Folha de S. Paulo
Principais oponentes acumulam cada qual uma
lista de obstáculos a serem vencidos até a eleição
Indefinições de chapas se resolvem; mais
difícil é a superação das debilidades de cada candidato
As indefinições na formação de chapas
na abertura do
período das convenções partidárias tiveram destaque no
noticiário, mas não são elas os problemas reais das candidaturas.
As questões de fato complicadas são as fragilidades que assolam as campanhas, cada qual à sua maneira. Embora gigantesco, o desafio de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) é só um: crescer para chegar ao segundo turno. Já os dois que, em tese, lá estão por indicação das pesquisas, têm muitos obstáculos pela frente. As rejeições atingem ambos, mas os de Luiz Inácio da Silva (PT) são menores que os do oponente Flávio Bolsonaro (PL) —ainda assim, contudo, difíceis de serem transpostos.
A lista começa pelo governo mal avaliado, que
se reflete na resistência do pessoal da frente ampla de 2022 em repetir a
adesão que garantiu a vitória no olho mecânico. Envereda pelo medo da
repetição, agora sem o fator da esperança que motivou o eleitorado em outras
ocasiões.
A dificuldade encontra forte barreira nos
palanques em São Paulo e
Minas Gerais, os maiores colégios eleitorais. À falta de opções, sobrou ao PT
marcar posição com candidaturas próprias, cujo êxito não é impossível, mas
extremamente difícil e com potencial de impactar negativamente a reeleição do
presidente.
O cardápio de embaraços ao (ainda) candidato
do PL é mais extenso e parrudo. Inclui as relações com Daniel
Vorcaro e possíveis novas revelações, desconfiança da qual
decorre o dado da pesquisa Quaest de que só 25% das pessoas acreditam na
vitória de Flávio Bolsonaro.
As tribulações se expressam nas hesitações da
direita e no consequente aperto para fazer alianças; aparecem no pragmático
corpo mole de Tarcísio de
Freitas (Republicanos), passam pelo palanque cheio de ligações
criminosas no Rio e encontram poderoso revés no atrito com a
madrasta Michelle, vista como a mulher mais poderosa do país em que
a maioria do eleitorado é de mulheres.
Pendências se resolvem; debilidades exigem
capacidade de superação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário