Folha de S. Paulo
Autor ocupa a terceira posição segundo BTG/
Nexus
Influenciadores apoiam campanha propositiva e de pacificação
Inicialmente tratada como piada por
analistas, a campanha do escritor Augusto Cury parece
ter atendido a uma demanda reprimida: o desejo de pacificar a discussão
política no país. Ele ocupa o terceiro lugar isolado, com 11% de intenções
segundo a pesquisa BTG/Nexus.
Após o debate presidencial na Band, no
domingo retrasado (23), o psiquiatra e autor foi quem mais ampliou sua base de
seguidores. E o volume de buscas por seu nome aumentou 900% durante a semana,
segundo levantamento da Vox Radar citado pela CNN Brasil.
O colunista do PlatôBR Diego Amorim associou o crescimento à atuação do influenciador Pablo Marçal. Se mantiver o ritmo, o avanço de Cury deve atrapalhar sobretudo Renan Santos, candidato da Missão/MBL, e Flávio Bolsonaro, do PL.
Cury disputa com Renan eleitores que estão
insatisfeitos com a polarização. Mas enquanto o rival fala em guerra, prisão,
morte, banho de sangue e bomba atômica, Cury se
apresenta como nome que fará uma campanha limpa, sem incentivar
o ódio.
Entre os influenciadores que promoveram o
nome de Cury na última semana, ele é apresentado como antídoto às pragas que
saíram das redes sociais para assombrar lares, grupos de amigos, ambientes de
trabalho e igrejas. A formação como psiquiatra é mencionada como oportuna
diante do crescimento do número de casos de adoecimento mental no mundo.
A perspectiva de uma campanha propositiva
deve atrair sobretudo mulheres de diferentes idades e segmentos sociais —inclusive
a pobre e periférica, que teme que o acirramento da violência no país deixe
seus filhos mais vulneráveis.
Já a campanha de Flávio está exposta a perder
apoio de um pilar importante do bolsonarismo: o dos cristãos conservadores,
incluindo católicos, espíritas kardecistas e evangélicos.
"É a minha bolha ou o Augusto Cury está
tendo uma ascensão meteórica?" Essa foi uma das várias menções espontâneas
a ele que recebi de evangélicos na semana passada.
Uma interlocutora mandou uma publicidade da
campanha de Cury inspirada em um trecho do Evangelho de Mateus (5,9). O
"santinho" diz: "Somos 9 milhões de pacificadores".
Ela comentou em seguida: "Esta utilização política da Bíblia eu
apoio".
Os influenciadores cristãos que defenderam
Cury o apresentaram como alguém que fura a bolha, atrai também eleitores à
esquerda e pode ser uma alternativa a quem não quer votar no "menos
pior" no primeiro turno.
Eles falam ainda de lulismo e de bolsonarismo
como faces da mesma moeda. Comparam a biografia de Flávio —sua proximidade com
esquemas de rachadinha e com o Banco Master— com a de Cury, casado
há quase 50 anos, que conquistou dinheiro e fama escrevendo livros.
Para eles, Cury já tem a vida ganha. Por que
trocar tudo isso pela exposição e atribulações do projeto político? Resposta:
Deus teria colocado esse propósito no coração dele.
Dependendo de como estiver a disputa no
início de outubro, o apoio de Cury custará ouro em uma eleição marcada pela
alta rejeição dos favoritos.

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