quarta-feira, 28 de maio de 2025

Opinião do dia – Antônio Pedro de Figueiredo*

“Nem se deve deduzir do que fica exposto que os insurgentes de junho, e nós também, pretendamos revolver totalmente a sociedade para reorganizá-la; bem sabemos que estas revoluções radicais são obra do tempo, e apenas meia dúzia de exaltados podem conceber a esperança de realiza-las imediatamente; mas o que pretendiam os revolucionários de junho; o que nós também pretendemos é o governo, como representante da sociedade inteira, intervenha nos fenômenos da produção, distribuição e consumo, pra regula-los e substituir pouco a pouco uma ordem fraternal ao desgraçado estado de guerra que ora reina nestas importantes manifestações da atividade humana. Os nossos votos hão de ser realizados."

*Antônio Pedro Figueiredo, pernambucano, (1814-1859), filósofo, ensaísta, jornalista, tradutor e professor. Intelectual da Revolução Praieira, em artigo na revista O Progresso, Recife, 28 de agosto de 1848)

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

É preciso dar um basta à sanha arrecadatória

O Globo

Setor produtivo faz bem em exigir suspensão de aumento do IOF. Governo deve cortar gastos e emendas

É oportuno e certeiro o manifesto de entidades empresariais defendendo o cancelamento do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), definido pelo governo federal na semana passada. Incapaz de promover um programa confiável de controle de gastos, pressionado pelo crescimento das despesas — em especial as previdenciárias, vinculadas ao crescimento real do salário mínimo — e cioso de despejar recursos públicos em seus projetos de estimação, mais uma vez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva partiu para cima do bolso do contribuinte. Para tapar o rombo que se vislumbra no Orçamento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aumentou o IOF em várias operações, inclusive empréstimos e câmbio. Tal medida inibe a tomada de crédito, desestimula investimentos e inevitavelmente acarretará repasse aos preços, com impacto na inflação. Diante da taxa de juros já nas alturas — 14,75% —, o setor produtivo decidiu dar um basta à sanha arrecadatória.

Plantio da esquerda para as safras de 2026 e 2030 - Fernando Exman

Valor Econômico

João Campos assume essa semana presidência do PSB

Pode-se dizer, com razão, que a campanha eleitoral de 2026 foi indevidamente antecipada. Em parte, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser responsabilizado: ao levantar dúvida sobre a candidatura à reeleição, abriu a temporada de especulações e fomentou uma concorrência interna entre os ministros que disputam as senhas da fila sucessória. Na oposição, as discussões também ganharam corpo quando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral. O jogo está aberto. Nos próximos dias, contudo, dois movimentos na esquerda podem ter desdobramentos em um horizonte ainda mais amplo, ou seja, o pleito de 2030.

O mais evidente ocorrerá entre sexta-feira e domingo, durante o congresso nacional do PSB, quando o prefeito do Recife, João Campos, será aclamado presidente do partido. A partir desse momento, ele ganhará status de líder nacional ao circular por Brasília, no meio empresarial e entre agentes do mercado.

Navegação em mudança de época - Sergio Fausto *

O Estado de S. Paulo

Brasil precisa melhorar suas condições e seus instrumentos de navegação, seja para se proteger de tempestades ou para aproveitar os ventos favoráveis

Tornou-se um lugar-comum dizer que não vivemos numa época de mudanças, mas sim numa mudança de época, tal é a profundidade das transformações pelas quais o mundo está passando: mudança climática, avanço da inteligência artificial, “guerra” comercial, financeira e tecnológica pela hegemonia global, ascensão das autocracias, entre outras transformações que vêm alterando os parâmetros de funcionamento da economia, da política, da geopolítica e da própria natureza.

Retrocedendo na história, é plausível comparar os primeiros 25 anos do século 21 com o último quarto do século 19, quando se iniciaram transformações inter-relacionadas que desembocaram em duas guerras mundiais de consequências devastadoras. Transformações tecnológicas (a segunda revolução industrial), sociais (a expansão da classe operária ligada à grande indústria), geopolíticas (a emergência dos Estados Unidos e, logo a seguir, da Alemanha e do Japão) e ideológicas (de um lado, o marxismo e, de outro, o nacionalismo xenófobo e racista, que se desdobrou no nazifascismo). A história não se repete, mas não convém subestimar as “perturbações” desencadeadas por grandes transformações nas bases tecnológicas e nas estruturas de poder.

