sexta-feira, 31 de julho de 2015

Dilma pede cooperação a governadores em projetos e contenção de gastos

Andrea Jubé, Bruno Peres e Lucas Marchesini - Valor Econômico

BRASÍLIA - Em sua fala inaugural na reunião com governadores nesta quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff afirmou que será possível superar a crise econômica e financeira porque, hoje, a “economia brasileira é bem mais forte, mais sólida e mais resiliente do que era alguns anos atrás”. Ela reconheceu as dificuldades, mas assegurou que será possível voltar a crescer rapidamente. Pediu aos governadores que apresentem carteiras de projetos, no período de 15 a 18 de agosto, para viabilizar ações conjuntas do governo federal com governos estaduais a fim de estimular investimentos.

“Não nego as dificuldades, mas afirmo que, num prazo bem mais curto que alguns pensam, vamos assistir à retomada do crescimento da economia brasileira”.

A presidente disse, contudo, que é importante estabelecer “parcerias e cooperações” e enfrentar juntos os problemas para alcançar o novo ciclo – “mais sólido, mais robusto e mais duradouro” – que esse que o país atravessa.

Para a retomada do crescimento, Dilma apontou como ferramentas o controle da inflação, o reequilíbrio fiscal e a retomada dos investimentos. Para isso, citou o estímulo às exportações e o plano de concessões.

“A desvalorização do real elevou a competitividade de vários setores da economia”, observou, citando um aumento nas exportações. “Não é só o câmbio, estamos trabalhando para simplificar processos e reduzir burocracia”.

Aos governadores, pediu que apresentem carteiras de projetos para “novos projetos e novas oportunidades”. Ela citou os processos de novas concessões nas áreas de rodovias e aeroportos.

Ela disse que a redução da inflação em 2016 “já era prevista pelo mercado”, e combinada com o aumento das exportações e dos novos projetos de infraestrutura, cria as bases para um “novo ciclo” de crescimento, com a retomada do crédito que viabilizará a expansão do consumo. Ela citou que nessa recuperação da economia, o agronegócio também tem papel essencial. “Aqui tem governadores que sabem que a expansão do agronegócio tem papel nas contas externas”.

Ela voltou a afirmar que o Brasil é um país majoritariamente de classe média, que 52% da população pertence a essa categoria da sociedade. Ela lembrou que o brasileiro era pobre, “extremamente pobre, e hoje está numa situação em que se você somar as classes B e C, tem uma população dominantemente de classe média”. Dilma afirmou que trabalha para que isso se estabilize.

Ministros também compareceram ao encontro realizado no Palácio da Alvorada.

Receitas
A presidente também pediu a colaboração dos governadores na questão econômica. Dilma diz acredita que é a responsabilidade da federação “liderar esse processo e assumir todas as suas necessidades e condições”, mas ao mesmo tempo é necessário “clareza do que está em questão” por parte dos governadores.

Isso é importante, explicou a presidente, porque “temos propostas legislativas de grave impacto já votadas pelo Congresso” e “outras estão em processo de discussão” que terão impacto também nos Estados. Algumas dessas propostas foram vetadas para assumir “a condição de preservação necessária do dinheiro público”, explicou a presidente.

Sobre a reforma do ICMS, Dilma afirmou que “pode ter repercussão macroeconômica para o crescimento, a geração de emprego e a melhoria da arrecadação dos Estados”.

Diante dessas iniciativas, Dilma disse que, “do fundo do coração”, os governadores podem contar com ela, assim como ela conta com eles.

“Porque há muito sabemos que o Brasil se passa no município e nos Estados”. “O bom caminho é o da cooperação”, defendeu.

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