sexta-feira, 16 de maio de 2014

Campos: "Dilma caiu na armadilha da polarização"

• "Quem nega as conquistas dos governos do PT é Aécio, eu não nego; o que estou dizendo é que tem uma pauta nova"

• "Nunca tive ilusão de que seria o candidato do empresariado brasileiro, a base social de nossa candidatura é outra"

• "Ninguém nega a competência do Armínio. Mas é uma pessoa sem a legitimação do voto"

• "Nos protestos Dilma perdeu a oportunidade de virar uma grande liderança e se consagrar mais do que nas eleições"

Cristian Klein, Denise Arakaki e Maria Cristina Fernandes – Valor Econômico

SÃO PAULO - Longe de assustar, a estratégia do medo utilizada pelo PT - em inserções que começaram a ser exibidas nesta semana no rádio e TV - já representaria o erro das previsões do marqueteiro João Santana, guru da pré-campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff, e pode significar a oportunidade para furar a lógica polarizada da eleição presidencial. É assim que os pré-candidatos a presidente e vice-presidente do PSB, Eduardo Campos e Marina Silva, avaliaram, em visita ao Valor, a forte cartada lançada pelo PT, em propaganda que mostra brasileiros temendo a volta ao passado ao olharem para eles mesmos em piores condições de vida. Para Campos, a estratégia de marketing do PT sinaliza desespero e demonstra que o partido recorre ao "último bastião" de seus eleitores - um núcleo duro formado por beneficiados por programas federais como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, Prouni e Fies.

"Não somos os anões de que falava o João Santana", afirmou Campos, ao se referir à entrevista em que o publicitário do Planalto exalou otimismo. Em outubro do ano passado, Santana afirmou que Dilma será reeleita no primeiro turno em decorrência do que chamou de "antropofagia de anões" a abater seus principais adversários - além de Campos, o senador Aécio Neves (PSDB-MG). "Eles vão se comer, lá embaixo, e ela, sobranceira, vai planar no Olimpo", disse à época.

O ex-governador de Pernambuco afirma que a previsão simplesmente não se confirmou. As intenções de voto de Dilma têm caído nas últimas pesquisas eleitorais e já indicam a possibilidade de haver um segundo turno. E o efeito foi justamente o contrário ao previsto pelo marqueteiro presidencial. "Você vê numa campanha de reeleição que, pela primeira vez, uma candidata que está na frente sai batendo no outro. Quem está na frente não bate no outro. Ignora", diz.

O outro, no caso, é o PSDB. Ao falar sobre o passado, a propaganda do PT chamou para o ringue seu adversário predileto e tenta repetir o duelo que venceu nas últimas três eleições (2002, 2006 e 2010) contra os tucanos. Para Campos, será a oportunidade para furar o bloqueio da polarização. "À medida que Dilma começa a falar em medo, ela arma a cena para a gente entrar. À medida que, para segurar seu núcleo duro, começar a falar para trás, ela arma a cena da polarização [de troca de acusações entre PT e PSDB]. Aí, entramos dizendo que os dois têm razão e você [eleitor] tem razão também maior - que é mudar isso aí. Do ponto de vista estratégico, ela está no pior dos tons. Se ela estivesse falando para o futuro... Mas não está", disse Campos, para quem Dilma já teria caído mais, para 27%, de acordo com pesquisa da qual, no entanto, não revelou o instituto e diz ter "ouvido falar".

Por outro lado, Eduardo Campos acena para onde e como poderia ser sua reação à estratégia petista. "Tem uma certa arrogância naquilo de dizer: você está aí porque eu lhe dei tudo. Meio que desconsidera o esforço individual de cada um, a luta, a conquista, a batalha. Esse negócio pode dar muito errado, se acertarmos em tirar esse medo", afirma, para em seguida acrescentar: "Não restou um argumento que não seja o medo. Se você já começa por aí, é porque já derrotou todos os outros argumentos. É um discurso que já é uma confissão da incapacidade de fazer. 'Não mude não, porque senão vai piorar'", diz.

Numa subida de tom contra Aécio - a quem vem criticando desde que o Datafolha apontou o crescimento do senador tucano - Eduardo Campos disse que não nega o legado e as conquistas sociais dos governos do PT, desde o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Quem nega isso é Aécio. Eu não nego isso, não. Aécio e o PSDB é que fazem o discurso negando. O que estou dizendo é que tem uma pauta nova", pontuou.

A declaração é mais um reflexo da inflexão de Campos à esquerda, numa tentativa de impingir ao senador mineiro a pecha de candidato que representa segmentos mais à direita da sociedade. Questionado sobre o esvaziamento de sua candidatura entre o empresariado, desde que anunciou a aliança com a ex-senadora e ambientalista Marina Silva, o ex-governador enfatizou que sua pretensão nunca foi a de ser representante do setor produtivo. "Nunca tive ilusão de que seria o candidato do empresariado brasileiro. Claro que tem muito empresário apoiando nossa candidatura, mas a essência da base social da nossa candidatura é outra", afirmou.

Campos insinuou ainda que o candidato do PSDB dá poder excessivo ao economista Armínio Fraga na determinação de suas diretrizes. "Ninguém nega a competência do Armínio. Reconhecida dentro e fora do país. Mas é uma pessoa sem legitimação do voto. Não se arruma essa economia só com o tripé macroeconômico. Precisa de um projeto para o país. Passa por educação, inovação, infraestrutura, capacidade de dialogar com setores que estão lutando por direitos. Tem uma agenda microeconômica que o Armínio não fez no governo FHC. A sociedade brasileira é mais complexa do que a nomeação de um chefe de equipe econômica que vai botar o Brasil nos trilhos", disse.

Indagado sobre que medidas tomaria nos cem primeiros dias de seu governo, Campos tergiversou: "Precisa marcar na chegada a capacidade de dialogar com a sociedade; há um enorme desejo da sociedade de contribuir encontro em torno de novos valores. Mais que um projeto, é a atitude do novo governo e essa fica clara na chegada, na formação da equipe, na articulação com o Congresso, que não é um problema, o Congresso vai querer ajudar".

Campos deixou claro o desagrado causado pela declaração de Aécio de que ele e Marina estariam em seu governo em 2015. "Não posso dizer que Dilma vai trabalhar no nosso governo ou que Aécio vai trabalhar no nosso governo. É desrespeitoso com o concorrente. Somos forças com posições comuns, e temos um bocado de coisa diferentes da nossa própria caminhada. A nossa sempre foi muito mais próxima das lutas sociais, da luta por terra, liberdade, que a luta do PSDB".

Campos enumerou mais diferenças com o PSDB: "No dia 1º de maio o Aécio falou em flexibilizar as leis trabalhistas e eu disse que não se tira direito de trabalhador. Também não dá pra falar em redução de idade penal. É ignorância jurídica. O Supremo já disse que precisa mudar Constituição. Tem coisas concretas que mostram as diferenças".

Em sua opinião, o crescimento de Aécio deve-se a atuação do senador no Congresso em defesa da CPI da Petrobras e à maior exposição do tucano no Sudeste, onde o PSDB é forte, e região, ao mesmo tempo, onde Dilma caiu mais. O pessebista confia que seu crescimento nas pesquisas virá do eleitorado que compõe a taxa anormal dos entrevistados que dizem que votarão em branco ou nulo, a maior desde 1989. "Quando a gente pega quem nos conhece [a ele e a Marina], a gente já pontua próximo do que Marina teve no dia da eleição [de 2010, quase 20%]. Quando coloca ela na chapa e comunica assim, a gente vai para o primeiro lugar em São Paulo, Rio, Brasília e Paraná", diz.

A associação com Marina Silva é a aposta para a subida. "Isso vai ficar evidenciado lá para agosto. Com TV, internet, cobertura diária. A partir daí, na primeira quinzena de setembro, você vai ver a confusão", empolga-se.

O entusiasmo, porém, dá lugar ao choque de realidade quando Campos é indagado se concorda com Aécio sobre a necessidade de se tomarem medidas impopulares, seja qual for o vencedor de outubro. Nisso os dois estão de acordo, embora o pessebista prefira dar tons mais amenos aos ajustes na economia.

O pré-candidato do PSB reconheceu que o presidente da República eleito terá que adotar um conjunto de medidas para "restabelecer o equilíbrio macroeconômico" a partir de 2015.

O ex-governador afirmou que as medidas vão tirar o Brasil da "recuperação". "O pessoal só não vai ser reprovado porque nós vamos vencer as eleições", acrescentou Campos, que desviou-se do adjetivo "impopular". "Todas as medidas que venham a restabelecer o equilíbrio macroeconômico e puderem fazer o país crescer não são impopulares. São em busca da popularidade, em busca da compreensão da população de que são necessárias. Temos que falar a verdade para a população", disse. Sua pré-candidata a vice, completou: "Se as pessoas querem mágica, um salvador da pátria, não somos nós, temos agenda".

Sobre o papel dos bancos públicos, o ex-governador de Pernambuco disse que estes têm que voltar "ao seu leito natural". "Vai ter um processo de desmame do tesouro nacional, de animar o mercado de capital, passar segurança para os bancos privados poderem exercitar o crédito de longo prazo. É um processo, não um decreto. Hoje tem uma exposição importante desses bancos no crédito. Tem muito título do Tesouro lastreando essas operações, que estão impactando o orçamento fiscal".

Para Marina, as mudanças já poderiam ter sido feitas, desde que as ruas se encheram de manifestantes, em junho do ano passado. A ex-senadora afirma que Dilma Rousseff teria perdido uma oportunidade histórica de se livrar da "velha política" e respondeu às demandas de um modo tradicional, como se fosse uma pauta de reivindicações de um movimento sindical.

"Se a presidente Dilma tivesse, naquele momento, ligado para algumas pessoas que mesmo sendo de posição diferente e poderiam contribuir... Se perguntasse a mim, eu diria: entre para a história em quatro anos. Chame as pessoas, chame todas as lideranças independentes dos partidos e monte uma agenda para o país. E dê um xeque-mate. Chame para montar uma agenda para o Brasil", disse.

Campos argumenta que, com isso, Dilma, eleita com o apoio de Lula, teria se legitimado ali, pela iniciativa coerente com sua própria trajetória, de alguém que não galgou carreira pelos degraus da política profissional.

Marina concordou: "Essa não é uma pauta de reivindicação em moldes sindicais. Isso é uma energia para mudar a nação. Aposentemos a Velha República. Você tem uma bala de prata que é o Lula. E você entra para a história pilotando essa agenda", disse.

Citando "um amigo" da área da Sociologia, Marina disse que se faz uma análise de que, quando foi feita a escolha por Dilma, Lula não queria um sucessor, queria "um intervalo". "Se fosse Tarso [Genro, governador do Rio Grande do Sul] ou Patrus Ananias [candidato derrotado ao governo de Minas Gerais] seria um sucessor, da genealogia histórica do PT. Dilma seria um intervalo. Se ele tivesse trabalhado com a ideia de intervalo, provavelmente não seria tão traumático", disse.

Questionada se isso não seria impossível, pela tendência dos governantes de se encantarem pelo poder, a ex-senadora ponderou. Lembrou o caso do ex-governador de seu Estado, o Acre, o petista Binho Marques, quando Marina ainda era filiada ao PT. "Isso ocorreu no governo do PT do Acre quando preferi ficar no ministério [do Meio Ambiente] e não saí [candidata] para o governo. Binho, um educador, foi [candidato] com muita resistência, e foi dizendo que não queria voltar novamente e iria cumprir uma tarefa", disse Marina.

Para Eduardo Campos, Lula é uma carta fora do baralho e não se deve perder muito tempo perguntando sobre a possibilidade de sua volta. "Ele pode ter todos os defeitos do mundo, mas não é burro. Sabe ler as cartas. É intuitivo e tem a percepção das circunstâncias do que está vivendo. Vai colocar em questão três coisas que está vivendo? A história, o poder e a perspectiva de poder? Se Dilma vai [à reeleição], só está colocando uma coisa em disputa: o poder. Ele tem as três", diz.

Em tom irônico, o ex-governador de Pernambuco afirma que Dilma terá que encarar o desafio de qualquer maneira. "Dilma vai ter que lamber essa barrinha de sal. E achando doce", diz, aos risos.

Para completar a blague, Campos desenha o cenário que ocorreria entre a presidente da República e seus apoiadores da coalizão governista. "Aquela base dela, quando vir a água entrando dois dedos no porão, não fica um para segurar a mão dela para descer as escadas", diz.

Para o pessebista um dos problemas do governo Dilma foi o voluntarismo da presidente, que teria tomado as rédeas da política econômica por conta própria, centralizando decisões que seriam mais afeitas ao ministro da Fazenda. "Ela não queria a permanência do Guido [Mantega, ministro da Fazenda] e resolveu assumir o ministério. E ela mesma foi conduzindo isso, com uma pauta, achando que ia animar o investimento, estudando a regulação dos setores, ela mesma estudando. E deu no que deu", disse Campos.

Segundo o ex-governador, Dilma "começou a fazer um negócio paradoxal". "É o desenvolvimentismo que gera o mais baixo crescimento da República. Quem ia peitar a banca e baixar os juros, no ato de vontade, está legando os juros num patamar mais alto. [Dilma] é intervencionista e estatizante para alguns e está quebrando as estatais brasileiras", criticou.

O pré-candidato do PSB afirmou que o partido enxerga na estratégia de lançar candidaturas próprias no Sudeste uma forma de penetrar em Estados como São Paulo e Minas Gerais. O presidenciável negou ainda que haja divergências com o Rede Sustentabilidade na formação dos palanques.
"Nossa posição é a busca da candidatura própria. Agora, temos um partido consolidado aqui em São Paulo que tem diretório permanente, com prefeitos e deputados que passaram por alianças na eleição passada com [o governador Geraldo] Alckmin", ressaltou Campos, acrescentando que PPS e PV também estão divididos sobre o quadro eleitoral no Estado. Uma ala do PSB paulista defende a reeleição do tucano, enquanto os aliados preferem um nome próprio. "Nesses 40 dias temos que encontrar um caminho para todo mundo, mas se não der para todo mundo, que seja para uma parte", disse, sinalizando o abandono do projeto inicial de se coligar com o PSDB.

Sobre Minas, Campos lembrou que a relação entre PSDB e PSB vem desde os tempos em que os dois partidos se uniram ao PT para apoiar a eleição de Marcio Lacerda (PSB) à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008. O presidenciável, no entanto, afirmou que os tucanos não levaram em conta a possibilidade de Lacerda concorrer ao governo mineiro em outubro e isso despertou em setores do partido o interesse em lançar um nome próprio.

"Esse movimento que manteve o Marcio Lacerda na prefeitura quando ele desejava sair frustrou um time que começou a ficar animado por um ambiente que está gerado em Minas, de uma eleição que não é exatamente do jeito que se imaginava, polarizada desde agora [entre PT e PSDB]", afirmou.

"Fiz uma reunião com o Rede para ver os caminhos. E o pessoal lá disse que vai colocar a candidatura do Apolo [Heringer] nos órgãos partidários. Não podemos impedir isso". Além disso, argumentou Campos, o fato de Marina ter tido um bom desempenho no Estado na eleição presidencial de 2010, também animou o grupo que defende a candidatura própria. Com isso, o PSDB já avisou que deve reagir e lançar um candidato a governador em Pernambuco, Estado de Eduardo Campos.

O ex-governador reconheceu as dificuldades que enfrentarão com o tempo mais reduzido na propaganda eleitoral, mas espera que a cobertura jornalística equitativa das TVs equilibre o quadro. Deixou claro que ainda aposta em fratura na coalizão governista. "Acho que as mídias sociais vão ter uma importância grande. A gente pode chegar perto dos três minutos, o ideal seria ter quatro minutos. Pode ser que a gente ganhe isso sem que a gente faça grande esforço. Imagine um PMDB não dando os votos [na convenção] porque Rio de Janeiro brigou com Dilma, Ceará também. Junta os delegados do PMDB autêntico, o [senador Ricardo] Ferraço do Espírito Santo, essa turma se junta com os rebelados. E que o PMDB fique neutro nacionalmente. Aí esse tempo vai ser distribuído [entre todos]. Admita-se que isso também aconteça no PP, no PR. A confusão no meio deles pode nos beneficiar".

Roberto Freire: A ‘Copa das Copas’ e o sonho que virou pesadelo

- Brasil Econômico

À primeira vista, há quem imagine que o tempo passou rápido demais entre a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo e o início do Mundial, daqui amenos de um mês, mas não é bem assim. Foi em 2007, e lá se vão sete anos, que a Fifa designou ao país a responsabilidade de receber o maior evento esportivo do planeta.

A nomeação logo foi transformada em peça de propaganda política pelo então presidente Lula, que surfou na onda do mais desbragado populismo triunfalista e anunciou um futuro glorioso coma "Copa das Copas". Cedo ou tarde, no entanto, a falácia lulopetista acabaria desmoronando como um castelo de cartas.

A menos de 30 dias para a bola rolar no ainda incompleto Itaquerão, palco do jogo de abertura, o cenário de descalabro envergonha os brasileiros e constrange o país perante o mundo. Levantamento publicado pela "Folha de S.Paulo" mostra que menos da metade das metas estipuladas na matriz de responsabilidades apresentada pelo Brasil à Fifa foram cumpridas. Das 167 intervenções anunciadas no documento, apenas 68 (41%) foram concluídas a tempo.

