O Estado de S. Paulo
Propaganda eleitoral começa com pedras e paus, ao som da corrupção
O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV
começa hoje e esquenta amanhã, com a entrada em cena dos candidatos a
presidente. Lula e Flávio Bolsonaro estarão à vontade para falar maravilhas de
si e atacar o outro, sem constrangimento nem questionamentos.
Os programas de estreia devem ser alegres e coloridos, uma apresentação edulcorada de cada candidato. Mas não se iludam, isso é só o início, porque candidatos, líderes de campanha e marqueteiros já estão de pedras e paus nas mãos contra os adversários. Motivos não faltam.
Esta nova etapa da guerra potencializa
mentiras, versões malandras, meias-verdades e as verdades que brotam das
investigações da Polícia Federal e do Supremo. Daniel Vorcaro, Lulinha e o Dark
Horse serão protagonistas e novas notícias vão continuar surgindo.
No “esquenta” da véspera, o PT já dava
spoiler sobre seu enredo, que vai cobrar respostas que Flávio, seus advogados e
consultores jamais deram e, aparentemente, a PF, o STF ou ambos não foram
buscar, ou só foram buscar em cima das eleições.
Afinal, de onde saíram, que percurso fizeram
e onde foram parar os milhões que Vorcaro, sempre tão generoso e prestativo,
deu para Flávio, sob pretexto de financiar Dark Horse, filme sobre o papai,
estrelado por um ator americano esquisitão?
Enquanto ninguém sabe, ninguém viu e ninguém
respondeu sobre a dinheirama de Vorcaro para Flávio, as notícias sobre o filho
de Lula, suas relações com Roberta Luchsinger e o papel de Marcola no trio não
param de pipocar e impactam as pesquisas. A eleição, que já era bem apertada,
evoluiu para empate técnico. Animador para Flávio, preocupante para Lula.
A diferença é que Lulinha responde a três
inquéritos e enfrenta um vazamento grave, dia sim, dia não, e tende a ser
personagem decisivo da eleição, tanto nos vídeos de Flávio quanto em
reportagens rotineiras de TVs, rádios e jornais.
E as investigações sobre Flávio, vão
continuar paradas? Nenhum inquérito? Pedido de explicação? Operação de busca?
Aliás, é por isso que Lula articula reunião de André Mendonça, do STF, com
Andrei Rodrigues, da PF?
Flávio está longe de passar ileso pelo tema
corrupção, mas Lulinha reaviva um velho fantasma que assombra Lula e o PT há
tempos. O estrago é maior. Para compensar, Lula vai confrontar sua história com
a de Flávio e seu governo com o de Jair Bolsonaro, mas seu grande trunfo para
enfrentar o empate técnico vem do Congresso.
A reaproximação de Lula com Davi Alcolumbre e
Hugo Motta garantiu que todos os quatro relatores de suas pautas prioritárias
sejam aliados. Inclusive o do fim da escala 6x1, a joia da coroa, ou melhor, da
propaganda de Lula.

Nenhum comentário:
Postar um comentário