sábado, 29 de maio de 2010

Jarbas anuncia vice e faz promessas

DEU NO JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Acompanhado de José Serra, senador lançou oficialmente sua pré-candidatura ao governo, confirmou Miriam Lacerda como vice e adiantou algumas promessas

Sheila Borges

Diante do presidenciável José Serra (PSDB), dos líderes da oposição e de centenas de militantes que participaram, ontem à tarde, do ato de lançamento de sua pré-candidatura a governador, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) confirmou que a deputada estadual Miriam Lacerda (DEM) é a sua pré-candidata a vice e adiantou algumas promessas de campanha, sinalizando quais são as prioridades de seu futuro programa de governo. Caso seja eleito, pretende dar prosseguimento aos investimentos no Complexo Portuário de Suape e interiorizar, ainda mais, o desenvolvimento. Neste segundo ponto, citou que o Estado precisa melhorar a sua atuação nos polos da sulanca, no Agreste, da fruticultura, no Sertão do São Francisco e do gesso, no Araripe, assim como continuar as obras do Canal do Sertão e da estrada da Uva e do Vinho, também naquela região.

Para demonstrar que não estava recorrendo a um discurso falacioso, apesar de estar empolgado com a receptividade dos militantes, o pré-candidato fez questão de lembrar que não é de fazer promessas à toa. Tomou como exemplo a campanha eleitoral de 1998, quando se sagrou governador pela primeira vez, depois de derrotar, por mais de um milhão de votos – ressaltou este número –, o então governador Miguel Arraes, avô do atual governador Eduardo Campos, que faleceu em 2005. Naquela ocasião, colocou no guia eleitoral da televisão e do rádio que iria duplicar o trecho da BR-232 entre Recife e Caruaru. “Disseram que era obra federal, mas fui adiante”, falou. Ao final do primeiro mandato, frisou que tinha concluído a duplicação de 120 quilômetros da rodovia.

Nesse contexto, disse que assumia, agora, mais estes compromissos “na frente de Serra e de mais de cinco mil pessoas”, uma vez que o atual governo não estaria dando seguimento, por exemplo, aos projetos de irrigação do Sertão. “Precisamos retomar à irrigação. Não temos mais como exportar frutas (em Petrolina). Não se fez um palmo de irrigação. O projeto do Canal do Sertão precisa ser retomado”, argumentou. Para não ficar voltado só para o Sertão e o Agreste, lembrou também dos problemas enfrentados pelas usinas nas Matas Sul e Norte do Estado.

Solicitando a parceria de José Serra, frisou que a classe política deve se unir para ajudar o setor sucroalcooleiro que, no passado, chegou a empregar mais de 300 mil pessoas. Hoje, este número, de acordo com o peemedebista, está em torno dos 100 mil. “Temos que ajudar o operário, o trabalhador rural, o fornecedor de cana e os produtores”, falou.

Para animar a militância, utilizou um discurso forte e bem articulado, conclamando todos a se engajar. Primeiro, repetiu uma explicação que já tinha sido dada aos líderes políticos e à imprensa, quando, há 20 dias, externou sua decisão de disputar a eleição. “Por que estou aqui hoje depois de tanta reflexão? Aceitei (ser candidato) porque o povo de Pernambuco me pediu”. Depois, reconheceu que o momento não é fácil, mas que, sempre trabalha melhor quando é desafiado.

“Minha vida é marcada por desafios. Sempre tive mais determinação e garra quando as lutas eram desiguais, como esta agora. (...) Essa história é desigual agora. Vamos torná-la igual e vencer”, disse, referindo-se ao fato de o governador Eduardo Campos, contar com a máquina estadual e os apoios dos governos federal e do Recife. Terminou seu discurso, falando que, apesar do quadro eleitoral adverso, está tranquilo para “enfrentar” a luta. “Sei administrar a minha cabeça. Vamos voltar a governar Pernambuco”.

Jarbas: Elogios à “guerreira” Miriam, a vice, e a Raul Jungmann

DEU NO JORNAL DO COMMERCIO (PE)

O pré-candidato a governador das oposições, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), decidiu de última hora anunciar, na festa de ontem, o nome de sua companheira de chapa, a deputada estadual Miriam Lacerda (DEM), que, na noite anterior, tinha conversado longamente com o peemedebista em seu escritório no Recife. Ao oficializar a sua pré-candidata a vice, frisou que o perfil dela era o mais adequado para o momento político: tem voto e força no interior, principalmente no Agreste, já que Jarbas tem maior trânsito no Recife e Região Metropolitana. Natural de Caruaru, na eleição de 2006 Miriam teve 65.839 votos e foi a deputada estadual mais votada na história do Estado.

“Aqui, no Recife, vou lutar com o povo. No interior, tenho que ter uma pessoa assim ao meu lado. Ela vai me ajudar. Esposa do ex-prefeito de Caruaru por duas vezes (Tony Gel), tem tido uma atuação extraordinária na Assembleia Legislativa. É uma guerreira”, avaliou. Visivelmente emocionada com tantos elogios, Miriam subiu ao palco e foi abraçada por todos os líderes da oposição. “Meu objetivo é vencer no Agreste. Vamos trabalhar para isso. Temos chances”, apostou. Para mostrar sua força, levou ontem uma das maiores caravanas do evento. Conseguiu mobilizar vários grupos, lotando quatro ônibus.

Agora, para completar a chapa majoritária, Jarbas terá que resolver o problema da segunda vaga para o Senado, uma vez que a primeira foi ocupada pelo candidato natural à reeleição, o senador Marco Maciel (DEM). O peemedebista não quis adiantar onde está o problema, mas frisou que está conversando com os líderes das agremiações aliadas para fechar a chapa. Sem estabelecer, contudo, um prazo. “Os partidos me delegaram a responsabilidade, mas não quero resolver sozinho”, opinou.

Quando foi indagado se o nome do deputado federal Raul Jungmann (PPS) seria o ideal, Jarbas não poupou elogios para destacar a atuação do aliado. “Raul tem as qualidades que quero. É guerreiro, ousado e fala bem”. Anteontem, o pós-comunista divulgou uma nota, explicando que não tinha sido convidado e reafirmando a sua candidatura à reeleição. Jarbas, porém, deu todos os sinais de que Raul tem mesmo as credenciais que procura e já deixou claro que o PSDB pode ficar de fora da majoritária. “Se isso ocorrer, não vou querer dizer nada. O entendimento meu com o PSDB nacional e regional é extraordinário”.

Além de Jarbas e o presidenciável José Serra, também discursaram no evento Marco Maciel e os presidentes nacionais do PSDB, Sérgio Guerra, e do PPS, Roberto Freire.

Serra promete acumular o governo com a Sudene

DEU NO JORNAL DO COMMERCIO

Presidenciável tucano aproveita ato das oposições para engordar a antiga coleção de promessas sobre a Sudene. Ele avisa que, eleito, acumulará a Presidência com o comando do órgão por seis meses

Cecília Ramos

Em um novo esforço de desconstruir a imagem de antinordestino, o pré-candidato do PSDB a presidente da República, José Serra, antecipou, ontem, na festa das oposições estaduais, no Chevrolet Hall, uma promessa inusitada. Se eleito, pretende acumular, durante seis meses, a função de presidente com a de superintendente da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A promessa foi anunciada após todos os oradores discursarem. O último foi o pré-candidato ao governo do Estado, senador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Serra, que já havia discursado por 33 minutos, pediu novamente a fala para firmar o compromisso e também criticar: “Falta planejamento para o Nordeste”.

A novidade não estava no roteiro do evento, mas Serra falou a Jarbas que anteciparia sua proposta sobre a Sudene no palco, instantes antes de o senador discursar. Depois, em entrevista, o presidenciável explicou que a intenção não era anunciar ali, mas que lhe “ocorreu a ideia”. “É um compromisso que não é de campanha. Hoje a Sudene não anda. Fecha, abre. É como se estivesse sempre inexistente. O que é que eu vou fazer?

Vou fazê-la andar”, prometeu o tucano, em entrevista.

Serra destacou à imprensa que foi “discípulo e colega” de Celso Furtado, o economista paraibano (falecido em 2004) que criou e foi o primeiro superintendente da Sudene. “Andei lendo tudo de novo a respeito dele (Furtado) e a questão do Nordeste, que mudou muito dele para cá. Então eu quero refazer aquela obra de maneira original. Nós vamos copiar o impulso do passado, mas a cópia é original”, disse o tucano.

Embora esteja desenvolto e à vontade diante das câmeras, nos debates e aparições públicas, José Serra – na visita de ontem – não estava no seu melhor momento. Fez um discurso “emperrado”, como classificou um aliado seu. Não fluiu. O tucano ia e voltava em temas, muito preocupado em agradar a plateia. Em boa parte do discurso foi propositivo e derramou elogios a Jarbas – sobretudo para defender que o “bom momento de obras vivido por Pernambuco hoje tem a palma” do senador. “Jarbas é conhecido por lutar contra unanimidades”.

Serra falou a maior parte do tempo que, se eleito, olhará para o Nordeste, embora não seja nordestino, como o presidente Lula, que nasceu em Caetés (Agreste de Pernambuco). Outra promessa que o tucano frisou foi manter o Bolsa Família e criar o Bolsa Estudante para bancar alunos em escolas técnicas. No mais, repetiu promessas feitas no Recife, há 15 dias, quando concedeu entrevista na Rádio Jornal. Entre elas, impulsionar obras federais em andamento, como a Refinaria Abreu e Lima, em Suape. O tucano aproveitou para cutucar: “A refinaria anda a passos de tartaruga”. E disse que a Ferrovia Transnordestina, que Lula visitará no mês que vem (trecho em Salgueiro), “não existe”. Também citou que continuará a Transposição do São Francisco, mas criticou que o governo atual “esqueceu projetos de irrigação”.

No palco, Serra lembrou como conheceu Jarbas e os aliados presentes (Marco Maciel, Sérgio Guerra e Roberto Freire). Contou que “ouviu falar” no nome de Jarbas quando estava no exílio (ficou 14 anos fora do Brasil). Mas só conheceu o peemedebista em 1979, quando veio ao Recife para o comício histórico em Santo Amaro que marcou o retorno do ex-governador Miguel Arraes, também exilado, ao País.

Desta vez, tucano não fez elogios a Lula

DEU NO JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Mais uma vez na “terra” do presidente Lula, o presidenciável José Serra não se arriscou a elogiar ou criticar diretamente o adversário petista. Ao contrário. Sequer mencionou o nome – na visita anterior, há duas semanas, disse que Lula estava “acima do bem e do mal”. Mas, ao mesmo tempo, Serra disse que não se sente “intimidado” ao visitar o Estado, onde a popularidade do presidente é próxima de 85% segundo recente pesquisa. “Eu me sinto à vontade aqui porque eu estou à vontade mesmo”, assinalou Serra, para dizer que a força do presidente não o assusta e não lhe tira a disposição de percorrer o Brasil.

