O Estado de S. Paulo
Ocaso Master estabeleceu a lama como arena
para a disputa eleitoral. Em curso a peleja por impor a própria versão sobre
quem estará mais enredado na teia vorcárica, reivindicada já a vantagem de ser
daquele grupo político com menos tentos no placar de contaminação por Daniel
Vorcaro.
Já era sabido que Jaques Wagner, expressão maior do petismo baiano, deitara-se na rede vorcárica. Não se sabia a que custo e com que extensão – segundo a Polícia Federal, tal e qual o de Ciro Nogueira, configurado outro mandato parlamentar instrumentalizado a serviço de interesses privados do banqueiro.
Na última sexta, o Estadão publicou, com base
em registros da PF, que o melhor amigo de Wagner, Guilherme Sodré, o Tio Guiga,
intermediava contatos entre o senador e Vorcaro, e teria agendado reunião entre
eles: “O encontro vai ser hoje em Brasília! Lucas, chefe de gabinete, vai
enviar mensagem para acertar detalhes! Abraços e sucesso”. Foi em 7 de agosto
de 2024, seis dias antes de Nogueira apresentar a chamada Emenda Master, no dia
13. No dia 12, Sodré, após telefonema com Vorcaro, mandou-lhe o número do
celular pessoal de Wagner – e escreveu: “boa sorte”. No dia 13, Augusto Lima, o
amigo fraterno Guga, sócio de Vorcaro, ligou ao senador e lhe enviou o link da
proposta ao Senado.
Tramas que darão novo molho à memória de que
Lula, ao receber Vorcaro no Planalto, fora da agenda e sob o lobby de Guido
Mantega, recebeu também Lima e mandou chamar Rui Costa, o governador sob quem a
Bahia concedera a Guga a exclusividade – por 15 anos – na exploração de oferta
de crédito consignado a servidores do Estado. Wagner era secretário de
Desenvolvimento.
Talvez não tarde a que cheguemos ao debate em
que se pedirão votos mercadejando a condição de menos enlameado. Wagner não é
Lula – dirá o petista, para isolar o presidente do amigo, político milionário,
que tornara líder do governo. Flávio Bolsonaro não recebeu propina – rebaterá o
bolsonarista, para distinguir o senador, caso em que Vorcaro seria apenas um
investidor no cinema nacional.
O cronista então lembrado da notícia –
veiculada em março – de que as turmas de Wagner e ACM Neto teriam firmado
espécie de acordo para deixar o caso Master à margem da campanha eleitoral na
Bahia. Foi logo após à revelação de que o ex-prefeito de Salvador recebera R$
5,4 milhões do Master e da Reag a título, claro, de consultorias. Pouco antes,
circulara a notícia de que a nora de Wagner levara – também por serviços de
consultoria – pelo menos R$ 11 milhões do Master. (A nora de Wagner, casada com
o filho de Tio Guiga, operador da BN Financeira, empresa que seria o destino de
propina para Wagner.)
Quiçá as equipes de Lula e Flávio pudessem
firmar pacto para ignorar o escândalo até outubro, o senador ficando, por
exemplo, desobrigado de explicar os encontros com Vorcaro. Na sexta, venceu o
prazo – de até 30 dias – que Flávio dera para que a produtora de Dark Horse
apresentasse a prestação de contas do filme.

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