O último cadáver foi o do legista Carlos Delmonte Printes, que identificou sinais de tortura no corpo do ex-prefeito, morto em outubro de 2005.

Renato Andrade: A legião de esquecidos

- Folha de S. Paulo

O gigantismo da Lava Jato gerou um efeito colateral curioso. A sequência de prisões, buscas e apreensões de documentos e divulgação de parte da papelada e dos depoimentos tomados até agora acabou criando uma espécie de legião de esquecidos pelo caminho.

Pouco tem se falado, por exemplo, dos grandes empreiteiros, políticos e ex-dirigentes da Petrobras que continuam encarcerados no Paraná.

O conteúdo dos documentos que aparecem diariamente e o surgimento de novos personagens no esquema acabaram escondendo a turma que já ficou em evidência um dia.

A figura mais sumida até o momento é o petista Delcídio do Amaral. Preso desde o final de novembro, o ex-líder do governo no Senado segue enclausurado no Quartel da Polícia Militar do Distrito Federal, para onde foi transferido depois de uma primeira temporada na Superintendência da PF em Brasília.

O sumiço, entretanto, não significa que o petista perdeu protagonismo na trama ou que permanecerá em silêncio pela eternidade.

Vários documentos foram apreendidos pela polícia na casa e no gabinete do senador. O pouco do que foi revelado até agora dá mostras do tamanho da encrenca que o petista pode criar se resolver aderir ao bloco dos delatores premiados.

Como revelou o jornal "Valor Econômico", um dos papéis em poder da PF mostra que o esquema de propina também foi operado no governo Fernando Henrique Cardoso. O pixuleco tucano, segundo relato do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, é nada desprezível –US$ 100 milhões.

Delcídio tem clara ascendência sobre o amigo, seu subordinado na direção da petroleira entre 1999 e 2001. Como operador do esquema, Cerveró sabe muito e já mostrou isso. Delcídio, por certo, sabe mais, bem mais.

O que os papéis do senador "contaram" até agora é promissor. Se o petista romper o silêncio, deixará o rol dos esquecidos em grande estilo.

José Nêumane: Quantos e quais são os avessos de Dilma?

- O Estado de S. Paulo

A sequência de medidas provisórias e a nova regulamentação da Lei Anticorrupção, que na prática anulam o sentido do prefixo, que quer dizer contra, revelou a total desistência do mínimo de pudor pelo desgoverno Dilma no findo ano de 2015. A mudança da condição de 50 anos após a morte para 10 para que se lhe permita outorgar o título de Herói Nacional a Leonel Brizola, sem motivo aparente que não o de atormentar o vivo Luiz Inácio Lula da Silva, põe em dúvida a sanidade mental de quem a promoveu. Pois sobram problemas para a chefe do desgoverno enfrentar neste grave momento e não faltava nesta hora aziaga uma decisão sem motivo sério algum em meio à recessão brutal e a um processo de impeachment, que, na verdade, mal começou.

Mas a presidente não desiste de nos surpreender e nos tem propiciado mais do mesmo em seu estilo pouco sagaz e nada sutil, sem lógica e com ousadia imodesta. Há uma semana, seu padrinho Lula lhe ocupou a agenda com oportuno jantar (à véspera de um depoimento de cinco horas à Polícia Federal). E nele exigiu dela entusiasmo e otimismo. A sucessora não se fez de rogada e convidou os setoristas do palácio para um café da manhã, sob a égide de uma exibição de falsas flores do recesso e coroado com um selfie cretino que irradia, do lado dela, um absurdo desconhecimento da gravidade da crise e, do ângulo dos encarregados da cobertura da Corte desapegada aos fatos, um grau similar de alheamento brechtiano da realidade.

O pessedista pernambucano Thales Ramalho cunhou a expressão flores do recesso para definir o truque de políticos espertos de irem a Brasília nas férias para ocuparem tempo e espaço – às vezes com destaque – nos meios de comunicação revelando fatos irrelevantes que no cotidiano do quadro político não tinham como merecer importância. Lula mandou Dilma ser irrealista, ela obedeceu e os repórteres pareciam dizer, sem ligar a mínima para seu público, assolado por falências e desemprego: “Se fui pobre, não me lembro”.