“Para mim, fazer campanha é uma coisa prazerosa. É muito prazeroso visitar Pernambuco”, reforçou. “Eu tenho ligações aqui há décadas e décadas. Conheço a região. Conheço o Brasil todo. Para mim é estimulante vir aqui, fazer balanço das coisas, ouvir, conversar com as pessoas. Estou louco para poder ter condições de acelerar o processo de mudanças para melhor. Do Nordeste e de Pernambuco”, completou. Ao discursar, ele repetiu que é um “político nacional” e não regional. Para falar sobre o combate às drogas, discussão em alta, no momento, disse: “Quando eu entro numa briga, é pra valer. Eu não tenho receio de enfrentar adversários”.

A tropa que fez a segurança de Serra, ontem, usou da força contra populares e sobretudo jornalistas para manter o tucano longe do assédio. O próprio tucano pediu calma diante da cena. Ele se assustou com o número de pessoas no palco. “Eu já caí (de palcos) duas vezes. Vamos sair daqui, porque está perigoso. Prometo que falo com vocês (repórteres) lá embaixo (no chão)”, disse.(C.R.)

Tucano volta a acusar Bolívia de fazer 'corpo mole'

DEU EM O GLOBO

Lula posa com Evo Morales

RIO e RECIFE. O presidenciável José Serra voltou ontem a acusar o governo da Bolívia de fazer "corpo mole" em relação ao contrabando de cocaína para o Brasil. E afirmou que, se eleito, vai pressionar a Bolívia para que tome uma providência a fim de coibir o tráfico na fronteira.

O tucano fez o comentário em entrevista à Rádio Jornal do Commercio, pouco antes de viajar para Recife, onde participou da festa de lançamento da pré-candidatura do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ao governo do estado.

- A cocaína sai da Bolívia. Não só, mas principalmente. Então temos que conversar com o governo boliviano, pressionar, para que não deixe a cocaína sair. Porque lá tem toda uma cadeia produtiva de cocaína. Disse para a imprensa e repito. Com tanta cocaína vindo de lá para cá, é impossível que o governo boliviano não saiba. Está fazendo corpo mole. Não iria sair tanta cocaína se o governo fizesse alguma coisa.

Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez questão de posar para fotos ao lado do presidente da Bolívia, Evo Morales, durante o 3º Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, no Rio. O boliviano não comentou as acusações de Serra.

Tráfico: Lula em defesa de Evo Morales

DEU NO JORNAL DO BRASIL

Junto a Evo Morales, Lula ironiza Serra

Flávia Salme

RIO - Alvo de críticas do pré-candidato a Presidência José Serra (PSDB), o presidente da Bolívia, Evo Morales, foi afagado sexta-feira por Lula. Na quarta-feira, Serra acusou Morales de ser cúmplice e fazer “corpo mole” na repressão ao tráfico de cocaína que sai do país andino para o Brasil. Sexta-feira, durante o 3º Fórum Mundial da Aliança das Civilizações, no Rio de Janeiro, Lula cumprimentou Evo com entusiasmo. Ao convidá-lo a posar para os fotógrafos, disparou:

– Vamos fazer inveja no Serra.

Morales sorriu, mas não comentou a declaração do ex-governador de São Paulo. Minutos antes da foto, o presidente boliviano cancelou a entrevista que daria a jornalistas. Arriscou-se apenas a dar um palpite sobre a Copa do Mundo:

– O Brasil será campeão.

A diplomacia boliviana, porém, reagiu. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia disse sexta-feira que as declarações de Serra sobre o tráfico de drogas no país são “irresponsáveis” e “político-eleitorais”. No documento, a equipe da chancelaria de Evo assegurou que o governo de La Paz “ratifica o compromisso assumido de luta contra o tráfico ilícito de drogas”.

Sem conversa

Apesar do manifesto, Serra insistiu nas críticas e desdenhou das declarações diplomáticas da Bolívia.

– Não valem uma nota de três reais – disse, no Recife, onde cumpriu agenda política.
Durante o lançamento da pré-candidatura de Jarbas Vasconcelos (PMDB) ao governo de Pernambuco, Serra voltou a subir o tom das críticas contra a atuação dos presidentes da Bolívia e do Brasil. Antes, em entrevista a uma emissora de rádio local, disse que governo federal precisa de empenho para resolver a questão e prometeu, se eleito, pressionar o governo da Bolívia para tomar providências.

– Quero que o governo federal se envolva diretamente nessa luta para defender as famílias, o direito à vida, o futuro dos nossos jovens. Droga vem do exterior, das fronteiras. O Brasil não produz cocaína, nem a industrializa. A cocaína vem da Bolívia. Então, temos que conversar com o governo boliviano, para que não deixe a cocaína sair.

Propaganda eleitoral

Serra também falou sobre a repercussão do programa político do DEM exibido na noite de quinta-feira em cadeia nacional de rádio e televisão, no qual o pré-candidato tucano foi o personagem principal. O conteúdo levou o PT a acusar os democratas de infringirem a legislação, que impediria a utilização de integrante de um partido no programa eleitoral de outro. Segundo Serra, a responsabilidade, no caso do ocorrido na quinta-feira, é do próprio DEM, que exibiu imagens e discursos de Serra gravados durante uma reunião pluripartidária.

– Não gravei diretamente para o programa. Pegaram trechos e puseram no programa deles – concluiu o tucano.

Conexão Bolívia-Brasil

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Quase meia tonelada de cocaína foi apreendida ontem em Três Lagoas. Droga seria boliviana.

PF apreende 500 kg de coca

A Polícia Federal apreendeu ontem quase meia tonelada de cocaína em Três Lagoas (MS). O delegado Júnior Taglialenha não confirmou a procedência, mas fontes da própria PF em Campo Grande afirmam que pelo menos 90% da droga é proveniente da Bolívia.

No início deste mês, a polícia já havia apreendido 725 quilos de cocaína de procedência boliviana.

Verdes: campanha vai esquentar

DEU EM O GLOBO

Aliados de Gabeira acreditam em ataque maior a Cabral

Fábio Vasconcelos

Um dia após o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tornar inelegível o ex-governador Anthony Garotinho (PR) por abuso de poder econômico nas eleições de 2008, o clima entre os aliados do pré-candidato do PV, Fernando Gabeira, é de expectativa. Na avaliação deles, ainda é cedo para saber se, de fato, Garotinho estará fora da disputa para o governo do estado. Mas eles acreditam que a decisão do tribunal vai esquentar os ânimos do pré-candidato do PR.

- Existem dois cenários. O Garotinho pode sair da disputa, mas pode também continuar, embora mais enfraquecido. Neste segundo caso, que acreditamos que deve prevalecer, Garotinho continuaria na disputa, mas agora mais enfurecido para cima do governador Sérgio Cabral - avaliou um aliado próximo de Gabeira.

Outro político com trânsito com o pré-candidato do PV fez uma análise sobre a questão dos prazos.

- Existe um prazo que é muito importante. O Garotinho tem até dia 5 de julho para conseguir reverter a decisão no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). É um prazo bastante curto, já que o acórdão do TRE só deve ser publicado lá para o dia 10 de junho - contou.

Um outro integrante da candidatura do PV foi mais enfático:

- A decisão (do TRE) sacudiu a eleição - disse.

Ontem, Gabeira foi à sede da SuperVia para conhecer o plano de investimento da empresa. Após quase duas horas de reunião com diretores da empresa, o pré-candidato afirmou que será preciso acelerar as melhorias no sistema.

Pelo cronograma da SuperVia, serão investidos cerca de R$2,3 bilhões nos próximos anos, dos quais, R$1,3 bilhão de recursos da própria concessionária. Com isso, a estimativa é dobrar até 2015 o número de usuários, que hoje é de 500 mil. Gabeira afirmou que, se eleito, pretende discutir formas alternativas para acelerar os investimentos no sistema de trens.

Decisão é na urna :: Míriam Leitão

DEU EM O GLOBO

Uma das dúvidas mais instigantes da eleição presidencial este ano é até que ponto um presidente popular como Lula consegue transferir votos para sua candidata. No Chile, uma presidente popular não conseguiu eleger seu candidato. A eleição de amanhã na Colômbia é outro teste. Há especialistas dizendo que o pleito brasileiro já está definido. Respeito demais o eleitor para concordar.

A dinâmica de um processo eleitoral é sempre imprevisível. O presidente Álvaro Uribe tem alta popularidade, mas seu candidato Juan Manuel Santos chega à reta final da campanha empatado nas pesquisas de intenção de voto com Antanas Mockus, do Partido Verde. Por que a popularidade de Uribe não foi suficiente?

O ex-vice-ministro do Planejamento colombiano Alejandro Gaviria, entrevistado no blog, explica que popularidade presidencial é patrimônio pessoal, nem sempre transferível:

- Em um mundo com partidos débeis, a popularidade presidencial é pessoal. Santos representa a continuidade das políticas, mas seu estilo é muito diferente do estilo do presidente Uribe. A opinião pública reconhece as conquistas de Uribe, mas não quer só continuidade, demanda também uma mudança nas políticas sociais e medidas contra a corrupção.

Michelle Bachelet tinha a mais alta popularidade presidencial na América Latina e seu partido perdeu a eleição. Ela agiu como um magistrado no processo eleitoral. Aqui no Brasil, o presidente Lula tem desrespeitado as regras de separação entre o governo e a campanha da sua candidata. Recebe multas e as desdenha. Esse envolvimento está sendo reforçado pela melhora do desempenho da pré-candidata Dilma Rousseff nas pesquisas.

Ao contrário do caso da Colômbia, descrito por Gaviria, aqui o PT não é um partido débil. Porém, ele foi atropelado pelo presidente Lula, que impôs sua escolha no velho estilo mexicano da era do PRI, em que cabia ao presidente escolher o candidato à sua sucessão.

No Brasil, há também uma candidata do Partido Verde que já está com 12% das intenções de voto, mas não se pode fazer um paralelo com o caso colombiano. Segundo Gaviria, Mockus não é exatamente ambientalista, o partido é ambíguo sobre bandeiras que para Marina Silva são consistentes. Lá, ele focou no combate à corrupção e na luta por transparência. Até o fato de admitir publicamente que tem mal de Parkinson o alavancou nas pesquisas. Ele pode perder a eleição, mas Mockus já foi muito além do que se previa que ele iria.

Na Colômbia, a insatisfação com 12% de taxa de desemprego e 60% de informalidade atenuam o efeito da popularidade presidencial, que é baseada no fato de que Uribe enfrentou os narcotraficantes das Farc e reduziu a criminalidade. Nada disso é possível transpor para o Brasil. Aqui, a informalidade é alta, mas caiu; o desemprego está em queda; o país está crescendo forte depois da recessão de 2009. E aqui, felizmente, não há movimento terrorista como há na Colômbia há décadas.