Tropa de Davi quis abater Marina - Vera Magalhães

O Globo

Ataques foram tão violentos que chocaram o país, fortaleceram a imagem da ministra e praticamente obrigaram Lula a endossá-la

Havia um intuito claro na arapuca armada para Marina Silva na Comissão de Infraestrutura do Senado ontem: abatê-la, tirá-la do caminho. O ataque coordenado de senadores da Região Norte, entre eles um da base aliada, não deixa dúvida sobre de onde parte a investida contra a ministra. Ela é vista hoje pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), como entrave a seus projetos para a região, a começar pela extração de petróleo na Margem Equatorial.

A ausência vexaminosa dos principais líderes governistas na defesa de Marina também deixa explícito quanto o governo é hoje dependente de Alcolumbre, como foi até pouco tempo atrás de Arthur Lira. A forma como o ex-presidente da Câmara cobrava suas faturas parece quase espartana perto da sem-cerimônia com que o chefe do Senado vai ao pote.

O duro recado de Marina no Senado - Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Ministra enfrenta prova de fogo no governo, mas diz que não pensa na próxima eleição

“Me respeite, ministra! Se ponha no teu lugar!” Foi assim que o senador Marcos Rogério (PL-RO) se dirigiu ontem à titular do Meio Ambiente, Marina Silva, em sessão marcada por intenso bate-boca, na Comissão de Infraestrutura do Senado. Foram horas de desrespeito transmitidas ao vivo, sem que a base do governo defendesse Marina à altura dos ataques contra ela.

Marcos Rogério presidia a sessão em que a ministra foi convidada para explicar o motivo da criação de uma unidade de conservação ambiental marinha na Margem Equatorial da foz do Rio Amazonas. A Petrobras reivindica autorização do Ibama para prospectar petróleo naquela área e os senadores avaliam que Marina cria obstáculos para dificultar a exploração.

Despesa cresce e IOF maior não é solução - Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Governo ficou de novo com a pecha de querer ajustar as contas só com mais receitas

As despesas continuam crescendo, mas isso segue como um “não assunto” no alto escalão do governo. Esse é o problema. Não tem aumento de IOF ou taxação de bets que dê jeito nisso.

Divulgado na semana passada, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (Rardp) mais conhecido como “bimestral”, informa que as despesas obrigatórias deste ano ficarão R$ 36,4 bilhões maiores do que o previsto quando o Orçamento do ano foi aprovado.

Para ter uma ideia: o orçamento do Ministério da Justiça este ano é de R$ 22 bilhões. O dos Transportes, R$ 30,8 bilhões. O da Cultura, R$ 4 bilhões. O do Povos Indígenas, R$ 1,3 bilhão. É dessa ordem de grandeza que estamos falando.

Prévia da inflação de maio é a menor para o mês em 5 anos

Mayra Castro / O Globo

Combinação de resultado melhor que o esperado com avaliação que IOF restringirá crédito reforça aposta em fim do ciclo de alta da Selic

A prévia da inflação de maio, divulgada ontem pelo IBGE, mostrou um alívio disseminado nos preços, especialmente de alimentos. O IPCA-15 deste mês ficou em 0,36%, abaixo do 0,43% registrado em abril e das previsões dos analistas do mercado, de 0,44%. Foi a terceira desaceleração consecutiva, e a menor alta para o mês desde maio de 2020.

A visão de economistas é de que o resultado começa a apresentar sinais de uma melhora da inflação mês a mês, com desaceleração disseminada entre os grupos analisados.

Força do PIB - Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Mercado está ansioso sobre se o nível da Selic é suficiente diante da força do PIB

O Banco Central vem alertando os analistas para uma possível surpresa para cima no desempenho do PIB no primeiro trimestre deste ano, puxado basicamente pelo setor agropecuário. Ao mesmo tempo, o BC vem pedindo paciência para o mercado esperar pelo efeito defasado do aperto monetário, esfriando a atividade e trazendo a inflação para baixo. Só que a resiliência da economia e do mercado de trabalho está deixando o mercado ansioso e reticente sobre se o nível da taxa Selic a 14,75% é mesmo suficiente.

O dom de se iludir - Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Lula insiste em não ver que o governo leva surras autoinfligidas, das quais a oposição só se aproveita

Não ficou muito claro o que o presidente Lula (PT) quis dizer quando anunciou que a partir de junho vai voltar a "fazer política", percorrendo o país para "combater a canalhice".

Talvez tenha querido dar um aviso aos navegantes de que aquele Lula, que na oposição arrasava quarteirões e na Presidência não dava moleza aos adversários, estará de volta, mostrando com quantos paus se faz um embate de mestre.

