quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Eleição pode terminar no primeiro turno em 19 dos 27 Estados, por César Felício

Valor Econômico

Cenário de poucas disputas regionais pode impactar eventual segundo turno entre Lula e Flávio

É grande a chance de as eleições para governadores terminarem no primeiro turno na maioria dos Estados. Caso este cenário se concretize, é um potencial complicador tanto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno.

Em uma vista panorâmica das últimas pesquisas e do mapa de alianças Estado por Estado, há 14 casos em que o desfecho no primeiro turno é altamente provável. Em seis deles, porque existe um franco favorito.

É o caso por exemplo de São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apareceu com 40% na Quaest divulgada na terça-feira (25), ante 27% de Fernando Haddad (PT) e 6% da soma de todos os outros concorrentes.

Em outros oito Estados, a vitória no primeiro turno é virtualmente uma certeza porque a disputa está tão polarizada que se tornou um campeonato em fase de mata-mata. Não há favoritos, mas na prática só existem dois candidatos.

É a situação, por exemplo, dos três grandes Estados do Nordeste: Bahia, Ceará e Pernambuco. Nos dois primeiros, os governadores petistas Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas tentam um segundo mandato contra ACM Neto (União Brasil) e Ciro Gomes (PSDB).

Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) busca a reeleição contra João Campos (PSB). Na Quaest desta terça-feira, ela apareceu com oito pontos percentuais de vantagem (44% a 36%), mas é uma disputa equilibrada demais para arriscar uma aposta, salvo que a contenda terminará no primeiro turno.

Em outros cinco Estados, as pesquisas não são conclusivas sobre segundo turno, mas a vantagem do líder é grande demais em relação a seus concorrentes e uma vitória no primeiro turno é plausível.

É a situação por exemplo de Minas Gerais, onde a Quaest deu 29% para Cleitinho Azevedo (Republicanos), ante 11% de Patrus Ananias (PT), 10% de Alexandre Kalil (PDT) e 7% de Mateus Simões (PSD). Está dando segundo turno, mas Cleitinho tem quase o triplo do que conseguem seus competidores.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) por ora vence no primeiro turno, de acordo com a Quaest, e de forma tranquila: 37%, ante 14% de Douglas Ruas (PL) e 7% de Anthony Garotinho (Republicanos), mas seus adversários mostraram crescimento no Datafolha, divulgado no fim de semana. No Paraná, Sergio Moro (PL) é favorito, mas um segundo turno também não é impossível.

Segundo turno, por hora, é uma realidade mais provável em apenas oito dos 27 Estados: Rio Grande do Sul, Paraíba, Distrito Federal, Rio Grande do Norte, Acre, Amazonas, Espírito Santo e Tocantins.

Ter 19 dos 27 Estados resolvendo a eleição para governador no primeiro turno pode afetar o segundo turno da eleição presidencial de duas maneiras: ou o governador eleito torna-se um formidável cabo eleitoral de um candidato a presidente ou a abstenção cresce, porque a disputa presidencial perde a tração da competição regional.

Um cenário bem ruim para Lula seria o de vitória no primeiro turno de ACM Neto na Bahia, Ciro Gomes no Ceará, Raquel Lyra em Pernambuco e Doutor Daniel no Pará. Embora nenhum deles seja propriamente bolsonarista, todos nesta hipótese terão vencido sem a ajuda do presidente. Não se pode apostar em mobilização a favor da reeleição de Lula nestes Estados, que são redutos da esquerda no primeiro turno. No cenário inverso, de reeleição dos governadores petistas na Bahia e no Ceará, de Hana Ghassan (MDB) no Pará e de vitória de João Campos em Pernambuco haveria um esforço nestes locais para melhorar a performance de Lula, já alta, em um segundo turno contra a direita.

Em São Paulo, é enorme o descompasso entre a intenção de voto em Tarcísio de Freitas e a de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. De acordo com a pesquisa Quaest, Flávio consegue somente 30% em São Paulo, empatado com Lula, que tem 29%, dois pontos percentuais a mais que Haddad. Em um segundo turno de Flávio contra Lula, Tarcísio será muito pressionado a entrar com tudo na campanha do senador do PL, para reduzir ao máximo este desnível. Talvez essa pressão nem espere o primeiro turno e comece a crescer a partir de agora.

Também no Rio há este descompasso entre os 37% ostentados por Paes e os 29% obtidos por Lula, mas o candidato do PSD está longe de ser um cabo eleitoral do petista. Sua candidata a vice pede voto para Flávio. Uma vez eleito, Paes poderá cobrar caro seu engajamento em um segundo turno, presume-se, ao lado de Lula. Sendo que no Rio de Janeiro trata-se de um jogo de seis pontos. Cada voto obtido por Lula é um voto tirado de Flávio, que tem sua origem política lá.

Os Estados com segundo turno estabelecidos poderão catalisar a eleição presidencial. No Rio Grande do Sul, a última pesquisa Quaest mostrou um empate técnico entre Luciano Zucco (PL), com 26%, e Juliana Brizola (PDT), 23%. Lá Lula perde para Flávio, mas por pouco, apenas seis pontos percentuais os separam. Essa, entretanto, não é uma regra absoluta. Se no Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) — 20% na pesquisa — vencer suas dificuldades jurídicas e chegar ao segundo turno contra a governadora Celina Leão (PP), que tem 34%, o alinhamento com a campanha de Lula é pouco provável.

 

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