domingo, 23 de agosto de 2026

Credencial de lobista era o nome de Lulinha, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Defesa alega que Fábio Luís é perseguido por carregar o sobrenome do presidente da República

Mas é a condição de filho de Lula que dá a ele trânsito livre e acesso a negócios governamentais

Antônio Carlos Camilo Antunes está preso preventivamente sob suspeita de comandar fraudes de bilhões em aposentadorias e pensões na Previdência Social. É também investigado por presumido tráfico de influência na busca de contratos comerciais para venda de produtos e serviços na máquina estatal.

Interesses, ao que diz a Polícia Federal, ampliados para além do setor que lhe conferiu o apelido de Careca do INSS. Para auxiliá-lo, contratou consultoria de Roberta Luchsinger, amiga e autodeclarada sócia de Fábio Luís da Silva, filho do presidente da República, em nome de quem se apresentava.

"Eles sabem o que sou. Eu sou o Fábio", escreveu ela num dos registros de conversa ao telefone, conforme material apreendido pela PF, que traz mais detalhes sobre a alegada representação. Papel que lhe conferia licença para enviar ao chefe do gabinete presidencial esboço de pretendido contrato com o Ministério da Saúde, quando o trâmite oficial seria o encaminhamento à pasta.

O destinatário, Marco Aurélio Ribeiro, em meio às tratativas comerciais, teve despesas pagas por Roberta: fatura de cartão de crédito, financiamento de automóvel, compra de joias e uma obra de arte. Nada que se enquadre no socorro a um amigo em aperto financeiro ocasional.

A defesa do filho de Lula não confirmou nem desmentiu a veracidade da credencial apresentada no contexto de prospecção de negócios.

O foco dos advogados no momento não são os fatos, mas o fato de trechos dos relatórios da polícia ao Supremo Tribunal Federal virem sendo publicados. É o papel deles, assim como é ofício do jornalista dar notícia das informações recebidas, confirmadas a consistência dos dados, a legalidade e a legitimidade da fonte.

A defesa tem razão quando argumenta que se Fábio Luís não fosse filho de quem é, o inquérito nem sequer existiria. Mas é justamente a condição de filho do presidente que lhe confere o trânsito privilegiado e acesso necessários aos operadores de transações governamentais.

 

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