quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Doar para partidos deve ser direito, não obrigação - José Nêumanne

Embora o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki tenha pedido vista do processo - o que empurrou para 2014 o julgamento do pleito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para proibir doações de pessoas jurídicas a campainhas de políticos e partidos "quatro ministros anunciaram previamente que votarão a favor. Já deixaram claro que concordam com o relator, Luiz Fux, o presidente, Joaquim Barbosa, e seus colegas Dias Toffoli e Luís Roberto Barroso. Faltam dois votos para que a decisão seja tomada, apesar da reação indignada das cúpulas e da maioria nas Casas do Congresso, que se posicionam radicalmente contra a proibição.

A quem interessa manter a doação legal de empresas a candidatos em campanha para ocupar mandatos populares? De acordo com levantamentos feitos sobre o tema, atualmente 97% das doações legais para partidos têm sido feitas por empresas. O objetivo do pedido da OAB é combater a corrupção, que, como é de conhecimento notório e geral, é uma das pragas a serem combatidas sempre e em todos os aspectos para que a política e a gestão do Estado sejam minimamente decentes no Brasil. É certo que a mera proibição da modalidade não porá fim às práticas ilícitas e imorais na vida e na administração públicas no País. Mas também não há dúvida de que pessoas jurídicas não têm direito a voto e tampouco conseguirão dar uma razão clara e objetiva para financiar o objetivo de um candidato ou de um partido de ascender ao poder.

Qualquer que seja o motivo alegado, sempre resvalará por um terreno escuso.

A proibição de doações empresariais no exercício da disputa pelo poder político terá como conseqüência inexorável o barateamento das cada vez mais proibitivas campanhas, feitas a peso de muito dinheiro e pouco pudor. A democracia deve atender primordialmente ao interesse do cidadão e este não será prejudicado se a medida for adotada. Os políticos, sim, terão de gastar menos e só por isso esperneiam.

O eleitor comum poderá beneficiar-se da proibição se o STF a adotar e, assim, mostrar que seguirá pela trilha que tomou ao condenar os maiorais dos partidos da aliança governista federal no julgamento do escândalo do mensalão. O que ocorreu desde o ano passado, quando a denúncia da Procuradoria-Geral da República foi aceita pela maioria dos ministros da mais alta Corte da Justiça nacional, foi histórico porque a condenação dos réus que ocuparam postos importantes no governo federal e dé direção nos partidos que estão no poder reiterou a igualdade de todos os cidadãos perante a lei. Não foram julgadas nobres biografias políticas, mas criminosas práticas financeiras.

No fundo, o que esteve de fato em debate nas sessões do julgamento foi o privilégio reivindicado pela casta dirigente do Estado brasileiro de ter licença para delinquir, negada ao cidadão comum. Para a massa dos sem mandato, ter contabilidade paralela, ou seja, caixa 2 - amealhar recursos sem origem limpa, não prestar contas ao Fisco e transgredir as regras do uso de capital é crime grave. Eliane Tranchesi, da fina-flor da sociedade paulistana, acusada desse tipo de delito, foi processada, julgada e presa sem que nenhum representante do povo tenha encontrado uma só atenuante para defender alguma espécie de liberalidade que a livrasse de dura pena.

Isso ocorre em qualquer democracia ou sistema financeiro no mundo. Foi o caso do gângster Al Capone, que ficou livre, leve e solto durante grande parte de sua vida em Chicago, nos Estados Unidos, até ser apanhado num delito fiscal. Foi um deslize de contabilidade em seu Imposto de Renda que levou o facínora, mandante de muitos massacres, a viver seus últimos anos na cadeia. As mãos do chefão não foram algemadas pelo sangue derramado por seus asseclas, mas pela sujeira que juntaram lavando dinheiro do crime.

A impunidade ampla, geral e irrestrita, que resulta da cultura do favor e é estimulada pela corrupção generalizada que entorpece o aparelho policial e os trâmites judiciais, beneficiada pela complacência de legisladores e governantes, permitiu que os políticos profissionais tratassem o caixa 2 como lanas caprinas. Basta lembrar que o mais popular e habilidoso deles em todos os tempos em nosso país, Luiz Inácio Lula da Silva, do alto de sua condição de magistrado-mor e profeta, decretou que seu Partido dos Trabalhadores (PT) tinha, sim, direito de dispor de um caixa 2 para financiar campanhas. Se todos os partidos faziam isso, por que ao dele não se permitia? A pergunta, que, de certa forma, pretende justificar tudo para poucos, está no cerne da questão do financiamento das campanhas. O Judiciário tem autoridade para restaurar a lógica ao proibir doações empresariais, mas tem de ser ágil, certeiro e impiedoso para pôr fim à prática indecente do caixa 2 somente pelos partidos.

E isso certamente se fará com a adoção de tolerância zero em relação à doação por baixo dos panos das empresas e aos propinodutos que prosperam à sombra da leniência com o caixa 2 dos políticos. Nunca com o financiamento público exclusivo, como pretende o PT, que luta pela falsa solução pelos mesmos motivos que os outros políticos, seus aliados e adversários, escondem ao reagirem de forma virulenta contra quaisquer medidas que sangrem as galinhas de ovos de ouro das campanhas eleitorais.

Todo cidadão tem o direito de doar dinheiro ganho honestamente e contabilizado legalmente a igreja, clube ou partido político. Neste caso, para evitar que haja o tão reclamado abuso do poder econômico até com a substituição do caixa de empresas por saldos bancários pessoais, convém fixar um limite justo, com base no salário mínimo. Mas nenhum cidadão deve ter a obrigação de doar para algum partido, igreja ou clube - e é isso que aconteceria se o financiamento público obrigatório fosse adotado.

*Jornalista, poeta e escritor

Fonte: O Estado de S. Paulo

A síndrome de Virgínia Lane - Elio Gaspari

As Comissões da Verdade flertam perigosamente com a síndrome de Virgínia Lane. -João Goulart foi envenenado e Juscelino Kubitschek morreu num acidente provocado por um atirador de elite. Daqui a pouco aparecerá alguém sustentando que Carlos Lacerda também foi assassinado pela ditadura. Os três morreram entre agosto de 1976 e maio de 1977. Para quem gosta de romance policial, há aí um prato cheio.

Vive no Rio Grande do Sul, em liberdade condicional, o ex-agente dos serviços de segurança uruguaios Mário Neira Barreiro. Foi condenado por roubo e posse ilegal de armas pela Justiça brasileira e o governo de seu país pede sua extradição, por outros crimes. É dele a formulação implausível de que em 1976 saiu da Presidência da República a ordem para matar João Goulart. Nessa versão, trocaram-se os comprimidos da caixa de remédios de Jango. Cardiopata, ele já tivera dois enfartes e morreu na sua fazenda argentina, ao lado da mulher. Os restos mortais do presidente estão sendo examinados por uma equipe de legistas. Será deles a última palavra. Uma coisa é certa: Neira Barreiro é um delinquente.

Noutra denúncia, Juscelino Kubitschek teria morrido porque seu motorista foi baleado com um tiro na cabeça enquanto dirigia na Via Dutra. Atravessou a pista e chocou-se com uma carreta. Cena de filme. A advogada Maria de Lourdes Ribeiro, filha do motorista, disse ao repórter Pedro Venceslau: "Foi um acidente. Essa tese do tiro é muito primária para mim, que sou advogada."

Existe hoje no Brasil mais de uma dezena de Comissões da Verdade. Há a federal, as estaduais, as municipais e as autárquicas. Enquanto os comandantes militares não reconhecerem que se praticaram torturas nas suas masmorras, essas comissões podem fazer bem. Por exemplo: como sumiram dezenas de guerrilheiros que estavam no Araguaia? (Foram assassinados, mesmo quando se entregaram.)

Numa revelação espetacular, saiu da Comissão Nacional da Verdade a prova de que o deputado Rubens Paiva estivera no DOI do I Exército em janeiro de 1971, quando desapareceu. A versão oficial da época, desmascarada em 1978 pelos repórteres Fritz Utzeri e Heraldo Dias, dava conta de que Paiva fora resgatado por militantes de esquerda quando era transportado no banco de trás de Volkswagen, escoltado por um capitão e dois soldados da Polícia do Exército. (Paiva era um homem corpulento.) Provou-se assim que um preso, dado como fugitivo, preso estivera.

Noutro lance, o ex-policial João Lucena Leal disse em maio à Comissão Nacional da Verdade que existiu um plano para sequestrar João Goulart e Leonel Brizola. Em novembro contou ao repórter Lucas Ferraz que mentira no caso de Jango.

