Correio Braziliense
Corte endossa decisão de Dino de proibir
pagamentos. Presidente da Câmara tira da gaveta PECs para limitar poderes de
ministros
O embate entre o Supremo Tribunal Federal
(STF) e o Congresso, deflagrado após a proibição às emendas impositivas, se
acentuou, nesta sexta-feira, com novos rounds. Por unanimidade, a Corte
endossou a decisão monocrática do ministro Flávio Dino de suspender o repasse
dos recursos, por falta de transparência. Em reação, o presidente da Câmara,
Arthur Lira (PP-AL), tirou da gaveta propostas que limitam os poderes dos
magistrados.
A liminar de Dino suspende a execução da
emendas impositivas até que Câmara e Senado estabeleçam procedimentos para
garantir a transparência e rastreabilidade dos recursos. No julgamento em
plenário virtual, encerrado nesta sexta-feira, os outros 10 ministros
avalizaram a determinação do colega de Corte.
No contra-ataque, Lira enviou à Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que
restringe decisões monocráticas de ministros do STF. O autor da PEC é o
senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), e o texto foi aprovado no Senado em
2023.
A proposta veda decisões monocráticas que
suspendam a aplicação de lei ou ato normativo com efeito geral ou, ainda, que
suspenda ato dos presidentes da República, do Senado e da Câmara.
Em nota, a presidente da CCJ, Caroline de
Toni (PL-SC), anunciou que vai pautar a PEC contra o STF e que se trata de uma
demanda da oposição. "O que decidimos, por meio de lei, passou pelo
crivo de 513 deputados e 81 senadores e não pode ser desconstituída em minutos,
com a canetada de um único homem. Daremos a celeridade devida à PEC 8/21 na
CCJ", disse.
Lira ainda reabilitou uma outra PEC, também
do ano passado, que autoriza o Congresso a derrubar decisões do STF
que "exorbitam o adequado exercício da função jurisdicional", ou
seja, as determinações que os parlamentares considerem invasiva às
prerrogativas do Congresso. Esse texto é de autoria do deputado Reinhold
Stephanes (PSD-PR), aliado ferrenho do ex-presidente Jair Bolsonaro.