terça-feira, 1 de setembro de 2026

Crescimento de Cury entre cristãos atrapalha Flávio e Renan, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Autor ocupa a terceira posição segundo BTG/ Nexus

Influenciadores apoiam campanha propositiva e de pacificação

Inicialmente tratada como piada por analistas, a campanha do escritor Augusto Cury parece ter atendido a uma demanda reprimida: o desejo de pacificar a discussão política no país. Ele ocupa o terceiro lugar isolado, com 11% de intenções segundo a pesquisa BTG/Nexus.

Após o debate presidencial na Band, no domingo retrasado (23), o psiquiatra e autor foi quem mais ampliou sua base de seguidores. E o volume de buscas por seu nome aumentou 900% durante a semana, segundo levantamento da Vox Radar citado pela CNN Brasil.

O colunista do PlatôBR Diego Amorim associou o crescimento à atuação do influenciador Pablo Marçal. Se mantiver o ritmo, o avanço de Cury deve atrapalhar sobretudo Renan Santos, candidato da Missão/MBL, e Flávio Bolsonaro, do PL.

Cury disputa com Renan eleitores que estão insatisfeitos com a polarização. Mas enquanto o rival fala em guerra, prisão, morte, banho de sangue e bomba atômica, Cury se apresenta como nome que fará uma campanha limpa, sem incentivar o ódio.

Entre os influenciadores que promoveram o nome de Cury na última semana, ele é apresentado como antídoto às pragas que saíram das redes sociais para assombrar lares, grupos de amigos, ambientes de trabalho e igrejas. A formação como psiquiatra é mencionada como oportuna diante do crescimento do número de casos de adoecimento mental no mundo.

A perspectiva de uma campanha propositiva deve atrair sobretudo mulheres de diferentes idades e segmentos sociais —inclusive a pobre e periférica, que teme que o acirramento da violência no país deixe seus filhos mais vulneráveis.

Já a campanha de Flávio está exposta a perder apoio de um pilar importante do bolsonarismo: o dos cristãos conservadores, incluindo católicos, espíritas kardecistas e evangélicos.

"É a minha bolha ou o Augusto Cury está tendo uma ascensão meteórica?" Essa foi uma das várias menções espontâneas a ele que recebi de evangélicos na semana passada.

Uma interlocutora mandou uma publicidade da campanha de Cury inspirada em um trecho do Evangelho de Mateus (5,9). O "santinho" diz: "Somos 9 milhões de pacificadores". Ela comentou em seguida: "Esta utilização política da Bíblia eu apoio".

Os influenciadores cristãos que defenderam Cury o apresentaram como alguém que fura a bolha, atrai também eleitores à esquerda e pode ser uma alternativa a quem não quer votar no "menos pior" no primeiro turno.

Eles falam ainda de lulismo e de bolsonarismo como faces da mesma moeda. Comparam a biografia de Flávio —sua proximidade com esquemas de rachadinha e com o Banco Master— com a de Cury, casado há quase 50 anos, que conquistou dinheiro e fama escrevendo livros.

Para eles, Cury já tem a vida ganha. Por que trocar tudo isso pela exposição e atribulações do projeto político? Resposta: Deus teria colocado esse propósito no coração dele.

Dependendo de como estiver a disputa no início de outubro, o apoio de Cury custará ouro em uma eleição marcada pela alta rejeição dos favoritos.

 

 

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