Folha de S. Paulo
Se não abrir o olho e ficar esperta, direita
pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo
Lula canta vitória na retórica, mas trabalha
consciente de que há dificuldades a superar na batalha eleitoral
Se a direita não ficar esperta, se insistir
em confrontar o governador Tarcísio de
Freitas (Republicanos), pode acabar perdendo uma eleição
praticamente ganha em São Paulo.
Esse flerte com o abismo geralmente assola quem sobe no salto antes do tempo.
É dessa altura traiçoeira que o PL e Jair & filhos parecem enxergar a cena eleitoral em alguns territórios que consideram dominados. Em Santa Catarina, o partido rifa a candidatura ao Senado da deputada Caroline de Toni —ultradireitista, bolsonarista de todos os costados disponíveis— para apostar num Carlos Bolsonaro importado do Rio de Janeiro e, com isso, produzir um racha na direita local.
Em São Paulo, há ameaças de lançamentos de
nomes ao governo do estado para competir com Tarcísio no mesmo campo. A briga
entra pela indicação de candidatos a vice e ao Senado mais identificados com o
bolsonarismo, contrariando a lógica da aliança de políticos da centro-direita
para ampliar o escopo de atração do eleitorado.
Enquanto a oposição desorganiza o próprio
terreiro, o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) mostra que não está
para brincadeiras. Entra em campo pintado para a guerra. E com a vantagem de
reconhecer as desvantagens.
No palanque, Lula canta
vitória na retórica, mas na prática atua com consciência das dificuldades. Soou
claríssima a convocatória pública para Geraldo
Alckmin (PSB) e Fernando
Haddad (PT) cumprirem
"papel importante" em São Paulo.
Está ainda obscura, mas evidentemente em curso, qual a jogada que o presidente
fará para compor a chapa à reeleição. O impacto da aliança com Alckmin em 2022
passou. Precisará de outro lance igualmente impactante para afastar os
oponentes da direita dos calcanhares.
Na boca de cena desenha-se a cooptação do MDB. No bastidor, no entanto, é que
se rabisca o roteiro dos próximos capítulos. Neles, não é prudente descartar o
papel de protagonista engajado que venha a desempenhar Gilberto
Kassab com um capital de
três pretendentes à Presidência no PSD.

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