quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Greve faz Dilma trocar PF por militares na Copa

João Domingos, Vannildo Mendes

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff decidiu privilegiar o papel das Forças Armadas no comando da segurança dos grandes eventos que vão ocorrer no Brasil a partir do ano que vem - Copa das Confederações, Copa do Mundo de Futebol e Olimpíada. A intervenção ocorreu depois que Dilma formou convicção de que na greve em curso os policiais federais agiram para atemorizar a sociedade em aeroportos, postos de fronteira e portos.

De acordo com assessores diretos, Dilma considera absurda a forma como os policiais federais têm agido na greve, levando a população a constrangimentos com revistas descabidas em malas e bolsas, além de exibição de armas em suas operações-padrão. A presidente teme ainda que o Brasil passe por vexames, como o que ocorreu na Rio+20, quando policiais federais tentaram fazer um protesto durante o evento.

O comando da Secretaria Extraordinária de Grandes Eventos, subordinada ao Ministério da Justiça e dirigida por um delegado da PF, Valdinho Jacinto Caetano, já começou a perder espaço para as Forças Armadas. Num primeiro movimento autorizado por Dilma, o Ministério da Defesa publicou ontem no Diário Oficial da União portaria que prevê o redistribuição de verbas de segurança em eventos e avança nas funções estratégicas da secretaria em favor dos comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Conforme a portaria, em contexto emergencial, o ministério fica autorizado a realizar o planejamento para emprego temporário das Forças Armadas para atuar nas áreas de defesa aeroespacial, controle de espaço aéreo, defesa de áreas marítima, fluvial e portuária, segurança e defesa cibernética, de preparo e emprego, de comando e controle e de defesa contra terrorismo. A medida vale para todas as cidades-sede da Copa e dos grandes eventos programados até 2016.

O Estado apurou que, num segundo momento, o Planalto planeja substituir o titular da secretaria por um representante do Ministério da Defesa. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou por meio da assessoria que não comentaria portaria de outra pasta.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Paes defende aliado flagrado com Cavendish

Secretário de Urbanismo foi fotografado em comemoração em Paris com dono da Delta, investigado em CPI

Cristina Tardáguila

O prefeito do Rio e candidato à reeleição pelo PMDB, Eduardo Paes, foi enfático ao defender ontem o secretário municipal de Urbanismo, Sergio Dias, fotografado em Paris num momento de descontração ao lado do empresário Fernando Cavendish, dono da Delta - a principal construtora investigada pela CPI do Cachoeira.

- Eu boto a mão no fogo por todos os meus secretários - disse Paes em entrevista concedida à 2ª edição do RJTV. - Boto a mão no fogo até que haja comprovação de que fizeram algo de errado. Se tiver, demito no dia seguinte.

Na série de fotos feita na França e divulgada pelo ex-governador Anthony Garotinho, o secretário de Paes, aparece em uma comemoração com Cavendish e secretários do governador Sergio Cabral, todos com guardanapos amarrados à cabeça. Para Paes, "nunca é bom" que um administrador público tenha relações próximas com o setor privado.

- Mas o secretário (Dias) não tem relação com as obras que a prefeitura realiza - ponderou o prefeito. - Além disso, os contratos são transparentes, e não há denúncias graves contra meu governo.

Em dez anos, sob a gestão de Fernando Cavendish, o patrimônio líquido da Delta passou de R$ 50 milhões para R$ 1,1 bilhão. A construtora teve contratos com o governo do estado e com a prefeitura do Rio em obras como a Transcarioca, corredor expresso que ligará a Barra da Tijuca ao aeroporto internacional do Galeão.

Sobre a possibilidade de deixar o cargo em um possível segundo mandato para concorrer a outro cargo, Paes afirmou que espera governar a cidade por mais quatro anos:

- Fico até 2016 de qualquer jeito.

Segundo ele, as obras do Parque Olímpico estão dentro dos prazos, e o orçamento dos Jogos de 2016, que ainda não foi finalizado, só será divulgado quando todos os projetos estiverem definidos.

Paes anunciou ainda que tem como meta dobrar os esforços que vem fazendo na área da saúde, apontada pelos eleitores como a mais problemática do município.

- Eu como prefeito digo que a saúde é o principal desafio. Passamos de atender a 200 mil pessoas para atender a 2,2 milhões. A meta agora é dobrar isso, chegar a 4 milhões.

Horário eleitoral começa com candidatos a vereador

Mais cedo, na estreia da propaganda eleitoral de rádio e televisão no Rio, os destaques ficaram por conta da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que apareceu na campanha de um candidato a vereador do PSOL e do chamado "minuto da verdade" do ex-prefeito Cesar Maia.

Considerada um apoio político de peso desde que obteve 20 milhões de votos na corrida presidencial de 2010 (19% do total), Marina Silva vinha se mantendo afastada da política até agora. Não exerce cargo público nem está filiada a nenhum partido. Enquanto é cortejada por legendas e candidatos - entre eles Marcelo Freixo, que disputa a prefeitura do Rio pelo PSOL -, fala na criação de um novo partido, mas ainda não deu passos concretos nesse sentido. No horário eleitoral de ontem, Marina ficou menos de dez segundos no ar. Apareceu ao lado de Jefferson Moura e pediu votos para ele com uma única frase ("Para mudar a política, Jefferson Moura"). O candidato a vereador disputou o governo do Rio em 2010 e obteve apenas 1,6% dos votos válidos.

Cesar Maia, por sua vez, estreou no horário eleitoral da cidade com seu "minuto da verdade". Nele, o ex-prefeito e atual candidato a vereador pelo DEM adotou um discurso que fez lembrar uma corrida eleitoral para a prefeitura. Cesar disse que, se eleito, retomará o Favela Bairro, o Remédio em Casa e as Vilas Olímpicas, entre outros programas populares que lançou quando estava na administração municipal.

Ainda como se fosse candidato à prefeitura (seu filho, Rodrigo Maia, concorre ao cargo pelo DEM), aproveitou para alfinetar o atual prefeito:

- Aqui vamos falar do Rio de verdade - disse ele, com ironia. - Não da propaganda que a prefeitura paga com o nosso dinheiro.

A estreia dos candidatos a vereadores na TV mostrou ainda os senadores Francisco Dornelles e Lindbergh Farias pedindo votos para os candidatos do PP e do PT, respectivamente. Marcelo Crivella, ministro da Pesca e da Agricultura, saiu em favor dos candidatos do PRB, e Índio da Costa, que concorreu à vice-presidência da República na chapa do tucano José Serra em 2010, defendeu os nomes do PSD.

No quesito curiosidade, destacou-se a posição do deputado estadual Wagner Montes. O apresentador aparece no programa de seu partido, o PSD, e pede voto para a legenda. Seu filho, Wagner Montes Júnior, candidato a vereador pelo PRB, fica sem o apoio do pai. Ambos têm o mesmo bordão: 

"Escracha".

FONTE: O GLOBO

Na TV, Lula compara Haddad a Dilma

Ex-presidente diz que população deve confiar no candidato que escolheu para disputar Prefeitura, como fez em 2010 com ex-ministra

Isadora Peron , Bruno Lupion , Marcelo Portela

BELO HORIZONTE – No primeiro dia do horário eleitoral na televisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu em uma inserção pedindo voto ao candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, e dizendo para que a população confie nele, assim como confiou nas eleições de 2010, quando escolheu Dilma Rousseff como candidata à Presidência da República.

"Dois anos atrás, eu pedi ao povo brasileiro para votar na Dilma. Pouca gente conhecia ela, mas confiou em mim. Hoje, mais do que nunca, o Brasil sabe que votou na pessoa certa. Com a mesma convicção, eu peço agora ao povo de São Paulo que vote em Fernando Haddad para prefeito", afirma Lula.

O ex-presidente também diz "conhecer bem" Haddad e o define como "o melhor ministro da Educação da história". Haddad ocupou o Ministério da Educação por seis anos e meio, nos governos Lula e Dilma, e, se por um lado costuma ser lembrado pelo sucesso de programas como o ProUni, é constantemente cobrado por falhas ocorridas no Enem, que enfrentou problemas de organização de três anos para cá.

Na inserção de meio minuto, Lula aparece sozinho por 28 segundos, ou 93% do tempo. Nos dois segundos finais, o vídeo mostra um abraço entre o ex-presidente e seu pupilo. Em outra propaganda, que também foi ao ar ontem, Haddad se apresenta ao eleitor de São Paulo.

Outro ex-ministro que fez de Lula seu cabo eleitoral, mostrando que a "lulodependência" não é uma característica exclusiva de Haddad, foi o candidato à Prefeitura de Belo Horizonte, Patrus Ananias (PT). Na TV, o ex-presidente afirma que, "quando quis mudar a política social do País, chamou Patrus". Lula diz ainda que foi junto com ele que criou o Bolsa Família, um dos maiores programas sociais do governo federal, "que é hoje copiado pelo mundo".

As inserções são consideradas os instrumentos mais efetivos do marketing político, pois atingem até a população que "foge" do horário eleitoral fixo, ao se misturar à propaganda comercial, das 8h às 24h, sete dias por semana. Até o dia 4 de outubro, serão exibidos 30 minutos diários de inserções em cada emissora, em spots de 15, 30 ou 60 segundos.

A imagem de Lula também vai ser explorada pelos petistas e outros aliados do governo federal nos programas dos candidatos a prefeito, que começam hoje no rádio e na TV.

Haddad deve ser o narrador de seu primeiro programa, no qual vai apresentar um diagnóstico dos problemas da cidade. Mesmo assim, Lula deve aparecer ao seu lado.

Em Salvador, a campanha de Nelson Pelegrino (PT) postou um vídeo no site do candidato no qual o ex-presidente diz conhecê-lo há mais de 30 anos. As imagens devem ir ao ar hoje.

No Recife, Lula também será a estrela do programa eleitoral gratuito do senador Humberto Costa, que concorre à prefeitura.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Massa de inserções divide palco eleitoral entre Serra e Haddad

Nelson de Sá

SÃO PAULO - O programa eleitoral para prefeito só começa hoje, mas, repetem os marqueteiros, as inserções lançadas ontem importam mais. São elas que atingem o eleitor de guarda baixa, no intervalo da novela. O primeiro dia em São Paulo confirmou o impacto do tempo maior de Fernando Haddad e José Serra.

Foram duas mensagens definidas, para Haddad. Numa das inserções, ele deu lugar a Lula. Sorridente, saudável, o ex-presidente acrescentou a presidente Dilma Rousseff à equação eleitoral petista. Na segunda, sozinho, Haddad se apresentou como firme, "ousado", o novo.

Serra atirou para todo lado. Seu bordão ressalta "ideias novas", contra Haddad. Mas ele se apresenta como "o governador da expansão do metrô", contra as críticas sobre transporte público. Como o prefeito que fez "24 CEUs", programa associado a Marta Suplicy. Como "o senador do Plano Real", programa associado a FHC, que segue desaparecido.

Outros Serras se apresentaram, inclusive um mais popularesco, com marionetes e jingle. Em todas as inserções, agressividade nenhuma.

Nada também do prefeito Gilberto Kassab. O ex-prefeito abre sua campanha refrescando a memória de eleições passadas e buscando conter a rejeição crescente.

Serra estreou na defensiva, Celso Russomanno fez o oposto. O candidato do bispo Edir Macedo apostou na reprodução do Ibope que indicou sua virtual liderança.

Arriscou ação irregular, talvez consciente de que as primeiras duas semanas de propaganda são decisivas.

Desfilou por sua única inserção como vitorioso, cumprimentando eleitores pelas ruas, com uma única mensagem, "o povo de São Paulo já decidiu". Nas imagens, lembrou Fernando Collor de Mello, em 1989.

Correndo por fora, Chalita apelou a Geraldo Alckmin, contra Serra, e à experiência em educação, contra Haddad. Defendeu "São Paulo em primeiro lugar", contra a polarização entre PSDB e PT. Mas, até pela massa de inserções de ambos, o tucano e o petista já dividiram o palco.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Em Recife, Geraldo convoca antigos líderes

Candidato organiza atos com aliados que têm forte inserção no Recife, entre eles Eduardo, Jarbas, Joaquim, Braga e Cadoca

Sheila Borges

Com o guia eleitoral majoritário, começa hoje o que os candidatos chamam de segunda fase da campanha, período em que os prefeituráveis investem forte na mídia eletrônica, sem esquecer o corpo a corpo junto aos eleitores. Os coordenadores da campanha do candidato a prefeito do Recife pelo PSB, Geraldo Julio, encontraram uma fórmula para unir as duas agendas: promover “grandes atos” com líderes políticos da Frente Popular que têm inserção no Recife. Assim, o socialista pretende conseguir visibilidade nas ruas e nas propagandas gratuitas da televisão.

A estratégia é, a partir de agora, organizar atos públicos, não apenas em lugares fechados, nos quais Geraldo vai aparecer ao lado dos aliados que já disputaram a Prefeitura do Recife. Encabeçam essa relação o governador Eduardo Campos (PSB), principal padrinho político de Geraldo, e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que foi prefeito do Recife e governador, cada mandato deste exercido por duas vezes. A previsão é que, no final deste mês, os dois estejam com o prefeiturável caminhando nas ruas. Existem duas alternativas sendo estudadas para o roteiro: o Centro da cidade e o bairro de Casa Amarela, que são trajetos tradicionais em campanha. Geraldo já esteve em Casa Amarela, mas ainda não foi “testado” nas ruas do Centro do Recife.

O candidato do PSB também tem ao seu lado um outro ex-prefeito e ex-governador, Joaquim Francisco, que ainda não está integrado à campanha. Aliás, foi o ex-governador – dizem estudiosos em eleições – que incrementou esse formato de caminhada como presenciamos hoje nas campanhas, nos anos 80 e 90. Antes, os prefeituráveis costumavam privilegiar mais os comícios e as reuniões com eleitores nas comunidades.

Também fazem parte da relação dos detentores de “patrimônio político” no Recife que já disputaram eleições majoritárias, os deputados federais Carlos Eduardo Cadoca (PSC) e Raul Henry (PMDB) e o ex-deputados João Braga (PV) e André de Paula (PSD). Todos estão participando da campanha de Geraldo Julio. Os coordenadores da equipe do prefeiturável do PSB devem organizar esta semana o mapa de eventos de Geraldo com todos esses integrantes da Frente Popular.

Geraldo reúne, hoje à noite, a militância no comitê central da campanha para acompanharem juntos o primeiro programa da propaganda gratuita da TV. Ele considerou “natural” a aparição do ex-presidente Lula ontem nas inserções da TV, ao lado do candidato Humberto Costa (PT).

Ontem, o socialista caminhou na comunidade do Bode, Pina. Ao final, fez um discurso dizendo que não vai entrar em briga com os adversários. “Estão doido que eu me mele. Não vou me melar. A minha briga é para melhorar a vida do povo do Recife”, falou, referindo-se às provocações que tem recebido dos adversários.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Em Recife, Daniel quer “estender” o guia eleitoral na web

A campanha do candidato do PSDB à Prefeitura do Recife, deputado estadual Daniel Coelho, pretende “estender” o pouco tempo que dispõe no guia eleitoral do rádio e da televisão – 3 minutos e 47 segundos – com uma estratégia que será lançada hoje, logo após a primeira exibição do programa noturno dos majoritários. Daniel pretende dialogar com eleitores, após a exibição do guia, através de um canal ao vivo no seu site (www.danielcoelho.com.br).

O programa online de Daniel Coelho terá duração de dez minutos e o candidato planeja movimentá-lo todas as segundas, quartas e sextas, dias dedicados ao guia dos candidatos majoritários. Dessa forma, ele espera reforçar a divulgação das propostas de sua campanha conversando diretamente com eleitores.

Ontem, Daniel dedicou boa parte da manhã gravando para o guia. À noite, concedeu entrevista para o NETV da Globo e, em seguida, realizou uma caminhada no Alto do Céu, Zona Norte do Recife. Hoje, o candidato volta a gravar para o programa eleitoral gratuito e realiza nova caminhada, desta vez pela Mustardinha.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

PT, profecia e autoengano - Fernando Rodrigues

Transformou-se em senso comum dizer que campanha eleitoral no Brasil só começa para valer depois do início da propaganda em rádio e TV. Mas esse elixir milagroso tem também seus limites.

A pesquisa Datafolha divulgada ontem mostrou que o candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, continua com apenas 8%. Lidera o pelotão dos nanicos.

Já há alguns meses o PT propaga uma profecia: no horário eleitoral na TV, Haddad estará colado a Lula.

Vai disparar para se consagrar e vencer no segundo turno.

Em campanhas passadas essa tem sido uma trajetória rara. Nesta mesma época, em 2008, Gilberto Kassab estava com 14%. Além disso, ele era prefeito e buscava a reeleição. Tinha a máquina da cidade a seu favor, inclusive o apoio do então bem avaliado governador do Estado, José Serra.

Mas Lula não vai acabar compensando todas as deficiências de Haddad? A presença do ex-presidente na TV foi vital na eleição de Dilma Rousseff. É verdade. Só que muitos se esquecem que Dilma neste mesmo período em 2010 já estava com 47% nas pesquisas de intenção de voto para presidente.

Os petistas podem argumentar que Haddad sofre por ser desconhecido. Celso Russomanno (PRB) estaria então sugando votos de petistas desinformados. Por essa lógica, quando os paulistanos pró-Lula souberem quem é o candidato do PT, as coisas mudam como num passe de mágica.

A favor de Haddad está a força incontestável do lulismo, a fragilidade partidária da campanha de Russomanno e a alta taxa de rejeição ao tucano José Serra (38%).

A profecia petista pode se autocumprir, é claro. Se assim o for, Haddad protagonizará uma das mais formidáveis arrancadas eleitorais na história de eleições paulistanas. Se tudo der errado, saberemos que a falação atual não passou de autoengano, o esporte preferido dos políticos.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Ana Costa - "Regra Três"

Vou-me embora pra Pasárgada – Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha falsa e demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as hitórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Paságarda tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que quero
na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

OPINIÃO DO DIA – Joaquim Barbosa; ‘o mensalão maculou a República’ (XVII)

A clareza da obrigação de devolução do bônus de volume e o fato de todos os valores de bônus pertencerem expressamente ao Banco do Brasil mostram que houve sim crime de peculato. Está devidamente comprovado que a DNA se apropriou dos recursos que deviam ter sido devolvidos ao BB, que eram públicos. No caso, o contrato é muito claro ao mostrar que as vantagens pagas às agências sempre têm que ser devolvida para o banco. A DNA não devolveu nenhuma vantagem obtida.

Joaquim Barbosa, ministro, relator do processo do mensalão no STF, 20/8/2012.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Relator vê desvio de verba pública em dois momentos
Justiça condena Arruda por painel
Galeão reforma para privatizar
MP quer parar 149 obras no Pantanal
Menos de 1 real por dia na saúde

FOLHA DE S. PAULO
Relator conclui que verba pública irrigou mensalão
Ameaçado, João Paulo dá lugar a vice em folhetos
Russomanno cresce cinco pontos; eleição tem empate técnico
Menor detido por tráfico vai ter 2ª chance, decide STJ
Greve federal ganha adesão dos policiais rodoviários
Governo agora quer privatizar l5 aeroportos médios

O ESTADO DE S. PAULO
Relator aponta desvio de verba pública no mensalão
STF mantém julgamento fatiado
Liberação de recursos do BNDES cai 3,8% em 2012
PT exibirá Haddad em espaço de vereadores
Ação quer suspender usina no Pantanal

VALOR ECONÔMICO
Agência vai reduzir teto tarifário das ferrovias
Bolsa apura infrações de corretoras
De olho no futuro
'Sistema S' agora terá de divulgar salários
Emergentes frustram metas dos laboratórios

BRASIL ECONÔMICO
IPI menor provoca fila de espera de 60 dias para carro popular

CORREIO BRAZILIENSE
Da greve à guerra
Julgamento: Relator aponta desvio de verba para o mensalão
Justiça condena Arruda por violar painel do Senado
TJ decide fim de privilégio de parlamentares

ESTADO DE MINAS
Beber até morrer
Economia de R$ 126 bi com estradas boas
Relator conclui primeira fatia do julgamento
Servidores de MG preparam fim da greve

ZERO HORA (RS)
Após trimestre fraco, economia começa a dar sinais de retomada

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Demissões em Suape
Greve na PRF deixa estradas sem fiscalização
Caso do mensalão
Começa hoje a campanha em horário gratuito no rádio e na televisão.

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Relator vê desvio de verba pública em dois momentos

O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no STF, afirmou ontem haver provas de que dinheiro público alimentou o esquema. Com base em laudos e auditorias do TCU, disse que a DNA, agência de Marcos Valério, se apropriou de R$ 2,9 milhões do Banco do Brasil. Depois, o então diretor de Marketing do BB, Henrique Pizzolato, ordenou o pagamento de R$ 74 milhões do fundo Visanet à agência. Parte dessa verba foi usada para pagar a políticos. "O Visanet só enviou dinheiro para a DNA por determinação do Banco do Brasil" disse. Ele quer condenar Pizzolato por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, e Valério e dois sócios por corrupção ativa e peculato

Esquema usou verba pública

Relator vota pela condenação de Pizzolato, ex-diretor do BB, de Valério e seus dois sócios

Carolina Brígido, André de Souza

BRASÍLIA O relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, afirmou ontem, em seu voto, que o esquema foi alimentado pelo desvio de dinheiro público. Ele votou pela condenação do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Também votou pela condenação de Marcos Valério, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, sócios da DNA Propaganda, por corrupção ativa e peculato.

Na sessão de ontem, 12º dia de julgamento do processo, Barbosa considerou que há provas nos autos para demonstrar que dinheiro do Banco do Brasil foi desviado em dois momentos para a agência de Valério. No primeiro desvio, a DNA se apropriou de bonificações que deveriam ter sido restituídas ao BB no valor de pelo menos R$ 2,9 milhões.

Na segunda modalidade de desvio de recursos públicos, segundo o relator, Pizzolato ordenou o pagamento antecipado de R$ 74 milhões do Fundo Visanet à DNA em quatro operações financeiras, realizadas entre 19 de maio de 2003 e 1º de junho de 2004. Em troca, o ex-dirigente do BB recebeu R$ 326,6 mil.

O relator ressaltou que, diferentemente do que alega a defesa, o dinheiro era público, já que o BB detinha 32,3% das ações e tinha total liberdade para escolher o que fazer com sua parte do Fundo Visanet.

Os recursos destinados à agência de Valério, segundo o relator, acabaram sendo usados para pagar políticos indicados pelo então tesoureiro do PT Delúbio Soares.

Barbosa também afirmou que, mesmo que o dinheiro fosse privado, isso não eximiria os acusados do crime de peculato. Isso porque, segundo o Código Penal, a prática ocorre quando um funcionário público desvia dinheiro público ou privado, por consequência do cargo que ocupa.

- Daí a fragilidade, ao meu ver, do principal argumento da defesa. Essas informações são cristalinas. O Visanet só enviou dinheiro para a DNA por determinação do Banco do Brasil. Quem pagou à DNA Propaganda foi o Banco do Brasil, e não o Visanet, que foi mero repassador desses recursos, que pertenciam ao banco - argumentou em seu voto.

Pizzolato autorizou sozinho os repasses

Segundo Barbosa, Pizzolato determinou sozinho os repasses, embora as regras do banco fossem claras no sentido de que esse tipo de decisão precisava ser submetida a colegiados. Outra irregularidade foi a falta de previsão desses pagamentos no contrato mantido entre a empresa e o banco. E também a falta de comprovação de contrapartida em serviços por parte da agência. O relator disse que as notas apresentadas pela DNA eram falsas, conforme comprovaram perícias técnicas.

- É incontornável a conclusão de que Henrique Pizzolato, no exercício da função, era a autoridade máxima a comandar as vultosas transferências de recursos para a DNA Propaganda. Embora ele não fosse o gestor do Banco do Brasil junto ao Fundo Visanet, a atuação desse gestor dependia de sua prévia autorização, por meio de notas técnicas, nas quais Pizzolato indicava a DNA Propaganda como favorecida - explicou Barbosa, concluindo: - A omissão de Pizzolato permitiu que a agência utilizasse livremente os recursos oriundos do Visanet.

O relator afirmou que o dinheiro do Visanet, que na verdade era do Banco do Brasil, serviu de garantia para que empresas de Valério tomassem cinco empréstimos em nome do PT nos bancos Rural e BMG. Entre os beneficiados pelo dinheiro estavam parlamentares do PP, então integrante da base governista.

- O desvio de dinheiro em proveito da agência foi perpetrado por Pizzolato em troca de vantagem indevida paga pelos controladores da DNA, os quais auxiliaram o PT assinando empréstimos junto ao Rural e ao BMG, que conferiram a aparência lícita ao pagamento a pessoas designadas por Delúbio - disse Barbosa.

Os R$ 326 mil que Pizzolato ganhou de Valério foram recebidos em espécie em uma agência do Banco Rural no Rio em 15 de janeiro de 2004. O cheque foi emitido no mesmo dia em uma agência do mesmo banco em Belo Horizonte, com a assinatura de Cristiano Paz.

Segundo o ex-diretor do Banco do Brasil, ele estava apenas fazendo o favor de pegar o dinheiro e entregar a alguém do PT. A defesa dele também alegou que o cliente não sabia que o pacote que levou para casa estava recheado de cédulas.

Segundo Barbosa, o peculato ficou configurado com o desvio de dinheiro público em benefício dos empresários, com o auxílio de um funcionário público. O fato de ter recebido dinheiro em troca do favor dá a Pizzolato a condição de autor de crime de corrupção passiva.

Os sócios da DNA teriam cometido corrupção ativa, ou seja, pagar propina em troca de favor do agente público. A lavagem de dinheiro teria sido configurada com a forma velada na qual Pizzolato recebeu o dinheiro, sacado no Banco Rural.

"A omissão do réu (pizzolato) foi dolosa"

O ministro também concluiu que o contrato de prestação de serviços da DNA com o Banco do Brasil foi executado de forma irregular, com a apropriação indevida dos chamados bônus de volume por parte da empresa, quando o contrato previa o repasse à instituição. Nesse item, o prejuízo foi de R$ 2,9 milhões dos cofres públicos. As transferências foram realizadas entre 31 março de 2003 e 14 junho de 2005, durante a gestão de Pizzolato. O diretor teria sido omisso na tarefa de fiscalizar a execução do contrato.

- Ele era responsável pelo cumprimento das normas contratuais. Fica evidente que o acusado deveria ter cumprido dever de ofício e impedido a apropriação de valores pela DNA Propaganda. O réu Henrique Pizzolato promoveu o aumento da remuneração da DNA à custa dos cofres públicos. No âmbito criminal, a omissão do réu foi dolosa - afirmou o ministro.

A defesa alegou que, segundo a praxe no mercado, os bônus de volume são pagos pelos veículos de comunicação às agências e, por isso, não houve desvio de dinheiro público. Mas o ministro esclareceu que o contrato entre a DNA e o BB previa o repasse de todos os bônus de volume e demais benefícios financeiros à instituição. A defesa também argumentou que lei de 2010 teria determinado que o pagamento de bônus de volume seria benefício de da agência. Barbosa negou que a lei tenha esse efeito.

- A clareza da obrigação de devolução do bônus de volume e o fato de todos os valores de bônus pertencerem expressamente ao Banco do Brasil mostram que houve sim crime de peculato - disse Joaquim Barbosa. - Está devidamente comprovado que a DNA se apropriou dos recursos que deviam ter sido devolvidos ao BB, que eram públicos. No caso, o contrato é muito claro ao mostrar que as vantagens pagas às agências sempre têm que ser devolvida para o banco. A DNA não devolveu nenhuma vantagem obtida.

Barbosa pede que Gushiken seja absolvido

Por falta de provas, Barbosa seguiu o entendimento do Ministério Público e absolveu o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Luiz Gushiken, que era acusado pelo crime de peculato. A denúncia do MP citava depoimentos de Pizzolato atribuindo ao ministro a responsabilidade pelos repasses à agência de Valério. Nas alegações finais, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, entendeu que não foi possível comprovar o envolvimento de Gushiken.

O julgamento do mensalão será retomado amanhã com o voto do ministro revisor, Ricardo Lewandowski.

FONTE: O GLOBO

Barbosa deixa a acusação contra Dirceu para o fim de seu voto

Ao modificar a ordem da denúncia, relator deve deixar Peluso fora da decisão

Carolina Brígido

BRASÍLIA O relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, divulgou ontem a ordem em que apresentará seu voto, deixando claro que ficará para o fim a acusação de formação de quadrilha, em que o ex-ministro José Dirceu é apontado como "o chefe da organização criminosa".

Se o relator realmente deixar Dirceu para a conclusão do voto, é provável que o ministro Cezar Peluso fique de fora dessa decisão. Ele completa 70 anos em 3 de setembro e, com isso, será obrigatoriamente aposentado. Os longos votos prometidos pelo relator e pelo revisor, ministro Ricardo Lewandowski, devem provocar a demora do julgamento. Mesmo que os colegas sejam rápidos, a participação de Peluso até o fim é quase impossível. As sessões plenárias ocorrerão às segundas, quartas e quintas-feiras.

Barbosa revelou ter estruturado seu voto de acordo com as práticas criminosas atribuídas aos réus. Escolheu começar com o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara, como revelou na primeira parte de seu voto, na quinta-feira. A ordem é diferente da escolhida por ele em 2007, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou a denúncia do Ministério Público Federal e abriu a ação penal.

Há cinco anos, Barbosa começou analisando a gestão fraudulenta atribuída à diretoria do Banco Rural. Agora, focou nos desvios de dinheiro público da Câmara e do Banco do Brasil (BB), que estão descritos no item 3 da denúncia do Ministério Público. Nesse capítulo, concluído ontem, o relator analisou a denúncia contra o ex-diretor do BB Henrique Pizzolato por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Também falou de corrupção ativa e peculato, atribuídos a Marcos Valério e seus ex-sócios.

O próximo capítulo analisado será o quinto. Nele está descrito o crime de gestão fraudulenta, que abriu o julgamento de 2007. José Roberto Salgado, Ayanna Tenório, Vinicius Samarane e Kátia Rabello, do Rural, serão julgados por empréstimos concedidos ao PT e à SMP&B. O grupo é acusado de pertencer ao núcleo financeiro do esquema.

O capítulo seguinte será o quarto da denúncia, sobre os saques realizados no Rural. Estarão em jogo os réus do núcleo financeiro, acusados de lavagem de dinheiro. Nesse capítulo, Valério, ex-sócios da SMP&B e funcionários também respondem por lavagem de dinheiro.

Depois, Barbosa analisará o item seis. Nele, detalham-se os saques realizados por políticos no Rural - o suposto mensalão. Serão julgados integrantes do PP, PL, PTB e PMDB,além de integrantes dos núcleos políticos, publicitário e financeiro, acusados de corrupção ativa em relação à compra de votos. Entre eles José Dirceu e Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT.

Em seguida, virá o capítulo sete, sobre saques feitos no Rural por petistas e pelo ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto. O penúltimo capítulo, o oitavo, é dedicado à evasão de divisas e lavagem de dinheiro atribuídas aos publicitários Duda Mendonça e Zilmar Fernandes, que também respondem por evasão de divisas.

A suposta formação de quadrilha, descrita no capítulo dois, será deixada para o fim. Serão traçados os destinos de Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino, ex-presidente do partido. Também são acusados de formar quadrilha os integrantes dos núcleos financeiro e publicitário.

- Meu voto foi proferido com base no que foi apurado nos autos nos quatro anos de instrução penal. A estrutura é essa: a acusação disse isso, a defesa disse isso. Vem o relator e diz o que ele entende com base com o que está nos autos - explicou Joaquim Barbosa.

Perguntado se condenará todos os réus, como dizem os advogados, o relator reagiu:

- Essa é a opinião deles. Eu não falei com nenhum deles.

Quem são os réus do capítulo 5

KÁTIA RABELLO (FOTO). Ex-presidente do Banco Rural. A defesa nega irregularidade nos empréstimos do banco, dizendo que eles foram informados ao Conselho de Atividades Financeiras (Coaf). Diz que que, à época dos empréstimos, 2003, o banco era presidido por José Augusto Dumont, morto em 2004.

JOSÉ ROBERTO SALGADO. Ex-diretor do Banco Rural. A defesa alega que ele ocupava cargo sem relação direta com a concessão de crédito em 2003, quando os empréstimos foram feitos.

VINÍCIUS SAMARANE. Ex-diretor do Banco Rural. O advogado diz que ele não tinha responsabilidade pelos empréstimos, uma vez que só passou a ocupar posto relacionado à concessão de crédito em 2004.

AYANNA TENÓRIO. Ex-diretora do Banco Rural. A defesa lembrou que ela sequer trabalhava no Banco Rural quando os empréstimos foram feitos e negou que ela estivesse envolvida em irregularidades.

FONTE: O GLOBO

Relator aponta desvio de verba pública no mensalão

Joaquim Barbosa conclui que empréstimos bancários serviram para "lavar" R$ 73 milhões desviados do BB

O relator da ação penal do mensalão, Joaquim Barbosa, afirmou na leitura de seu voto no STF que recursos públicos do Banco do Brasil foram desviados para as empresas de Marcos Valério para alimentar o esquema. A tese sempre foi negada pelo PT e pelos advogados do empresário e do ex-diretor de marketing do BB Henrique Pizzolato. Barbosa disse que as empresas de Valério tomaram empréstimos fraudulentos nos bancos Rural e BMG para lavar os R$ 73 milhões desviados do BB. Os recursos foram distribuídos para pessoas indicadas pela cúpula do PT. Ele também afirmou que os empréstimos do Rural serviram para enriquecimento ilícito de Valério, de sua mulher, Renilda, e de sócios. O ministro votou pela condenação de Pizzolato por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, e Marcos Valério e seus sócios Gristiano Paz e Ramon Hollerbach, por corrupção ativa e peculato.

Relator aponta desvio de verba pública e vota por condenação de ex-diretor do BB

Felipe Recondo, Fausto Macedo, Mariângela Gallucci, Eduardo Bresciani e Ricardo Brito

BRASÍLIA - Recursos públicos do Banco do Brasil foram desviados para as empresas do publicitário Marcos Valério para alimentar o esquema do mensalão. A tese, sempre negada pelo PT e pelos advogados do empresário e do ex-diretor de marketing do BB Henrique Pizzolato, foi afirmada ontem pelo relator da ação penal do mensalão no Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

O relator disse ainda que as empresas de Valério tomaram empréstimos fraudulentos nos bancos Rural e BMG para lavar a origem dos R$ 73 milhões desviados do BB e depois foram distribuídos para pessoas indicadas pela cúpula do PT. "No curso da ação penal, comprovou-se que os recursos serviram para o pagamento de vantagens a parlamentares por obra de Delúbio (Soares, o ex-tesoureiro do partido)", afirmou. Ele também disse que os empréstimos do Rural serviram para enriquecimento ilícito de Valério, sua mulher, Renilda, e seus sócios.

Por isso, o ministro votou pela condenação de Pizzolato por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Marcos Valério e os sócios das empresas de publicidade - Cristiano Paz e Ramon Hollerbach - devem ser condenados por corrupção ativa e peculato, na opinião do relator. Os três já haviam recebido o voto de condenação do relator por esses crimes na semana passada, quando foi analisado o contrato da Câmara dos Deputados com a empresa de publicidade SMPB.

Concluído este capítulo do voto de Barbosa, será a vez de o revisor do processo, Ricardo Lewandowski, manifestar-se sobre a proposta de condenação dos publicitários, de Pizzolato e do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), amanhã. A expectativa é de que ele discorde do colega em relação a vários pontos do processo. Depois de Lewandowski, deverão apresentar os seus votos os outros nove ministros do STF. Não há previsão de quando essa fase terminará.

Na opinião do relator, dinheiro do fundo da Visanet - R$ 73,8 milhões - e gratificações pagas às empresas de publicidade de Marcos Valério (R$ 2,9 milhões) comprovariam que recursos públicos foram entregues ao esquema por agentes vinculados ao governo.

Pizzolato foi o responsável pelos desvios, conforme o voto proferido ontem pelo relator da ação penal. Em troca desse benefício considerado ilegal, ele recebeu R$ 326 mil em dinheiro vivo de Marcos Valério. A defesa de Pizzolato sustentou que ele apenas pegou uma encomenda a pedido de Marcos Valério e repassou ao PT. Segundo o advogado, ele não recebeu dinheiro.

Para o ministro, a operação para pagar o ex-diretor de Marketing valeu-se do mesmo esquema de lavagem de dinheiro a João Paulo. De acordo com Barbosa, os recursos do fundo Visanet - destinados a incentivar o uso de cartões de crédito e débito - foram repassados de forma antecipada pelo Banco do Brasil à empresa DNA Propaganda sem que serviços tivessem sido prestados, sem um respaldo contratual e confirmados por notas fiscais inidôneas.

A responsabilidade pelos quatro repasses era de Pizzolato, afirmou o ministro. E o dinheiro, disse Barbosa, era do BB. "O Banco do Brasil era acionista do fundo Visanet, era proprietário de 32,3% do fundo", disse Barbosa.

Para o relator, o ex-diretor não teria competência original para determinar os repasses antecipados. Para ele, Pizzolato avocou "para si decisões que deveriam ser feitas em colegiados". "Assim, Henrique Pizzolato agiu com dolo de beneficiar a agência de Marcos Valério que não havia prestado quaisquer serviços", disse.

O dinheiro das gratificações, também conforme o relator, foi pago às empresas de publicidade, mas deveria ter sido devolvido ao Banco do Brasil, conforme duas cláusulas contratuais citadas por Barbosa e que foram acordadas entre a instituição financeira e a empresa de Marcos Valério. Mas o dinheiro não foi devolvido ao BB por omissão de Pizzolato, afirmou o ministro.

"Em suma, a apropriação de recursos públicos pela DNA Propaganda (...) foi perpetrada por omissão do então diretor de Marketing, Henrique Pizzolato", disse Barbosa. O relator afirmou ainda que auditorias feitas pelo banco e pela Controladoria-Geral da União demonstraram que a execução dos serviços contratados não foi nem sequer comprovada. "Não se sabia se as campanhas eram efetivamente realizadas."

FONTE; O ESTADO DE S. PAULO

Relator conclui que verba pública irrigou mensalão

Ao votar pela condenação de quatro réus, o relator do mensalão, Joaquim Barbosa, corroborou a tese de que houve desvio de verba pública (peculato) para abastecer o esquema. O julgamento será retomado amanhã, com votos dos demais ministros. Barbosa considerou culpados por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, Marcos Valério e dois sócios.

Dinheiro público abasteceu mensalão, conclui ministro

Joaquim Barbosa reforça tese de que esquema foi irrigado com recursos do BB

Relator votou pela condenação do ex-diretor do Banco do Brasil por peculato, lavagem e corrupção

Felipe Seligman, Flávio Ferreira, Marcio Falcão, Nádia Guerlenda e Rubens Valente

BRASÍLIA - O relator do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, votou ontem pela condenação de um ex-diretor do Banco do Brasil e reforçou uma das principais teses da acusação, a de que dinheiro público desviado da instituição foi usado para abastecer o esquema do mensalão.

O relator disse que o dinheiro do BB, após passar pelas contas de uma agência do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, foi usado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares para fazer pagamentos a diversas pessoas, incluindo congressistas.

A tese do desvio de dinheiro público é importante para reforçar a acusação de lavagem de dinheiro (tentativa de ocultar a origem ilegal de recursos), que é feita contra 35 dos 37 réus.

Barbosa examinou ontem a conduta de Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do BB entre 2003 e 2004. O relator votou pela condenação por peculato (desvio de recursos públicos), corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo Barbosa, a maior parte do dinheiro veio ilegalmente do fundo Visanet, formado por recursos de diversos bancos para estimular o uso de cartões de crédito.

Em troca, disse Barbosa, Pizzolato recebeu em casa R$ 326 mil do esquema.

Antecipação

Embora estivesse falando de Pizzolato, o relator indicou que irá votar pela condenação de ex-dirigentes do Banco Rural e de Delúbio.

A defesa diz que os recursos distribuídos pelo ex-tesoureiro do PT no mensalão têm origem em empréstimos bancários regulares. Mas Barbosa disse que os empréstimos representavam operações "simuladas" para ocultar desvio de recurso público.

Segundo o ministro, Valério e sócios recebiam o dinheiro da Visanet e "paralelamente auxiliaram o PT, assinando empréstimos no Rural e no BMG que conferiam aparência lícita aos repasses", feitos por Delúbio.

Quando falava sobre a participação dos sócios de Valério, o ministro afirmou que "as provas demonstram que eles mantiveram reuniões com agentes públicos e pagaram vantagens indevidas a parlamentares".

Barbosa votou pela condenação de Valério e dois sócios por corrupção ativa e peculato. No final, ele foi questionado pelo ministro Ricardo Lewandowski sobre quantas vezes Pizzolato teria cometido o crime de peculato.

O relator se confundiu, primeiro falou um, depois falou que eram dois.

A decisão final ainda será tomada pelo conjunto dos 11 ministros. Se as condenações ocorrerem, as penas serão definidas ao fim dos votos.

Barbosa votou pela absolvição do ex-ministro Luiz Gushiken, que era acusado de desvio de recurso do BB. Sua absolvição havia sido pedida pelo Ministério Público.

Público e privado

A acusação em relação a Pizzolato diz que o ex-diretor transferiu ilegalmente para a empresa de Valério R$ 73 milhões do Visanet. O BB detinha o poder de manejo sobre 32% dos recursos do fundo.

Barbosa disse que mesmo que o dinheiro fosse privado nada mudaria. "Se o agente público, no caso, o diretor de marketing, desviou dinheiro ou valor de que tinha posse, está configurado o peculato, independentemente se o valor era público ou privado."

Além disso, Pizzolato teria deixado de cobrar o equivalente a R$ 2,9 milhões das empresas de Valério pelos chamado "bônus de volume", espécie de prêmio pago pelos veículos de comunicação.

O ministro citou depoimento de Pizzolato em que ele reconheceu ter se encontrado com Valério "de oito a dez vezes" durante a campanha de Lula em 2002. "Fica evidenciada a ligação."

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Clareza de posição - Merval Pereira

O julgamento do mensalão vai se desenvolvendo em meio a contestações as mais variadas, e mesmo alguns ministros não têm certeza do que os espera a cada "fatia" que o relator Joaquim Barbosa vai destacando do processo. Ele deu prioridade à clareza de suas posições, embora muitas vezes em detrimento da clareza do processo em si.

Até agora, porém, há só processos confusos, e não supostos motivos para queixas insinuadas a Cortes internacionais a pretexto de suposto cerceamento do direito de defesa dos réus.

Quando se esperava que ontem o revisor daria seu voto sobre o caso do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, eis que o relator retomou a palavra para completar a terceira fatia de seu voto.

O ministro Marco Aurélio Mello, por exemplo, revelou, irônico, que achava que ontem Lewandowski começaria seu voto, para concluir que o fatiamento não é tão extenso quanto alguns temiam.

Mas há situações mais delicadas que podem acarretar polêmica sobre o único voto que o ministro Cezar Peluso deve proferir neste julgamento.

Não é o caso de falar-se em possibilidade de anulação de seu voto, já que o recurso nesse sentido tem de ser feito ao próprio STF, que tem o direito de errar por último, como se diz nos meios jurídicos.

Mas há uma confusão no caminho que poderia ser evitada se o procedimento de votação tivesse sido mais bem acertado entre os membros do STF. Se não, vejamos: como o relator levou duas sessões para analisar o item sobre desvio de dinheiro público, é provável que o revisor Lewandowski leve outras duas para dar o seu voto, o que fará com que a votação dos demais ministros fique para a segunda-feira dia 27. O ministro Peluso é o sétimo a votar, e isso deve acontecer na segunda parte da sessão, na quarta-feira dia 29.

Caso a dosimetria das penas for debatida ao fim de todo o julgamento, como parece ser o consenso, Peluso já estará aposentado, o que levanta uma questão: seu voto, se condenatório, valerá mesmo que ele não participe da discussão da dosimetria?

Há advogados que dizem que não, que ele não deveria ser computado, pois não foi completado com a definição da pena. Há quem diga, no entanto, que sua saída do STF pela aposentadoria compulsória representa uma circunstância como outra qualquer - morte ou doença - e que até o último momento seu voto vale o mesmo que os dos demais. Para evitar essa polêmica, a dosimetria das penas poderia ser feita ao fim de cada bloco. Se esse sistema fosse adotado pelo Supremo, haveria ainda a sessão da quinta-feira dia 30 para Peluso participar da discussão da dosimetria para os acusados de desvio do dinheiro público, pois ele se aposenta em 3 de setembro, sessão que deverá ser dedicada às suas despedidas.

Outra solução, que, entretanto, não resolve de todo a questão, seria Peluso, ao votar, adiantar sua posição sobre a dosimetria. Mas assim estaria se pronunciando antes do relator e do revisor e poderia ser questionado também.

Outra questão polêmica do julgamento, mas já vencida pela decisão da maioria do plenário, tem relação ao próprio fatiamento, que foi colocado em dúvida por um grupo de advogados de defesa.

No centro dessa discussão está a admissão tácita dos advogados de que a situação de seus clientes fica mais difícil com essa metodologia, e é justamente isso que o relator Joaquim Barbosa quer.

Ele ontem foi bastante explícito quanto à sua escolha: "Meu voto está em elaboração desde abril do ano passado e não inova em nada, porque o método foi utilizado em 2007 por ocasião da denúncia. O que me levou a adotar essa metodologia foi a simples preocupação com a clareza. A meu ver, se eu tivesse que ler 1.200 páginas, e o ministro revisor, mais 1.300 páginas, ao final ninguém mais se lembraria de nada. Espero ter sido bastante claro, embora o voto tenha sido demorado."

O próprio presidente do Supremo, Ayres Britto, esclareceu que a opinião da maioria é que o princípio da ampla defesa está mantido com esse procedimento, e de maneira indireta respondeu também à questão da dosimetria quando disse: "Essa cisão entre o juízo de condenação - em um primeiro momento, unindo todos os outros - e a segunda fase correspondendo à dosimetria da pena em nada conspurca o devido processo penal ou diminui o âmbito da ampla defesa dos réus."

FONTE: O GLOBO

Reféns da fantasia - Dora Kramer

Se os hoje réus em julgamento no Supremo Tribunal Federal tivessem de fato convicção de que o único crime do PT e companhia fosse a prática do caixa 2 em campanhas eleitorais, natural que tivessem se defendido do delito.

Ao menos na época em que o assunto estava restrito ao campo político, já que depois do oferecimento da denúncia pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza por peculato, corrupção, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o "núcleo político" precisou recorrer a qualquer recurso para se defender, por mais frouxo que fosse.

Na primeira fase, entre a criação da CPI dos Correios em função da exibição de um vídeo de funcionário da estatal ligado ao PTB recebendo R$ 3 mil de propina, a denúncia de Roberto Jefferson e o deslocamento do foco das investigações para o mensalão, o que se ouviu foram negativas peremptórias sobre quaisquer tipos de acertos financeiros.

Apenas a partir da revelação de dados e fatos impossíveis de serem desmentidos é que os envolvidos saíram do estado de negação para o de adaptação de justificativas.

Até que em meados de julho – quase três meses depois da cena que originou todo o escândalo – adotou-se oficialmente a versão do caixa 2 consolidada na entrevista dada pelo presidente Lula em Paris atribuindo as ações de seu partido aos defeitos do sistema: "Do ponto de vista eleitoral o PT fez o que é sistematicamente feito no Brasil", disse.

Desde então, essa passou a ser a história a que estariam presos os advogados na construção das peças em prol dos clientes. Por partirem do princípio da aceitação de ilícito "menor", assentaram como verdadeira a ocorrência de delitos "maiores".

De onde ficaram prejudicadas, por inverossímeis, as defesas apresentadas no processo procurando mostrar os acusados como homens de bem, vítimas de insidiosa perseguição, porque a medida é uma só: se há culpa assumida, seja de que tamanho for, rompido está o pressuposto da inocência.

Sobre a inconsistência dessa versão, aliás, em 2005 já dava insuspeita notícia o presidente da CPI, o petista Delcídio Amaral: "Tudo indica, pelas movimentações financeiras investigadas pela CPI até agora, que perde força a tese de que os empréstimos de Valério foram feitos apenas para viabilizar caixa 2 de partidos".

Poder alienado. Muito já se falou sobre o erro de cálculo do governo federal sobre o potencial de mobilização das lideranças sindicais do serviço público.

Os analistas da cena da prolongada greve também já abordaram a inação do Executivo na regulamentação da Constituição, tema transitoriamente resolvido pelo STF em 2007 com a decisão de submeter essas paralisações às regras vigentes para o setor privado.

Só não se fala da indiferença do Legislativo. Legalmente, a iniciativa cabe ao Executivo, mas isso não obriga nem justifica que o Parlamento se mantenha alheio ao que se passa no país enquanto se recolhe a um extravagante "recesso branco" para cuidar das eleições municipais.

Vale dizer, para tratar da conveniência de deputados e senadores ocupados em fortalecer suas bases nos municípios a fim de assegurar suas sobrevivências políticas.

Nada a ver com a função para a qual foram eleitos pelo público votante e, sobretudo, pagante, que nesse momento certamente gostaria de contar com um Parlamento empenhado em levantar o debate para levar o Planalto a cuidar da regulamentação.

Mas, o Congresso não quer ele próprio deixar sua zona de conforto. Só entra em atrito com o Planalto na retórica, quando o partido é de oposição ou quando a maioria governista se vê ameaçada no atendimento de suas reivindicações específicas.

Por tolerância, ignorância ou descrença, do Poder Legislativo não se cobra a execução do papel de mediador ativo da sociedade, deixando que deputados e senadores acabem por atuar como representantes de si mesmos.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

O sujo e o mal-lavado - Eliane Cantanhêde

Nessa velocidade, o julgamento do mensalão vai atravessar agosto e trafegar em setembro lado a lado com a CPI do Cachoeira e a campanha municipal, que entra num novo ritmo hoje, com o início da propaganda na TV.

Os três tendem a se chocar em outubro, com a reta final do julgamento, a eleição no dia 7 e o relatório da CPI entre o primeiro e o segundo turnos. Não será necessariamente um desastre. Dos escombros, pode surgir um país melhor.

No STF, o relator Joaquim Barbosa já condenou o petista João Paulo Cunha, o ex-diretor do BB Henrique Pizzolato e o publicitário Marcos Valério. Mostrou a que veio.

Na CPI, o relator Odair Cunha (PT) vai apresentar o seu voto entre o primeiro e o segundo turno das eleições, que tende a ser entre o tucano José Serra e o petista Fernando Haddad, em São Paulo. E, se o mensalão expõe os podres do PT, da campanha e do governo Lula, o troco pode vir da CPI, mostrando que os do PSDB não são diferentes.

O principal alvo político da CPI e, portanto, do relatório de Cunha, é o governador tucano Marconi Perillo (GO). O petista Agnelo Queiroz (DF)? Nem se fala mais nisso. A Delta nacional? Fica para uma outra CPI, se houver.

No mínimo, requentar e jogar na roda eleitoral tudo o que se atribui a Perillo na CPI servirá para calar os candidatos do PSDB que ousem recorrer ao mensalão na campanha, fingindo que o mensalão tucano de Minas não existiu. Se não calar, pode maneirar o tom da oposição.

Com o julgamento do mensalão fragilizando o PT, e a CPI constrangendo o PSDB, a interrogação é como e se os dois, digamos, "acidentes de percurso" serão usados contra os adversários nos palanques e na TV. Os tucanos vão usar o julgamento contra os petistas? E os petistas vão usar a CPI contra os tucanos?

É improvável, mas não faltam sujos falando de mal-lavados.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

PT: ansiedade e depressão - Tereza Cruvinel

A dureza e a contundência com que o ministro-relator, Joaquim Barbosa, vem apresentando seu voto, nesta segunda fase do julgamento em curso no STF, instalaram o pessimismo na cúpula do PT e levaram alguns dos envolvidos a um profundo abatimento, depois do lampejo otimista produzido pela fase de defesas orais. Na política, diz um dirigente, nada mudou para o partido nem para a dinâmica das campanhas de seus candidatos, exceto a de João Paulo, que, sendo réu e tendo tido sua condenação pedida na semana passada pelo relator, teve que enfrentar o assunto num debate. Nas ruas, nenhuma hostilidade ou protesto digno de nota ocorreu até agora. Mas o ânimo geral mudou para pior e os que são réus vivem uma pressão emocional que um dirigente compara à tortura: nos porões, as sessões tinham hora para acabar, pois a violação dos limites muitas vezes levava à morte do preso. Já a exposição e a ansiedade diante do julgamento são prolongadas e ininterruptas, e ainda faltam algumas semanas para o fim.

Em relação ao fim, embora haja oscilações e variações nas avaliações internas do partido, o pessimismo era dominante até ontem. Ninguém mais tem dúvida de que Joaquim Barbosa pedirá a condenação máxima de todos, não levando em conta as alegações dos advogados de defesa. Restava ontem a expectativa em relação ao voto do ministro-revisor, Ricardo Lewandovski. O que se espera dele não é indulgência, pois certamente ele também pedirá condenações. O que se espera, embora não existam indicações claras sobre seu voto, que começará a ser apresentado hoje, é que seja mais "garantista" que Joaquim. No jargão jurídico, "garantista" é o juiz que, sem desprezar a força da denúncia, leva muito em conta o devido processo legal e a observância dos direitos e garantias individuais. Se o voto de Lewandowski for menos contundente, e juridicamente consistente, ele talvez consiga influenciar o voto de algum dos pares de inclinação mais "garantista", como Gilmar Mendes e Celso de Mello. Mas em relação ao que pensam os 11 ministros do STF, há muito mais especulação do que informação. Todos estão ali escrevendo biografias, e não perderão o momento glorioso revelando inclinações, um pecado grave para um juiz.

Supremo insondável. O pessimismo petista decorre especialmente desta desconhecida correlação de forças entre os ministros e do ambiente envenenado que se instalou na Corte. Qualquer mortal pode perceber isso assistindo às transmissões ao vivo das sessões pela TV Justiça. A todo momento, eles trocam farpas, levantam suspeições, discutem por qualquer palha metodológica. Aliás, a própria metodologia não foi pactuada antes, gerando o recurso de ontem, dos advogados de defesa, contra o julgamento fatiado das denúncias, adotado em cima da hora por pressão do relator. Nesse ambiente, não há diálogo e um mínimo de articulação, pois liderança não é palavra que se aplique a juízes que devem se guiar por convicções individuais. Mas, sendo a Corte um arquipélago de ilhas incomunicantes, o resultado, temem os petistas, pode acabar sendo influenciado pela dinâmica psicológica, por idiossincrasias e outros elementos insondáveis.

Dos 11 ministros, quatro foram indicados por Lula e dois pela presidente Dilma. Numericamente, são maioria. Todos teriam sido escolhidos pelo preparo técnico, intelectual e moral, nunca por qualquer expectativa de eventual lealdade num momento nunca imaginado pela elite petista, como este. Esses seis são Cezar Peluso, Joaquim Barbosa, Dias Toffoli, Luiz Fux, Cármem Lúcia e Rosa Weber. Por conta da origem de suas indicações, serão sempre mais cobrados, verbal ou silenciosamente, o que aumenta as possibilidades de um alinhamento majoritário com o implacável relator. Repetindo, todos estão escrevendo biografias e querem registrar a independência.

Dirceu e Genoino. A segunda fase abalou o otimismo dos dois réus mais notáveis do PT. No fim de semana, ainda recolhido em sua residência de Vinhedo, interior paulista, José Dirceu conversou com muitos amigos e companheiros de partido. Explicitou sua ansiedade e incerteza diante do julgamento. Negou que pretenda disputar a presidência do PT. Qualquer que seja o desfecho do julgamento, quer continuar fazendo política. É sua vocação e destino, um direito que não pode ser cassado. Mas não pretende mais, qualquer que seja também o desfecho: disputar cargos eletivos, ocupar cargos públicos e cargos de direção no partido.

José Genoino não está menos angustiado. Seu advogado de defesa, Luiz Fernando Pacheco, protocolou ontem um ofício no Supremo, endereçado ao presidente Ayres Britto, reiterando aspectos da defesa que apresentou na primeira fase, na qual afirma que o cliente só entrou na ação porque era presidente do PT, não por qualquer ação individual. "Em odiosa tentativa de reavivar a medieval prática do direito penal objetivo, do direito penal do inimigo, do direito penal do terror, houve por bem o Parquet acusá-lo não pelo que fez ou deixou de fazer, mas pelo que foi: presidente do PT".

Dilma na ONU. Mantendo a tradição, a presidente Dilma Rousseff deve abrir, pela segunda vez, os trabalhos da Assembleia-Geral da ONU, em 25 de setembro. Dois dias depois, ela recebe em Brasília a visita do primeiro-ministro inglês, David Cameron. No dia 28, chega o novo presidente do Egito, Mohamed Mursi.

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

O desfecho - Almir Pazzianotto Pinto

É imprevisível o desfecho que terá o mensalão. A Ação Penal n.º 470-MG caracteriza-se pela complexidade decorrente da natureza e da variedade das acusações, de complicações processuais, intervenções extraprocessuais e da presença de influentes réus da cúpula petista. O projeto do ministro Carlos Ayres Brito, do Supremo Tribunal Federal, de vê-lo concluído até o final deste mês esbarra em repetidos obstáculos constitucionais e legais, que garantem aos acusados, conhecidos vulgarmente como mensaleiros, infindáveis manobras protelatórios de defesa.

Advogados habituados à defesa de criminosos sabem que têm a seu favor a histórica morosidade dos tribunais e certa dose de leniência em relação ao crime. Não por outras razões, as ruas fervilham de condenados, desde homicidas e assaltantes até os de colarinho engomado. Indivíduos de alta periculosidade e reincidentes se valem do direito de defesa em liberdade, outros cumprem pequena parcela da condenação e voltam ao convívio social, para delinquir novamente. Os réus do mensalão aguardaram sete longos anos até que desassombrada atuação do ministro relator, Joaquim Barbosa, remetesse o processo à pauta e o presidente da Corte, ministro Ayres Brito, fixasse apertado cronograma de julgamento. Impenetrável mistério é por que ambas as providências não haviam sido, até então, tomadas.

Em tempos outros, parte pequena do povo acompanharia o desenvolver dos fatos por leitura de jornais, ou breves informações radiofônicas. A presença da televisão nas salas de julgamento converteu aquilo que se assemelhava a templo maçônico, inacessível a olhos profanos, em cenário de dramas e comédias, protagonizados por sisudos intérpretes do Direito, dezenas de coadjuvantes e anônimos figurantes.

A televisão, como é do seu feitio, invadiu os lares, nos horários nobres, com capítulos do mensalão. Permitiu aos brasileiros acompanhar, em tempo real, o semblante, os gestos, a expressão corporal e o desempenho de cada ministro. A cada um de nós foi possível nos sentirmos participantes do espetáculo, formar juízo acerca do tormentoso processo e antecipar, por convicção própria, o destino de cada acusado.

O mensalão é fruto do emaranhado sistema processual brasileiro, cujo maior pecado reside na falta de objetividade. A pretexto do direito de defesa, as ações prolongam-se indefinidamente, consomem milhares de horas e de folhas de papel, divididas em dezenas de volumes, até que um dia o caso caia no esquecimento. Habituados a ela, vemos a morosidade como fenômeno natural e a impunidade, como privilégio das elites. Como deplorava o padre Antônio Vieira no Sermão do Sábado Quarto da Quaresma, "sempre a justiça é zelosa contra os que podem menos". Ocorre-me à memória o sucedido em Cuba, no ano de 1989. Oficiais-generais, coronéis e majores das Forças Armadas foram presos para serem submetidos ao Tribunal de Honra, sob a acusação de corrupção, desvio de dinheiro e envolvimento com o tráfico de entorpecentes. O líder do grupo era o general Arnaldo Ochoa Sánchez, detentor do título de Herói da República de Cuba, terceiro homem na hierarquia militar, com missões de comando na Etiópia e em Angola.

O juízo teve início no mesmo dia da prisão, 14 de junho. Aos acusados foi garantido o direito de se defenderem. Todos procederam com grande dignidade diante da Corte, reconhecendo os fatos e se declarando arrependidos. O general Ochoa e outros três oficiais de alta patente foram condenados à morte e fuzilados no dia 13 de julho. Aos demais foi imposta pena de 30, 25 e 10 anos cárcere. O processo é reproduzido, por inteiro, no livro Causa 1/89: Fin de la Conexion Cubana, da Editorial José Martí, Havana, do qual possuo exemplar que me foi ofertado pela Embaixada de Cuba em Brasília, em 30 de outubro de 1989.

Descabe-me estabelecer paralelos entre Cuba e Brasil. São países soberanos, cada qual com circunstâncias próprias, caráter, história, cultura, regime jurídico. Tampouco seria apropriado comparar o Tribunal de Honra das Forças Armadas Revolucionárias com o Supremo Tribunal Federal. Não pretendo, também, examinar se o direito de defesa foi exercitado de maneira plena. O país de Fidel Castro tem conhecidos aliados entre nós, e irredutíveis adversários; é inevitável, portanto, que as opiniões acerca do julgamento se dividam.

Se 30 dias são pouco para se tomar decisão condenatória, sete anos não deixam de ser uma eternidade. Afinal, os réus do mensalão são acusados de corrupção, ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, para "garantir a continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores, mediante a compra de suporte político de outros partidos políticos e do financiamento futuro e pretérito (pagamento de dívidas) das suas próprias campanhas eleitorais".

Não se sabe como e quando se encerrará o julgamento. A breve aposentadoria do ministro Cezar Peluso imprimirá nova composição ao tribunal, que durante certo período deixará de ter 11 e passará a contar com 10 ministros. Logo depois será a vez do presidente Ayres Britto, cujo cargo será transmitido ao ministro Joaquim Barbosa.

É impossível calcular de quantas armas dispõe a defesa. Sabem os acusados, todavia, que a chance de vitória está na fuga. De quem tenta usar escusos recursos extraprocessuais para obstruir a marcha da causa tudo se deve esperar.

Sob a vigília cívica do povo, a Ação Penal n.º 470-MG continuará em marcha. A prevalecer a opinião pública, "a sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de crime" (denúncia, fls. 5.621), já está condenada.

Resta-nos aguardar.

Advogado, foi ministro do Trabalho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Servidores mantêm greve e vão à Justiça contra o corte de ponto

Funcionários do Incra rejeitam proposta de reajuste salarial de 15,8%

Cristiane Bonfanti, Demétrio Weber

BRASÍLIA A queda de braço entre governo e os servidores federais em greve continua. Ontem, logo depois de os funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) recusarem a proposta de reajuste de 15,8%, parcelada em três anos, em negociação no Ministério do Planejamento, o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Josemilton Costa, avisou que entrará hoje na Justiça contra o corte de ponto integral dos grevistas. Por meio de nota, a União das Carreiras de Estado (UCE) também anunciou que recomendará a rejeição da proposta em suas assembleias.

Costa disse que, na prévia dos contracheques disponível para os servidores, o governo já efetuou o corte de 100% nos salários dos grevistas. Nas contas dos sindicatos, a medida atinge mais de 300 mil trabalhadores em greve. Para o governo, porém, esse número está entre 70 mil e 80 mil. Costa disse que, em greves anteriores, o governo descontava, no máximo, sete dias por mês. O Ministério do Planejamento informou que só negociará o corte do ponto caso os servidores encerrem a greve.

- O que vamos contestar é esse corte integral. Queremos negociar o ponto, mas o mínimo que o governo deve manter é o que vinha fazendo nos anos anteriores. Os trabalhadores têm obrigações, e alguns têm até pensão alimentícia para pagar. Isso dá cadeia - disse.

No caso do Incra, os servidores querem equiparação com os salários do quadro do Ministério da Agricultura. Na prática, isso significaria uma elevação de até 127% nos contracheques dos servidores de nível superior. Os demais servidores da base da Condsef querem um aumento de até 78%, dado em 2010 a economistas, geólogos, estatísticos, engenheiros e arquitetos, por meio da lei nº 12.277.

Professores voltam às aulas

Apenas os professores começaram a voltar ao trabalho. O Ministério da Educação divulgou nota informando que os servidores técnico-administrativos de 16 universidades e institutos federais aceitaram a proposta do governo de reajuste de 15,78% em três anos, até 2015. O ministro Aloizio Mercadante disse ter a expectativa de que a nova rodada de assembleias de professores e técnicos, nos próximos dias, decida pelo fim da greve.

Mercadante tem encontro hoje com reitores da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Ele disse que não abrirá mão da reposição das aulas:

- Queremos reposição integral que garanta efetiva qualidade do ensino. Os professores terão que trabalhar nas férias de verão para recuperar o tempo perdido. É isso que o MEC vai exigir e acompanhar - afirmou o ministro.

Na Universidade de Brasília (UnB), onde uma assembleia de professores aprovou o fim da paralisação na última sexta-feira, docentes apresentaram ontem abaixo-assinado pedindo nova assembleia para rediscutir o tema. Eles reclamam que o encontro da semana passada foi convocado com outro propósito, de modo que, segundo eles, não poderia deliberar sobre o fim da greve.

FONTE: O GLOBO

Greve federal ganha adesão dos policiais rodoviários

A Polícia Rodoviária Federal iniciou greve nacional por pagamento de adicional noturno e reajuste salarial. Segundo a federação nacional dos sindicatos, é a primeira vez que isso ocorre.

A paralisação se soma à de outros funcionários públicos. O movimento começa em nove Estados.

A expectativa é que atinja todo o país até quinta-feira, quando há reunião com o governo federal.

Polícia Rodoviária Federal entra em greve

Segundo a categoria, nove Estados já pararam; expectativa é que movimento atinja todo o país até quinta-feira

Reajuste salarial, pagamento de adicional noturno e reestruturação da carreira são alguns dos pedidos da categoria

BRASÍLIA, SÃO PAULO - A Polícia Rodoviária Federal deu início ontem a uma greve nacional para pressionar o governo a atender as demandas da categoria -entre elas reajuste salarial e pagamento de adicional noturno.

De acordo com a FenaPRF (Federação Nacional da Polícia Rodoviária Federal), essa é a primeira paralisação unificada da categoria.

Segundo a entidade, ao menos nove unidades da federação já participam da greve. São elas: Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rio Grande do Sul.

A expectativa é de que todos os Estados sejam afetados até quinta-feira, quando a categoria se reúne com o Ministério do Planejamento.

A orientação é para que os policiais atendam somente chamados urgentes: acidentes com vítimas, desobstrução de vias e crimes em flagrante.

Neste mês, a categoria trabalhou em operação padrão, mas o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu proibir o procedimento.

As reivindicações da categoria são: reajuste salarial, reconhecimento do nível superior para o cargo de PRF, pagamento de adicional noturno e insalubridade e reestruturação da carreira.

"Estamos com uma falta de estrutura total, e a carreira não está ficando atrativa", critica o presidente da federação, Pedro Cavalcanti, para quem a greve é resultado da "falta de capacidade" do governo em negociar.

O governo federal já informou que os aumentos aos grevistas serão limitados a 15,8% em três anos.

A greve da PRF se soma a outros órgãos do funcionalismo que já estão em greve, como a Polícia Federal, a Receita Federal, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e os professores e técnicos-administrativos das universidades federais.

O movimento grevista dos servidores públicos afeta, em potencial, mais de 60% do quadro de trabalhadores do Poder Executivo federal.

UNB

Ontem, no retorno às aulas na Universidade de Brasília (UnB), um grupo de docentes pediu nova assembleia para decidir se voltam às aulas.

Eles alegam que o fim da greve foi confirmado em assembleia da associação dos docentes -na última sexta-feira-, cuja pauta não previa a discussão do tema.

Estudantes da universidade, também em greve, se dividiram diante da divergência: parte concorda em retomar o calendário acadêmico e parte prefere manter a paralisação.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO