O Globo
Em guerra aberta, Mendonça e Moraes sabem que
resultado da urna também definirá futuro da Corte — e deles próprios
Em conversa recente, um ministro do Supremo
previu a chegada de um “setembro sangrento”. Falava da eleição presidencial,
não da crise que estava por explodir na Corte.
A um mês das urnas, é difícil encontrar a
fronteira que deveria separar os dois assuntos. Tudo se mistura no noticiário e
na cabeça do eleitor, bombardeado por cifras milionárias e sinais explícitos de
corrupção.
As novas suspeitas sobre o ministro Alexandre de Moraes inflamaram a militância bolsonarista. Depois do fiasco no lançamento da campanha em Copacabana, o PL espera usar o caso para arrastar uma multidão à Avenida Paulista no 7 de Setembro.
A direita ganhou um mote para voltar a bradar
por impeachment no Supremo. Pouco importa que Flávio Bolsonaro tenha pedido R$
134 milhões ao mesmo Daniel Vorcaro que prometeu R$ 130 milhões ao escritório
da mulher de Moraes.
A semelhança entre as quantias prometidas
pelo dono do Banco Master é mais uma ironia mórbida do escândalo, que lançou
uma nuvem de descrédito sobre a elite política e a cúpula do Judiciário.
No Supremo, o clima é de bangue-bangue. André
Mendonça atirou primeiro ao divulgar os diálogos que comprometem Moraes. Ontem
Moraes revidou ao pedir que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade,
improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
O presidente Edson Fachin, que não conseguia
aprovar regras simples sobre viagens, presentes e palestras, agora se vê
obrigado a arbitrar uma guerra aberta e sem precedentes da história do
tribunal.
Entrincheirados, Mendonça e Moraes não dão
sinais de recuo. Os dois sabem que o resultado da eleição também definirá o
futuro do Supremo — e de suas próprias trajetórias.
Divulgada ontem, a nova pesquisa do Datafolha
agravou a tensão em Brasília ao mostrar uma disputa emparelhada. Na simulação
de segundo turno, Lula e Flávio aparecem em empate técnico: 46% a 44%.
Agora falta apenas um mês para a eleição.
Setembro será sangrento. E está apenas começando.

Nenhum comentário:
Postar um comentário