sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Freire defende arquivamento de todos questionamentos feitos ao STF referentes ao impeachment

- Portal do PPS

• Senado tem a palavra final sobre impeachment, diz Freire

O presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), elogiou a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki, que negou nesta quinta-feira (8) liminarmente o pedido de suspensão do impeachment feito pela defesa da ex-presidente, Dilma Rousseff. Freire afirmou que as decisões do Senado, no que tange o processo de cassação, são “irrecorríveis” e defendeu que Supremo arquive todos os recursos apresentados.

“Todos esses pedidos são inéditos no Supremo. Nós temos na Constituição brasileira que a decisão do Senado é irrecorrível. O processo do impeachment se encerra com a decisão do Senado. Nada tem com o STF. Por isso, considero que a decisão de Teori é correta. Seria ainda mais correto mandar todos os processos relacionados ao impeachment para o arquivo”, disse.

Temer orienta ministro do Trabalho a se retratar sobre jornada de 12 horas diárias

• Em reunião com sindicalistas, Ronaldo Nogueira afirmou que reforma trabalhista propõe flexibilizar jornada, que pode chegar a até 12 horas por dia; chefe da Pasta explicou que jornada de 8 horas será mantida

Tânia Monteiro, Idiana Tomazelli - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Diante da repercussão de suas declarações sobre a reforma trabalhista, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, recebeu uma ligação do presidente Michel Temer no início da noite, por volta das 19h. "O presidente me ligou, me orientou a reafirmar que o governo não vai elevar a jornada de 8 horas nem tirar direitos dos trabalhadores", contou o ministro ao Broadcast, sistema de informações em tempo real do Grupo Estado.

CNI defende jornada de trabalho de 12 horas

• Representante da indústria criticou legislação trabalhista e defendeu o direito de um empregado ter jornada mais extensa em certos casos

Rodrigo Cavalheiro - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, criticou a legislação trabalhista e defendeu o direito de um empregado ter uma jornada de até 12 horas por dia em certos casos, em linha com a proposta apresentada nesta quinta-feira, 8, pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira.

“Continuamos defendendo as 44 horas semanais, mas uma empresa que vai fazer uma obra de infraestrutura em Rondônia ou no Pará leva milhares de trabalhadores, 10 mil ou 12 mil, que não vão para lá para trabalhar 8 horas por dia. O cara vai para lá para ganhar dinheiro e trazer para a família. Ele vai para lá para trabalhar 10 ou 12 horas por dia, e a Justiça não permite. Mesmo que o trabalhador queira, a Justiça fala que só pode fazer duas horas extras.”

Para centrais sindicais, reforma trabalhista representa 'total desconhecimento' do mercado

• Presidente da CUT desafiou ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira a apresentar propostas ao 'chão de fábrica'

Murilo Rodrigues Alves - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - As três maiores centrais sindicais do País reagiram com indignação às propostas de reforma trabalhista divulgadas hoje pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira. Representantes dos trabalhadores também questionaram a "legitimidade" do governo do presidente Michel Temer para propor modificações tão "radicais" nas condições de trabalho.

O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Paulo Cayres, desafiou o ministro a apresentar essas mudanças em uma assembleia de trabalhadores no chão da fábrica. "Ele vai ouvir a mesma coisa que o Michel Temer ouviu na abertura da Paralímpiada", ironizou.

Metalúrgicos marcam paralisação nacional por direitos trabalhistas

• Ato está previsto para o dia 29 deste mês, em protesto contra reformas do governo Temer

Eduardo Laguna - O Estado de S. Paulo

Sindicatos de metalúrgicos de diversas regiões do País marcaram para 29 de setembro uma paralisação nacional contra reformas propostas pelo governo de Michel Temer. O foco do protesto são as mudanças em discussão na legislação trabalhista, em especial a regularização da terceirização do trabalho, e a reforma da Previdência, cuja proposta deve ser encaminhada ao Congresso ainda neste mês.

Ministro do Trabalho nega que governo vá elevar jornada para 12h por dia

• Para Ronaldo Nogueira, o objetivo da reforma trabalhista, que deverá ser encaminhada ao Congresso Nacional no início de dezembro, é reduzir a insegurança jurídica para combater o desemprego e a informalidade

RIO - O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, negou em entrevista à Rádio Estadão na manhã desta sexta-feira que a proposta do governo do presidente Michel Temer para a reforma trabalhista pretenda elevar o limite da jornada diária de 8 para 12 horas. Segundo ele, o objetivo da reforma trabalhista, que deverá ser encaminhada ao Congresso Nacional no início de dezembro, é reduzir a insegurança jurídica para combater o desemprego e a informalidade.