Os países são diferentes, mas em sistemas políticos democráticos é inevitável que haja surpresas e inesperados. Por isso, é tão espantoso que alguns cientistas políticos, ou especialistas em pesquisa de opinião, estejam garantindo mais de quatro meses antes das eleições que o resultado já está definido em decorrência da popularidade presidencial.

O ex-ministro da Fazenda da Colômbia Juan Camilo Restrepo dá os números: a popularidade de Uribe é de 70%, a intenção de votos em seu candidato é de 35%:

- Vai certamente para o segundo turno, mas a eleição não está garantida.

Ele acha que Mockus é um fenômeno ainda mal entendido, porque ele já foi candidato em outras vezes sem ter o mesmo desempenho. Restrepo conta que há um grande desconforto no país com métodos policiais abusivos no governo Uribe. É uma situação ambígua: eles valorizam o resultado alcançado, de maior segurança, mas ao mesmo tempo estão cansados de coisas como paramilitares e escutas ilegais por organismos de segurança. Reforma tributária foi tema de campanha. Santos garantiu que não elevará os impostos, Mockus disse que será inevitável elevá-los.

O jornalista Gerardo Quintero Tello, do "El País" da Colômbia, explicou assim a dissonância entre aprovação de Uribe e a intenção de voto em seu candidato:

- Apesar de ser o ungido pelo presidente, o ex-ministro da Defesa não tem as mesmas origens, nem o mesmo carisma, nem as mesmas ligações que o atual presidente tem com a maioria dos cidadãos. Santos representa a elite de Bogotá, tem pouco contato nas áreas não urbanas.

O jornalista explica que Mockus tem a vantagem de ser um bom administrador como ex-prefeito de Bogotá, fez uma aliança com Sérgio Fajardo, que também teve sucesso como administrador de Medellin e conduziu uma campanha renovadora do cenário político:

- Mockus representa uma reserva moral num país estupefato diante das práticas corruptas da política.

O analista político Camilo González Posso disse que Santos tem o apoio dos uribistas radicais que sempre foram em torno de 33%. Acha também que Mockus atraiu a juventude com a possibilidade de mudança. Ele acredita que há rejeição ao modelo econômico de Uribe construído em cima de muito subsídio para setores econômicos fortes.

Cada país é um país e os fenômenos políticos são distintos, mas há uma questão que não muda: o eleitor é que escolhe em quem votar e ele normalmente surpreende os analistas. Se não fosse isso, nem precisaria de eleição, bastavam as pesquisas. As entrevistas podem ser lidas em meu blog: http://www.miriamleitao.com/.

A Santa Sé também erra :: José Márcio Camargo

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

A discussão em torno da autonomia operacional do Banco Central (BC) ganhou as manchetes dos jornais nas últimas semanas. Essa é uma questão importante para a estabilidade da economia e é muito positivo que, apesar de técnico e árido, o tema esteja no centro do debate neste início da campanha eleitoral.

Desde o início do governo Fernando Henrique o BC tem autonomia de fato. Suas decisões são tomadas por seus diretores, supostamente com base em análises técnicas sobre a trajetória da inflação, sem interferência direta do presidente da República. Nos primeiros anos após a estabilização em 1994, que tinha como principal suporte a âncora cambial, as discussões se concentravam na manutenção de uma taxa de câmbio constante. Após a flexibilização da taxa de câmbio e a adoção do regime de metas para inflação em 1999, o debate se deslocou para o valor da taxa de juros real. Apenas uma vez, nessa transição da âncora cambial para o regime de câmbio flutuante, o presidente da República interferiu diretamente na atuação do BC.

A ideia de que os bancos centrais devem tomar suas decisões de política monetária de forma autônoma, sem interferências, não se baseia em uma suposta infalibilidade de seus diretores. Afinal, os bancos centrais erram e seus erros podem ser bastante custosos para a sociedade. A origem da atual crise, por exemplo, foi a decisão do banco central americano, o Federal Reserve (Fed), de manter taxas de juros reais negativas, por um longo período de tempo, no início dos anos 2000. Como resultado, os bancos passaram a tomar risco excessivo para manter seus lucros, os consumidores se endividaram além do que podiam suportar e se desenvolveu uma bolha no mercado imobiliário americano que, quando furou, levou ao aumento da inadimplência, falências bancárias e ao colapso do mercado de crédito, que gerou a recessão do final de 2008 e início de 2009.

Apesar da falibilidade dos BCs, existe alguma evidência empírica mostrando que países que têm bancos centrais realmente autônomos (que tomam suas decisões de política monetária com base em análises técnicas, sem interferência política) tendem a ter taxas de inflação menores do que os que não os têm. Isso porque a autonomia do banco central gera uma estrutura de incentivos mais propícia à estabilidade monetária do que uma situação na qual as decisões do BC são dependentes de aprovação do presidente da República.

A razão é simples. O Poder Executivo, com aprovação do Congresso, define o Orçamento da União, ou seja, a carga tributária e o total dos gastos do governo. Como consequência, o presidente da República tem uma enorme influência sobre a decisão de o governo adotar ou não uma política fiscal que mantenha os gastos em níveis compatíveis com as receitas governamentais. Se os gastos forem maiores que as receitas, o governo terá déficit fiscal, e vice-versa. Déficits fiscais podem ser financiados de duas formas: pela emissão de moeda, que somente o BC pode fazer, ou pela venda de títulos públicos.

O custo de financiar os déficits fiscais com a venda de títulos da dívida é a taxa de juros que o governo paga para vender esses títulos aos poupadores. E, em linhas gerais, a taxa de juros aumenta com o tamanho da dívida pública e, portanto, com o déficit fiscal, o que reduz o crescimento. Por outro lado, o custo de financiar os déficits públicos via emissão de moeda é um aumento da inflação no futuro. Nesse caso, o aumento do gasto público tende a gerar mais crescimento no presente ao custo de maior inflação no futuro.

Um presidente que consiga controlar a política fiscal e a política monetária terá todo o incentivo para financiar os aumentos de gastos via emissão de moeda, principalmente nos períodos imediatamente anteriores às eleições. Por outro lado, no caso em que o banco central toma suas decisões de forma autônoma, pelo menos teoricamente, seus diretores terão o incentivo a fazê-lo levando em consideração suas análises das condições dos mercados de bens e serviços e das expectativas para a inflação.

Incentivos corretos não garantem decisões corretas, mas aumentam a probabilidade de que isso aconteça. Se o presidente do BC é hierarquicamente dependente do presidente da República e suas decisões têm que ser submetidas e aprovadas por ele, a probabilidade de que os interesses políticos se sobreponham às necessidades técnicas de manter a inflação baixa se torna muito elevada. O resultado é mais inflação. Afinal, ninguém é infalível, nem mesmo o presidente da República, apesar de alguns acreditarem no contrário. Aliás, até mesmo a Santa Sé erra, como poderiam testemunhar as vítimas da inquisição.

É professor do Departamento de Economia da PUC/RIO e economista da OPUS gestão de recursos

O QUE PENSA A MÍDIA

EDITORIAIS DOS PRINCIPAIS JORNAIS DO BRASIL
Clique o link abaixo

Melodia Sentimental (Villa Lobos)

A mula de padre:: Ascenso Ferreira



Um dia no engenho,
Já tarde da noite
Que estava tão preta
Como carvão...
A gente falava de assombração:

— O avô de Zé Pinga-Fogo
Amanheceu morto na mata
Com o peito varado
Pela canela do Pé-de-Espeto!
— O cachorro de Brabo Manso
Levou, sexta-feira passada,
Uma surra das caiporas!
— A Mula de Padre quis beber o sangue
Da mulher de Chico Lolão...

Na noite preta como carvão
A gente falava de assombração!
Lá em baixo a almanjarra,
A rara almanjarra,
Gemia e rangia
Oue o Engenho Alegria
É bom moedor...

Eh Andorinha!
Eh Moça-Branca!
Eh Beija-Flor. . .

Pela bagaceira
Os bois ruminavam
E as éguas pastavam
Esperando a vez
De entrar no rojão...
Foi quando se deu
A coisa esquisita:
Mordendo, rinchando,
As pôpas e aos pulos
Se pondo de pé
Com artes do cão,
Surgiu uma besta sem ser dali não...

— Atallia a bicha, Baraúna!
— Sustenta o laço, Maracanã!
E a besta agarrada
Entrou na almanjarra,
Tocou-se-lhe a peia
Até de manhã ...

E depois que ela foi solta
Entupiu no oco do mundo!
Num abrir e fechar d'olhos
A maldita se encantou...

De tardinha.
Gente vinda
Da cidade
Trouxe a nova
De que a ama
De seu padre
Serrador
Amanhecera tão surrada
Que causa compaixão!
.....................................
Na noite tão preta como carvão
A gente falava de assombração

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Reflexão do dia – Aécio Neves


"O discurso (da oposição), a meu ver, tem que ser realista. Não devemos temer reconhecer os avanços no governo do presidente Lula. Até porque grande parte desses avanços ocorreu em razão dos governos anteriores. Não teria havido o governo do presidente Lula, com os resultados que apresenta hoje, se não tivesse havido o presidente Itamar Franco e o Plano Real, se não tivesse havido o presidente Fernando Henrique, que modernizou a nossa economia, que introduziu aspectos importantes, como a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Não teria havido o governo Lula se não tivesse iniciado, ainda no governo do presidente Itamar, os programas de transferência de renda, os programas sociais que lançaram no governo do presidente Fernando Henrique e continuaram no governo Lula. E ao mesmo tempo temos que ter a coragem de apontar os equívocos deste governo. Então, acho que o discurso é reconhecer que avanços ocorreram, mas que os avanços poderiam ter sido muito maiores se não tivéssemos um Estado tão aparelhado, se tivéssemos uma ousadia no que diz respeito à política monetária.

(...) Temos de demonstrar que nossa experiência administrativa, nossa visão de país e de mundo interessa mais ao Brasil hoje do que a continuidade do atual governo.
"


(Aécio Neves, hoje, em O Globo)

Mal-entendido ou má intenção?:: Merval Pereira

DEU EM O GLOBO

Na nova política de segurança divulgada pelo governo dos Estados Unidos, o Brasil ganhou relevância em relação a documentos anteriores, mas continua bem abaixo dos outros três centros de influência China, Rússia e Índia e quase da mesma importância que a África do Sul.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pôs o Brasil em um segundo pelotão.

Em todo o texto, ele cita a Índia nove vezes; a China, dez; a Rússia, 14; e o Brasil, apenas cinco, mesmo número de vezes da África do Sul. A Turquia é citada apenas uma vez.

Os desentendimentos sobre o acordo nuclear com o Irã, que a secretária de Estado, Hillary Clinton, classificou de sérios, estão no centro desse esfriamento de relações entre Obama e Lula, que um dia ele já definiu como o cara.

