quarta-feira, 9 de maio de 2012

Dilma não está com sorte:: Vinicius Torres Freire

Volta do tumulto europeu tende a colocar bancos e empresas na retranca, mesmo que juros caiam

Suponha-se que a campanha de Dilma Rousseff contra os juros altos funcione. Pode bem ser que o custo do crédito caia, mas a quantidade de dinheiro emprestado também, assim como a vontade de tomar empréstimos e investir. O tumulto europeu redivivo pode ser um dos fatores do desânimo.

Dilma Rousseff não tem a sorte de Lula.

A lentidão da economia mundial, em especial no mundo rico, não anima as exportações. As providências euroamericanas para combater a crise, despejo de dinheiro na praça, ademais encarecem o real e os produtos da indústria. A nova rodada de confusão europeia deve induzir bancos e empresários a jogar mais na retranca. Bancos em particular.

A situação europeia não está feia como pareceu no terço final de 2011. Naqueles meses, o risco de quebra de bancos da eurozona e de calote caótico da Grécia era bem real.

Mas os bancos receberam dinheiro de presente do Banco Central Europeu (empréstimo trilionário e subsidiado). A Grécia recebeu mais empréstimos de emergência e, mais importante, seus credores praticamente deram o fora de lá. Um calote grego, agora, seria ruim, mas não tão ruinoso como em 2011.

Ainda assim, a reação política e eleitoral ao arrocho na Grécia foi tão forte que voltaram à mesa as soluções mais radicais. No mínimo, o caso grego é por ora imponderável -a maioria de esquerda quer tocar fogo nos acordos com União Europeia, BCE e FMI. Mesmo que não vingue o incêndio, há a incerteza que virá com a nova e provável eleição no país.

A incerteza provoca medo, mesmo que materialmente agora a Grécia seja um problema um tanto menor.

Os donos do dinheiro grosso estão desconfiados de que a vitória dos socialistas na França vai colocar água no pacto europeu contra dívidas e deficit de governos. Não deve acontecer grande coisa, mas o fato de a finança mundial voltar à retranca, segurando dinheiro, cobrando mais por ele, pode ser a gota d"água fatal para quem já está com água pelo nariz. Mesmo que não seja, está "todo mundo" (com dinheiro grande) pensando nisso.

O medo retrai os donos do dinheiro, o que provoca mais medo -há uma bolinha de neve rolando por esses dias.

Pode haver "solução feliz" para o medo do mercado diante da reação das urnas? Isto é, uma solução que combine retomada relevante do gasto e investimento público na Europa sem retaliação da finança? Sabe-se lá, mas os entendidos dizem que isso seria viável apenas se os governos europeus "à esquerda" (França) e/ou desesperados (Espanha, Itália) oferecessem "reformas" de peso.

Isto é, mudanças no sistema de previdência, desmonte das leis trabalhistas, capitalização dos bancos europeus mortos-vivos. Vai acontecer? Os socialistas franceses desmanchando o Estado de Bem-Estar Social? Uhm.

Dê no que der, há combustível para pelo menos uns dois meses de tumulto: haverá cúpulas europeias, eleição parlamentar na França, talvez nova eleição na Grécia. Talvez a virada greco-francesa estimule mais protestos em outros países. Isso já dá pano para manga. E molho para bancos e empresas daqui colocarem suas barbas.

Fonte: Folha de S. Paulo

As contas de Hollande:: Rolf Kuntz

Grandes contas a pagar esperam o novo governo francês e essa deve ser uma das primeiras preocupações do recém-eleito François Hollande. A economia francesa deve crescer 0,5% neste ano e 1% no próximo, segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para manter os livros em dia, o governo precisará do equivalente a 18,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012. Será o indispensável para cobrir os vencimentos do ano e o buraco do orçamento. Para 2013, a necessidade estimada é de 19,5%. Hollande conquistou a presidência prometendo mais crescimento, menos arrocho e uma revisão do pacto fiscal assinado por 25 dos 27 governos da União Europeia. Falta explicar como vai cumprir as promessas e, naturalmente, convencer os credores. Para isso precisará de um entendimento com o governo alemão.

A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, também enfrenta descontentamento e riscos eleitorais, mas seus problemas econômicos são muito menores. O crescimento previsto para este ano, 0,6%, é pouco maior que o projetado para a França, mas talvez seja preciso elevar a estimativa. A produção industrial cresceu 2,8% de fevereiro para março, descontados os fatores sazonais, e ficou 1,6% acima do nível de um ano antes. A fabricação de bens de consumo aumentou 3% no mês e a de bens de capital, 2%. A situação fiscal também é muito mais confortável. O Tesouro alemão precisará captar o equivalente a 8,9% do PIB em 2012 e 8,5% em 2013, se as projeções do FMI se confirmarem. Se a expansão econômica for maior, o acerto das contas será mais fácil.

A eleição francesa foi interpretada - e saudada por muitos - como o fim da era Merkozy e o provável começo de uma revisão das políticas da zona do euro. Pode ser, mas o governo alemão, apoiado numa economia bem mais saudável que a dos parceiros, poderá negociar duramente cada proposta de mudança. Por enquanto, a chanceler Angela Merkel descarta uma revisão do pacto fiscal e dos compromissos de curto prazo assumidos pelos governos mais dependentes de ajuda.

Se os critérios forem afrouxados - este foi o primeiro argumento -, os gregos vão cobrar uma revisão do acordo com a União Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o FMI. Nesta terça-feira, no entanto, os gregos não dispunham sequer de um governo para cuidar da economia nem para conversar com os credores. Ao longo do dia, os mercados refletiram as preocupações com a indefinição política grega.

A Grécia, segundo havia dito na véspera um funcionário citado pela Dow Jones, tem dinheiro para se manter até julho. Mas não há nada tranquilizador nessa informação. O país deve receber neste mês pouco mais de 5 bilhões do segundo pacote de ajuda, mas quem vai assinar o papel? Dois dias depois da eleição parlamentar, ainda não havia uma resposta. A eleição havia desmontado um governo, mas sem arranjar um substituto e reforçando as dúvidas quanto à permanência do país na zona do euro.

A crise grega pode preocupar e reacender o temor de um ou mais calotes, mas François Hollande vai depender de si mesmo, e não de uma parceria com os gregos, para impor um novo padrão de ajuste à França e à zona do euro - porque não poderá desconhecer os compromissos do bloco. Infinitamente mais importante será um entendimento com o presidente do BCE, Mario Draghi, favorável à criação de um mercado comum para os títulos da zona do euro.

Analistas têm lembrado a longa relação de governos derrubados por eleitores descontentes com a austeridade, mas parecem esquecer um detalhe: nenhum novo governo anunciou uma reviravolta na política econômica. O atual governo português segue uma política tão dura quanto a defendida pelo antecessor. O espanhol reafirmou os compromissos de arrumação orçamentária e continua discutindo a reforma dos bancos. Pior que isso: nesta terça-feira os mercados ainda avaliavam a hipótese de uma ajuda oficial ao Bankia, terceiro maior grupo financeiro espanhol. Em resumo: todos os novos governantes se enquadraram. O de maior prestígio, o primeiro-ministro Mario Monti, da Itália, tem reforçado o discurso a favor de mais crescimento, mas sua primeira providência foi negociar um severo pacote de ajuste fiscal e de reformas.

Na prática, ninguém foi adiante da agenda proposta pelo FMI e reafirmada por sua diretora-gerente, Christine Lagarde, num discurso na segunda-feira: combinar um programa de ajuste de médio prazo, sério e confiável, com medidas para aceleração do crescimento. Isso é mais do que os alemães têm aceitado discutir, mas a influência do Fundo pode pesar nas decisões. Credibilidade continua sendo essencial, exceto se os governos se dispuserem a encarar o mercado e ver quem pisca primeiro. Será um espetáculo interessantíssimo.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Indústria e commodities aumentam dependência do PIB ao consumo::Jarbas de Holanda

Indicadores básicos do desempenho da economia no primeiro quadrimestre conflitam com as expectativas da presidente Dilma Rousseff de uma retomada do crescimento no período como etapa de sua prioridade essencial: um PIB de 4,5% em 2012 (que o ministro Mantega, da Fazenda, já procura reduzir para 4%), após a frustração de apenas 2,7% no ano passado. As manchetes dos cadernos de economia dos últimos dias destacam a queda de 0,5% de produção industrial em março, de par com a das exportações de commodities – de 8% do volume na comparação de abril de 2012 com o de 2011 – bem como de seus preços. E em abril, na mesma comparação, houve um recuo do conjunto das exportações, com exceção das vendas de petróleo para os EUA: de menos 8,5% para a União Europeia e de 27% das destinadas à Argentina, sob efeito também da escalada protecionista do governo Cristina Kirchner. Já a principal manchete de ontem do Estado de S. Paulo foi “Estoque dispara e montadoras param produ-ção aos sábados”. Os indicadores correspondentes à produção industrial como um todo mostram a ausência ou influência mínima até agora do processo de queda da Selic, iniciado há quase nove meses, e da ofensiva mais recente para a redução dos juros do sistema fi-nanceiro privado.

“Modelo esgotado” e carga tributária – Uma das me-lhores avaliações das causas do problema foi feita em editorial da Folha de S. Paulo, de anteontem, com o tí-tulo entre aspas acima. Trechos: “Acumulam-se evi-dências de que a volta do crescimento será lenta. Con-trariando as expectativas, a produção industrial teve queda de 3% no primeiro trimestre, sobre o mesmo pe-ríodo de 2011...”. “Apenas o consumo de bens não du-ráveis permanece robusto, impulsionado pelo aumento de renda e pela queda da inflação. Mas, sozinho, não é suficiente para compensar o recuo em outros setores. Por isso, salvo uma recuperação muito forte no segun-do semestre, há risco real de crescimento do PIB infe-rior a 3% este ano”. “A letargia da atividade econômica vai além de um fenômeno cíclico. Há esgotamento do modelo de expansão baseado no crédito ao consumo e na alta de preços das commodities exportadas. Ne-nhum outro setor parece ter condições de substituir es-sa dupla. O candidato óbvio a novo motor da economia seria o investimento que, no entanto, permanece abai-xo de 20% do PIB, uma das menores taxas entre todos os países emergentes”. “Há anos o país espera, em vão, que o governo federal controle seus gastos, o que em tese permitiria estancar o crescimento da arrecada-ção e reduzir a carga tributária”.

Não obstante haja a presidente – em recente encon-tro com empresários – reconhecido que os “impostos altos” têm-se somado às elevadas taxas de juros e ao câmbio como a terceira das “amarras” que obstruem o crescimento, em lugar de passos efetivos no sentido de uma reforma fiscal ampla (que nada tem a ver com medidas pontuais e seletivas em favor de algumas ati-vidades) as respostas concretas do governo a tais indi-cadores negativos centram-se em ações voltadas à du-plicação do consumo. Por meio de estímulos creditícios e do aumento dos gastos públicos (com o gigantismo estatal e o assistencialismo). Combinados com práticas protecionistas contra produtos estrangeiros cujo espaço no mercado interno é ampliado pela baixa competitivi-dade de nossa economia, em particular da produção industrial. Decorrente, sobretudo, dos enormes custos da carga tributária, que aumenta ano a ano, e também das trabalhistas (no contexto de uma globalização de mercados dominada por exportações asiáticas, sobre-tudo chinesas, produzidas com um custo muito menor da mão de obra). Quanto aos gastos públicos, ganha-rão novo incremento no próximo domingo, dia das Mães, com o anúncio pela presidente de um pacote de ampliação dos benefícios do Bolsa Família, de Lula, agora articulado com o programa dilmista Brasil sem Miséria.

Pacote esse que servirá, de um lado, como parte das medidas de incremento do consumo, à meta de expansão do PIB prometida pela presidente, e, de ou-tro, a objetivos políticos e eleitorais dela própria e do ex-presidente. Objetivos que incluem também ações li-gadas à economia, como a responsabilização exclusiva dos banqueiros pelos juros altos. E se estendem da uti-lização do marketing ético da chefe do governo, con-traposta a políticos corruptos ou ineficientes, e do es-forço da presidente e do seu antecessor para restringir a oposicionistas o alcance da CPMI recentemente ins-talada, até o empenho maior do lulopetismo neste ano eleitoral para protelar e esvaziar o julgamento do men-salão.

Jarbas de Holanda é jornalista

Grécia à deriva força Europa a apostar no crescimento já

Os mercados globais reagiram assustados ontem à crise política grega. O líder da Coalizão da Esquerda Radical, Alexis Tsipras, defendeu que as medidas de austeridade com cortes de €11 bilhões fossem rejeitadas, o que poria a perder o socorro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Européia. Sem acordo, pode haver novas eleições no país em junho. As bolsas de Londres, Frankfurt e Paris recuaram, e o euro registrou seu pior patamar nos últimos três meses frente ao dólar. A Comissão Europeia chegou a propor uma reunião de emergência para 23 de maio para discutir a crise, levando em consideração o resultado das urnas na Grécia e na França, que elegeu o socialista François Hollande. Mas a proposta acabou não sendo aprovada, e a reunião de cúpula do grupo em 28 de junho está mantida. De qualquer forma, a Comissão Europeia, defensora da austeridade, quer consenso para incluir a agenda do crescimento econômico nas discussões, o que significa uma mudança importante de tom

Odisseia grega derruba mercados

Ameaça de rompimento com UE e FMI faz Bolsa de SP cair 1,4% e dólar subir a R$ 1,939

Bruno Villas Bôas*

O RECADO DAS URNAS EUROPEIAS

RIO, ATENAS, LONDRES e NOVA YORK - Os mercados operaram com fortes perdas ontem pelo mundo, com euro e commodities também em queda, em meio a crescente preocupação dos investidores sobre o impasse político na Grécia. O líder da Coalizão da Esquerda Radical (Syriza), Alexis Tsipras, defendeu ontem o não cumprimento do acordo fechado com União Europeia (UE) e Fundo Monetário Internacional (FMI), além da suspensão de medidas prejudiciais aos trabalhadores, como demissões e cortes salariais. Se até amanhã Tsipras não formar um governo de coalizão com os partidos socialista (Pasok) e conservador (Nova Democracia), com cujos líderes ele se reunirá hoje, é quase certo que a Grécia convoque novas eleições no mês que vem. O resultado das eleições na Grécia e na França - onde o socialista François Hollande derrotou Nicolas Sarkozy, aliado da Alemanha na implantação de uma política de austeridade - levou a Comissão Europeia, órgão executivo da UE, a colocar na agenda a discussão sobre como estimular o crescimento econômico. A UE chegou a considerar ainda a convocação de uma reunião emergencial de líderes para o dia 23 de maio, mas a ideia não foi adiante.

Tsipras pediu aos líderes do Pasok e do Nova Democracia que enviem cartas à UE e ao FMI cancelando o acordo que garantiu o socorro à Grécia. Isso significaria que o país não adotaria cortes adicionais de 11 bilhões no mês que vem, condição para que continue recebendo os recursos de UE e FMI.

- O resultado das eleições gregas foi um voto contra um socorro bárbaro - disse Tsipras na TV grega. - Não haverá medidas adicionais de austeridade de 11 bilhões, e não serão eliminados 150 mil empregos.

Para analista, Grécia deixará o euro

Na Europa, os mercados tiveram a maior queda em quatro meses. Recuaram as Bolsa de Londres (1,78%), Paris (2,78%), Frankfurt (1,90%), Madri (0,80%) e Milão (2,37%). A Bolsa de Atenas, que na véspera despencara quase 7%, recuou 3,62% e atingiu o menor patamar em duas décadas.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou no menor patamar em quase quatro meses, tendo operado abaixo dos 60 mil pontos pela manhã. O Ibovespa, seu índice de referência, recuou 1,40%, aos 60.365 pontos, influenciado pela queda das commodities.

- O mercado teme que o impasse atrapalhe a liberação das próximas parcelas da ajuda à Grécia, que precisa cumprir metas de cortes de gastos. O FMI disse que vai aguardar a formação de um novo governo para ir ao país. Isso pode precipitar a saída da Grécia da zona do euro e cria uma percepção negativa para outras nações, como Espanha, Portugal e Irlanda - disse Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora.

Também mexeram com o mercado as declarações do analista do fundo hedge FX Concepts John Taylor, para quem a Grécia abandonará o euro, provavelmente, em junho.

- Os europeus não lhes darão mais dinheiro, o FMI não vai mais lhes dar o sinal verde. Eles ficarão sem recursos em junho - disse Taylor à Bloomberg TV.

Sem indicadores capazes de mudar o clima no mercado, o Standard & Poor"s 500, que reúne as principais empresas dos Estados Unidos, recuou 0,43% e registrou sua menor pontuação em um mês. O Dow Jones caiu 0,59% e o Nasdaq, 0,39%.

Os temores sobre a Grécia atraíram investidores para os títulos do Tesouro americano, os Treasuries. O dólar avançou, assim, 0,94%, a R$ 1,939. É o maior valor desde 14 de julho de 2009 (R$ 1,969). O movimento acompanhou a oscilação do euro, que recuou 0,47%, a R$ 1,299. Foi o sétimo pregão seguido de baixa, maior sequência desde setembro de 2008. Lá fora, o euro recuou 0,4% frente ao dólar, a US$ 1,305, o menor patamar em três meses.

- A Grécia voltou a assombrar e, desta vez, o mercado americano não ajudou a segurar a queda das bolsas - disse Carlos Augusto Nielebock, especialista em bolsa da Icap Brasil.

Tsipras ainda ganhou um curioso aliado na luta contra a austeridade: Charles Dallara, diretor do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), que representou os bancos na renegociação da dívida grega. Em entrevista à rede americana CNBC, ele disse que é preciso ajustar o foco à realidade econômica.

- O foco ficou por demais concentrado em cortes orçamentários de curto prazo, o que criou o sentimento de que a situação não tem saída - disse Dallara. - Acho que a Alemanha terá de reavaliar a atual estratégia.

No mercado brasileiro, a queda dos preços das commodities ajudou a derrubar as principais ações da Bolsa, como Vale PNA (-2,53%) e Petrobras PN (-1,55%). Das 68 ações que compõem o índice, apenas 11 fecharam em alta.

Os principais vendedores foram investidores estrangeiros, representados por corretoras como Morgan Stanley, Merrill Lynch e HSBC, com vendas de R$ 192,7 milhões, R$ 62,7 milhões e R$ 57,4 milhões, respectivamente. Segundo operadores, a queda foi intensificada pelo disparo de ordens automáticas de venda de ações, instrumento usado para evitar perdas maiores.

