sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Antipetismo visceral alimenta o servilismo a Donald Trump, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Simpatias de brasileiros ao americano concentram-se no bolsonarismo, mas não apenas

Viés ideológico embasa atitudes antinacionais e trânsfugas diante de ameaças ao Brasil

Embora possa causar algum espanto, parcela considerável de brasileiros vê com simpatia o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem atacando o país com tarifas comerciais disparatadas e pressões políticas com vistas a interferir nas eleições.

Os apoiadores mais despudorados filiam-se à direita truculenta bolsonarista. Mas há também, talvez mais velados, simpatizantes provenientes de setores liberais conservadores e defensores das pautas das big techs. Entre esses, gente que frequentou boas escolas, teve acesso a leituras e a situação econômica privilegiada. Atestam, em seu transfugismo, quão invertebrados podem ser certos representantes das elites brasileiras.

Caneladas constitucionais, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo  

Alexandre de Moraes agora investe contra liberdade de informação

Foro especial pereniza tensões entre o STF e os outros Poderes

Alexandre de Moraes fez de novo. Sua mais recente canelada institucional foi contra o princípio da liberdade de informação e de imprensa. Ao que tudo indica, ele permitiu que a PF usasse dados de telefone apreendido com um jornalista para descobrir quem lhe via de fonte de informações, violando um sigilo que tem guarida constitucional. Ainda que a fonte tenha cometido um delito ao fornecer informações, os policiais não poderiam ter chegado a ela usando o jornalista como atalho. A investigação teria de ter sido feita por outro caminho.

As contas fechadas dos partidos, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O nanico PCO caiu na rede das investigações da Polícia Federal sobre uso indevido de dinheiro público

Falta agora passar um pente-fino nos gastos das grandes legendas com verbas dos fundos eleitoral e partidário

O nanico Partido da Causa Operária (PCO) caiu na rede da Polícia Federal. O presidente e figura constante em eleições presidenciais, Rui Costa Pimenta, foi alvo de busca e apreensão na operação Causa Própria, cujo nome não poderia ser mais adequado.

Quando deputados e senadores aprovam matérias do interesse da corporação dizemos que legislam em causa própria. É o que fazem os partidos com as verbas públicas destinadas à sua sustentação.

A pirâmide virou pião, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Em breve, o Brasil terá mais idosos acima de 60 anos do que jovens abaixo de 15

A diferença é que os países desenvolvidos enriqueceram antes de envelhecer

O Brasil, quem diria, ficou de cabeça para baixo. "A pirâmide virou um pião", afirmou na semana passada, em conferência na Academia Brasileira de Letras, a pneumologista Margareth Dalcolmo. Referia-se à diferença entre 1970, quando éramos uma sociedade com alta taxa de nascimento, com expectativa de vida de 54 anos, e hoje, "em que deixamos de ser uma sociedade jovem para uma envelhecida, com expectativa de vida de 78 anos".

A terceira via como escada, por Cláudio Carraly*

E como esta se tornou linha auxiliar da extrema-direita

Há um incômodo silencioso que percorre os eventos da centro-direita brasileira quando um nome da extrema-direita surge nas conversas de bastidor. Não é repulsa, é apenas um leve constrangimento. No dia a dia, esse doce constrangimento se dissolve em abraços, palcos compartilhados e uma sintonia de alvos que torna irrelevante qualquer diferença programática alegada. A terceira via, esse projeto político que em tese se apresentaria como alternativa tanto à esquerda quanto à direita irascível, tornou-se na prática linha auxiliar da extrema-direita.

O fenômeno não é brasileiro, mas aqui adquiriu contornos bem particulares. Na Europa, a dinâmica se deu principalmente por absorção programática; aqui, a terceira via optou por uma estratégia de fragmentação aparente: muitas candidaturas, os mesmos palcos, um único adversário real. O que está em curso não é uma disputa entre projetos de país. É uma divisão tática de trabalho político cujo efeito principal é deslocar, gradual e inexoravelmente, os limites do aceitável.

Poesia | Tudo quanto penso, de Fernando Pessoa

Música | Luiza Lara canta Chico Buarque- Oque será