terça-feira, 4 de setembro de 2012

Dilma diz que FHC quer ‘reescrever história’

Presidente rebate críticas do artigo "Herança Pesada", publicado domingo no "Estado", e afirma que FHC tem ressentimento

A presidente Dilma Rousseff reagiu ontem ao artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso intitulado "Herança Pesada", publicado no domingo pelo Estado, no qual ele afirma que Luiz Inácio Lula da Silva promoveu uma crise moral no País e cita o escândalo do mensalão. Em nota oficial, cujo teor foi mostrado para Lula antes da divulgação, Dilma afirmou que recebeu uma "herança bendita" e não "um país sob intervenção do FMI". Num tom duro, disse ela que "Lula é um exemplo de estadista" e "um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse"- referência à emenda que permitiu a reeleição e FHC, em 1998.

Dilma reage a artigo e diz que FHC quer "reescrever história" com "ressentimento"

Tânia Monteiro, Lisandra Paraguassu, Vera Rosa

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff reagiu ontem ao artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso intitulado "Herança Pesada", publicado no domingo pelo Estado, no qual ele afirma que Luiz Inácio Lula da Silva, seu sucessor, promoveu uma "crise moral" no País por causa do mensalão.

Em nota oficial, cujo teor foi mostrado a Lula antes da divulgação, Dilma afirmou que recebeu uma "herança bendita" e não "um país sob intervenção do FMI ou sob a ameaça de apagão", numa referência à dívida com o Fundo Monetário Internacional deixada pelo tucano e ao período de racionamento de energia na gestão do adversário político.

Num tom duro, a presidente partiu para o confronto dizendo que não reconhecer os avanços que o País obteve nos últimos dez anos "é uma tentativa de menor de reescrever a história". "O passado deve nos servir de contraponto, de lição, de visão crítica, não de ressentimento", disse.

Afirmou, ainda, que "Lula é um exemplo de estadista" e "um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse", em referência à aprovação da emenda constitucional que permitiu a reeleição de FHC, em 1998.

Coordenação. A reação de Dilma fez parte de uma ação coordenada com Lula. Ao tomar conhecimento do artigo de Fernando Henrique, o ex-presidente teria soltado um palavrão. "Eu é que me f... com a herança maldita que recebi dele", teria dito Lula.

Embora Lula não tenha pedido para Dilma redigir a nota, ele foi informado de seu teor ontem pela manhã, em conversa telefônica com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e aprovou o conteúdo duro do texto.

A nota foi uma forma, segundo fontes do Planalto, de mostrar sintonia entre os dois, dizer que ambos estão do mesmo lado. O que mais teria irritado Lula e Dilma foi o fato de FHC falar em "crise moral" do governo, citar o escândalo do mensalão e bater na tecla da falta de eficiência da administração petista, que demitiu oito ministros "nem bem completado um ano de governo (...) por suspeitas de corrupção".

No Planalto, a avaliação é a de que, ao agir assim, FHC cumpre uma estratégia eleitoral para tentar grudar o escândalo do mensalão em Lula e no PT. O objetivo seria ajudar o PSDB nas eleições municipais, principalmente em São Paulo, onde o candidato tucano José Serra enfrenta dificuldades. Ele divide tecnicamente a segunda posição nas pesquisas com Fernando Haddad (PT).

Até a publicação do artigo de Fernando Henrique, no domingo, a relação entre Dilma e ele era muito boa. Em maio, FHC esteve no Palácio do Planalto, a convite de Dilma, para a instalação da Comissão da Verdade.

Lula também estava lá. Em janeiro do ano passado, FHC participou de almoço com o presidente norte-americano, Barack Obama. Também no ano passado, em junho, Dilma mandou carta cumprimentando FHC pelos 80 anos e chamando- o de "acadêmico inovador", "político habilidoso", "ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação". A carta provocou ciúmes no PT.

Ainda no fim do ano passado, Dilma convidou Fernando Henrique para um jantar com o grupo The Elders, no Palácio da Alvorada, do qual o ex-presidente faz parte. Recentemente, Fernando Henrique chegou a defender Dilma dos grevistas, antes mesmo que Lula o fizesse.

Desde domingo, porém, quando leu o artigo, a presidente se sentiu atingida. Além de citar a crise moral do governo, FHC falou em falta de eficiência. Dilma queria responder o ex-presidente no mesmo dia, mas foi aconselhada a deixar a atitude para segunda-feira, pois teria mais repercussão.

Em conversas reservadas, Dilma disse que Fernando Henrique "passou muito do limite". Na resposta, ela fez questão de ressaltar que precisava "recolocar os fatos em seus devidos lugares". Em nenhum momento, porém, citou o mensalão.

Dois trechos do artigo de Fernando Henrique aborreceram particularmente Dilma. O primeiro, quando ele diz que "é pesada como chumbo a herança desse estilo bombástico de governar que esconde males morais e prejuízos materiais sensíveis para o futuro da Nação". Mais adiante, quando o ex-presidente ataca afirma que "o que mais pesa como herança é a desorientação da política energética. Calemos sobre as usinas movidas "a fio d"água", cuja eletricidade para viabilizar o empreendimento terá de ser vendida como se a produção fosse firme o ano inteiro, e não sazonal" . Dilma foi ministra das Minas e Energia e sempre comandou diretamente este setor, com mão de ferro.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Em defesa de Lula, Dilma ataca FHC por reeleição

Presidente rebate artigo no qual tucano diz que ela recebeu "herança pesada"

A presidente Dilma Rousseff rompeu ontem o clima amistoso com o antecessor Fernando Henrique Cardoso e rebateu, em nota, as críticas feitas no final de semana pelo tucano ao ex-presidente Lula e ao PT.

