O Estado de S. Paulo
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ainda
brasileiro, conquistou algo mais importante do que um mero troféu decorativo
por trabalhar a favor de Donald Trump e dos interesses americanos contra o
Brasil. O prêmio de agradecimento foi bem concreto: um green card com o qual pode
morar, estudar e trabalhar nos Estados Unidos.
Não é pouca coisa e não é para qualquer um, especialmente nesses tempos de Trump e ICE perseguindo, prendendo, deportando, humilhando e até separando pais de filhos, não de qualquer país, mas daqueles menos brancos e menos chiques. Como os da América Latina e da África, por exemplo.
Desde a posse de Trump, em janeiro de 2025,
em torno de 4.500 brasileiros foram deportados pelo ICE, em meia centena de
aviões, e mais de 17 mil aguardam, presos, o mesmo destino, sem saber quando e
exatamente como e com quem.
Boa parte desses brasileiros entrou no país
com visto de turismo, foi ficando e tornou-se ilegal, portanto, passível de
deportação. É o caso do próprio Eduardo, que tem visto de turista e um
agravante e tanto: a condenação no STF a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime
semiaberto.
Alegando ser “exilado político”, ele foi
condenado após denúncia da PGR por coação, ou seja, por ter usado seu acesso a
Trump e ao governo americano para pressionar o Supremo e o governo do Brasil e
tentar encerrar o processo contra seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de
golpe.
A pena de Eduardo foi por unanimidade e ele
também perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal e ficou inelegível por
oito anos. Condenado no Brasil, premiado nos EUA. Isso comprova que sua
lealdade, relação, interesse e futuro estão lá, não no Brasil onde nasceu e do
qual virou inimigo.
Dinheiro não falta. Papai Jair lhe enviou R$
2 milhões (dos R$ 17 milhões de uma vaquinha) para “as despesas básicas”, como
morar numa excelente casa e passear com a família, até na Disney, entre uma
conspiração e outra. E não parece ser a única fonte de renda.
Flávio Bolsonaro, o 01, pediu ao “irmão”,
“meu irmão” e “irmãozinho” Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para o filme Dark
Horse e, até hoje, não comprovou o destino da dinheirama.
Segundo a PF, R$ 61 milhões teriam sido
liberados, não para a produtora do filme, e sim para um fundo internacional. A
dúvida: os milhões eram para o filme do pai, para a campanha presidencial ou
para manter o irmão verdadeiro, Eduardo, operando contra o Brasil no exterior?
Dizem que o crime compensa... O fato é que
Eduardo Bolsonaro mora nos EUA, tem green card e dinheiro de sobra. Só falta
camisa florida, chapéu Panamá e um iate reluzente para virar personagem de
novela no Brasil, ou de filme em Hollywood.

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