Se foi esse o significado de suas palavras, vai ter de começar dando um jeito de não levar um baile de Nikolas Ferreira (PL-MG) a cada trapalhada do governo.

A aposta errada de Lula - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Gastos turbinados no início do mandato não se converteram em popularidade, o que leva governo a querer gastar mais

Lula apostou e está perdendo. Ainda antes de assumir seu terceiro mandato, o petista decidiu que fugiria ao script normal dos governantes, de iniciar a administração apertando o cinto para concentrar os gastos nos anos finais, e obteve do Congresso a PEC da Transição, que lhe deu R$ 145 bilhões para começar a gestão já tinindo. Por seus cálculos, se largasse bem, conseguiria estender a avaliação positiva até 2026 e assegurar a reeleição.

Confiança dos americanos sobe - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Apesar de projeto tirânico seguir em frente, mais consumidores e eleitores se acalmam

A confiança do consumidor americano deu um salto grande, depois de cinco tombos. De abril para maio, passou de 85,7 para 98 pontos, segundo a pesquisa do Conference Board. Está entre os níveis mais baixos desde 2022. As expectativas ainda estão em um nível que, se estima, indicaria recessão adiante. Ainda assim, a alta é um espanto.

A redução do fragor da guerra comercial e a recuperação do preço médio das ações deve tem ajudado. Uns 60% das famílias têm investimento em ações.

E daí?

Uma esperança de que Donald Trump cause menos mal ao mundo e, talvez, à democracia se baseia no possível efeito político do dano que o Huno Laranja causar à economia. É a esperança da sabedoria convencional, que não tem se mostrado muito sábia nesta era de extremos bárbaros e redes insociáveis. A ideia, óbvia, é que o desprestígio de Trump o obrigasse a recuos políticos e, quem sabe, o derrotasse na eleição parlamentar de 2026.

Redefinindo um novo progressismo libertário - Rui Tavares

Folha de S. Paulo

Direitistas traíram e distorceram a liberdade, mas parte da culpa é dos esquerdistas, que não a deviam ter abandonado

Quando o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, ataca diretamente a liberdade acadêmica de uma universidade como Harvard, fica muito claro que ele nunca teve verdadeiramente uma agenda de liberdade. Como tantos autoritários antes dele, a conversa da liberdade foi apenas um meio para chegar a um fim, o poder, a partir do qual passou a esmagar a liberdade dos outros.

A culpa principal é de quem participou nessa perversão ideológica. Há já uma década que duas versões da liberdade têm sido vendidas pela direita radicalizada. Uma delas é conservadora, patriarca e nacionalista: a liberdade de ofender, insultar e degradar, apresentada contra a "ditadura do politicamente correto" ou do wokismo ou, mais frequentemente, apenas para chatear a esquerda. Qualquer observador minimamente atento sabia que esse pessoal nunca quis saber de liberdade.

Uma segunda versão, a dos ultraliberais, era mais genuína: eles acreditavam (e alguns ainda acreditam) em uma versão da liberdade como não interferência por parte do Estado, mas é uma liberdade desidratada. Menos Estado, mais liberdade. Menos impostos, mais liberdade. Não passa disso. É uma liberdade poucochinha, como dizemos aqui em Portugal.

Agressão misógina e negacionista contra Marina é um vexame para o Senado – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A aprovação do projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental no país, conhecido como PL da Devastação, é um "golpe de "morte" na legislação ambiental

Casa de ex-governadores e ex-ministros de Estado, o Senado protagonizou, nesta terça-feira, um vexame político de repercussão internacional, às vésperas da realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes), de 10 a 21 de dezembro, em Belém: a agressão misógina e negacionista à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante audiência na Comissão de Infraestrutura, que foi uma verdadeira arapuca política. A ministra foi desrespeitada por três parlamentares e, ofendida, abandonou a reunião. Presidente da Rede Solidariedade, Marina foi senadora da República de 1995 a 2011 e é deputada federal licenciada em função do cargo que exerce. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiou o gesto de Marina.

Marina abandona sessão após senador dizer que ministra não merecia respeito

Thaisa Oliveira / Folha de S. Paulo

Senador Plínio Valério (PSDB-AM), que já havia dito ter vontade de enforcar a ministra em março, recusou-se a pedir desculpas

Brasília - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, abandonou a Comissão de Infraestrutura do Senado nesta terça-feira (27) depois que o líder do PSDB, senador Plínio Valério (AM), afirmou querer separar a mulher da ministra porque a primeira merecia respeito e a segunda, não.

"Ministra Marina, que bom reencontrá-la. E, ao olhar para a senhora, eu estou vendo uma ministra, eu não estou falando com uma mulher. Eu estou falando com a ministra. Porque a mulher merece respeito, a ministra não. Por isso que eu quero separar", disse Plínio ao cumprimentar Marina.

Plínio já havia ofendido a ministra em março quando disse ter vontade de enforcá-la. "Imagine o que é tolerar a Marina 6 horas e 10 minutos sem enforcá-la?", afirmou o senador sobre a participação de Marina em audiência na CPI das Ongs.

Na ocasião, Marina rebateu: "Com a vida dos outros não se brinca. Quem brinca com a vida dos outros ou faz ameaça aos outros de brincadeira e rindo, só os psicopatas são capazes de fazer isso".

Marina abandona sessão no Senado após bate-boca sobre rodovia na Amazônia

Alice Cravo / O Globo

Senador Plínio Valério disse que a ministra não merecia respeito; antes, houve discussão com senador Omar Aziz, da base de Lula

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, abandonou a Comissão de Infraestrutura do Senado Federal nesta terça-feira após bate-boca com senadores e embates sobre a pavimentação da BR-319, estrada que liga Porto Velho a Manaus.

Marina Silva deixou a sessão depois que o líder do PSDB, senador Plínio Valério (AM), afirmou querer separar a mulher da ministra porque a primeira merecia respeito, e a segunda não. A ministra disse que só continuaria na comissão se houvesse um pedido de desculpas. Plínio se recusou. Em março, disse ter vontade de enforcar a ministra.

Gleisi defende Marina: ‘Ofensivos e desrespeitosos’

Por O GLOBO 

Aliado do governo, Omar Aziz não foi citado em postagem de defesa da titular do Meio Ambiente. Janja e Anielle Franco também saíram em defesa da ministra

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu a atitude da colega Marina Silva (Meio Ambiente), que abandonou a Comissão de Infraestrutura do Senado Federal nesta terça-feira após bate-boca com senadores e embates sobre a pavimentação da BR-319, estrada que liga Porto Velho a Manaus.

Em postagem nas redes sociais e em uma nota divulgada por sua assessoria, Gleisi reagiu aos senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Plínio Valério (PSDB-AM), mas não citou Omar Aziz (PSD-AM), que também discutiu com a ministra durante a audiência.

Senado armou arapuca para desgastar Marina Silva - Bernardo Mello Franco

O Globo

Senadores se revezaram para atacar ministra, que se irritou e abandonou a sessão

Seis dias depois de implodir as regras de licenciamento ambiental, o Senado armou nesta terça uma arapuca para desgastar a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Convidada a falar na Comissão de Infraestrutura, ela foi submetida a uma série de provocações e hostilidades até perder a paciência e se retirar da sessão.

O cerco foi incentivado pelo presidente do colegiado, senador Marcos Rogério (PL-RO). Em diversos momentos, ele silenciou o microfone da ministra, impedindo-a de se defender.

"Furiosa obsessão negativa contra os ganhos do Judiciário" - Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

Em uma fala na Fundação Getúlio Vargas, o ministro  Luis Roberto Barroso , Presidente do Supremo Tribunal Federal(STF), de maneira irônica, afirmou  que muita gente pensa que governar é subir num palanque  e ficar  esbravejando discursivamente. Quando Barroso terminou ,  Jair Bolsonaro, que  tinha sido também convidado, e estava lá no auditório, levantou-se,  pediu o microfone, e  assinalou : Não, não é . O Ministro tem razão. É ir para as ruas ouvir as mães desesperadas com a segurança, as pessoas  reclamando de não ter o que comer, a falta de emprego, de habitação, de medicamentos e, usando  suas prerrogativas de chefes de estado,  buscar soluções para os  problemas que atormentam os cidadãos. 

'O capital' volta às livrarias e prova que o espectro de Marx ainda nos ronda; entenda

Ruan de Sousa Gabriel / O Globo

'Um clássico que não cessa de provocar, de estimular', diz José Paulo Netto, biógrafo

São Paulo - Em 20 de outubro de 2008, no início da maior crise financeira desde a Grande Depressão, o jornal londrino The Times, insuspeito de esquerdismo, noticiou um espectro que se supunha exorcizado desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, voltava a rondar o mundo: Karl Marx. “O Capital”, dizia a reportagem, “que na última década vinha sendo usado principalmente como peso de porta”, fora reabilitado por leitores que buscavam entender a raiz da crise. Quase duas décadas depois, os efeitos da debacle econômica ainda não passaram — e nem o interesse nas ideias do velho Marx. Tanto é que uma tradução do “Capital” produzida na Guerra Fria acaba de retornar às estantes do país.

