quarta-feira, 24 de junho de 2026

Lá vem o dólar, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Fatores diversos vão afetar o valor do dólar em cada país; No caso do Brasil, a eleição será o principal

Não são poucos os analistas que apostam que o pior momento para o dólar em 2026 ficou para trás, mas ainda não há consenso sobre se a valorização ante as principais moedas fortes e também de países emergentes, registrada na semana passada, seguirá firme no segundo semestre do ano.

Os que defendem que a trajetória do valor global do dólar é de fortalecimento argumentam que, no curto prazo, a expectativa de alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed) será o principal vetor de influência sobre o mercado de câmbio. Até há pouco tempo, o dólar e as outras moedas mundiais vinham oscilando conforme os rumos da guerra no Irã, que gerou um choque de oferta e fez disparar os preços do petróleo. É justamente agora, quando as cotações do petróleo começam a recuar com a resolução do conflito no Oriente Médio, que os próximos passos da política monetária americana assumem maior peso sobre o humor dos investidores.

Na sua última reunião, o banco central americano manteve inalterada a taxa básica entre 3,50% e 3,75%, mas nove de 18 diretores passaram a prever, pelo menos, uma alta de juros até o fim do ano, enquanto seis deles projetam duas ou mais elevações em 2026. A preocupação é com uma aceleração da inflação, pressionada por uma atividade econômica resiliente e um mercado de trabalho ainda robusto. Esse cenário mais duro para os juros americanos foi a senha para que os investidores corressem para o dólar.

O índice DXY, que mede a variação do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, acumulou ganho de 1,93% na semana passada, sendo um ganho de 1,5% apenas nos três pregões após a decisão do Fed. Na sexta-feira, aliás, o índice registrou pico de 101,12, maior patamar em um ano. Se comparado com a mínima de 2026 (96,22), no fim de janeiro, o índice DXY deu um salto de mais de 5%. Em relação ao real brasileiro, o dólar acumulou ganho de mais de 2% na semana passada, fechando em R$ 5,16.

Por outro lado, há analistas que argumentam que o fôlego de valorização global do dólar não deve se sustentar – ao menos, no ritmo observado na semana passada. Isso porque, segundo essa corrente, se o acordo de paz entre EUA e Irã for mantido, levando a um recuo maior do preço do petróleo com a normalização do fluxo de navios no Estreito de Ormuz, haveria uma pressão desinflacionária importante. Isso tornaria improvável uma alta de juros pelo Fed até o fim do ano.

Restarão fatores idiossincráticos para afetar o valor do dólar em cada país. No caso do Brasil, a eleição presidencial será o principal deles.

 

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