segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O bobo da corte e o freio nos dentes, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

No 'modo sobrevivência', a relação com a base parlamentar e com o judiciário engendra erosão institucional disruptiva

Não nos depararemos com a morte da democracia, mas com sua crescente degradação institucional

Na sabatina da TV Globo, durante a campanha presidencial de 2022, Lula acusou Bolsonaro de ter capitulado: "Bolsonaro não manda em nada. Ele é refém do centrão". Arrematando: "Bolsonaro parece um bobo da corte, não controla o Orçamento".

A frase retornou como um bumerangue. Hoje, é o próprio Lula quem se vitimiza como refém de um Congresso que capturou o Orçamento. O que, sob Bolsonaro, era descrito como incapacidade pessoal passou, sob Lula, a ser apresentado como patologia institucional.

O avanço da educação étnico-racial, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Sei bem que a educação para equidade racial sempre foi um 'não assunto' nas nossas escola

Bastou o Estado agir com propósito para que essa situação começasse a mudar

Agir com propósito impacta diretamente os resultados alcançados em tudo o que se faz na vida. Quando se trata de políticas públicas, não é diferente. Isso fica evidente ao observar o recente avanço na implementação da Lei 10.639/2003, criada para incluir a história e cultura afro-brasileira no currículo oficial da rede nacional de ensino.

Analisando o cenário atual, a constatação óbvia é que a implementação de políticas para educação das relações étnico-raciais no Brasil só foi pra frente por conta da ação dos movimentos sociais negros, o que levou o Ministério da Educação a assumir as rédeas do processo —passados 21 anos da promulgação da lei, é bom lembrar. Mas é aí que entra o propósito.

Socos e canivetes em sala, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

A maioria dos professores brasileiros já sofreu violência física ou verbal no ambiente escolar

'Nós cuidamos de quase o Brasil inteiro, mas quem cuida de nós?', pergunta uma das agredidas

Se quisermos fazer uma ideia do que espera o Brasil no futuro, basta perguntar aos professores do ensino público e particular. Ninguém como eles tem tantas informações de primeira mão —não raro, na forma de uma arma portada por aquela mão ou de um punho assestado contra o seu rosto. Eis alguns relatos recentes.

Em Planaltina (DF), um professor pediu a dois alunos de 17 anos que entregassem os celulares durante a aula. Os garotos se negaram e tiveram seus aparelhos recolhidos. Terminada a aula, seguiram o professor até o ponto de ônibus e o espancaram. Em Cuiabá, um professor idoso levou rasteiras e pescoções de dois alunos que se negavam a se sentar em seus lugares. Em João Pessoa, um professor foi agredido por um aluno com um martelo por ter-lhe dado nota baixa em um exame.

Poesia | Tabacaria, de Fernando Pessoa

 

Música | Jorge Ben e Gal Costa - Que Pena