O Estado de S. Paulo
Apesar das eleições no Brasil, maior risco para o 2.º semestre está na política monetária nos EUA
Há três grandes riscos para o segundo semestre de 2026 que ora começa. De um lado, duas eleições: a de “midterms” nos Estados Unidos (de meio de mandato para renovação do Congresso) e a presidencial no Brasil. De outro, a probabilidade de o Federal Reserve iniciar um ciclo de alta dos juros americanos. A depender do desfecho de cada um desses riscos, o ano pode terminar com um ambiente de elevada volatilidade e de estresse nos mercados globais.
Quanto à eleição americana, é bom lembrar
que, atualmente, o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, tem o
controle da Câmara dos Deputados e do Senado. O que está em jogo é se o Partido
Democrata conseguirá reconquistar o comando de uma das Casas – ou das duas. A
revista inglesa The Economist projeta 85% de chance de os democratas retomarem
o controle da Câmara e prevê 54% de probabilidade de os republicanos seguirem
no controle do Senado. Se houver uma surpresa até o pleito, em novembro, e os
democratas assumirem o comando do Senado, não só muda o cenário político para
os últimos dois anos de mandato de Trump, como também a perspectiva para a
economia dos EUA.
Os analistas dizem que os primeiros dois anos
deste mandato de Trump resultaram em um dólar mais fraco e em maior pressão
inflacionária, diante da elevação nas tarifas de importação sobre os principais
parceiros comerciais e do forte estímulo fiscal (com aumento da dívida
pública). Se os democratas reconquistarem o comando da Câmara, por exemplo,
ficará mais difícil a renovação dos cortes de impostos ou aumento de gastos.
Quanto à eleição presidencial brasileira, o
temor dos investidores estrangeiros, por exemplo, é menor. Se o presidente Lula
se reeleger, não seria uma surpresa para ninguém a adoção de uma política econômica
de mais gastos públicos, valorização real do salário mínimo ou aumento da carga
tributária. Se Flávio Bolsonaro vencer, ninguém se surpreenderia com uma
política econômica nos moldes do que fez o ex-presidente Jair Bolsonaro. O que
o investidor estrangeiro não quer é um confisco da poupança ou um choque
semelhante.
Assim, o maior risco para o segundo semestre
está na política monetária nos EUA. A maioria dos diretores do Fed projeta,
pelo menos, uma alta de juros até o fim do ano. Todavia, se a inflação
americana se acelerar e o mercado de trabalho seguir robusto, o risco é de
haver, no curto prazo, uma reprecificação agressiva de alta de juros nos EUA
que resulte em grande estresse dos ativos financeiros ao redor do mundo. O
baque no Brasil seria imediato.

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