sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mundo+50 :: Cristovam Buarque

A Rio+20 está correndo o risco de ser apenas um evento comemorativo da Eco 92, e com a chance de ser um marco para o Mundo+50. Para o Rio de Janeiro ser uma cidade marcante, um divisor de águas na história mundial, como Bretton Woods, seria necessário que a Rio+20 fosse, não apenas um evento comemorativo do passado, mas uma reunião com propostas alternativas capazes de reorientar os destinos da humanidade e construir um futuro diferente da continuação do passado. Seria preciso que os chefes de Estado e de Governo afirmassem que a civilização está doente, mostrassem os riscos que enfrentamos e apontassem caminhos para os próximos 50 anos, com a reorientação do atual modelo de desenvolvimento.

Deveriam deixar claro que a sinergia histórica entre a democracia política, o crescimento econômico, a inovação técnica e o bem-estar social foi quebrada. O progresso baseado no crescimento econômico está esgotado devido ao surgimento de alguns novos fatores: os limites ecológicos, a independência como o sistema financeiro funciona sem vínculos com o setor produtivo e sem controle de fronteiras, a mega concentração de renda e de patrimônio, a revolução científica e tecnológica que começa a fazer desnecessário o emprego, o esgotamento da capacidade de financiamento público para o sistema de bem-estar social, o endividamento dos governos, mesmo em países desenvolvidos.

Na definição de novos rumos para o mundo global em marcha, chefes de Estado e de Governo deveriam levar em conta esses fatores que limitam o crescimento.

Muito mais do que se reunir para definir como continuar o mesmo progresso, apenas substituindo a energia fóssil por economia verde e definindo mecanismos para pequenas distribuições de renda aos mais pobres, seria preciso acenar para um novo conceito de progresso, valorizando o bem-estar e mesmo a felicidade mais do que o nível de renda, produção e consumo.

Se a conferência quisesse ser mais do que um evento de alguns dias comemorativos do passado, se quiser durar décadas, deveria formular um Programa Mundial para a Reorientação do Avanço da Humanidade. Agora, o caminho não seria a reconstrução industrial, como foi concebido em Bretton Woods pelo Plano Marshall. Deveria transformar a própria mentalidade do desenvolvimento desigual e insustentável, mesmo usando economia verde, para um desenvolvimento harmônico, entre os seres humanos e deles com a natureza.

O caminho para isso estaria em uma espécie de Plano Mundo+50, que definiria regras mundiais para o controle internacional do uso dos patrimônios da humanidade de cada país, determinaria uma política fiscal internacional para penalizar ou incentivar a produção, conforme seu impacto ecológico, ofereceria acesso aos povos aos benefícios da ciência e tecnologia, asseguraria um Fundo Mundial que pudesse oferecer recursos para financiar programas de transferência de renda condicionada à educação e garantir a formação e a remuneração de professores, a construção e aquisição de equipamentos para as escolas. Deveria também adotar as medidas para implantar um tribunal internacional para julgar os crimes contra o futuro da humanidade, a fim de combater a destruição do meio ambiente, o empobrecimento de populações, a destruição da diversidade biológica e cultural.

Esse seria o caminho para reorientar o progresso, redefinindo-o, e não apenas mudando os insumos usados na produção. Isto faria da Rio+20, assim batizada pelo passado, em um Mundo+50, olhando o futuro.

Cristovam Buarque é professor da UnB e senador pelo PDT-DF

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Recusa ao chamado:: Marina Silva

Mesmo com a visão tolhida pela proximidade dos fatos, arrisco-me a dizer o que saiu 100% vitorioso dessa "Rio-20". Foram as posições defendidas abertamente pelos negociadores dos EUA -e adotadas por Índia, China e Rússia-, de recusa a submeter seus interesses a decisões multilaterais -uma das melhores formas para encontrar saídas para a grave crise ambiental que ameaça o futuro do planeta.

A Europa, que durante 20 anos sustentou política e operacionalmente a tese da primazia do multilateralismo junto com um grupo de países, entre eles o Brasil, manteve esse discurso no Rio, mas, ao mesmo tempo, transferiu para a burocracia diplomática o papel de subtrair dele a imprescindível chancela da ação.

Já o Brasil optou pela renúncia à ousadia e perdeu o acanhamento em assumir-se conservador no agir e no falar. Esse documento anódino aprovado pode ter sido muito duro para o multilateralismo, na medida em que lhe passa atestado de incompetência como espaço de negociação. Não faltará quem advogue o ocaso do multilateralismo para resolver a crise ambiental. Os resultados pífios da agenda oficial dessa lamentável "Rio-20" devem-se à trama de interesses e de vontades que agiu persistentemente desde a Rio 92, para que nenhuma mudança os afetem ou possa vir a ameaçar sua hegemonia geopolítica.

Em 1992, o apelo da menina Severn Suzuki aos chefes de Estado, para que assumissem compromissos ambientais, comoveu o mundo. Agora, a neozelandesa Britanny Trilford foi mais incisiva: "Vocês estão aqui para salvar suas imagens ou para nos salvar?". E mais: "Cumpram o que prometeram". Rostos impassíveis ouvindo a crítica. Será que essa denúncia contundente de sua inação os abala de fato?

A conferência mostrou a distância crescente entre os povos e os Estados. O contraste não foi apenas entre as cores barulhentas da diversidade social e as formalidades do Riocentro. Trata-se de um deslocamento que a sociedade faz, um trânsito na civilização que não é acompanhado pelos governos. Estes limitam-se a falar do futuro enquanto disputam o espólio do século passado e se prestam a ser os guardiães da insustentabilidade.

A grande decepção, infelizmente, foi a recusa do governo brasileiro em assumir a liderança inovadora que sua condição de potência socioambiental lhe dá, afastando-se de sua tradição diplomática na agenda ambiental.

Ao permitir-se ser a mão que enfraqueceu o multilateralismo e reforçou as estratégias exclusivistas dos países ricos, rendeu-se à mesma lógica que levou ao retrocesso interno expresso no Código Florestal. Faltou atitude aos países, e o Brasil nada fez para reverter essa situação ou denunciá-la.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Charge: Cristo Redentor e Rio + 20

FONTE: AROEIRA/ O DIA

Protesto final

Cientistas, empresários, economistas e líderes indígenas aderem ao movimento das ONGs e repudiam documento final da conferência das Nações Unidas que se encerra hoje no Riocentro

Liana Melo e Henrique Gomes Batista

O protesto de ONGs e institutos de pesquisa ganhou a adesão de líderes empresariais, indígenas, além de cientistas e economistas. Com isso, diante da crescente indignação da sociedade civil a respeito do tom pouco ambicioso do documento final da Rio+20, o encerramento da conferência, marcado para hoje à tarde no Riocentro, vai se transformar num palco de protestos. O grupo que discorda do texto assinou uma carta-repúdio à Rio+20, que será entregue oficialmente hoje, ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Ele também receberá líderes da Cúpula dos Povos.

Entre os descontentes estão o economista Ignacy Sachs, do Centro de Pesquisas do Brasil Contemporâneo na Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais (Paris); a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva; além dos cientistas Thomas Lovejoy e José Goldemberg. Líderes empresariais como os brasileiros Oded Grajew e Ricardo Young, ambos do Ethos; os economistas José Eli da Veiga e Peter May; líderes indígenas como Davi Kopenawa Yanomami e de ONGs, como Kumi Naidoo, do Greenpeace; e políticos como Fábio Feldman.

As manifestações que encheram as ruas do Centro na última quarta-feira começaram a se aproximar lentamente da conferência, confinada ao Riocentro, na Zona Oeste da cidade. Ontem, os protestos se espalharam dentro dos pavilhões: no maior deles, uma réplica em tamanho gigante do documento final foi simbolicamente rasgado, e jovens estenderam em um varal a pergunta: "O que nossos filhos se lembrarão da Rio+20?"

- A lista de adesão não para de crescer - disse Rubens Harry Born, coordenador das ONGs brasileiras que participaram de todo o processo negociador da Rio+20.

Mesmo com protestos e pressão por um documento mais ambicioso, o chefe de comunicação da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, Nikhil Chandavarkar, garantiu que não há qualquer possibilidade de o documento ser reaberto.

FONTE: O GLOBO

'Texto fraco, sem ossos e sem alma'

ENTREVISTA/Yolanda Kakabadse. Diretora internacional do WWF, equatoriana critica modelo de negociação da ONU e diz que conferência desperdiçou US$150 milhões num acordo ruim

Diretora internacional do WWF, a equatoriana Yolanda Kakabadse criticou duramente o resultado da conferência. Para ela, o documento acordado é "fraco, sem ossos e sem alma". Nesta entrevista a O GLOBO, ela reclama que as sugestões da sociedade civil ficaram de fora do texto e diz que o custo para montar uma reunião com tamanha estrutura para se obter tal resultado não compensa. "Esse dinheiro poderia estar sendo usado em ações de sustentabilidade", diz. "Fazer a conferência para nada é jogar fora o dinheiro da população", acrescenta.

Roberta Jansen

Desde 1992, quando foram criadas no Rio as convenções de biodiversidade, mudanças climáticas e desertificação, até hoje, o que aconteceu com os debates e compromissos sobre o meio ambiente na sua opinião? Houve um retrocesso, como tantos dizem?

YOLANDA KAKABADSE: Em 1992, havia a necessidade de se construir um marco para todas as nações, para todo o planeta. Um marco que definisse princípios, uma visão compartilhada sobre temas como mudanças climáticas, biodiversidade. Até então, não tínhamos nada ou muito pouco. Tínhamos o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Pnuma), mas não era o suficiente. Mas os desafios então já eram muito grandes e precisávamos ter um acordo comum para cuidar do planeta. E os resultados da Rio 92 geraram muita emoção, muito sentimento de solidariedade, de êxito, de termos conseguido algo complicado. Havia muita liderança, muita visão compartilhada.

E de lá para cá?

YOLANDA: Os 20 anos seguintes temos de dividir em dois. Até 2002 houve muita dinâmica por parte de todos os países, a adoção das convenções nas legislações nacionais em quase todo o mundo, fortalecimento ou até criação de ministérios de meio ambiente. Fortaleceu-se a liderança do manejo de recursos naturais, definiram-se muitos processos, inclusive com o setor privado. E havia muita participação social. Acho que a coisa mais linda de se ver como resultado da Rio 92 foi o reconhecimento de que os governos não poderiam fazer tudo sozinhos.

E o que mudou, então?

YOLANDA: Em 2002, na conferência de Johannesburgo, deu-se um fenômeno muito preocupante. Os governos não quiseram prestar contas do que não haviam feito, não quiseram olhar para trás, e começaram a diluir seus compromissos. De 2002 a 2012, vimos uma deterioração da governança.

Por que isso ocorreu?

YOLANDA: Acho que os governos, ou quase todos, começaram a ver que seus períodos de mandato são curtos e que investimentos em sustentabilidade são metas de médio e longo prazos que freiam sua ação imediata, que permite votos, popularidade, reeleição. Então houve um enfraquecimento dos compromissos em Johannesburgo. Eu fiquei muito decepcionada. Nas conferências de Copenhague, Durban e Bonn, o que vimos foi todos os governos com medo de assumir compromissos, sobretudo econômicos. E, nos últimos cinco anos, houve muitos governos que reduziram os espaços de participação da sociedade civil. Há menos participação agora do que havia em 1992 e em 2002. Os governos sentem que deixaram muitas responsabilidades nas mãos de terceiros e querem recuperar o poder do Estado. E essa sensação tenho agora, em 2012. Muitos governos fecharam espaços de participação e isso debilita não apenas a democracia, mas também a possibilidade de construir agendas fortes de desenvolvimento.

Houve avanços?

YOLANDA: Creio que houve coisas importantes. Houve muita evolução científica e tecnológica, muito mais investimento em pesquisa. Novos grupos e novas vozes participando de decisões em governos locais. Os principais atores desses 20 anos foram os governos locais que, em processos menores, conseguiram construir agendas mais fortes. Em nível global, houve muita força das convenções nos primeiros dez anos, e um enfraquecimento nos últimos dez.

Mas falou-se muito em aquecimento global, não?

YOLANDA: Sim e, talvez, a perda mais grave tenha sido o fato de o tema mudanças climáticas ter se apoderado da agenda do desenvolvimento e a convenção de biodiversidade ter ficado escondida debaixo da mesa. Poucos percebiam que as mudanças climáticas ocorrem porque a biodiversidade está degradada, porque os ecossistemas estão degradados. Agora está se resgatando a importância da biodiversidade. Espero que esse seja um resultado positivo desta conferência.

Como a senhora viu o documento final?

YOLANDA: Muito fraco. Não tem ossos, não tem alma. É uma declaração, mas em 1992 também tivemos uma declaração que já era suficiente. Acho que as Nações Unidas e nossos governos se equivocaram ao colocar na declaração o título "O futuro que queremos". Porque o que queremos não tem limite. Acho que deveria ser "o futuro que necessitamos".

E qual é o futuro que necessitamos?

YOLANDA: O futuro que necessitamos tem controles, regras claras que definam quais são os limites em função da capacidade da Natureza de prover. Neste momento, estamos consumindo um planeta e meio, estamos destruindo o capital natural. Seguindo assim, nos próximos 20 anos já estaremos comendo dois planetas e enfrentaremos falta de água, falta de alimentação.

Então a decisão de adiar para 2014 e 2015 decisões sobre meios de financiamento da transição para o desenvolvimento sustentável e as metas a serem adotadas pelos países pode agravar ainda mais a situação?

YOLANDA: Todo o documento diz apenas: "no futuro, pensaremos". Mas não há mais tempo de pensar no futuro. O futuro é agora.

Os diálogos com a sociedade civil foram organizados para gerarem sugestões ao documento. Mas o documento ficou pronto antes mesmo que os diálogos terminassem e as sugestões fossem encaminhadas. A sociedade civil ficou de fora?

YOLANDA: Pois é. Não esperaram os resultados para colocá-los no documento. Triste, não?

Como a senhora vê a contínua recusa de EUA e União Europeia no que diz respeito ao financiamento das ações de desenvolvimento sustentável em países mais pobres?

YOLANDA: Entendo o porquê. Há uma crise evidente e é uma pena que coincida com o evento. Mas é importante que os governos, além de reconhecerem a crise, definam como vão assegurar que essa crise não destrua a base, que é o capital natural.

Na reunião do G20, que terminou esta semana no México, os países acordaram a destinação de US$456 bilhões para ajudar a sanar a crise financeira na Zona do Euro, entre eles países do Brics, como Brasil e China. No entanto, aqui na Rio+20, todos se recusaram a criar um fundo ambiental de US$30 bilhões. Como a senhora vê isso?

YOLANDA: É uma vergonha. A conferência para mim é uma desilusão. Se somarmos todo o investimento feito para a preparação desta conferência, são cerca de US$150 milhões ao longo dos últimos dois anos. A relação custo-benefício não compensa.

A senhora acredita que esse modelo de negociação da ONU esteja ultrapassado? Que não se pode negociar esse tipo de assunto dessa forma, com todos os 193 países tendo de concordar com todos os pontos?

YOLANDA: Espero que essa seja uma decisão. Porque isso aqui é uma vergonha. Penso que esses US$100 milhões, US$150 milhões, poderiam estar agora em ações de desenvolvimento. E pense no que gastaram todos os nossos governos em delegações, planejamento, semanas inteiras de negociações improdutivas. É jogar fora o dinheiro da população. É um dinheiro que não pertence aos governos, pertence às pessoas.

FONTE: O GLOBO

A Lua:: Fernando Pessoa

A Lua (dizem os ingleses),
É feita de quijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma idéia se perde.

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De... não sei se é desejar.

Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando...
A Lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando.

        Fernando Pessoa, 14-11-1931

quinta-feira, 21 de junho de 2012

OPINIÃO DO DIA – José Simão: Lula, Maluf

Essa aliança do Lula com o Maluf não é uma aliança, é uma algema! O Lula achou Maluf antes da Interpol.

José Simão, humorista. Folha de S. Paulo, 20/6/2012

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Cai presidente do Banco do Nordeste
Lula extrapolou e deu um fora, diz Erundina
ONGs rejeitam documento da Rio+20; ONU cobra ambição
Câmara abre brecha para fim de teto de servidor
Demóstenes e Cachoeira viajaram juntos

FOLHA DE S. PAULO
Militares vigiaram Dilma durante o governo Sarney
Grécia forma governo que apoia país na zona do euro
Rio+20: ONU reconhece que documento da cúpula tem pouca ambição
Governo uruguaio quer estatizar venda da maconha
Ex-secretário de Kassab é alvo de investigação

O ESTADO DE S. PAULO
Comissão aprova farra dos salários
Após mais uma recusa, Lula tenta vice de PTB ou PC do B
Dilma defende ‘consenso’ sobre documento final

VALOR ECONÔMICO
Investimento tem forte expansão nas capitais
Camargo fica com Cimpor por € 5 bi
Cai a venda de máquinas para construção
Tecnologia nano vai até o campo
Eleição municipal afasta aliados históricos

CORREIO BRAZILIENSE
Deputados tramam fim do teto salarial
ONGs se rebelam contra a Rio+20
Tortura em Minas foi muito além de Dilma

ESTADO DE MINAS
No limite da irresponsabilidade
Cobrança brasileira
Tempo de horrores
Calote: Brasileiros exageram nos cheques sem fundos em maio
Gasto do SUS com vítimas de motos no país sobe 113%

ZERO HORA (RS
Em meio a críticas, só Brasil confia em sucesso da Rio+20
Governo do Uruguai quer vender maconha
Eleições 2012: Por tempo na TV, alianças esdrúxulas

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Greve do metrô é suspensa
Presidente do BNB é afastado
Motos matam mais do que os carros
PSB vai lançar Geraldo Júlio para prefeito

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Luiza Erundina frustraria por inteiro pragmatismo de Lula no pleito de São Paulo:: Jarbas de Holanda

O projeto original do ex-presidente Lula de uma forte candidatura do seu grupo à prefeitura de São Paulo – capaz de superar a resistência ao petismo predominante na cidade e de encaminhar a disputa como etapa do plano maior de conquista do governo do estado em 2014 – tal projeto, bem como as articulações iniciais dele nesse sentido, passavam pela atração do prefeito Gilberto Kassab, pela indicação de um nome do PT com imagem de “novo” e bem assimilável pelo eleitorado e pela entrega da candidatura a vice a um aliado em condições de cumprir papel semelhante ao do empresário José Alencar na campanha presidencial de 2002 e 2006.

O script começou com o sacrifício da candidata natural do partido, Marta Suplicy, que, segundo a avaliação dele, manteria a polarização política e social verificada nos últimos pleitos, com os resultados conhecidos, bloqueando um avanço do lulismo em direção ao centro. Mas sofreu um duro e inesperado tropeço com a inviabilização da expectativa de aliança com Kassab em decorrência do lançamento da candidatura de José Serra – circunstância, descartada no projeto, que recolocou o prefeito no campo do governador Geraldo Alckmin. E esse roteiro teria de ser completamente deixado à margem no caso da manutenção da deputada Luiza Erundina como companheira de chapa de Haddad, com seu discurso de agudo teor esquerdista. Discurso bem resumido em reportagem da Folha de S. Paulo, de sábado, intitulada “Erundina compara eleição a luta de classes”. Da qual seguem-se alguns trechos: “Ela defendeu a implantação do modelo socialista no país, disse que a classe trabalhadora não deve disputar apenas ‘espaço de poder no estado burguês’ e afirmou que percorrerá ‘favelas e cortiços para pedir votos”. “A ex-prefeita também condenou os meios de comunicação brasileiros e elogiou o governo de Cristina Kirchner na Argentina – que ‘avançou significativamente no enfrentamento dos poderosos da mídia’, segundo ela”. Dois dias depois dessa entrevista, Erundina reagiu irada ao encontro de Lula e Haddad com Paulo Maluf, na casa deste, para chancela do apoio do PP à chapa petista.

Com a desistência de Erundina de participar da disputa, ou mais precisamente com o afastamento dela, conforme resultado do encontro que teve anteontem com a direção nacional do PSB, o substituto ou substituta poderá ser alguém desse partido, que não reivindica mais o cargo de vice, ou de outra legenda da aliança já formada, ou de sua ampliação. A perspectiva de um nome do PC do B, com a desistência da candidatura de Netinho, favoreceria essa ampliação, mas provavelmente não é uma alternativa do agrado de Lula. Para ele, que decerto não se incluiu entre os que apelaram à ex-prefeita para se manter candidata, embora o afastamento dela tenha forte desgaste imediato, sobretudo em áreas de esquerda e nas do PT paulistano vinculadas a Marta Suplicy – que se juntou a Erundina na condenação à aliança com Maluf -, isso será esquecido ou minimizado ao longo da campanha. E poderá ensejar-lhe uma reorientação, ao menos parcial, da chapa de Haddad em direção ao majoritário eleitorado de centro. Pela aposta que ele faz nos ingredientes de ampla coligação de apoio, que propiciará maior tempo de propaganda de TV e rádio, e da promessa de generoso apoio do governo federal a um prefeito do PT.

Amplitude e promessa que de fato poderão levar seu candidato ao 2º turno, mas que provavelmente será insuficiente para garantir-lhe uma vitória na disputa com o tucano José Serra. Até porque, além da boa avaliação do governo Alckmin, e da competitividade de Serra, há outro ingrediente, adverso e significativo, no cenário político-eleitoral do segundo semestre – o julgamento do processo do mensalão.

Jarbas de Holanda é jornalista

Lula extrapolou e deu um fora, diz Erundina

A deputada Luiza Erundina, que desistiu de ser vice de Fernando Haddad depois que Lula tirou foto com Paulo Maluf, disse que o ex-presidente foi longe demais em suas alianças, e que a busca por tempo de TV na eleição não pode "sacrificar a História". "Ele já deve ter percebido o fora que deu."

"Lula já deve ter percebido o fora que deu"

Erundina afirma que ex-presidente passou dos limites ao se aliar a Maluf e diz que tempo de TV não pode "sacrificar a História"

Fernanda Krakovics

BRASÍLIA . Um dia após desistir da candidatura a vice na chapa do PT na disputa pela prefeitura de São Paulo, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) afirmou ontem que fará campanha para o candidato petista Fernando Haddad, mas não participará de eventos com a presença do presidente estadual do PP, deputado Paulo Maluf. Ela afirmou que Maluf tira credibilidade de Haddad devido à sua participação na ditadura militar, por ser um procurado pela Interpol e pelo que ele representa para a política brasileira.

Mais cedo, ao chegar à Câmara, disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou dos limites ao articular o acordo com o adversário histórico para ampliar o tempo de TV na campanha de Haddad.

"Você vai à casa de alguém quando tem intimidade"

A deputada não poupou Lula pela fotografia tirada na casa de Maluf, selando a aliança, e criticou o pragmatismo eleitoral petista. Reconheceu que sabia da possibilidade de aliança com o PP, mas disse não imaginar que seria tão explícita:

- Você vai à casa de alguém quando tem intimidade com ela, amizade, respeito. Eu não acho que o Lula tenha respeito por Maluf nem vice-versa. O tempo de TV é importante, mas não a ponto de sacrificar a imagem, a História, os princípios - disse Erundina. - Aquele encontro na casa foi inadequado pelo simbolismo que aquela figura representa na política brasileira e do estado.

A deputada e ex-prefeita de São Paulo disse acreditar que Lula se arrependeu do gesto. Para Erundina, a política tem um caráter pedagógico e a imagem do ex-presidente de braços dados com Maluf, a quem combateu no passado, não contribui:

- O Lula é sensível, intuitivo, ele já deve ter percebido o fora que deu.

Ao chegar à Câmara, ontem de manhã, a deputada disse que foi muito parabenizada por sua desistência. Indagada se Lula teria passado dos limites ao articular o acordo para ampliar o tempo de TV, respondeu:

- Eu acho. Aquilo lá foi ruim. O preço foi alto por uma coisa pequena. Acho que a mídia é importante, mas não determina de forma absoluta o processo eleitoral - disse, ressalvando que o problema de Lula foi ter ido à casa de Maluf, e não ter se ausentado do anúncio de que ela seria vice de Haddad.

Erundina também lamentou o desfecho do episódio, afirmando que acreditava no projeto:

- Lamento, porque o candidato é bom, com chances reais de vitória, e a militância estava animada com a parceria.

A deputada acusou o PT de resgatar o malufismo, que estaria, segundo ela, em decadência. E disse que Maluf vai querer aparecer no horário eleitoral gratuito para tentar limpar sua imagem, além de ter participação na prefeitura, se Haddad vencer:

- Ele (Maluf) quer aparecer com uma outra imagem, que não a de quem está sendo procurado pela Interpol. Ele se higieniza ao lado de forças que não têm nada a ver com o malufismo. Somos o outro lado - disse Erundina. - Ele investiu pesado nesse resgate político. Já estava morto, só faltava enterrar.

No meio da entrevista, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) apareceu para dar um beijo em Erundina, um símbolo dos petistas que também não estão satisfeitos com essa aliança eleitoral. Ela disse que foi um momento "delicado" a decisão "sofrida" de desembarcar da chapa petista, mas resumiu:

- Conviver com essa pessoa (Maluf) não dá.

Um dos parlamentares mais próximos de Erundina na Câmara, o deputado Domingos Dutra (PT-SP) criticou a proximidade de seu partido com Maluf e disse que a socialista agiu corretamente.

Depois de passar a maior parte da entrevista falando mal de Maluf, Erundina caiu em si:

- A gente está perdendo muito tempo falando no Maluf.

E ainda deu mais uma estocada no PT, ao classificar como "babaquice" o slogan que vende Haddad como "o novo":

- Ele (Haddad) tem as melhores condições de estar à frente de um projeto inovador. Não essa babaquice de ter mais idade ou menos idade. Não é isso. O novo é a ousadia na política.