"[Lula é] um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse", disse em referência à mudança feita pelo Congresso que deu a FHC o direito de concorrer a um segundo mandato.

Dilma defende Lula e diz que FHC tenta reescrever história

Presidente afirma ter recebido "herança bendita", não país sob ameaça de apagão

Na declaração, que rompe clima amistoso, Dilma também critica alteração que permitiu 2º mandato a tucano

Flávia Foreque e Natuza Nery

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff rompeu ontem o clima amistoso com o antecessor Fernando Henrique Cardoso e, em nota, rebateu as críticas feitas pelo tucano ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT.

Em artigo publicado anteontem nos jornais "O Estado de S. Paulo" e "O Globo", FHC chamou de "herança pesada" o legado deixado por Lula para a sucessora.

Dilma respondeu em uma nota inusual em sua gestão, afirmando que o tucano, ao não reconhecer avanços da gestão do PT, tenta reescrever a história.

"O passado deve nos servir de contraponto, de lição, de visão crítica, não de ressentimento", disse Dilma.

Na nota ela afirma ter recebido do antecessor uma "herança bendita". "Não recebi um país sob intervenção do FMI [Fundo Monetário Internacional] ou sob a ameaça de apagão", numa referência ao discurso do PT sobre como Lula recebeu o governo das mãos de FHC em 2003.

E foi além. Disse que Lula é "exemplo de democrata" que "não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse."

A presidente se refere aos rumores de que Lula tentaria alterar a Constituição para ter um terceiro mandato e à mudança feita pelo Congresso, patrocinada por FHC em 1997, que garantiu ao tucano o direito de concorrer a um segundo mandato.

Relação

A nota destoa do clima amigável demonstrado entre o tucano, que governou o país entre 1995 e 2002, e a presidente, que assumiu em 2011 após oito anos de gestão Lula (2003-2010).

Em junho do ano passado, por exemplo, Dilma chamou FHC de "político habilidoso" e "arquiteto" do fim da hiperinflação. Meses depois, FHC chamou Dilma de "generosa" quando recebeu dela carta elogiosa pelos seus 80 anos.

Já no artigo de anteontem, FHC apontou como falhas da gestão Lula a "desorientação da política energética", em especial a gestão da Petrobras, e o atraso em projetos de grande impacto, como a transposição do rio São Francisco. Também falou de "crise moral", citando o escândalo do mensalão e a troca de ministros egressos do governo Lula, sob suspeita de corrupção.

"Houve mesmo busca de hegemonia a peso de ouro alheio", afirmou FHC sobre o mensalão.

O tucano também fez críticas ao PT ao atribuir à legenda parte da responsabilidade pelas demissões de ministros.

O Palácio do Planalto interpretou o artigo de FHC como uma tentativa de explorar uma divisão entre Dilma e Lula. Na avaliação interna, ou o governo respondia ou subscreveria as críticas do tucano. O PT gostou do gesto.

Segundo a Folha apurou com interlocutores do ex-presidente, Dilma telefonou a Lula e disse ter ficado irritada com o artigo de FHC.

Antes de saber que a sucessora divulgaria nota, Lula se preparava para responder. Só desistiu ao ser informado dos planos de Dilma, a quem agradeceu depois.

A presidente afirmou ter sido "citada de modo incorreto" por FHC. Nos seis parágrafos que compõem a nota, Dilma intercalou elogios a Lula e alfinetadas no tucano.

A presidente afirmou ter recebido um país "mais justo e menos desigual" e elogiou as "posições firmes" de Lula na política externa.

Em resposta, o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), afirmou que o PT "vai muito mal nestas eleições" e que "o ex-presidente Lula está correndo atrás do prejuízo." A Folha não conseguiu falar ontem com FHC.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Ibope: afilhado de Campos lidera em Recife com 33%

Campanha de petista atribui problemas ao mensalão e espera Lula

Letícia Lins

RECIFE O candidato do PSB, Geraldo Júlio, assumiu a liderança da corrida pela prefeitura de Recife e pela primeira vez aparece como vencedor num eventual segundo turno, como mostra a quarta rodada de pesquisa Ibope, divulgada ontem. O socialista tem 33% das intenções de voto, 28 pontos a mais do que na primeira apuração, feita em julho. O senador Humberto Costa (PT), que liderava a primeira enquete com 40%, perdeu 15 pontos e agora está com 25%. Os números foram divulgados pela TV Globo, que encomendou a pesquisa com o jornal "Folha de Pernambuco". De acordo com o Ibope, Geraldo Júlio teria, ainda, 44% dos votos num segundo turno, contra 39% do petista. A ascensão do socialista também se refletiu na pesquisa DataFolha/TV Globo, na semana passada, em que ele havia subido 22 pontos, empatando em 29% com Humberto Costa.

Em julho, o socialista aparecia com 5% no Ibope. Subiu depois para 12% (em 3 de agosto), 16% (16 de agosto)e chegou agora a 33%. Duas semanas após a divulgação na TV de suas propostas de governo e da presença do governador Eduardo Campos (PSB) - seu padrinho político, come popularidade que chega a 71%, segundo o Ibope - nos programas do partido, e passou a liderar.

Humberto Costa estava à frente na primeira avaliação do Ibope, com 40%. Caiu para 35%, depois para 32% e está agora com 25%. Na TV, sequer cita o prefeito do Recife, João da Costa, de seu partido. A expectativa do PT, agora, é a presença de Lula em Recife, prevista para o próximo dia 13.

Coordenador financeiro da campanha do petista, o ex-deputado Dílson Peixoto disse, em entrevista à CBN, que o mensalão atrapalha:

- Estamos pagando um preço alto com o julgamento do mensalão. Quando acontece um problema com qualquer partido é Fulano de Tal. Quando ocorre conosco é o PT.

Campos apareceu ontem no programa eleitoral de seu candidato: "Escolhi um goleador, um artilheiro, alguém que sabe comandar tarefas, formar equipe, liderar e que só larga o trabalho quando termina". Humberto Costa afirmou que tem 30 dias para reverter as pesquisas, enquanto Geraldo Júlio atribuiu a ascensão às suas propostas.

A pesquisa revelou a queda de Mendonça Filho (DEM), que, em julho, tinha 20% e estava em segundo. Já o ex-verde e hoje tucano Daniel Coelho subiu de 9% para 15%. Votos em branco e nulos somaram 8%. A pesquisa, feita entre 31 de agosto e 1º de setembro, ouviu 805 pessoas e foi registrada no TRE sob o número 00094/2012.A margem de erro é de 3 pontos.

FONTE: O GLOBO

Em Recife, PT municipal pede socorro a Lula para reverter situação

João Domingos

O PT do Recife decidiu pedir socorro ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois da divulgação da pesquisa do Ibope que registrou o vertiginoso crescimento do candidato do PSB, Geraldo Júlio, e a queda do senador petista Humberto Costa. A presença de Lula no Recife passou a ser exigida com urgência.

A assessoria do ex-presidente informou que ele não deverá fazer nenhuma viagem nesta semana. Mas, no Recife, há uma intensa movimentação nos bastidores da campanha de Humberto Costa para que Lula desembarque na cidade até a próxima semana para se encontrar com o senador. Para o deputado José Nobre Guimarães (CE), um dos coordenadores do grupo que cuida das eleições municipais no PT nacional, a situação no Recife preocupa, apesar da confiança numa virada pró-Humberto Costa, pois resta ainda mais de um mês para a eleição. "Recife é um dos nossos alvos estratégicos e vencer a eleição lá é muito importante."

Humberto Costa tornou-se candidato graças a uma intervenção feita pelo PT nacional no diretório local do partido. O atual prefeito, João da Costa (PT), foi acusado de fraudar a convenção que o escolheu candidato à reeleição.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

'O PT vai mal nestas eleições', afirma Guerra

Denise Madueño, Eugênia Lopes

BRASÍLIA - O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), atribuiu às dificuldades eleitorais do PT a reação da presidente Dilma Rousseff ao artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no domingo, no Estado. O PT comemorou a nota de Dilma, pois a associação de programas adotados por ela com a política econômica do ex-presidente FHC sempre incomodou os petistas. "A situação é clara. O PT vai muito mal nestas eleições. O ex-presidente Lula está correndo atrás do prejuízo e a presidente deixa claro que não tem nada a ver com esse prejuízo", diz Guerra, em nota. Para ele, Dilma adotou comportamento bem distinto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Apesar de ter demitido quase metade dos ministros, de ter chacoalhado a Petrobrás, ela (Dilma) faz de conta que não houve nada, que os ministros que vieram do governo passado eram bons e as práticas de antes eram limpas, e que foi a força da gravidade que a fez mudar a diretoria da Petrobrás, não a constatação de que a empresa ia e continua muito mal. Nós entendemos a presidente. O importante é que a senhora trabalhe direito e não fique só nas palavras."

As manifestações de consideração e apreço de Dilma com FHC sempre causaram irritação aos petistas. "A presidente mostrou que tem um lado e é de Lula. A nota é para deixar claro que o projeto dela de desenvolvimento do Brasil é o mesmo do presidente Lula e não o de Fernando Henrique", disse o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP). "O ex-presidente FHC tentou desconstruir Lula e obrigou a presidente a se posicionar, a um mês da eleição."

Ex-presidente do PT, José Dirceu usou pontos citados por FHC para rebater as críticas do artigo. "O ex-presidente tucano fala grosso e se assanha no que pretende ser um "julgamento" dos dois mandatos de Lula. Mas as pesquisas e as urnas continuam não lhe dando razão. Faz críticas totalmente sem sentido e autoridade."

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Em BH, Aécio contesta peso de Lula

Senador considera que se candidatura petista crescer um pouco será pelo capital político do partido em BH e não devido ao apoio do ex-presidente

Bertha Maakaroun

Marcio Lacerda fez corpo a corpo na Região do Barreiro na companhia do governador Antonio Anastasia e do senador Aécio Neves

O senador Aécio Neves (PSDB) procurou minimizar ontem o peso político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o eleitorado de BH. Depois de considerar "natural" que a candidatura do PT "cresça um pouco mais", Aécio atribuiu essa possibilidade não à presença do cacique petista na campanha de Patrus Ananias, mas a "um patamar de votos" que a legenda teria na cidade. "Lula é especial, meu amigo inclusive. Mas acredito que, na hora de decidir o voto, o mineiro tem tradição secular de construir o seu destino, de buscar as suas opções. Isso as pesquisas estão refletindo", argumentou.