No dia 5 de maio (aniversário de Marx), a editora Ubu relançou a célebre tradução de Regis Barbosa e Flávio R. Kothe, publicada em 1983 na coleção “Os economistas”, da Abril Cultural. Totalmente revisada, a nova edição inclui as modificações de Marx na tradução francesa, de 1875, até agora inéditas no Brasil. Ele incorporou observações críticas ao texto, acrescentou material histórico e estatístico, reposicionou parágrafos e capítulos inteiros, indicando que sua reflexão estava longe de encerrada. O primeiro volume do “Capital” foi publicado em 1867. O segundo e o terceiro foram editados por Friedrich Engels em 1885 e 1894, após a morte de seu parceiro intelectual.

Livro - Antônio Segatto: Capitalismo & Socialismo

PRÓLOGO

Este livro consiste numa tentativa de interpretação de uma extensa época histórica, abarcando cerca de um século e meio, que pode ser delimitada, grosso modo, entre 1848 — aberta com a entrada no cenário político de trabalhadores fabris e intelectuais socialistas, coincidente com a publicação do projeto inaugural do movimento socialista, o Manifesto do partido comunista, de autoria de Karl Marx e Friedrich Engels — e 1989, com a explosão da crise, latente e/ou crônica, que abalou a socialdemocracia e o Welfare State, concomitante ao colapso do socialismo real e do Movimento Comunista Internacional.

Poesia | Da minha aldeia vejo quanto da terra.. de Fernando Pessoa

 

Música | BOCA LIVRE (Lourenço Baeta) - Meio Termo (Cacaso e Lourenço Baeta)

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terça-feira, 27 de maio de 2025

Opinião do dia – Karl Marx*

"Durante as jornadas de junho (1848) todas as classes e partidos se haviam congregado no partido da ordem, contra a classe proletária, considerada como o partido da anarquia, do socialismo, do comunismo. Tinham "salvo" a sociedade dos "inimigos da sociedade". Tinham dado como senhas a seu exército as palavras de ordem da velha sociedade "propriedade, família, religião, ordem - e proclamado aos cruzados da contra-revolução: "Sob este signo Vencerás" A partir desse instante, tão logo um dos numerosos partidos que se haviam congregado sob esse signo contra os insurretos de junho tenta assenhorear-se do campo de batalha revolucionário em seu próprio interesse de classe, sucumbe ante o grito: "Propriedade, família religião, ordem." A sociedade é salva tantas vezes quantas se contrai o círculo de seus dominadores e um interesse mais exclusivo se impõe ao mais amplo. Toda reivindicação ainda que da mais elementar reforma financeira burguesa, do liberalismo mais corriqueiro, do republicanismo mais formal, da democracia mais superficial, é simultaneamente castigada como um "atentado à sociedade" e estigmatizada como "socialismo"."

*Karl Marx (1813-1883). O 18 Brumário de Luís Bonaparte, p.13. Os pensadores (tradução, Leandro Konder), Nova Cultura,1988.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

PEC que acaba com reeleição é ineficaz e inoportuna

O Globo

Debate sobre o tema é pertinente, mas texto do Senado promove redesenho descabido do sistema eleitoral

Ainda que o debate sobre reeleição seja pertinente, não tem cabimento a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do senador Marcelo Castro (MDB-PI), aprovada na semana passada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A tentativa de limitar o poder de quem está no cargo é apenas pretexto para promover um redesenho completo do sistema eleitoral brasileiro, reduzindo todos os mandatos a cinco anos, unificando eleições gerais e municipais e acabando com as regras de renovação parcial do Senado a cada ciclo. A capacidade de gerar confusão é enorme, para benefícios insondáveis.

O maior problema da PEC é unificar o calendário eleitoral, com apenas um pleito a cada cinco anos, em que o eleitor daria nove votos: vereador, prefeito, deputado estadual, governador, deputado federal, três senadores e presidente. As regras de transição são complexas, e o novo esquema valeria só a partir de 2039. Partidários da mudança usam dois argumentos para defendê-la. Primeiro, acreditam que o fim da reeleição imporia obstáculo aos governantes que usam o cargo com fins eleitoreiros e gastam recursos públicos apenas para se reeleger, deixando de lado medidas necessárias, mas impopulares. Segundo, alegam que, com menos eleições, o contribuinte pagaria mais barato, já que os pleitos têm gerado gastos bilionários (só as últimas eleições municipais custaram R$ 4,9 bilhões).

Não é o que parece - Merval Pereira

O Globo

Como a confirmação das sanções em estudo foi feita em público, numa sessão do Congresso americano, a reação deveria ter sido do governo brasileiro, não da PGR

A decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR) de processar o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro por suspeita de conspiração contra o Supremo Tribunal Federal (STF) nos Estados Unidos é um erro político que deriva da necessidade corporativa de demonstrar apoio ao ministro Alexandre de Moraes diante da ameaça de sanções do governo americano. Não é a primeira vez que o corporativismo coloca o Judiciário brasileiro em situação delicada, mas, se é compreensível que Moraes espere esse apoio pessoal, ele não corresponde ao interesse nacional neste momento.

A OpenAI quer ser Apple - Pedro Doria

O Globo

Aquisição da empresa io, fundada pelo designer Jonathan Ive, por US$ 6,5 bilhões, deixa claro o que o CEO Sam Altman espera da companhia

Duas notícias importantes correram o mundo da inteligência artificial na última semana. Uma ainda faz imenso sucesso nas redes sociais. A outra fez burburinho no dia, causou algum espanto pelos números — aí sumiu. A primeira é o lançamento do Veo, versão 3. Trata-se do novo modelo de vídeo do Google. Já nasce como o melhor do tipo e, pela primeira vez, torna possível a ideia de construir um filme inteiro só com IA. Causa espanto, impacto, curiosidade. A outra notícia é a aquisição, pela OpenAI, da empresa io, fundada pelo designer Jonathan Ive, pela bagatela de US$ 6,5 bilhões.

Está chegando ao fim a supremacia ocidental? - Pedro Cafardo

Valor Econômico

Até que a nova ordem se estabeleça, o mundo deve atravessar um período de flutuação, turbulência, instabilidade e imprevisibilidade até a segunda metade do século XXI

A pergunta do título ao lado se justifica porque tudo parece de ponta-cabeça. Os neoliberais estão virando nacionalistas e protecionistas. Os socialistas/comunistas se mostram liberais e defensores do livre mercado, pelo menos na retórica. E o ódio aos imigrantes se espalha.

A resposta de um respeitado sociólogo brasileiro, José Luís Fiori, professor emérito da UFRJ, é objetiva: vivemos um momento de “desordem global”, de caos e incerteza sobre o futuro, porque uma era acabou e será preciso construir uma nova ordem.

Fiori, que ministra um curso de extensão sobre A Geopolítica do Século XXI na FESPSP, observa que os principais chefes de Estado do mundo, antes e depois da posse de Donald Trump, têm sido claros sobre o fim dessa ordem mundial. Cita Josep Borrell, ex-vice-presidente da Comissão Europeia, que afirmou com todas as letras: “A supremacia ocidental terminou”.

Bolsonaro definirá rumos da oposição - Christopher Garman

Valor Econômico

Boa notícia para a oposição é que a fragmentação, por si só, não necessariamente reduz as chances de um candidato de direita vencer as próximas eleições à presidência

Os integrantes da oposição estão cada vez mais ansiosos em relação às eleições de 2026. Com o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível - e provavelmente condenado à prisão - aumenta a pressão por uma candidatura unificada para o próximo ano. O ex-presidente Michel Temer tem representado esse movimento de forma mais eloquente. Ele defende a construção de um projeto para o país, batizado de Movimento Brasil, e busca um acordo entre os cinco governadores presidenciáveis da direita: Tarcísio de Freitas, de São Paulo; Ratinho Junior, do Paraná; Ronaldo Caiado, de Goiás; Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul; e Romeu Zema, de Minas Gerais. A maior preocupação é que uma fragmentação de candidaturas no primeiro turno aumente as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Independentemente de qualquer articulação, Bolsonaro continuará sendo o grande protagonista e responsável por definir o campo da oposição - na expressão em inglês, o “kingmaker”. Só haverá uma candidatura unificada da direita se ele assim decidir, e quem quer que ele endosse terá grandes chances de chegar ao segundo turno no próximo ano. A boa notícia para a oposição é que a fragmentação, por si só, não necessariamente reduz as chances de um candidato de direita vencer as próximas eleições à Presidência.

Quem são os trabalhadores por conta própria no Brasil - João Saboia*

Valor Econômico

Para o período entre 2019 e 2024, um dos resultados mais notáveis é o forte crescimento das ocupações com exigência de nível médio ou superior

Um dos principais agrupamentos existentes no mercado de trabalho brasileiro é composto por trabalhadores por conta própria (CP), que representam cerca de um quarto da população ocupada no país. Uma das marcas desse grupo é sua heterogeneidade, incluindo desde pessoas de baixa qualificação com rendimentos mensais inferiores ao salário mínimo (SM), até profissionais liberais de alto nível, cujos serviços oferecidos podem atingir valores bem elevados.

Outra característica dos CP é seu ajuste de acordo com a conjuntura econômica, usualmente crescendo em termos numéricos em períodos de recessão e diminuindo quando a economia volta a crescer. A baixa oferta de empregos durante a crise faz com que muitos desempregados encontrem uma forma de sobrevivência trabalhando como CP.

Os ciclos conjunturais, entretanto, não impedem que um grande contingente dos CP se estabeleça e permaneça nesse segmento do mercado de trabalho independentemente do ritmo da economia. Boa parte dos CP é composta por trabalhadores informais de baixa renda, mas a criação da figura do microempreendedor individual (MEI) representou a possibilidade de importante parcela dos CP se formalizarem.

Governo sob cerco até de uma oposição inconsistente - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

O governo de São Paulo lançou um programa social cujo nome de batismo pretende, de uma só tacada, resumi-lo e apresentá-lo como uma alternativa modernizante do Bolsa Família. Ao discursar na cerimônia de lançamento do “Superação”, o governador Tarcísio de Freitas valeu-se da máxima comumente usada pelos críticos do programa petista: “Não vamos dar o peixe, vamos ensinar a pescar”.

O caráter emancipatório seria garantido pelo que seus formuladores chamam de “inclusão produtiva”. Tudo veio embalado na pegada do esforço individual, mantra dos púlpitos evangélicos. “Vamos construir o melhor programa social do Brasil. A gente está falando de legado, de galardão perante a Deus. E a melhor maneira de servir ao senhor é proporcionar a emancipação e a vitória sobre a pobreza”, concluiu o governador.

O Congresso e os militares - Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

Tudo indica que o governo Lula se desinteressou da aprovação da PEC e parece baixa a chance de a medida valer para a disputa do ano que vem

A pauta do Congresso está carregada com temas sensíveis e de grande repercussão, como, mais recentemente, o escândalo do INSS, o PL da Anistia e a reeleição. O governo, por seu lado, está com as mãos atadas com crescentes problemas fiscais, políticos e de corrupção e tem como prioridade no Congresso a aprovação da lei que isenta o Imposto de Renda para quem ganha menos de R$ 5 mil.

A bateção de cabeça dentro do governo e a ausência de uma coordenação efetiva entre Lula e as lideranças no Congresso tornam ainda mais difícil o avanço de matérias de importância para a sociedade.

Motta sobe o tom contra o governo – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Haddad sofre críticas por não fazer um corte de despesas maior, mas o catalisador da política é o aumento de alíquota de 0,38% para 0,95% para empréstimos e financiamentos

Não há pior momento para o governo tratar de aumento de impostos do que na última semana de prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). É nesse contexto que o debate sobre o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) virou uma "treta" entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) — que criticou o governo pelo X (antigo Twitter) —, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que anunciou a medida e voltou atrás, parcialmente, na semana passada, mantendo o aumento do imposto.

O governo anunciou um congelamento de R$ 31,3 bilhões no Orçamento de 2025, sendo R$ 10,6 bilhões em bloqueios temporários e R$ 20,7 bilhões em contingenciamentos mais duradouros. O valor cumpriria as regras do arcabouço fiscal, segundo as quais a despesa não pode crescer mais do que 2,5% ao ano (acima da inflação). Para atingir a meta fiscal, também prevê deficit zero, mas admite que poderá chegar a R$ 31 bilhões.

Até quando Haddad resiste? - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Haddad não consegue cortar gastos, porque PT e Lula vetam, nem aumentar receita, pois a realidade não deixa

Enquanto o setor privado mostra poder e articulação contra o pacote do IOF e seus efeitos nefastos para indústria, agro, comércio, bancos, seguradoras e exportadores, o ex-presidente do PT José Dirceu lança nota para petistas defendendo uma “revolução social” e uma guerra ao mercado, ao setor produtivo e ao Banco Central. O capital falou para o País. Dirceu, para a bolha do PT. Quem tem bala e tropa? Quem é forte, como sempre, e quem está cada vez mais fraco?

As duas notícias, no mesmo dia, comprovam o quanto Lula, governo e PT não estão entendendo nada, ou não querem admitir que o mar não está para peixe e a eleição de 2026, por ora, não está para eles e a esquerda, cada vez mais isolados, perdidos. Com sua história e liderança, Dirceu dá sinais de estar tão analógico quanto Lula, raciocinando e agindo como se o mundo tivesse congelado décadas atrás.

Haddad faz o diabo - Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Inicio este artigo com a questão com que concluí o último: se o governo Lula já aciona, em maio de 2025, o botão do IOF, ao que estará apelando em maio de 26?

Essa é a questão. Fernando Haddad disse que recuou – revogou parte do decreto – porque o aumento de imposto sobre aplicações no exterior “passava uma mensagem equivocada”. A mensagem foi transmitida de forma claríssima – e captada perfeitamente. Equivocada fora a decisão por instrumentalizar o IOF para estabelecer repressão financeira. Equivocada fora a decisão por instrumentalizar o IOF para elevar a arrecadação.

Um conjunto de medidas que pretendeu controlar capitais. Não flertou com o controle de capitais. Quis mesmo reprimir o trânsito de dinheiros. Essa era a intenção. As iniciativas foram pensadas para segurar a saída de recursos do País. Jogada que o ministro da Fazenda chamou de “pequeno ajuste”. E que era “estudada há bastante tempo” – havia mais de ano. Imagine se a turma não estudasse. Estudando, avaliaram que o lance desvalorizaria o dólar...

A desigualdade subsidia as elites? - Michael França

Folha de S. Paulo

História do Brasil é a de um presente aprisionado no passado

O problema não está apenas na desigualdade de renda, mas também na de influência. A elite econômica não concentra só patrimônio, mas também determina prioridades políticas e financia as campanhas que desenham o Estado. Um Estado que supostamente deveria garantir equidade, mas que frequentemente se dobra aos interesses de quem pode pagar mais por sua atenção.

É assim que os vencedores do passado legam aos seus descendentes não apenas riqueza, mas também os meios para seguir vencendo, com o poder da influência, redes de proteção mútuas e um Estado moldado para manter quase tudo como está. Essa engrenagem se mostra com nitidez quando olhamos como a desigualdade do presente foi moldada pelo passado, em um arranjo que se apoia, por exemplo, em uma ampla base de trabalho pouco valorizado, que sustenta, com esforço diário, o conforto daqueles que possuem maior renda.

O governo precisará cortar - Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Fingir que as restrições não existem não nos ajuda em nada; cabe fazer escolhas com menos impacto social

"O Estado não gera riqueza —consome", disse o presidente da CâmaraHugo Motta, em um post em que critica o governo pelo aumento do IOF. Isso não é estritamente verdade. Quando uma escola pública ensina crianças a ler, ou quando um policial prende um bandido, isso gera um valor enorme para a sociedade. Mas, de fato, o Estado, exceto pelo lucro de algumas estatais, não gera receita monetária. Ele precisa cobrar impostos para se financiar.

O Brasil cobra próximo de 32% do PIB em impostos. Isso é um valor alto para uma nação em desenvolvimento. O mercado, correta ou incorretamente, não confia no governo Lula. Crê que ele quer gastar sempre mais, que não tem compromisso nenhum com as contas públicas, que prefere medidas heterodoxas para combater a inflação e que, quando puder, passará a conta de seu gasto para o setor privado. Sendo assim, e querendo mudar essa percepção negativa, o governo deveria ser especialmente cuidadoso em suas mensagens econômicas.

A culpa não é da reeleição – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Os defeitos do sistema eleitoral vão muito além do direito do eleitor de reeleger governantes

instituto da reeleição está mais uma vez na berlinda agora que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou sua extinção, junto com uma tabela de ajustes de mandatos para futura unificação de eleições em todos os níveis para os Poderes Executivo e Legislativo.

É um desejo de boa parte do mundo político praticamente desde a sua aprovação, em 1997, e que vem ganhando adeptos no decorrer dos anos em que houve 14 pleitos nacionais, estaduais e municipais sob a regra da renovação de mandatos.

Cadê os defensores da democracia? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Na disputa entre Trump e Harvard, surpreende o pequeno número de atores que se dispõem a enfrentar autoritarismo

Na disputa entre Donald Trump e a Universidade Harvard, o que surpreende é o pequeno número de atores que se dispuseram a enfrentar os ímpetos autoritários do Agente Laranja. Os EUA sempre se autocongratularam por ser o país que irradiava democracia para o mundo. Onde foram parar seus defensores?

Entre as grandes universidades, Harvard, após alguma hesitação inicial, foi a única que explicitou o objetivo de resistir às tentativas de Trump de interferir em seus currículos, contratações e até em questões disciplinares.