Valor Econômico
Cenário de poucas disputas regionais pode
impactar eventual segundo turno entre Lula e Flávio
É grande a chance de as eleições para
governadores terminarem no primeiro turno na maioria dos Estados. Caso este
cenário se concretize, é um potencial complicador tanto para o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva quanto para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um
eventual segundo turno.
Em uma vista panorâmica das últimas pesquisas e do mapa de alianças Estado por Estado, há 14 casos em que o desfecho no primeiro turno é altamente provável. Em seis deles, porque existe um franco favorito.
É o caso por exemplo de São Paulo, onde o
governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apareceu com 40% na Quaest
divulgada na terça-feira (25), ante 27% de Fernando Haddad (PT) e 6% da soma de
todos os outros concorrentes.
Em outros oito Estados, a vitória no primeiro
turno é virtualmente uma certeza porque a disputa está tão polarizada que se
tornou um campeonato em fase de mata-mata. Não há favoritos, mas na prática só
existem dois candidatos.
É a situação, por exemplo, dos três grandes
Estados do Nordeste: Bahia, Ceará e Pernambuco. Nos dois primeiros, os
governadores petistas Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas tentam um segundo
mandato contra ACM Neto (União Brasil) e Ciro Gomes (PSDB).
Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) busca a
reeleição contra João Campos (PSB). Na Quaest desta terça-feira, ela apareceu
com oito pontos percentuais de vantagem (44% a 36%), mas é uma disputa
equilibrada demais para arriscar uma aposta, salvo que a contenda terminará no
primeiro turno.
Em outros cinco Estados, as pesquisas não são
conclusivas sobre segundo turno, mas a vantagem do líder é grande demais em
relação a seus concorrentes e uma vitória no primeiro turno é plausível.
É a situação por exemplo de Minas Gerais,
onde a Quaest deu 29% para Cleitinho Azevedo (Republicanos), ante 11% de Patrus
Ananias (PT), 10% de Alexandre Kalil (PDT) e 7% de Mateus Simões (PSD). Está
dando segundo turno, mas Cleitinho tem quase o triplo do que conseguem seus
competidores.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) por ora
vence no primeiro turno, de acordo com a Quaest, e de forma tranquila: 37%,
ante 14% de Douglas Ruas (PL) e 7% de Anthony Garotinho (Republicanos), mas
seus adversários mostraram crescimento no Datafolha, divulgado no fim de
semana. No Paraná, Sergio Moro (PL) é favorito, mas um segundo turno também não
é impossível.
Segundo turno, por hora, é uma realidade mais
provável em apenas oito dos 27 Estados: Rio Grande do Sul, Paraíba, Distrito
Federal, Rio Grande do Norte, Acre, Amazonas, Espírito Santo e Tocantins.
Ter 19 dos 27 Estados resolvendo a eleição
para governador no primeiro turno pode afetar o segundo turno da eleição
presidencial de duas maneiras: ou o governador eleito torna-se um formidável
cabo eleitoral de um candidato a presidente ou a abstenção cresce, porque a
disputa presidencial perde a tração da competição regional.
Um cenário bem ruim para Lula seria o de
vitória no primeiro turno de ACM Neto na Bahia, Ciro Gomes no Ceará, Raquel
Lyra em Pernambuco e Doutor Daniel no Pará. Embora nenhum deles seja
propriamente bolsonarista, todos nesta hipótese terão vencido sem a ajuda do
presidente. Não se pode apostar em mobilização a favor da reeleição de Lula
nestes Estados, que são redutos da esquerda no primeiro turno. No cenário
inverso, de reeleição dos governadores petistas na Bahia e no Ceará, de Hana
Ghassan (MDB) no Pará e de vitória de João Campos em Pernambuco haveria um
esforço nestes locais para melhorar a performance de Lula, já alta, em um
segundo turno contra a direita.
Em São Paulo, é enorme o descompasso entre a
intenção de voto em Tarcísio de Freitas e a de Flávio Bolsonaro na eleição
presidencial. De acordo com a pesquisa Quaest, Flávio consegue somente 30% em
São Paulo, empatado com Lula, que tem 29%, dois pontos percentuais a mais que
Haddad. Em um segundo turno de Flávio contra Lula, Tarcísio será muito
pressionado a entrar com tudo na campanha do senador do PL, para reduzir ao
máximo este desnível. Talvez essa pressão nem espere o primeiro turno e comece
a crescer a partir de agora.
Também no Rio há este descompasso entre os
37% ostentados por Paes e os 29% obtidos por Lula, mas o candidato do PSD está
longe de ser um cabo eleitoral do petista. Sua candidata a vice pede voto para
Flávio. Uma vez eleito, Paes poderá cobrar caro seu engajamento em um segundo
turno, presume-se, ao lado de Lula. Sendo que no Rio de Janeiro trata-se de um
jogo de seis pontos. Cada voto obtido por Lula é um voto tirado de Flávio, que
tem sua origem política lá.
Os Estados com segundo turno estabelecidos
poderão catalisar a eleição presidencial. No Rio Grande do Sul, a última
pesquisa Quaest mostrou um empate técnico entre Luciano Zucco (PL), com 26%, e
Juliana Brizola (PDT), 23%. Lá Lula perde para Flávio, mas por pouco, apenas
seis pontos percentuais os separam. Essa, entretanto, não é uma regra absoluta.
Se no Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) — 20% na pesquisa — vencer
suas dificuldades jurídicas e chegar ao segundo turno contra a governadora
Celina Leão (PP), que tem 34%, o alinhamento com a campanha de Lula é pouco
provável.

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