Por Raphael Di Cunto e Carolina Linhares / Folha de S. Paulo
Filiação deve acontecer nos próximos dias e
foi intermediada por Davi Alcolumbre
Senador ainda não decidiu se aceita disputar
governo, mas presidente quer convencê-lo
O senador Rodrigo
Pacheco (PSD-MG), nome
preferido de Lula (PT)
para concorrer ao Governo de Minas Gerais, vai se encontrar com o presidente,
possivelmente na próxima semana, para discutir a viabilidade de sua candidatura
e comunicar sua filiação ao União Brasil.
Pacheco já acertou a mudança de partido, que deve acontecer nos próximos dias. A filiação foi intermediada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de quem ele é próximo, e afasta ainda mais o União Brasil do apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) —principal adversário do petista.
A mudança já foi comunicada a integrantes do
União Brasil em Minas Gerais. O atual presidente estadual do partido, o
deputado federal Marcelo Freitas, deve se desligar da legenda e migrar para
outra sigla à direita —a tendência é que vá para o PL.
Já o deputado federal Rodrigo de Castro,
aliado de Pacheco, assumirá a presidência do diretório estadual do partido. O
prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), por sua vez, está
cotado para presidir a federação da sigla com o PP no estado.
Com as mudanças, o União Brasil e a federação
desembarcam da candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD), que assumirá
o governo em abril após a renúncia de Romeu Zema (Novo)
e concorrerá à reeleição. Simões é adversário de Pacheco, e sua filiação ao PSD
forçou a saída do senador do partido. Zema, por sua vez, deve concorrer ao
Palácio do Planalto com o apoio do seu vice-governador.
Aliados de Pacheco e integrantes do partido
dizem que o
ex-presidente do Senado ainda não decidiu se será candidato à
reeleição, ao Governo de Minas ou se ficará de fora das urnas neste ano. Foi
dado o primeiro passo, a escolha do partido, o que precisaria ocorrer antes de
abril para manter aberta a possibilidade de candidatura.
De acordo com interlocutores de Pacheco, a
ideia do encontro com Lula é discutir como a candidatura do senador poderia ser
viabilizada e analisar estratégias para ampliar a votação no estado. A análise
do cenário poderia ajudar no convencimento para que ele represente o palanque
do petista em Minas, estado que detém o segundo maior colégio eleitoral do
país.
A data do encontro, porém, não está definida
—pode ficar para depois do Carnaval.
Em 2025, o União Brasil chegou a romper com o
governo Lula e determinar o desembarque de ministros, mas houve uma
reaproximação no fim do ano a partir da indicação de
Gustavo Feliciano para o ministério do Turismo. Ele é filho do
deputado federal Damião Feliciano (União Brasil-PB).
Aliados de Pacheco dizem ser possível que ele
estabeleça uma aliança com Lula em Minas apesar das alas do partido que fazem
oposição ao presidente. Além disso, a intermediação de Alcolumbre indica proximidade
entre o presidente do Senado e o petista, após terem acumulado
atritos em 2025.
O governador do Amapá, Clécio Luís, aliado de
Alcolumbre, também se filiou ao União Brasil no fim de janeiro. A ideia é que
ele faça campanha para Lula no estado.
Como mostrou
a Folha, Lula vem insistindo em convencer Pacheco a
concorrer em Minas, enquanto o PT cogita um plano B diante da indefinição do
senador.
Pacheco vem afirmando a aliados que pretende
encerrar sua trajetória política ao fim de seu atual mandato como senador, que
acaba em fevereiro do ano que vem. Ele esteve entre os cotados para ser
indicado a vaga de ministro do STF (Supremo
Tribunal Federal), no ano passado, mas o presidente acabou escolhendo Jorge
Messias.
Lula, por sua vez, está convencido de que
Pacheco é o nome ideal para a disputa no estado e tem enaltecido o senador em
conversas com interlocutores. Aliados do petista avaliam que o senador do PSD
poderia disputar o governo com uma chapa forte, tendo o ex-prefeito de Belo
Horizonte Alexandre
Kalil (PDT) e Marília Campos como candidatos ao Senado.
Minas Gerais tem o segundo maior eleitorado do Brasil, superado em tamanho apenas pelo de São Paulo. Tradicionalmente, o candidato a presidente que vence em solo minero é eleito. Desde 1945, só quem ganhou a Presidência apesar da derrota em Minas foi Getúlio Vargas, em 1950.

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