Nossas escolhas
Por CartaCapita
CartaCapital aponta suas preferências
eleitorais
Desde 1994, quando a edição número 1 chegou
às bancas, esta publicação tem por hábito indicar os candidatos que considera
mais habilitados a conduzir os rumos do País. CartaCapital fia-se,
em primeiro lugar, na tradição das mais prestigiosas publicações do mundo. Há
174 anos, em todo ciclo eleitoral, The New
York Times informa aos leitores as razões de seu “voto”. A
partir dos anos 1960, o principal jornal dos Estados Unidos passou a apoiar de
forma sistemática os presidenciáveis do Partido Democrata. O costume havia se
solidificado na mídia norte-americana ao longo do século XX, mas sofreu um
revés na última eleição, quando alguns novos magnatas dos meios de comunicação,
oriundos do Vale do Silício, decidiram trocar a opinião dos editoriais pela
fila do gargarejo na posse de Donald Trump. Qualquer semelhança com repúblicas
de banana não é mera coincidência.
Na Europa, o britânico The Guardian nasceu alinhado aos trabalhistas, enquanto The Daily Telegraph integra as fileiras dos conservadores. Os liberais da revista The Economist ultrapassam fronteiras: escolhem seus preferidos não só no Reino Unido, dão pitacos nas disputas em países considerados fundamentais para o triunfo dos valores capitalistas defendidos pela redação.
Ao declarar suas posições, CartaCapital também se
escora em um princípio basilar nestes 32 anos de existência: o respeito à
inteligência do leitor. Em vez de um simulacro de neutralidade de fazer corar
os mascarados da lucha
libre e os encantadores de serpentes, preferimos a
transparência, convictos de que a clareza de posições fortalece o exercício do
jornalismo.
Tão importante quanto reeleger Lula é
melhorar a composição do Congresso
No domingo 16, começou oficialmente a
campanha. Daqui a menos de dois meses, os brasileiros irão às urnas e o
resultado, determinante, vai reverberar por um período bem mais longo do que os
próximos quatro anos de mandato do vencedor. A conspiração segue à espreita,
tonificada pelo assédio da, ainda, maior potência militar e econômica do
planeta, empenhada em retomar, à força, se necessário, o controle do seu
quintal. Os eleitores vão escolher não só um presidente, mas entre a soberania
e a subserviência a interesses estrangeiros. Entre a autonomia e o servilismo.
Por essas e outras, o presidente Lula, em busca do quarto mandato, é a única
opção diante dos desafios da geopolítica internacional e das pretensões de um
país que, embora favorecido pela natureza, não consegue se libertar dos
grilhões da desigualdade e do atraso. O atual presidente tem não só o passado a
oferecer ao Brasil. Tem um futuro, principalmente se, nos últimos quatro anos
no poder, se dedicar a coroar sua excepcional trajetória com um legado que o
eleve ao mesmo panteão de Getúlio Vargas como construtor de um país. Lula
encarna um projeto nacional, seu principal oponente é o despachante de um
empreendimento miliciano-familiar apegado a um plano particular, a anistia aos
golpistas.
Sem apoio nos estados e no Congresso, a
margem de manobra do presidente Lula permanecerá,
no entanto, limitada. Eleger deputados e senadores comprometidos com um
programa de desenvolvimento é o caminho para devolver às mãos do povo o
Parlamento, transformado, na última década, em um covil de punguistas, um bazar
de influencers, uma
quermesse e uma trincheira de traidores da pátria. Equilibrar, ainda que
pontualmente, a correlação de forças no Legislativo é restabelecer a
imprescindível harmonia entre os poderes.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes reúne as
condições para enfrentar os maiores flagelos locais, as milícias e as facções
criminosas. Se eleito, o candidato precisará, porém, ter a humildade de pedir
socorro à União. Só uma força-tarefa nacional arregimentará os recursos
humanos, financeiros e logísticos necessários para coibir a criminalidade e
livrar os cidadãos fluminenses do jugo da violência. Juliana Brizola representa
o frescor da renovação no Rio Grande do Sul, cuja população, dois anos depois
das enchentes, ainda se sente abandonada. Elmano Freitas, no
Ceará, Jerônimo
Rodrigues, na Bahia, e Rafael Fonteles, no Piauí,
garantem a continuidade de governos bem-sucedidos. Eficiente ministro dos
Transportes, Renan
Filho tem tudo para dinamizar a economia de Alagoas.
Em Minas Gerais, a experiência e o irretocável histórico de Patrus Ananias servem
de antídoto à instabilidade e ao despreparo dos principais adversários.
E São Paulo?, talvez pergunte o leitor. O
ex-ministro Fernando
Haddad cumpriria com desenvoltura a função. Uma
dobradinha com o governo federal, em uma eventual reeleição do presidente Lula,
seria a chance de o estado recuperar o protagonismo perdido. De qualquer
maneira, dadas as suas excepcionais qualidades intelectuais, que Haddad nunca
permite aos interlocutores ignorar, o professor está habilitado a prestar
serviços em diferentes instâncias. Entre as opções, voltar ao comando das
finanças do País ou assumir o leme da Casa Civil. Se tudo der errado, Haddad
seria um inesquecível coordenador de um curso avançado sobre a filosofia de
Hegel e Heidegger.
Publicado na edição n° 1427 de CartaCapital, em 26 de agosto de 2026.
A conta chegou
Por Veja
Impacto das escolhas econômicas erradas exige
um debate público responsável e realista, sobretudo em um ano eleitoral
Desemprego em queda, salário mínimo valorizado,
PIB crescendo a um ritmo acima das previsões de bancos privados e de
instituições como o FMI. Aparentemente, não há nuvens negras no horizonte da
economia nacional. Ocorre que os fatos são teimosos, como lembra a famosa frase
cunhada pelo segundo presidente dos Estados Unidos, John Adams (1735-1826).
Conforme vêm alertando há algum tempo diversos especialistas, esses indicadores
são frutos diretos de uma tentativa do governo federal de repetir a receita do
PT de gerar progresso a qualquer custo, à base de incentivos ao consumo — uma
receita que já levou o país ao abismo na gestão de Dilma Rousseff. A estratégia
pode até criar alguma ilusão de prosperidade, mas é incapaz de produzir um
crescimento sadio e sustentável a médio e longo prazo. Assim, o Brasil não
deslancha como deveria e sofre com o efeito bola de neve: a inflação força o BC
a manter os juros nas alturas, o que eleva ainda mais o custo do
refinanciamento da dívida pública e, por consequência, o tamanho do
endividamento total do país.
No ambiente empresarial, um dos alertas do
momento crítico se dá no número recorde de pedidos de recuperação judicial. No
sábado 15, a Marabraz entrou para essa lista, com uma dívida de 140 milhões de
reais. No dia seguinte, foi a vez de outra rede varejista, a Casas Bahia,
procurar o mesmo caminho. Nesse caso, o passivo supera a casa dos 17 bilhões de
reais. Grandes grupos ficaram pelo caminho no passado por incapacidade de se
adaptar aos novos tempos, sendo o Mappin um desses exemplos. Marabraz e Casas Bahia
também sofreram muito com a concorrência do e-commerce e até com o dinheiro
sugado pelas bets, mas isso explica apenas uma parte do problema.
Estimulada a consumir, a população começou a
se endividar em níveis altíssimos, algo que pode ser fatal em tempos de juros
salgados. As companhias que tentam socorro à custa de financiamentos, pagando
as taxas atuais, raramente conseguem sobreviver por muito tempo,
independentemente da força de suas marcas, produtos e serviços. Se não
bastasse, o buraco financeiro de um grupo como a Casas Bahia obriga a cortes
brutais no negócio, com o fechamento de lojas e demissões em massa. A conta das
escolhas econômicas erradas definitivamente chegou e exige um debate público
responsável e realista, sobretudo em um ano eleitoral. Novas promessas e
bravatas de palanque não vão recolocar o Brasil no trilho certo.
Publicado em VEJA de 21 de agosto de 2026, edição nº 3009
Governo errou na proposta para mercado de
carbono
Por O Globo
Prazo estipulado é longo demais, e teto a
projetos de mitigação limita capacidade de atrair capital
O Ministério do Meio Ambiente (MMA)
lançou em 7 de julho uma consulta pública sobre sua proposta de regulamentação
das transferências internacionais no mercado de carbono, conhecidas como ITMOs
(sigla em inglês para Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente).
O Brasil tem vantagens comparativas substanciais para entrar nesse mercado:
vasta extensão territorial, clima propício ao reflorestamento, tecnologia para
reduzir emissões na agricultura e experiência em bioenergia. O elo mais frágil
na cadeia é o capital — sem atrair investimento estrangeiro de longo prazo, a
expansão do mercado ficará restrita. Infelizmente, a proposta do MMA falha
justamente nesse ponto crítico.
A proposta comete equívocos graves. Primeiro,
estabelece 2031 como ano para o país começar a vender créditos no mercado
internacional. É tarde demais. Com a demora, o Brasil perderá inúmeras
oportunidades de negócios na economia verde. Se entrar na competição depois da
largada, será forçado a fazer uma corrida de recuperação. “Temos o clima, a
terra, a ciência e a capacidade de desenvolver tecnologia, mas a última palavra
no desenvolvimento do setor é do mercado. Sem um mercado de exportação, veremos
outros países dominarem a remoção de CO2 da atmosfera”, disse o economista
Arminio Fraga, investidor na reflorestadora re. green, ao jornal Valor
Econômico.
O segundo equívoco é ainda mais grave. Num
mercado de carbono, quem tem dificuldades para cumprir suas metas de redução de
emissões — empresas ou países — compra o direito de poluir de quem desenvolve
projetos de captura de gases da atmosfera (em geral, plantio de florestas).
Pelo Acordo de Paris, nenhuma mitigação de emissões pode ser contada duas
vezes. Se um país vende a outro parcela de sua redução, não poderá incluí-la no
cálculo do cumprimento dos compromissos que assumiu como signatário do tratado.
Para lidar com isso, a proposta do MMA
estabelece limites aos projetos de mitigação que poderão ser vendidos como
créditos no mercado internacional — 50 milhões de toneladas de CO2 entre 2031e
2035. E somente metade dos resultados gerados por um projeto receberá
autorização de exportação. Com isso, o MMA acredita preservar o cumprimento das
metas nacionais. Mas o efeito adverso dessas regras é evidente: quem investirá
em reflorestamento, se depois não sabe se poderá vender créditos no mercado
internacional?
A justificativa para o teto nacional não faz
sentido. Dada a condição privilegiada do Brasil, a exportação de créditos não
criará nenhum empecilho para o país atingir as próprias metas ambientais — ao
contrário. Com exceção de capital, há excesso de recursos. E mais: a área em que
o Brasil tem mais a avançar é no combate às emissões. A consulta pública sobre
a proposta de regulamentação acabou neste mês. O governo deveria rever a
proposta do MMA, para o Brasil se tornar referência no mercado. Nos últimos
três anos e meio, o ministério fez trabalho exemplar na redução do desmatamento
em vários biomas. Precisa fazer o mesmo na regulação do mercado de carbono.
Linchamento hediondo de ciclista em
Copacabana exige punição exemplar
Por O Globo
Não existe ‘justiça com as próprias mãos’.
Apenas ao Judiciário cabe fazer justiça e zelar pelo cumprimento da lei
A polícia, o Ministério Público e a Justiça
do Rio precisam dar resposta exemplar à barbárie perpetrada na semana passada
em Copacabana contra
Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, espancado e morto por um segurança
clandestino e dois entregadores que o confundiram com um ladrão de bicicleta
(ha ainda um terceiro suspeito). Cláudio, que não estava armado e não tinha
antecedentes criminais, usava uma bicicleta da irmã num passeio pelo bairro.
Segundo a família, tinha transtornos mentais. Não se trata apenas de crime, mas
de uma afronta aos mais básicos valores civilizatórios. Linchamentos não podem
ser tolerados numa sociedade democrática.
Como revelaram câmeras de segurança, em
apenas seis minutos sucederam-se 57 pauladas e um sem-número de socos, chutes e
golpes na cabeça. São cenas abomináveis, injustificáveis sob qualquer
circunstância. Se havia suspeita, o certo seria chamar um policial ou guarda
para verificar. A violência gratuita
e desmedida fica patente no laudo da polícia técnica, que apontou traumatismo
no crânio, hemorragia interna e lesões no baço e no rim esquerdo. Cláudio foi
levado a um hospital, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. “Ao analisar
as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos”, disse o delegado
Ângelo Lages, da 12ª DP.
Estão presos temporariamente os seguranças
David Santos Machado (acusado de espancar Cláudio), Jorge Luiz Ricardo Dias
(por atuação indireta) e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e
Ailton José da Silva. A polícia ainda procura um outro agressor. Os suspeitos
devem responder por homicídio triplamente qualificado — motivo torpe, meio
cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Infelizmente, o episódio de
Copacabana não é caso isolado. No ano passado, houve no estado 1.609
ocorrências semelhantes, 40% delas na capital.
A chaga dos linchamentos não acontece só no
Rio. Ao longo dos anos, inúmeros crimes do tipo foram registrados no país. Um
dos mais conhecidos vitimou em 2014 a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, no
Guarujá, litoral paulista. Ela foi espancada até a morte por moradores de um
bairro da periferia ao ser confundida com uma sequestradora de crianças, depois
que um retrato falado se disseminou pelas redes sociais. Pelos boatos, o
sequestro era para rituais macabros. Não passava de fake news. Fabiane deixou
duas crianças.
Polícia e guarda municipal é que têm a missão de cuidar da segurança pública, sempre respeitando as leis, e não cidadãos que se acham no direito de agredir com base em suposições ou desinformação. Não existe “justiça com as próprias mãos”. Quem faz justiça é apenas a própria Justiça. Fora dela, o que existe é milícia ilegal, que deve ser reprimida. Cidadãos que espancam e matam, sob qualquer pretexto, são tão bandidos quanto os bandidos que fingem combater. Devem ser identificados, julgados e condenados sob o rigor das mesmas leis que tanto desprezam.
Presença de militares em cargos civis deveria
acabar
Por Folha de S. Paulo
Ex-comandante da FAB relembra risco iminente
de golpe; democracia não pode depender de sensatez individual
Flávio finge ignorar que, em quase 40 anos, o
sistema de eleições livres só foi ameaçado quando seu pai fez de tudo para
ficar no poder
A Polícia
Federal conduziu investigações; o Supremo Tribunal
Federal processou o
caso à luz do Estado de Direito; o próprio Jair
Bolsonaro (PL) admitiu, a seu modo,
ter participado de articulações para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da
Silva (PT).
Ainda assim, há quem insista em negar a tentativa de golpe após a eleição de
2022.
Muito pior, às vésperas de mais uma disputa
presidencial no Brasil, há quem repita as mesmas suspeitas infundadas quanto à
lisura do pleito, como se a vitória de Lula representasse, por si só, prova
incontestável de manipulação das urnas eletrônicas.
Foi o que sinalizou o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) em março, meses antes de oficializar a
candidatura à Presidência: "Se o nosso povo puder se expressar livremente
nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, nós
venceremos".
O herdeiro político de Jair finge ignorar que
o Brasil soma quase 40 anos seguidos de eleições diretas,
livres e justas. Nesse período, nossa democracia esteve sob ameaça uma única
vez: justamente quando Bolsonaro fez de tudo para se manter no poder.
Conforme concluiu a Polícia Federal em
inquérito sobre a trama golpista, o ex-presidente só não atingiu seu objetivo
"em razão de circunstâncias alheias à sua vontade". A saber, o vigor
das instituições e a resistência de parte relevante das Forças
Armadas.
Dois militares, em particular, se destacaram
na contenção do pendor antidemocrático de Bolsonaro: o general Marco Antônio
Freire Gomes, então comandante do Exército, e o brigadeiro Carlos Baptista
Junior, à época comandante da Força Aérea Brasileira.
Ambos se deram conta de que o tempo das
quarteladas ficou para trás. O Brasil que viveu sob tutela das Forças Armadas
já não existe mais; a sociedade se modernizou, e a parcela da população que
aceita o conluio com os fardados é, felizmente, minoritária.
A despeito disso, houve risco iminente de
golpe, como relembra o
ex-comandante da FAB em entrevista à Folha. De acordo com ele,
"as pressões foram muito grandes em cima de todos os comandantes
militares".
De forma clara, o brigadeiro diz: "Foram
diversas e cansativas reuniões tentando estudar uma maneira de um estado de
exceção para não dar posse ao presidente eleito, sem que estivessem presentes
os pressupostos básicos, seja para uma GLO [Garantia da Lei e da Ordem], para o
estado de defesa, para o estado de sítio".
Daí a importância de a Justiça ter
determinado punições para os envolvidos, incluindo militares da mais alta
patente. Mas é forçoso reconhecer que, até por lógica, as sanções não teriam
lugar em caso de sucesso dos golpistas.
O Brasil não pode depender da sensatez de
fardados como Freire Gomes e Baptista Junior. É crucial adotar soluções
institucionais, como uma lei para impedir
que militares da ativa assumam cargos civis. Tal medida evitaria,
por exemplo, a ampla contaminação que existiu sob Bolsonaro.
Civis encurralados entre a guerra e o ebola
Por Folha de S. Paulo
Conflitos armados minam acesso à informação e
à ajuda humanitária na República Democrática do Congo
Campanhas oficiais sobre a doença não
alcançam comunidades controladas por milícias, enquanto instalações e equipes
médicas sofrem ataques
Conflitos armados entre o Exército e milícias
rebeldes há anos transformaram o leste e o nordeste da República
Democrática do Congo num pesadelo humanitário. Agora, civis
presos na linha de fogo tornaram-se alvo da mais
grave epidemia de ebola do país —e a segunda mais devastadora
do mundo.
Desde o fim das guerras congolesas, em 2003,
a paz nunca se estabeleceu no leste do país, onde há mineração predatória e, não
à toa, forte atuação de milícias.
Tal cenário gera fluxo intenso de pessoas e
mercadorias e restrições de mobilidade por falta de segurança, o que contribui
para a propagação do vírus e dificulta o acesso à saúde.
Foi nessa região que se originou o atual surto da doença, assim como o de 2019.
Na segunda (17), a Organização das Nações
Unidas (ONU)
alertou sobre a rapidez do contágio desta que é a 17ª epidemia do vírus no
país; estima-se a
morte de uma pessoa a cada 30 minutos.
Até então, havia 4.945 casos e 2.325 óbitos
aferidos desde 15 de maio, quando o governo do presidente Félix Tshisekedi
declarou emergência com notável atraso.
A Organização Mundial da Saúde antevê o
controle da contaminação em três meses. Mas ressalva que isso está longe de
significar o fim da crise sanitária causada pelo vírus Bundibugyo, para o qual
não há vacina.
A
recomendação da entidade para a vacina Ervebo, contra outro tipo de
vírus, revela a gravidade da situação —a rigor, seria um teste com a população
local.
O conflito é o principal obstáculo à OMS e a
iniciativas do governo e de órgãos humanitários. Desde seu reinício, em 2022, a
guerra agravou uma crise que gerou o deslocamento doméstico de 7 milhões de
pessoas e levou 1 milhão ao exterior.
Os confrontos envolvem o grupo Movimento 23
de Março (M23) e outras milícias que, segundo o governo, seriam financiados por
Ruanda. O interesse da nação vizinha em jazidas de minerais, conforme tal
versão, evidencia-se na presença de tropas ruandesas dentro do território congolês.
Os rebeldes instalam governos locais,
atualmente inertes diante da epidemia. Campanhas oficiais sobre contaminação e
prevenção não alcançam as comunidades, enquanto instalações e equipes médicas
são alvos de ataques.
O aeroporto de Goma, acesso de ajuda
humanitária, foi fechado pelo M23 em janeiro de 2025. A atuação há 16 anos da
Monusco, missão da ONU atualmente sob comando de um general brasileiro, não tem
sido suficiente para proteger os civis, também expostos a outras doenças e
à fome.
A tragédia na RDC, um dos cinco países mais
pobres do mundo, afeta ainda o seu projeto de desenvolvimento a partir da
exploração e do beneficiamento local de cobalto, cobre e coltan.
Os EUA insistem em uma negociação de paz, focados no seu acesso às jazidas; a China mobiliza equipes médicas ao país para preservar os investimentos já realizados. É o que move as duas potências mundiais.
A dor e a delícia de ser Lula da Silva
Por O Estado de S. Paulo
Advogado de Lulinha diz que, se seu cliente
não fosse filho de Lula, o caso já teria sido arquivado. Pode ser. Mas Lulinha
não seria um sucesso nos negócios se não fosse filho de quem é
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que
defende Fábio Luís Lula da Silva, vulgo Lulinha, disse em entrevista à
GloboNews que os três inquéritos que tramitam contra seu cliente no Supremo
Tribunal Federal (STF), por suposto tráfico de influência, seriam arquivados se
o empresário não fosse filho do presidente da República. “Ele (Lulinha) carrega o peso de um
sobrenome”, resmungou o defensor.
Pode ser que o causídico tenha razão. É
provável que um cidadão qualquer, sem parentesco com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, jamais tivesse chamado a atenção da Polícia Federal (PF) por,
supostamente, negociar contratos com a administração pública federal –
sobretudo considerando que os negócios, até onde se sabe, nem sequer se
concretizaram. Mas o contrário também é verdadeiro: o sobrenome que agora joga
os holofotes sobre Fábio Luís é exatamente o mesmo que catapultou Lulinha da
irrelevância para uma bem-sucedida carreira empresarial. Mais bem dito: Fábio
Luís só é quem é na vida nacional – e só enriqueceu – por ser o primogênito de
Lula.
Formado em Biologia, Lulinha começou a vida
profissional como monitor do Zoológico de São Paulo. Sua trajetória no mundo
dos negócios começou – e prosperou de forma espetacular – durante o primeiro
mandato presidencial do pai. Em 2004, um ano após a posse de Lula, Lulinha,
então aos 29 anos, criou a empresa de produção de programas dedicados a jogos
eletrônicos que viria a se chamar Gamecorp. No início de 2005, a empresa, cujo
capital inicial era de singelos R$ 10 mil, recebeu um aporte de R$ 5 milhões
(cerca de R$ 17 milhões em dinheiro de hoje) da Telemar, depois Oi – uma das
empresas tratadas como “campeãs nacionais” pelos governos petistas.
Questionado à época sobre o sucesso repentino
de Lulinha, o presidente saiu-se com esta: “Que culpa tenho eu se meu filho é o
‘Ronaldinho’ dos negócios?”. Não se tem notícia de outro caso semelhante, donde
se conclui que, ou Lulinha é realmente um craque da multiplicação do capital,
ou, por ser filho de quem é, recebeu uma dinheirama de uma grande empresa de
telecomunicações agraciada com vultosos e camaradas financiamentos do BNDES
para expandir seus negócios a partir de 2006.
Aqui não nos interessa perscrutar o mérito
dos inquéritos que ora pesam sobre Lulinha, que, ao fim e ao cabo, poderão ou
não ensejar a apresentação de denúncia contra ele. Entretanto, se é verdade que
Lulinha nunca foi condenado por nenhuma das suspeitas que o rondam há duas
décadas, não se pode ignorar que seu sobrenome jamais deixou de abrir portas em
todo esse tempo e, principalmente, atrair lobistas. Ser Lula da Silva, por
óbvio, garante acesso irrestrito ao presidente da República, marca audiências com
autoridades de diferentes escalões e, no limite, pode gerar bons negócios. Não
é preciso provar crime algum para reconhecer esse fato. E quem se beneficia de
seu laço de sangue com o presidente da República não pode, quando o sobrenome
lhe é inconveniente, exigir tratamento de cidadão comum. O advogado de Lulinha,
ao pugnar por isso, tratou-nos a todos como idiotas.
Dificilmente uma amizade como a que há entre
Lulinha e a tal lobista Roberta Luchsinger, outra investigada naqueles
inquéritos que tramitam no STF, despertaria tanto interesse da PF se não
envolvesse um dos filhos de Lula, alguém com trânsito reconhecidamente livre em
Brasília. A amizade que hoje os une como investigados até pouco tempo atrás os
unia como sócios, impondo uma singela pergunta: a sra. Luchsinger teria se
aproximado de Fábio Luís não fosse ele o Lulinha?
Nenhum democrata pode defender que Fábio Luís
seja investigado, julgado ou eventualmente punido com mais rigor do que outro
cidadão na mesma situação apenas por ser quem é. Sob esse prisma, Lula está
correto ao dizer que, “se meu filho tiver culpa, ele pagará”. O problema é
tentar fazer o Brasil acreditar que Lulinha é mera vítima de um sobrenome, como
tentou seu advogado. Não se pode desfrutar da delícia de ser Lula da Silva e tentar
dissipar a dor de sê-lo quando convém. Aí a vida é fácil.
A explosiva dívida global
Por O Estado de S. Paulo
Investidores cobram cada vez mais caro para
financiar a dívida de países desenvolvidos, que têm ampliado seus gastos. Esse
movimento pode prejudicar o Brasil
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott
Bessent, anunciou que o valor para recompra de títulos americanos de 10 e 30
anos dobrará de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões por operação entre 9 de
setembro e 4 de novembro – as eleições legislativas no país, que podem
complicar a vida do presidente Donald Trump no Congresso, ocorrem em 3 de
novembro, um dia antes do fim do prazo.
Trata-se de uma tentativa de diminuir a
pressão sobre os yields (rendimentos)
dos T-bonds, como são
chamados os títulos de longo prazo da dívida do país, que nas últimas semanas
atingiram os níveis mais altos em quase duas décadas.
Yields elevados têm influência direta sobre os
juros do financiamento imobiliário nos EUA, ou seja, atingem a classe média
eleitora cada vez mais insatisfeita com ações de Trump, como o tarifaço e a
ofensiva no Irã, que aumentam sensivelmente o custo de vida do americano médio.
Em um primeiro momento, o anúncio feito por
Bessent foi o suficiente para que o rendimento do T-bond com vencimento em 30
anos abandonasse o patamar de 5,3%, o maior desde 2007. Mas o alívio durou
pouco, e Bessent já cogita ampliar ainda mais o montante da recompra.
Recorde-se ainda que, semanas antes, Bessent
atuou diretamente com autoridades japonesas para fortalecer o iene, ação
entendida como uma manobra para impedir que o Japão, grande detentor de títulos
da dívida dos EUA, despejasse T-bonds no
mercado, pressionando os yields.
No longo prazo, porém, a capacidade das ações
de Bessent para sanear a dívida dos EUA é bastante questionada. Os efeitos da
intervenção conjunta com o Japão sobre o iene, por exemplo, já se dissiparam –
e a moeda japonesa voltou a se desvalorizar.
Já a efetividade do programa ampliado de recompra
de títulos teria fôlego igualmente curto e consequências potencialmente
perigosas sobre o câmbio.
“Os efeitos desta reengenharia financeira são
de curto prazo, a menos que acompanhada de ajustes em fundamentos”, escreveu no
X o economista Mohamed el-Erian, para quem a ação do Tesouro sob o comando de
Bessent está longe de ser um “almoço grátis”.
Em relatório, a consultoria Eurasia, por sua
vez, afirmou que o Tesouro terá dificuldade para segurar os yields, uma vez que não existe
apetite por consolidação fiscal no Congresso dos EUA.
Além disso, a menos que o novo presidente do
Federal Reserve (o banco central dos EUA), Kevin Warsh, sucumba à pressão de
Trump e corte os juros na marra, o que é sempre uma possibilidade, a tendência
natural é de que a política monetária torne-se mais restritiva nos EUA em
cenário de inflação persistentemente alta.
A verdade é que a razão para a escalada
dos yields é
estrutural. A dívida dos EUA acaba de superar a astronômica cifra de US$ 40
trilhões. E apesar de o déficit fiscal americano ser de aproximadamente 6% do
PIB, não há por parte da gestão Trump nem do atual Legislativo nenhum interesse
em melhorar a delicada situação fiscal do país.
Trump não inaugurou o apego americano à
emissão de dívida, que vem de décadas. Mas medidas simbólicas de sua segunda
gestão, como a aprovação, no ano passado, do pacote de aumento de gastos e
corte de impostos chamado de One Big Beautiful Bill (um grande e belo projeto),
agravam o déficit fiscal do país e a disposição dos investidores para
financiá-lo.
Como se não bastasse, em meio a tudo isso, o
forte aumento da dívida corporativa associada a investimentos em inteligência
artificial disputa com os T-bonds a preferência do investidor.
Em outras nações ricas, questões como o
envelhecimento da população e a necessidade de ampliar gastos com defesa também
têm resultado em aumento das dívidas e dos yields. Outrora famosa por sua “austeridade”, a
Alemanha é exemplo disso.
Tudo isso só reforça a necessidade de que o
Brasil, país com dívida pública extremamente elevada para o seu nível de
desenvolvimento, torne-se fiscalmente responsável o quanto antes.
Quanto mais os países desenvolvidos pagarem
para rolar suas dívidas monumentais, maior o risco de que os ativos de nações
como o Brasil passem a sofrer rejeição dos investidores globais.
A tortuosa linha do Metrô
Por O Estado de S. Paulo
Metrô alega economia para reduzir de cinco
para duas as estações previstas para a Faria Lima
Em nome de uma economia praticamente
irrelevante, o Metrô de São Paulo vai construir apenas duas das cinco estações
inicialmente previstas na Linha 20-Rosa para a Avenida Brigadeiro Faria Lima,
privando de transporte metroviário uma das regiões da cidade com maior
circulação de pessoas. Por outro lado, os bairros da Vila Madalena e de
Pinheiros, já bem servidos de Metrô, ganharão mais estações, como a Girassol e
a Cardeal Arcoverde. Tal planejamento não parece fazer nenhum sentido, salvo se
considerarmos os ganhos para o setor imobiliário, que certamente se beneficiará
do potencial construtivo nesses eixos de transporte.
Diante dos números, é difícil encontrar
justificativa para essa decisão. Segundo o Metrô, a redução do número de
estações na Faria Lima, além de encurtar o tempo de execução da obra, reduzirá
o custo total de R$ 26,1 bilhões para R$ 24,9 bilhões – e o número de
passageiros por dia útil cairá de 1,291 milhão para 1,266 milhão. Na prática, o
gasto por usuário na versão maior da obra seria de R$ 20.220, enquanto no
traçado final ficou em R$ 19.660, uma economia de 3% per capita ou de 4,5% no
custo total.
Na remotíssima hipótese de que as obras não
tenham de receber aditivos vultosos, como costuma acontecer, e de que não haja
os já proverbiais atrasos no cronograma de entrega, a economia anunciada é
muito pequena diante do prejuízo evidente para a cidade com a supressão das
Estações Pedroso de Morais, Faria Lima e Rebouças.
Na Faria Lima, haverá um deserto de metrô: o
usuário embarcará na Estação Fradique Coutinho, em Pinheiros, e cruzará os
Jardins até descer na Estação Tabapuã, no Itaim Bibi, 2,5 quilômetros depois.
Associações dos bairros afetados pelo trajeto
escolhido pelo Metrô, lideradas pela AME Jardins, contestaram a decisão.
Segundo a AME, o percurso afetará o perímetro tombado do bairro: haverá
canteiros de obra e poços de ventilação na região do Jardim Europa.
As entidades contrataram a consultoria do
ex-presidente do Metrô Sergio Avelleda para realizar um estudo técnico sobre o
traçado adequado para a Linha 20-Rosa. E o percurso recomendado é o da Faria
Lima, onde há maior concentração de postos de trabalho e fluxo de usuários.
As associações de moradores foram para a
briga, acionando o Ministério Público de São Paulo (MPSP), que já pediu
esclarecimentos do Metrô. A estatal empilha argumentos para justificar a sua
decisão, como a baldeação com a Linha 4-Amarela e a futura Linha 22-Marrom, a
realização de estudos de impacto ambiental, a demanda de passageiros, a
viabilidade construtiva e os riscos geológicos e de engenharia.
Mas tanta contestação deveria indicar à companhia que o diálogo precisa ser retomado, e o interesse público, priorizado. Pois, se tudo ficar como está, a linha que vai ligar a zona oeste ao ABC paulista e tinha tudo para ficar conhecida como “o metrô da Faria Lima” deixará de atravessar a avenida de ponta a ponta, como ocorre com a Linha 2-Verde na Avenida Paulista. Eis uma grande oportunidade perdida.
Mais diversidade de gênero e étnica nos
tribunais
Por Correio Braziliense
O Judiciário brasileiro não precisa
reproduzir matematicamente a sociedade, porém, não pode permanecer como uma
ilha social, muito mais masculina e branca do que o país sobre o qual exerce
sua autoridade
O discurso da ministra Cármen Lúcia no 1º
Encontro de Juízas no Supremo Tribunal Federal (STF), realizado nesta
quinta-feira, recolocou em evidência uma contradição do Judiciário brasileiro:
embora seja responsável por assegurar constitucionalmente a igualdade, sua
própria composição está longe de refletir a diversidade da sociedade. A
ministra criticou o machismo nas instituições e a distância entre a igualdade
proclamada e a igualdade praticada. "No verbo, todo mundo é a favor da
igualdade", ironizou.
Os números lhe dão razão. Segundo o Censo de
2022, as mulheres representam 51,5% da população brasileira — 104,5 milhões de
pessoas —, enquanto os homens são 48,5%. Pretos e pardos, por sua vez,
correspondem a 55,5% dos brasileiros. Ou seja, o Brasil é majoritariamente
feminino e negro. Portas das varas e principalmente dos tribunais adentro,
porém, há, outra composição social.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
mostram que a distância é grande. Em fevereiro de 2025, havia 18.911
magistrados no país. Os homens representavam 59,5% desse contingente, e apenas
13,2% dos juízes e juízas eram negros. Havia somente 38 magistrados declarados
indígenas. É um retrato muito diferente daquele revelado pelo IBGE nas ruas,
escolas, locais de trabalho e transportes públicos brasileiros. (CNJ)
A desigualdade se acentua à medida que sobe a
hierarquia. O Justiça em Números já havia mostrado que as mulheres eram 39%
entre juízes, mas somente 23,9% entre desembargadores e 18,8% entre ministros.
Na questão racial, a situação é semelhante: na Justiça Estadual, por exemplo,
negros eram 14% dos magistrados de primeiro grau, mas somente 8,7% no segundo
grau. Na Justiça Federal, os percentuais eram, respectivamente, 11,8% e 9,3%.
(CNJ)
O próprio Supremo Tribunal Federal (STF) é a
expressão máxima desse desequilíbrio. Cármen Lúcia é hoje a única mulher entre
seus 11 integrantes. Desde a criação da Corte, apenas mais duas mulheres
chegaram ao STF: Ellen Gracie e Rosa Weber. Nunca houve uma ministra negra
entre seus pares.
Não se resume a uma fotografia estatística
nem que cada tribunal reproduza mecanicamente as proporções do Censo.
Magistrados devem ser selecionados pela qualificação, pelo conhecimento
jurídico e pelas regras constitucionais da carreira. Entretanto, quando
determinados grupos permanecem sistematicamente sub-representados,
principalmente nos postos superiores, é legítimo perguntar se não existe
desigualdade de oportunidades para chegar à magistratura.
É exatamente esse o ponto levantado por
Cármen Lúcia. Usou uma expressão particularmente forte ao lembrar que as
mulheres não participam do "clube do charuto", metáfora para os
espaços informais onde relações pessoais historicamente influenciaram escolhas
e carreiras. Os números reforçam seu argumento. Levantamento da organização
Justa sobre 25 tribunais estaduais mostrou que, entre 2024 e 2025, magistradas
receberam menos do que magistrados em 86% das cortes analisadas. As mulheres
representavam apenas 32% da magistratura estadual.
O CNJ até que procura corrigir gradualmente
essas distorções. A Resolução 525, de 2023, estabeleceu mecanismos para ampliar
o acesso das mulheres aos tribunais de segundo grau quando a presença feminina
estiver abaixo de 40%. Outra norma, a Resolução 540, determinou a busca de
participação equilibrada de homens e mulheres em funções administrativas,
cargos de chefia, comissões e outras atividades, incorporando também critérios
de raça e etnia.
No campo racial, também houve avanços, como
as cotas nos concursos da magistratura e a adoção do Protocolo para Julgamento
com Perspectiva Racial. O Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero
procura levar magistrados a considerar desigualdades estruturais que podem
interferir concretamente nos conflitos submetidos à Justiça.
Não se trata de substituir a imparcialidade
pela identidade do julgador. Uma mulher não necessariamente julgará uma mulher
de determinada maneira, assim como um magistrado negro não representa
juridicamente os negros que chegam aos tribunais. Juiz não é representante de
grupo social. Sua obrigação é aplicar a Constituição. O Judiciário brasileiro
não precisa reproduzir matematicamente a sociedade, porém, não pode permanecer
como uma ilha social, muito mais masculina e branca do que o país sobre o qual
exerce sua autoridade.

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