Os semblantes deslumbrados de Dilma com o poder que se esvai e dos jornalistas com a proximidade da glória efêmera e rara contrastam com as notícias da planície, que são de fazer chorar. No congraçamento pré-carnavalesco em pleno recesso da recessão, a presidente festejou vitórias eventuais e inconsistentes no processo do impeachment. Mas, entrementes, o anúncio da inflação de 10,67% em 2015, a mais alta desde 2002, é a pior de uma série de notícias ruins, como o retorno de 3,7 milhões de pobres da classe C às classes D e E. E desolador é que, no “país do futuro” (apud Stefan Zweig), o desemprego de patrícios entre 15 e 24 anos deve ter sido de 15,5% em 2015 – maior do que a média mundial no ano, de 13,1% .

A maior novidade contada por ela agrada a pouquíssimos: deverá reunir-se no café com setoristas em 2017, porque o profeta Lula de Caetés, o vice Temer, que se refestela no poder à sombra, e Madre Marina acham que o impeachment morreu, mas não foi enterrado. As exéquias são previstas para depois do carnaval, época em que a Quarta-Feira de Cinzas terá ares de terça-feira gorda. Ao menos nos salões do palácio onde o escárnio vira orgia do acinte a desafiar cidadania e República, corroídas pelos ratos.

Ninguém achou um só deslize que ponha sob suspeita sua honra pessoal – repete Dilma. Não lhe falem no rombo das propinas da Petrobrás, na capivara de sua protegida Erenice Guerra nem nas dúvidas sobre o comportamento do fiel Walter Cardeal, diretor da Eletrobrás. Para limpar as fichas dos espíritos santos de orelha Jaques Wagner e Edinho Silva madama conta com o pretexto do “vazamento seletivo”, agora comprometido pelo destaque à citação de Fernando Henrique na delação de Cerveró. E com o beneplácito alugado do baixíssimo clero (nas profundezas de pré-sal) da Câmara, liderado por Leonardo Picciani. Só não dá mais é para soltar o líder Delcídio “do” Amaral.

Palavras impressas em papel não têm como ser fiéis a mais uma confissão de probidade feita pela presidente naquele repasto. A frase “tenho clareza de que tenho sido virada dos avessos” é um exemplo cabal da desconexão entre seu discurso e os dicionários existentes. Quantos e quais são os avessos de Dilma? Terá ela mais de um avesso (o lado oposto ao dianteiro) ou quis dizer às avessas (ao revés)?

É impossível adivinhar onde encontrou o plural de uma palavra singular para se eximir da evidência de que deixou tanta gente roubar tanto sem nunca ter percebido. Não dá para entender tal sentido oculto na leitura, ainda que atenta. Para isso há que assistir às pausas súbitas, às sílabas atropeladas e aos aflitos apelos à compreensão dos interlocutores. E isso só é possível vendo-a e ouvindo-a na televisão. O jeito de dizer a frase sem nexo importa mais do que a falta de nexo de sua fala. Pois denota o cansaço desesperado que Dilma expõe ao repetir infindas vezes algo que considera óbvio, mas não consegue comprovar e assim convencer quem tente, sempre em vão, ouvi-la e entendê-la. Da outra ponta da linha, assediado de todos os lados pela crise, o pobre brasileiro só pode ficar mais exausto e mais desesperado do que ela própria.

Dilma disse ainda que ninguém devia aposentar-se aos 55 anos. “Nós estamos morrendo menos. E os jovens estão nascendo mais”, justificou-se. Estas patacoadas estão à altura da transmissão da tríplice epidemia pelo ovo do mosquito, da glorificação da mandioca e da sagração da mulher sapiens. Não querem dizer nada e nada indicam. São somente novas pérolas da língua particular de Sua Excelência, tratada comme il faut por Celso Arnaldo Araújo no livro O Dilmês. Criará um ministério para traduzi-la?

Após ouvir que a CPMF é um problema de saúde pública, o contribuinte a ser assaltado entende perfeitamente que terá de pagar pelo 2016 feliz que Dilma se almeja. Pois sabe que só lhe restará pagar a conta de um problema de saúde pública sem jeito: o desgoverno dela.
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*José Nêumane é porta e escritor

Elio Gaspari: Os mascarados estão soltos

• Marcelo Odebrecht está preso preventivamente, mas os desordeiros que barbarizaram em São Paulo foram libertados

- O Globo

Lei que prende empresários deveria punir desordeiros. Há algum parafuso solto no sistema nacional de manutenção da ordem pública. Marcelo Odebrecht, dono da maior empreiteira do país, completa sete meses de prisão preventiva na próxima terça-feira, e todas as 17 pessoas detidas durante as desordens ocorridas em São Paulo no início da noite de sexta-feira foram libertadas no dia seguinte. Em poucas horas, foram depredados oito ônibus e cinco agências bancárias. Pode-se dizer que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa, mas essas duas situações acontecem no mesmo país. Juntas, não fazem sentido.

Tem gente que fica feliz com a hipótese de os presos endinheirados mofarem na cadeia pelas malfeitorias que praticaram, mas não é assim que funciona a coisa. A prisão preventiva de um cidadão só se justifica pelo flagrante de delito ou para impedir que ele continue praticando um crime. Admita-se que esse é o caso para todos os empresários, políticos e espertalhões que estão presos em Curitiba e em Brasília. O mesmo deveria valer para os desordeiros.

Ao contrário do que acontecia no mundo das empreiteiras, onde as roubalheiras eram dissimuladas, a ação dos mascarados deu-se às claras e foi registrada ao vivo e em cores. A polícia de São Paulo mobilizou centenas de PMs, sua tropa de choque e veículos blindados para acompanhar a manifestação contra o aumento de tarifas de ônibus. Para quem quer dar uma manifestação de força, serviço perfeito. Durante mais de uma hora, mascarados tumultuaram o Centro da cidade. Só 17 pessoas foram detidas. É pouco, mas vá lá. O relaxamento das prisões em flagrante foi determinado pela Justiça. Uma juíza considerou inconclusivas as provas apresentadas contra os cidadãos. A força foi exibida, mas deu em nada. Das duas uma: a polícia prendeu quem não devia ou a Justiça soltou quem deveria continuar preso. Ao final das contas, não prenderam uma só pessoa com provas que a juíza considerasse irrefutáveis. Há apenas um desordeiro recolhido. Está na Fundação Casa, por ser menor de idade, e foi levado a uma delegacia na segunda-feira pelo pai policial, ao vê-lo num vídeo de quatro minutos na cena do espancamento de um PM.

A ação dos mascarados foi demorada. Num incidente, eles pararam dois ônibus, obrigaram os passageiros a desembarcar e ordenaram aos motoristas que manobrassem os veículos para que obstruíssem uma avenida. Em seguida, quebraram vidros e picharam a lataria dos veículos. A polícia é treinada para intervir em situações desse tipo e dispõe de equipamento para registrar a cena.

Um cidadão mascarado no meio de uma manifestação pacífica é pelo menos suspeito de estar ali para provocar alguma desordem. Quem já viu alguma dessas explosões de violência sabe que elas partem de grupos perfeitamente identificáveis antes, durante e depois das manifestações. Desordeiro não é ativista, nem um sujeito quebrando vidros de ônibus está manifestando uma opinião.

Se a prisão dos empreiteiros tem a virtude de desestimular futuras traficâncias, o fato de não haver um só desordeiro na cadeia torna-se um estímulo a novas violências, cuja principal consequência é a inibição de manifestações pacíficas.

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Elio Gaspari é jornalista

Vinicius Torres Freire: Gerentona diferentona

- Folha de S. Paulo

Quanto vale a Petrobras? Segundo os donos do dinheiro grosso, que negociam ações, a petroleira é aquela empresa pequena, que não tinha pré-sal, do início do século.

Uma empresa menor, de um país de economia também muito menor, mal saído de uma saraivada de crises: apagão, restos e rescaldos dos anos FHC, o medo da eleição de Lula. A vitória do PT provocaria uma desvalorização enorme da moeda, o dólar chegaria a custar mais de R$ 8 em 2002, a preços de hoje.

Feitas as contas certas, aliás, a ação da Petrobras vale muito menos do que no primeiro ano de governo de Lula, 2003.

Ontem, a empresa anunciou seus planos até 2019. Também ontem, o preço do barril do petróleo triscou os US$ 30. No mercado, se vendia ação da empresa às baciadas. De tão liquidados, os papéis preferenciais da Petrobras baixaram à casa do dólar e pouco. Nos EUA, um hambúrguer custa três ações da Petrobras.

Em termos relativos, a dívida da empresa é dez vezes a de grandes irmãs, Chevron, Exxon e Shell (trata-se aqui da relação entre dívida e a geração de caixa anual). A fim de sobreviver, a empresa tem de diminuir, vender partes, pois não consegue arrumar dinheiro bastante para bancar um mínimo de investimento e pagar suas dívidas. Não fatura o bastante e, além de tudo, está sem crédito, crédito a preço razoável.

Em resumo, a empresa corta investimentos, também em produção, e encolhe, vende ativos. Como vai sair da crise?

Tão importante quanto, como vai investir no pré-sal, supondo que os preços ainda compensem? Como a empresa vai participar de pelo menos 30% em sociedades de exploração de campos do pré-sal, tal como a lei o exige, se vive nessa penúria?

Não vai conseguir fazer nem uma coisa nem outra. O assunto ora parece algo distante e abstrato, pois o corte de investimentos em petróleo é geral. Mas, em se tratando de energia, dois, três anos são uma piscadela.

Enfim, vamos ficar mais cinco anos sem leilão de áreas de exploração do pré-sal, como de 2008 a 2013, quando os governos do PT e Dilma Rousseff se dedicavam a desgraçar o setor de energia?

A Petrobras e o setor de petróleo precisam de reforma urgente. Divirtam-se os especialistas a descobrir ou discutir em qual direção. Mas não é mais possível fingir que tudo vai se resolver, que o caso é de "business as usual". A Petrobras é importante demais para ser deixada ao método Dilma de administração, no qual, entre outros problemas, apenas se tomam decisões à beira da ruína final.

Convém sempre relembrar que tamanho desastre se deveu à lambança amadora, incompetente, irresponsável, fraudulenta e corrupta que engoliu a empresa, em especial de 2010 para cá, desde quando a dívida quadruplicou.

Mesmo que se desconte a queda de 70% do preço do petróleo, desde meados de 2014, mesmo com as desgraças sem fim da crise mundial de 2008, a Petrobras padeceu muito mais que suas grandes irmãs petrolíferas. Mais grave, não tem como reagir, tais como muitas das grandes petroleiras, livres para refazer suas estratégias.

No Brasil, a Petrobras, empresa mais importante do país, vive sob o tacão das intervenções diferentonas do governo, inspirada pela gerentona da energia, mãe do PAC e do grão-estelionato eleitoral de 2014. Até quando?

Cristiano Romero: Descompasso entre arrecadação e atividade

• Estudo mostra que correlação entre receita e PIB ficou negativa

- Valor Econômico

Nos anos de forte expansão dos gastos públicos, os governos recorreram muito mais ao aumento da carga tributária do que ao controle das despesas para assegurar um certo equilíbrio das finanças públicas. Um aspecto ajudou a sustentar esse processo até pouco tempo atrás: a forte correlação existente no Brasil entre arrecadação de impostos e atividade econômica. A má notícia é que, muito provavelmente, essa elasticidade não exista mais, o que obriga o país a repensar o Estado brasileiro, do contrário, daqui em diante o ajuste das contas públicas (ou o financiamento das despesas) voltará a ser feito pela expansão insustentável da dívida pública e/ou pela inflação.

O aumento da despesa pública tomou corpo no Brasil desde a promulgação da atual Constituição, em 1988. Na opinião do economista Luiz Guilherme Schymura, diretor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), a nova Carta foi o marco inicial de uma era de "aprofundamento da democracia brasileira, durante a qual o poder público, sob o comando da vontade soberana das urnas, perseguiu a construção de um Estado de bem-estar social nos trópicos".

O cidadão ganhou, com a Constituição, uma série de direitos que antes não tinha, como o acesso universal a serviços de saúde e educação. A Carta Magna não disse como esses direitos seriam financiados. O que os governos fizeram desde então definiram o modelo econômico brasileiro - de 1988 a 1994, quando foi lançado o Plano Real, a economia viveu sob o signo do caos, tendo sofrido uma traumática hiperinflação, que nada mais é que um mecanismo perverso de ajuste entre receita e despesa.

Ao lado da demanda por um estado do bem-estar social, houve, obviamente, um assalto paulatino ao Estado, promovido por grupos de interesse e facilitado, observa Schymura, pela juventude e a relativa "imaturidade" das instituições democráticas nacionais. "Junto com a correção de injustiças históricas e da extensão de direitos sociais legítimos, campearam também a distribuição de privilégios e as oportunidades de 'rent-seeking' [expressão em inglês que denomina os lobbies que obtêm vantagens (como subsídios e tarifas de importação) que não beneficiam a maioria da população)]", critica o diretor do Ibre. "Mais recentemente, o aumento dos subsídios de política industrial e daqueles voltados a relançar a economia após a desaceleração de 2011 foi outra contribuição para o crescimento do gasto público."

Com o lançamento do Plano Real, iniciou-se o enfrentamento da questão fiscal, mas de forma ainda insuficiente - nas crises externas de 1994 (México), 1997 (Ásia) e 1998 (Rússia), o Brasil exibiu grande vulnerabilidade. Apenas nas crises de 1999 e 2003, o país de fato conseguiu enfrentar o problema fiscal, mas o fez primordialmente por meio do aumento de impostos e não do corte de despesas.

Nos cinco anos da gestão da presidente Dilma Rousseff até aqui, o superávit primário caiu de algo em torno de 3% do PIB para um déficit primário de 1% do PIB. Em 2015, tempo de uma nova crise, o ajuste tradicional - aumento de impostos e algum corte de despesas - não funcionou. Uma das razões para a dificuldade pode estar na queda da correlação entre receitas oficiais e atividade econômica.

O pesquisador Livio Ribeiro, do Ibre, fez um exercício para calcular essa correlação. Ele constatou que a elasticidade entre arrecadação real (excluídas as receitas previdenciárias) e crescimento da demanda interna privada (tomada como variável relevante de atividade) foi de 1,13 entre o primeiro trimestre de 2000 e o segundo trimestre de 2015. Na média, portanto, a arrecadação do governo cresceu, nesse período, em linha com a expansão da economia.

O exercício conduzido por Ribeiro revela, porém, que a tendência mudou desde 2011. Para entender o que ocorreu, o pesquisador dividiu o exercício em dois períodos: antes e pós crise mundial de 2008. Os resultados ficaram assim: a elasticidade entre arrecadação e demanda interna, entre 2000 e 2008, foi de 1,59; no período 2009-2015, ela caiu para 0,98.

O que pode explicar essa mudança? Uma possibilidade é a extinção da CPMF no fim de 2007. Outra são as desonerações tributárias promovidas pela presidente Dilma no primeiro mandato - muitas foram revertidas, mas não totalmente. Uma terceira explicação estaria no processo de formalização da economia, observado principalmente nos anos do último boom (2004-2010) e que já deixou para trás o seu momento de expansão mais rápida. Um outro fator importante é o efeito negativo que a repetição de programas de anistia fiscal, como o Refis, exerce sobre a disposição dos contribuintes para pagar tributos.

"O exercício indica, portanto, uma probabilidade significativa de que tenha havido, de fato, uma quebra estrutural na correlação entre arrecadação tributária e atividade econômica, ocorrida em algum momento entre a eclosão da crise global e 2011", diz Schymura. "Na verdade, em boa parte dos anos 2000, o Brasil passou por um 'momento mágico' em termos de contas públicas, em que parecia haver espaço para o prosseguimento da elevação do gasto sem risco de comprometer a solidez fiscal. Para muitos analistas, incluindo pesquisadores do próprio Ibre, o problema de solvência pública parecia superado, e a questão fiscal adquirira um caráter muito mais de gestão de demanda."

Essa constatação traz enormes desafios. Um deles é que não se deve mais apostar na recuperação da arrecadação de impostos a partir de uma possível retomada da economia, o que impõe limites claros à solução do grave problema fiscal brasileiro. "É imprescindível repensar o Estado brasileiro, portanto, procurando compatibilizar o aprofundamento da democracia no país e a extensão de direitos com a solidez fiscal de longo prazo", recomenda o diretor do Ibre.

