O Estado de S. Paulo
Mau exemplo na política é gasolina na fogueira de golpistas e nazistas, numa fusão explosiva
Uma imagem vale mais do que mil palavras?
Muitas vezes, sim, como a foto de oito políticos, alegres e sorridentes, alguns
de copos nas mãos, refrescando-se na piscina do rancho de um advogado bastante
conhecido, e polêmico, que está na mira na Polícia Federal por... lavagem de
dinheiro.
Lava-se dinheiro daqui, lambuzam-se biografias dali e la nave va na política, enquanto grupos radicais se multiplicam com rapidez e audácia cada vez maiores, reunindo gente de tendências nazistas, machistas, misóginas e golpistas – e com ânsias de explodir a República.
A foto da piscina, publicada pela revista piauí,
e a existência desses grupos de essência terrorista, revelada pelo Fantástico,
da Rede Globo, se encontram num mesmo ponto: ambos são inimigos da política e
da democracia. Com os potenciais terroristas, a polícia encontrou plantas de
prédios públicos em Brasília, inclusive do Palácio do Planalto, ao lado de
“receitas” de fabricação de bombas e granadas com capacidade variável de
destruição.
O objetivo é explodir a democracia,
literalmente, como tentaram os vândalos do 8 de Janeiro, estimulados pelo governo
de plantão e por setores das Forças Armadas, enfim derrotados pela cúpula
militar legalista e pela Justiça, principalmente o STF.
Tão danosa é a promiscuidade entre políticos
de destaque com cidadãos para lá de controversos. O que empurrou parlamentares
na piscina do advogado Willer Tomaz, alvo de operação da PF sobre o INSS por
ser “hub financeiro, patrimonial e logístico” de políticos – ou seja, centro da
corrupção?
Certamente, o mesmo impulso que jogou Flávio
Bolsonaro (PL), Jaques Wagner (PT) e Ciro Nogueira (PP e Centrão), entre tantos
outros, nas graças de Daniel Vorcaro. O crime não compensa? Os mimos do Master
compensavam, e muito, como os dos irmãos Batista, da J&F, ou da lobista
Roberta Luchsinger, amigona do Lulinha, filho do presidente Lula, que fazia
empréstimos generosos a poderosos.
Na farra de Willer Tomaz estavam do
ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP) ao então deputado Alexandre Ramagem (PL),
diretor-geral da Abin na era Bolsonaro, hoje foragido nos EUA. A foto estava no
celular do senador Weverton Rocha (PDT), que, segundo a PF, vive numa casa de
R$ 6 milhões comprada pelo advogado, que também repassou R$ 11 milhões para sua
mulher.
É assim que as instituições e a democracia
vão sendo corroídas por dentro, atiçando o que há de pior em bolhas que são
contra mulheres, gays, pobres e pretos e têm nojo não só dos políticos, mas da
Justiça e da democracia. Corruptos são gasolina no fogo golpista, numa fusão
explosiva. •

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