Estão vivos oficiais que sabem como foram assassinados os guerrilheiros do Araguaia e como o cadáver de Paiva foi retirado do DOI. Tão importante quanto conhecer os detalhes de cada crime, é a busca dos mecanismos de poder e de persuasão que transformaram ofíci-ais do Exército em assassinos, no cumprimento de ordens de generais, ministros e presidentes.

E Virgínia Lane? Ela tinha o título de A Vedete do Brasil e pernas inesquecíveis para o gosto da época. Nonagenária, revelou como morreu Getúlio Vargas: "Eu estava na cama com ele quando mataram ele." Está no YouTube. É um regalo.

Elio Gaspari é jornalista

Fonte: O Globo

Política - Cláudio Humberto

Snowden e o emprego
O ex-analista da NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos) Edward Snowden já tem emprego garantido no Brasil, caso lhe concedam asilo político que ele pretende. Helder Gaudêncio, da Levertech, empresa que acaba de assinar contrato com a sueca Clavister para desenvolvimento de tecnologia à prova de espionagem eletrônica, diz que está disposto a contratar o americano "de imediato". "O rapaz é competente e qualquer empresa do setor gostaria de tê-lo em seus quadros", disse Gaudêncio, referindo-se a Edward Snowden. Snowden achava que seu gesto de denunciar a espionagem contra a presidente Dilma, Petrobras e etc seria reconhecido pelo governo Brasil. Assim que a espionagem foi revelada, o ex-chanceler Antônio Patriota descartou o asilo a Snowden. A posição do governo não deve mudar. Snowden não deve ir a lugar nenhum: vigiado pelo Kremlin, não pode sair da Rússia sem passaporte e Dilma talvez fature os caças dos EUA.

Força avisa: Dilma será vaiada
Dirigentes da Força Sindical aconselharam o ex-presidente Lula a fazer campanha pessoalmente nos movimentos sindicais, em lugar de Dilma, que corre o risco de ser vaiada e até perder votos entre sindicalistas. Em encontro no Instituto Lula na última segunda (16), o presidente em exercício Miguel Torres e os secretários Sérgio Leite e João Gonçalves, o Juruna, reclamaram da dificuldade de interlocução com o governo.

Sem interlocutor
Para a Força Sindical, além da falta de espaço na agenda da presidente Dilma, o Ministério do Trabalho foi esvaziado e Gilberto Carvalho, desautorizado.

Culpa do Giles
A fim de minimizar a falta de interlocução com a sucessora, o ex-presidente Lula jogou a culpa no chefe de gabinete, Giles de Azevedo, que cuida da agenda.

Pergunta
Dirceu, Delúbio e Marcos Valério já providenciaram TV para receber o futuro hóspede João Paulo Cunha, que não pode viver sem a NET?

Juntos
Foi notada, ontem, a presença do deputado Júlio Delgado (MG) - fiel escudeiro de Eduardo Campos (PSB) - no evento onde Aécio Neves (PSDB-MG) anunciou diretrizes de seu programa de governo.

Pulga na orelha
A decisão de Sérgio Cabral (PMDB) de permanecer no governo até o março aumentou a certeza de que Dilma não o quer no ministério e que ele poderá rifar a emperrada candidatura do vice Luiz Pezão, em 2014.

Votos
Preocupado com os eleitores no Rio, o deputado Romário (PSB) pisa em ovos, no tapetão do STJD. Criticou a vítima, a paulista Portuguesa, e ironizou a celeuma: "Quando se aplica a lei, dá essa m...".

Dilmaricha
A bancada do PMDB-PR garantiu ao vice Michel Temer que votará na convenção do partido a favor da aliança com a presidente Dilma, mas quer autonomia para apoiar o tucano Beto Richa ao governo em 2014.

Luz na popa
O MinC aprovou R$ 672 de isenção de impostos através da Lei Rouanet a futuros patrocinadores do filme "Cu de Boi".

Frase
"O País do desenvolvimento hoje está no final da fila"
Aécio Neves (PSDB), pré-candidato a presidente, definindo as linhas do seu programa

Era o que faltava
O presidente do Solidariedade, Paulo Pereira (SP), soltou os cachorros ontem no presidenciável tucano Aécio Neves (MG), que havia excluído a pauta trabalhista da cartilha com as diretrizes para eleições de 2014.

Veto mineiro
Deputados do PMDB avisaram a cúpula que não aceitam a indicação de Silas Brasileiro (MG) para substituir o deputado Antônio Andrade no Ministério Agricultura. A bancada exige outro deputado no cargo.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Brasília-DF - Denise Rothenburg

O trator
Três promessas não cumpridas pela presidente Dilma Rousseff ameaçavam a aprovação do orçamento da União dentro do prazo estipulado pelo vice-presidente Renan Calheiros. Primeiro, o governo não vai liberar as emendas de bancada. Em segundo lugar, não dará mais recursos para atender aos integrantes da Comissão Mista de Orçamento (CMO). Para completar, graças aos acordos que não foram honrados no passado, ninguém confia que o governo fará o orçamento impositivo.
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Diante de tanto entrave, o presidente da CMO, senador Lobão Filho (PMDB-MA), combinou o seguinte: "se não votarem, farei a remessa ao plenário do Congresso por ofício. Como presidente, tenho essa prerrogativa. Daí pra frente, não é mais problema meu", promete. E ele fará mesmo. Na semana passada, Lobão Filho votou todos os relatórios setoriais em 30 minutos. A média da comissão é de 10 horas.

Jango, a prova
A família do ex-presidente João Goulart acredita ter em mãos documentos que comprovam o envolvimento dos regimes ditatoriais do Brasil e da Argentina no assassinato de Jango. Os papéis serão entregues sexta-feira à Comissão da Verdade. São relatórios da Operação Condor e trocas de correspondência entre o Exército Brasileiro e o argentino. Está o maior suspense entre os que tiveram acesso a informação.

Serra, a decisão
Engana-se quem pensa que o anúncio de que José Serra não pleiteará a vaga de candidato a presidente pelo PSDB tenha tirado São Paulo da chapa tucana ao Planalto. O nome mais forte para vice continua sendo o do senador Aloysio Nunes Ferreira e só mudará se o DEM quiser a vaga e apresentar alguém que tenha mais votos numa chapa.

Carreira solo
O PV fará do ex-secretário de Meio Ambiente de São Paulo Eduardo Jorge candidato a presidente da República. O partido se convenceu de que é o melhor caminho para garantir um segundo turno na sucessão presidencial.

Parceria remota
Depois do ato do último fim de semana em Belo Horizonte, o PMDB de Minas Gerais fecha o ano distante do PT e rumando para a candidatura própria ao governo estadual.

Menos um
Está explicado por que a presidente Dilma Rousseff e Lula deram tanta atenção ao PP, presidido pelo senador Ciro Nogueira (PI). É que, feitas as contas, os petistas descobriram que podem perder mais aliados na sucessão presidencial. Agora, é o PDT que ensaia seguir a trilha aberta pelo PSB e buscar novos rumos para a sucessão presidencial em 2014.

O "cara" I/ Depois dos 12 pontos, só em março é que o PSDB fará uma nova grande reunião com seu pré-candidato a presidente e, desta vez, terá a presença de todo o alto comando. Ontem, os paulistas não compareceram para evitar dividir atenções e deixar Aécio como dono absoluto da festa.

O "cara" II/ Na reunião fechada da executiva tucana, a ex-deputada Rita Camata, do Espírito Santo, foi direta: "Se solta! Depois da mensagem do Serra, você tem que deixar de timidez e mostrar que é o cara!"

Ministros em suspense/ Quem tiver a curiosidade de conversar com os ministros sobre reforma ministerial, perceberá que a maioria está torcendo para que a presidente adie tudo para março. Inclusive aqueles que têm dito que querem sair.

Hierarquia/ Os deputados do PMDB só se referem a Lúcio Vieira Lima, como "cardeal" da bancada. Ele é hoje um dos mais próximos do atual líder, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Fonte: Correio Braziliense

Panorama Político - Ilimar Franco

O esquecimento
O maior líder da Força Sindical e presidente do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), não gostou do documento com as 12 prioridades do PSDB para a sucessão presidencial. Pouco antes do seu anúncio, Paulinho leu o texto e reclamou para Aécio Neves: "O documento não trata do mundo do trabalho." O tema foi incluído às pressas para rechear o discurso do candidato tucano.

As estocadas
A presidente Dilma e o governador Eduardo Campos (PE) trocaram dardos ontem. O cerimonial da presidente Dilma, candidata à reeleição, não previu dar a palavra para o governador na visita à Refinaria Abreu e Lima. A presidente falou e depois partiu para o contato direto com os operários. No estaleiro Atlântico Sul, no ato de entrega da plataforma de petróleo P62, quando o governador pôde se pronunciar, chamaram a atenção os rasgados elogios que fez ao ex-presidente Lula pelo estímulo à retomada da indústria naval brasileira. E também a frase: "O dinheiro (do investimento) não é do governo federal nem do governo estadual, é dos cidadãos."

"Viva a democracia! Vamos ganhar a Copa do Mundo!"
Dilma Rousseff
Presidente da República, no coquetel para deputados, senadores, ministros do governo e do STF, na noite de segunda-feira, no Palácio da Alvorada

Deslocado
O presidente do STF, Joaquim Barbosa, ficou sem ambiente anteontem na recepção no Alvorada. Quando a presidente Dilma fez uma breve saudação, o ministro Luís Adams (AGU) o levou pelo braço para ficar ao lado da anfitriã.

Trombada?
Os líderes aliados presentes ao Alvorada na noite de segunda-feira descreveram um clima estranho entre o ministro Guido Mantega I (Fazenda) e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Para traduzir o distanciamento, alguns líderes afirmaram que os dois não se falaram durante o coquetel, e há os que garantem que não os viram trocar cumprimentos.

Aliados, mas não muito
A ministra do STJ Eliana Calmon, que se filiará amanhã ao PSB para concorrer ao Senado pela Bahia, quer presidir o partido em Salvador. Mas os socialistas resistem e a acusam de estar de passagem rumo à Rede, de Marina Silva.

Sossega, leão
Os petistas estão fazendo gestões para que a presidente Dilma promova o líder do, PMDB no Senado, Eunício Oliveira, a líder do governo na Casa. Esperam tirá-lo do jogo no Ceará. Nessa arquitetura, Izolda Cela (PROS) concorreria ao | governo, com o apoio dos Gomes, e o líder do PT na Câmara, José Guimarães, iria para o Senado.

Aliança mortal
O líder do PR, Anthony Garotinho (RJ), dispara em direção ao ministro Marcelo Crivella (Pesca): "Vamos conversar. Nós dois juntos fechamos a tampa do caixão no primeiro turno" Crivella diz: "Vamos, mas vou concorrer ao governo do Rio"

Sem maquiagem
De passagem por Brasília, o secretário no governo do Paraná Ricardo Barros (PP) diz que as coisas não andam bem na gestão do tucanò Beto Richa: "Não fosse um empréstimo do Banco Mundial, ele não teria como pagar o 13s dos funcionários" diante de reclamação, o ex-presidente Lula emendou: O chefe de gabinete da Dilma, Giles Azevedo, também me tira da agenda às vezes"

Fonte: O Globo

Painel - Vera Magalhães

Sondando o mercado
Antes mesmo que viesse a público o rompimento da parceria entre Aécio Neves e o publicitário Renato Pereira, pessoas próximas ao presidenciável tucano procuraram Duda Mendonça, há cerca de 15 dias. O senador mineiro deve ter em breve uma conversa com o marqueteiro, responsável pela campanha de Lula em 2002. No Palácio do Planalto, o desembarque de Pereira foi comemorado. Para membros do governo, o publicitário dava um tom mais "moderado" ao discurso do PSDB.

Culatra Por outro lado, setores do PT temem que Renato Pereira se aproxime de Eduardo Campos (PSB), que ainda não bateu o martelo sobre sua equipe de marketing.

Significa? Causou perplexidade no governo de Pernambuco o fato de o Cerimonial da Presidência acomodar Campos atrás de Dilma Rousseff em evento ontem. A praxe é governador e presidente ficarem lado a lado.

Adeus O presidenciável do PSB aproveitou sua fala diante da presidente para, na leitura de aliados, admitir pela primeira vez que será adversário da petista em 2014. Ele disse que, provavelmente, era a última vez que recebia Dilma como governador.

Recado Campos também respondeu, de forma polida, à insinuação de que o crescimento do Estado depende só da União. Disse que parcerias são feitas com quem tem projeto e sabe planejar.

Modo avião Na hora em que Dilma iniciou sua fala na festa de Natal no Palácio da Alvorada, o celular de Joaquim Barbosa tocou e o presidente do STF demorou até conseguir desligá-lo. "Se fosse um de nós, estava exonerado", brinca um ministro.

Novos rumos No último fim de semana, José Serra (PSDB) demonstrou a aliados que cogita disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. O tucano sondou correligionários sobre um possível apoio a essa empreitada.

Sem freio 1 O ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades) agiu para que fosse mantida a exigência de que 100% dos carros novos tenham freio ABS e airbag frontal duplo a partir de 2014. Ele convenceu Dilma a manter a norma e discutiu o assunto com a Anfavea e o Sindipeças.

Sem freio 2 Ribeiro teve uma conversa dura com Luiz Moan, da Anfavea, na sexta-feira passada. Chamou a pressão do setor para adiar a exigência de "indevida" e disse que o governo não voltaria atrás. Ele chegou a cogitar soltar uma nota pública contrapondo Guido Mantega (Fazenda), que defendeu o adiamento, mas desistiu.

Fim... No fim de sua gestão no Ministério Público Federal, em junho, Roberto Gurgel e sua mulher, a subprocuradora Claudia Sampaio, pediram o arquivamento de dois inquéritos que tramitavam no STF contra Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto, ambos do PR.

... de caso Ontem, o relator do caso no STF, Ricardo Lewandowski, acolheu o pedido do MP. Os inquéritos visavam apurar o suposto envolvimento de ambos em irregularidades no Ministério do Trabalho durante a gestão de Nascimento. A decisão deve ser divulgada hoje.

Solução Walter Feldman (PSB-SP) esteve ontem com Gilmar Mendes, relator no TSE do processo de perda de mandato aberto contra ele pelo Ministério Público Eleitoral por infidelidade partidária. O deputado consultou o ministro em busca de uma saída para devolver o mandato ao PSDB, partido pelo qual foi eleito, sem renunciar.

Mídia O jornalista Gilberto Dimenstein deixou o Conselho Editorial da Folha, em comum acordo com o jornal.

TIROTEIO
"Os discursos amigáveis de Dilma e Campos revelam: há poucas diferenças nas práticas políticas da presidente e do governador."
DO DEPUTADO ESTADUAL DANIEL COELHO (PSDB-PE), aliado de Aécio Neves, sobre o encontro de Dilma Rousseff e Eduardo Campos ontem, em Pernambuco.

CONTRAPONTO
Dentro das quatro linhas

Em discurso durante evento do governo paulista na manhã de ontem, o secretário José Anibal (Energia) cumprimentou os vereadores Floriano Pesaro (PSDB) e Antonio Goulart (PSD), que estavam a seu lado no palco.

--Os dois jogam no mesmo time --disse Anibal.

Diante de protestos de Pesaro, Anibal sorriu e esclareceu que cada vereador torcia para um time: um para o Corinthians e outro para o Palmeiras. Goulart não quis deixar dúvidas sobre suas preferências:

--Saudações corintianas! --disse ao iniciar seu discurso, arrancando aplausos da plateia.

Fonte: Folha de S. Paulo

O que pensa a mídia - editoriais de alguns jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Marisa Monte - Carnavália

Poeta triste – Graziela Melo

Poeta triste
sou eu,
navego
nas ondas
do mar...

satisfaço
meus delírios,
esqueço
dos meus
martírios,
desmancho
as dores
no ar...

Procuro
as flores
imagino
amores
afetos e
sentimentos,

prolongo
os ultimos
momentos
que ainda
me restam
de amar!!!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

OPINIÃO DO DIA – Papa Francisco

Na minha vida, conheci muitos marxistas que são boas pessoas, então não me sinto ofendido.

Papa Francisco, “Papa responde críticas de conservadores: ‘Não sou marxista’“, O Globo, 16 de dezembro de 2013.

Dilma turbina gastos com programas sociais em Orçamento do ano eleitoral

João Domingos, Ricardo Delia Coletta

BRASÍLIA - O texto do projeto de lei orçamentária para 2014 que deve ser apreciado hoje pelo Congresso aponta que as áreas sociais são as prioridades da presidente Dilma Rousseff para o seu último ano de governo. Programas como Mais Médicos, Minha Casa Minha Vida e Bolsa Família se destacam como destinatários de grande volume de recursos.

Criado neste ano, o Mais Médicos, que prevê a "importação" de médicos estrangeiros para áreas do País com poucos profissionais de saúde, tem um aumento de 179,6% nas verbas. Passará de R$ 540 milhões neste ano para R$ 1,51 bilhão.

Os recursos estão previstos na dotação para a saúde, que pulou de R$ 90,5 bilhões neste ano paraR$ 95,7 bilhões. Em porcentuais, saltou de 6,3% do Produto Interno Bruto (PIB) para 8,4%. A saúde é uma das áreas mais mal avaliadas do governo.

