terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Grupo articula mudança no comando do PMDB no Rio

Moreira lidera movimento para organizar partido rumo às eleições

Fernanda Krakovics e Igor Mello / O Globo

Às vésperas das eleições, cresce a pressão no PMDB do Rio para mudar o comando estadual do partido, hoje nas mãos do presidente afastado da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, que está preso preventivamente. O ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral) está na linha de frente dessa articulação.

Em conversas com o governador Luiz Fernando Pezão, Moreira tem afirmado, segundo pessoas próximas, que o partido precisa se organizar para as eleições, e que o fato de a atual cúpula estar presa prejudica não só a imagem do PMDB, mas também enfraquece as negociações com outras siglas.

Além do presidente do diretório estadual, Jorge Picciani, foram presos preventivamente na operação Cadeia Velha, um desdobramento da Lava-Jato no Rio, o 2° vice-presidente, Paulo Melo, e o tesoureiro, Edson Albertassi, todos deputados estaduais. Desde então, o partido tem sido conduzido formalmente pelo 1° vice, deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, também preso, e pelo ministro Leonardo Picciani (Esporte), filho de Jorge Picciani.

Segundo um parlamentar peemedebista, a mudança na cúpula do partido no Rio conta com o apoio de deputados estaduais, federais, prefeitos e pré-candidatos. O nome discutido para assumir o partido é o de Carlos Alberto Muniz, que foi vice-prefeito do Rio na primeira gestão de Eduardo Paes. Uma alteração no comando do PMDB poderia criar condições para a permanência de Paes, pré-candidato a governador.

— Não podemos esquecer que o Muniz foi braço-direito do Moreira quando ele era governador. Os dois são amigos —disse esse parlamentar.

Mesmo com suas principais lideranças presas, o grupo político que atualmente comanda o PMDB do Rio resiste a abrir mão do poder. Integrantes dessa ala afirmam que correligionários estão aproveitando o momento para tentar conquistar espaço.

DEFINIÇÃO SOBRE PAES
Paes teria ficado de dar uma reposta ao PMDB sobre sua permanência no partido logo após o Carnaval. Há onze dias, Leonardo Picciani cobrou uma definição do ex-prefeito e disse que ele não terá garantia de apoio do PMDB à sua eventual candidatura a governador se deixar o partido. Paes está inelegível por decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, por abuso de poder político-econômico nas eleições de 2016, mas cabe recurso.

A cúpula do partido tenta convencer Paes a ficar, argumentando que, mesmo se saísse do PMDB, ele carregaria o desgaste da sigla consigo.

— Ele deixaria de ter sido aliado do Sérgio Cabral (se sair do PMDB)? O passado, que ele vai ter que defender na eleição, estará relacionado aos governos e realizações dele — disse um dirigente do PMDB.

Paes pretende sair do PMDB para tentar se descolar do desgaste do partido, mas gostaria de ter a sigla no seu arco de alianças. Além de ter suas principais lideranças presas, o PMDB do Rio ainda arca com a falência do estado, comandado por esse grupo político há 11 anos. A crise financeira do governo de Luiz Fernando Pezão culminou com o atraso no pagamento do salário dos servidores.

O PMDB é a maior máquina eleitoral do estado. Apesar de ter perdido o comando da capital nas eleições de 2016, o partido tem o maior número de prefeitos, que são importantes cabos eleitorais. Além disso, a sigla possui um dos maiores tempos de propaganda na televisão e no rádio.

SEM AMBIENTE
Embora Paes tenha voltado a morar no Rio este mês, depois de um ano nos Estados Unidos, apostando suas fichas em vir a ser o candidato do PSB ao governo do estado, integrantes da Executiva Nacional do partido afirmam que não há ambiente para a filiação do exprefeito depois de um bate-boca público entre ele e o presidente da sigla, Carlos Siqueira.

Em novembro, Siqueira afirmou que não tinha interesse em ter Paes nos quadros do PSB porque não queria herdar seu desgaste. Paes rebateu insinuando envolvimento de Siqueira em supostas irregularidades relativas ao pagamento do jatinho que caiu, em agosto de 2014, matando o ex-governador de Pernambuco e então candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos. 

Neste mês, Paes voltou à carga e disse que a correlação de forças pode mudar na legenda, possibilitando seu ingresso.

Em reunião há cerca de duas semanas com a bancada de deputados federais do PMDB, Leonardo Picciani afirmou que o partido não ficará sem alternativa, caso Paes decida desembarcar, e ameaçou lançar para governador o secretário municipal de Assistência Social do Rio, Pedro Fernandes (PMDB). Apoiadores de Paes ficaram insatisfeitos e reclamam da postura “imperial” da família Picciani na condução do partido.

— Ter um comando preso e fustigando nossa maior liderança, que é o Eduardo Paes, não ajuda nada — disse um deputado estadual.

O PMDB não é o único ônus de Paes. Ele foi acusado de receber doações de campanha por meio de caixa dois pelo marqueteiro Renato Pereira e por executivos da Odebrecht. Ele nega.

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