FONTE: O GLOBO

Para Freire, foto de Lula com Maluf choca pelo cinismo e desfaçatez

Freire acredita que apoio de Maluf trará prejuízos eleitorais para o PT

Valéria de Oliveira

O presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), disse que não está surpreso com a aliança entre Paulo Maluf e o PT na disputa pela prefeitura de São Paulo porque o ex-presidente Lula governou “com a quase totalidade daqueles que detratou quando estava na oposição”. Entretanto, ele afirmou que a foto de do ex-governador de São Paulo com Lula “choca pelo cinismo, pela desfaçatez e pela desmoralização da atividade política que ela simboliza”.

“Maluf estava no governo Lula desde o começo”, lembrou Roberto Freire. “Alguns menos votados, em termos de impropérios, como Sarney, Jader, Collor, Renan Calheiros e tantos outros também com ele há muito estão”.

Repercussão

Freire não acredita que o eleitor compreenda a aliança. “Apesar de serem aliados há muito tempo, aquela fotografia tem algo de emblemático e creio que provoca uma repulsa generalizada na cidadania”. Para o deputado, superar esse sentimento ao longo da campanha eleitoral dará trabalho porque vai requerer muito esforço. “É muito mais provável que haja perda (por causa da aliança)”.

Na avaliação de Roberto Freire, a atitude da deputada Luiza Erundina de abandonar a candidatura a vice de Haddad é um exemplo disso. “Mesmo sabendo que poderia haver a aliança PT-PP, a fotografia inviabilizou a presença dela na chapa”. Se não tomar cuidado, acrescentou Freire, “o lulopetismo vai acabar inviabilizando a presença dela na campanha”.

PPS lança Soninha no sábado

Em São Paulo, o PPS lança no próximo sábado (23) a candidatura de Soninha Francine à prefeitura da capital. Segundo a última pesquisa Datafolha, a ex-vereadora ocupa o terceiro lugar na disputa, com 8% de intenções de voto, mesmo percentual do petista Fernando Haddad. Lideram a corrida o ex-governador José Serra (PSDB), que tem 30%, seguido de Celso Russomanno (PRB), com 21%.

FONTE: PORTAL DO PPS

Após mais uma recusa, Lula tenta vice de PTB ou PC do B

Em busca do vice para Fernando Haddad, o PT fez convites, recebeu duas respostas negativas e deve deixar a indicação com PTB ou PC do B. Depois do não de Luiza Erundina, o partido ouviu a recusa de Pedro Dallari, também do PSB. Luiz Flávio D"Urso foi convidado, mas o PTB ainda não deu resposta. O ex-presidente Lula deve conversar com o PC do B.

PT sonda aliados e PC do B ganha força para vice

Sem Erundina, correligionários de Haddad buscam nomes em siglas como PTB; Lula quer encontrar Rabelo e fechar aliança com parceiro tradicional

Fernando Gallo, João Domingos, Julia Duailibi e Bruno Boghossian

Em busca de um vice para a chapa de Fernando Haddad, pré-candidato a prefeito de São Paulo, o PT buscou opções em siglas como PSB e PTB, mas tende a deixar a indicação com o PC do B.

"Decidimos dar prioridade à construção da aliança. Após essa consolidação discutiremos a questão da vice", informou o coordenador da campanha, vereador Antônio Donato (PT), que reconheceu: "Temos uma conversa mais avançada com o PC do B". Na terça-feira, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) desistiu de ocupar a vaga em protesto às deferências do PT ao PP, de Paulo Maluf. No mesmo dia, o advogado Pedro Dallari (PSB) foi procurado por colegas de partido, mas também não aceitou.

Na própria terça-feira, deputados estaduais do PT se encontraram com o colega de Assembleia Campos Machado (PTB) e o sondaram sobre a indicação do advogado Luiz Flávio D"Urso (PTB), pré-candidato do partido, para a vice. Campos pediu dois dias para responder e deve dizer não.
"Eu continuo com minha candidatura posta, mas, se o partido vier a tomar decisão diferente, mudaremos o rumo", afirmou D"Urso. Campos se encontrara com petistas no sábado, quando disse que precisava ter candidatura para fortalecer seu partido. O PSDB também corteja o PTB .

O ex-presidente Lula pretende conversar hoje, durante a Rio+20, com o presidente do PC do B, Renato Rabelo. O petista poderá até oferecer a vice ao tradicional aliado, que tem três candidatos à vaga: a deputada Leci Brandão, o vereador Jamil Murad e a presidente da sigla em São Paulo, Nádia Campeão.

Entre os três, o PT manifesta preferência por Nádia. O partido avalia que o eleitor teria dificuldade para aceitar Leci, que nunca ocupou cargo no Executivo, como vice de um candidato novato. Nádia foi secretária na gestão Marta Suplicy (2001-2004).

Ontem, o ex-ministro do Esporte Orlando Silva, Nádia e dirigentes do PC do B acertaram, em um café da manhã com Haddad, que a aliança deve sair antes da decisão sobre a vice. Depois, reuniram-se entre si, e saíram reafirmando, em público, a candidatura de Netinho de Paula.

Apesar de tudo, vereadores do PSB ainda tentavam indicar o vice de Haddad. Faziam circular os nomes da deputada Keiko Ota e do ex-jogador Marcelinho Carioca. O PT rechaça ambos.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Uma imagem que põe ex-presidente e sua infalibilidade à prova

João Domingos

A fotografia que registrou para a História a aliança entre Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado Paulo Maluf derrubou no PT o mito da infalibilidade quase papal do ex-presidente. Amigos de Lula que o acompanham desde os tempos de sindicato afirmam que o encontro com Maluf foi um desastre do qual um político com a experiência do ex-presidente não poderia ser protagonista.

Deu tudo errado, avaliam os petistas. Eles lembram que o encontro não ocorreu num local neutro, mas na casa de Paulo Maluf, e por exigência deste. O gesto pode significar, no raciocínio deles, uma submissão de Lula ao velho adversário que, em 1980, quando governador, mandou as forças do extinto Dops espancar petistas na Freguesia do Ó com pedaços de pau, facas, estiletes, golpes de caratê e bombas de gás lacrimogêneo.

No rastro da foto com Maluf, os petistas enumeram outras atitudes recentes de Lula que criaram problemas. Uma foi o encontro secreto com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, em Brasília. A divulgação do fato - no qual, segundo Mendes, Lula estaria preocupado com o julgamento do mensalão e teria pedido ajuda em troca de blindagem na CPI do Cachoeira - jogou por terra qualquer resquício de esperança entre os petistas que ainda achavam possível um adiamento do caso para depois da eleição.

A própria criação da CPI é dada como um erro de cálculo do ex-presidente que, após eleger a sucessora e deixar o governo com aprovação recorde, não tem encontrado interlocutores dispostos a questioná-lo.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Na TV, Jungmann ataca brigas petistas, em Recife

Débora Duque

Nos bastidores, sua candidatura à Prefeitura do Recife é encarada com ceticismo, mas o ex-deputado Raul Jungmann (PPS) deu um tom majoritário às inserções do partido, que serão veiculadas a partir de hoje. Ainda que sem citar nomes, os alvos escolhidos pelo pós-comunista foram o PT e a briga travada por seus integrantes em nome do poder municipal.

Os programas são performático, bem ao estilo do “âncora”. Num pano de fundo preto, o primeiro vídeo mostra uma pessoa recebendo um tapa na cara para ilustrar, segundo a narração feita pelo próprio Jungmann, o “desrespeito” com que “os políticos” estão tratando o cidadão recifense.

Na segunda inserção, o ex-deputado inicia uma fala de lado para a câmera e, aos poucos, gira até ficar cara a cara com o espectador. E aí, é quando solta: “É preciso colocar ordem na desordem que aí está. E o PPS quer fazê-las assim, olho no olho”.

Idealizador das filmagens, Jungmann alega que tentou fugir do padrão das inserções, nas quais os candidatos aparecem, de acordo com ele, como “mocinhos”. Ele justifica ter optado por um tom mais agressivo para transmitir ao eleitor a mensagem de inconformismo e indignação com o embate político travado pelos petistas. “É uma crítica ao espetáculo de baixíssimo nível que foi a disputa do PT, voltado ao seu próprio umbigo. Com franqueza, olho no olho, quisemos mostrar que podemos restaurar a ordem na cidade”, argumentou.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO

PSB vai lançar Geraldo Júlio para prefeito do Recife

Eduardo Campos confirmará ex-auxiliar independentemente da conversa de Lula.

PSB vai lançar Geraldo Júlio

Com apoio de quase todos os partidos da aliança, governador decide lançar ex-secretário e isola de vez o PT no Recife

Sheila Borges

O PSB já decidiu: vai lançar mesmo candidato próprio à Prefeitura da Cidade do Recife (PCR), avalizado pela maioria dos partidos que integram a Frente Popular. O governador Eduardo Campos anuncia amanhã que o nome é o do ex-secretário Geraldo Júlio, que tem agradado a todos os setores da coligação governista com o perfil de “gerentão da cidade”. E isso ocorrerá mesmo que Eduardo não consiga conversar com o ex-presidente Lula sobre a sucessão do Recife e explicar os motivos que levaram o PSB a encabeçar uma chapa alternativa à do PT. Ontem, Eduardo e Lula se encontraram rapidamente no Rio de Janeiro, em um seminário da Conferência Rio+20, mas não trataram do assunto.