Outras 88 (53%) estão incompletas ou ficarão prontas após a Copa, enquanto 11 simplesmente não saíram do papel. Em relação às obras de mobilidade urbana, fundamentais para que as cidades não aprofundem um colapso já existente, somente 10% estão totalmente concluídas. A um mês do campeonato, três dos 12 estádios que serão utilizados sequer foram finalizados (em São Paulo, Curitiba e Cuiabá). A última estimativa sobre o custo das arenas aponta uma acintosa cifra de R$ 8,9 bilhões, mais que o triplo do orçamento inicial (R$ 2,6 bi).

Para se ter uma ideia do tamanho do prejuízo, esse montante é superior à soma do que Alemanha (R$ 3,6 bilhões)e África do Sul (R$3,2bi) gastaram com seus estádios nas duas últimas Copas do Mundo. Ao contrário da promessa de Lula de que o Brasil não gastaria um centavo de dinheiro público, a "Copa das Copas" deve se transformar na mais cara de todos os tempos, tendo consumido mais de R$ 30 bilhões em despesas governamentais.

Além da incompetência do PT, os interesses políticos do ex-presidente e sua incorrigível megalomania levaram o país a ter 12cidades- sedes, e não seis ou oito, o que seria mais racional. É evidente que esse inchaço tornou praticamente inexequível o cumprimento de todas as exigências impostas pela Fifa.

O resultado de tamanho desmantelo, com sucessivos atrasos, é risco iminente de o Brasil ser substituído como sede da próxima Olimpíada, no Rio de Janeiro, como já se começa a especular na imprensa. Ao que parece, o Comitê Olímpico Internacional (COI), que já acendeu sua luz amarela para 2016, é uma entidade um pouco mais séria e menos tolerante coma incúria lulopetista do que a Fifa.

A indignação que tomou conta das ruas em junho de 2013 e já começa a se espalhar novamente às vésperas da Copa é a prova de que a sociedade brasileira não agüenta mais ser enganada. O espetáculo farsesco protagonizado por Lula em 2007, ao vender o Mundial como a solução de todos os problemas do país, foi desmascarado por uma multidão que se revoltou com os bilhões torrados em estádios e exige o " padrão Fifa" em educação, saúde, segurança e no trato como dinheiro público.

Sete anos depois, o sonho de uma grande festa no país do futebol se transformou em pesadelo. Esperamos, pelo menos, que o Brasil seja campeão.

Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

Dora Kramer: Serra no radar

• Aécio ainda pondera os prós e contras para composição da chapa

- O Estado de S. Paulo

Não há nada decidido, embora sejam verdadeiras as cogitações em torno do nome do ex-governador José Serra para compor a chapa presidencial do PSDB como candidato a vice de Aécio Neves.

Ciente da delicadeza do tema e do potencial de dano de uma expressão ou palavra posta fora do lugar, o senador mineiro não se estende em comentários a respeito.

Limita-se a dizer que mantém a posição de decidir a questão em meados de junho, o mais próximo possível da data da convenção do partido, marcada para o dia 14.

Serra, perguntado a respeito, simplesmente muda de assunto. Fato é, porém, que há algum fogo nessa fumaça. Diferente do boato que andou circulando sobre a hipótese de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vir a ocupar o lugar de vice, que nunca passou de falatório.

O que se depreende pelo ambiente no PSDB é que hoje uma composição entre Aécio e Serra seria possível, mas não de todo provável. Possível porque pessoas próximas ao ex-governador é que levantaram a lebre e não foram desestimuladas por ele. Ao menos não com veemência.

A interpretação decorrente disso foi a de que seria um sinal, em princípio, positivo para o entendimento. Consta ainda como mera probabilidade porque há variantes a serem examinadas. Prós e contras a serem examinados.

Um princípio está posto: não há portas fechadas. Mas há contas a serem feitas. Pragmáticas, com vistas a chegar à vitória. Se a conclusão for a de que o nome de José Serra é imprescindível para atrair de modo definitivo o eleitorado de São Paulo, a condição eleitoral objetiva estará dada.

Ocorre que não é o único ingrediente a ser pesado na balança. Ninguém nega, nem os mais próximos e fiéis aliados de Aécio Neves, que a figura de Serra faz sombra e que soaria muito mais natural a tentativa de 2010 com Aécio no lugar de vice do que o contrário.
Outro fator a ser considerado: em caso de o tucano ser eleito, como seria a convivência no governo? Não haveria uma tensão permanente, uma impressão de que Serra, por sua personalidade e atributos, é quem daria de fato as cartas na administração, deixando ao titular a tarefa da representação formal?

São conjecturas que se fazem no partido. Com muito cuidado, de maneira sutil, insinuada, com receio de num deslize fazer desandar uma articulação que se tiver de ser, será.

Lado bom. Nem tudo é desesperança na seara governista em relação à possibilidade de vitória da presidente Dilma Rousseff. Há quem procure se concentrar na imagem do copo meio cheio, em detrimento do copo meio vazio de água.

Por essa visão a candidatura oficial ainda transitaria por uma zona de conforto, contando com dois trunfos importantes a serem explorados no horário eleitoral: a divulgação dos feitos do governo e a exploração dos defeitos dos adversários.

Vacinação. Aparentemente é uma bobagem o embate travado no PSB sobre a retirada ou não da referência à "socialização dos meios de produção" do programa do partido, datado de 1947.

Afinal, tal tese já foi devidamente enterrada pela História e não seria crível que Eduardo Campos a incluísse em sua plataforma. Mas, os defensores da supressão alertam que todo o cuidado é pouco em relação a armadilhas muito comuns em campanhas eleitorais.

Citam exemplos. Dilma Rousseff nunca disse que adotaria medidas em favor da legalização do aborto enquanto presidente, mas sua posição pessoal a respeito do assunto foi usada contra ela em 2010. José Serra jamais se pronunciou a favor da privatização da Petrobrás. O que não impediu o PT de insinuar que sim.

A retirada daquele anacronismo do programa do PSB seria uma forma de prevenção contra eventual factoide para constranger o candidato.

Eliane Cantanhêde: Mal-estar e mau humor

- Folha de S. Paulo

O "Dia Internacional de Lutas contra a Copa" virou um dia nacional de mau humor contra um pouco de tudo e de reivindicações as mais diversas pelo país afora.

Sem-teto, sem-terra, metalúrgicos, garis, professores, estudantes, rodoviários, vigilantes, comerciantes, servidores de saúde, funcionários de universidades e, no caso mais grave, os PMs e bombeiros que deixaram Recife nas mãos de assassinos e saqueadores. Aliás, repetindo o que já tinha acontecido em Salvador bem no início da Semana Santa.

É difícil definir o que aconteceu nesta quinta-feira (15) no Brasil, com tantas categorias, tantas reivindicações, tantas reclamações, tantas intenções. Se há um ponto em comum é um mau humor generalizado.

É mais difícil ainda entender o que o ex-presidente Lula pretendeu ao dizer que a Copa no Brasil virou "objeto de feroz luta política eleitoral". Será que ele está acusando as oposições pelos protestos? Não faz sentido, como muitas coisas que Lula joga ao vento não fazem.

É também difícil tentar entender o comercial do PT num clima de mal- -estar generalizado, não só contra a Copa, mas em toda a parte e por motivos difusos: crimes hediondos, linchamentos, assaltos a rodo, depredações de ônibus, uma sensação de que tem alguma coisa errada.

A propaganda do partido do governo é pesada, ameaçadora, e só piora ainda mais o clima. É genialidade demais para nós, meros mortais --para quem alegria combina com continuísmo e mal-estar e mau humor projetam mudança.

As manifestações de quinta-feira, o vandalismo em Recife, a fala de Lula, o silêncio da oposição e a propaganda do PT só confirmam que, como em junho de 2013, o ambiente é confuso e não autoriza certezas. Algo grave está ocorrendo, mas o quê? Uma descrença nas instituições?

E o que todo mundo não consegue saber, inclusive os governos, é se isso vai explodir durante a própria Copa. Tudo indica que vai.

Míriam Leitão: A luz no dia difícil

- O Globo

O país parece tão confuso. Manifestações,greves, bloqueios de ruas, os estrangeiros chegando e nada pronto ainda. De repente, uma luz no noticiário: a Justiça Federal aceitou denúncia contra os envolvidos no atentado do Riocentro. Isso foi há muito tempo. Foi há 33 anos. Por que trazer de volta esse caso? Ele é um dos mais emblemáticos episódios da ditadura militar.

O que tem isso a ver com o desconforto de ficar horas para atravessar um engarrafamento que pode surgir a qualquer momento por causa de uma manifestação? Ou ter que sair andando por falta de transporte? Ter medo de ser apanhado por um rojão de bombas de gás? Toda essa agitação vai passar. Pode-se superar cada greve, cada movimento e protesto — até os mais oportunistas — preservando as leis do país.

Existem temores, sim. De que mais algum inocente seja atingido, de que a Polícia se exceda, de que os bandidos se aproveitem. Mas tudo será, mais dia menos dia, resolvido.

Há a preocupação com os retrocessos na economia que as decisões de controle de preço representam.

Há represamento de tarifas de energia e combustível, que é escondido através de gasto público ou perda de receita das empresas.

Cada solução que inventam tem produzido outro desajuste. No futuro, haverá correções sérias a serem feitas. Seria insensatez manter os atuais desequilíbrios minando a economia brasileira.

A grande certeza da democracia é que, mesmo defeituosa, ela acabará encontrando a sua maneira de amortecer as tensões, resolver os conflitos e eleger vencedores.

E uma ditadura, o que pode fazer? Programar um atentado num show de música para estudantes, num grande centro de convenções, que poderia matar inúmeros jovens. O atentado do Riocentro é emblemático.

Foi planejado já no fim do regime. Era apenas a contagem regressiva até o fim daquele governo infeliz de um general que gostava de cavalo, mas não de povo, e que pediu que o esquecessem.

Ele foi lembrado agora, quando este jornal trouxe à luz uma informação histórica: a de que a cúpula do governo fora informada de tudo. O próprio presidente Figueiredo soubera do atentado.

Não era correto definir os autores de atentados assim de “bolsões sinceros porém radicais”, como eles diziam. Havia bolsões sinceramente radicais na defesa do regime e acobertados pelos altos escalões.

Foi impressionante, aquele caso, pela longa impunidade, exibida nos jogos da praia, de Wilson Luiz Chaves Machado. Ele estava ao lado do sargento em cujo colo a bomba explodiu. E teve uma vida tranquila, certo da impunidade. Ele sempre foi blindado pelo Exército contra qualquer pergunta constrangedora. E sempre manteve o seu silêncio providencial. Os outros da lista dos que ontem se tornaram réus, como o general Newton Cruz, mostram que havia a cadeia de comando consciente de tudo o que faziam os bolsões.

A Lei da Anistia era usada como se fosse uma segunda blindagem nesse país tão pouco afeito a enfrentar seu passado. No caso, é tão estranho o uso desse argumento porque a Lei da Anistia é de 1979 e perdoava os crimes até então cometidos. O atentado do Riocentro não havia acontecido ainda, é de 1981. Uma lei pode perdoar um crime ainda não cometido no período de sua entrada em vigor? A Justiça Federal do Rio, em decisão histórica, aceitou denúncia do Ministério Público, tornou réus e abriu processos contra o coronel Wilson Machado e outros cinco acusados. A juíza Ana Paula Vieira de Carvalho considerou que aquele foi um crime contra a humanidade.

A decisão tão esperada chegou num dia de manifestações no Brasil, em que várias insatisfações vieram à tona. A coincidência ajuda a mostrar que, qualquer que seja o dia difícil numa democracia, ele será sempre melhor do que o Estado totalitário, em seu mais alto escalão, armar seus agentes e mandá-los sorrateiramente com bombas para explodir no meio de jovens que apenas assistiam um show musical. A bomba explodiu antes, mas o país teve que esperar 33 anos pela Justiça. E ontem foi apenas o primeiro passo.

Claudia Safatle: Mercado está atento à rejeição de Dilma

• Preços dos ativos indicam aposta no segundo turno

- Valor Econômico

É o aumento da rejeição da presidente Dilma Rousseff, e não a queda das intenções de voto, o que chama a atenção dos analistas de mercado para as pesquisas - tanto as realizadas pelos institutos e registradas na justiça eleitoral quanto às feitas por encomenda, para o consumo interno de algumas instituições financeiras. Segundo o Datafolha, em outubro o índice de rejeição dos eleitores à Dilma era de 27%. Caiu para 25% em novembro, subiu para 33% em abril e chegou a 35% em maio. Aécio Neves, candidato à Presidência da República pelo PSDB, e Eduardo Campos, pelo PSB, também apresentam elevados índices de rejeição, de 31% e 33%, respectivamente. Mas quando ela se revela sobre a pré-candidata conhecida e testada no governo há pelo menos três anos e meio, a informação é mais forte e a rejeição é de difícil reversão.

Tão importante quanto saber dos rumos da taxa de juros, da renda variável e do câmbio, agora, é tomar o pulso dos eleitores. Há, no mercado financeiro, economistas e analistas especializados na leitura de pesquisas.

O alto índice de rejeição da presidente seria um dos sinais mais contundentes de que haverá segundo turno e, provavelmente, com Aécio Neves na disputa. Se ele chegar às vésperas das eleições em queda, Dilma será reeleita. Mas se Aécio estiver em uma curva ascendente, as chances de ele ser vitorioso são grandes.

Várias outras possibilidades saem dos números, dependendo das combinações. Por exemplo, se a presidente e os votos nulos e brancos - em torno de 25% a 30%, enquanto o padrão seria de 9% - permanecerem nos patamares de hoje, Dilma poderia até ganhar no primeiro turno.

A rejeição de Dilma indica que aquele contingente é de eleitores da oposição. Trata-se de um quadro bem diferente da rejeição a um candidato que pouco se conhece, argumentam os analistas. Em resumo: "Um candidato à reeleição em geral só perde para si mesmo".

Essa é a visão que orienta a dinâmica dos mercados, hoje. "Se Dilma estivesse com o jogo ganho, certamente a Bolsa de Valores estaria mais baixa e os juros e o dólar mais altos", aposta uma fonte da área financeira que há anos acompanha as pesquisas eleitorais. Os preços dos ativos, por enquanto, não refletem a vitória nem a derrota da presidente. Eles vislumbram o segundo turno.

Os mercados, no Brasil, exercem muito pouca, praticamente nenhuma, influência nas intenções de voto da população. Do conjunto de pesquisas se extrai quatro grandes preocupações da sociedade - saúde, educação, segurança e corrupção. Esta última pela primeira vez está entre as maiores inquietações dos eleitores.

O debate que no momento ocupa o tempo dos pré-candidatos à Presidência estaria, na ótica desses analistas, totalmente descolado dos reais interesses do cidadão. Inflação, autonomia do Banco Central, represamento de preços administrados, política industrial, papel do BNDES na economia, são assuntos importantes para os agentes econômicos e caros ao mercado financeiro, mas de pouca serventia à conquista de votos. Assim como as críticas do ex-presidente Lula à mídia e o perigoso desejo de enquadrá-la ao sabor das suas ideias não sensibilizam o eleitor, que está mais interessado em saber quando diminuirão as filas dos hospitais públicos.

O consumidor percebe que a inflação está elevada, checa os preços a cada vez que vai ao supermercado. Mas ele está empregado, seu salário foi reajustados pela inflação passada mais um ganho real e o poder de compra está preservado. Portanto, acreditam esses economistas, não é a inflação que aumenta a rejeição da presidente Dilma.

Nesse aspecto, arriscam uma explicação: a nova classe média, que deixou a pobreza nos anos mais recentes, tem renda de US$ 15 mil mas demanda bens e serviços de trabalhadores com renda de US$ 30 mil por ano. Ela tornou-se mais seletiva, mais crítica e menos tolerante com a baixa qualidade dos serviços prestados pelo Estado. A disputa sobre quem vai melhor atender a essas novas necessidades, em um curto período de campanha, estimula o discurso populista. "Como a campanha começa mesmo depois da Copa do Mundo, não haverá tempo hábil para os candidatos firmarem um contrato com a sociedade, a não ser o do discurso populista", observou um analista.

No Palácio do Planalto, a determinação é de rebater todas as críticas que vierem da oposição e defender os quase quatro anos de governo Dilma. Cumprindo rigorosamente o "script", ministros e auxiliares graduados foram instados a procurar a imprensa para responder às críticas sobre o excesso de subsídios concedidos pelo governo em nome de uma suposta política industrial, sobre o gigantismo assumido pelo BNDES como um banco do Tesouro Nacional, assim como à política de represamento de preços de energia elétrica, combustíveis e tarifas de transportes urbanos.

Em relação à algumas dessas questões, as diferenças entre os pré-candidatos começaram a surgir. Eduardo Campos e Aécio apoiam a autonomia operacional do BC, estabelecida em lei, para que a autoridade monetária possa cumprir a meta de inflação. Segundo o presidente do PT, Rui Falcão, o partido é contra essa proposta. Aécio, em texto publicado no Valor no dia 2 de maio, feito em parceria com Armínio Fraga, considerou um "exagero" a política de concessão de recursos subsidiados pelo BNDES, em benefício de poucas empresas e em detrimento do restante da sociedade. O ministro do Desenvolvimento, Mauro Borges, saiu em defesa do banco e dos subsídios.

Esta semana, em entrevista à Folha de São Paulo, o ministro chefe da Casa Civil, Aloysio Mercadante, justificou o represamento de preços públicos como forma de proteção ao consumidor. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que não há preços represados. Os candidatos das oposições criticaram o modelo de gestão econômica do PT.

Pela leitura que analistas do mercado financeiro fazem das pesquisas, Dilma, Aécio e Campos não ganharam um voto sequer nessa discussão. As questões macroeconômicas, reiteram essas fontes, não vão definir as eleições deste ano.

Panorama político – Ilimar Franco

- O Globo

O discurso da mudança
Os tucanos pregam que a fadiga de material vai derrotar o PT nas eleições presidenciais. Os socialistas acreditam que essa fadiga é do PSDB também. E buscam convencer os eleitores de oposição de que eles são a mudança viável. Os petistas não se vêem como alvo do voto mudancista. Eles apostam no discurso de que nunca se mudou tanto e que é preciso impedir uma volta ao passado.

A vida como ela é
Aconteceu quarta-feira no Senado. Solenidade de promulgação de lei que indeniza os soldados da borracha — nordestinos que foram para o Norte do país extrair látex para atender aos aliados na Segunda Guerra Mundial. Na mesa, a deputada Perpétua Almeida (PCdoB), que liderou a luta pela aprovação da lei. O ex-seringueiro Belizário Costa recebeu a palavra pelos beneficiários. Mas não agradeceu. Criticou a deputada dizendo que a indenização era uma mixaria. A senadora Ana Amélia (PP-RS) havia sugerido sua fala. Constrangida, ela não sabia que o deputado Gladson Cameli (PP) o havia instruído. Perpétua e Gladson disputam vaga para o Senado no Acre.

*****
“Se os protestos na Copa forem de massa, quem está no governo vai perder pontos. O prejuízo vale para os governos federal e estaduais”
Rodrigo Maia
Deputado federal (RJ) e ex-presidente do DEM
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A maioria
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, fez as contas. A presidente Dilma tem o apoio de 17 estados. Aécio Neves, de oito (RS, SC, RJ, MG, GO, AM, PA, AC). Eduardo Campos tem um (PE). E um dos estados, Sergipe, ainda está indefinido.

A escolha
Os tucanos continuam conversando com seus aliados no PSB, mas comemoram que melhorou muito o relacionamento com o PSD. Porém, avaliam que não será possível ter o apoio de ambos. Ocorre que tanto Gilberto Kassab (PSD), na foto, quanto Márcio França (PSB) querem a vice. A preferência do governador Geraldo Alckmin é por Kassab.

Abrindo espaço
Com um pé na reeleição de Luiz Fernando Pezão (PMDB) e outro em Lindbergh Farias (PT), o PDT emplacou mais um no governo do Rio. Ontem, Airton do Amaral deixou cargo do partido na Câmara para ser diretor na Cia. Docas do Rio.

Correndo pela pista
Metade das vagas (5.250) para decolagens e pousos de jatinhos na Copa já está reservada. A Secretaria de Aviação Civil ofereceu 10 mil slots. Não tem mais pista para os jogos do Brasil, a final, as duas semifinais e para Argentina x Nigéria, em Porto Alegre, dia 25 de junho. Estão ocupados os aeroportos das capitais e das cidades próximas.

Tudo pelo politicamente correto
O PSB decidiu encaminhar para sua Comissão de Ética o caso do deputado Pastor Eurico (PE). Ele reapresentou projeto, arquivado em 2013, sobre a “cura gay”. Seu gesto foi visto como provocação no comando da campanha de Eduardo Campos.

Os nanicos dos tucanos
Quatro partidos nanicos vão integrar a coligação de Aécio Neves (PSDB-DEM Solidariedade) ao Planalto. Na semana que vem, serão anunciados o PTdoB, o PTC, o PSL e o PTN. Destes, o PTdoB tem quatro deputados e 23 segundos na TV.

A PESQUISA ELEITORAL para presidente da República feita em São Paulo, citada ontem, não foi encomendada pelos tucanos, mas pelo PSB.

Painel - Vera Magalhães

- Folha de S. Paulo

A Copa é nossa
"A Copa vai ser boa para o Brasil?" Esta é a pergunta que o governo federal tentará responder em um vídeo institucional de três minutos que a Secretaria de Comunicação Social vai divulgar na internet. O objetivo é explicar a origem dos gastos na construção de estádios, apontar que investimentos em saúde e educação foram "cem vezes maiores" no período de preparação para o evento e mostrar o legado no transporte. "A Copa não foi feita para esconder nossos problemas", diz a locutora.

Acréscimos A menos de um mês da competição, o governo ainda se preocupa com a campanha negativa contra os gastos públicos e diz que a estratégia de comunicação, considerada falha, ainda não entrou nos eixos.

Termômetro Articuladores políticos da Prefeitura de São Paulo receberam sinais de que a ameaça de paralisação de motoristas de ônibus deve ser controlada e, por enquanto, não deve tomar a mesma dimensão que os movimentos do Rio.

Trunfo As greves violentas em Salvador e Recife devem levar o governo federal a reforçar a possibilidade de decretar Garantia da Lei e da Ordem desde que os governadores reivindiquem. A medida transfere para o Exército o comando da segurança.

Grão em grão Quatro siglas nanicas fecharam apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB): PTN, PSL, PTC e PT do B. O anúncio deve ser feito na semana que vem.

Cannes De um petista graduado sobre o comercial da sigla em que as pessoas são mostradas pobres no passado e em melhor situação após os governos do PT: "Se o público-alvo entender, é ótimo. É filme para cineclube".

Sandália Parlamentares que viajaram com Dilma Rousseff recentemente notaram que a presidente está mais "acessível" para o povo e os políticos. "Ela não está de salto alto", diz um deles.

Mudou? O temor da cúpula do PT e do governo Dilma com a aproximação entre Gilberto Kassab (PSD) e Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo se baseia na leitura de que a entrada do ex-prefeito daria um toque sutil de "renovação" à chapa dos tucanos, há 20 anos no poder.

Combo Além do fortalecimento da candidatura tucana, a possível aliança entre Kassab e Alckmin também preocupa os petistas por fortalecer o palanque de Aécio no maior colégio eleitoral.

Território O presidente do PT, Rui Falcão, começa hoje um giro pelo Norte para acertar as estratégias do partido nas eleições e consolidar o apoio da sigla a Eduardo Braga (PMDB) no Amazonas. Hoje, deve discutir com petistas a candidatura de Angela Portela (PT) em Roraima

Bolsa oposição A Caixa pagou R$ 250 mil para patrocinar a Marcha dos Prefeitos deste ano, que serviu de palco para críticas dos presidenciáveis Aécio e Eduardo Campos (PSB) a Dilma. Por causa do apoio, a logomarca do governo federal foi estampada por todo o evento.

Passou do ponto Integrantes da CPI da Petrobras no Senado demonstraram incômodo com o plano de trabalho aprovado para a comissão, que direcionou seu foco sobre governos do PSB, com o porto de Suape, e do PSDB. "Foi exagero", resume um senador governista.

Pode ou não? O PT pedirá na CPI dos Pedágios na Assembleia de São Paulo acesso aos trabalhos de três consultorias contratadas pela Artesp que embasaram a renovação das concessões das rodovias, em 2006. Quer compará-los ao executado pela Fipe, que apontou ganhos irregulares com a prorrogação.

Tiroteio
"O governo Dilma Rousseff está tão ruim que até o PT faz um programa inteiro na TV para dizer que é preciso mudar."
DE AÉCIO NEVES, pré-candidato do PSDB à Presidência, sobre a propaganda petista levada ao ar nesta quinta-feira, que falou várias vezes em mudança"".

Contraponto
Meias palavras

Em votação do Plano Nacional de Educação em comissão especial da Câmara, deputados discutiam um destaque feito pelo deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ).

Durante os debates, no entanto, o parlamentar decidiu retirar seu pedido para mudança no texto.

--O senhor precisa renunciar formalmente, deputado!-- informou o presidente do grupo, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES).

Diante do chamamento, Nercessian fez graça:

--Eu acho "renuncio" muito forte, presidente...Eu titubeio, eu desisto, pode ser?