"Venho do meio sindical, imagina se apresentaria proposta de aumento de jornada. Serão mantidas as 44hs de trabalho por semana", destacou na entrevista. "Não se falou em aumentar a jornada para 48 horas semanais, citei apenas um exemplo hipotético", justificou. A referência foi ao debate que o ministro teve nesta quinta-feira, 8, com representantes sindicais de 19 Estados. "12hs é voltar ao tempo da escravidão, direito você mantém, não retira", disse.

‘Golpe’ no INSS

Leandro Mazzini – O Dia

A Previdência é superavitária. Quando ministro, Garibaldi Alves (PMDB-RN) aliado do presidente Michel Temer e hoje senador – cravou isso para o colunista e repetia a frase aos ventos. O ‘golpe’ do PSDB, PT e agora PMDB é desvincular da Seguridade Social as receitas do Cofins e CSLL, (e também da CPMF, quando existia) que por lei são destinadas à Previdência. A manobra permite ao governo retirar bilhões de reais da Previdência para bancar programas sociais, entre eles o eleitoreiro Bolsa Família.

AÍ dá déficit
Neste caso, o governo usa o cálculo da receita somando apenas a contribuição do INSS na folha de pagamento, e no contrapeso o pagamento de benefícios à aposentadoria.

Idade mínima
Como a população envelhece rápido, e a carteira de trabalho tem sumido do mercado, o déficit cresce. A reforma vindoura é para sacrificar trabalhador, não os cofres da União.

O despertar dos mágicos - *Fernando Gabeira

- O Estado de S. Paulo

• Reforma é mesmo para proteger aposentados ou apenas um pretexto para desviar milhões?

Lá se foi o impeachment de Dilma. Em poucos dias a Câmara se livra de Eduardo Cunha. Começou uma nova fase, mesmo para aqueles que não a desejavam.

Os defensores do governo caído também mudaram de palavra de ordem. Volta Dilma saiu de cartaz e no lugar entrou o slogan Diretas Já.

Em tese, deveria começar logo o tempo de mudanças que recuperem a economia, a grande prioridade do momento. Mas por mais que deseje a melhora, novos horizontes, retomada das contratações, o governo Temer ainda não inspira a confiança necessária.

Governar é agir e comunicar - Murillo de Aragão

- Blog do Noblat

Como na velha piada, “se hay gobierno, soy contra”. A imprensa já está cumprindo o seu papel de pressionar o governo Temer. Nada de novo. Tem gente nas redações que acha que para a ex-presidente Dilma Rousseff caber no caixão do crime de responsabilidade foi preciso quebrar seu pescoço e serrar os pés! A solução do impeachment não foi a que gostariam.

Daí existir certa tendência de valorizar as manifestações contra o impeachment como se fossem uma expressão de cidadania. Como sempre, fato e factoide no cotidiano brasileiro brigam uma luta de gato e rato.

Tunga no bolso alheio ´ Eliane Cantanhêde

- O Estado de S. Paulo

O Planalto torce, ou reza, para que a ministra Cármen Lúcia aproveite o seu discurso de posse na presidência do Supremo Tribunal Federal, segunda-feira, para dar alguma sinalização contrária ao aumento dos salários dela própria e de seus dez colegas na mais alta corte. Tida e havida como austera, poderia dizer, por exemplo, que não é hora de aumentar salários já altos, e pagos por toda a sociedade brasileira, enquanto 12 milhões de desempregados estão na rua da amargura.

E por que contar com Cármen Lúcia? Porque o Planalto acha que se esperar pelo atual presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, e pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, está perdido. Ou melhor, estamos perdidos todos os que sustentamos o setor público, porque o salário dos ministros da corte é o teto do funcionalismo e tem efeito cascata em todos os três poderes e em todos os Estados.

O poder do STF - Merval Pereira

- O Globo

Ontem foi um dia em que o poder do Supremo Tribunal Federal foi explicitado à larga, com diversas decisões que terão repercussão política importante. A começar pelas dos ministros Teori Zavascki, Rosa Weber e Edson Fachin, que recusaram diversas ações sobre o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff por razões puramente técnicas ou por não concordarem com o mérito do pedido, seja a favor da destituída ou de seus adversários.

O que demonstra que o Supremo, em princípio, não está disposto nem a anular o processo, como pediu a defesa, nem a cancelar o polêmico fatiamento da pena, que permitiu à presidente destituída permanecer com seus direitos políticos intactos.