O governador, presidente nacional do PSB, voltou ontem ao Recife e hoje tentará, mais uma vez, falar com Lula, por telefone. Se não conseguir, a conversa ficará para a próxima semana. Nesse momento, o mais importante é acalmar a base governista, já que faltam apenas dez dias para o prazo final das convenções que homologam as chapas majoritárias e proporcionais. Além do mais, Eduardo se comprometeu com os aliados que não iria viajar para os Estados Unidos no domingo (24) – para recebe um prêmio –, sem apresentar uma definição para o imbróglio do Recife.

Com Geraldo Júlio, o PSB pretende reproduzir na capital o modelo de gestão do governo do Estado, que tem rendido alta popularidade a Eduardo. Na vice, o PTB é uma opção, mas não se descarta a entrada do PCdoB.

Os comunistas ainda não oficializaram nenhuma posição, mas, nos bastidores, a legenda já estaria de malas prontas para também desembarcar no palanque que está sendo construído por Eduardo. E isso passou por uma longa conversa que o governador manteve terça (19) com o prefeito de Olinda, Renildo Calheiros (PCdoB), candidato à reeleição. A dobradinha PSB-PCdoB, assim, pode ser concretizada no Recife e em Olinda. E isso deixaria o PT completamente isolado com a candidatura do senador Humberto Costa.

FONTE: JOENAL DO COMMERCIO (PE)

Em Recife, oposição se ajustando ao cenário

Com o racha entre PT e PSB no Recife, grupo tenta chegar a uma posição. No entanto, eles ainda buscam consenso

Débora Duque

As incertezas sobre o destino da Frente Popular, com o provável racha entre PT e PSB, contaminaram os partidos de oposição. Cientes de que a estratégia de múltiplas candidaturas pode levar o bloco a exercer um papel coadjuvante na campanha, as lideranças oposicionistas trabalham, às pressas, para se ajustarem ao novo cenário e tentarem chegar a um denominador-comum. Mas ainda não há consenso.

Até porque o grupo prefere esperar da candidatura socialista para anunciar uma nova resolução. Quem assumiu às rédeas das negociações foi o presidente nacional do PSDB e deputado federal, Sérgio Guerra (PSDB). Já na terça-feira (18), ele conversou, em Brasília, com o deputado federal Raul Henry (PMDB) e, ontem, com Mendonça Filho (DEM). Nos encontros, o tucano tem se mostrado inclinado a reavaliar a candidatura do deputado estadual Daniel Coelho (PSDB) em nome da sobrevivência do bloco.

Porém, nos bastidores, a informação é de que ele não estaria disposto embarcar num projeto com Mendonça, nome que enfrenta a maior resistência dentro do grupo, apesar liderar as intenções de votos entre os prefeituráveis da oposição. No bloco, há o temor de que ele, ao longo da campanha, não cresça o suficiente para chegar ao segundo turno. Apesar de ser alvo do ceticismo dos demais, o democrata, até então, estaria se mostrando irredutível na sua determinação de participar da disputa, o que inviabilizaria a construção da unidade. Ao JC, Mendonça negou estar sendo intransigente. “Eu nunca coloquei o meu nome de forma obsessiva ou impositiva. Evidente que tenho uma ressonância e uma adesão junto à população, mas quero facilitar essa busca pelo consenso”, afirmou.

Dentro das últimas articulações, o nome de Raul Henry ressurgiu como uma via capaz de agregar o bloco. Um dos obstáculos que havia para receber o apoio do PSDB – o rompimento entre Sérgio Guerra e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) – está sendo contornado. Para facilitar o distensionamento, o próprio Raul intermediou um telefonema do tucano a Jarbas, na noite de terça. Ambos conversaram rapidamente sobre o estado de saúde do senador, que foi submetido a uma cirurgia cardiovascular na quinta-feira passada.

Apesar das costuras, o lançamento da candidatura de Raul é colocada em xeque por setores do próprio PMDB. Há quem avalie que seu ingresso na eleição possa atrapalhar os movimentos de reaproximação com o PSB do governador Eduardo Campos, caso o PSB decida mesmo lançar candidato próprio. Ontem, Raul visitou Jarbas Vasconcelos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para atualizá-lo das últimas negociações. Mesmo com os avanços nas movimentações, a expectativa é de que o capítulo final do enredo oposicionista aconteça amanhã, quando as principais lideranças da devem sentar conjuntamente para definir uma posição.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

PT e PSB têm mais embates que alianças no país

Cristian Klein

SÃO PAULO - Aliados históricos, mas com encontro marcado para uma futura disputa de diferentes projetos presidenciais, o PT e o PSB já experimentam nestas eleições municipais um embate que os colocam cada vez mais apartados. O rompimento em Fortaleza, e talvez em Recife - as duas maiores capitais governadas pelo PT -, é apenas a ponta do iceberg de uma base de municípios Brasil afora onde a sigla liderada pelo presidenciável e governador de Pernambuco Eduardo Campos se apresenta como adversária dos petistas.

Levantamento do PT obtido pelo Valor mostra que, nas 118 maiores cidades do país, as duas legendas são aliadas em 42 mas adversárias em 54. Em outras 22, as siglas ainda estão em negociação. O balanço se concentra no conjunto dos municípios com mais de 150 mil votantes e que reúnem mais de 40% do eleitorado brasileiro. É a fatia mais desejada pelos partidos com projetos de poder nacional, pela capacidade de influenciar os demais municípios.

Entre as 42 cidades onde PT e PSB são aliados, em 27 delas os petistas são os cabeças de chapa, enquanto em sete o pré-candidato é pessebista. Nas oito restantes, os dois partidos estão numa coligação apoiando outra legenda. Esses números mostram a tendência hegemônica do PT, o que nos últimos meses foi motivo de uma série de negociações em que o PSB tentou arrancar o apoio do PT.

Por outro lado, quando os petistas cedem, o PSB se mostra como o aliado preferencial. De acordo com o levantamento, no conjunto dos 118 maiores municípios, o PT tem, por enquanto, 86 candidaturas próprias. Em sete, ainda há negociação e em outras 25 o partido decidiu apoiar candidato de outro partido. O PSB é o mais favorecido, ao receber apoio em sete cidades. Em seguida, vêm o PDT (seis), PMDB (quatro), PCdoB, PP, PRB e PTB (duas) e PSD (uma). Coincidência ou não, o PR é o único dos grandes partidos da base aliada que não tem um candidato seu apoiado pelo PT. Desde que o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, foi demitido pela presidente Dilma Rousseff, o PR mantém relação conflituosa com os petistas.

Sua condição é semelhante à das legendas de oposição ao governo federal. Mas com PSDB, DEM e PPS há proibição do PT em se firmar aliança majoritária, ou seja, com um ou outro como candidato a prefeito ou vice-prefeito. O PT, porém, não recusa apoio das siglas de oposição, desde que nestas condições subalternas ou quando os adversários participam com ele de uma coligação encabeçada por partidos da base aliada.

Os tucanos são os maiores adversários - em 110 das 118 cidades, seguidos pelo DEM (96) e PPS (87) - mas estão juntos com os petistas em quatro delas, número menor que os do DEM (sete) e PPS (14).

Os parceiros mais alinhados ao PT é a trinca liderada pelo PDT, com união em 47 cidades, e que conta ainda com o PCdoB (46) e com o PSB (42). O PMDB, com 29, está no patamar de afinidade das legendas mais à direita, como PP, PTB, PR e PSD, que variam de 26 a 32 cidades em que estão juntos com o PT.

Nesta política de alianças, no entanto, é a relação com o PSB a que mais desgasta e causa preocupação ao PT. Tanto é verdade que o PSB é o único partido a ter um levantamento próprio. O balanço entrou na mesa de negociações que já duram mais de cinco meses.

O processo foi iniciado quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao amigo e aliado Eduardo Campos o apoio do PSB a seu candidato em São Paulo, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad. Em contrapartida, o governador de Pernambuco pediu o apoio de petistas numa série de municípios.

O PT cedeu em cidades como Mossoró (RN), Duque de Caxias (RJ), Boa Vista (RR), Macapá (AP), numa lógica que seguiu a pressão da bancada de deputados federais do PSB sobre Eduardo Campos.