O Mais Médicos é também a principal aposta do PT para melhorar o desempenho do ministro Alexandre Padilha (Saúde) na disputa para o governo de São Paulo. O petista ainda patina nas pesquisas e aparece muito distante do líder, o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Também está prevista a aplicação de R$ 82,3 bilhões nas despesas referentes àmanutenção e ao desenvolvimento do ensino, cerca de R$ 25,4 bilhões acima do valor mínimo exigido constitucionalmente (18% da receita de impostos e a cota federal do salário educação). "Para o ano que vem os setores de Saúde e Educação aparecem com a maior escala de investimentos dos últimos tempos, pois são a maior prioridade do governo", disse o deputado Miguel Correa (PT-MG), que fez um relatório em comum acordo com o governo.

A proposta que estabelece o Orçamento da União para 2014 deverá ser votada hoje pela Comissão do Orçamento, para então ser encaminhada ao plenário do Congresso, onde será apreciada por deputados e senadores. A previsão para o ano que vem é de um orçamento de R$ 2,38 trilhões, contra R$ 2,276 trilhões no ano que acaba daqui a 14 dias. Um crescimento de 4,8%.

O projeto de lei do Orçamento prevê também um aumento significativo do dinheiro para investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em 2013 foram R$ 51,75 bilhões. Para 2014, estão previstos R$ 61,79 bilhões para obras em todos os setores. O Ministério das Cidades deverá receber a maior dotação, com R$ 21,66 bilhões. É nesta pasta que está abrigado 0 Minha Casa, Minha Vida, um dos programas tidos como vitrine da presidente Dilma Rousseff e potencial puxador de votos. O ministério que aparece em segundo lugar nas verbas do PAC é o de Transportes (R$ 14,85bilhões), seguido de Educação (R$ 6,6 bilhões) e Integração Nacional (R$ 6,22 bilhões).

O Bolsa Família, que teve início em 2004 e é apresentado pelo governo como um dos mais bem sucedidos projetos de distribuição de renda do mundo, deverá ter em 2014 dotação orçamentária de R$ 24,65 bilhões, ou 0,47% do PIB. É o maior porcentual já registrado na história do Bolsa Família, que teve início em 2004 com 0,29% do PIB. Em 2013 o Bolsa Família correspondeu a 0,44% do PIB.

O relator do Orçamento da União disse que procurou fazer um projeto de lei mais próximo da realidade do País, sem "inventar" receitas. Ao todo, houve uma reestimativa de arrecadação de R$ 21,9 bilhões acima da que foi prevista pelo governo no proj eto de lei do Orçamento enviado ao Congresso. Nesses recursos entraram os provenientes da concessão de rodovias e aeroportos.

Herança. Ontem, Dilma deixou clara sua preferência pela área social na reta final de seu governo. Ela incluiu na sua agenda a participação na abertura da IX Conferência Nacional de Assistência Social. Em seu discurso, disse que em outros tempos o setor não era prioridade de governo. "Houve um tempo no Brasil em que milhões e milhões de brasileiros e brasileiras permaneciam excluídos d,o processo de desenvolvimento do País, da acumulação de riquezas. Em muitos casos, a violência, o descaso, o preconceito, marcaram a ação do Estado face aos segmentos da população mais desfavorecidos", disse. A presidente citou, por mais de uma vez, seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, cuja área social é, segundo as pesquisas, bem avaliada pela população.

Colaborou Rafael Moraes Moura

Fonte: O Estado de S. Paulo

Ex-ministra também atua para estatal em tribunal

No TCU, Erenice defende, informalmente, interesses da Ceagesp, comandada pelo PT.

Fábio Fabrini, Andreza Matais

BRASÍLIA - A ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra atuou no Tribunal de Contas da União (TCU) em nome de uma estatal sob influência política do PT. Vinculada ao Ministério da Agricultura, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) recorreu informalmente à ex-ministra para tratar de processo no qual a estatal foi proibida de prorrogar contrato com uma empresa de coleta e tratamento de lixo, cujo dono é ligado ao partido. Para a corte, os serviços poderiam ter custado R$ 876 mil a menos por ano.

Erenice, que deixou o governo em 2010 sob suspeitas de tráfico de influência, vem atuando no TCU desde o no passado (mais informações no texto ao lado). Embora não advogue oficialmente para a Ceagesp nem seja parte no processo, ela levantou informações sobre o caso com a equipe do ministro José Múcio em 25 de novembro.

Na ocasião, ela se disse a serviço do presidente da estatal, Mário Maurici, filiado ao PT e próximo do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral).
Maurici explicou, via assessoria, que teve um "encontro casual" com Erenice, quando co-
mentou sobre o processo. Preocupado com o andamento do caso no TCU, aceitou a ajuda "oferecida por ela". Ele não informou onde e como se deu o acerto.

Ao Estado, Erenice afirmou: "Não falo com a imprensa".

Convite. Relator do caso, Múcio confirmou o pedido de Erenice para consultar o processo. Segundo ele, a ex-ministra foi a seu gabinete para convidá-lo para uma confraternização de Natal em seu escritório, convite do qual declinou. Na ocasião, explicou, ela pediu dados sobre a causa. Por não ter informações, o ministro a encaminhou a assessores.

A equipe de Múcio contou que Erenice procurou saber se o TCU estava "satisfeito" com as providências tomadas pela Ceagesp. Em duas decisões, o tribunal determina que a estatal não prorrogue o contrato com a Construrban Logística Ambiental e abra nova licitação.

A empresa tem como sócio e diretor Sebastião Ubiratan de Carvalho, filiado ao PT desde 1987, segundo registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar do vínculo formal, o empresário diz que não atua 110 partido desde 2000. Ele explica ter comunicado sua desfiliação ao diretório petista, mas não à Justiça Eleitoral, como prevê lei de 1995. "Se o partido não comunicou (a Justiça), aí não é comigo", disse. "Não tenho relações com o partido."

A construrban ficou em segundo na licitação, mas foi contratada, por R$ 10,4milhões no primeiro ano. A primeira colocada foi desclassificada por não cumprir exigências do edital. O TCU, porém, entendeu que a empresa só não atendeu a um requisito formal e que houve "excessivo rigor" ao descartá-la. "A sua proposta poderia ser a vencedora, o que ocasionaria uma economia anual de R$ 876.203,60 aos cofres da Ceagesp", diz relatório da corte. A Ceagesp nega ter contratado formalmente Erenice e diz que já fez nova licitação. A Construrban destaca que não há irregularidade na licitação e no contrato.

Fonte: O Estado de S. Paulo

STF extrapola seu papel, diz presidente da Câmara

Para Alves, decisão sobre financiamento eleitoral compete ao Congresso

Senadores e deputados já planejam resposta ao Supremo; mudança pode favorecer Dilma Rousseff nas eleições

Márcio Falcão

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou ontem que, "sem dúvidas", o STF (Supremo Tribunal Federal) está extrapolando suas atribuições e tomando o lugar do Congresso ao votar a legalidade da doação de empresas para campanhas eleitorais.

Henrique Alves diz discutir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e líderes partidários uma reação do Congresso.

Na semana passada, quatro dos 11 ministros do Supremo consideraram que as doações de empresas --principais financiadoras de candidatos-- são inconstitucionais e devem ser proibidas.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Teori Zavascki.

"Vamos discutir com Renan e líderes procedimentos, mas vamos aguardar uma decisão do Supremo, já que houve o pedido de vista", afirmou o presidente da Câmara.

Segundo o peemedebista, a Câmara deve analisar em abril uma proposta de reforma política que trata, entre outros temas, das doações.

Apesar da crítica, o presidente da Câmara disse apostar num entendimento entre os Poderes.

"Como o diálogo entre os Poderes é essencial à democracia, tenho certeza de que as prerrogativas constitucionais serão respeitadas."

De acordo com ministros ouvidos pela Folha, a expectativa é que prevaleça no STF a tese de que empresas não podem bancar campanhas.

Doação a partidos
Deputados e senadores já discutem uma resposta ao Supremo. Uma opção é aprovar uma emenda à Constituição que estabeleça regras específicas para doações.

Os termos da emenda ainda não foram definidos, pois o tema divide os partidos, mas a alternativa que ganha força no Congresso é liberar as doações de empresas somente aos partidos --e não mais aos candidatos, como permite a lei hoje.

A ideia é capitaneada por líderes do PMDB, maior partido da Câmara e do Senado.

Mas a tese de doações direcionadas apenas para as legendas não tem respaldo de ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nem do Ministério Público Eleitoral.

Planalto
Já o PT, partido da presidente Dilma Rousseff, defende o financiamento público exclusivo, modelo que poderia ser implementado caso o STF vote contra as doações de empresas.

No Planalto, há posições diferentes sobre qual seria o melhor encaminhamento sobre o tema pelo STF.

Um grupo avalia que o veto ao patrocínio empresarial é positivo para Dilma, porque daria uma resposta às ruas após os protestos de junho e também beneficiaria candidatos mais conhecidos.

Outra ala do governo prefere que o Congresso delibere sobre o assunto, vendo a proibição do STF como retrocesso na legislação eleitoral.

Fonte: Folha de S. Paulo

Máquinas estaduais ao lado dos presidenciáveis

Se dependesse apenas dos aliados empossados nos governos estaduais, a presidente Dilma Rousseff venceria as eleições presidenciais de 2014, seguida de perto pelo pré-candidato do PSDB ao Planalto, senador Aécio Neves (MG). Dilma tem 13 governadores ao seu lado, contra nove que apoiam Aécio e outros quatro alinhados com Eduardo Campos (PSB). Apenas um estado, por enquanto, é uma incógnita completa: Mato Grosso do Sul. O atual governador, André Pucinelli (PMDB), tem um bom diálogo com a presidente, mas o PT local, que vai lançar o senador Delcídio Amaral como candidato ao comando estadual, defende o rompimento com o PMDB.

Como Delcídio está alinhado aos tucanos sul-mato-grossenses, Pucinelli pode apoiar Eduardo Campos. Só que há um problema nessa equação. Mato Grosso do Sul é um estado muito forte no agronegócio, que não simpatiza em nada com Marina Silva, aliada fundamental na campanha de Eduardo. "A montagem dessa parceria tem de ser feita com muito cuidado", alertou um interlocutor do Planalto.

Em outros dois estados, a posição também é indefinida. No Rio de Janeiro, são grandes as possibilidades de o governador Sérgio Cabral (PMDB), que se licencia do cargo em abril para ajudar na campanha do vice Luiz Fernando Pezão, apoiar Dilma. Mas a relação de Cabral com a presidente ao longo desses três anos sempre foi tumultuada. O peemedebista era muito mais próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — chegou a sonhar em ser indicado por ele como vice de Dilma em 2010, mas acabou preterido por Michel Temer.

Mas diversas questões, especialmente as relativas à divisão dos royalties do pré-sal, afastaram os dois. Em diversas reuniões, incluindo um jantar com a cúpula do partido e o vice-presidente Michel Temer, Cabral lembrou a relação de amizade que mantém com o tucano Aécio Neves. Cabral, inclusive, indicou o publicitário e antropólogo Renato Pereira para organizar a convenção e a pré-campanha do PSDB.

O outro ponto de interrogação é o Rio Grande do Norte. Acossada por ameaças de impeachment, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) mantém-se no cargo, mas age com base na ambiguidade. Pessoalmente, ela se aproximou de Dilma Rousseff. Tanto que os tucanos nem a consideram como interlocutora. O nome da oposição no estado é o senador José Agripino, presidente nacional do DEM e mentor de Rosalba. "Acho difícil, mesmo com base em convicções pessoais, ela se posicionar em dissonância com o seu grupo político, especialmente nesse momento de fragilidade", alertou um analista político do DEM.

"Não é um tijolo"
Para o vice-presidente do PT e líder do partido na Câmara, José Guimarães (CE), é evidente que, quanto mais aliados um presidenciável tiver nos estados, melhor. Mas ele alertou que, no Brasil, quem pauta o debate é a candidatura nacional, não necessariamente a local. "O Brasil não é um tijolo, não temos uma realidade única. A realidade nacional não necessariamente repete as realidades locais", acrescentou o petista.

Um dos auxiliares na elaboração do decálogo que Aécio apresentará hoje (leia mais na página 3), o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) lembra que um "batalhão de governadores, prefeitos e vereadores são fundamentais para ajudar a desmentir boatos e espalhar as propostas dos candidatos em cada esquina". Mas lembrou que, quando inicia a propaganda gratuita de rádio e televisão, a campanha muda. "O contato do candidato passa a ser direto com o eleitor, sem intermediários", ponderou.

Fonte: Correio Braziliense

Serra abre espaço para Aécio

Em uma postagem numa rede social, com 304 caracteres, o ex-governador de São Paulo José Serra defendeu que o PSDB deve oficializar a candidatura de Aécio Neves (MG) ao Palácio do Planalto. "Como a maioria dos dirigentes do partido acha conveniente formalizar o quanto antes o nome de Aécio Neves para concorrer à Presidência da República, devem fazê-lo sem demora. Agradeço a todos aqueles que têm manifestado o desejo, pessoalmente ou por intermédio de pesquisas, de que eu concorra novamente", disse Serra, concorrente tucano a presidente em 2002 e 2010, em texto publicado no Facebook no começo da noite.

Pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves lança hoje, em ato no auditório Nereu Ramos, da Câmara, o seu decálogo — que pode desdobrar-se para 12 pontos — com críticas à administração petista ao longo dos últimos anos. Um dos principais coordenadores da futura campanha presidencial tucana, o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) afirma que não se trata de um programa de governo. "É um balizamento ideológico para o momento em que estamos vivendo no país", afirmou.

O documento será estruturado em cinco eixos principais: área econômica, internacional, políticas sociais, reforma do Estado e democracia. "Daqui até a eleição, muita coisa vai acontecer: teremos Natal, ano-novo, carnaval e Copa do Mundo. A campanha só vai começar no meio do ano que vem", lembrou Pestana. "Além disso, o eleitorado só começa a prestar atenção de fato na disputa eleitoral nos últimos 45 dias, quando começar a propaganda eleitoral de rádio e televisão", completou o tucano mineiro.

Os pontos que serão apresentados hoje têm permeado as intervenções de Aécio nos últimos meses. O tucano vai falar, por exemplo, que o governo tem gerado uma insegurança na economia, ao abrir mão da estabilidade e responsabilidade fiscal. Ontem, ele esteve, pela terceira vez em menos de um mês, reunido com representantes do setor produtivo brasileiro para reforçar que foi o PSDB o responsável pela estabilidade econômica e pelo controle da inflação, fundamentais para a retomada do crescimento do país.

Política social
Na área internacional, o PSDB vai cobrar um realinhamento diplomático do país. "Estamos, mais do que devíamos, ligados a esse terceiro mundismo e a essa diplomacia de quinta, nos aproximando de figuras como o finado Hugo Chávez e seu sucessor, Nicolás Maduro (Venezuela); de Cristina Kirchner (Argentina) e Raúl Castro (Cuba)", criticou Pestana. "Todos acompanham a situação econômica e social destas nações", reforçou o deputado do PSDB.

No campo de políticas sociais, o próprio Aécio reconhece os avanços da gestão petista, sobretudo a partir da unificação dos cadastros de beneficiários. Mas o PSDB afirma que a gênese dos programas sociais foi lançada no governo de Fernando Henrique Cardoso. Além disso, na semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou projeto de Aécio incorporando o Bolsa Família à Lei Orgânica de Assistência Social (Loas). "O PT quer manter as políticas sociais como um programa eleitoral, e nós queremos que eles se transformem em políticas de Estado", explicou Pestana.

O PSDB também vai insistir na questão da democracia. E vai se aproveitar do 5º Congresso do PT, encerrado no último sábado, em que ocorreram diversas manifestações de apoio aos petistas presos após o julgamento do mensalão. Os tucanos vão reforçar que o partido de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando confrontados, pregam o desrespeito às instituições. No caso, o exemplo que será dado pelo PSDB são as críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao presidente da Corte, ministro Joaquim Barbosa. Aécio e seus correligionários também dirão que a mesma regra vale para a imprensa.

Por fim, virá a reforma do Estado. "Aécio tem o que mostrar nessa área, ao implantar o choque de gestão no governo de Minas. O PT inchou o Estado brasileiro, aparelhou as agências reguladoras e extinguiu a meritocracia no serviço público federal", atacou um dos coordenadores da pré-campanha de Aécio.

Líder na Câmara
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) reúne, na noite de hoje, as bancadas do PSDB na Câmara e no Senado para a confraternização de fim de ano. Além de um balanço de 2013, os tucanos farão projeções para 2014. Uma das preocupações do pré-candidato tucano à Presidência é a disputa pela liderança na Câmara. A exemplo do que aconteceu neste ano, Aécio pretende que a sucessão de Carlos Sampaio (SP) se dê sem traumas ou cisões políticas.

Fonte: Correio Braziliense

Aécio tenta reforçar imagem de opositor com cartilha de 12 itens

Tucanos querem marcar diferença em relação a Campos, visto como representante de "uma meia mudança"

Na tentativa de se firmar como único nome da oposição de fato a enfrentar a presidente Dilma Rousseff em 2014, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), lança hoje os "doze mandamentos" para orientar o programa de governo de sua provável campanha eleitoral.

O texto apresenta diretrizes para a política econômica, social, internacional, de gestão pública, ética, democracia, sustentabilidade e agropecuária. A cartilha servirá tanto como contraponto ao governo petista quanto para se diferenciar de seu possível oponente do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Nos bastidores, tucanos o descrevem não como um nome da oposição, mas um "dissidente do governo" e representante de "uma meia mudança".

O texto procura fazer uma crítica ao atual modelo de gestão e apresentar uma alternativa. A condução da economia é tida como o ponto-chave do PSDB para se opor aos concorrentes de 2014. O texto critica a "política intervencionista" que, segundo os tucanos, é praticada pelo atual governo. Sugere mais espaço para a iniciativa privada e que o Estado se limite a atuar sobre a criação de regras e regulação do mercado, e não na execução, como ocorreria, por exemplo, nos recentes leilões de concessões.

Os tucanos avaliam que este é o aspecto mais fraco da presidente e com maior capacidade de recall para o PSDB, pois apostam que o partido ainda pode surfar nos avanços conquistados com o Plano Real, sob a condução do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Também defendem a urgente recuperação da credibilidade do País no mercado externo e interno.

Para a área social, vão defender a superação da pobreza sem que o beneficiário dependa da tutela do Estado. Vão propor que a União seja a provedora das condições para o cidadão prosperar. Para isso, ainda sem especificar projetos concretos, sustentam que manterão planos sociais, mas propõem avançar nos investimentos em educação, qualificação de trabalhadores, criação de empregos e de renda. Algo na linha do que já vem sendo adotado nas propagandas partidárias: 

"Quem muda o Brasil é você", diz o slogan.

A despeito das recentes acusações de envolvimento do PSDB com corrupção no cartel dos trens em São Paulo e do iminente julgamento do mensalão mineiro, no Supremo Tribunal Federal, o documento destaca o compromisso com a ética. Trata do combate à corrupção e da defesa da liberdade de imprensa.

O documento, que os tucanos não querem que seja chamado de "cartilha", também prega uma guinada na política externa.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Serra anuncia que não é candidato à Presidência

Ele disse que o PSDB deve formalizar nome de Aécio Neves 'sem demora'

Há semanas, dirigentes da sigla, como FHC, pedem a antecipação do anúncio da candidatura do senador mineiro

SÃO PAULO - Isolado dentro de seu próprio partido, o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) anunciou ontem seu afastamento da corrida presidencial de 2014.

Em texto postado no Facebook, o tucano disse que os dirigentes do PSDB devem formalizar "sem demora" o nome do senador Aécio Neves (MG), presidente da sigla, como candidato ao Planalto.

"Como a maioria dos dirigentes do partido acha conveniente formalizar o quanto antes o nome de Aécio Neves para concorrer à Presidência da República, devem fazê-lo sem demora. Agradeço a todos aqueles que têm manifestado o desejo, pessoalmente ou por intermédio de pesquisas, de que eu concorra novamente", escreveu Serra.

Foi a segunda vez que o ex-governador divulgou uma decisão via rede social. No início de outubro, ele usou seus perfis no Facebook e no Twitter para dizer que permaneceria no PSDB.

Segundo interlocutores, Serra percebeu que havia muita pressão entre os dirigentes do partido, principalmente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para a antecipação da candidatura de Aécio.

Ele resolveu anunciar publicamente a desistência após conversar com os amigos mais próximos.

"Foi um reconhecimento de que a posição majoritária do PSDB é de apoio a Aécio", disse o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman.

Ainda de acordo com aliados de Serra, Aécio não foi avisado previamente sobre o gesto. "É uma decisão generosa, de unidade partidária e que foi unilateral", diz o deputado Jutahy Junior (PSDB-BA), um dos principais aliados do ex-governador.

Acordo
Serra e Aécio firmaram acordo para que a oficialização da candidatura tucana só fosse feita em março. Até lá, ambos poderiam seguir com agendas próprias de pré-candidato.

Nas últimas semanas, porém, diversos dirigentes do PSDB passaram a defender uma antecipação do anúncio da candidatura do mineiro.

No início de novembro, Fernando Henrique se reuniu com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e com o próprio Aécio no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual paulista, para reavaliar o cronograma eleitoral do partido.

À época, os tucanos acreditavam que as intensas movimentações de Serra, que viajava para recolocar seu nome à disposição para a disputa de 2014, estava incomodando a bancada do PSDB na Câmara dos Deputados.

O líder do partido na Casa, deputado Carlos Sampaio (SP), disse à época que a indefinição da candidatura "tirava a capacidade de articulação política de Aécio".

Futuro
Serra avalia ainda se vale a pena sair candidato ao Senado ou à Câmara dos Deputados no ano que vem.

"É um excelente candidato para qualquer outra posição. Cabe a ele decidir", disse o presidente do PSDB-SP, deputado Duarte Nogueria.

Nas pesquisas para a Presidência, Serra apresenta um desempenho ligeiramente melhor que o de Aécio. Sua taxa de rejeição, porém, também é maior.

Fonte: Folha de S. Paulo

Esboço do programa de Aécio acena para agronegócio

SÃO PAULO - O senador Aécio Neves (PSDB-MG) usará o primeiro esboço de sua plataforma de governo, que será apresentado hoje em Brasília, para fazer um aceno ao segmento do agronegócio.

Composto por 12 itens, o documento está dividido em três eixos básicos: confiança, cidadania e prosperidade.

Tradicionalmente aliado dos tucanos, o agronegócio é tema no eixo "prosperidade", em que o senador tucano defende "gestão técnica" e "livre do aparelhamento político" para o setor.

Provável candidato do PSDB à Presidência em 2014, Aécio diz que a atividade deve ser tratada com mais atenção pelo Estado, com políticas e pesquisas públicas coordenadas pelo Ministério da Agricultura.

Segundo interlocutores, o aceno mais enfático ao agronegócio deve-se ao assédio frente ao setor do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que deve ser um dos principais adversários de Aécio nas eleições do próximo ano.

Outro aceno é aos participantes dos protestos de junho. O direito a serviços de qualidade na educação, na saúde, no transporte e na segurança é tema do eixo "cidadania", com reivindicações pela melhoria do SUS (Sistema Único de Saúde).

Fala também na criação de uma Lei de Responsabilidade Educacional, com metas de gastos e pagamento de bônus a professores e diretores de escola de acordo com desempenho.

Para a segurança, a proposta é criar uma política nacional de segurança pública que, segundo o mineiro, não existe hoje no Brasil.

Federalismo
O pacto federativo para fortalecer Estados e municípios, uma das principais bandeiras de Aécio, é um dos destaques do texto.

Para o tucano, a União concentra a maior parte das riquezas do país enquanto sobra para Estados e municípios a responsabilidade de resolver problemas.

A inclusão desse ponto foi acertada em conversas entre Aécio e Eduardo Campos (PSB). Em documento lançado em novembro pelo socialista e sua colega de chapa, a ex-senadora Marina Silva, o rearranjo federativo foi citado genericamente.

O documento do PSDB estará disponível na internet, no site "Conversa com brasileiros", para consulta pública antes de ser submetido à Executiva Nacional do partido, o que deve ocorrer no início do ano que vem. (MD)

Fonte: Folha de S. Paulo

Eleições 2014: Aécio lança ações como contraponto às do PT

Já com a possível desistência de José Serra, que ontem defendeu a formalização da candidatura de Aécio Neves à Presidência pelo PSDB "sem demora", o mineiro lança hoje 12 diretrizes que orientarão o programa de governo tucano. O texto faz um contraponto às políticas do PT.

Com críticas ao PT, Aécio lança diretrizes de tucanos para 2014

Documento destaca compromisso com a ética e o combate à corrupção

Júnia Gama

BRASÍLIA- Com um discurso permeado de críticas aos governos petistas, o senador e presidenciá-vel Aécio Neves (PSDB-MG) apresenta hoje, em auditório da Câmara, um documento com 12 diretrizes que servirão de base para o programa de governo do PSDB na campanha presidencial de 2014. Em todos os tópicos, Aécio fará um contraponto à condução dessas políticas pelas gestões do PT, no comando do país desde 2003, e proporá uma maneira alternativa de tratá-las.

Logo no primeiro ponto, o tucano fará um questionamento a respeito do que considera "afronta" às instituições e "corrosão" dos valores como ética, democracia e liberdade de expressão no seio petista, em referência à reação do PT e de seus militantes ao escândalo e julgamento do mensalão.