Míriam Leitão: Razões da queda

- O Globo

Crise chega quando a Petrobras perdeu valor e reputação. Há muitas razões para o petróleo cair e nenhuma para subir. A alta do dólar, o excesso de produção, estoques elevados, diminuição de demanda, inverno suave no hemisfério Norte, tudo derruba o preço. Há inclusive um fator que não esteve presente em outras épocas de queda de cotação: o mundo se comprometeu em Paris a reduzir fortemente as emissões, isso cria uma incógnita sobre o futuro do petróleo.

As altas e baixas das cotações do óleo seguem ciclos. O preço alto estimula os investimentos em produção. A queda reduz o interesse em novos campos, o que encolhe a produção. A grande questão para a Petrobras é que esse desarme de investimentos e de interesse em novos campos produtores ocorre quando a empresa já está em crise. Ela enfrenta um período de fragilidade criado pela corrupção que destruiu valor e reputação da empresa; tenta se recuperar, mas concretamente tem dificuldades de financiar novos projetos. Agora, haverá menos interesse ainda. Por isso anunciou ontem um forte corte nos investimentos.

Recentemente a Petrobras divulgou que seu custo de produção do pré-sal é de US$ 8 o barril e que, por isso, os campos ainda seriam viáveis. Mas há dúvidas entre técnicos sobre o método de produção e forma do cálculo. Na verdade, segundo o consultor Adriano Pires, ela está ganhando com a queda do preço porque vende derivados aqui a um preço maior do que importa do mercado internacional. O problema é a dificuldade de viabilizar o aumento futuro de produção.

O começo da queda do preço ocorreu pelo aparecimento de um concorrente forte, o gás não convencional. A Arábia Saudita não quis cortar produção para forçar a alta porque queria, na verdade, tirar o competidor do mercado, que parecia abundante e barato nos EUA, grande consumidor de energia. O shale gás perdeu parte da competitividade nos últimos tempos, mas, então, novos fatos apareceram.

Há um temor de que o mundo esteja caminhando para uma desaceleração forte iniciada pela redução do PIB chinês em dimensão maior do que a esperada. A economia americana está crescendo, mas não fortemente. A Europa está melhor do que em anos recentes, mas ainda está fraca. Dois grandes produtores precisam desesperadamente vender: Rússia e Venezuela. Os estoques estão elevados, o consumo caiu, e a produção não foi reduzida.

O escritor e especialista Daniel Yergin, autor de um livro sobre a história do petróleo, disse ao jornal “Financial Times” que o “superciclo de commodities está terminando de forma dolorosa. A grande preocupação é o que vai acontecer com a economia do mundo”. O jornal inglês deu em destaque, em sua versão online, os cortes de investimentos da BP inglesa, e da Petrobras, cuja ação caiu ontem 9%.

Em relatório, analistas do Bank of America chamaram atenção para a perda de rentabilidade de novas companhias do setor nos Estados Unidos, que apostaram na exploração de campos não convencionais, que têm custos mais elevados. Muitas estão indo à falência, e a queda do preço do barril ao redor de US$ 20 pode inviabilizar até mesmo a operação. O banco lembra uma velha lei do mercado: as commodities são cotadas em dólar, incluindo o petróleo e, por isso, quando a moeda americana se valoriza, os preços dessas matérias-primas caem.

“A estabilidade do dólar é condição necessária para a recuperação do preço do petróleo”, diz o relatório.

O banco ressalta, no entanto, que os problemas financeiros dessas empresas e o corte na produção devem levar a uma recuperação nos preços. Por isso, estima a cotação do barril do tipo brent em US$ 53 no final deste ano, com uma média de US$ 46 em 2016.

Há uma velha máxima neste mercado de que as previsões sobre preços estão sempre erradas. O produto pode se recuperar dessa queda, que tem muito de preocupação com a China, que alguns analistas acham exagerada, porém há uma incógnita quando se olha para o futuro do petróleo. Nenhum outro ciclo de queda de preço se deu no contexto em que o mundo já decidiu entrar num processo de descarbonização da economia. A queda do consumo não será imediata, mas nas próximas décadas esta questão será cada vez mais real. Não é o caso de perguntar se o Acordo de Paris vai ou não dar certo. O aquecimento global empurrará o mundo para fontes menos emissoras de gases de efeito estufa.

Roberto Freire: A ‘maldição’ da Casa Civil, um reduto de falcatruas

- Diário do Poder

Eu não creio em bruxas, não acredito que elas existem. Mas quem tem fé na conspiração dos astros, nos orixás ou em qualquer entidade ou ser supremos capazes de traçar nossos destinos deve observar com atenção o que se passa entre as quatro paredes do gabinete da Casa Civil dos governos de Lula e Dilma Rousseff. Desde que o PT chegou ao poder, há mais de 13 anos, ali parece ser o centro irradiador da corrupção que tomou conta do Estado brasileiro – e, felizmente, quase todos os ministros que por ali passaram, flagrados em malfeitorias das mais diversas, perderam seus cargos. A bola da vez é Jaques Wagner, lulopetista graúdo enredado em revelações do submundo criminoso desvendado pela Operação Lava Jato.

Mensagens de telefone interceptadas pelos investigadores da força-tarefa que apura a roubalheira na Petrobras apontam que o ex-governador da Bahia e atual chefe da Casa Civil, já quase um primeiro-ministro de Dilma em vias de ser entronizado pela presidente da República como homem forte de seu governo, teria favorecido um dos empreiteiros condenados e presos por ter participado do esquema de corrupção na Petrobras. Há suspeita de que parte das conversas trate de doações para a campanha do PT à Prefeitura de Salvador, em 2012, financiadas com o dinheiro sujo do petrolão.

Assim, a lista de ministros da Casa Civil suspeitos ou já condenados pela prática de crimes se torna ainda mais robusta. Um rápido exercício de memória nos fará lembrar do mais célebre ocupante do posto, José Dirceu, então apontado por Lula como o “capitão do time” de seu primeiro governo e que hoje está em uma cela do Complexo Médico Penal de Pinhais, no Paraná, condenado por envolvimento no esquema da Petrobras. Antes disso, Dirceu já havia cumprido pena na penitenciária da Papuda, em Brasília, por outro escândalo marcante dos tempos de Lula, o mensalão.

A “maldição” da Casa Civil também atingiu Erenice Guerra, amiga de Dilma acusada de tráfico de influência. Na sequência, Antonio Palocci, que já havia protagonizado a indecente quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo ainda quando ocupava o Ministério da Fazenda, foi abalroado por suspeita de corrupção e enriquecimento ilícito.

O assalto à Petrobras foi contemplado pela Casa Civil, que mais se assemelha a um reduto de falcatruas, a partir da chegada de Gleisi Hoffmann ao ministério. A senadora petista, também muito próxima de Dilma, é suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com base nas revelações feitas pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff. Após a queda de Gleisi, Dilma escolheu para o cargo Aloizio Mercadante, hoje ministro da Educação, que já havia sido envolvido no tenebroso episódio do “dossiê dos aloprados”, em 2006, uma sórdida, criminosa e fracassada tentativa de enlamear oposicionistas. Como se não bastasse tamanha desmoralização, hoje o ministro é alvo de inquérito pelo suposto recebimento de dinheiro ilícito em campanha eleitoral.

Não se pode esquecer, evidentemente, da própria Dilma Rousseff, que ocupou a Casa Civil do governo Lula e de lá foi alçada à condição de candidata à Presidência. Foi sob o comando da petista que o ministério preparou o famigerado dossiê contra Fernando Henrique e Ruth Cardoso, em um dos capítulos mais degradantes da história da República. Em outro episódio nebuloso, uma ex-secretária da Receita Federal contou ter sido pressionada por Dilma para arquivar uma investigação contra o filho de José Sarney, aliado do governo.

A Casa Civil, já quase transformada em casa mal assombrada dada a série infindável de escândalos de corrupção, é o retrato da degradação moral e da desfaçatez com que os lulopetistas agem em nome de um “projeto criminoso de poder”, como bem definiu o ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de um símbolo de uma era que, felizmente, está se aproximando do fim e não deixará saudades. Isolado politicamente e com muita dificuldade para evitar o andamento do processo de impeachment, o governo Dilma vive seus estertores. Que Jaques Wagner, afinal, seja a vítima derradeira da “maldição” da Casa Civil, é o que os brasileiros desejam, esperançosos de que este governo se encerre o quanto antes.

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Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS