Folha de S. Paulo
Em ano eleitoral, os riscos associados a
quadro de descrédito para a democracia e a economia se multiplicam
André Mendonça tem obrigação de adotar os
mesmos procedimentos para todos e deveria derrubar o sigilo de 'Dark Horse'
A crise
institucional pela qual passa o Brasil é tão grave que a
sociedade perdeu totalmente o parâmetro de confiança nos principais atores da
cúpula da República.
Em ano eleitoral, os riscos associados a esse
quadro de descrédito para a democracia e a economia se multiplicam.
No Supremo, são os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli envolvidos diretamente com Daniel Vorcaro sem dar explicações.
No Congresso, lideranças das duas Casas, da
oposição e do governo, ligadas aos escândalos do Master e do INSS.
Na oposição, os milhões pedidos pelo
presidenciável Flávio
Bolsonaro ao "irmão" Vorcaro para o filme "Dark Horse",
sem a prestação de contas até agora e com suspeitas de
lavagem de dinheiro a fim de financiar as atividades de Eduardo Bolsonaro nos
Estados Unidos.
No Executivo, as investigações da PF apontam que
Marcola, ex-chefe do gabinete pessoal do presidente Lula,
recebeu vantagens financeiras indevidas de uma lobista. O filho do presidente,
o Lulinha,
investigado pela PF.
Nos governos estaduais, os ex-governadores
Ibaneis Rocha (DF) e Cláudio Castro (RJ) no círculo das fraudes do Master.
Na PGR, o procurador-geral da República,
Paulo Gonet, foi citado em
mensagens do celular de Vorcaro em que há pedidos para conter
investigações.
É pertinente cobrar do ministro do STF André
Mendonça, da PGR e dos diversos grupos de investigadores da PF que apliquem a
mesma régua e os mesmos procedimentos para todos.
A cobrança sobre Mendonça tem que ser maior,
já que é o relator dos casos Master e INSS. O ministro
omitiu que se encontrou com Vorcaro. Não pode se achar o
Messias, o salvador da pátria. Deveria derrubar o sigilo da investigação do
filme para mostrar coerência e afastar a desconfiança de interferência nas
eleições.
A sociedade está sem referências de onde
possa depositar confiança e esperança. Os
empresários pedem a volta da estabilidade institucional. A
população está cansada dessa pancadaria.
Não é à toa que um nome sem nenhuma expressão
política, Augusto Cury,
atinge 11% das intenções de voto.

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