O vazamento da carta que Obama escreveu ao presidente Lula é um desentendimento diplomático sério. A Casa Branca não gostou de saber que um governo amigo divulga documentos pessoais entre presidentes.

Mas uma leitura atenta da carta, em vez de demonstrar, como quer o governo brasileiro, que Lula seguiu à risca as orientações de Obama, deixa claro que houve no mínimo um mal-entendido, que fala mal da diplomacia brasileira.

Ou uma tentativa frustrada de criar um fato consumado que favorecesse o Irã.

Ao se referir aos termos do acordo de novembro, Obama deixa claro que o objetivo dele era deixar o Irã sem material atômico para produzir a bomba.

Está claro que, sem essa precondição, não há acordo.

Na carta, está dito claramente: A proposta da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) foi preparada de maneira a ser justa e equilibrada, e para permitir que ambos os lados ganhem confiança. Para nós, o acordo iraniano quanto a transferir 1.200 quilos de seu urânio de baixo enriquecimento (LEU) para fora do país reforçaria a confiança e diminuiria as tensões regionais, ao reduzir substancialmente os estoques de LEU do Irã. Quero sublinhar que esse elemento é de importância fundamental para os Estados Unidos. Para o Irã, o país receberia o combustível nuclear solicitado para garantir a operação continuada do TRR (o Reator de Pesquisa de Teerã), a fim de produzir os isótopos médicos necessários e, ao usar seu próprio material, os iranianos começariam a demonstrar intenções nucleares pacíficas.

Não obstante o desafio continuado do Irã a cinco resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que ordenam o final de seu programa de enriquecimento de urânio, estávamos preparados para apoiar e facilitar as ações quanto a uma proposta que forneceria combustível nuclear ao Irã usando urânio enriquecido pelo Irã, uma demonstração de nossa disposição de trabalhar criativamente na busca de um caminho para a construção de confiança mútua.

O pressuposto era, portanto, que o Irã reduzisse substancialmente os seus estoques. Qualquer acord o que não reduzisse substancialmente os seus estoques, não teria sentido, portanto.

Em outro trecho, a carta diz: Compreendemos pelo que vocês, a Turquia e outros nos dizem que o Irã continua a propor a retenção do LEU em seu território até que exista uma troca simultânea de LEU por combustível nuclear. Como apontou o general [James] Jones [assessor de Segurança Nacional da Casa Branca] durante o nosso encontro, seria necessário um ano para a produção de qualquer volume de combustível nuclear. Assim, o reforço da confiança que a proposta da AIEA poderia propiciar seria completamente eliminado para os Estados Unidos, e diversos riscos emergiriam. Primeiro, o Irã poderia continuar a ampliar seu estoque de LEU ao longo do período, o que lhes permitiria acumular um estoque de LEU equivalente ao necessário para duas ou três armas nucleares, em prazo de um ano.

Ou seja, se em um ano o Irã poderia continuar a ampliar o seu estoque de LEU, bastaria ao governo brasileiro fazer as contas: de novembro a maio são seis meses, meio ano, tempo suficiente para um reforço e tanto no estoque.

O volume ser transferido ao exterior deveria ser, portanto, proporcionalmente aumentado.

O acordo fechado entre Brasil e Turquia com o Irã, nos termos em que foi concebido, isto é, permitindo que o Irã continuasse a ter um estoque de urânio que manteria a possibilidade de chegar à bomba atômica, criou, sem dúvida, uma turbulência internacional que interfere na decisão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas de implementar sanções contra o Irã.

Se, como tudo indica, as sanções forem impostas com o apoio da grande maioria dos membros do Conselho de Segurança a informação é de que apenas Brasil, Turquia e Líbano seriam contrários a elas , fica claro que o Brasil está isolado na tentativa de salvar o Irã da punição.

Brasil e Turquia somente poderiam se considerar vitoriosos caso o Conselho rachasse devido ao acordo.

******
O ex-governador Aécio Neves avisou a direção do PSDB que não se dispunha a ser o vice de Serra antes de fazer o anúncio oficial. Ele reafirmou a convicção de que seria mais útil na campanha mineira, para garantir a vitória de Serra por uma margem que possa ajudar a definir a vitória a nível nacional. A pressão regional foi mais forte do que a nacional, pois o candidato de Aécio ao governo de Minas, Antonio Anastasia, cresceu muito, mas parou em 17%, com a ausência de dele na campanha.

Os tucanos consideram que esse esforço de Aécio para eleger Anastasia pode fazer com que o nome de Serra seja levado a todos os municípios mineiros. O temor é que, na ânsia de eleger Anastasia, os políticos aceitem também a chapa Dilmasia

Brasil e Irã :: Roberto Freire

DEU EM BRASIL ECONÔMICO

Nos últimos dias, as agências de propaganda do governo têm noticiado como o "maior feito histórico de nossa diplomacia" um acordo que o Brasil assinou com o Irã, com a participação da Turquia, buscando "resolver o impasse" do programa nuclear iraniano, que tem sido desenvolvido com obstáculos às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica, ligada a ONU.

O Brasil, à exceção do período ditatorial, sempre adotou uma postura não apenas claramente contrária à proliferação das armas nucleares, como a favor da desnuclearização e do desarmamento e da solução pacífica e negociada das controvérsias e conflitos internacionais, como obriga a Constituição.

Além disso, repudiamos o terrorismo e o racismo e proclamamos a prevalência dos direitos humanos.

A ditadura teocrática iraniana - que tem usado a prisão, a tortura e o assassinato de opositores como prática comum - desenvolve, desde algum tempo, uma declarada política armamentista.

Não só nega a existência do Holocausto como proclama objetivos belicistas e o desejo de destruir o Estado de Israel.

Nesse quadro é que vem acelerando esforços para enriquecer urânio, indispensável à construção de armas nucleares, sob suspeitas da comunidade internacional, até porque se recusa a aceitar inspeções da AIEA.

Não é sem motivos que o Conselho de Segurança da ONU, a pedido dos EUA, pressiona seus dirigentes a abrirem suas instalações nucleares ao escrutínio da AIEA.

Por este acordo, chancelado pelo Brasil, fica estabelecido que o Irã enviará 1,2 tonelada de urânio com baixo grau de enriquecimento (3,5%) para a Turquia em troca de 120 kg de combustível enriquecido a 20%.

Ato contínuo, entretanto, o atual governo persa já anunciou que irá continuar o processo de enriquecimento de seu urânio.

Como se sabe, a tecnologia de enriquecimento de urânio para ser usado como combustível na produção de energia nuclear também pode ser usada no enriquecimento de urânio ao nível mais alto, necessário para a confecção de armas nucleares.

É esse o ponto que toda a comunidade internacional vê com preocupação, graças aos atos de dissimulação do próprio Irã.

Estamos assistindo a um perigoso jogo eleitoreiro de nossa diplomacia, que poderá ter conseqüências danosas para a imagem do país.

Por trás desse movimento, teme-se que o país esteja no mesmo caminho do Irã, buscando criar embaraços para que AIEA faça seu trabalho de acompanhamento de nossa própria política nuclear, que recentemente tem adquirido uma preocupante vertente militarista, com a construção de submarinos movidos a energia atômica.

Política internacional não é o lugar apropriado para blefes e espertezas. Cedo ou tarde, qualquer país que adentre esta seara terá que fazer valer seu poder específico na defesa de suas propostas.

Temos efetivamente tal poder? E no campo interno, estaremos assistindo a mais uma patriotada de nossa diplomacia ou o retorno do "Brasil, ame-o ou deixe-o" entoado pelo Brasil potência dos tempos da ditadura?

Roberto Freire é presidente do PPS - Partido Popular Socialista

A burla continua:: Dora Kramer

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Não é desdém pelo dinheiro público, mas na mixórdia de descalabros que o Senado acaba de reapresentar ao País com essa história da reforma administrativa que foi sem nunca ter sido, francamente o menos escandaloso é o valor do contrato pago à Fundação Getúlio Vargas.

Escabroso não é gastar R$ 250 mil. Escandaloso é pagar ? seja quanto for ? duas vezes pelo mesmo serviço no período de um ano porque o trabalho entregue anteriormente foi boicotado por subordinados dos contratantes que, mesmo assim, estavam prontos para executá-lo mesmo desfigurado.

Em resumo é o que se depreende das explicações dos senadores Tasso Jereissati e Pedro Simon, integrantes de um grupo de senadores que, ao analisar o projeto de reforma ? note-se, já aprovado pela Mesa do Senado - se depararam com uma monstruosidade pronta para ser votada em plenário.

Os responsáveis diretos, o diretor-geral, Haroldo Tajra, e o primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes, não deram uma palavra a respeito. O presidente do Senado, José Sarney, fez o papel de sempre: a vítima surpreendida.

"Não tem sido fácil, tenho apanhado muito." Por mérito, convenhamos.

Segundo os senadores Tasso e Simon, o Conselho de Administração do Senado distorceu todo projeto da FGV. Conforme as promessas feitas na crise do ano passado que provocou a demissão do diretor-geral Agaciel Maia e quase derrubou José Sarney da presidência do Senado, a reforma deveria organizar a estrutura administrativa, reduzir diretorias, diminuir funcionários terceirizados, "enxugar" as atividades meio.

O resultado final foi o oposto: propunha o aumento de cargos em comissão na proporção de 158% em relação ao sugerido pela FGV, criava uma grande estrutura de obras e conferia à Polícia Legislativa poderes, segundo Pedro Simon, equivalentes aos da Polícia Federal.

Sarney se fez de desentendido, ambíguo, não se estendeu em comentários como quem insinua que não sabia de nada. Mas o projeto examinado e vetado pelo grupo de senadores havia sido aprovado pela Mesa Diretora. Presidida por José Sarney.

É o maior, mas não o único responsável. Há os demais integrantes da Mesa, há todos os outros senadores que por ocasião da crise aguda juraram à nação que acompanhariam de perto o desenrolar da reforma.

De duas, uma: ou não acompanharam e deixaram o processo correr frouxo na mão do Conselho de Administração que, ao que se vê, continua a funcionar sob filosofia de que o Senado é uma Casa garantidora de privilégios, ou acompanharam e sabiam de tudo e tudo era para ser exatamente como foi feito.

De qualquer modo, esse era um fiasco anunciado. E de cuja responsabilidade apenas alguns poucos escapam. Quando a crise "Agaciel" estourou alcançou José Sarney no início do mandato, vindo de gestões anteriores tendo sido o padrinho do mentor da estrutura viciada.

Essa evidência somada às irregularidades que atingiam o próprio Sarney eram mais que suficientes para indicar que com ele na presidência nada mudaria. Tem uma cabeça de outra época. Ele contemporiza com o antigo. Portanto, questão de lógica e tempo para o lodo voltar à superfície.

Quem embarcou na operação abafa comandada pelo presidente Luiz Inácio da Silva foi porque quis. A ninguém no Senado é dado o direito de dizer a cigana me enganou. Esse tipo de episódio é filho das costas quentes, primo-irmão do compadrio. E, como já dizia um notório perito no assunto, sustentado pelo vício insanável da amizade.

Toda obra. O PMDB escalou para expor o programa de governo a ser executado em parceria com o PT se a aliança governista vencer a eleição presidencial dois expoentes do partido no governo Fernando Henrique.

Eliseu Padilha, ministro dos Transportes, e Moreira Franco, assessor especial com gabinete no Palácio do Planalto.

No programa o PMDB defende a profissionalização do Estado, em contradição com a prática do partido de adesão a qualquer governo que lhe garanta espaço político na máquina administrativa.

O Rio de Janeiro esbanja recordes para 2016:: Marcos Sá Correa

DEU EM "O ECO"

Nada encarna melhor o espírito dos jogos olímpicos do que os projetos ambientais do Rio de Janeiro. Só têm metas de superação. O governo do estado anuncia agora para 2016 que vai despoluir a baía de Guanabara. Será a segunda despoluição em pouco mais de duas décadas. Um recorde: a Guanabara já é a baía suja mais despoluída do mundo.

A primeira despoluição foi um fiasco retumbante. Previa, nos anos 90, que a baía viraria o milênio com a renda de suas colonias de pescadores duplicada, graças à troca de garrafas PET por cardumes de peixes. O preço dos terrenos em sua orla iria disparar, com a disputa de um lugar na primeira fila diante da vista que tornou famosa a cidade, séculos antes que os cariocas debandassem para a Zona Sul.

Quando venceu o prazo contratado com a Agência de Cooperação Internacional Japonesa e outras fontes de financiamento externo, a despoluição tinha afundado nas transações insondáveis que, logo na largada, em 1993, levaram o governo Leonel Brizola a tirar aquela dinheirama toda da órbita das licitações, convidando empreiteiras de confiança para dividir o bolo.

E assim o programa chegou ao governo Anthony Garotinho reduzido a uma caricatura chamada piscinão de Ramos, um oásis recreativo de água do mar filtrada, no meio do esgoto in natura e do lixo doméstico. Na ocasião, o arquiteto e doutor em administração pública Manuel Sanchez calculou que atender com cerca de 200 piscinões a mesma população que poderia usar diretamente a baía, se ela estivesse limpa e balneável, custaria US$ 1 bilhão.

O estado a essa altura gastara US$ 1 bilhão para convencer 93,6% dos cariocas, no ano 2.000, que a Guanabara continuava “muito suja”. Para isso, abraçou a baía com usinas de tratamento, que aparecem bem nas fotos de inauguração. Mas não ligou com as estações as redes de esgoto, porque obra embaixo da terra não dá voto.

As margens que seriam valorizadas favelizaram-se. Surgiram favelas abaixo da linha de maré alta. Mais de oito milhões de pessoas se habituaram a despejar dez toneladas de lixo por dia nos rios que desaguam nos valões da Guanabara. Sua profundidade média caiu para menos de seis metros.

Em compensação, ao escrever a nova constituição estadual em 1989, os políticos deram à baía o título de Área de Proteção Ambiental e Interesse Ecológico Revelante. E isso ela é. Só falta drenar os canais assoreados por lama tóxica. Tirar da água quase dois milhões de metros cúbicos de depósitos poluentes. Trocar por esgotos os rios moribundos que, em 1502, levaram o navegador Duarte Coelho a anunciar a descoberta de um paraíso cercado de “boas águas” por todos os lados.

Principalmente, segundo o geógrafo Elmo Amador, falta reflorestar suas margens, não só para devolver-lhe uma tênue lembrança da paisagem original, como sobretudo para recompor os filtros naturais dos 100 quilômetros quadrados de restingas e mangues que ela perdeu.

Parece coisa demais para fazer em seis anos. Sobretudo depois de gastar tanto crédito e tanta credibilidade. Mas, como em Olimpíadas o importante é competir, o Rio de Janeiro poderia entrar nesta nova corrida plantando a primeira muda dos 24 milhões de árvores que prometeu para 2016 em outubro do ano passado.

Nelson Sargento e convidados - "Fiz por você o que pude"

Historiador Marco Antonio Villa: 'Nem Serra está afundando nem Aécio seria o Messias'

DEU EM O GLOBO

Historiador diz que PSDB está diante de falso problema sobre vice

Flávio Freire

SÃO PAULO. Se bem trabalhadas sua campanha ao Senado e as articulações políticas em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, o ex-governador Aécio Neves, ao declinar do convite para ser vice, não deverá comprometer a campanha de José Serra à Presidência. Na avaliação do historiador Marco Antônio Villa, criou-se nas últimas semanas, no PSDB, um falso problema de que a candidatura, sem Aécio, levaria o partido a uma crise.

- O Aécio não é essencial no que diz respeito à escolha do vice. Ele é essencial como participante efetivo da campanha eleitoral , já que Minas é um colégio eleitoral importante - diz Villa, para quem Aécio, para colaborar com o partido nacionalmente, deve ter participação em programas partidários e eventos importantes ao lado de Serra.

Caso contrário, pode parecer à opinião pública que o ex-governador mineiro estaria respondendo com o fígado por não ter sido escolhido candidato.

- Nem a candidatura do Serra está afundando nem o Aécio seria o Messias - analisou.

Ao colocar mais uma pá de cal sobre a especulação de que seria vice na eventual chapa puro-sangue, Aécio redirecionou para a base de aliados o foco sobre quem deve ocupar o posto. Na avaliação do deputado federal Arnaldo Madeira (PSDB-SP), a relação com os partidos que devem apoiar a candidatura deve ser respeitada.

- A relação com aliados deve ser respeitada. Quem ganha (a eleição) é o candidato a presidente. O papel do vice está na composição de força, na articulação política. O vice é escolhido nessa perspectiva - disse ele, sem arriscar nomes.

Na mesma linha, o secretário-geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro, disse que o partido tem ainda que esperar a movimentação dos palanques regionais e, só depois, escolher o vice. Caso contrário, avalia ele, a direção de campanha poderia entrar em área de conflito justamente com os partidos aliados.

- Ainda está tendo uma movimentação muito intensa nos palanques regionais. Ele (Serra) tem que esperar para ver qual a margem de manobra para depois anunciar sua decisão - disse.

Serra tem dito, em entrevistas recentes, que a escolha do vice pode ficar mais para a frente. Ele tem conversado com dirigentes do partido sobre o assunto e avaliado todas as possibilidades.

- Se ele quiser alguém do Nordeste, tem Tasso Jereissati, Sérgio Guerra e Agripino Maia. Se quiser uma mulher, tem a Kátia Abreu. Se insistir com Minas, tem Itamar Franco. Agora, se o espaço for dado a aliados, o nome forte é o do Francisco Dornelles (senador pelo PP do Rio) - disse um tucano, reforçando a tese de que o PSDB deve contemplar os aliados quando decidir pelo vice.

Defensores do tucano dizem que a decisão é de Serra e pode ser anunciada até depois da convenção que formalizará a campanha, 12 de junho, em Salvador. Madeira e Castro procuraram minimizar a desistência de Aécio.

- Temos que respeitar a decisão do Aécio, que tem responsabilidade grande com o estado dele. Ele quer fazer o sucessor, eleger uma bancada grande no Congresso e chegar ao Senado. Só resta confiar no poder de avaliação dele - disse Madeira.

Aécio: 'Serra é hoje o mais preparado'

DEU EM O GLOBO

Trechos da entrevista do ex-governador Aécio Neves:

"É natural que estejamos vivendo o tempo de algumas ansiedades, mas estou absolutamente convencido de que vamos, em Minas, ter um excepcional resultado, tanto dando a vitória ao governador Anastasia, porque isto é o melhor para Minas, quanto dando a vitória aqui ao presidente José Serra.

"Fala-se muito em governantes transferirem votos, tanto no plano federal como no plano estadual. Acredito que em parte isso é verdadeiro, mas isso jamais será definitivo. O eleitor vota a partir da realidade que vê para a sua vida. A minha confiança na vitória de Anastasia e Serra é muita óbvia e simples. Parte do pressuposto de que ambos são as melhores alternativas. (...) José Serra, sem demérito nenhum para os nossos adversários, é hoje o homem mais preparado para governar o Brasil. E eu estarei ao seu lado.

"Estou absolutamente convencido de que a melhor forma para ajudar a dar a vitória ao governador Anastasia e ao companheiro e amigo José Serra é estando em Minas como candidato ao Senado. Não houve nenhuma modificação no cenário.

"Temos o melhor candidato, o melhor projeto para o país, e estarei como candidato ao Senado dando o meu suor e meu sangue para a vitória desse projeto. (...) "Eu vou estar à disposição dele (Serra) para ajudar no que for necessário. Eu, além de admirador do governador Serra, sou seu amigo, sou seu companheiro e, se não visse nele as condições de ser um grande presidente da República, talvez eu estivesse na disputa.

"O discurso (da oposição), a meu ver, tem que ser realista. Não devemos temer reconhecer os avanços no governo do presidente Lula. Até porque grande parte desses avanços ocorreu em razão dos governos anteriores. Não teria havido o governo do presidente Lula, com os resultados que apresenta hoje, se não tivesse havido o presidente Itamar Franco e o Plano Real, se não tivesse havido o presidente Fernando Henrique, que modernizou a nossa economia, que introduziu aspectos importantes, como a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Não teria havido o governo Lula se não tivesse iniciado, ainda no governo do presidente Itamar, os programas de transferência de renda, os programas sociais que lançaram no governo do presidente Fernando Henrique e continuaram no governo Lula. E ao mesmo tempo temos que ter a coragem de apontar os equívocos deste governo. Então, acho que o discurso é reconhecer que avanços ocorreram, mas que os avanços poderiam ter sido muito maiores se não tivéssemos um Estado tão aparelhado, se tivéssemos uma ousadia no que diz respeito à política monetária.
(...) Temos de demonstrar que nossa experiência administrativa, nossa visão de país e de mundo interessa mais ao Brasil hoje do que a continuidade do atual governo."

Aécio descarta ser vice e nega antipatriotismo

DEU EM O GLOBO

Mineiro diz que ajudará Serra como candidato ao Senado e cobra coragem à oposição para apontar erros de Lula

Marcelo Portela

BELO HORIZONTE. Em seu primeiro evento público após quase um mês de férias no exterior, o ex-governador Aécio Neves (PSDB) voltou à cena para reafirmar que descarta a possibilidade de ser vice na chapa encabeçada pelo também tucano José Serra. Num momento em que Serra caiu nas pesquisas e aparece empatado com a petista Dilma Rousseff, Aécio disse que não aceita pressões e repetiu que é candidato ao Senado.

- Minha decisão tem de ser tomada através de análise muito profunda do cenário político. Estou absolutamente convencido de que a melhor forma de ajudar a dar a vitória ao governador Anastasia e ao companheiro e amigo Serra é estando em Minas como candidato ao Senado. Não houve modificação no cenário. É preciso que essas ansiedades sejam contidas - disse Aécio, ao lado do ex-presidente Itamar Franco (PPS) e do atual governador de Minas, Antônio Anastasia, candidato à reeleição.

Pressionado por aliados para se decidir logo, Aécio disse que a ansiedade do momento é "natural" e rebateu acusações de que seria antipatriótico não compor chapa com Serra. Disse que estará "à disposição" dele para viagens pelo país, sem abrir mão da campanha de Anastasia.

- Meus gestos, ao longo de minha vida, demonstram uma visão muito maior de país e dos interesses de Minas do que meu interesse pessoal. Se não visse nele (Serra) as condições de ser um grande presidente, talvez estivesse até na disputa até hoje. Vou estar à disposição dele para ajudar no que for necessário - disse, referindo-se, inclusive, às costuras para a escolha do vice.

Tucano pede tom mais agressivo

Mas Aécio disse ser contrário ao discurso "pós-Lula" adotado por Serra e defendeu o acirramento das críticas ao PT como caminho para o PSDB reconquistar o eleitorado. Para Aécio, os tucanos não precisam temer reconhecer avanços do governo Lula, mas devem mostrar os problemas da gestão petista:

- Temos de ter a coragem de apontar equívocos deste governo. Os avanços poderiam ser maiores se não tivéssemos um Estado tão aparelhado, se tivéssemos ousadia maior na política monetária. Nosso discurso não tem de ser o de tratar, como costuma fazer o PT, o adversário como inimigo. Temos de demonstrar que nossa experiência administrativa, nossa visão de país e de mundo interessa mais ao Brasil do que a continuidade do atual governo.

Ao lado de Aécio, Itamar foi mais contundente e afirmou que, se for para falar bem do governo, é melhor ficar "quieto":

- Aprendi em muitos anos que, se você não quer falar mal do adversário, tudo bem, esquece o adversário. Se o governador Serra não quer falar mal do Lula, fica quieto. Se começa a elogiar muito o presidente Lula, o pessoal começa a perguntar: por que vamos mudar? Aprenda com o governador Aécio. Deixa o barco correr - disse Itamar, diante do constrangimento de Aécio e Anastasia.

Itamar foi explícito ao defender a permanência de Aécio em Minas na campanha, apesar de o ex-governador se dizer "sereno e animadíssimo" com o atual cenário. Anastasia tem cerca de 20% da preferência na disputa pelo governo mineiro, contra mais de 40% de intenções de voto do senador Hélio Costa (PMDB). Sobre a possibilidade de ser vice de Serra como representante de Minas, Itamar negou qualquer convite.

Serra diz que já sabia que Aécio não seria vice

DEU EM O GLOBO

PSDB prepara estratégia para ampliar vantagem em São Paulo e compensar força maior do PT no Nordeste

Clarissa Barreto* e Silvia Amorim

GRAMADO (RS) e SÃO PAULO. "Como é que se pode mudar o que nunca mudou?", reagiu o pré-candidato do PSDB, José Serra, ao ser perguntado sobre o anúncio do ex-governador Aécio Neves, de Minas, de que não vai mesmo integrar a chapa tucana como vice. O ex-governador participava do 26º Congresso Nacional de Secretarias de Saúde, em Gramado, no Rio Grande do Sul:

- Eu já sabia disso há muitos meses - disse Serra, que chegou a convidar Aécio para vice, antes de lançar sua candidatura, e já tinha ouvido de Aécio que ele preferia disputar o Senado.

Perguntado se havia perdido um bom candidato a vice, Serra se limitou a dizer:

- Você só perde o que tem. Ele não era candidato.

Sobre os conselhos do ex-governador mineiro, que afirmou ontem que o partido deve adotar um discurso que mostre as falhas do governo Lula, Serra afirmou:

- Para mim ele não disse isso. Falei com ele hoje (ontem) e ele não disse nada disso. Ele disse "tuas declarações foram primorosas". Pode pôr entre aspas.

Meta é abrir 6 milhões de votos sobre o adversário

Enquanto ainda forma a chapa para a Presidência, o PSDB traça planos para aumentar sua votação em São Paulo. O partido tem planos de estipular metas de votação para cada um dos municípios paulistas como estratégia para ampliar a vantagem nas urnas em relação ao PT no maior colégio eleitoral do país. Embora esteja sendo preparado há meses - portanto, é anterior à divulgação das últimas pesquisas de intenção de voto que mostraram os presidenciáveis José Serra e Dilma Rousseff empatados - o plano cai sob medida para o atual momento tucano.

Levantamento do Instituto Datafolha na semana passada constatou um crescimento da petista em todas as regiões do país, incluindo o Sudeste, berço dos tucanos. Na região, Dilma ganhou sete pontos, chegando a 33% das intenções de voto. Serra perdeu cinco e tem agora 40%.

O esforço pela ampliação da votação se insere ainda num contexto de dificuldades de penetração do partido em estados do Nordeste. Já é praticamente um mantra tucano a tese de que, para vencer a eleição, Serra terá que conseguir, em São Paulo e em Minas Gerais, votos para compensar a vantagem que Dilma deverá ter entre o eleitorado nordestino.

A planilha com a meta de votos a ser atingida por cada uma das 645 cidades de São Paulo está em fase final de elaboração e ainda será discutida pela Executiva Estadual do PSDB. Além disso, o partido já fez um diagnóstico, município a município, das votações do PSDB e do PT em 2002, 2006 e 2008. A série histórica visa a identificar regiões em que os tucanos não tiveram um bom desempenho nas urnas ou, até mesmo, perderam para o adversário, para calibrar a intensidade e o tipo de ação a ser adotada neste ano.

- Naqueles locais em que temos uma estrutura política sólida, as coisas fluem bem e o crescimento nós achamos que se dará naturalmente. Naqueles em que não estamos tão bem, vamos correr atrás e verificar nos partidos aliados a possibilidade de montar um trabalho conjunto - disse o presidente do PSDB em São Paulo, deputado Mendes Thame. Nos bastidores, tucanos falam em abrir em São Paulo cerca de seis milhões de votos sobre Dilma. Em 2006, os tucanos conquistaram quatro milhões a mais do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno. Mas perdeu do petista em quase 80 municípios.

- Temos como meta estabelecer um patamar mínimo de 55% dos votos na eleição para governador e presidente nos municípios - explicou o secretário-geral da sigla, César Gontijo.

Serão formados 44 núcleos em todo o estado

Hortolândia, no interior paulista, é um desses casos. Em 2006, Lula colocou mais de 30 mil votos à frente de Alckmin - 55 mil contra 22 mil. A meta tucana para este ano é chegar aos 38 mil votos na cidade.

- Fixar metas é um estímulo para a militância - defende o vice-líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP).

Entretanto, o modelo, diz Gontijo, não pode ser adotado em todos os estados.

- Conquistamos em São Paulo um grau de organização partidária que nos permite pensar nesse tipo de ação.

Para aumentar a vantagem nas urnas, a legenda também promete criar coordenadorias eleitorais no estado para organizar a mobilização nos municípios. Também é cogitada a contratação de pesquisas por telefone para medir o resultado do trabalho ao longo da campanha. Serão, ao todo, 44 núcleos, formados por lideranças locais - prefeitos, deputados, vereadores.

Na próxima terça-feira em Brasília, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), reúne-se com as bancadas tucanas da Câmara e do Senado para discutir a organização das campanhas presidencial e estaduais pelo país.

(*) Especial para O GLOBO

'Ele disse que, não seria vice há 6 meses'

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Presidente do PSDB relembrou ontem a posição de Aécio, mas só agora vai tratar da composição da chapa

Carol Pires

Brasília - O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE) , disse ontem que há seis meses o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves havia comunicado que não seria vice na chapa do pré-candidato tucano José Serra para a Presidência da República e que não aceitaria pressões.


"Há seis meses o governador Aécio Neves disse a mim e ao senador Tasso Jereissati que não seria vice, e não gostaria de ser pressionado a sê-lo, masque iria ajudar na campanha de José Serra"" disse Guerra.

Ontem, em Minas Gerais, Aécio Neves foi categórico ao afirmar que não formará a sonhada chapa puro-sangue com Serra na disputa à Presidência.

Apesar de o ex-governador mineiro ter antecipado sua posição ao presidente do partido há tanto tempo, somente agora Guerra, vai tratar da composição da chapa com o pré-candidato. "Semana que vem, vou conversar com o ex-governador José Serra sobre isto.” O senador, entretanto, não quis citar nomes dos prováveis candidatos.

Aliado. Sobre a propaganda eleitoral do DEM, Guerra acredita que ela trará resultados favoráveis ao pré-candidato tucano. "Até agora, houve uma overdose de campanha da Dilma, que resultou em multas no TSE. E nos últimos dias as falas do Lula na propaganda partidária e nas inserções. Tudo isso sem contradições, o que aumenta o poder da overdose", afirmou.

Segundo ele, os outros partidos não puderam responder, "ficou só a versão" de Lula. "Em junho a oposição terá mais espaço. Seguramente isso resultara no crescimento de Serra nas pesquisas de intenção de voto."

Jarbas (PMDB) lança hoje sua pré-candidatura com Serra

DEU NO JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Jarbas: festa sem chapa fechada

Nome das oposições para disputar o governo, líder peemedebista lança hoje sua pré-candidatura com José Serra, mas sem o segundo senador da chapa

Sheila Borges

Com a participação do presidenciável do PSDB, José Serra, e de todas as lideranças dos partidos de oposição em Pernambuco, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) lança hoje, às 15h, a sua pré-candidatura ao governo do Estado, sem, contudo, anunciar a chapa majoritária completa da futura coligação, que reúnirá PMDB, DEM, PSDB, PPS e PMN. O problema não está na composição da vice. A vaga é da deputada estadual Miriam Lacerda (DEM), que tem sua principal base no Agreste. O nó está na definição do segundo candidato ao Senado a primeira cadeira é de Marco Maciel (DEM), que tenta renovar o mandato.

Apesar de ter lançado uma nota oficial, ontem, negando que tenha recebido qualquer convite para o Senado e confirmando a sua candidatura à reeleição, o deputado federal Raul Jungmann (PPS) ainda é, nos bastidores, o nome mais forte para completar a majoritária. No comunicado, o pós-comunista aproveitou para reafirmar que o pré-candidato do PPS ao Senado é o médico Guilherme Robalinho, já lançado pelo partido em abril. Robalinho é amigo pessoal de Jarbas e tem trânsito com Serra, mas enfrenta forte resistência interna. O ex-secretário de Saúde do governo Jarbas chegou a admitir que poderia abrir mão dessa postulação se fosse para unir, ainda mais, o grupo.

Diante deste posicionamento, Jungmann frisa, na nota, que a partir de agora se nega a falar sobre este tema. Para os aliados, contudo, o pós-comunista é o único parlamentar que tem a concordância de todos e que esboça a vontade de enfrentar o desafio. Os outros nomes ventilados os deputados federais do PSDB Bruno Araújo e Bruno Rodrigues descartam disputar o Senado por dois motivos. O primeiro é que ambos já teriam organizado as suas campanhas à reeleição no interior. O segundo é que eles acreditam que a oposição, como indicam algumas pesquisas de opinião, só tem possibilidade de eleger um senador. Todas as fichas estão sendo depositadas em Maciel.

Em função disso, o próprio senador Sérgio Guerra (PSDB), que tinha naturalmente a segunda vaga assegurada, desistiu de renovar o mandato para disputar uma cadeira para a Câmara dos Deputados. Mais um motivo para a resistência dos parlamentares tucanos. Com a força da votação de Guerra, podem se beneficiar com os votos de legenda.

Enquanto este nó não desata, Jarbas vai juntando as forças da oposição para fortalecer o seu palanque. A festa de hoje servirá como um termômetro. Tudo foi preparado para destacar a imagem do senador. Os organizadores já confirmaram a participação de dezenas de caravanas do interior. O salão do Chevrolet Hall, onde ocorrerá o evento, tem capacidade para cinco mil pessoas. Jarbas e seus principais aliados ficarão em um tablado armado na frente do palco da casa de shows. No local, um painel de sete metros de altura exibirá a foto de um casal de eleitores com a imagem da bandeira de Pernambuco, um dos símbolos das duas gestões de Jarbas. Ao lado, um slogan resume o sentimento do grupo: Com Jarbas e Serra Pernambuco pode mais. Em volta do salão, bandeiras com as cores azul, amarelo, vermelho e verde, que também remontam o colorido das gestões do peemedebista.

Serra vai ao lançamento da candidatura de Jarbas

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Angela Lacerda

RECIFE – Vinte e dois dias depois de ter anunciado, em entrevista coletiva, que iria disputar o governo de Pernambuco, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) terá sua pré-candidatura lançada oficialmente hoje. O evento festivo contará com a participação do pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.

Jarbas não queria ser candidato, mas cedeu ao pedido de Serra, que não tinha palanque no Estado. O lançamento, marcado para as 15 horas no Chevrolet Hall, na vizinha Olinda, também servirá de mote para um encontro regional dos partidos coligados - PMDB, PSDB, DEM, PPS e PMN.

Os organizadores esperam reunir cerca de 2 mil participantes, entre lideranças e militantes do Recife, da região metropolitana e do interior de Pernambuco.

Palanque. Além de Jarbas e de Serra, deverão discursar o senador Marco Maciel (DEM-PE), que tentará a reeleição, e os presidentes nacionais do PSDB, Sérgio Guerra, e do PPS, Roberto Freire. Jarbas vai enfrentar, no palanque governista, o governador Eduardo Campos (PSB), apontado como favorito disparado e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da pré-candidata Dilma Rousseff (PT).

Lula, autêntico liberal e falso profeta :: Carlos Larreátegui

DEU EM O GLOBO

Ao final de oito anos de mandato, Luiz Inácio Lula da Silva deixará a Presidência do Brasil em dezembro. Contra todos os prognósticos que asseguravam que Lula levaria o Brasil à completa prostração e ruína, este presidente deixa um legado substantivo na política, na economia e na diplomacia. Para muitos, Lula simboliza o triunfo do socialismo moderno, da denominada Terceira Via, que rechaça os postulados do liberalismo comunista. Alguns, como meu amigo e professor Enrique Ayala, sustentam que Lula manteve uma postura socialista por sua radical luta contra a pobreza. Contrariando essa visão, sustento que Lula é um autêntico liberal na política e na economia e que dificilmente poderíamos encontrar na História do Brasil um presidente mais favorável ao mercado e ao setor privado. O caso de Lula reforça a teoria de que a Terceira Via não é mais que uma ficção e que ao final prevalece a dicotomia mercado-planejamento, com todas suas variáveis.

O liberalismo político, desde os tempos de seus fundadores - Locke, Montesquieu e outros--, significa "império da lei", Estado constitucional e liberdade política. Historicamente, é o único sistema, ideologia, práxis, engenharia ou como queiramos chamá-lo, que tem passado da teoria à prática sem traições nem capitulações. Lula reforçou os elementos do liberalismo político no Brasil respeitando o Estado constitucional garantidor, a independência de poderes, particularmente dos juízes, e elevou a segurança jurídica ao nível de valor social incontestado. Muito dificilmente poderia um liberal ortodoxo fazer melhor nesta área.

Na economia, Lula tem sido um dos defensores mais vigorosos da economia de mercado. Em uma entrevista recente realizada por Juan Luis Cebrián, do "El País" (Espanha), Lula afirma haver construído um capitalismo moderno que, na sua visão, representa o passo prévio ao socialismo. Ninguém levaria muito a sério esta teoria. O correto é que Lula acertou ao prosseguir e aprofundar as políticas econômicas do seu predecessor, o "neoliberal" Fernando Henrique Cardoso, e dessa forma conseguiu acumular êxitos maiúsculos: o nível de pobreza caiu de 46% em 1990 para 26% em 2008; a dívida externa declinou para 4% do PIB; as exportações se multiplicaram em 500%.

No plano internacional, Lula tem sido tudo, menos um democrata e defensor dos direitos humanos. Em nome do socialismo, tem justificado os atropelos e abusos de regimes como os de Cuba, Venezuela ou Irã descompromissados com a sorte de seus povos. Lula tem sido um no Brasil e outro muito diferente fora do país. Essa dupla moral é incompatível com o perfil de um autêntico líder e claramente debilita seu legado histórico.

Em síntese, Lula tem sido um grande presidente para o Brasil e um falso profeta para o mundo.

Carlos Larreátegui é jornalista. El Comercio (Equador)

Tucano reafirma críticas sobre omissão da Bolívia

DEU EM O GLOBO

Petista diz que atitude não é de quem quer ser estadista. Governo boliviano vai se pronunciar

GRAMADO (RS). O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, sustentou ontem as afirmações, feitas anteontem no Rio, de que o governo boliviano é conivente com a entrada de cocaína no Brasil, já que de 80% a 90% da droga viriam do país vizinho. Ele disse que é "impossível" que o governo boliviano não saiba das remessas de drogas feitas para o Brasil.

- Não há nada para reavaliar. A maior parte da cocaína no Brasil vem da Bolívia. Vocês já ouviram falar de algum controle do governo boliviano em relação ao contrabando? Eu nunca ouvi falar - disse ontem Serra.

O ex-governador paulista afirmou ainda que reconhece a soberania da Bolívia, mas que o Brasil precisa de uma "ação diplomática decidida e pública" para estancar o tráfico de drogas via Bolívia.

A pré-candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, também em Gramado, criticou as declarações do adversário. Dilma disse que a afirmação não é atitude "de quem quer ser estadista". Ela disse que não concorda com a demonização que se faz de um país como a Bolívia e que é preciso "um padrão diferente de relacionamento" na América Latina.

- Não podemos ser um país desenvolvido cercado de miseráveis. Não podemos desprezar os vizinhos e olhar com soberba para quem é diferente de nós. Essa política que leva à guerra, aos conflitos e ao desprezo por povos diferentes de nós - disse Dilma, sendo muito aplaudida.

Vice-ministro boliviano: busca de simpatia dos EUA

O ministro do Interior boliviano, Sacha Llorenti, responsável pelo controle de drogas, anunciou que a Chancelaria vai se pronunciar sobre o tema.

- O senhor Serra queria ganhar a simpatia dos Estados Unidos e, então, acusa todos de serem narcotraficantes - disse o vice-ministro do Interior, Gustavo Torrico.

O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República e um dos coordenadores da campanha de Dilma, Marco Aurélio Garcia, ironizou as declarações de Serra, afirmando que o pré-candidato "está tentando ser o exterminador do futuro da política externa".

(Clarissa Barreto, especial para O GLOBO, e Fabiana Ribeiro com agências internacionais)

Serra tem disposição e coragem para combater o tráfico de drogas, diz Jungmann

DEU NO PORTAL DO PPS

Diógenes Botelho

O candidato a presidente José Serra (PSDB) tem toda a razão de trazer o tema do tráfico de drogas para o debate político que se dá em torno das eleições de 2010. A opinião é do deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) que afirmou, nesta quinta-feira (27), que o tucano "tem disposição e coragem" para enfrentar esse problema, ao contrário do governo Lula e de sua candidata Dilma Rousseff. Talvez essa ineficiência tenha irritado tanto os petistas, que saíram a público para criticar declaração de Serra acusando o governo da Bolívia de cúmplice com a tráfico de cocaína para o Brasil.

Segundo Jungmann, Serra está certo ao apontar que cerca de 80% da cocaína que chega ao Brasil vem da Bolívia. E isso acontece, na opinião do deputado, pela deficiência no controle de nossas fronteiras; falta de estrutura da Polícia Federal para cobrir os 3.400 quilômetros da divisa entre o Brasil e o território boliviano; pela desarticulação, promovida no governo de Evo Morales, de entidades de controle do plantio da coca e de combate ao tráfco de drogas; e, também, pela deficiência de nossa diplomacia para abordar esse assunto.

"Com a chega de Morales ao poder, a Bolívia rompeu um acordo que tinha com a DEA (agência americana antidrogas) e desarticulou organismos multilaterais que faziam o controle do plantio de coca. Alegou que o acordo feria sua soberania. Nada contra esse argumento, mas o fato é que a área plantada saltou de 20 mil para 40 mil hecdtares. Há, hoje, uma explosão de apreensões no Brasil, que crescem cerca de 18% ao ano", relatou Jungmann. O problema, na opinião do parlamentar, tem que ser tratado de forma compartilhada pelos dois países. O Brasil, que não pode se eximir na qualidade de mercado consumidor, e a Bolívia, que é o principal exportador de cocaína para o Brasil.

Jungmann defende a implantação de uma política para a erradicação do plantio de coca na Bolívia. "E nesse ponto vejo um déficit de nossa diplomacia para tratar desse assunto. Temos que implantar ações compartilhadas. É preciso que o governo brasileiro firme acordos policiais com a Bolívia para combater o tráfico de drogas. Esse problema de segurança é urgente e precisamos enfrentar", apontou o deputado, que considera extremamente acertada a proposta de Serra para a criação do Ministério da Segurança Pública. "Nós, do PPS, damos todo o apoio. A União tem que se envolver nesse combate e dar à Polícia Federal condições para enfrentar o tráfico de drogas", disse o deputado, em pronunciamento da tribuna da Câmara.

A tubulação:: Miriam Leitão

DEU EM O GLOBO

Quem vê o reluzente superávit primário do setor público pode concluir que está tudo tranquilo com as contas públicas. Infelizmente, não está. O governo teve déficit primário dois meses seguidos, a melhora ocorreu pelo crescimento do PIB. Há sinais apavorantes nas contas públicas, entre elas o que o professor Rogério Werneck define como tubulação ligada entre o Tesouro e o BNDES.

Há vários sinais de preocupação.

O governo tem aumentado seus gastos acima do crescimento do PIB e isso, a médio e longo prazo, é insustentável. O Brasil já tem uma carga tributária exagerada, impostos mal distribuídos e alíquotas que se transformam em barreira ao crescimento sustentado.

Não há austeridade fiscal, nem controle de gastos. O superávit só aconteceu em abril porque a receita está subindo. A arrecadação em abril aumentou 22%.

O governo brasileiro é uma máquina de gastar e tem contornado todas as formas de controle. O regime fiscal está montado para funcionar com a receita crescendo sempre o dobro do PIB, o tempo todo. Se fosse cauteloso, o governo deveria aproveitar o excesso de arrecadação para baixar as alíquotas.

Essas alíquotas altas foram criadas numa época em que o sistema de arrecadação era mais ineficiente.

Agora, tem se tornado mais e mais eficiente. Houve uma crise na receita, mas ela foi superada, o país está crescendo.

Tudo isso levou ao resultado positivo, mas o governo afirma que está sendo austero por ter resultado positivo.

Na verdade, está aumentando os gastos de forma irreversível, aproveitando a elevação da arrecadação.

Desta forma vamos para uma carga de 40% do PIB diz o professor da PUC-Rio Rogério Werneck, especialista em contas públicas.

O que mais preocupa o economista é a tubulação ligando o Tesouro ao BNDES.

De tudo o que mais me preocupa é o BNDES. Ele tem recebido recursos de fora do orçamento, centenas de bilhões de reais de emissão de dívida pública para a concessão de crédito subsidiado. O governo descobriu essa forma e pensa que ela é mágica. Por essa tubulação podem agora passar quantos bilhões forem necessários para obras faraônicas, para financiar Belo Monte a 30 anos e 4% de juros, para fazer o trem bala. Tem dinheiro para tudo.

É uma gambiarra que na prática é emissão de dívida diz Rogério.

Esse dinheiro contorna tudo, até a contabilidade da dívida pública líquida, porque o governo registra como ativo o dinheiro emprestado ao BNDES. Assim, ele dá a impressão de austeridade.

Nada acontece com a dívida líquida, mas essa estatística não faz mais sentido de tanta gambiarra feita pelo governo. Ele está bombeando dinheiro para o BNDES e pouca gente fala disso porque o empresariado foi todo cooptado. Antes havia dinheiro para alguns, e os outros reclamavam.

Agora parece haver dinheiro para todos e ninguém quer apontar o problema diz o economista.

Essa despesa além de não ser mensurável encontra um bloqueio de informações por parte do governo.

O Estado de S. Paulo passou um mês pedindo ao Tesouro e ao BNDES informações sobre as condições dos empréstimos concedidos, e eles se negaram a fornecer detalhes. Só em abril foram R$ 80 bilhões de empréstimos, e com juros ainda mais baixos e prazos superiores a 30 anos. Em um único mês, a dívida cresceu 6,6% por causa dessa operação. A Controladoria Geral da União (CGU) também procurou saber as condições dessas operações financeiras para executar seu trabalho de fiscalização.

O BNDES alegou à CGU que não pode dar detalhes porque é uma instituição financeira e esses detalhes, se tornados públicos, representariam quebra de sigilo fiscal e bancário.

O banco recebe dinheiro de endividamento público dívida que será paga por todos nós em condições sigilosas e com esse dinheiro financia as empresas com um enorme subsídio. A CGU pede informações e o banco diz que isso quebra seu sigilo bancário. Curiosa alegação, já que o BNDES não é banco comercial e sim uma instituição pública financiada por recursos públicos.

O caso BNDES é apenas um dos problemas que os reluzentes números escondem.

Há 20 anos a carga tributária cresce no Brasil e tende a crescer nos próximos anos porque o governo Lula criou uma armadilha: ele aproveitou o aumento da receita nos anos anteriores à crise para aumentar gastos que não poderão ser comprimidos na época das vacas magras.

No ano passado, a pretexto de combater a crise, ele reduziu drasticamente o superávit primário e consumiu esses recursos em gastos de custeio. O investimento aumentou apenas de 5% para 6% da Receita Corrente Líquida. Esse aumento da máquina pode ter, em vários casos, boas justificativas como a necessidade de pessoal qualificado em áreas de atuação exclusiva do Estado, nos quais havia falta de pessoal ou a idade média é elevada. O problema é que essa renovação do pessoal teria que ter sido precedida de novas regras administrativas e previdenciárias para dar mais flexibilidade ao Estado quando a conjuntura mudar.

O Tesouro tem drenos pelos quais escorre para centros de gastos o dinheiro que é recolhido de todos os brasileiros. Por isso, o assunto nos diz respeito.

Hillary vê risco para o mundo no acordo Brasil/Irã

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que a Casa Branca tem "discordâncias muito sérias" com o Brasil em relação ao Irã, informa Andréa Murta.

Foi a maior demonstração pública de contrariedade dos EUA desde que Brasília anunciou o acordo com Teerã, na semana passada.

Para Hillary, a atuação do Brasil no caso "ajuda o Irã a ganhar tempo e evita uma posição internacional unânime", o que, diz ela, "torna o mundo mais perigoso".

Como a Folha revelou ontem, o acordo para troca de urânio seguiu roteiro sugerido pelo presidente Barack Obama em carta a Lula.
No Brasil, o premiê turco, Recep Tayyp Erdogan, que participou das negociações do acordo, chamou os críticos de"invejosos".

Hillary vê discordância séria com Brasil

Para americana, acordo entre Brasília e Teerã só ajuda o Irã a ganhar tempo e torna o mundo mais perigoso

Secretária de Estado dos EUA afirma já ter feito ao governo brasileiro alerta de que o país está sendo usado pelo Irã

Andrea Murta

WASHINGTON - Na maior exposição pública de contrariedade dos EUA com o Brasil desde o anúncio do acordo entre Brasília e Teerã no início da semana passada, a secretária de Estado dos EUA disse ontem que Washington tem "discordâncias muito sérias" com o governo brasileiro quanto à abordagem da questão.

Hillary falava em Washington sobre a nova Estratégia de Segurança Nacional da Casa Branca quando foi indagada se o Brasil passou a ser considerado pelos EUA como "parte do problema" -especialmente após a insistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em tentar evitar sanções a Teerã por seu programa nuclear.

"Certamente temos discordâncias muito sérias com a diplomacia brasileira em relação ao Irã.

Dissemos ao presidente Lula e ao ministro [Celso] Amorim [Relações Exteriores] que ajudar o Irã a ganhar tempo e evitar uma posição internacional unânime contra seu programa nuclear torna o mundo mais perigoso", respondeu.

Como a Folha revelou ontem, o acordo que Brasil e Turquia fecharam com Teerã segue roteiro traçado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em carta enviada a Lula em abril.

Apesar de o Brasil seguir a receita dos EUA, porém, o pacto foi esnobado por Washington. No dia seguinte à sua divulgação, a Casa Branca apresentou ao Conselho de Segurança da ONU esboço de resolução com novas sanções ao Irã, referendado pelos demais membros permanentes do órgão (Rússia, China, França e Reino Unido).

Procurada pela Folha para explicar a mudança de posição, a Casa Branca disse que não comenta correspondência diplomática.

Hillary afirmou ontem ter dito ao governo brasileiro "que o Irã está usando vocês, que achamos que é hora de ir ao Conselho de Segurança e que só depois de ação [nesse fórum] o Irã se engajará de fato" na discussão sobre seu programa nuclear.

A secretária insistiu, porém, que a discordância "de forma alguma mina o compromisso dos EUA em ter o Brasil como parceiro efetivo neste hemisfério e além"."O Brasil é parte de solução; em um grande número de temas o Brasil é um parceiro responsável e eficaz."

Ela mencionou como exemplos positivos a atuação conjunta após o terremoto no Haiti, na ação relacionada à mudança climática e na relação comercial.

Em outro momento, Hillary também elogiou o Brasil por ter carga tributária alta em relação ao PIB, o que segundo ela favorece o desenvolvimento econômico.

DOCUMENTO

O texto da Estratégia de Segurança Nacional de Obama, divulgado ontem, menciona brevemente o país, sem considerá-lo porém um "centro-chave de influência".

Essa distinção foi reservada para os outros países do grupo dos Brics -China, Índia e Rússia.

O Brasil foi citado como "país de influência crescente", ao lado de África do Sul e Indonésia.

Em outro momento, o documento diz que os EUA "apreciam a liderança do Brasil e seu esforço para ir além das antigas divisões Norte-Sul" na abordagem de temas internacionais.

Por fim, o texto diz que os EUA trabalharão com o Brasil no G20 e na Rodada Doha.

Lula desconsidera as consequências de sua diplomacia

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Denise Chrispim Marin

Ao declarar que os EUA mantêm "divergência séria" com o Brasil, Hillary Clinton alertou para os custos da insistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em se opor à aprovação de novas sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU.

Divergências não chegam a ser nocivas para as relações entre duas nações sensatas, mas desta vez o Brasil passou dos limites. Os EUA já haviam dito que não desistiriam de novas sanções enquanto o Irã não parasse de enriquecer urânio.

Para Brasil e Turquia, essa condição é irrelevante e indesejável. Neste momento, incomoda a Casa Branca o desafio que Lula tomou para si: abortar a aprovação das sanções contra Teerã na ONU.

Enquanto Barack Obama busca um canal legítimo para tratar a questão, mesmo sob o risco de ver o Congresso aprovando sanções unilaterais e seu partido castigado nas eleições de novembro, a diplomacia presidencial de Lula avança com ambições de fazer história, com motivações eleitorais e desprendimento das consequências que trará ao País.

É jornalista

O QUE PENSA A MÍDIA

EDITORIAIS DOS PRINCIPAIS JORNAIS DO BRASIL
Clique o link abaixo

Horowitz plays SchumannTraumerei in Moscow

Canto de regresso à pátria :: Oswald de Andrade


Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo


Oswald de Andrade (1890-1954) é um dos mais significativos autores modernistas da literatura brasileira. Participou da Semana de Arte Moderna, editou o jornal "O Homem do Povo" e ajudou a fundar "O Pirralho" e a "Revista Antropofágica". É de sua autoria o Manifesto Antropófago de 1928.De sua extensa obra literária extraímos o texto acima.