O documento com o conjunto de "ideias e valores" que servirão como ponto de partida para o programa de governo do PSDB será norteado pela tentativa de marcar diferenças em relação ao PT. O partido governista será alvo de crítica desde o primeiro item, que estabelece o compromisso do PSDB com a ética, o respeito às instituições e o combate à corrupção.

Segurança pública, educação de qualidade, Saúde, política externa, sustentabilidade e agropecuária também serão temas citados no texto intitulado "Para mudar de verdade o Brasil — Confiança, cidadania e prosperidade" Na questão da segurança pública, Aécio vai propor maior responsabilidade da União no tratamento da questão, com a transformação do Ministério da Justiça em Ministério da Justiça e Segurança Pública. O presidenciável dirá que o governo hoje é omisso em relação ao assunto e que deixar a cargo dos estados e municípios o combate à violência é uma metodologia falida.

O evento, marcado para ocorrer às 14h30m na Câmara, será voltado para o público interno. Interlocutores de Aécio explicam que o senador precisa estimular a militância tucana com uma plataforma mais concreta para discussão das diretrizes do partido. Vão participar deputados, senadores e integrantes da Executiva do PSDB. Muitos dos pensadores que auxiliaram na construção do documento não confirmaram presença. O ex-governador de São Paulo e ex-senador José Serra não comparecerá.

Mais espaço para a iniciativa privada
Como O GLOBO antecipou em novembro, o documento terá forte teor econômico e vai criticar especialmente a deterioração da credibilidade do governo Dilma, devido a ações na área econômica e no plano internacional, consideradas equivocadas pelos tucanos. E terá como linha geral fugir do modelo do simples "Estado assistencialista" ou "Estado grande"

Temas como construção de ambiente adequado para o investimento, eficiência do Estado, superação da pobreza, produtividade, autonomia dos estados e municípios e infraestrutura estarão presentes entre os 12 pontos. Na apresentação de sua visão sobre o papel do Estado, Aécio vai defender o aumento de espaço para a iniciativa privada, tema que vinha sendo evitado por tucanos nas últimas campanhas, para fugir do que chamam de "discurso maniqueísta" entre "privatistas e estatizantes"

O presidente do PSDB irá defender que o Estado tem a obrigação de prover os direitos e cumprir seus deveres junto à população carente, mas também no ambiente econômico. Pregará um Estado mais regulador, em detrimento do Estado executor, alegando que o "Brasil não pode caminhar com o Estado dominante na sociedade e na economia"

Além das contribuições que recebeu ao longo dos últimos meses do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, do economista Samuel Pessoa e do ex-deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas, o documento passou pelo crivo de Andreia Neves, irmã do senador e seu braço-direito desde que iniciou a carreira política. Ela deu, junto a Aécio, ontem à noite, a última palavra sobre a versão final do texto, que vinha sendo alterado em reuniões fechadas e restritas desde a última quarta-feira.

Na saúde, ênfase à gestão
Na definição das 12 diretrizes, muitas aparecem no documento de forma bastante genérica, como os dois primeiros itens do capítulo sobre Cidadania: "Estado eficiente, a serviço dos cidadãos" e "Educação de qualidade como direito da cidadania, educação para um novo mundo" No caso da meta de combate à pobreza, há um indicativo de que o governo tucano fará diferente para reduzir a dependência dos beneficiários dos programas sociais, criando oportunidades futuras para eles: "Superação da pobreza e construção de novas oportunidades"

Quando trata de segurança pública, hoje a cargo dos estados, propõe uma nova redivisão de funções quando estabelece o conceito de "Segurança pública como responsabilidade nacional" E, ao falar de políticas de Saúde, frisa que o governo do PSDB proporcionará aos brasileiros "mais cuidado, investimento e gestão" O grande problema da Saúde pública no Brasil, dizem os estudiosos, não é falta de recursos financeiros, mas de gestão eficiente.

Fonte: O Globo

Eduardo Campos e PPS afinam discurso

Cúpula do PPS formaliza aliança com o PSB para a disputa presidencial do próximo ano. Líderes condenam o "patrulhamento" do debate, num recado ao PT

Gabriela López

Nove dias após o PPS decidir, em congresso, apoiar a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a presidente no próximo ano, a cúpula do partido esteve ontem no Recife para formalizar a coligação. Em um evento de aproximadamente 40 minutos, o socialista e o presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP) - únicos a discursar -, alinharam as falas em torno de destacar a aliança como possibilidade de construir uma alternativa para o Brasil, ao mesmo tempo em que apontaram uma crise na democracia por causa do "patrulhamento" do debate, em um recado ao PT.

Coube a Eduardo Campos o tom mais duro. Questionado por petistas por ter deixado a base aliada do governo federal e, agora, adotar um discurso de oposição, embora tenha feito parte das gestões Lula e Dilma Rousseff, ele defendeu que o debate sobre o futuro do Brasil não pode ser "mesquinho", "apequenado", nem "reduzido a nós e eles".

"Não podemos interditar o debate do Brasil, nem patrulhar força política que quer exercer o legítimo direito democrático de discutir a economia, a inclusão social, a educação, a segurança... Discutir e propor caminhos, que quer relação sem cooptação com os movimentos sociais, gente que respeita as críticas e não corre do debate. Disputei eleições ganhas e nunca me furtei ao debate com quem quer que seja", disparou.

Após reafirmar que o pacto político vigente em Brasília "já deu o que tinha que dar", Eduardo Campos garantiu que o Brasil "terá opção em 2014".

O cenário do "palanque" era um painel que anunciava: Juntos para mudar o Brasil. Ao lado da frase, estavam estampadas as logomarcas do PSB, do PPS e do Rede Sustentabilidade (partido que a ex-senadora Marina Silva não conseguiu fundar, decidindo, então, pela coligação com os socialistas, em outubro). Na plateia lotada, parlamentares, prefeitos, vice-prefeitos e dirigentes partidários que aplaudiram todas as frases de efeito.

Roberto Freire enfatizou que o PPS quer fazer uma luta democrática. "Um dos graves problemas que o Brasil enfrenta, além da crise econômica, é a defesa da democracia, que sofre atentados, como está sendo demonstrado", declarou, enfatizando a capacidade do governador de unir lideranças em torno de si. "Podemos estar ajudando uma força política que tem a capacidade de reescrever a política do Brasil", completou.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Freire: Será mais fácil derrotar o PT

Após apoiar o PSDB nas três últimas eleições para o Palácio do Planalto, o presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), justificou a aliança com o governador Eduardo Campos (PSB) no pleito do próximo ano avaliando que "é mais fácil derrotar" o governo petista ao lado do socialista do que aliando-se ao senador tucano Aécio Neves (MG), também pré-candidato à Presidência no campo da oposição.

"Ele (Eduardo) traz uma dissidência ao regime e pontuou que o governo se esgotou", disse o presidente do PPS.

Para Freire, as críticas do socialista nas questões econômicas "são mais coerentes" com as ideias do PPS do que as do tucano. Aécio tentou angariar o apoio dos pós-comunistas, classificando-os como "velhos aliados", mas acabou preterido, tendo apenas uma sinalização de aliança em um eventual segundo turno.

Em relação aos possíveis questionamentos que o governador terá de responder pelo fato de criticar um governo do qual fez parte até metade deste ano, Roberto Freire defendeu que Eduardo Campos teve a "hombridade" de não ficar em uma gestão com a qual tinha discordâncias.

"Ele fez a crítica e saiu do governo. Então, demonstrou concretamente que está se afastando do que aí está. Casamento se acaba, por que relacionamento no campo da política não?"

O dirigente reconheceu que não há unanimidade interna em torno da coligação com os socialistas, o que será trabalhado, inicialmente, consolidando a aliança nacional e, em seguida, tratando das questões locais. Em pelo menos três Estados - Amazonas, Maranhão e Distrito Federal -, o PPS trabalha para lançar nomes próprios ao governo. Os três pretendentes participaram do evento ontem. (G.L.)

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Raul Jungmann em saia-justa com aliança

Eleito vereador do Recife no ano passado com 12 mil votos endossando discurso oposicionista, o ex-ministro Raul Jungmann (PPS) pode enfrentar uma saia-justa com a aliança do PPS e PSB em torno da candidatura a presidente do governador Eduardo Campos (PSB). Ele não só faz oposição ao PSB, como tem como alvo a gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB), afilhado político do governador.

Integrante de uma bancada com apenas quatro vereadores de oposição, ele é o vice-líder do grupo e o que costuma fazer mais alarde do mandato. Em entrevista à imprensa durante o encontro que oficializou a aliança PPS-PSB, ele garantiu que continuará com o mesmo tom afiado em relação ao governo Geraldo Julio, sem retaliações dos socialistas ou da direção nacional do próprio partido, como frisou o presidente nacional do PPS, Roberto Freire.

"A mim não gera nenhum mal-estar. Estou muito bem no meu papel que o povo me delegou. Acho que as pessoas do lado de lá têm que entender isso", considerou. Ele ainda destacou que foi Eduardo Campos que se deslocou para o seu campo, o da oposição.

No congresso do PPS que decidiu, no último dia 7, pelo apoio ao socialista, Jungmann votou a favor do lançamento de um candidato próprio.

No evento de ontem, Jungmann chegou ao Recife Praia Hotel, na Zona Sul do Recife, ao lado do governador e participou da reunião fechada que antecedeu o evento. (G.L.)

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

PPS diz que é 'mais fácil ganhar com Campos do que com Aécio'

Freire avalia que pernambucano atrairá dissidentes do governo

Reynaldo Turollo Jr.

RECIFE - Presidente do PPS, o deputado federal Roberto Freire (SP) disse ontem que o partido decidiu pela indicação de apoio a Eduardo Campos (PSB) na disputa presidencial porque o governador de Pernambuco tem mais chances de vencer do que o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

"Queremos derrotar o governo. É mais fácil derrotar o governo com Eduardo do que com Aécio. Eduardo traz para a oposição uma dissidência do regime", afirmou Freire, ao chegar a um encontro entre PPS e PSB no Recife.

Freire afirmou que o apoio a Campos visa ajudar a torná-lo um candidato "competitivo", característica que, segundo ele, Aécio já possui. Disse também que tem mais afinidade com o discurso econômico de Campos do que com o de Aécio, presidente nacional do PSDB.

O PPS aprovou no último dia 7, durante seu congresso, a indicação de apoio à provável postulação de Campos, que foi ministro do governo Lula. A decisão foi um revés para Aécio, potencial presidenciável tucano, que buscava o apoio da sigla.

No encontro de ontem, agendado para formalizar o apoio do PPS, Campos subiu o tom do discurso de candidato à Presidência e falou que seu grupo político terá uma "grande vitória" em 2014.

Em discurso à militância, ele voltou a dizer que "o pacto político que está em Brasília já deu o que tinha que dar" e que "o Brasil quer o debate". Também exaltou as capacidades do grupo que lidera, que já conta com os partidários da Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva.

Fonte: Folha de S. Paulo

PPS oficializa apoio a Eduardo Campos para 2014

Novo aliado, que também era cortejado pelo PSDB, vê em socialista melhores condições de derrotar Dilma

Letícia Lins

RECIFE- O PPS oficializou ontem o apoio do partido à candidatura do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, à Presidência da República, nas eleições do ano que vem. No evento, realizado num hotel em Recife, o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), disse que vê mais chances de "derrotar o regime" (referindo-se ao governo Dilma Rous-seff, de quem Campos era aliado) no pré-candidato do PSB do que no presidente nacional do PSDB e também pré-candidato à Presidência, senador Aécio Neves (MG).

— Queremos derrotar o governo, e é mais fácil que isso ocorra com Eduardo do que com Aécio, porque ele traz para a oposição uma dissidência do regime. Eduardo já pontuou que o governo se esgotou. O PPS tem as mesmas críticas que o PSB faz à política econômica do governo, e, como o PSB, também acha que o governo se esgotou — disse.

Antes da adesão do PPS, Campos e Freire se reuniram, para discutir detalhes da formação da aliança que, até o momento, agrega o PSB, o PPS e a Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, abrigada no PSB, desde que teve seu registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a tempo de disputar as eleições de 2014.

Freire previu divergências entre as três agremiações, mas minimizou esses desencontros:

— Podemos dizer que temos mais convergências do que divergências. O PSB e o PPS têm muitos pontos em comum, principalmente no que diz respeito à gestão econômica do governo Dilma.

O presidente do PPS elogiou o documento divulgado no último congresso nacional do PPS — "Uma nova agenda para o Brasil, uma nova política, um novo governo" Disse, ainda que esse primeiro encontro com o PSB teve também o objetivo de evitar eventuais problemas na formação da aliança:

— É importante saber como está sendo feito (o programa de governo). Queremos saber como está sendo feito, para darmos nossa colaboração. Nosso lema é descomplicar — disse Freire.

Em seu discurso, ao receber o apoio formal do PPS, Campos afirmou que o pacto político vigente em Brasília não expressa mais o pacto social que o Brasil deseja. Segundo Campos, e o que o país necessita é de ideias novas que conduzam as forças políticas que estão ao lado delas a "uma grande vitória em 2014".

— Esse pacto político que está em Brasília, hoje, já deu o que tinha que dar — disse: — O Brasil quer o debate. O Brasil vai ter o debate. E quem tem segurança do que representa, quem tem segurança do que propõe não corre do debate. Nunca corri do debate na minha vida. Disputei eleições que muitos diziam perdidas, que ganhei.

Fonte: O Globo

Freire diz que PPS quer ver governo derrotado

Por Murillo Camarotto

RECIFE - Recém-associado ao grupo que apoiará o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), nas eleições presidenciais do ano que vem, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, disse ontem que a opção pelo pernambucano se deveu, entre outras coisas, à maior viabilidade eleitoral de Campos.

"Eu quero derrotar o governo. Derroto mais facilmente com o Eduardo [Campos] do que com o Aécio [Neves]", disse Freire, que esteve no Recife para a primeira reunião com o PSB após o indicativo de apoio feito há dez dias.

De acordo com o presidente do PPS, o fato de Campos ser dissidente do que ele chamou de "regime" petista também pesou na decisão de apoiá-lo. Na sua avaliação, a saída do PSB da base de apoio ao governo federal atesta que o fim do ciclo do PT no poder está próximo.

"Consolidar Eduardo era mais importante para a oposição brasileira", disse o dirigente, que considerou a aliança com o PSB como um "reencontro histórico", lembrando as parcerias passadas entre o partido de Campos e o PCB, sigla da qual Freire fez parte antes de fundar o PPS.

O encontro com o PSB teve por objetivo integrar o PPS ao processo de construção do programa de governo que será defendido por Campos em 2014. Freire evitou detalhar propostas que seu partido levará ao debate e disse que discutir a formação de palanques estaduais neste momento pode atrapalhar o processo.

Questionado, no entanto, sobre a posição do PPS acerca da aproximação de Campos com os ruralistas - que já criou polêmica com a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva - possível vice na chapa presidencial -, Freire lembrou que seu partido votou a favor do novo Código Florestal, rejeitado por Marina.

Também defendeu que a ciência tenha papel crescente na produção de alimentos, outro tema para o qual os chamados "marineiros" torcem o nariz.

Fonte: Valor Econômico

Campos sobe o tom como candidato e fala em ‘grande vitória’ em 2014

RECIFE - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), subiu o tom do discurso de candidato à Presidência da República na noite de hoje, durante ato partidário no Recife, e falou que seu grupo político terá uma “grande vitória” em 2014.

O encontro, agendado para formalizar o apoio do PPS à provável candidatura de Campos em 2014, teve discursos marcados por referências históricas, em tentativa de mostrar que a aliança PSB-PPS se alinha ao passado dos partidos.

Campos e o deputado federal Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS, citaram que as forças políticas que viriam a ser o PPS e o PSB lutaram do mesmo lado contra o regime militar (1964-1985), ambas no MDB.

Em discurso à militância, Campos voltou a dizer que “o pacto político que está em Brasília já deu o que tinha que dar” e que “o Brasil quer o debate”. Também exaltou as capacidades do grupo que lidera, que recentemente na semana passada recebeu indicação de apoio do PPS e já conta com os partidários da Rede, da ex-senadora Marina Silva.

“Nós temos que ter a capacidade política de enfrentar as intempéries, de pelejar como sabemos pelejar, de enfrentar as dificuldades, de ter confiança no povo, que é o que vai nos levar a uma grande vitória em 2014”, disse Campos.

O governador também minimizou eventual tempo reduzido que a aliança terá na propaganda política obrigatória.

“Quem ganha política não é tempo de televisão, não é dinheiro, não é ajuntamento de gente que não sabe para onde está indo nem para quê está indo. O que ganha é ter história, e história nós temos. É ter ideias, e ideias nós temos. É ter energia e disposição, e essa não vai nos faltar. E, sobretudo, ter a capacidade de reunir as boas pessoas em torno das boas ideias”, disse o pernambucano, que anunciou para breve uma reunião entre PPS, PSB e Rede.

Fonte: Valor Econômico