A relação com o PT se mostra tumultuada, no entanto, mesmo quando tudo parece caminhar bem. É o caso da aliança em São Paulo. Na semana passada, o PSB confirmou o apoio a Haddad e ofereceu a deputada federal Luiza Erundina como vice, numa cerimônia festejada por ambos os lados. Três dias depois, Erundina desistiu em reação à aliança firmada entre o PT e o PP do ex-prefeito Paulo Maluf, tradicional adversário dos militantes da esquerda em São Paulo. A desistência da pessebista e suas fortes declarações, nas quais criticou a visita de Lula e Haddad à casa de Maluf, onde os três se deixaram fotografar, causou constrangimento e fez Campos preferir até não indicar um substituto para o lugar de Erundina, para não prejudicar ainda mais a relação.

No conjunto das 86 cidades onde o PT terá candidatura própria, o PSB será adversário em 42 delas, seja com candidato próprio ou apoiando um terceiro partido. Em 27, os pessebistas apoiam chapa encabeçada pelo PT - enquanto o apoio inverso, de petistas a candidatos do PSB, se restringe a sete municípios.

A avaliação no PT é que Eduardo Campos tem preparado o tabuleiro municipal para se fortalecer em seu projeto presidencial, já que a bancada do PSB, que elegeu 34 deputados federais, ainda não rivaliza com a do PT, que tem 88, nem com a de outros partidos da coalizão, como o PMDB. Um dos planos seria a de desbancar o pemedebista e vice-presidente Michel Temer da possível chapa à reeleição de Dilma Rousseff, em 2014.

Um dos pontos delicados desse projeto está no próprio quintal do governador. Há duas semanas, com a confusão causada pela briga entre os pré-candidatos do PT no Recife, Campos desincompatibilizou quatro secretários como opções do PSB à prefeitura. O PT, por intermédio de Lula, tenta demovê-lo da ideia.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Em Niterói, Comte diz que ainda está no jogo e Felipe Peixoto nega ser vice. Jorge Roberto deve anunciar como será sucessão

Wellington Serrano

Ainda não foi dessa vez que o prefeito Jorge Roberto Silveira (PDT) definiu se tentará ou não a reeleição. Na quarta-feira, ele adiou mais uma vez o anúncio de sua possível candidatura. Segundo aliados políticos, o prefeito passou o dia de ontem se reunindo com lideranças políticas para costurar apoio tanto ao seu nome, quanto ao que ele indicar, caso não venha candidato. Um dos nomes cotados entre os aliados para suceder Jorge Roberto em caso da desistência do prefeito, o deputado estadual Comte Bittencourt (PPS), garantiu ontem que ainda está no jogo, referindo-se a uma possível candidatura.

“Sempre estive no jogo. O prefeito Jorge Roberto Silveira sempre foi um político muito forte e respeitado por todos. Então, o conjunto todo gira em torno do nome dele. Se ele sair do páreo, é natural que um partido queira mais espaço do que o outro, faz parte da conjuntura política. Nós temos que ter serenidade para deixar o processo fluir”, declarou Comte.

À noite, ainda segundo aliados, o prefeito teria se reunido com o deputado estadual pedetista Felipe Peixoto, que mais cedo havia declarado que não aceitaria ser candidato a vice. Enquanto pegam fogo as negociações em torno da sucessão em Niterói, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ainda sonha com uma chapa encabeçada pelo seu partido na cidade.

“Ainda não chegou nenhuma fumaça deste fogo todo. O comportamento de Jorge Roberto é como a famosa Avenida do Contorno. Ele vai contornando todo mundo”, brincou.

Especulações - Nos últimos dias, vários boatos circulavam pelos corredores da Prefeitura e da Câmara. Um deles dava conta de que a ex-secretária municipal de Acessibilidade, Tânia Rodrigues (PDT), seria uma alternativa como vice em uma chapa não encabeçada por Jorge Roberto ou Felipe Peixoto, para não deixar os pedetistas fora da chapa majoritária. Tânia, porém, negou ontem que tivesse sido sondada, afirmando que se lançará como vereadora.

Disputa - Para Comte Bittencourt, a corrida à prefeitura de Niterói de fato começará com a definição do candidato do governo.

“As duas principais candidaturas, tanto de Rodrigo Neves (PT) como a de Sérgio Zveiter (PSD), já foram colocadas desde o início do ano. O fato novo do processo sucessório agora é o candidato do governo, e seja ele quem for, vem muito competitivo. Neste momento se estabelecerá o tabuleiro da sucessão. Aí sim, o jogo vai começar”, declarou Comte.

Adiamento - O encontro com vereadores da base aliada que havia sido convocado pelo prefeito e estava marcado para quarta à noite foi adiado para esta quinta. Carlos Macedo (PRP), líder do governo na Câmara, confirmou que o adiamento ocorreu porque o prefeito ainda precisava conversar com outros aliados políticos.

“O prefeito disse que precisava ouvir algumas pessoas e finalizar conversas e, assim, poder estar preparado para anunciar hoje a sua decisão”.

FONTE: O FLUMINENSE

Eleições e Democracia:: Alberto Aggio

Se a democracia não se restringe ao voto ela também não pode viver sem ele. Para ser legitima, representativa e participativa, a democracia tem que existir num clima de liberdade. Como construção permanente, a democracia envolve conteúdos e formalizações, já que ela é o suporte tanto de uma sociedade democrática quanto das instituições do Estado democrático de direito.

Pensar os conteúdos da política democrática é se voltar para a construção de uma grande orientação que esteja sustentada na liberdade, na equidade, na justiça social e na decência com a "coisa pública". Nos dias atuais outra dimensão aparece também como essencial: a sustentabilidade ambiental.

As próximas eleições estarão voltadas para os assuntos da cidade. A política local é aquela que proporciona o mais efetivo exercício da democracia. É na cidade que se desenrola o cotidiano das pessoas em busca de uma melhor qualidade de vida. Em cada cidade, a política da democracia precisa ser traduzida num projeto de transformação voltado para a construção de uma cidade mais moderna, progressista e solidária.

Este projeto deve estar desenhado para colocar em prática os preceitos da transparência, a abertura para o acompanhamento das políticas públicas bem como seu controle social. Deve buscar também a conjunção entre sensibilidade político-social com a profissionalização da gestão e da competência técnica.

Para que o atual crescimento brasileiro não se assente em “pés de barro”, o município deve se esmerar no sentido de garantir uma educação infantil e um ensino fundamental de qualidade. O compromisso com a cidadania começa a partir deste ponto e se estende a outros, especialmente à melhoria do transporte público e à mobilidade urbana bem como ao acesso a um sistema de saúde pública de qualidade.

A perspectiva do “bem-viver” amplia-se hoje a partir de um compromisso com as práticas do chamado desenvolvimento sustentável, o que envolve cuidado, responsabilidade e competência com a limpeza urbana, a destinação final de resíduos sólidos, do saneamento e despoluição dos cursos d’água bem como o estímulo ao uso de energias limpas.

Mas, devem ser as pessoas de carne e osso a maior preocupação. Elas esperam dos gestores municipais uma ação permanente e combinada com os governos federal e estadual em favor da geração de emprego e renda antes que políticas compensatórias, necessárias apenas em alguns casos. Esperam ações voltadas para a qualificação profissional e a reinserção no mercado de trabalho. É este o núcleo central do combate às desigualdades e o que gera segurança para o futuro.

Superar desigualdades e assegurar as diferenças fazendo o possível para garantir políticas de inserção social que superem todo e qualquer grau de exclusão, independentemente de raça, gênero, opção sexual ou situação de renda. A democracia deve se encontrar com o tema da emancipação e se desdobrar do social para o político por meio de um compromisso de afastar quaisquer tipos de exclusão. Em suma, a democracia, na sua dimensão local também deve ser universalizadora, deve continuar a perseguir a unificação do gênero humano!

Alberto Aggio é professor de História da UNESP e presidente do PPS Franca

FONTE: COMÉRCIO DA FRANCA, 21/06/2012

Ayres Britto reafirma que julgamento mensalão acaba em agosto

Presidente do STF acredita que é possível chegar à conclusão em um mês, se "tudo correr normalmente e dentro do cronograma"

Tiago Rogero

RIO - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, enfatizou ontem que acredita na conclusão do julgamento do processo do mensalão ainda em agosto.

O cronograma do STF prevê o início do julgamento no primeiro dia de agosto, desde que o revisor do processo, ministro Ricardo Lewandowski, libere a tempo a ação penal para a pauta do Supremo. Ayres Britto, que participou de evento na Rio+20, afirmou que não teme nenhum tipo de atraso.

"É possível que o julgamento termine no próprio mês de agosto, se tudo correr normalmente e dentro do cronograma que estabelecemos. Aquele calendário estabelecido já levou em consideração a complexidade do caso", afirmou o ministro. Lewandowski já disse que pretende liberar o processo ainda em junho.

O planejamento do STF prevê sessões diárias de cinco horas, entre 1 e 14 de agosto, para ouvir a acusação do Ministério Público Federal e as defesas dos 38 acusados. A partir do dia 15 começam a ser revelados os votos dos 11 ministros.

Pressão. O presidente do Supremo voltou a afirmar que o julgamento não será pautado por nenhum tipo de pressão. "Por mais intensa ou densa que seja a ambiência política de um processo, o julgamento só pode ser técnico, em cima da prova dos autos. Isto é um dever do juiz. Se não for assim, ele se deslegitima e trai a sua própria função", explicou Ayres Britto.

No início do mês, o ex-ministro José Dirceu convocou líderes estudantis e movimentos sociais a irem às ruas em defesa dos réus do mensalão.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Mensalão: procuradores querem saída de Toffoli

Grupo mandou a Gurgel motivos que tornariam ministro impedido de julgar caso, como elo com PT

Júnia Gama

BRASÍLIA. Procuradores da República estão pressionando o procurador-geral, Roberto Gurgel, para que peça o impedimento do ministro José Antônio Dias Toffoli no julgamento do mensalão. O grupo já preparou uma sustentação teórica defendendo que Toffoli deve ser declarado impedido e manda recados para que Gurgel interceda. Os procuradores manifestam incômodo com a atitude do procurador-geral no caso, porque avaliam que ele deveria ter atuado nesse sentido, já que a permanência de Toffoli, na avaliação deles, pode prejudicar o julgamento.

O GLOBO teve acesso a e-mails trocados pelos procuradores em um sistema de rede interna do Ministério Público. Nas mensagens, procuradores enumeram fatos jurídicos para sustentar o impedimento de Toffoli.

Para uma procuradora ouvida pelo GLOBO, apesar do que já saiu na imprensa, Toffoli parece não se constranger. Essa integrante do MPF diz que Gurgel tem ciência dessa discussão entre os colegas, porque participa da rede de e-mails que discute os mais variados assuntos.

- Esperamos que ele atenda o nosso pedido de provocar a suspeição do ministro neste julgamento - disse a procuradora da República, que pediu para não ser identificada.

Entre os pontos destacados pelos procuradores está a atuação de Toffoli como advogado do PT à época em que ocorreram os primeiros fatos denunciados - os empréstimos feitos por Marcos Valério para saldar dívidas do PT. Depois de ser advogado do partido, Toffoli foi subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, em uma sala contígua à do então ministro José Dirceu, hoje réu no processo.

O terceiro fator de suspeição seria a atuação da namorada do ministro, a advogada Roberta Rangel, na defesa de réus do processo do mensalão. Os procuradores apontam "vastas provas da ligação visceral de Toffoli com José Dirceu e outros réus também integrantes da cúpula".

"De todos os ministros indicados por Lula para o Supremo, Toffoli é o que tem mais proximidade política e ideológica com o presidente e o partido. Sua carreira confunde-se com a trajetória de militante petista. Essa simbiose é, ao fundo e ao cabo, a única justificativa para encaminhá-lo ao Supremo", diz uma das mensagens.

- É preciso uma decisão rápida sobre a participação do ministro Dias Toffoli no julgamento do mensalão, para que sejam afastadas as sombras de especulações de se tratar de um julgamento político. Em prol da boa técnica de um julgamento isento, esse é um tema sobre o qual o Supremo Tribunal Federal precisa ostensivamente decidir - afirma o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Alexandre Camanho.

Toffoli tem dito que não decidirá agora se vai ou não se declarar impedido. Gurgel não comentou as cobranças dos colegas.

FONTE: O GLOBO

Banco diz que Brasil vai crescer 1,5% neste ano e irrita governo

Mantega chamou a nova projeção do Credit Suisse de piada

Denise Luna, Mariana Schreiber

RIO, SÃO PAULO - O banco Credit Suisse reduziu ontem sua projeção para o crescimento do Brasil em 2012 de 2% para 1,5%. A mudança irritou o governo.

Ao deixar seu hotel no Rio de Janeiro em direção à conferência Rio+20, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou a nova projeção: "É uma piada, vai ser muito mais que isso", afirmou.

Também na Rio+20, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse que essa é a visão de um banco europeu e que é preciso levar em consideração a "crise em que eles estão mergulhados".

"Nós, brasileiros, somos um pouco mais otimistas. Estamos vendo dinamismo da nossa economia e acho que as medidas que o governo tomou estão destravando os investimentos para o segundo semestre. Nós vamos crescer mais do que isso", afirmou, sem citar números.

O Credit Suisse não quis comentar as declarações do governo. O banco informou apenas que o relatório foi elaborado pelo brasileiro Nilson Teixeira, economista-chefe responsável pela divisão de mercados emergentes do Credit Suisse Brasil.

As projeções de crescimento para o Brasil em 2012 vêm recuando desde o ano passado, mas passaram a cair com mais força há um mês, diante dos sinais de que a economia segue muito fraca.

Consultorias brasileiras também apontam para um crescimento inferior a 2% neste ano. A Tendências vê uma expansão de 1,9%, enquanto a MB Associados está revendo sua projeção.

"Vamos revisar nossa projeção de 2%, provavelmente para um número próximo de 1,5%", contou o economista-chefe da MB, Sérgio Vale.

Esses cortes se devem principalmente à queda dos investimentos, diz Vale. Segundo ele, os empresários estão temerosos em investir por causa da grande incerteza gerada pela crise na Europa.

"Até a crise se resolver, é difícil estimular a economia. O PIB de 2012 está praticamente perdido. Não dá para dizer que é piada", afirmou.

Além da piora dos investimentos, o relatório do Credit Suisse aponta o fraco desempenho da indústria e a expansão menor do consumo interno e do setor de serviços como fatores que justificam o corte na projeção para o PIB.

Entra na conta também a retração do setor agropecuário, afetado por problemas climáticos no início do ano.

O governo já adotou várias medidas de estímulo desde agosto, como cortes de impostos e na taxa de juros.

Isso deve acelerar o crescimento econômico no segundo semestre do ano, observa o economista-chefe da corretora CGD, Mauro Schneider.

Apesar disso, ele também prevê um crescimento modesto no ano, de apenas 1,8%.

"Juros menores estimulam a economia, mas outros problemas limitam o crescimento, como tributos altos e infraestrutura ruim", disse.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Coração ateu- Fernanda Cunha e Ze Carlos

O passado assombra:: Merval Pereira

A coincidência não deve agradar a Lula, mas dificilmente será possível dizer que se trata de mais um golpe dos reacionários contra o governo popular do PT. Aliás, o noticiário criminal envolvendo o PT indica que o partido há muito vem se metendo em enrascadas.

Às vésperas do julgamento do mensalão, desta vez a Justiça reavivou o escândalo dos aloprados, que na eleição de 2006 tentaram comprar um dossiê que supostamente continha denúncias contra o candidato do PSDB ao governo paulista, José Serra, o mesmo que hoje Lula tenta derrotar com o auxílio de Paulo Maluf, na disputa para a prefeitura de São Paulo.

Naquela ocasião, Serra venceu o candidato petista Aloizio Mercadante no primeiro turno. Um dia depois do escândalo provocado pela exibição despudorada de intimidade entre o ex-presidente e Maluf, um dos brasileiros relacionados na lista de alerta vermelho da Interpol dos criminosos mais procurados do mundo, a Justiça de Mato Grosso aceitou denúncia do Ministério Público Federal contra nove dos envolvidos.

Dois deles, Jorge Lorenzetti, petista de Santa Catarina que era também churrasqueiro extraoficial da Granja do Torto no primeiro governo Lula, e o advogado Gedimar Pereira Passos, que supervisionava a segurança do comitê da campanha de reeleição, eram ligados diretamente ao ex-presidente, que, no entanto, como sói acontecer, declarou desconhecer o assunto e ainda fez-se de indignado, classificando os membros do grupo de "aloprados".

Preso na Polícia Federal, Gedimar incluiu no grupo um segurança particular da primeira-dama Letícia Maria de nome Freud (que não se perca pelo nome) Godoy, que o teria chamado para avaliar se o tal dossiê continha mesmo fatos que comprometiam Serra. Freud acabou desaparecendo do noticiário, assim como uma coincidência reveladora: o ex-ministro José Dirceu (sempre ele), antes mesmo que fosse divulgado o conteúdo do dossiê, escreveu que as acusações seriam "a pá de cal na campanha do picolé de chuchu", como se referia ao candidato tucano à presidência Geraldo Alckmin.

Gedimar Passos, assessor da campanha de Lula, negociava a aquisição do dossiê com Valdebran Padilha, empresário filiado ao PT. A PF prendeu a dupla em flagrante com 1,7 milhão de reais que seria usado na compra do material forjado.

Expedito Veloso, outro dos envolvidos, denunciou meses mais tarde que o atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o ex-governador de São Paulo já falecido Orestes Quércia foram os mandantes. Mesmo que entre os acusados estivesse Hamilton Lacerda, então assessor de Mercadante, e que ele fosse o maior beneficiado, o candidato petista não foi arrolado como partícipe do golpe.

O centro da conspiração estava no "Núcleo de Informação e Inteligência" da campanha de reeleição de Lula, e quem chefiava a equipe de "analistas de informação" era o petista histórico Jorge Lorenzetti, ex-dirigente da CUT, enfermeiro de profissão, diretor financeiro do Banco do Estado de Santa Catarina e churrasqueiro do presidente nas horas vagas.

Lorenzetti chefiava Gedimar Pereira Passos na tarefa de contrainformação eleitoral, e foi nessa qualidade que teria sido enviado para analisar o dossiê contra os tucanos.

A descoberta do plano revelou a existência de uma equipe dentro da campanha de reeleição que se envolve em falcatruas variadas, uma maneira de atuar politicamente que vem das batalhas sindicais do ABC, as quais Lula conhece bem com que armas se disputam.

Esse mesmo esquema provocou uma crise no comitê da candidata Dilma Rousseff, quando foi descoberto que havia um grupo recrutado para fazer espionagem, inclusive o jornalista Amaury Ribeiro Filho que levou para o grupo o hoje nacionalmente conhecido Dadá, o grampeador oficial do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Os protagonistas do chamado escândalo dos aloprados responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro e operação fraudulenta de câmbio.

Segundo a denúncia do Ministério Público, eles "se associaram subjetiva e objetivamente, de forma estável e permanente, para a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro, que tinha por fim a desestabilização da campanha eleitoral de 2006 do governo de São Paulo".

O Ministério Público, embora as investigações tenham rastreado todo o caminho do dinheiro, não conseguiu definir sua origem, um dos grandes mistérios desse caso.

A fotografia da montanha de dinheiro apreendido acabou sendo divulgada às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, e os petistas atribuem ao impacto da imagem a ida da eleição para o segundo turno.

Passou despercebida, mas uma declaração do ex-ministro da Justiça de Lula, Márcio Thomaz Bastos, em entrevista recente na televisão a Monica Bergamo e ao cientista político Antonio Lavareda, admite claramente a existência do mensalão, ele que é advogado de um dos réus. Disse Thomaz Bastos a certa altura, falando sobre a corrupção do Brasil: "Vamos chegar a um ponto em que a democracia, por sua própria prática, vai resolver isso. Lembremos que, no início do século passado, na Câmara dos Comuns, no Reino Unido, havia um guichê onde os parlamentares recebiam o dinheiro, uma espécie de mensalão da época. O que não impediu que a Inglaterra se tornasse um país altamente democratizado. Isso dá a esperança de que, pela reiteração dos usos, possamos encontrar isso, um outro patamar de regime democrático".

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, parece enxergar longe. Em voto favorável à punição de Lula por propaganda antecipada, na campanha para eleger Dilma Rousseff, classificou de "antirrepublicano" projeto de poder que inclui eleger o sucessor: "Quem se empenha em fazer o seu sucessor, de ordinário, pensa em se tornar ele mesmo o sucessor de seu sucessor". Outro dia Lula admitiu que "se Dilma não quiser", ele se dispõe a ser candidato novamente...

FONTE: O GLOBO

O fato em foto:: Dora Kramer

Uma fotografia às vezes conta uma história e desperta sentimentos, como contou e despertou a imagem da menina em chamas durante a guerra do Vietnã.

A deputada Luiza Erundina mesmo disse que pesou mais em sua decisão de recusar a indicação para vice de Fernando Haddad a foto da confraternização "chez" Paulo Maluf que propriamente o fato de PP e PT se juntarem na disputa municipal de São Paulo.

A julgar por suas declarações, ela repudiou a forma, mas não impôs reparos ao conteúdo. Nem poderia sem incorrer em tropeços de argumentação, dado o banimento do fator identificação programática na formação de coalizões partidárias.

A pá de cal sobre qualquer resquício de ordenamento foi posta pelo Congresso em 2006, quando aprovou emenda constitucional para enterrar a interpretação do Supremo Tribunal Federal segundo a qual a lei maior obrigava os partidos a seguir regras de isonomia para alianças nacionais e regionais.

A chamada "verticalização" ruiu e com ela caiu a última barreira à anarquia geral. Talvez a penúltima, se o eleitorado resolver dar sentido prático às ondas de indignação que vêm quando ocorre um episódio gritante e vão quando é substituído por outro pior.

A despeito da reação negativa em setores engajados da vida, não é possível avaliar com alguma chance de precisão se a reconciliação entre Lula e Maluf resultará em prejuízo para a candidatura do PT em São Paulo ou se simpatizantes do partido e "antipatizantes" do PSDB tratarão a cena como a materialização pragmática do mal necessário.

Por necessário entenda-se a meta a ser atingida no jogo de perde-ganha entre o PT e seu único adversário ainda na posse de competitividade eleitoral e não, como seria aconselhável, na perspectiva do cotejo de projetos, biografias, trajetórias e capacidade profissional dos candidatos.

Se o desgaste é evidente - embora talvez não permanente - junto ao eleitorado para o qual a ética ainda é uma referência, de outro a celeuma dá publicidade a um candidato cuja tarefa primeira é tornar-se conhecido da massa em cujo espírito Lula incentiva o lema de que princípios não enchem barriga. Nem urnas, é a "lição" subjacente.

A aliança pode ou não ser uma jogada eficiente, o que será visto mais adiante. Por enquanto, contudo, há um vencedor inquestionável: Maluf, mais um cliente da clínica de reabilitação dos combalidos da política a serviço do PT.

De qualquer maneira a vida obviamente não anda fácil para o partido na capital paulista. Lula não está na forma física em que esperava estar, a aliança com o PSB que era para ser solução virou um problema e a última pesquisa do Instituto Datafolha registra queda de dez pontos porcentuais em seu poder de influenciar o voto do paulistano.

Além disso, nunca foi tão contrariado: a senadora Marta Suplicy mostrou que só se dobra à vontade do ex-presidente quem quer e Erundina passou-lhe reprimenda pública ao dizer que "passou dos limites".

Apenas poderia tê-lo feito enquanto ainda havia limites a serem respeitados.

Tudo isso dificulta a execução do plano original, mas não define o quadro. Há possibilidade de vitória apesar de todos os pesares? Evidentemente.

O problema é que os percalços subtraem de Haddad vantagens e proteções e o deixam cada vez mais exposto a si mesmo. Quando a campanha ganhar corpo dependerá dele conquistar o eleitorado e mostrar se Lula acertou ou se foi vítima da fantasia da onipotência ao escolhê-lo candidato.

Outro modo. Candidato a prefeito de Salvador depois de ter administrado a cidade por duas vezes, o radialista Mário Kertész resolveu não fazer aliança com partido cujo papel seja o de barriga de aluguel de tempo de televisão.

Kertész desautorizou negociações em curso no PMDB baiano e explica por que: "Se não é possível montar uma coalizão de peso, melhor seguir na base do puro sangue para não repetir velhos erros dos quais a sociedade anda farta".

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

O crime compensa?:: Eliane Cantanhêde

Há uma enorme perplexidade, sobretudo em Brasília, diante dos sucessivos erros de Lula depois de sair da Presidência e assistir, da planície, ao sucesso de Dilma no Planalto e nas pesquisas.

A aliança de Lula com Paulo Maluf, porém, tem uma lógica eleitoral (certa ou errada) e combina perfeitamente com todos os movimentos de Lula durante seus oito anos na Presidência, resumidos numa frase: vale tudo pelo poder.

Ao juntar-se a Maluf e anunciar a aliança no "bunker" malufista, diante de uma multidão de fotógrafos, Lula sobrepôs o que considera ganhos eleitorais (quantitativos) a inevitáveis perdas políticas (qualitativas).

Explico: ele vendeu o PT a Maluf por um minuto e meio e pelo ainda forte capital de votos de Maluf em setores conservadores e na periferia da capital paulista. E deu de ombros para a evidente reação de petistas, tucanos ou marcianos.

Fazendo o cálculo, Lula concluiu que valia a pena prestar-se ao que Luiza Erundina chamou ontem de "higienização" de Maluf. A imagem do PT? Já não anda lá essas coisas mesmo desde o mensalão...

Pragmatismo em puríssimo estado, tão ao gosto de quem se atirou com tanto prazer nos braços de Collor, de Sarney, de tantos outros inimigos históricos do PT. E, quando se fala de Maluf, a questão não é ideológica, programática, política. A questão é visceralmente ética.

Registre-se, de quebra, o protagonismo de Lula e a inexpressividade do próprio candidato Fernando Haddad. Em todos os episódios, com Marta, Kassab, Maluf, Erundina, ele parece um mero figurante, de cabelo novo, roupa nova, sorriso novo e completamente dispensável -seria deselegante falar em marionete.

Um efeito prático no grave erro político do abraço a Maluf, portanto, é que Haddad vai aumentar e Lula vai reduzir a presença em cena. Nos bastidores, porém, continuará ensinando ao pupilo que o crime compensa.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO