sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Orçamento de 2027 reflete descrédito fiscal do governo

Por O Globo

Equipe econômica fala em ‘superávit efetivo’ e ensaia ajuste. Mas não convence nem o próprio Lula

A dívida pública brasileira está em 82,5% do PIB, pela última medição do Banco Central. É o maior nível desde abril de 2021, no período da pandemia — e um patamar mais de dez pontos percentuais acima do herdado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É sempre importante lembrar esse fato para avaliar o compromisso do governo com o controle das contas públicas.

Confrontada com a escalada no endividamento, a equipe econômica costuma alegar que tem cumprido as metas fiscais estipuladas pelo arcabouço aprovado em 2023. E afirma que o déficit primário nas contas públicas melhorou de 2,4% do PIB no primeiro ano de governo para 0,5% na previsão para este ano. Os números estão corretos, mas são inócuos, tamanha a lista de despesas não consideradas no cálculo. Com as inúmeras exceções — criadas seja por necessidade, seja por conveniência política —, a dívida não para de subir.

Política não é um mundo paralelo, por Fernando Luiz Abrucio

Valor Econômico

O momento democrático poderia ser mais bem aproveitado se a qualidade do debate melhorasse

As eleições constituem o principal instrumento para que os políticos ouçam, dialoguem e respondam à sociedade. Isso não quer dizer que os governantes e representantes também não tenham de prestar contas ao longo de seus mandatos. Ocupar um cargo eletivo sempre envolve ser monitorado e responsabilizado por seus atos. Mas é no processo eleitoral que os cidadãos têm mais força para listar as prioridades e buscar soluções para os problemas públicos. O que estamos vendo em 2026, infelizmente, é um uso muito insatisfatório e reduzido desse momento estratégico da democracia.

O Brasil passou por muitas transformações positivas desde o início da redemocratização. Nesta lista estariam o acesso universal à saúde, a expansão da educação para camadas sociais que tinham sido alijadas ou expulsas das escolas, a criação de políticas que reduziram a pobreza, a estabilização da economia com o Plano Real, bem como a adoção de programas para proteger o meio ambiente e minorias sociais, como negros, mulheres e indígenas. Tudo isso só foi possível porque houve eleições, com participação dos cidadãos, pressões de organizações da sociedade e apresentação de propostas por candidatos competindo entre si.

O testamento inacabado de Getúlio Vargas, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

O discurso-testamento de 1951 falava em social-democracia e em protagonismo dos trabalhadores. Quando, enfim, até mesmo um trabalhador poderia chegar ao poder

No primeiro 1º de maio após seu retorno à Presidência da República, em 1951, depois da deposição em 1945 e 15 anos de poder e de ter sido novamente eleito presidente em 1950, Getúlio Vargas pronunciou um significativo discurso no Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro.

A memória de Getúlio Vargas tem sido desfigurada e manipulada para nele ressaltar o ditador, que ele foi no Estado Novo, de 1937 a 1945. Ele foi um estadista peculiar, de um país atrasado, em que uma minoria de pessoas esclarecidas, como Roberto Simonsen, fundador da Fiesp, tinha clareza de que o Brasil tinha possibilidade de diferençar-se do que fora até 1929.

Alcolumbre aguarda as urnas para decidir sobre Moraes, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Chefes dos Poderes jogam com o tempo

Político astuto sabe a hora de agir. No “Grande Sertão: Veredas”, que completou 70 anos, Riobaldo afirmou que o líder dos jagunços, Zé Bebelo, não se tornou político como sonhava porque perdeu tempo. “Raposa que demorou”, lamentou.

Na maior crise institucional desde a redemocratização, os chefes dos Poderes jogam com o tempo antes de prestarem contas à sociedade sobre o escândalo vinculando ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Sob pressão para pautar um dos pedidos de impeachment do ministro da Corte Alexandre de Moraes, de quem é próximo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), queixou-se das agressões que vem sofrendo, inclusive de colegas, e pediu tempo: “No momento adequado eu vou falar”.

Os Irmãos Cara de Pau, o Supremo e a agenda de Lula no Congresso, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A tensão deixou de envolver apenas dois ministros: as gravações arrastaram para o centro do palco o STF, a PGR e a própria PF

Cenas antológicas de “Os Irmãos Cara de Pau (The Blues Brothers)”, comédia musical dirigida por John Landis em 1980, parecem ter sido filmadas para servir de metáfora à atual crise política brasileira. Jake e Elwood Blues, interpretados por John Belushi e Dan Aykroyd, respectivamente, reúnem uma antiga banda para levantar o dinheiro necessário à salvação do orfanato católico onde foram criados. Acreditam estar numa “missão divina”, embora sejam perseguidos pela polícia, por neonazistas, por uma ex-noiva vingativa e por uma banda de música country.

No Bob’s Country Bunker, os músicos sobem ao palco protegidos por uma tela de arame, atrás da qual continuam tocando enquanto garrafas são atiradas pela plateia. Mais tarde, no grande concerto do Palace Hotel Ballroom, o espetáculo prossegue em meio à presença de policiais, rivais e adversários dispostos a capturar os irmãos. A confusão toma conta do salão, mas a banda não interrompe a música. O repertório se adapta às circunstâncias, o ritmo é mantido e o público dança em meio ao caos.

Alexandre de Moraes reage e pede a Fachin para investigar André Mendonça

Por Tiago Angelo,  Giullia Colombo  e Mateus Coutinho – Valor Econômico

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu que André Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Ele também acusa o colega de quebra da imparcialidade judicial e favorecimento de grupos políticos nas investigações que tratam de um esquema de fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do escândalo do Banco Master.

A solicitação, encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, acontece dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que citava mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, a um contato atribuído a Moraes. Nelas, Vorcaro buscava interferir e obter informações sobre as apurações que o levaram a ser preso em novembro do ano passado. O episódio abriu uma crise sem precedentes no Supremo, agora intensificada pelo pedido para Mendonça ser investigado.

Moraes acusa Mendonça de crime de responsabilidade, por Renato Souza, Armando Holanda e Rafaela Bomfim

Correio Braziliense

Ministro do STF também aponta indícios de improbidade administrativa e abuso de autoridade do colega de Corte

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou o inquérito das fake news para acusar o ministro André Mendonça de crime de responsabilidade. A ofensiva do magistrado leva a mais alta Corte do país a uma crise sem precedentes. Horas depois, o presidente do STF, Edson Fachin, deu prazo de cinco dias úteis para que os dois se manifestem sobre o caso.

A iniciativa de Moraes é uma reação à decisão de Mendonça de derrubar o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo diálogos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em que Moraes é citado.

Na decisão dessa quinta-feira, Moraes aponta "indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça na relatoria dos inquéritos sobre as fraudes do Banco Master e os descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

Moraes pede a Fachin investigação de André Mendonça por abuso de autoridade, por Luísa Martins e Ana Pompeu

Folha de S. Paulo

Ministro do STF deu decisão no inquérito das fake news e disse que colega agiu por motivos pessoais e políticos e que direcionou investigações

Moraes diz que ele e Alcolumbre foram alvos e que relatórios fazem imputações falsas contra outros ministros; Mendonça ainda não comentou

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que o ministro André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

O despacho foi assinado no âmbito do inquérito das fake news e encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, para providências. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".

Vorcaro ri sozinho e lucra com crise, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Como os líderes do PCC e CV, Vorcaro mantém seu poder na prisão e lucra com a crise institucional

Assim como os líderes do PCC e do CV mantêm comando sobre as facções, mesmo presos em penitenciárias de alta segurança, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sustenta seu poder destrutivo contra as instituições, mesmo depois de meses trancafiado na Papudinha, em Brasília.

Tal como cooptou figuras centrais de Legislativo, Judiciário e Executivo quando era biliardário e estava solto, Vorcaro continua sendo personagem-chave na guerra que sacode a capital da República, com ação calculada para jogar os ministros do Supremo uns contra os outros e a Polícia Federal e a PGR no meio da fogueira.

Sem saída, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ruína da imagem do STF não tem solução fácil e deverá arrastar-se por anos

Excesso de foro especial é ao mesmo tempo ingrediente e agravante da crise

Se um juiz da Suprema Corte dos EUA for flagrado cometendo um crime, ele será julgado na primeira instância. No Brasil, não. Pela regra do foro especial, um ministro do STF só pode ser julgado por seus colegas do Supremo.

Supremo vai escolher entre expor ou esconder suas mazelas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

É tarefa dos três Poderes responder ao imperativo de preservar a confiabilidade das instituições

A transparência exibe as chagas, mas pode cicatrizar feridas e impedir o alastramento da infecção

Daniel Vorcaro está preso, seu banco liquidado e a vida que previra construir arruinada.

Seria apenas o destino de um transgressor se na trajetória dos ilícitos não tivesse arrastado consigo ministros do Supremo Tribunal Federal, um procurador da República, parlamentares da cúpula do Congresso e quem mais ainda esteja por aparecer envolvido nessa macabra teia de cooptações e traficância de influências.

Ao que já se sabe, foram-se os anéis. Resta agora aos verdadeiros defensores do Estado de Direito impedir que se percam os dedos, na metáfora representados pelas instituições pilares da República.

Lula sem ideia nova e com nota ruim, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Com nota tão ruim quanto a de Jair Bolsonaro, presidente fica perto de fundo do poço

Programas de benefícios sociais, redução de impostos e facilitação de crédito não fazem efeito

O que a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia fazer diante dos fatos de que a avaliação de seu governo piora sem parar desde julho e de que na prática está empatado com Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno? O que mais virá nesta eleição no meio da lama da guerra jurídico-policial? Alexandre de Moraes e André Mendonça estão à beira das vias de fato, do duelo, no Supremo e muito mais. Difícil saber o que o eleitorado vai fazer disso.

Setembro sangrento, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Em guerra aberta, Mendonça e Moraes sabem que resultado da urna também definirá futuro da Corte — e deles próprios

Em conversa recente, um ministro do Supremo previu a chegada de um “setembro sangrento”. Falava da eleição presidencial, não da crise que estava por explodir na Corte.

A um mês das urnas, é difícil encontrar a fronteira que deveria separar os dois assuntos. Tudo se mistura no noticiário e na cabeça do eleitor, bombardeado por cifras milionárias e sinais explícitos de corrupção.

As novas suspeitas sobre o ministro Alexandre de Moraes inflamaram a militância bolsonarista. Depois do fiasco no lançamento da campanha em Copacabana, o PL espera usar o caso para arrastar uma multidão à Avenida Paulista no 7 de Setembro.

Salvem a democracia, não Moraes, por Pablo Ortellado

O Globo

Seus erros e acertos viraram erros e acertos do Supremo

A crise no Supremo precisa ser enfrentada com o afastamento do ministro Alexandre de Moraes. Desde a abertura do inquérito das fake news, o STF conferiu poderes demais a um indivíduo para atuar em defesa da instituição. Seus erros e acertos na condução do processo viraram erros e acertos da Corte.

Agora, é preciso que suspeitas sobre má conduta em sua vida profissional não virem suspeitas sobre má conduta da instituição — e comprometam a legitimidade das condenações dos atos antidemocráticos. É preciso afastar Moraes para salvar o Supremo — e para salvar a democracia.

Confusão, silêncio e gargalhadas, por Vera Magalhães

O Globo

Tática dos enredados na teia de Vorcaro é fazer um fogo de encontro que iguale as suspeitas e evite qualquer apuração célere

A tática dos enredados na teia cada vez mais ampla de Daniel Vorcaro para evitar que suas relações com autoridades sejam investigadas a fundo e gerem consequências está clara: apostar na confusão embalada por um silêncio que só não é mais aviltante do que as sonoras gargalhadas, daquelas de sacudir o corpo todo, em que ministros do Supremo Tribunal Federal foram flagrados pelo repórter fotográfico Brenno Carvalho, do GLOBO.

Emprego e trabalho, por Ivan Alves Filho*

O que estamos presenciando no mundo hoje não é o fim do trabalho, mas o começo de um trabalho qualitativamente diferente. E esse trabalho com uso de algoritmos - pois é dele que estamos falando - tem várias dimensões, a começar pela dimensão digital. No entanto, é preciso verificar que ele se manifesta também em atividades de base extrativista e industrial, operando em cadeia. Alguns estudiosos vêm chamando a atenção para isso. 

Poesia | Busque amor novas artes, novo engenho, de Luís Vaz de Camões

 

Música | Dorival Caymmi - É doce morrer no Mar