Folha de S. Paulo
Tragado pelo buraco do Master, senador
petista vira dor de cabeça para projeto da reeleição
PF não para de investigar esquema de
corrupção montado por Vorcaro nem na Copa do Mundo
Jaques Wagner —a mais recente dor de cabeça da campanha petista à Presidência da República— não é da Bahia. É do Rio de Janeiro, nascido em 1951, no seio de uma família judia que fugiu do nazismo. Seu pai militou no Partido Comunista da Polônia. Com 15 anos, o filho começou a fazer política no movimento sionista e a ler Marx. Perseguido pelo regime militar, abandonou o curso de engenharia civil e se estabeleceu em Salvador, onde conheceu Lula nos anos 80, ajudando a fundar o PT. Em 2018, ele quase foi o candidato do partido ao Planalto.
Lula gosta dele e está entre a cruz e a
espada. Na intimidade, costuma chamá-lo de Galego, devido à pele alva e aos
olhos azuis. A admiração se fortaleceu com o escândalo do mensalão, detonado em
2005, a partir do qual Jaques Wagner ganhou fama de bom negociador e de
bombeiro hábil na tarefa de contornar crises. A ver agora, diante de mais um
pepino, envolvendo o próprio líder do governo no Senado —puxado de vez para o
buraco negro do Banco Master.
O senador já dava sinais de que perdera o
traquejo político, já não era tão bom negociador —ou algo o preocupava além da
conta, dificultando suas ações. Com ele na articulação, o governo sofreu duas
derrotas desmoralizantes: a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria
e, sobretudo, a rejeição de Jorge Messias à vaga no Supremo. Wagner dava como
certa a aprovação.
Com a entrada da Polícia
Federal em cena —cujos agentes dão em Chico e dão em Francisco e, pelo
visto, não gozam de ponto facultativo durante a Copa—, o desconforto deixa de
ser apenas parlamentar e impacta o projeto da reeleição. Além da compra do
apartamento em Salvador, intermediada por um ex-sócio de Daniel
Vorcaro, os US$ 55 mil e os 33 mil euros em espécie encontrados em
endereços do senador são um tremendo batom na cueca.
Todos os suspeitos de se lambuzarem no esquema de corrupção do Banco Master —Flávio Bolsonaro, Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Ciro Nogueira, Cláudio Castro— dão explicações vazias. Wagner não foge à regra.
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