A reforma quase esquecida -Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

- Não há muita dúvida de que o Congresso deve dar prioridade à agenda econômica. É preciso centrar esforços na aprovação de projetos de lei que que favoreçam a retomada. Foi, afinal, o desastre econômico a causa última da queda de Dilma Rousseff, e uma eventual piora da situação pode custar a cadeira presidencial a quem quer que a ocupe. Tal constatação, porém, não isenta nossos solertes representantes de dedicar parte de suas atenções à reforma política.

O segundo ingrediente mais importante para o colapso do governo Dilma foi um sistema político —o chamado presidencialismo de coalizão— que, embora tenha conseguido nos trazer de 1988 para cá, não lida bem com situações de instabilidade. Os partidos —35 no total, dos quais 27 com representação na Câmara— são tantos e tão inconsistentes em termos de programa que as maiorias a sustentar o presidente tendem a ser sempre precárias e prontas a praticar vários tipos de chantagem.

O exemplo grego -César Felício

- Valor Econômico

• Brasil e Grécia fizeram o mesmo pacto social

Muito se fala, como a predição de um terrível desígnio, de que o Brasil corre o risco de se tornar uma nova Grécia, caso não faça reformas fiscais amargas agora. É uma ameaça lembrada sobretudo em relação à reforma da previdência, cujo envio é iminente, e a emenda dos gastos já em discussão. Trata-se de uma profecia manca: o Brasil não irá se tornar uma nova Grécia porque já é de certa forma, há muitos anos, uma Grécia. E, do ponto de vista institucional, o modelo grego apresenta qualidades inexistentes por aqui.

A identidade entre os dois países é muito forte. Tanto em um caso como em outro, embates políticos que poderiam convulsionar a sociedade foram resolvidos com uma série de compromissos e pactos que elevaram o gasto público.

O fundo do poço - Míriam Leitão

- O Globo

O Brasil piorou onde não pode, de maneira alguma, piorar: na educação. Retrocedeu em matemática, não cumpriu a meta, não melhora há quatro anos. Os resultados divulgados ontem tiram todo o país da zona de conforto, se é que alguém estava confortável nesse tema. “No ensino médio, chegamos ao fundo do poço”, diz o educador Mozart Neves Ramos, do Instituto Ayrton Senna.

A recessão é grave, a crise fiscal é grave, o conflito político é grave. Nada é tão perigoso quanto o risco de continuar perdendo na educação e deixar escapar uma geração inteira. Mozart, que foi secretário de Educação de Pernambuco, um dos destaques positivos no ensino médio, dá números a essa tragédia:

Grandes empresas superendividadas – Claudia Safatle

- Valor Econômico

• Geração de caixa não dá para pagar as despesas financeiras

O processo de endividamento crescente a partir de 2010 levou um conjunto relevante de grandes empresas a uma situação dramática: a geração de caixa dessas companhias não está cobrindo sequer as despesas financeiras. Esse é o resultado de uma combinação perversa da recessão com a desvalorização da taxa de câmbio, juros elevados e queda das vendas.

A constatação é de um minucioso trabalho feito pelo Cemec (Centro de Estudos do Instituto Ibmec), cujo título - "Endividamento das Empresas Brasileiras: Metade das Empresas não Gera Caixa para Cobrir Despesas Financeiras em 2015/2016"- já mostra o retrato da situação.

Mexer no FGTS? - Celso Ming

- O Estado de S. Paulo

• No atual cenário econômico, mudanças no Fundo de Garantia podem ser problemáticas

O governo parece disposto a mudar o Fundo de Garantia. A intenção pode ser boa, mas a proposta tende a produzir distorções, algumas delas maiores do que as que se pretende evitar.

Melhor começar em 1966. O que havia antes era o regime de estabilidade no emprego, que o trabalhador obtinha após dez anos de trabalho na mesma empresa. A principal distorção desse estatuto era a de que o empregador tendia a demitir seu funcionário pouco antes de se completarem os dez anos, para que sua empresa não se sujeitasse a enorme passivo trabalhista. E havia também o problema de que o empregado estável tinha tendência a encostar o corpo e a se tornar mais estorvo do que colaborador.

Contagem regressiva - Rogério Furquim Werneck

- O Globo

• Logo após o impeachment, Temer já parecia propenso a ceder às pressões e deixar o anúncio da reforma para depois das eleições

Com o desfecho do impeachment, começa a se abrir ao governo Temer a janela de oportunidade com que contava para aprovar no Congresso medidas que tornem crível uma mudança paulatina do regime fiscal. Sem que tal mudança possa ser vislumbrada, não haverá como tirar a economia do atoleiro em que se encontra. Para que tenha sucesso nesse desafio, Temer não poderá alimentar ilusões sobre quão exíguo é o tempo com que efetivamente conta e quão graves serão as consequências se, aos poucos, ficar claro que ele não terá condições de aprovar as medidas que contempla.

