O Estado de S. Paulo
Até agora, pesquisas de intenção de voto não têm afetado de forma significativa os preços dos ativos
Na ausência de um evento externo, como uma piora no cenário geopolítico ou uma alta antecipada dos juros básicos nos Estados Unidos, muitos analistas apostam que o câmbio deva provavelmente oscilar numa faixa estreita até o desfecho da eleição presidencial brasileira, com a cotação do dólar sendo negociada entre R$ 5,05 e R$ 5,20 na maior parte do tempo.
Isso porque, diante do quadro político atual,
os investidores não estão prevendo uma grande surpresa na corrida eleitoral: um
pleito bastante polarizado, com ligeira vantagem do presidente Lula sobre o
senador Flávio Bolsonaro. A perspectiva para a eleição presidencial parece tão
consolidada – disputa acirrada entre apenas dois candidatos – que o mercado
prevê um período de baixa volatilidade no câmbio até o segundo turno, no dia 25
de outubro.
As pesquisas de intenção de voto não têm
afetado significativamente os preços dos ativos. Nem semanas atrás, quando Lula
aparecia com uma vantagem maior, nem agora, quando a corrida está tecnicamente
empatada, após a recuperação recente de Flávio. Talvez a razão seja que os
investidores já sabem o que esperar do programa econômico dos dois candidatos.
Sob um novo governo Lula, o mercado espera uma política fiscal expansionista,
com mais gastos e também uma carga tributária pesada. Já a percepção atual de
um eventual governo do senador do PL é a de que haveria um maior controle das
despesas públicas.
Com base nesse julgamento prévio dos
investidores, ninguém parece disposto a fazer apostas firmes de mais longo
prazo para a direção do dólar. Todo mundo vai esperar o resultado da eleição
para que o ocupante do Palácio do Planalto divulgue sua equipe ministerial e as
primeiras medidas concretas para a economia. Como a piora do risco fiscal do
Brasil tem sido acentuada nos últimos meses, diante de uma trajetória adversa
do déficit fiscal e da dívida pública, a grande pergunta é: o vencedor do
pleito presidencial fará um tão necessário ajuste nas contas públicas assim que
assumir o cargo?
Para a corrida eleitoral fazer preço no câmbio
seria preciso uma surpresa no discurso de Lula ou de Flávio para a economia.
Exemplo: se Lula anunciasse que, num novo mandato, o seu ministro da Fazenda
seria alguém como Henrique Meirelles, que foi o presidente do Banco Central no
seu primeiro governo. Ninguém espera um anúncio desses.
Parece até contraditório: uma eleição
barulhenta, com embates acalorados e hostis entre os eleitores da esquerda e da
direita, e ainda assim um comportamento manso do câmbio. Logo o câmbio!

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