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

O que mais preocupa
Depois de uma conversa com a presidente Dilma Rousseff, antes da solenidade de lançamento do programa Trabalho decente, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), saiu declarando que o mais preocupante no momento, diante da onda de manifestações, é a greve de policiais, como a que acabou ontem em Pernambuco. "Já vimos esse filme. Isso tem que ser tratado", diz Renan, que já foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso e acompanhou de perto esse drama. A ordem é trabalhar para que os movimentos não ganhem força nesses dias que antecedem a Copa da Fifa.
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Em tempo: No caso das manifestações no Rio de Janeiro, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, atribuiu os protestos na cidade, a encomenda de "marginais, inclusive candidatos a mandatos eletivos". Não citou nomes.

Embalado por Lula
O discurso do ex-presidente Lula contra a imprensa foi repetido ontem dentro do Palácio do Planalto. Calma, pessoal! Foi pelo presidente da CUT, Vagner Freitas: "Marco regulatório da mídia é necessário para termos informação e não essa mídia conservadora e burguesa". Foi o único a tratar do assunto. A presidente Dilma, seus ministros e os demais oradores se limitaram ao tema do evento, o lançamento do compromisso entre trabalhadores e empresários para o "trabalho decente" durante a Copa.

A tartaruga e a lebre
A estratégia do governo agora é correr com as apurações a CPI da Petrobras do Senado, aquela composta por governistas. Assim, quando a CPI Mista, com a participação de deputados e senadores, for instalada, os governistas dirão que o trabalho já está pelo meio do caminho. E como o recesso está logo ali, a aposta é que a outra CPI, que só sai do papel em duas semanas, avançará a passos de tartaruga. A oposição, entretanto, acredita no final da fábula, em que a tartaruga leva a melhor.

Diálogo
Os senadores e deputados aliados ao governo Dilma e que apoiam a reeleição da presidente vão defender que ela faça encontros com pequenos grupos de parlamentares da mesma forma que tem reunido jornalistas. Assim, acham que ela ainda pode conquistar alguns. Afinal, o que os políticos mais reclamam é a falta de diálogo com o Planalto.

CURTIDAS
Momento celebridade/ O governador Agnelo Queiroz (PT) era só alegria ontem à tarde no Planalto. Isso porque os sindicalistas ligados à CUT, que lotaram o salão do segundo andar, fizeram fila para tirar foto com ele.

Momento de reflexão/ O Carpe Diem será palco hoje, a partir das 18h30, do lançamento de dois livros que valem o tempo: Por que o Brasil cresce pouco? Desigualdade, democracia e baixo crescimento no país do futuro, do economista e consultor do Senado, Marcos Mendes; e, ainda, Energia Elétrica a caminho do estrangulamento, escrito a seis mãos pelos consultores Raul Velloso, Paulo Springer e Omar Abbud.

Gostou e vai repetir/ O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos saiu animadíssimo do jantar com os peemedebistas ontem na casa do senador Jarbas Vasconcelos. Agora, que inclusive já fechou acordo com o PMDB gaúcho, buscará outros estados. Será ele e Aécio Neves em busca de fatias do PMDB.

Por falar em PMDB.../ Renan Calheiros  relatou à presidente Dilma Rousseff que a reunião da Executiva do partido foi muito positiva. Nem tanto, mestre. Nem tanto. Como definiu o ex-deputado Genebaldo Correia: "Não vai decidir nada e todo mundo vai sair do mesmo jeito que entrou". Dito e feito.

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Mais uma MP ganha ‘contrabandos’ suspeitos
Destinada a regulamentar o Inovar-Auto, programa de desenvolvimento tecnológico automotivo, a Medida Provisória 638 foi enxertada com dez “contrabandos” na comissão mista do Congresso, presidida pelo senador Gim Argello (PTB-DF). A comissão acolheu emendas sem qualquer pertinência com o tema original da MP, como a mistura de álcool à gasolina e a reabertura do Refis para devedores do fisco.

• MP carta branca
Apenas um artigo da Medida Provisória 638 trata do programa Inovar-Auto, outros 12 artigos tratam de assuntos estranhos ao texto original.

• Nem Ele escapa
Um “contrabando” da MP “regulariza” terrenos ocupados irregularmente por entidades religiosas no DF, onde Gim Argello disputará reeleição.

• Mais álcool no tanque
Outro artigo inserido na MP após a sua edição libera o aumento da proporção de álcool etílico na gasolina de 25% para 27,5%.

• Empresa nova a caminho
A MP 638 retira a necessidade de concessão ou permissão pública para empresas de transporte terrestre interestadual ou internacional.

• Beneficiado por Dilma é condenado na Justiça
Dono da fábrica da Hyundai-Tucson e maior revendedor Ford da América Latina, Carlos Alberto Oliveira Andrade, conhecido pelas iniciais Caoa, foi condenado por falsificação de documento bancário. É que no processo de falência do banco Santos, ele alegou à Justiça que já tinha pago a dívida de R$ 181,3 milhões e apresentou documentos, mas eram falsos. Corrigida, a dívida chega hoje a R$ 800 milhões.

• Litigância de má fé
O juiz Fernando Cúnico, da 12ª Vara Cível de São Paulo, considerou que Caoa e sua mulher promoveram litigância de má fé e os condenou.

• Caso de polícia
Além de ordenar que paguem o que devem à Massa Falida Banco Santos, o juiz mandou abrir inquérito policial contra o casal Caoa.

• Assim é mole
Um enxerto na lei originada na MP 627 livrou a Caoa-Hyundai de pagar R$ 1 bilhão em impostos por ano até 2020. Já não pagam desde 2005.

• Lá, como cá
Ao visitar o vice-presidente Michel Temer, o chanceler William Hague contou que seu governo também enfrentou protestos, nas ruas, pelos investimentos nas Olimpíadas de Londres, capital da rica Inglaterra.

• Copa das urnas
Nove em cada dez manifestações “contra a Copa”, ontem, foram organizados por entidades cujos líderes são candidatos em outubro ou apoiam candidaturas. Foi o caso da Força Sindical, que tucanou.

• TV Skaf
A Justiça Eleitoral autorizou o pré-candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, a aparecer em comerciais de TV da Fiesp, que ele preside, por não considerar isso propaganda eleitoral antecipada.

• Xô
A sempre lamentada Câmara Legislativa do DF deve sofrer renovação radical em outubro. Em pesquisa do Instituto Dados, 70% dos eleitores não mencionam a intenção de votar em qualquer dos atuais deputados.

• Marcando território
Para marcar distanciamento do tucano Aécio Neves, o presidenciável Eduardo Campos (PSB) cogita lançar Júlio Delgado ao governo de MG. O ambientalista Apolo Heringer, da Rede, insiste em sair candidato.

• Tempo fechado
Uma ação popular no Ministério Público Federal questiona a legalidade da Agência Nacional de Aviação Civil ao substituir civis por pilotos militares em exames e fiscalização de voos, inclusive no exterior.

• Candidato
O deputado Renan Filho (PMDB) comunicou oficialmente ao colegas da Câmara, ontem, sua pré-candidatura ao governo de Alagoas, em outubro. Foi encorajado pelos deputados.

• Cassar ou não?
O vice-procurador-geral Eleitoral, Eugênio Aragão, considerou ilegais as provas usadas pelo TRE-PA para pedir a cassação do deputado Cláudio Puty (PT) por compra de votos e pediu revisão da decisão.

• Pergunta no beabá
Após a propaganda “boi da cara preta” do PT advertir que “não podemos voltar atrás” (sic), a oposição vai sugerir “voltar à frente”?

Beth Carvalho - O Mundo é um moinho & As rosas não falam

Carlos Drummond de Andrade: Retrato de uma cidade

I
Tem nome de rio esta cidade
onde brincam os rios de esconder.
Cidade feita de montanha
em casamento indissolúvel
com o mar.

Aqui
amanhece como em qualquer parte do mundo
mas vibra o sentimento
de que as coisas se amaram durante a noite.

As coisas se amaram. E despertam
mais jovens, com apetite de viver
os jogos de luz na espuma,
o topázio do sol na folhagem,
a irisação da hora
na areia desdobrada até o limite do olhar.

Formas adolescentes ou maduras
recortam-se em escultura de água borrifada.
Um riso claro, que vem de antes da Grécia
(vem do instinto)
coroa a sarabanda a beira-mar.
Repara, repara neste corpo
que é flor no ato de florir
entre barraca e prancha de surf,
luxuosamente flor, gratuitamente flor
ofertada à vista de quem passa
no ato de ver e não colher.
II
Eis que um frenesi ganha este povo,
risca o asfalto da avenida, fere o ar.
O Rio toma forma de sambista.
É puro carnaval, loucura mansa,
a reboar no canto de mil bocas,
de dez mil, de trinta mil, de cem mil bocas,
no ritual de entrega a um deus amigo,
deus veloz que passa e deixa
rastro de música no espaço
para o resto do ano.

E não se esgota o impulso da cidade
na festa colorida. Outra festa se estende
por todo o corpo ardente dos subúrbios
até o mármore e o fumé
de sofisticados, burgueses edifícios:
uma paixão:
a bola
o drible
o chute
o gol
no estádio-templo que celebra
os nervosos ofícios anuais
do Campeonato.

Cristo, uma estátua? Uma presença,
do alto, não dos astros,
mas do Corcovado, bem mais perto
da humana contingência,
preside ao viver geral, sem muito esforço,
pois é lei carioca
(ou destino carioca, tanto faz)
misturar tristeza, amor e som,
trabalho, piada, loteria
na mesma concha do momento
que é preciso lamber até a última
gota de mel e nervos, plenamente.

A sensualidade esvoaçante
em caminhos de sombra e ao dia claro
de colinas e angras,
no ar tropical infunde a essência
de redondas volúpias repartidas.

Em torno de mulher
o sistema de gesto e de vozes
vai-se tecendo. E vai-se definindo
a alma do Rio: vê mulher em tudo.
Na curva dos jardins, no talhe esbelto
do coqueiro, na torre circular,
no perfil do morto e no fluir da água,
mulher mulher mulher mulher mulher.
III
Cada cidade tem sua linguagem
nas dobras da linguagem transparente.
Pula
do cofre da gíria uma riqueza,
do Rio apenas, de mais nenhum Brasil.
Diamantes-minuto, palavras
cintilam por toda parte, num relâmpago,
e se apagam. Morre na rua a ondulação
do signo irônico.
Já outros vêm saltando em profusão.
Este Rio…
Este fingir que nada é sério, nada, nada,
e no fundo guardar o religioso
terror, sacro fervor
que vai de Ogum e Iemanjá ao Menino Jesus de Praga,
e no altar barroco ou no terreiro
consagra a mesma vela acesa,
a mesma rosa branca, a mesma palma
à Divindade longe.

Este Rio peralta!
Rio dengoso, erótico, fraterno,
aberto ao mundo, laranja
de cinqüenta sabores diferentes
(alguns amargos, por que não?),
laranja toda em chama, sumarenta
de amor.

Repara, repara nas nuvens; vão desatando
bandeiras de púrpura e violeta
sobre os montes e o mar.
Anoitece no Rio. A noite é luz sonhando.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Opinião do dia: Eduardo Campos

É uma atitude completamente equivocada do ponto de vista político e histórico. O mesmo discurso foi muito utilizado contra Lula e o PT no passado. Lamento que se parta para esse tipo de argumentação.

Vejo um certo tipo de desespero. Acho que aquilo vai ser um grande tiro no pé. Com esse tipo de campanha, os que acham que vão colocar medo, vão encorajar o povo a tirar a presidente Dilma inclusive do segundo turno.

Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB. PT usa discurso do medo para socorrer Dilma, O Globo, 14 de maio de 2014.

CPI da Petrobras poupa Dilma e coloca o foco na oposição

• Investigação sobre Petrobras não inclui convocação de conselheiros que aprovaram polêmica compra de refinaria

• Plano de trabalho inclui apuração sobre o porto de Suape, construído na gestão de Campos, hoje adversário da petista

Gabriela Guerreiro – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Controlada por aliados do Planalto, a CPI da Petrobras instalada nesta quarta-feira (14) no Senado tira do foco das investigações o Conselho de Administração da estatal, que autorizou a compra da refinaria de Pasadena (EUA) e era na época chefiado por Dilma Rousseff.

O plano de trabalho da CPI inclui investigações sobre o porto de Suape (PE), construído na gestão do ex-governador Eduardo Campos (PSB), provável adversário de Dilma nas eleições de outubro.

O STF havia negado a inclusão na CPI desse tema e do cartel de trens em São Paulo, Estado governado pelo PSDB, mas governistas dedicaram um capítulo da comissão de inquérito à refinaria de Abreu e Lima (PE) e conseguiram incluir sua interligação com o porto de Suape.

Aliados de Campos consideram a ação um "desrespeito" à decisão do STF, mas o relator da CPI, José Pimentel (PT-CE), afirma que fatos correlatos ao principal podem ser apurados pela comissão.

O plano de trabalho aprovado não contempla a convocação dos ex-diretores que integravam o conselho da Petrobras em 2006, quando a polêmica compra da refinaria de Pasadena, que motivou o pedido de investigação sobre a estatal, foi autorizada com o aval de Dilma.

O único chamado a prestar depoimento é o ex-diretor da empresa Nestor Cerveró, apontado pela presidente como responsável pelo parecer técnico "incompleto" que orientou o negócio.

Também não há requerimentos para chamar a depor o ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal, nem Fábio Barbosa e Jorge Gerdau, que integravam o conselho da estatal à época.

A presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ex-presidente Sérgio Gabrieli serão os primeiros a serem ouvidos pela CPI, na semana que vem. Os dois já prestaram depoimentos na Câmara e do Senado.

Chapa branca
Dos 13 integrantes da CPI do Senado, apenas um é da oposição. DEM e PSDB se recusaram a indicar membros porque insistem na instalação de CPI do Congresso, com deputados e senadores.

Há 19 indicados para esta última comissão, dois a mais que o mínimo necessário para o começo dos trabalhos, mas aliados do governo sustentam que ela só pode ser instalada após o prazo para indicações, que termina na semana que vem.

O governo emplacou senadores alinhados com o Palácio do Planalto para a presidência e a relatoria da CPI do Senado.

Além de Pimentel, que é líder do governo no Congresso, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), fiel aliado de Dilma, foi eleito para presidir os trabalhos da comissão.

Colaborou Sofia Fernandes, de Brasília

Governistas incluem obras de PSB e PSDB na CPI da Petrobras

• Senadores aliados de Dilma ampliam investigação para tentar atingir Campos e Aécio

• Porto de Suape e plataforma P-36 terão apuração; convite a Lula é derrubado

• Senadores aliados do governo não respeitam o STF

De maioria governista, a CPI do Senado criada para investigar irregularidades na Petrobras começou a funcionar ontem e já incluiu apuração sobre o Porto de Suape, em Pernambuco, para tentar atingir o ex-governador Eduardo Campos, pré-candidato do PSB e adversário da presidente Dilma na eleição. A base do governo também aprovou convocação do presidente da ANP no governo FH para falar do caso da plataforma P-36, que afundou na Bacia de Campos em 2001. PSDB e PSB disseram que o governo manobra com o que Aécio Neves chamou de “CPI chapa-branca” para blindar o Planalto. Ontem, o deputado André Vargas, envolvido com o doleiro Alberto Youssef, preso pela PF, retomou seu mandato

Sob controle do governo, CPI investiga Suape

• Comissão também pretende tratar do afundamento da P-36, na gestão FH

Júnia Gama – O Globo

BRASÍLIA- Na primeira reunião da CPI do Senado criada para investigar denúncias de irregularidades na Petrobras, a base governista deu início à estratégia de blindar o Palácio do Planalto e atacar os adversários da presidente Dilma Rousseff na eleição presidencial de outubro. O plano de trabalho aprovado ontem incluiu investigações sobre o Porto de Suape, em Pernambuco, para atingir o ex-governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB). Em outra frente, o PT articula uma CPI para investigar o cartel do metrô em São Paulo, como forma de atingir Aécio Neves (PSDB-MG).

A comissão também aprovou 74 requerimentos com convocações de integrantes da Petrobras, como a presidente da empresa, Maria das Graças Foster, e envolvidos na compra da refinaria de Pasadena, como o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli e o ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró.

Graça e Gabrielli devem ser ouvidos já na próxima semana. A base governista, no entanto, derrubou um pedido de convocação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva feito pelo senador Cyro Miranda (PSDB-GO).

Para atacar o governo Fernando Henrique Cardoso, a CPI também pretende tratar do caso da plataforma P-36, que afundou em 2001, na Bacia de Campos.

Foram aprovadas as convocações de David Zylbersztajn, ex-presidente da ANP durante o governo tucano, e do empresário Germán Efromovich, que era dono da Marítima, empresa responsável pela construção da plataforma.

Na esvaziada sessão de instalação da CPI, a tropa de choque governista escalou nomes alinhados ao Planalto para os dois cargos-chave da comissão: a presidência ficou com o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e para a relatoria foi escolhido José Pimentel (PT-CE). O vice-presidente é o senador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP) .

A comissão, composta por 13 senadores, sendo apenas três da oposição, tem 180 dias para investigar irregularidades na Petrobras ocorridas entre 2005 e 2014. O relator dividiu o plano de trabalho em quatro eixos, sendo que o terceiro consiste em apurar indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e na interligação da refinaria com o Porto de Suape.

Líder do partido de Eduardo Campos no Senado, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirmou que a inclusão de Suape é uma manobra do governo para tirar o foco das investigações da CPI. O senador destacou que a medida contraria a decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber de uma comissão que apure fato determinado e respeite o direito das minorias:

— A CPI é da Petrobras, o Porto de Suape, a princípio, não tem nada a ver com a Petrobras. O governo tem maioria ampla e, se quer investigar Suape, deveria aprovar uma CPI para Suape. Na prática, estão descumprindo a decisão da ministra Rosa Weber, que disse que tem que haver fato determinado em uma CPI. Mas o PT não tem primado pelo respeito ao Poder Judicário.

No mês passado, após a oposição protocolar o pedido de investigação da Petrobras, a base aliada reagiu para retaliar os adversários de Dilma, tentando incluir investigações sobre o Porto de Suape e o cartel do metrô de São Paulo, estado governado pelo PSDB. A oposição recorreu ao STF, pedindo que a Corte garantisse uma CPI exclusiva sobre a Petrobras, e saiu vencedora. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recorreu da decisão de Rosa Weber, mas ainda não houve pronunciamento final sobre o tema.

O presidenciável Aécio Neves também criticou a forma como a base governista conduziu a primeira sessão da CPI da Petrobras.

O senador afirmou que o PT continua tentando desviar o foco das investigações e cobrou de Renan que arbitre a favor da CPI Mista, composta por senadores e deputados:

— Esta é uma CPI chapa-branca, de blindagem ao governo. Hoje ficou claro que o governo não vai permitir que as investigações ocorram.

O PT continua se desgastando a cada semana tentando impedir com manobras que as investigações ocorram.

Já os petistas defendem que a decisão da ministra e a jurisprudência permitem a inclusão de temas que tenham conexão com o objeto inicial da CPI. O relator da comissão, José Pimentel, defendeu a inclusão e negou se tratar de manobra para retaliar a oposição.

Governistas instalam CPI da Petrobrás, ocupam cargos-chave e miram oposição

• Peemedebista será presidente e petista, o relator; plano de trabalho da comissão prevê investigar obras da estatal ligadas ao Porto de Suape

Débora Álvares e Eduardo Bresciani - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Os governistas do Senado instalaram nesta quarta-feira, 14, a CPI da Petrobrás, ocuparam os principais cargos para controlar as investigações e aprovaram medidas com potencial de estrago para a oposição.

O plano de trabalho aprovado na primeira sessão incorpora obras da estatal petrolífera ligadas ao Porto de Suape, administrado pelo governo de Pernambuco, como atalho para atingir Eduardo Campos, pré-candidato do PSB ao Planalto que comandava o Estado. Também prevê apuração do afundamento da plataforma de extração de petróleo P-36 ocorrido durante o governo Fernando Henrique Cardoso, principal aliado do pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves.

Com o peemedebista Vital do Rêgo na presidência da CPI e o petista José Pimentel na relatoria da comissão, os governistas também aprovaram a convocação de David Zylbersztajn, ex-genro de FHC, que dirigiu a Agência Nacional do Petróleo (ANP) durante o governo tucano.

A investida contra a oposição foi orientada pelo Palácio do Planalto. Foi uma forma de driblar as restrições que a ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber impôs, por liminar, às intenções governistas. Os aliados da presidente Dilma Rousseff queriam investigar obras do Porto de Suape e suspeitas ligadas ao cartel de trens do governo paulista, comandado pelos tucanos há 20 anos. A ministra, porém, disse que a CPI teria de ter foco específico. Desse modo, a saída dos governistas foi achar uma obra da Petrobrás ligada a Suape e se voltar aos problemas da estatal durante o governo FHC.

O caso do cartel será apurado pela CPI mista dos metrôs, com participação de deputados, aprovada pelos governistas como retaliação à CPI da Petrobrás. A oposição ainda tenta instalar uma CPI mista da Petrobrás, já que o governo tem maior controle sobre o Senado - na Câmara, haveria mais margem de manobra para os opositores.

Justificativa. Pimentel disse que a sugestão de investigar uma obra da Petrobrás que liga a refinaria Abreu e Lima ao porto de Suape "não saiu um milímetro" da determinação do STF. "A Abreu e Lima e a Petrobrás pagaram para várias operações para viabilizar acesso a Suape. A apuração vai ser técnica", afirmou.

Aécio chamou a CPI do Senado de "chapa branca", "vingança" e completou: "Não há manobra que impeça que a população saiba o que acontece na Petrobrás". Aliado de Campos, o líder do PSB, Rodrigo Rollemberg (DF), disse que, "na prática, está se descumprindo a decisão da ministra Rosa Weber". "A CPI deve ter fato determinado, mas o PT não tem primado pelo respeito ao poder Judiciário."

Após aprovar 74 requerimentos de convocação, convite e pedidos de informação aos órgãos de controle que já investigam a estatal, o presidente da CPI agendou para a próxima terça-feira o depoimento da presidente da Petrobrás, Graça Foster. Ela já falou sobre a compra da refinaria de Pasadena, um dos alvos da oposição na CPI, em audiências na Câmara e no Senado. Na quinta-feira é a vez do antecessor, José Sergio Gabrielli, que também já foi ao Congresso.

O rito acelerado impresso à comissão já no primeiro dia foi um pedido pessoal de Dilma a Vital. Embora admita a impossibilidade de impedir a instalação da CPI mista da Petrobrás, com a participação de deputados, o Planalto ainda tem esperanças de que o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB), acate a questão de ordem do PT - o recurso alega "prevalência" das investigações do Senado, iniciadas primeiro, sobre a CPI mista, que ainda precisa ser instalada.

Nesta quarta, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, atual presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, falou no Congresso e defendeu a compra da refinaria de Pasadena.

Para Planalto, protestos hoje serão baliza para a Copa

• Gabinete de segurança de Dilma vai monitorar manifestações pelo país

• Sem-teto e grupos contra a realização do Mundial prometem atos em ao menos 50 grandes cidades do país

Giba Bergamim Jr., Marco Antônio Martins, Lucas Vetorazzo, Reynaldo Turollo Jr., Cláudia Rolli e Felipe Souza – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, RIO e BRASÍLIA - Sem-teto, grupos contrários à realização da Copa e outros movimentos sociais prometem fazer nesta quinta-feira (15) protestos simultâneos em pelo menos 50 grandes cidades do país.

As manifestações terão objetivos diversos, mas têm como ponto em comum a crítica, direta ou indireta, aos gastos públicos para a realização do Mundial no Brasil.

Será, por essa razão, um termômetro do que poderá acontecer durante a competição, avaliam autoridades de segurança do governo federal e especialistas que acompanharam de perto os protestos do ano passado.

Os protestos devem coincidir com greves de trabalhadores organizados por duas centrais sindicais.

As manifestações, marcadas sobretudo para as capitais que sediarão a Copa, irão definir a estratégia dos órgãos de segurança para essas ações durante o evento.

Segundo fontes do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), da Presidência da República, o planejamento para a Copa poderá sofrer alterações a depender do comportamento e do poder de mobilização das manifestações desta quinta.

O GSI considera que, sem a adesão da classe média, como ocorreu nos protestos de 2013 pela redução da tarifa de ônibus, os movimentos podem não decolar.

Também vem sendo observada por eles a participação dos sem-teto.

O governo considera que o sinal de alerta deverá ser ligado caso as manifestações reúnam mais de 5.000 pessoas em cada uma das ações em São Paulo e no Rio.

Em campo
Nas avaliações até aqui, com o desembarque da classe média dos protestos, o protagonismo vem sendo exercido pelos sindicatos e movimentos de moradia.

Uma possível boa campanha da seleção é apontada como fator que pode enfraquecer os movimentos --assim como uma eliminação precoce poderia fortalecê-los.

Professora de relações internacionais da Unifesp, que acompanha as manifestações em São Paulo desde o ano passado, Esther Solano diz que será uma espécie de "inauguração" da agenda formal de protestos anti-Copa.

Segundo ela, os grupos que protestam agora têm um grau de politização mais apurado do que os que participaram protestos do ano passado.

"Há coletivos mais organizados, como os comitês contra a Copa, entidades de classes trabalhistas que estão exigindo melhorias salariais e os movimentos de moradia. Todos devem estar nas ruas."

Em São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) promete bloquear avenidas nas regiões norte, sul e leste. Às 7h, manifestantes da ocupação Copa do Povo farão ato no entorno do vizinho estádio do Itaquerão.

A Polícia Militar de São Paulo não acredita na possibilidade de confronto, já que o líder do MTST, Guilherme Boulos, mantém contato frequente com o comandante-geral da PM, Benedito Meira.

À tarde, em várias cidades do país haverá o ato chamado de Dia Internacional de Lutas contra a Copa. Sindicatos ligados a duas centrais também farão atos. Na Força Sindical, 15 mil metalúrgicos de São Paulo devem parar fábricas.