‘É tudo ou nada’ - Fernando Dantas

- O Estado de S. Paulo

  • 'Previdência será batalha de comunicação e não podemos ser mal-entendidos'

“Não tem essa coisa de ajuste moderado, é tudo ou nada”, diz Mansueto Almeida, secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda. O seu comentário se dirige àqueles que acham que medidas paliativas seriam suficientes para reordenar as contas públicas e tirar o Brasil de uma das maiores crises econômicas da sua história.

Segundo Mansueto, há um intenso e cotidiano trabalho da equipe econômica de Henrique Meirelles de justificar e explicar aos congressistas a necessidade imperiosa de que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do limite de gastos seja aprovada essencialmente como foi enviada pelo Executivo. Na equipe, a avaliação sobre a receptividade dos parlamentares à PEC é sobriamente otimista.

O ‘paradoxo de Temer’ - José Paulo Kupfer

- O Globo

• Se relaxar muito nas reformas, o governo perde apoio; se apertar demais no ajuste, encorpará protestos e resistências no Congresso

Manifestações contrárias ao governo de Michel Temer estão pipocando como epidemia de catapora. Muito difícil — para não dizer impossível — antecipar os desdobramentos nas ruas e em eventos públicos do “Fora, Temer”, mas a tendência natural é que os ataques arrefeçam com o passar do tempo. De todo modo, mesmo que essa hipótese se confirme, seria ilusão imaginar que os novos governantes passariam a contar com automática aprovação popular.

Obrigado a promover medidas impopulares para cumprir a promessa de “recolocar a economia nos trilhos até 2018”, Temer está diante de um paradoxo. Se relaxar no ajuste fiscal e nas reformas trabalhista e previdenciária, perderá o apoio do PSDB, do mercado financeiro e das entidades empresariais, mas se apertar demais na austeridade fiscal e na precarização do trabalho, além de correr o risco de dificultar o relançamento da economia, ajudará a encorpar protestos e, com isso, alimentará resistências no Congresso.

A advertência de Teori – Editorial / O Estado de S. Paulo

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem todo o direito de utilizar qualquer recurso previsto em lei para assegurar que seu cliente tenha o mais amplo direito ao contraditório e que a presunção da inocência seja preservada. Só assim, esgotadas todas as possibilidades de defesa, uma eventual condenação do petista poderá ser considerada legítima. Mas não é isso o que acontece quando os advogados de Lula se empenham, como vêm fazendo, em desmoralizar o Judiciário, construindo a versão de que os juízes e promotores envolvidos nos processos que lhe dizem respeito se dedicam a perseguir seu cliente por razões políticas. Ou quando dizem que o Supremo Tribunal Federal (STF) não tem tomado as devidas providências para reverter tal situação, razão pela qual foi necessário encaminhar denúncia a entidades internacionais.

Contra essa atitude de desrespeito institucional – que, mais do que um arroubo retórico, é uma estratégia de defesa muito bem pensada – reagiu de forma enérgica o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo.

Incertezas podem limitar forte apreciação do real – Editorial / Valor Econômico

Há expectativa de que a migração dos capitais externos rumo ao Brasil se intensifique se a política econômica do novo governo conseguir passar pelos testes políticos que a aguardam no Congresso e, com isso, a taxa de câmbio se aprecie muito e volte a ser um problema. As chances da revoada acontecer são dadas pela imensa massa de capitais disponível às voltas com rendimentos nulos ou negativos nos países ricos, que estão à procura de melhores resultados. A oferta está concentrada por ora nos países emergentes e, em particular, no Brasil, desde que deixe a recessão para trás.

Mas há outros roteiros menos prováveis que podem amenizar a apreciação do real. No plano doméstico, as reformas estão longe de ser um passeio e as incertezas econômicas a ela associadas não se esvairão tão cedo. No plano externo, as ameaças de novo aumento da taxa de juros, sempre desmentidas pela realidade, são um fator potencial de instabilidade para os fluxos de capital para os emergentes. Além dessas hipóteses conhecidas, há outra, que prescinde de juros em alta nos EUA.

