quinta-feira, 2 de julho de 2026

O céu é o limite para os americanos, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Primeiras sanções contra brasileiros e três empresas sediadas em São Paulo suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC indicam que vem mais pressão por aí

É fácil prever que esse primeiro movimento dos americanos é só o começo, e tudo indica que vai acabar chegando indiretamente nos envolvidos no escândalo do Master

O governo Donald Trump não perdeu tempo. Um mês depois de os Estados Unidos decidirem classificar o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, os americanos anunciaram as primeiras sanções contra brasileiros e três empresas sediadas em São Paulo suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para a facção paulista.

A aplicação das sanções nesta quarta-feira (1º) indicou não só que o governo dos EUA tem acesso a informações detalhadas do esquema das empresas envolvidas para ocultar a origem dos recursos ilícitos e escapar da fiscalização, como sinalizou também que eles podem estar sendo abastecidos de informações repassadas diretamente por brasileiros envolvidos nas investigações.

De forma legal, por meio de cooperação entre investigadores dos dois países, ou por debaixo dos panos, de forma sigilosa, com razões políticas neste ano de eleições presidenciais por aqui? É a dúvida que paira.

É fácil prever que esse primeiro movimento dos americanos é só o começo, e tudo indica que vai acabar chegando indiretamente nos envolvidos no escândalo do Master.

Afinal, como revelou a Folha em janeiro deste ano, o Banco Central identificou seis fundos de investimento suspeitos de fazerem parte do esquema de fraude capitaneado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

Todos esses fundos mapeados também aparecem nas investigações que miram a infiltração do PCC na economia formal feitas pela equipe que deflagrou a Operação Carbono Oculto, de acordo com o cruzamento de dados feito pela reportagem na época.

A revelação dos nomes dos fundos —Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna— abriu as trilhas para que a imprensa chegasse às conexões importantes de Vorcaro com figurões em Brasília, como o ministro Dias Toffoli.

Os americanos vão elevar a pressão. Eles querem ampliar a influência no Brasil com atuação do FBI. O céu é o limite para os americanos.

 

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