O Estado de S. Paulo
A violência não se explica por variáveis macroeconômicas. Ela invade o cotidiano e redefine prioridades
Como quase tudo na vida, os equilíbrios
alcançados na política, mesmo quando ótimos, não são estáticos nem perenes. A
durabilidade de um equilíbrio político depende da capacidade das instituições e
dos líderes de oferecer respostas congruentes com as expectativas da maioria da
sociedade diante de choques e imprevistos.
Choques podem ter naturezas variadas. Às
vezes são endógenos, nascem do próprio sistema político – como o surgimento de
um novo líder carismático. Outras vezes são exógenos, resultado de eventos
externos, como uma crise econômica internacional ou uma pandemia.
Se o tarifaço imposto pelos EUA foi um presente para Lula – que antes estava nas cordas e voltou à condição de favorito à reeleição em 2026 –, a dificuldade de oferecer uma resposta consistente às expectativas da sociedade diante da crise da segurança pública e da violência do crime organizado tem o potencial de fragilizá-lo.













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