O Globo
A mobilização terá de continuar, tanto para
exigir ação do setor público quanto para fiscalizá-la
Não é demais repetir nem insistir. A tragédia
socioclimática que colapsou o Rio Grande do Sul é inédita em intensidade,
tamanho, duração. Nunca, de uma só vez, tanta gente afetada. Nunca, de uma
tacada, tanto território devastado. Ontem, eram 65.762 pessoas em abrigos,
população comparável à dos municípios de Bom Jesus da
Lapa (BA), Cataguases
(MG), Valença (RJ), Embu-Guaçu
(SP), Vacaria (RS).
Fora de casa estão mais de 581 mil homens, mulheres, crianças; Belém, capital
paraense, tem 528 mil habitantes. Ao todo, 2,3 milhões de moradores foram
afetados por inundações e deslizamentos; é Sergipe inteiro.
A chuva não cessou, água e lama inundam porções inteiras de Porto Alegre e de cidades do sul gaúcho, tantos outros municípios estão em escombros. E a comoção começa a diminuir. Ao longo da semana, rigorosamente todas as organizações da sociedade civil, que desde o primeiro momento atuam na linha de frente da assistência aos desabrigados, registraram queda tanto nas transferências financeiras quanto no envio de produtos. Em alguns casos, os donativos despencaram 80%, 90%.








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