Último ato para a necessária cassação de Cunha – Editorial / O Globo

• Por ironia, deputado deve tentar se valer da manobra que manteve Dilma apta a ocupar cargos públicos, depois de receber pesadas acusações dela e de seu partido

Assim como o impeachment de Dilma Rousseff, a cassação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é um imperativo decorrente do estado democrático de direito, um ato de fortalecimento das instituições. No caso da ex-presidente da República, não bastassem as provas cabais do atropelamento da Lei de Responsabilidade e de normas orçamentárias, crime de responsabilidade para efeito de impedimento, havia o tal conjunto da obra de desmandos, cuja extensão real ainda está para ser conhecida. Quanto ao deputado, há contra ele uma pesada lista de atos de corrupção, investigados pela Lava-Jato e também já como parte de denúncias em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

Na Corte, Cunha já é réu em dois processos. Um deles trata da cobrança de propinas em negócios feitos pela Petrobras, relatada por delações premiadas no âmbito da Lava-Jato. Constam desse processo — em que Eduardo Cunha é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, entre outros crimes — as tais contas abertas na Suíça em nome de um trust, o qual Eduardo Cunha garante ser uma figura etérea, sem qualquer relação com ele, embora financiem gastos nababescos, seus e familiares, no exterior.

Campanhas e balas – Editorial/ Folha de S. Paulo

Relacionar atividade política com criminalidade tem sido inevitável na atual conjuntura de escândalos. Ainda assim, causa espanto que também casos de homicídio, e não apenas de corrupção, conheçam essa indesejável vizinhança num país em que as rixas de sangue do coronelismo já pareciam fazer parte do passado.

Desde novembro do ano passado, 13 ex-vereadores, vereadores ou candidatos fluminenses foram vítimas de assassinatos em cidades como Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Magé ou Nilópolis.

Os eventos não se dissociam da criminalidade endêmica nesses municípios. Paradoxalmente, a fama de associação com o crime organizado e a violência, que cerca toda a região, vinha convivendo com uma gradual melhoria nos registros estatísticos.

Motivo – Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Maria Rita - Quando a Gira Girou

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Opinião do dia – Roberto Freire

Esse governo não é um governo de salvação nacional, que vai resolver todos os problemas do País. Precisamos fazer uma reforma administrativa, com o enxugamento da máquina, para dar maior eficiência, porque nós ainda temos ministérios demais, discutir a reforma política, com uma discussão séria do parlamentarismo, mas reformas como a da previdência devem ficar para aquele que sair das urnas em 2018.

Que venha com todo um debate com a sociedade, fruto das urnas, escolhendo e definindo caminhos. Nenhum governo que veio com um mandato das urnas deu prosseguimento a essa reforma. Não será um governo de transição que terá que fazer isso. É um assunto para ser resolvido pelo governo eleito em 2018.

Mas é preciso cuidado para não imaginarmos que somos governo de salvação nacional, e que todos os problemas têm que ser por esse governo resolvidos

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Roberto Freire é deputado federal (SP) e presidente nacional do PPS. ‘Freire diz que reforma da Previdência deve ficar para sucessor de Temer’, Portal do PPS, 2/9/2016

Supervalorização de fundo sócio da Eldorado é alvo de investigação

• FIP Florestal, que detém a participação dos fundos de pensão na companhia de celulose, teve valorização de 184% no ano passado

Josette Goulart - O Estado de S. Paulo

O Ministério Público Federal (MPF) investiga a expressiva valorização de 184%, em 2015, registrada pelo FIP Florestal. O fundo, que reúne os fundos de pensão Petros e Funcef, é um dos acionistas da Eldorado Celulose, do grupo J&F. O Florestal começou 2015 com um patrimônio de R$ 2,2 bilhões e terminou o ano valendo R$ 6,3 bilhões, em função de uma reavaliação do valor da companhia feita pela empresa de auditoria Deloitte. Com essa supervalorização, os fundos de pensão, que são cotistas do Florestal e haviam investido R$ 225 milhões cada na Eldorado por meio desse fundo, ganharam R$ 1 bilhão a mais em seus balanços de 2015.

Operação da PF foi autorizada há dois meses

• Olimpíada do Rio foi um dos motivos para postergação do início da Greenfield

Gabriela Valente – O Globo

-BRASÍLIA- A Operação Greenfield — que investiga um esquema de desvio de recursos dos maiores fundos de pensão do país — deflagrada na segunda-feira, foi autorizada pela Justiça quase dois meses antes de ir para as ruas. O primeiro despacho dado por um juiz é datado de 08 de julho. De acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO, a realização da Olimpíada do Rio foi o principal motivo da postergação.

Por causa da realização dos Jogos, a maior parte dos agentes da PF estava focada na segurança de atletas e turistas e prevenção do terrorismo. Eo s policiais federais tinham de cumprir nada menos que 127 mandados de prisão temporária, condução coercitiva e buscas em escritórios particulares e prédios públicos em oito estados e no Distrito Federal. Ao menos 560 policiais participaram da Greenfield. A maioria em São Paulo e no Rio, onde a demanda por causa da Olimpíada era maior.

Para vice dos EUA, transição no Brasil seguiu Constituição

• Manifestação de apoio do governo de Obama a Michel Temer é a mais contundente desde o afastamento de Dilma

Cláudia Trevisan - O Estado de S. Paulo

/ WASHINGTON - O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse ontem que a transição de poder no Brasil seguiu a Constituição e os procedimento legais estabelecidos e afirmou que seu governo vai trabalhar “de perto” com a administração do presidente Michel Temer. “O Brasil é e continuará a ser um dos parceiros mais próximos dos Estados Unidos na região, porque, entre democracias, as parcerias não são baseadas nas relações entre dois líderes, mas são baseadas no duradouro relacionamento entre os dois povos.”

A declaração foi a mais contundente manifestação de apoio ao impeachment e a Temer de um integrante do governo Barack Obama desde o afastamento definitivo de Dilma Rousseff, há uma semana. Biden era uma das pessoas mais próximas da petista na gestão americana e representou seu país na posse da presidente cassada no ano passado.

Tucanos e comunicação pautaram ‘recuo do recuo’ de Temer sobre reforma

Vera Magalhães – O Estado de S. Paulo

A pressão do PSDB e a estratégia de comunicação do governo pautaram a decisão de Michel Temer de “recuar do recuo” e manter o envio da reforma da Previdência ao Congresso antes das eleições.

Temer bateu o martelo ao voltar da viagem à China, e a decisão foi consolidada em reunião entre o coordenador político do governo, Geddel Vieira Lima — que foi voto vencido na discussão, já que defendia abertamente que o projeto só fosse encaminhado após o pleito — e o presidente do PSDB, Aécio Neves.

Os responsáveis pela comunicação do governo alertaram Temer de que ele havia anunciado publicamente o compromisso de enviar a reforma antes da eleição, e que uma mudança em algo tão sensível quebraria uma expectativa importante do mercado.

“Teria um simbolismo importante, porque ele já tinha dito que ia mandar”, explicou Geddel nesta manhã.

Maia diz que envio de reforma agora é ‘inócuo’

• Para presidente da Câmara, medida que altera regime de aposentadoria não será discutida na Casa antes de outubro; líderes preveem votação só no ano que vem

Erich Decat - O Estado de S. Paulo

/BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ontem considerar “inócua” a decisão do governo Michel Temer de enviar a proposta de reforma da Previdência ainda neste mês ao Congresso. A medida, anunciada anteontem pelo ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, desagrada a parte da base aliada, receosa de que o tema cause prejuízos aos candidatos nas disputas eleitorais.

O principal partido aliado a Temer, no entanto, cobrou o envio neste mês como uma sinalização do governo com o compromisso de ajuste fiscal.

“Se enviar a partir de quarta-feira, ela só vai dar entrada na Câmara no dia 3 de outubro. Isso porque, para eu encaminhar qualquer proposta à Comissão de Constituição e Justiça, é preciso duas sessões no plenário da Casa. E isso não ocorrerá até o dia 3 do próximo mês”, afirmou Maia ao Estado.

STF tende a não modificar julgamento da ex-presidente

• Ministros avaliam que reviravolta aumentaria instabilidade no país

Carolina Brígido - O Globo

-BRASÍLIA- Embora boa parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) considere juridicamente problemática a decisão do Senado de fatiar a condenação de Dilma Rousseff no processo de impeachment, é pequena a chance de se modificar a situação no julgamento dos recursos enviados à Corte. Isso porque uma decisão que cause uma reviravolta no caso — suspendendo todo o julgamento ou declarando Dilma inabilitada para o exercício de cargos públicos — traria um desgaste grande ao STF e aumentaria ainda mais a instabilidade política no país.

A expectativa é que os ministros Rosa Weber e Teori Zavascki não levem os recursos ao plenário. Eles deverão decidir sozinhos, negando os pedidos de liminar. Porém, isso não acontecerá por ora. A tendência é que os dois esperem que diminua o clima de tensão em torno do tema.

A decisão sobre o futuro de Dilma deve ficar para depois da votação do processo de cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pela Câmara — o que, por sua vez, deverá provocar nova enxurrada de recursos ao STF. 

Presidente ouve vaias e aplausos no desfile de 7 de Setembro

• Temer quebra o protocolo ao não usar faixa presidencial; houve protestos em 25 estados e no DF

- O Globo

-BRASÍLIA, RIO E SÃO PAULO- Em seu primeiro evento a céu aberto desde que tomou posse como presidente da República, Michel Temer foi recebido com vaias e aplausos ao chegar ontem à tribuna de autoridades para acompanhar o desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios. Quebrando o protocolo, ele não usou a faixa presidencial. Um grupo de manifestantes numa arquibancada, a cerca de cem metros da tribuna de autoridades, gritou “Fora, Temer!” e “golpista”, quando ele e sua mulher, Marcela, saíram do carro oficial e foram para a área reservada.

Protestos contra o novo governo foram registrados ontem em 25 estados e no Distrito Federal. Políticos como Gilberto Carvalho, ex-ministro do governo Dilma Rousseff, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), participaram de manifestações.

FH: Temer tem maturidade para escapar da armadilha da reeleição

- O Globo

• Ex-presidente criticou fatiamento de impeachment de Dilma no Senado

“O compromisso do PSDB não é com a pessoa do Michel Temer, é com a situação do Brasil” Fernando Henrique Cardoso -Ex-presidente da República

-SÃO PAULO- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em entrevista publicada ontem, que o presidente Michel Temer tem uma “chance histórica” de conduzir bem o país, desde que cumpra o que vem dizendo e não se candidate à reeleição:

— Eu acho que o Michel Temer tem noção de que foilhe dada uma chance histórica. Não creio que ele vá ser mordido pela mosca azul. Vão tentar mordê-lo. A entourage sempre quer que o presidente se reeleja e, se possível, permaneça. Acho que o Michel tem maturidade suficiente para escapar dessa armadilha — afirmou, ao portal UOL.

“Grandeza é ser firme”
FH afirmou, ainda, que Temer deveria ter enfrentado os servidores:
— É impopular. Mas a grandeza no momento atual não vai derivar de ser popular. Vai derivar de ser firme — e completou o ex-presidente:

— O compromisso do PSDB não é com a pessoa do Michel Temer, é com a situação do Brasil.

O ex-presidente foi confrontado com frase registrada em 1996 em seu livro de memórias, quando escreveu estar à frente de um país “onde a modernização se faz com a podridão, a velharia e o tradicionalismo o qual, na verdade, ainda pesa muitíssimo”.

— PSDB e PT tinham um certo frescor, uma coisa de vanguarda. Hoje não lhe parece que também esses dois partidos, inclusive o vosso, integram a velharia? — perguntou o portal UOL ao expresidente.

— Me parece (...) Você quer melhorar, avançar, ser progressista. Mas você precisa de partido que existe. E o que existe na maior parte é isso. Por isso, é necessário a liderança. Infelizmente, não fomos capazes de superar esses entraves enormes, que chamo de atraso. Não é direita e esquerda, é cultural. São pessoas que querem tirar proveito do Estado — disse FH.

FH criticou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski por terem dividido em duas partes a votação do impeachment de Dilma Rousseff (PT), o que permitiu à ex-presidente ter os direitos políticos preservados.

— Acho que a obrigação número um do senador é ser a favor da Constituição. Você pode até, na alma, dizer: ‘Ah, meu Deus, que pena!’ Eu, por exemplo, tenho muita dificuldade, mesmo quando escrevo, quando critico, com relação à presidente Dilma. Eu procuro ser uma pessoa que a considera. Mas isso é uma coisa no plano pessoal. Outra coisa é você como senador — disse FH.

O ex-presidente disse considerar que a decisão de Lewandowski se situa no “absurdo”:

— Vamos falar português claro: o presidente do Supremo Tribunal Federal tomou a decisão e não podia ter tomado essa decisão — disse.

FHC diz que votaria contra manter direitos políticos de Dilma

SÃO PAULO - O ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso disse em entrevista publicada nesta quarta-feira (7) pelo UOL, do Grupo Folha, que não teria sido misericordioso com a também ex-presidente Dilma Rousseff, que sofreu impeachment mas foi considerada apta a ocupar funções públicas.

Ele foi questionado sobre se votaria a favor de preservar o direito de Dilma e disse que não.

"Acho que a obrigação número um do senador é obedecer a Constituição. Você pode até lá, na alma, [pensar] 'ai, meu Deus, que pena'. Eu, por exemplo, tenho muita dificuldade, quando eu escrevo ou critico, com relação à presidente Dilma. Eu procuro ser uma pessoa que a considera. Mas isso é uma coisa no plano pessoal. Outra coisa é você como senador", disse.

Em entrevista, FHC compara governo Temer a pinguela

• Ex-presidente da República e presidente do PSDB, tucano disse ainda, ao blogueiro Josias de Souza, do UOL que seu partido faz parte da 'velharia' política que dificulta a modernização do País

Karla Spotorno - O Estado de S. Paulo

O ex-presidente e tucano Fernando Henrique Cardoso afirmou que o seu partido, o PSDB, faz parte da "velharia" política que dificulta a modernização do País, em entrevista publicada nesta quarta-feira, 7, no blog do jornalista Josias de Souza, do UOL. Para ele, o PSDB e o PT perderam o "frescor" que tinham na década de 1990. O problema da classe política no Brasil, diz o tucano, não é uma dicotomia entre direita e esquerda. É, isso sim, um problema cultural. "São pessoas que querem tirar proveito do Estado", argumentou.

Jobim: Temer precisa ‘mudar a cabeça’ do Congresso

• Ex-ministro diz que este será o desafio do governo para reforma da Previdência passar

Henrique Gomes Batista - O Globo

WASHINGTON - O ex-ministro Nelson Jobim disse que o presidente Michel Temer precisa “mudar a cabeça” do Congresso e do governo para aprovar a reforma da Previdência. Jobim — peemedebista histórico que comandou as pastas da Justiça e da Defesa nos governos Lula e Dilma e foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso — afirmou que o país ainda vive a ressaca do impeachment, mas se mostrou otimista.

— (A questão da Previdência) É um problema que não vai se resolver no curto prazo, tem que ser enfrentado e é preciso que o governo do Michel mude a cabeça. Mude a cabeça do parlamentar, que é a cabeça do acordo, a cabeça de conciliação de interesses. E, no governo, a cabeça de romper determinados interesses — disse Jobim, após discursar no 20º Congresso Anual do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), em Washington.

Cristovam: Papel do novo governo é recuperar a credibilidade da economia

O senador afirmou que é fundamental a manutenção dos projetos sociais

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) disse ao Portal do PPS que o papel principal do presidente Michel Temer será de recuperar a credibilidade da economia brasileira. O parlamentar destacou que o novo mandatário do País também tem o dever de manter os projetos sociais e retomar o diálogo nacional.

“É preciso entender que o impeachment é o primeiro momento de um novo tempo, não pode ser o último. Esse novo momento começa com a travessia, até 2018, com Michel Temer. Até lá, o novo presidente precisa recuperar a credibilidade na economia, o que significa trazer de volta a estabilidade dos preços no que implica no equilíbrio das contas públicas”, disse.

O parlamentar lamentou o sectarismo gerado pelo processo de cassação da ex-presidente Dilma Rousseff e defendeu que Temer retome o diálogo nacional com a sociedade. Buarque destacou a importância de manter os programas sociais criados nos últimos 25 anos.

“Além da retomada do crescimento econômico e da geração de empregos, que será feito por meio da credibilidade, é fundamental que o novo governo mantenha os projetos sociais tão importantes para a sociedade brasileira. Não apenas os programas criados por Lula e o PT, mas também todos aqueles criados por FHC, como o Bolsa Escola, e pelo Sarney. Não podemos perder isso de vista”, defendeu.

De novo as ruas? - Alberto Aggio

As manifestações que ocorreram no final de semana contra o governo foram mal compreendidas pelo Presidente Temer e até mesmo por políticos experientes, como o ministro José Serra. Ambos deram palpites infelizes e, equivocadamente, mais tarde, se convocou o ministro da Fazenda, Henrique Meireles para amenizar. As manifestações tiveram alguma importância e impacto apenas em São Paulo. Pelo numero de manifestantes, se fizermos um cômputo nacional, sua significado fica bastante comprometido. Houve manifestações muito pequenas no Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador. Não há noticia de manifestações em importantes capitais como Recife, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Natal, Goiânia. Se nos referirmos a cidades importantes como Guarulhos, Santos, Juiz de Fora, Ribeirão Preto, Campinas, Joinville, Ilhéus, Caruaru, para mencionarmos apenas algumas, o fracasso é retumbante.

Os erros de cada lado - Míriam Leitão

- O Globo

A saída de Dilma resolve um problema do PT. É muito mais fácil fazer manifestação contra do que a favor, até porque é indefensável um governo como o de Dilma. A truculência da polícia paulista dá ao PT o argumento definitivo para sustentar a “narrativa” de que há no país uma luta entre democratas e golpistas. A atitude do governo Temer de subestimar os protestos completa a festa petista.

Os atos radicais dos black blocks não legitimam o comportamento da polícia paulista que, entra secretário, sai secretário, só consegue ir para a rua se for para, a certa altura, bater em quem vê pela frente. Em outros estados, também há relatos de violência policial desnecessária, mas em São Paulo são mais frequentes. São incontáveis os jornalistas que já sofreram nas mãos de policiais, mesmo exibindo os seus crachás de imprensa brasileira ou estrangeira. Haver um grupo desordeiro em um protesto não justifica a reação violenta contra todos. O Estado tem o poder de polícia para usá-lo na defesa do cidadão, e não o contrário. Um coronel achar engraçado uma jovem de 19 anos perder a visão de um dos olhos é revoltante.