Para Fernando Goes, analista da Octo Investimentos, o Ibovespa não recuou mais porque há um ponto de resistência do mercado nos 60 mil pontos. Abaixo desse patamar, investidores acham que os papéis estão baratos e voltam a comprá-los. Se esse suporte for perdido, o Ibovespa pode voltar aos 56.500 pontos, eliminando a recuperação das ações no ano.

- A tendência de alta do mercado morreu. Existe agora uma resistência para a Bolsa subir além dos 61 mil pontos - disse Goes.

(*) Com agências internacionais

Fonte: O Globo

Risco geopolítico :: Carlos Lessa

Poucas coisas, para mim, são mais satisfatórias do que ler um artigo que gostaria de haver escrito. Reinaldo Gonçalves publicou no número 31 da Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política um artigo que alcunha de "nacional-desenvolvimentismo às avessas", a trajetória econômica do Brasil no novo milênio. Sintetiza nacional-desenvolvimentismo como um projeto "de desenvolvimento econômico, assentado na industrialização e na soberania dos países latino-americanos". Desdobra o desempenho brasileiro nas últimas décadas como um desempenho no qual a economia, as estruturas de produção, o comércio exterior e a propriedade do ativo produtivo caminharam no sentindo contrário ao projeto que animou o Brasil de 1930 a 1980.

Gonçalves, de forma rigorosa, mostra que houve redução na participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil perdeu participação no panorama industrial mundial. Mostra, de forma inequívoca, que o que cresce no país é o valor adicionado da mineração e da agropecuária. A política econômica foi orientada para a liberalização comercial, e o coeficiente de importações em relação ao consumo aparente cresceu de forma sistemática entre 2002 e 2010.

A participação dos manufaturados caiu no valor das exportações, e houve a queda assustadora da dos produtos altamente intensivos em tecnologia entre 2002 e 2010. Todas as indicações mostram aumento de dependência tecnológica. A diferença entre o valor de importações e bens intensivos em tecnologia, exportações brasileiras destes bens, evoluiu de US$ 19,3 bilhões em 2002 para US$ 85 bilhões em 2010.

São precárias nossas salvaguardas ante uma crise mundial que inexoravelmente produzirá mudanças

Houve uma dramática perda de competitividade internacional; aumentou a vulnerabilidade externa, houve concentração de capital e explosão da lucratividade dos bancos. A rentabilidade "lucro/patrimônio líquido" dos 50 maiores bancos no Brasil é de 17,5% ao ano entre 2003/10.

Enquanto isso, a rentabilidade das 500 maiores empresas industriais foi de 11% ao ano. Brasil e Turquia são os dois países que têm os mais elevados custos de dívida pública nas 24 principais economias do mundo. Nestes países, custo médio da dívida é de 4%, enquanto no Brasil é de 8,6%. A relação entre pagamento de juros de dívida pública e do PIB no Brasil apenas é superada pela Grécia, sendo que a média dos 24 países é 2%, enquanto que a brasileira é 51%. Quem quiser conhecer em detalhe, leia este artigo.

São corretas as advertências que os dirigentes da política econômica estão fazendo aos bancos privados, porém claramente insuficientes. O ministro Guido Mantega advertiu no Fundo Monetário Internacional (FMI) que "o Brasil fará de tudo para impedir" o ingresso de capital de curto prazo especulativo. Porém, anunciou que não descarta o controle de capitais voláteis. Isso se faz sem advertência. É correto baixar juros; aumentar a competição dos bancos públicos; barrar capitais do exterior que se nutrem no nosso juro excessivo; tocar para frente o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Porém, tudo isso chega a conta-gotas e de forma tímida. Em um cenário em que a crise mundial se desdobra na Europa, há redução do crescimento da China (o FMI advertiu que a alta das commodities será interrompida), não se deve cutucar a onça com vara curta. São precárias as salvaguardas brasileiras ante uma crise mundial que inexoravelmente produzirá mudança de sinal no balanço de pagamentos brasileiro. Há um discurso eufórico que desconhece vulnerabilidades. Nas palavras de Gonçalves: "É visível a crescente vulnerabilidade externa estrutural brasileira em função do aumento do passivo externo financeiro".

A Argentina expropriou a YPF. Luiz Carlos Bresser-Pereira publicou na "Folha de São Paulo", no dia 23, um brilhante artigo: "A Argentina tem razão". A mídia internacional chegou a falar "de um tribunal internacional". 62% dos argentinos apoiam a medida. O FMI declarou que a matéria é de soberania. Não mergulharei em detalhes sobre a escandalosa privatização da YPF feita pelo neoliberal Carlos Menem. É incrível nenhum tribunal internacional ter se pronunciado sobre a auditoria externa que "escandalosamente" subestimou (para baratear) o patrimônio estatal argentino. Bresser-Pereira mostra a competência do governo argentino nessa medida.

Diz: "Não faz sentido deixar sob o controle estrangeiro um setor estratégico para o desenvolvimento do país". Se a recuperação pela Argentina de um ativo estratégico gera tal reação, nós brasileiros deveríamos, de forma inequívoca, nos aliar ao país irmão. Argentina solicitou à Maria das Graças Foster, presidente da Petrobras, que o Brasil aumentasse sua participação na produção de petróleo na Argentina de 8% para 15% (a principal razão da expropriação foi a medíocre atuação da Repsol em produção de petróleo na Argentina). Além das óbvias implicações no balanço de pagamentos, a Argentina, um país de clima temperado, necessita manter suas residências aquecidas no inverno, lhe é vital aumentar sua disponibilidade energética. Desconheço detalhes, mas pelo menos uma empresa chinesa foi convocada pela Argentina. Nesta questão, o Brasil não deveria vacilar em apoiar o país irmão.

A política de outorga de lotes nas reservas brasileiras, e principalmente concessões no pré-sal, é para o Brasil um erro estratégico. Sei que durante o governo Lula e no atual o Brasil conseguiu colocar um brasileiro no 6º (ou 8º) lugar na lista de maiores fortunas mundiais. O interessante é que esse salto aconteceu sem a produção de nada, apenas metamorfoses patrimoniais consagradas pela valorização de ações do empreendedor vendidas a capitais internacionais. Faz um estranho contraponto com a correta elevação do poder de compra do salário mínimo real colocar uma fortuna brasileira baseada em valorização de lotes de petróleo no pódio dos grandes patrimônios individuais. Façamos votos para que no futuro não tenhamos que enfrentar a maldição de país primário-exportador de petróleo. Ainda é tempo para não expor a soberania de um país que, no Atlântico Sul, pode vir a ser "dono" da terceira maior reserva mundial de petróleo. Há enorme risco geopolítico nessa matéria.

Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa é professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES.

Fonte: Valor Econômico

Esquerda x esquerda:: Francisco Bosco

De saída, um protesto: que alguns tenham estranhado publicamente o fato de Roberto Schwarz ter demorado 15 anos para escrever sobre “verdade tropical” atesta o quão avançada está a lógica jornalística da “ordem do dia”, a ponto de se evocá-la mesmo diante de um acontecimento inequívoco de pensamento. Isso só confirma o diagnóstico do filósofo Christoph Türcke, de que vivemos numa “sociedade excitada”, viciados em estímulos que se exaurem rapidamente e exigem substituição. Ora, o pensamento não obedece a essa lógica. O pensamento não deve chegar a tempo, mas no tempo, cujo sentido ele tem por tarefa revelar (daí a relação estabelecida por Agamben entre o contemporâneo e o inatual). Assim, não apenas Schwarz, com o atraso constitutivo do pensamento (e sua mundialmente reconhecida inteligência), abre e revela o tempo histórico da matéria narrada por seu objeto, como essa abertura se mostra absolutamente contemporânea: as questões em jogo permanecem vivas e irresolvidas.

O ensaio de Schwarz, reunido no livro “Martinha versus Lucrecia”, divide-se em dois tempos. No primeiro , um Caetano jovem e provinciano alia-se ao desejo das artes de “romper com a herança colonial de segregações sociais e culturais (...) e saltar para a linha de frente da arte moderna, fundindo revolução social e estética”. É o momento, anterior ao golpe de 64, em que se deu o “encontro explosivo” de “experimentalismo artístico sem fronteiras nacionais, subdesenvolvimento, radicalização política, cultura popular onipresente e província, além da hipótese socialista no horizonte”. Esse Caetano, percebido como alinhado às posições da esquerda da época, merece do intérprete elogios em abundância.

O idílio entre o narrador e seu intérprete é quebrado no segundo tempo do ensaio, cujo marco instaurador é a reação crítica de Caetano a uma cena do filme “Terra em transe”. Nela, o jornalista e revolucionário Paulo Martins cala a boca de um líder sindical servil e interpela o público: “Estão vendo quem é o povo? Um analfabeto, um imbecil, um despolitizado!”. Aí onde Schwarz vê um “beco histórico”, um impasse para a revolução (sem que as condições objetivas estruturais do país tivessem se atenuado; pelo contrário), Caetano viu “a morte do populismo”, com efeitos liberadores para sua interpretação e ação sobre a realidade. Schwarz lê a passagem como uma apostasia, a partir da qual Caetano se opõe ao campo da esquerda revolucionária. O tropicalismo se originaria aí, como primeiro movimento pós-moderno, “nascido já no chão da derrota do socialismo”. O astro pop nasce de uma desobrigação com a dívida social histórica com os desfavorecidos, e daí em diante aliar-se-ia ao mercado.

Discordo da interpretação. A própria divisão nítida entre um Caetano pré e outro pós-64 soa forçada. Caetano foi herdeiro de primeira hora da bossa nova, e sua revolução harmoniosa, capaz de integrar esteticamente o local e o cosmopolita, a modernidade e a tradição, cultura popular e vanguarda, pobres e ricos – foi desde o início seu modelo a ser seguido politicamente, como utopia de civilização (o Brasil precisa estar à altura da bossa nova, ele diria repetidamente). Schwarz não o ignora, mas também não percebe que esse modelo já se coadunava mal com o da esquerda convencional, de revoluções sangrentas e consecutivos regimes totalitários. E no fundo é esse e centro da questão: Caetano foi, antes e depois de 64, e continua sendo, um sujeito de esquerda crítico da esquerda. À altura de 64, os sistemas totalitários em que se tinham transformado todas as experiências do socialismo real já eram conhecidos.

Schwarz insiste, ao longo do ensaio, em afirmar que Caetano se sente à vontade no atrito, mas é avesso ao antagonismo. Nessa afirmação, o termo antagonismo é valorizado, ao mesmo tempo em que é concebido unicamente como sendo aquele a opor esquerda e direita, revolução e conservadorismo. Mas são precisamente esses termos que Caetano questiona, mantendo a negatividade (o tropicalismo, como Schwarz o reconhece, é “francamente negativo”), mas recusando traços da esquerda, tais como: certo paternalismo com a experiência popular (o que ele chama de “populismo”); a obtusidade em estética (tema do célebre discurso no festival de 68), comportamento, sexualidade; e o totalitarismo que a experiência histórica mostrou ser um devir provável do espírito revolucionário (no lugar do qual ele deseja uma revolução estrutural que não cobre os mesmo brutais custos em vidas, daí hoje seu interesse por Mangabeira Unger, que procura desenhar um processo nesses termos). Que esse desejo possa ser inviável, ou mesmo ingênuo, não o lança no campo oposto. É de se perguntar se a impossibilidade de Schwarz reconhecer a legitimidade dessa crítica não acaba por confirmar a intolerância histórica da esquerda para com a diferença.

Esse debate me concerne vivamente. Considero-me um sujeito de esquerda, mas com uma forte exigência de respeito por liberdades individuais. Que o liberalismo cada vez mais demonstre o descalibre de sua balança, em que a liberdade de alguns se dá ao custo da grande desigualdade entre todos, isso não anula o fato de que a esquerda não conseguiu dar uma resposta real ao desejo de que a igualdade entre todos não comprometa a liberdade de cada um. Dizer isso não implica sair de seu campo. A recomendação de Schwarz serve a ele mesmo: é preciso distinguir “entre antagonismos secundários e principais, adversários próximos e inimigos propriamente ditos”.

Fonte: Segundo Caderno/O Globo, 2/5/2012.

Crônica - Leandro Konder ou sambando na Alemanha:: Ivan Alves Filho

Eu só fui entender o verdadeiro sentido da palavra impacto quando, desembarcando da França, cheguei à cidade de Colônia, na Alemanha, e me vi estatelado diante daquele esplendor: a catedral toda de negro vestida, imensa, tocando quase no céu, ali estava, plantada à minha frente, à saída da estaçãozinha de trem. Uma muralha de fé aquela Catedral.

Começava para mim uma vida nova, que iria me conduzir a vários pontos da Alemanha, um país então ainda marcado pela guerra. Muitos brasileiros vivam em Colônia naquela época – início dos 70 – e, acredito, gostavam da dia a dia na cidade.

Formado por pessoas da melhor qualidade, o nosso grupo de Colônia era para lá de bom. Senão vejamos. Leandro Konder, Oswaldo Peralva, José Arthur Poerner, João Marschner, Samuel Yavelberg, Wambier, apenas para citar alguns. Era um grupo excelente e também muito unido. Quase todos nós tínhamos sido tocados do Brasil pela ditadura e fazíamos das tripas coração para sobreviver na Alemanha. Samuel era fotógrafo. Poerner trabalhava na Rádio oficial, a Deutsche Welle. Marschner era correspondente do Estadão. Tinha a turma que se virava na fábrica, como Paulão e eu, improvisado de operário numa grande gráfica, onde labutava doze horas por dia, das 18h às 6h do dia seguinte.

Leandro Konder, que dava aulas e trabalhava para a revista Visão, era um dos mais animados do grupo. Figura sempre afável e modesta, Leandro costumava embalar as noites frias da Alemanha com um quentíssimo samba-enredo, que compusera em parceria com Carlos Nelson Coutinho. Com voz afiada, cantava a letra do samba – intitulado, muito apropriadamente, O proletariado é o herdeiro da filosofia clássica alemã, se não me trai a memória -, um verdadeiro primor, que nada ficava a dever ao saudoso Stanislaw Ponte Preta. Ao que parece, a melodia era plágio de um samba famoso, mas deixa pra lá. Vamos ao que nos une, isto é, à letra do samba:

“Quando veio a burguesia,
O velho Kant se pôs a filosofar
E chegou um belo dia
A elaborar
O seu
idealismo racional,
Onde a gnoseologia
Não juntava com a moral.
Mesmo sendo uma tremenda antinomia
Fez-se um progresso na filosofia”

E o belo refrão:

“O proletariado não quer
Perder de vista esta lição:
A experiência do idealismo
Clássico alemão ”

E o samba continuava, firme no compasso:

“Hegel foi quem resolveu esse problema,
Uniu a Lógica e a História
Numa grande ontologia,
Que fez sua glória.
Ao seu idealismo genial
Dinâmico e totalizante
Mais profundo que o de Kant
Só faltava a dimensão materialista
Que lhe daria a práxis marxista”

Como se vê, um samba dialético e uma herança para proletariado nenhum botar defeito. E, de quebra, endoidar qualquer alemão, também.

Enquanto a chuva cai:: Manuel Bandeira

A chuva cai. O ar fica mole . . .
Indistinto . . . ambarino . . . gris . . .
E no monótono matiz
Da névoa enovelada bole
A folhagem como o bailar.

Torvelinhai, torrentes do ar!

Cantai, ó bátega chorosa,
As velhas árias funerais.
Minh'alma sofre e sonha e goza
À cantilena dos beirais.

Meu coração está sedento
De tão ardido pelo pranto.
Dai um brando acompanhamento
À canção do meu desencanto.

Volúpia dos abandonados . . .
Dos sós . . . — ouvir a água escorrer,
Lavando o tédio dos telhados
Que se sentem envelhecer . . .

Ó caro ruído embalador,
Terno como a canção das amas!
Canta as baladas que mais amas,
Para embalar a minha dor!

A chuva cai. A chuva aumenta.
Cai, benfazeja, a bom cair!
Contenta as árvores! Contenta
As sementes que vão abrir!

Eu te bendigo, água que inundas!
Ó água amiga das raízes,
Que na mudez das terras fundas
Às vezes são tão infelizes!

E eu te amo! Quer quando fustigas
Ao sopro mau dos vendavais
As grandes árvores antigas,
Quer quando mansamente cais.

É que na tua voz selvagem,
Voz de cortante, álgida mágoa,
Aprendi na cidade a ouvir
Como um eco que vem na aragem
A estrugir, rugir e mugir,
O lamento das quedas-d'água!

terça-feira, 8 de maio de 2012

OPINIÃO DO DIA: Fernando Henrique Cardoso: “moralismo” e novos rumos

A partir daí, Touraine, sociólogo experimentado, não propõe uma prédica "moralista", mas sim novos rumos para a sociedade. Estes, no caso da França, não podem consistir numa volta à "social-democracia", ou seja, ao que representou na sociedade industrial o acesso aos bens públicos pelos trabalhadores; muito menos ao neoliberalismo gerador do consumismo que mantém o carrossel do lucro. Trata-se de fazer o mundo dos interesses ceder lugar ao mundo dos direitos e à luta contra os poderes que os recusam às populações. É preciso libertar o pensamento político da mera análise econômica. Os exemplos de insatisfação abundam, e não só na França. Vejam-se os "indignados" espanhóis, os rebeldes da Praça da Paz Celestial de Pequim ou os atores da Primavera Árabe. Falta dar-lhes objetivos políticos que, acrescento eu, criem uma nova institucionalidade, mais aberta ao individualismo responsável e à ação social direta que marcam a contemporaneidade.

CARDOSO, Fernando Henrique, sociólogo, foi presidente da República, em Política e moral. O Globo, 6/05/2012.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Bancos reagem a Dilma e não garantem crédito maior
Urnas põem Europa na encruzilhada
Preso coronel que liderou Massacre de Carajás em 96
CPI: Demóstenes e Cachoeira tentam atrasar investigações
STF mandar soltar todos os bicheiros da cúpula do Rio

FOLHA DE S. PAULO
Europa é tomada por incertezas após eleições
Justiça manda para prisão policiais do massacre do Carajás
Governador tucano vai ser investigado pela Procuradoria
Rendimento da poupança será conhecido no ato da aplicação
Rio+20: Para coordenador da cúpula, Brasil é cauteloso demais
Venda de carros cai, e estoque é o maior desde 2008

O ESTADO DE S. PAULO
Estoque dispara e montadoras já pensam em férias coletivas
Berlim reage a Hollande e diz que não muda pacto fiscal
Gurgel vai investigar elo entre Perillo e Cachoeira
Lula deve dividir palanque com Haddad só em junho
A cada 2 horas, uma mulher é assassinada

VALOR ECONÔMICO
Mão de obra vira a principal preocupação de empresários
Estoque de carro é o maior desde 2008
Bolsa já revê as regras do Novo Mercado
Galeão agora é o 2º aeroporto brasileiro

CORREIO BRAZILIENSE
Uma bolsa sob medida para o PT nas eleições
Mudança de banco para baixar juros
Justiça manda prender PMs acusados da chacina
Alemanha garante pacto e bolsas reagem

ESTADO DE MINAS
Juros caem, mas os preços vão subir
Mortes no trânsito dobram no estado em uma década
Defesa exige ver inquérito ou bicheiro se calará na CPI

ZERO HORA (RS)
Sem dinheiro para investir, Tarso tenta seduzir europeus
Mais setores terão menos impostos

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
PT adia debate entre Rands e João da Costa
Presidente eleito toma posse dia 15 na França

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

CPI: Demóstenes e Cachoeira tentam atrasar investigações

Os advogados de Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira tentam adiar depoimento e prorrogar defesa de seus clientes para atrasar investigações da CPI

Manobras para atrasar investigação

Advogados de Demóstenes e de Cachoeira buscam ganhar tempo no Senado e na CPI

Maria Lima, Paulo Celso e Isabel Braga

BRASÍLIA - Os dois protagonistas do escândalo Cachoeira adotaram ontem manobras semelhantes para tentar ganhar tempo e evitar o avanço das investigações no Congresso. Advogado do bicheiro Carlinhos Cachoeira, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos se encontrou ontem com o presidente da CPI mista do caso, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), para tentar impedir seu depoimento marcado para a próxima terça-feira. E já avisou que o bicheiro, quando for, poderá ficar calado. Já o advogado de Demóstenes Torres (sem partido-GO), Antônio Carlos de Almeida Castro, protocolou petição para que o plenário do Conselho de Ética reabra o prazo da defesa por mais dez dias, em vez de votar hoje a admissibilidade do relatório do senador Humberto Costa (PT-PE) pedindo abertura de processo por quebra de decoro.

Ao iniciar as articulações no Congresso para assegurar que seu cliente não vá à CPI na próxima semana, ou, caso seja obrigado a comparecer, mantenha-se em silêncio, o advogado Márcio Thomaz Bastos pediu a Vital do Rêgo o acesso a todos os documentos que estão na comissão, além de mais tempo para seu cliente se preparar.

A preservação do sigilo desses documentos tem sido a maior preocupação do senador. Mas, ainda que a comissão entregue ao advogado tudo o que tem, dificilmente Cachoeira falará o que sabe à comissão.

- Dia 15, não acho que dá. Precisamos do tempo necessário para ler tudo - afirmou Thomaz Bastos, lembrando que, mesmo que compareça forçado à CPI, Cachoeira poderá se manter em silêncio. - Se não tivermos acesso ao material, é muito difícil ele depor. Ele vai obedecer a todas as prescrições da CPI, mas lembramos que ele pode recorrer ao direito de não falar.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) criticou a possibilidade de o depoimento de Cachoeira ser adiado. E levantou a possibilidade de o advogado do contraventor ter pedido o adiamento já sabendo que o cliente poderá ser solto. Um pedido de habeas corpus para a soltura de Cachoeira poderá ser julgado hoje no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

- O advogado pratica advocacia, mas nós temos que olhar qual a melhor maneira de fazer fluir o inquérito. O doutor Márcio Thomaz Bastos é um brilhante advogado. Se ele quer ganhar uma semana, é porque ele deve ter informação de que o habeas corpus deverá ser concedido. Por isso, a primeira coisa a olharmos é para o habeas corpus do Carlinhos Cachoeira. Alguém tem dúvida de que o Cachoeira solto interfere na produção de prova? Ele preso interfere! - criticou Miro.

Ataque ao relatório do Senado

Em outra frente de investigação, o Conselho de Ética do Senado, o advogado de Demóstenes Torres também quer mais tempo para refazer a defesa do senador, com o argumento de que o relator Humberto Costa centrou seu parecer numa hipótese de quebra de decoro não incluída entre as cinco citadas na representação do PSOL.

- Basta uma simples análise comparativa da representação formulada pelo PSOL e do relatório para verificar que o mencionado relatório extrapolou o âmbito e os limites da representação, trazendo inúmeras hipóteses novas sobre as quais o senador Demóstenes simplesmente não teve a oportunidade de se manifestar, de tecer esclarecimentos, de apresentar documentos e arrolar testemunhas - argumentou Almeida Castro em sua petição.

Ele cita como exemplo a parte do relatório em que Humberto Costa se refere à ausência de Demóstenes, sempre muito assíduo, a uma votação da criminalização dos bingos, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Segundo o advogado, nesse dia, 5 de novembro de 2008, Demóstenes estava licenciado, em viagem oficial como observador parlamentar dos trabalhos da 63ª Assembleia Geral da ONU.

Almeida Castro quer que sua petição seja aprovada hoje na reunião do Conselho de Ética, mas a disposição da maioria dos senadores do Conselho é aprovar a abertura do processo de cassação de Demóstenes. O pedido de mais prazo para a defesa, com base em fatos novos, porém, pode inflamar o debate.

- Em princípio, eu devo votar pela abertura do processo no conselho. Mas no conselho é uma coisa, e no plenário é outra bem diferente. Eu não conheço o voto dos outros senadores. Não posso afirmar se aprova (a cassação) - avalia o vice-presidente do Conselho de Ética, Jayme Campos (DEM-MT).

O senador Lobão Filho (PMDB-MA) afirmou que, apesar de ter que presidir a Comissão de Assuntos Econômicos no mesmo horário, tentará votar a favor da abertura de processo contra Demóstenes. Mas tem dúvidas sobre se o cassaria.

- É claro que sou a favor da abertura no conselho. É bom para ele, que se julga inocente e terá como se defender. Mas, se você me perguntar hoje se eu o cassaria, ainda não posso responder. Se ficar provado que a relação dos dois extrapolou a relação de amizade, aí tem que cassar. Mas, se for apenas amizade, ganhar fogão etc., é pouco para cassar o mandato de um senador. Para cassar, a relação tem que ter envolvimento de dinheiro - disse Lobão Filho.

Fonte: O Globo

Falcão defende apurar denúncias contra petistas

Presidente do partido diz que militantes não são cúmplices de crime

SÃO PAULO. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, evitou ontem defender a expulsão de membros do partido envolvidos nas irregularidades tratadas na CPMI do Carlinhos Cachoeira, no Congresso Nacional. O dirigente petista pregou que as denúncias devem ser devidamente apuradas antes de mais nada e defendeu os integrantes da legenda.

A CPMI discute nesta semana a convocação dos governadores do Estado do Rio, de Goiás e Distrito Federal. No caso do governador Agnelo Queiroz, do PT, as gravações da Polícia Federal indicam suposta ligação do seu ex-chefe de gabinete Claudio Monteiro com o esquema. O deputado federal Rubens Otoni, também do PT, é investigado pela Corregedoria da Câmara por suposto envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

- Eu não vou criar essa igualdade, porque as denúncias que são feitas precisam ser apuradas, e, a partir daí, cada partido toma as suas decisões. Nós não estamos preocupados com isso, porque os nossos militantes não estão envolvidos com essa organização criminosa - afirmou o presidente do PT.

O secretário-geral nacional do PT, Elói Pietá, pregou cautela e defendeu que, antes de uma convocação, é necessário que os parlamentares que compõem a CPI conheçam a fundo as operações Vegas e Monte Carlo, da PF. Ele destacou que, caso sejam provadas irregularidades contra petistas, o partido possui mecanismos, como comissões disciplinares, para avaliar um eventual desligamento.

Fonte: O Globo

Gurgel pede dados sobre contratos da Delta no Rio

Procurador-geral já solicitou abertura de inquérito contra governador de Goiás, que pediu para ser investigado

Roberto Maltchik

BRASÍLIA. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, solicitou informações aos órgãos de controle para identificar possíveis irregularidades em contratos entre a Delta Construções e o governo do Rio. Com a documentação, Gurgel avaliará se cabe ou não a abertura de pedido de investigação contra o governador Sérgio Cabral (PMDB). Cabral é amigo do ex-presidente da Delta e principal acionista da empresa, Fernando Cavendish.

No caso dos contratos da Delta no Rio, Gurgel quer saber o conteúdo de possíveis ações na esfera cível que liguem a Delta ao governo do Rio. Por isso, expediu ofícios à Procuradoria da República no Rio, ao Tribunal de Contas da União e à Controladoria Geral da União, nos quais pede dados sobre irregularidades já detectadas em contratos com a empreiteira e que receberam verba federal. Gurgel ressaltou que a medida não significa haver elementos para pedir abertura de investigação contra Cabral:

- Estamos solicitando algumas informações preliminares, basicamente a respeito de contratos que envolvem a Delta. É um momento preliminar para essas informações iniciais. Não há ainda qualquer iniciativa no sentido de instauração de inquérito.

A Delta, segundo informações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, sustentava as operações do grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira no Centro-Oeste. O ex-diretor da empresa na região, Cláudio Abreu, foi preso em abril pela Polícia Civil do Distrito Federal num desdobramento da Monte Carlo. As interceptações da PF indicam que Cavendish conhecia Cachoeira e que outros dirigentes da empresa também tinham contato com o grupo.

Gurgel confirmou que pedirá a abertura de inquérito contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), a pedido do próprio político. Perillo é citado inúmeras vezes em interceptações da Monte Carlo. Em uma delas, o governador telefona a Cachoeira para parabenizá-lo por seu aniversário. O tucano admite relação social com o bicheiro, mas nega que o tenha beneficiado em contratos públicos. Cachoeira também foi flagrado pela PF negociando indicação de servidores de segundo escalão.

- Como o governador se diz interessado, devemos pedir a instauração de inquérito - afirmou o procurador, ao destacar que continua analisando informações sobre a atuação do grupo de Cachoeira em Brasília, que podem resultar até mesmo na abertura de novos inquéritos, além do pedido de investigação contra Agnelo Queiroz (PT), remetido em abril ao STJ:

- Há outros fatos que estão sendo analisados pela PGR e que poderão vir a motivar novos inquéritos.

Fonte: O Globo

PMDB é contra convocar governadores em bloco

"São situações diferentes", diz presidente da CPI

O PMDB vai tentar impedir que a CPI do Cachoeira inclua o governador do Rio, Sérgio Cabral, na discussão dos supostos envolvimentos dos governadores de Goiás, Marconi Perillo, e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, com o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira. A oposição, em especial o PSDB, quer a votação em bloco dos pedidos de convocação de governadores dentro da CPI. Líderes do PMDB reforçaram ontem o discurso de que Cabral não é citado nas investigações e que não pode ser incluído no escândalo por causa de sua amizade com o dono da empreiteira Delta, Fernando Cavendish, que se afastou do comando da empresa.

A estratégia de defesa de Cabral feita pelo PMDB poderá ser colocada em prática com apoio do presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que afirmou que não vai permitir a votação em bloco dos pedidos de convocação dos três governadores.

Ressaltando que sua posição é de presidente da CPI e não de integrante do PMDB, Vital do Rêgo argumentou que as situações dos governadores são diferentes e que só se vota em bloco quando as situações são iguais:

- São fatos diferenciados. As provas são diferentes, os posicionamentos são diferentes. Não existe votação em bloco. São situações jurídicas diferentes de A, B ou C. Como presidente, não discuto convocação de A, B ou C (em bloco).

Cabral telefonou semana passada para peemedebistas como o vice-presidente Michel Temer e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). Dentro do PMDB, embora a tática seja de evitar sua convocação, alguns acham que seria uma oportunidade de Cabral acabar com as especulações. O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), considera desnecessária a convocação:

- Para chamar um governador a CPI, qualquer CPI, tem que haver fato específico. Os fatos que apareceram sobre o governador Cabral até o momento são fotos da viagem a Paris. Aquilo pode ser chamado de tudo, menos de efeito Cachoeira.

Renan afirmou que falou semana passada com Cabral, que reiterou a amizade com Cavendish:

- Chamar o governador para falar sobre o quê? Não há relação com Cachoeira.

Fonte: O Globo

Gurgel vai investigar elo entre Perillo e Cachoeira

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, informou ontem que vai pedir abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), por suposto envolvimento com a organização do contraventor Carlinhos Cachoeira. O próprio Perillo havia pedido a investigação

Sob pressão do PT, procurador-geral abre inquérito contra Perillo no STJ

Caso Cachoeira. Gurgel faz primeiro pedido de abertura de inquérito contra governador de Goiás para apurar suspeitas de ligações do tucano com o contraventor; governador petista do DF também está na mira e PGR já solicitou investigação que envolve Sérgio Cabral

Fábio Fabrini

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que pedirá a abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o governador de Goiás,
Marconi Perillo (PSDB), por envolvimento com a organização do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A decisão ocorre duas semanas após o procurador ter anunciado a mesma intenção em relação ao governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), o que motivou forte pressão do PT contra o procurador-geral. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), também está no foco da Procuradoria-Geral da República (PGR), que vai analisar contratos da Delta Construções, suspeita de ligação com o esquema, com o governo fluminense. O peemedebista é amigo do principal acionista da empreiteira, Fernando Cavendish. Juntamente com secretários de Estado, Cabral aparece ao lado de Cavendish em fotos de uma viagem a Paris, o que causou constrangimento ao governador e ao partido.

Suspeito de receber pagamentos e de se beneficiar de doações eleitorais da quadrilha, supostamente em troca de favorecimento em contratos públicos, Perillo é o primeiro alvo de um pedido de investigação na Corte. Ele próprio se antecipou e, por meio de sua defesa, já havia pedido a apuração dos fatos no mês passado, após a divulgação de informações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal na mídia. Lembrando a solicitação de Perillo, Gurgel não quis, ontem, avaliar as denúncias. "Como o próprio governador se diz interessado em que sejam devidamente apuradas essas notícias, então nós devemos, diante dessa manifestação, pedir ao STJ a instauração de inquérito", afirmou, durante evento do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em Brasília. Os áudios obtidos pela PF indicam que aliados de Cachoeira fi-zeram pagamentos dentro do Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. Escutas também mencionam repasses a integrantes do primeiro escalão. A chefe de gabinete do governador, Eliane Gonçalves Pinheiro, pediu demissão após a revelação de que recebeu do esquema de Cachoeira dados de uma operação policial e os repassou a um prefeito. Carlinhos Cachoeira foi preso pela Polícia Federal no dia 29 de fevereiro numa casa que pertenceu ao governador tucano.

Agnelo. O pedido de inquérito contra Perillo ocorre depois de Gurgel manifestar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a intenção de investigar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), o que levou a pressões, no campo governista, para que o tucano também entrasse no radar da PGR. Por solicitação de Gurgel, o ministro Ricardo Lewandowski autorizou, no mês passado, o desmembramento do inquérito em tramitação no STF para que dados sobre Agnelo, colhidos na Monte Carlo, pudessem fundamentar uma eventual investida no STJ. Ontem, o procurador adiantou que a análise de documentos e i nterceptações telefônicas pode levar a um novo pedido de investigação contra o petista, que já responde no STJ por supostas irregularidades cometidas em suas gestões no Ministério do Esporte e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. "Em relação ao governador Agnelo, há já inquérito em andamento no STJ e há outros fatos que estão sendo agora examinados pela PGR e que poderão vir a motivar novos inquéritos", informou Gurgel. Apontado como o "01 de Brasília" por integrantes da quadrilha de Cachoeira, Agnelo teria pedido encontro com o c ontraventor, segundo escutas da Polícia Federal. Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do petista, pediu afastamento após a revelação de que teria recebido pagamentos da organização, que negociava nomeações e facilidades em contratos da Delta Construções.

Três governadores. As investigações da PGR trazem complicações políticas a governadores dos três maiores partidos do País (PMDB, PT e PSDB) e criam dificuldades à blindagem política montada na CPI do Cachoeira, que, por ora, não aprovou a convocação de nenhum deles. "Em relação ao governador Sérgio Cabral, estamos solicitando informações preliminares à CGU (Controladoria-Geral da União), ao TCU (Tribunal de Contas da União) e à própria Procuradoria da República no Rio, basicamente a respeito de contratos que envolvem a empreiteira Delta", afirmou. "É um momento preliminar. Não há ainda iniciativa para instauração de inquérito", explicou Gurgel.

Colaborou Luciana Nunes Leal

Fonte: O Estado de S. Paulo

Delta usou Cachoeira até para monitorar TCU

Diálogo mostra braço direito do contraventor fornecendo informações sobre processo de obra da construtora no tribunal

Alfredo Junqueira

BRASÍLIA - A Delta Construções usou dos serviços do grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira para monitorar as investigações de superfaturamento em uma das mais importantes obras da empresa no Estado do Rio de Janeiro: a construção da nova sede do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo mostram o ara-ponga Idalberto Matias Araújo, o Dadá, dando informações ao então diretor da empresa no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, sobre processo do Tribunal de Contas da União (TCU) que apurava sobrepreços e pagamentos em duplicidade na empreitada. “Aquele outro negócio que você me pediu está bem adiantado.

Aquele instituto lá do Rio de Janeiro, que estava no TCU, entendeu? E aí o pessoal foi lá e buscou”, diz Dadá, em escuta de 9 de agosto do ano passado. “Ah, entendi. Pois é. Dá notícia daquilo lá. Aquilo é muito importante da gente saber”, responde Abreu. O diálogo entre o araponga e o executivo da Delta ocorreu uma semana após a divulgação das conclusões de uma investigação da Controladoria-Geral da União (CGU) que apontava pagamentos irregulares na segunda fase da obra. Segundo o relatório de auditoria anual de contas da CGU (n.º201108819), houve um sobrepreço de R$ 23,5 milhões nos valores pagos à Delta. Também foi constatada uma cobrança em duplicidade avaliada em R$ 3,4 milhões. Como a segunda fase da obra estava orçada em R$ 63,9 milhões, os valores pagos irregularmente à construtora – R$ 26,9 milhões – representavam 42% do total.

Em março, o TCU confirmou ter constatado sobrepreço no valor de R$ 20,9 milhões nos pagamentos feitos à Delta pela construção do Into e condicionou a liberação dos valores à apresentação de garantias. A decisão é preliminar e ainda cabe recurso. No total, a obra da nova sede do Into, que fica no antigo prédio do Jornal do Brasil, zona portuária do Rio, consumiu R$ 198,10 milhões entre 2008 e 2012 – segundo dados do Portal da Transparência do governo federal. A Delta recebeu R$ 192,8 milhões, o que corresponde a 97,36% do total desembolsado. Os pagamentos saíram do Fundo Nacional de Saúde e r epresentaram a segunda maior fonte de faturamento da construtora no governo f ederal entre 2008 e 2010. Apenas o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) desembolsou mais em favor da Delta – principal executora de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Outro lado. Em nota, o Into informou que suspendeu os pagamentos à Delta em dezembro de 2010, depois que foi notificada pela CGU. “Essa medida foi tomada oito meses antes da divulgação da auditoria anual de contas da própria CGU, em agosto de 2011. Com isso, evitou-se qualquer eventual dano aos cofres pú-blicos. A decisão de suspensão dos pagamentos à c onstrutora foi endossada pelo TCU.” Também por nota, a Delta disse que desconhece “completamente o assunto”, ressaltando que, sempre que necessário, constitui advogados para representá-la no TCU e na CGU – “órgãos de controle que se regem por regras, normas e ritos processuais rígidos”, informa a empresa.

Advogado tenta adiar depoimento de contraventor na CPI

A CPI do Cachoeira deverá analisar hoje se acata ou não o pedido do advogado de Carlinhos Cachoeira de adiar seu depoimento, previsto para o dia 15. Em r eunião ontem à tarde com o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), Marcio Thomaz Bastos, advogado do contraventor, alegou que “não é adequado” seu cliente depor sem ter tido acesso aos documentos das operações Vegas e Monte Carlo. Com o pedido, o advogado quer ganhar tempo até que o Superior Tribunal de Justiça julgue um habeas corpus em favor de Cachoeira. A Procuradoria Geral da República defendeu ontem, em parecer ao STJ, que o contraventor continue preso para “neutralizar ou, ao menos, enfraquecer seu poder de articulação e penetração que sabidamente exerce na sociedade”.

Irregularidade

R$ 192,8 mi dos R$ 198,1 milhões do valor total da obra da nova sede do Into foram pagos à Delta R$ 20,9 mi é o valor do sobrepreço pago à Delta constatado pelo TCU

Fonte: O Estado de S. Paulo

Bancos reagem a Dilma e não garantem crédito maior

Pela primeira vez desde que foram atacados pela presidente Dilma Rousseff em cadeia nacional por causa dos juros altos e dos spreads, os bancos se pronunciaram. O economista-chefe da federação dos bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, disse, em relatório divulgado ontem, que o setor não pode garantir aumento da oferta de crédito, como deseja o governo, para assegurar o crescimento econômico. Sardenberg alfinetou, no mesmo texto: "Alguém já disse que você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber a água." Procurados, interlocutores de Dilma retrucaram: "Você não pode obrigar um cavalo a beber água, mas ele também pode morrer de sede."

Briga de "cavalo" grande

Federação de bancos põe em dúvida estratégia de Dilma no crédito. Governo reage

Roberta Scrivano, Martha Beck

SÃO PAULO e BRASÍLIA - Uma semana depois de terem se transformado em alvo da artilharia da presidente Dilma Rousseff para reduzir os juros, os bancos reagiram. Na véspera do Dia do Trabalho, a presidente foi à TV no horário nobre e criticou a "lógica perversa" do sistema financeiro, chamou de "roubo" as tarifas cobradas para administrar fundos de investimento e pediu queda urgente das taxas cobradas a consumidores e empresas. Ontem, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), enfim, se pronunciou. E não hesitou em apelar para a metáfora:

"Alguém já disse que você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber a água", escreveu Rubens Sardenberg, economista-chefe da federação, que divulgou ontem um relatório e pôs em dúvida a eficácia das medidas oficiais para estimular a concessão de empréstimos e aquecer a economia. Interlocutores da presidente Dilma reagiram com ironia ao relatório. Ao ouvir a frase, um técnico rebateu:

- Você não pode obrigar um cavalo a beber água, mas ele também pode morrer de sede.

Para a Febraban, não há garantia de uma "ampliação significativa da oferta de crédito doméstica" nos próximos meses, apesar do cenário de queda acelerada da taxa básica de juros, a Selic. Na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que "o crédito não está crescendo a contento" e que os "bancos são um pouco resistentes".

Intitulado "Informativo Semanal de Economia Bancária", o relatório é o resultado de uma consulta feita pela própria Febraban junto aos bancos sobre as principais estimativas dos bancos. No texto divulgado ontem, não há menção sobre a pressão do governo. O texto de Sardenberg diz que "a mudança nas regras da poupança funcionou como estímulo adicional para o mercado trabalhar com a expectativa de novos cortes na Selic". Mas, em seguida, pondera que a "questão que se coloca agora é até que ponto essas reduções (de juros e da remuneração da poupança) vão estimular a ampliação da oferta de crédito". Para a Febraban, o país vive hoje um paradoxo econômico, que funciona como obstáculo para os objetivos do Planalto. "A piora dos indicadores, especialmente os externos, abre espaço para quedas adicionais dos juros básicos, mas ao mesmo tempo parece impor uma cautela adicional aos agentes econômicos".

Desgaste com lista de reivindicações

Os dados de inadimplência nos empréstimos, que se refletiram nos balanços do primeiro trimestre dos grandes bancos, preocupam os banqueiros em relação ao aumento da concessão do crédito. Há ainda outro fator, que é a expectativa de a Selic voltar a subir em 2013, o que também inibiria a expansão das carteiras. "É possível criar condições mais favoráveis à expansão do crédito reduzindo as taxas básicas, mas uma ampliação efetiva das operações passa por uma postura mais agressiva, tando dos emprestadores como dos tomadores de crédito, que por sua vez depende de expectativas econômicas mais otimistas".

Pela pesquisa que acompanha o relatório, os bancos reduziram sua projeção para a expansão da carteira de crédito neste ano: de 16,6%, no levantamento feito no mês passado, para 16,2%. Quanto à trajetória da Selic, 59,3% dos economistas consultados pela Febraban esperam que a taxa básica de juros (em 9% ao ano) volte ao patamar de 10% em dezembro de 2013.

Para a equipe econômica, as taxas de juros atuais são incompatíveis com as condições de solvência da economia e deveriam se equiparar ao padrão internacional de taxa. Os bancos públicos foram escolhidos como ponta-de-lança dessa disputa. Só o Banco do Brasil já anunciou três mudanças de juros desde o mês passado.

Um fator adicional de estresse entre bancos e governo, segundo analistas, é o desgaste do presidente da Febraban, Murilo Portugal. Em reunião em abril, Portugal disse que a redução mais rápida das taxas de juros dependeria de vários outros pontos, como a queda da inadimplência e a redução dos compulsórios (dinheiro que os bancos têm de repassar ao BC). Para o governo, essa postura mostrou que os bancos não querem reduzir margens de lucro:

- Quem apresenta uma lista com duas demandas quer resolver um problema. Já quem apresenta uma lista com 23 não quer tratar de nada, apenas criar dificuldades - disse um interlocutor da presidente.

Portugal participou ontem de um seminário, mas não falou sobre juros. Procurada para comentar o relatório do seu economista-chefe, a Febraban disse que não se pronunciaria.

Oficialmente, o Planalto preferiu não comentar o relatório, mas reservadamente os técnicos destacam que, embora a presidente esteja travando uma queda de braço pela redução dos spreads, das tarifas e pelo aumento do crédito, ela sabe que não há como obrigar os bancos a fazerem isso.

- O que vai fazer os bancos agirem é o próprio mercado - disse uma fonte.

Fonte: O Globo

Rendimento da poupança será conhecido no ato da aplicação

Juro da poupança pode mudar 1 vez por mês

Investidor saberá, ao depositar, rendimento dos 30 dias seguintes; taxa só pode mudar no aniversário da caderneta

Poupador que já tinha conta terá dinheiro separado em dois lotes, um pelas regras antigas e outro pelas novas

Sheila D’Amorim

BRASÍLIA - Para que os poupadores saibam quanto vão ganhar na caderneta quando as novas regras forem usadas, o governo definiu que o cliente será informado, na data do depósito, de qual será o rendimento creditado 30 dias depois.

A ideia, segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Babosa, é manter uma das características que fazem com que esse investimento seja popular: a facilidade de compreensão.

Pela regra em vigor até a semana passada, a caderneta assegurava ganho fixo de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais a variação de TR (Taxa Referencial). Essa taxa se aproxima de zero quanto menor for o juro básico da economia estabelecido pelo Banco Central (a Selic).

Com a nova regra, se o BC reduzir os juros do patamar atual de 9% ao ano para 8,5% ao ano ou menos, a variação da TR é mantida, mas a remuneração fixa de 0,5% ao mês da caderneta passa a ser variável: 70% da Selic. E isso dificulta que poupadores saibam quanto vão ganhar.

A saída foi usar como base para o cálculo da rentabilidade o valor anual dos juros definido pelo BC a cada reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que é a meta da Selic, e não a variação diária da taxa.

Data de aniversário

Para antecipar o ganho que terá 30 dias depois, o poupador deverá sempre considerar a Selic vigente no dia em que ele efetuou o depósito.

Assim, se a Selic estivesse hoje em 8,5% ao ano, o novo gatilho estaria acionado e uma pessoa que depositasse R$ 1.000 na sua conta de poupança saberia que iria receber, em 8 de junho, remuneração equivalente a 5,95% ao ano (70% de 8,5% ao ano) mais a TR do período.

Isso estaria assegurado mesmo que, no dia 30 deste mês, quando há reunião do Copom, o BC decidisse reduzir a Selic para 7% ao ano. Nesse caso, a nova taxa fixada pelo BC só seria considerada no cálculo do rendimento da poupança no próximo aniversário da caderneta.

Na internet

Segundo a Folha apurou, para evitar que os poupadores precisem fazer vários cálculos, o BC divulgará diariamente o rendimento da poupança no seu site.

Para quem já tinha uma poupança aberta antes de sexta passada, na prática, será como se sua aplicação fosse dividida em dois lotes.

Um deles, correspondente à parcela que já estava no banco até 3 de maio, tem rendimento fixo de 6,17% ao ano mais TR até o dia em que a conta for encerrada.

O outro só será corrigido dessa forma enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano. A partir daí, o ganho passa a variar de acordo com o nível da taxa básica de juros.

A menos que o poupador exija o contrário, no caso de saque parcial, o banco irá retirar a quantia sempre do lote com rendimento variável. Para o governo, isso garante que o cliente preserve a parcela que rende mais.

Fonte: Folha de S. Paulo

Hollande deve logo taxar bancos e iniciar reformas

Assis Moreira

GENEBRA - O presidente eleito da França, o socialista François Hollande, promete lançar reformas rapidamente, ao assumir no dia 15, incluindo uma vasta alteração no modelo dos bancos e a taxação adicional de 15% sobre o sistema financeiro.

Durante a campanha, Hollande apontou as finanças como seu verdadeiro adversário. No domingo, em plena comemoração pela vitória, na praça da Bastilha, em Paris, a socialista Ségolène Royal, sua ex-companheira e candidata derrotada à Presidência há cinco anos, avisou que os bancos davam as ordens, mas agora vão obedecer.

O plano Hollande é deflagrar uma reforma bancária para assegurar que os depósitos dos poupadores irriguem a economia real, e não atividades de trading. Ou seja, separar as atividades dos bancos para investimentos e empregos de suas operações ditas especulativas.

Diante de temores crescentes do setor, Hollande avisou que não quer impedir os bancos de varejo de possuir uma atividade de investimento. Mas o que visivelmente quer é, assim como a lei Volcker nos EUA, que eles sejam proibidos de especular por conta própria.

Como parece ser sua prática, Hollande criará primeiro um "grupo de trabalho" para inclusive compatibilizar o plano francês com o que a própria Comissão Europeia vem examinando.

Além da reforma bancária, o novo presidente se comprometeu durante a campanha a aumentar a taxação sobre os bancos em 15% e criar uma taxa sobre todas as transações financeiras. Também prometeu uma lei para limitar o preço das taxas cobradas pelos serviços bancários, para baixar os custos cobrados dos correntistas.

Além disso, com vistas à eleição legislativa dentro de cinco semanas, na qual tentará obter maioria para poder levar adiante seus planos, Hollande adotará tanto medidas simbólicas, como o corte de 30% em seu salário e de seus ministros, quanto congelamento no preço do combustível.

O novo presidente francês sinalizou numa entrevista duas soluções que apresentará à Alemanha para atenuar a política de austeridade imposta na Europa desde 2008. Primeiro, um acordo para criação dos eurobônus, o que Berlim até agora rejeitou. E segundo, autorizar o financiamento direto dos Estados pelo Banco Central Europeu (BCE).

Num debate durante a campanha, Hollande reclamou da incoerência de o BCE emprestar aos bancos com juros de 1%, e os bancos em seguida comprarem títulos soberanos por cerca de 5%. Ou seja, agora a ideia é que os Estados tenham acesso direto ao BCE, algo que a Alemanha também rejeita.

Ontem, as bolsas reagiram bem à vitória socialista. Em Paris, o índice CAC-40 subiu 1,65%. Apesar do discurso contra os bancos, a percepção de investidores é que Hollande colocará mais foco no crescimento, o que pode ser positivo para a economia em geral.

Fonte: Valor Econômico

Socialista francês recebe apoio de quase todos os líderes do G-20

Comissária Europeia que brigara com Sarkozy por expulsão de ciganos comemora no Twitter: "Enfim uma França justa"

PARIS - A vitória de François Hollande nas eleições da França ganhou grande espaço na imprensa europeia. Depois da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que estiveram entre os primeiras a parabenizá-lo, Hollande recebeu o apoio de vários líderes do G-20, entre os quais o do primeiro-ministro conservador britânico, David Cameron, que apoiara Nicolas Sarkozy nas eleições. Cameron desejou sorte a Hollande na condução da França e disse esperar "uma relação muito próxima" com o novo presidente.

Na imprensa, a repercussão da eleição francesa também foi mundial. A revista alemã Der Spiegel advertiu que "haverá alguns momentos difíceis para Angela Merkel quando ela reencontrar Hollande pela primeira vez".

Já a versão alemã do Financial Times advertiu: "Tomando posição de forma inabitual contra Hollande, Merkel permitiu que ele conquistasse um perfil forte à custa da Alemanha". Nos Estados Unidos, o Washington Post classificou Hollande como "um socialista moderado e de sorriso fácil", enquanto o New York Times antecipou que Wall Street esperaria para saber mais sobre o socialista.

China. Na mídia e no meio político, alguns concentraram o foco na despedida de Sarkozy. O presidente americano, Barack Obama, lembrou "as qualidades de chefe, sua amizade e sua cooperação em um período difícil", além de desejar "melhores votos a Sarkozy e sua mulher, Carla".

O presidente chinês, Hu Jintao, enviou uma carta de felicitações. Já a comissária europeia de Justiça, Viviane Reding, foi menos generosa. Em 2010, ela chegou a comparar a política de imigração de Sarkozy às perseguições da 2.ª Guerra. Pelo Twitter, ela vibrou ontem: "Enfim uma França justa!". / A.N.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Itália: centro-esquerda avança em eleição municipal

Partidos da centro-esquerda, aliados aos verdes, avançaram com força para o segundo turno em grande parte das 768 prefeituras onde ocorreram eleições na Itália no domingo e na segunda-feira, informou a agência Ansa, ao citar contagens parciais dos votos. A centro-esquerda ou até mesmo a esquerda parecem na iminência de conquistar as Prefeituras de Palermo, Gênova e Parma no segundo turno. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos, ocorrerá segundo turno no dia 20 de maio. A participação do eleitorado foi de 66,9% e ficou abaixo dos 73,7% de participação da última eleição. Cerca de 7,1 milhões de italianos votaram ontem e hoje, ou 15% do eleitorado total do país. Roma, Milão, Turim e Nápoles elegeram os prefeitos no ano passado.

"Tivemos uma derrota nessa eleição. Pagamos um preço que sabemos pagar pelo bem da Itália. Mas não foi uma derrota total", disse Angelino Alfano, secretário-geral do Partido Povo da Liberdade (PDL, na sigla em italiano), de centro-direita e do ex-premiê Silvio Berlusconi. Alfano disse que o partido pagou o preço porque apoiou e apoiará até 2013 o governo do primeiro-ministro tecnocrata Mario Monti, que adotou fortes medidas de austeridade.

A Liga do Norte, partido de direita recentemente abalado por um escândalo de corrupção, só conseguiu eleger o prefeito de Verona, Flávio Tosi, com 55,7% dos votos no primeiro turno. Projeções feitas pelos institutos de pesquisa para a emissora estatal de televisão, RAI, indicam que haverá segundo turno em Gênova, onde o candidato de centro-esquerda Marco Doria obteve 46,5% dos votos (o candidato de centro-direita Enrico Musso obteve 16%); Palermo, capital siciliana onde o candidato de esquerda Leoduca Orlando (do partido Itália dos Valores) obteve 46% dos votos; e Parma, onde o candidato da centro-esquerda Vincenzo Bernazzoli conquistou 35,9% dos votos e seu adversário da centro-direita, Federico Pizzarotti, ficou com 19,9%.

Em Palermo, Orlando poderá enfrentar no segundo turno o candidato da centro-esquerda, Fabrizio Ferrandelli, que tinha nesta segunda-feira 16% dos votos. O candidato da centro-direita siciliana Massimo Costa obteve 15,4 dos sufrágios, segundo contagem parcial, e não deverá ir para o segundo turno.

"Os dados mostram que existe uma forte crise na centro-direita e no PDL, que em alguns municípios caíram para 10% dos votos, e também na Liga do Norte", disse Davide Zoggia, secretário para as prefeituras do Partido Democrático (PD), o maior da centro-esquerda.

As informações são da agência Ansa.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Mariene de Castro - Chico e Chica