Mesmo sem citar nominalmente ministros que estiveram na capital, como o da Saúde, Alexandre Padilha, e a da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, Aécio afirmou: "Por mais que ministros de estado e outras lideranças venham a BH, e serão sempre por nós muito bem recebidos, a decisão caberá ao eleitor mineiro. Como ocorreu em relação ao governador Anastasia, onde essas mesmas lideranças nacionais aqui vieram pedir voto ao nosso adversário e o Anastasia venceu a eleição no primeiro turno", observou Aécio Neves.

O governador Antonio Anastasia (PSDB) rebateu também a crítica de Lula durante comício na Praça da Estação, de que o estado estaria quebrado. "Vou me limitar a informar que há menos de um mês a agência internacional Standard & Poors, a mais respeitada do mundo, analisou as finanças de Minas e subiu a nossa avaliação", disse, repetindo o que Aécio havia dito anteontem.

As declarações do presidente nacional do PT, Rui Falcão, de que o partido percebe sinais de um eventual rompimento com o PSB para as eleições presidenciais de 2014, foram negadas pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB). "Não acho que seja verdade. Ele está procurando acirrar a militância do PT aqui, em Recife, em Fortaleza e em outros lugares contra o PSB. Mas isso é de certa forma terrorismo político, que acho que não cola, pois, até onde sei, o PSB tem compromisso com a presidente Dilma, o que ficou claro no encontro que os governadores do Nordeste tiveram com ela recentemente", ponderou.

Samba - Aécio e Anastasia participaram ontem, ao lado de Marcio Lacerda, de ato de campanha no Barreiro, onde visitaram as obras do Hospital Metropolitano. O prefeito justificou o atraso nas obras pela falência de uma das empresas vencedoras da concorrência e respondeu às críticas dos adversários pela demora na conclusão. "O importante é que vai ser entregue. Houve um pequeno atraso motivado por uma empresa que faliu, mas a obra está a todo vapor, com 150 operários. Já a partir de dezembro a segunda empresa que fará a finalização entra em paralelo com a que está trabalhando agora", informou.

Depois da visita ao hospital, Lacerda, Anastasia e Aécio fizeram corpo a corpo na Avenida Sinfrônio Brochado, onde cerca de 200 militantes o aguardavam. Lacerda chegou a sambar, ao lado vice, Délio Malheiros (PV), com eleitores.

Jingle - Lacerda comentou a decisão liminar da Justiça Eleitoral que suspendeu o jingle de sua campanha por repetir melodia já usada pela Prefeitura de Belo Horizonte. "É uma liminar que o juiz concedeu, contrariando decisões de outros dois juízes, também em nível de liminar. Vamos apelar, já mudamos o jingle, mas deixa o "Marcio trabalhar" continuará", afirmouw.

Debate - Foi tenso o debate entre os candidatos a prefeito de BH, ontem à noite, no Centro Universitário UNA. O prefeito Marcio Lacerda (PSB), que disputa a reeleição, foi o principal alvo dos adversários e reclamou dos ataques. O maior crítico não foi o candidato do PT, Patrus Ananias, que polariza a disputa com o socialista, mas Tadeu Martins (PPL). As torcidas dos candidatos ficaram exaltadas e foram contidas pelos coordenadores do debate, que ameaçaram retirar do auditório quem continuasse interrompendo e atacando a fala do adversário.

FONTE: ESTADO DE MINAS

DEM perde força na corrida em Fortaleza

Governistas sobem em pesquisa e ameaçam Moroni Torgan

Maria Lima

BRASÍLIa Sem padrinho para sustentar sua liderança nas pesquisas de intenção de votos, o ex-deputado Moroni Torgan, esperança de vitória para o DEM no Nordeste, está sendo ameaçado pelo rápido crescimento dos dois candidatos governistas Roberto Cláudio (PSB) e Elmano de Freitas (PT), na disputa pela prefeitura de Fortaleza. O petista cresceu após explorar apoio de Lula. Líderes da base que já davam a eleição como perdida, por causa do racha entre PT e PSB, agora apostam na polarização dos nomes do governador Cid Gomes (PSB) e da prefeita Luiziane Lins (PT).

Na pesquisa Datafolha/TV Globo do final da semana, Moroni, que chegou a ter 35% das intenções de votos, ainda está com uma boa vantagem mas vem perdendo pontos e caiu para 25%. Roberto Cláudio ganhou 11 pontos, saltando dos 5% para 16%; e Elmano de Freitas ganhou 12 pontos, pulando de 3% para 15%, passando de quinto colocado para a terceiro na disputa.

No caso do candidato petista, seu crescimento após duas semanas de campanha na TV é atribuído à vinculação maciça ao ex-presidente Lula, e não à prefeita, que tem rejeição superando a casa dos 70%.

- Elmano mostra Lula 24 horas por dia conversando com ele e dizendo como tem que governar. Lula neutraliza a rejeição de Luiziane. Elmano e Roberto Cláudio devem ir para o segundo turno - avalia o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que apoia a candidatura do PSB.

A pesquisa Ibope de 30 de agosto repete o DataFolha. Comparando com a pesquisa dos dias 9 e 11, Torgan perdeu sete pontos percentuais, caindo de 31% para 24%. Roberto Cláudio dobrou sua intenção de voto, que foi de 8% para 16%. E Elmano ganhou oito pontos, foi de 6% para 14%.

Empate em Porto Alegre

Em Porto Alegre, pesquisa do Ibope divulgada no último sábado dá empate técnico entre a comunista Manuela D"Ávila (PCdoB) e o atual prefeito José Fortunati (PDT), com 37% e 35% das intenções de voto, respectivamente. Em terceiro, aparece o petista Adão Villaverde, com 5%. Roberto Robaina (PSOL) está com 1%. Os demais candidatos, Wambert di Lorenzo (PSDB), Érico Corrêa (PSTU) e Jocelin Azambuja (PSL), não pontuaram. Votos em branco ou nulos são 5% e não sabem ou não responderam, 15%. Num segundo turno, o Ibope mostra vantagem, dentro da margem de erro, da deputada: 42% contra 39% das intenções de voto. Brancos e nulos são 6% e não sabem ou não responderam, 12%.

FONTE: O GLOBO

Serra vai à TV dizer que não deixará Prefeitura

Em queda nas pesquisas, tucano aborda renúncia em 2006 na propaganda eleitoral

Isadora Peron

Depois da queda nas pesquisas de intenção de voto e do crescimento da rejeição à sua candidatura a prefeito de São Paulo, o tucano José Serra justificou na TV a saída da Prefeitura em 2006, um ano e três meses após a posse, para disputar o governo do Estado. "Vou ficar o mandato inteiro", afirmou. O depoimento tomou quase 30% do tempo a que tem direito: foram 2 minutos e 10 segundos de explicação.

Na propaganda, Serra diz que vem sendo constantemente questionado nas ruas sobre a renúncia e que compreende as dúvidas dos eleitores. Segundo o tucano, ele teve de concorrer ao governo estadual em 2006 para não deixar o PT vencer as eleições: "O governador (Geraldo) Alckmin não podia mais se reeleger, e o Estado estava ameaçado de cair nas mãos do PT, jogando fora a recuperação que vinha desde os tempos do (Mario) Covas".

No depoimento, ele também critica a gestão de sua antecessora, a petista Marta Suplicy (2001-2004). "Em 2005, quando assumi, encontrei a Prefeitura falida", diz, destacando que foi o responsável por colocar as "finanças em ordem".

A saída da Prefeitura já havia sido abordada indiretamente na primeira peça na TV, há duas semanas, quando Serra explicou por que gostaria de ser prefeito de novo. Após o mau desempenho nas recentes pesquisas - de acordo com o último levantamento Ibope, o tucano está tecnicamente empatado, em 2.º lugar, com Fernando Haddad (PT) -, dirigentes do PSDB começaram a cobrar abordagem mais direta do tema no horário eleitoral.

O programa de ontem também exibiu depoimento de Alckmin sobre a importância da parceria entre Estado e Prefeitura. Associar a imagem de Serra à do governador é outra forma de tentar reduzir a rejeição do candidato. No rádio, os dois últimos programas foram dedicados a um bate-papo entre os dois tucanos.

Discurso. Há alguns dias, o tucano deu sinais de que adotaria esse tom de discurso na propaganda eleitoral. Na sexta-feira, em entrevista à TV Estadão, Serra já havia afirmado que não abandonaria o mandato em 2014, nem para concorrer à Presidência. "Eu não vou de novo para presidente porque já fui duas vezes. Tem muita coisa para ser feita em São Paulo."

Anteontem, o tucano relatou que eleitores habituados a votar nele diziam que, desta vez, não pretendiam repetir a escolha por avaliar que o tucano não ficaria no cargo até 2016. Segundo Serra, o tema "se espalhou inclusive nos bairros onde a gente sempre ganha".

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Partidos de cofre cheio

Previsão de verbas para o Fundo Partidário é recorde e pode ser ainda maior se a prática dos últimos anos se repetir

Leandro Kleber

Com dificuldades de arrecadação de dinheiro para tocar a campanha deste ano, os partidos políticos deverão ter verba recorde do Fundo Partidário em 2013. De acordo com a proposta orçamentária encaminhada pelo governo ao Congresso Nacional, na semana passada, as legendas terão R$ 232 milhões do fundo para custear despesas como manutenção de sedes, propaganda, campanhas e com as fundações ligadas às agremiações políticas. É o maior valor já proposto pelo Poder Executivo em uma peça orçamentária.

O montante, porém, pode aumentar. Os parlamentares devem apresentar emendas para adicionar recursos ao fundo durante a tramitação do projeto no Congresso. Pelo menos essa foi a prática dos últimos dois anos. Antes, a dotação original prevista não costumava ser alterada, mesmo que minimamente. A mudança ocorreu quando os partidos se mostraram endividados, por causa dos gastos nas eleições de 2010. Em 2011 e 2012, os deputados e senadores incharam o montante calculado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em, exatamente, R$ 100 milhões em cada exercício.

Agora, eles poderão repetir a dose, beneficiando a todos os partidos. Um dinheiro extra que poderá compensar a perda de receita decorrente do novo rateio dos recursos dos partidos determinado pelo TSE, no fim de junho, graças à criação do PSD. Mas já há quem se apresse em dizer que é contra qualquer adicional ao fundo. "Não há motivos para aumentá-lo, principalmente, no momento em que vivemos uma crise econômica. Votarei contra qualquer aumento, porque considero a ideia descabida", garantiu o deputado paulista Roberto Freire, presidente do PPS.

O PT foi a sigla mais bem contemplada com recursos do fundo este ano. De acordo com o TSE, o partido recebeu pouco mais de R$ 33 milhões até agosto; seguido do PMDB, com R$ 30 milhões; e PSDB, com quase R$ 24 milhões. O PSD, criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, só ganhou R$ 405 mil, um dos menos beneficiados entre as 30 agremiações registradas. Mas o novo partido, que recebia a cota mínima de pouco mais de R$ 40 mil por mês, passará a receber, mensalmente, cerca de R$ 1 milhão. Siglas que "perderam" parlamentares para o PSD terão bloqueio de parte dos repasses nos próximos meses.

Quanto mais, melhor

O fundo partidário é constituído por recursos do Orçamento da União, multas, penalidades e doações. O dinheiro alivia as contas das siglas, apesar de muitas negarem que tenham dívidas. As agremiações usam o dinheiro para pagar pessoal e serviços de assessoria, além de bancar as estruturas estaduais e as fundações vinculadas às legendas. O tesoureiro do DEM, Romero Azevedo, avalia que o aumento do valor do fundo partidário "é bom para todo mundo". Segundo ele, o partido foi surpreendido com a decisão de junho do TSE, que obrigou os partidos a devolver recursos para que o tribunal fizesse uma redistribuição das cotas, levando em conta a entrada do PSD no espectro político-partidário. "Foi uma adequação. Teremos que devolver até 30% do que foi repassado "a mais" em julho e agosto. Essa é uma devolução inédita, que nos pegou de surpresa", reclamou.

Pelas regras, 5% do total do fundo são distribuídos, de maneira igual, a todos os partidos aptos que tenham estatutos registrados no TSE. O restante(95%) é distribuído proporcionalmente de acordo com os votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. O relator-geral do Orçamento da União de 2013, senador Romero Jucá (PMDB-RR), e o relator da receita, deputado Cláudio Puty (PT-PA), não foram encontrados para falar se irão propor o aumento. Outros integrantes da Comissão Mista de Orçamento, procurados pelo Correio, evitaram falar sobre o assunto.

"Teremos que devolver até 30% do que foi repassado "a mais" em julho e agosto. Essa é uma devolução inédita, que nos pegou de surpresa" (Romero Azevedo, tesoureiro do DEM, sobre a redistribuição do dinheiro dos partidos com a criação do PSD).

Para dividir

Ano Valor do fundo partidário proposto noprojeto do Orçamento

2005 R$ 114 milhões
2006 R$ 130 milhões
2007 R$ 144 milhões
2008 R$ 194 milhões
2009 R$ 211 milhões
2010 R$ 200 milhões
2011 R$ 201 milhões*
2012 R$ 224 milhões*
2013 R$ 232 milhões
Fonte: Orçamento Brasil

*Os parlamentares aprovaram acréscimo de R$ 100 milhões aos valores mencionados acima

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

Na cabeceira da pista - Dora Kramer

Gostar, o governador Eduardo Campos tem certeza absoluta de que o ex-presidente Lula não gostou de vê-lo lançar um candidato do PSB para tentar tirar a prefeitura de Recife das mãos do PT.

Mas, daí a dizer que a disputa levou os dois à antessala do rompimento político, o governador de Pernambuco já acha que é um exagero proposital fomentado por uma geração de petistas - na sua maioria paulistas - aflitos com os efeitos da fadiga de material materializada na situação nada promissora dos candidatos do PT às prefeituras das capitais.

Das 26 onde haverá eleição (Brasília não tem prefeito) as pesquisas indicam o PT com alguma folga na dianteira apenas em Goiânia.

No Recife perde o primeiro lugar para um candidato que Eduardo Campos tirou do zero, em São Paulo briga por uma vaga no segundo turno, em Minas fica distante do prefeito apoiado por Aécio Neves e, em dois dos cinco Estados que governa, Bahia e Sergipe, o PT é espectador da liderança do DEM nas respectivas capitais.

Eduardo Campos reconhece a si e ao seu partido (PSB) como um alvo preferencial dos petistas que, na opinião dele, "insuflam" Lula e tentam aprofundar uma cizânia que ao pernambucano não interessa no momento.

No oficial, tanto ele quanto seus correligionários não perdem uma chance de dizer e repetir apoio "fechado" à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

É uma posição de prudência. Coisa de quem tem consciência da desproporção entre a estrutura do PSB e a, no dizer de um aliado do governador, "briga de cachorro grande" desde muito posta no horizonte entre PT e PSDB.

Obviamente Campos não quer comprar confusão com Dilma nem com Lula, mas digamos que por ora manifeste mais simpatia pela presidente que pelo antecessor nas avaliações internas do PSB e nas conversas com petistas mais agastados com o alimento ao atrito originado da direção nacional, leia-se, São Paulo.

Por essas análises, o comando petista estaria levando o ex-presidente Lula a um acirramento que, a depender do desenrolar dos acontecimentos - vale dizer, do resultado das eleições, do curso da economia e da desconstrução ou reconstrução das relações entre PT e PSB - poderia levar o partido de Eduardo Campos a confirmar o que hoje é só uma hipótese. Ainda remota.

A frase síntese e intencionalmente enigmática foi dita recentemente pelo governador de Pernambuco numa roda restrita: "É preciso o PT ter muito juízo em relação ao que pretende fazer com o PSB, porque a depender disso pode haver movimentos pós-eleitorais que venham a ganhar força".

Entre eles se inclui aproximação maior com forças de fora do campo governista. Para quê? Não se fala abertamente, mas subentende-se uma mensagem relacionada à eleição presidencial de 2014.

Não necessariamente automática, mas indicativa do início de um processo de ocupação de um espaço aberto no esgotamento da dicotomia entre PT e PSDB a respeito do qual o eleitorado dá notícia por meio do desempenho de Celso Russomanno em São Paulo.

Colateral. Queira o bom senso que a surpresa geral e dos petistas em particular, com o rigor e a independência dos ministros indicados para o Supremo nos governos Lula/Dilma não tenha o poder de incluir o critério de fidelidade ao Planalto no processo de escolha dos futuros integrantes da Corte.

Se assim for, aumentará o interesse e a vigilância da opinião pública pelas sabatinas aos quais são submetidos os indicados no Congresso.

Note-se. No artigo que publica sempre no primeiro domingo do mês, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso incorporou ao seu vocabulário o "presidenta" como gosta, aos subordinados impõe e dos simpatizantes recebe a deferência de ser chamada a presidente Dilma Rousseff.

Dos tucanos é o único a prestar-lhe essa homenagem.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

O pós-mensalão - Eliane Cantanhêde

Quem está no banco dos réus do mensalão é o PT, mas quem cai nas eleições de São Paulo é o candidato do PSDB, José Serra.

Isso só comprova que as eleições municipais, apesar de começarem a armar o jogo da sucessão presidencial, têm dinâmica própria, bem diferente da nacional. O que vale é a percepção do eleitor sobre quem é mais capaz de enfrentar o touro à unha: a saúde, a segurança, o transporte público.

O crescimento do petista Fernando Haddad não é surpresa, e o que deixa os analistas assanhados são a estabilidade de Celso Russomanno, do improvável PRB, e a queda de Serra, do imperial PSDB.

Até aqui, Russomanno surfou em duas ondas: primeiro, no desconhecimento de Haddad; depois, na rejeição de Serra. Ainda não se sabe até onde irá seu fôlego, se ele vai ou não morrer na praia.

Segundo Mauro Paulino, do Datafolha, 1/3 dos fiéis eleitores do PT que votaram em Marta Suplicy em todas as três últimas eleições para a prefeitura (2000, 2004 e 2008) hoje declaram intenção de voto em Russomanno. Corresponde a dez de seus pontos nas pesquisas e tende a voltar ao leito natural do PT, principalmente com a presença e a engenharia de Marta, que tem força ímpar na periferia e, enfim, mergulha na campanha de Haddad.

Muita água ainda vai rolar na eleição e convém resistir ao "adivinhômetro", mas já há constatações. Uma é que o abraço em Paulo Maluf fez muito menos mal a Haddad do que a aliança com Gilberto Kassab está fazendo a Serra. Outra é que Haddad é muito forte tanto para ser prefeito quanto para ser uma volta por cima do PT.

Nada como uma cara nova, uma família bem arrumada, um discurso diferente e um padrinho forte justamente quando o julgamento do mensalão encerra uma era e uma geração e começa outras. Inclusive no PT. Tomara que, dessa vez, para melhor.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

PT e PSDB temem que já seja tarde - Raymundo Costa

Esta é a semana decisiva para o candidato do PRB a prefeito de São Paulo, Celso Russomanno. É possível que ele seja atacado até pelo PSDB, apesar do acordo de não agressão celebrado pelas duas legendas. Os comitês de José Serra (PSDB) e do ex-ministro Fernando Haddad (PT) têm boas notícias sobre seus candidatos. Os três estão em aparente empate técnico. Por isso todos reconhecem, embora não digam em público, que talvez já seja tarde demais para a virada: faltam apenas 33 dias para a eleição

Em 1988 foi assim: a oposição bateu o tempo inteiro em Luiz Eduardo Greenhalgh, vice na chapa de Luiza Erundina. Advogado de presos políticos era visto como um radical no meio militar e conservador, que ainda dispunha de grande influência naquele primeiro ano de governo civil. A oposição centrou fogo em Greenhalgh e esqueceu de Erundina. Quando se deu conta do erro cometido, não dispunha mais de tempo para reagir: a candidata já havia consolidado sua eleição, a primeira de um projeto do PT na capital industrial do país.

A semana dos ataques a Celso Russomanno começa agora e as campanhas dizem que têm farto material disponível. Aliás, essa é outra prova de que a oposição não esperava muito de sua candidatura, do contrário "as denúncias já estariam nas ruas". Elas sem dúvida ocorrerão, mas a torcida é que a eleição de 2012 não comece como terminou a de 2010, com um discurso religioso que ultrapassou os limites do bem senso. A discussão religiosa pode ser boa. A má discussão é que deve ser combatida. E o veneno já pode ser sentido em um ou outro discurso.

A 33 dias da eleição, PT e PSDB temam enfrentar a Haddad

As pesquisas diárias feitas pelos candidatos do PT e do PSDB dizem - a notícia é dos respectivos comitês - que Haddad continua crescendo, mas não na velocidade esperada pelo PT. O partido, no entanto, tem um canhão guardado no paiol do segundo turno: Dilma Rousseff.

Em São Paulo, Dilma já demonstrou que sua rejeição é inferior à de Lula. Basta comparar as eleições de 2006 e 2010. Na primeira, Geraldo Alckmin colocou uma frente superior a 3 milhões de votos sobre Lula: em 2010, Serra nem conseguiu chegar à casa do milhão.

Das últimas eleições em São Paulo, esta é a que, sem dúvidas, reserva mais surpresas. Russomanno, evidentemente, pode perder a eleição. Ela não estava mesmo nos cálculos de ninguém. Talvez apenas em seus sonhos mais secretos

Quando Russomanno rondava 6% de intenção de votos, o deputado estadual Rui Falcão, presidente nacional do PT, especulava com amigos sobre o futuro das eleições. Sobre o candidato do PRB, costumava brincar, mais ou menos nesses termos. "Como sempre, ele sairá na frente. Como sempre, terminará a disputa entre os últimos colocados".

Não era só o presidente do PT que estava convencido de que Russomanno não chegaria a lugar algum. Atualmente, com algum esforço, pode-se dizer que, mesmo perdendo a eleição, Celso Russomanno tornou-se um político maior que era em São Paulo.

O presidente do PT estava convencido da mesma coisa que todos os outros principais candidatos estavam pensando: o candidato do PRB jogaria como nunca e perderia como sempre. Falcão, particularmente, achava que a entrada de Lula faria Haddad decolar e Russomanno se liquefazer.

Não estava propriamente errado, como mostra o "sprint" do ex-ministro da reta final, quando Lula, com a voz um pouco melhor, entrou com mais determinação na campanha. Havia - e ainda há - dúvidas sobre o efetivo empenho de Marta Suplicy na campanha - no fim de semana passado ela cumpriu tudo o que prometeu a Lula, que foi até a senadora pedir o apoio a Haddad como, semanas antes, fora confraternizar na casa de Paulo Maluf.

É cedo para prever quem será o novo prefeito de São Paulo, embora falte pouco mais de mês para a eleição. O PT, por exemplo, ainda não atingiu o patamar que costuma alcançar na cidade, até os adversários já sabem, baseados em suas próprias pesquisas. As sondagens de Serra mostram que a promessa de não abandonar a prefeitura, feita em 2004, continua sendo devastadora para sua campanha.

O curioso é que isso não ocorreu em 2006, quando Serra largou a prefeitura para disputar o governo do Estado no lugar de Alckmin. Mas influiu bastante na eleição presidencial de 2010, quando ele novamente voltou a deixar um cargo público com pouco mais de dois anos de eleição. E a promessa que fizera fora a de que não deixaria a Prefeitura de São Paulo para disputar o Palácio do Planalto.

Mas alguma coisa acontece em São Paulo que não está claro para os candidatos, conforme eles próprios reconhecem. No programa de ontem à noite Serra tentou dar uma explicação para sua atitude, disse que as pessoas pediam na ruas. Uma explicação que não esconde a surpresa. A doença de Lula pode ter atrapalhado os planos do PT, que esperava estar melhor nas pesquisas. Mas Haddad pelo menos se moveu e dá a impressão de que encontrou a trilha do segundo turno. Resta saber se terá tempo de chegar até lá.

Falcão aparentemente estava certo com relação a Lula e Haddad, mas errou feito na avaliação sobre Russomanno. Ele e a maioria dos políticos de São Paulo, a começar pelo mais experiente deles, o tucano José Serra, até o noviço Gabriel Chalita (PMDB). Ninguém foi capaz de prever o inusitado crescimento de Celso Russomanno. O pior não é isso. O pior é que a disparada do candidato de PRB ainda agora deixa intrigados seus adversários. Há muita especulação e pouca certeza sobre a sorte da eleição.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

O PT, de réu a vítima – O Estado de S. Paulo / Editorial

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, notório homem de confiança de Lula, perdeu uma excelente oportunidade de manter a boca fechada na última sexta-feira, em São Paulo, durante a solenidade de posse da nova diretoria da Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT: "Não vão destruir a imagem do PT", garantiu, referindo-se ao julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal, em consequência do qual os petistas começam a lamber suas feridas. "A ilusão de quem apostava muito no mensalão para destruir a imagem do partido não vai se verificar" (sic), prometeu aos jornalistas.

Na verdade, Gilberto Carvalho estava apenas fazendo eco ao coro lulopetista que, inspirado no princípio de que em política a melhor defesa é sempre o ataque, historicamente marcou a ação do PT nos episódios mais agudos de sua trajetória tanto como oposição quanto, na última década, como situação no plano federal. De fato, nos últimos dias o tema "destruição do PT" marcou manifestações públicas de suas principais lideranças. Lula, em comício em Belo Horizonte, onde tenta juntar os cacos da desastrada campanha pela prefeitura local, atacou seus adversários do PSDB e do PSB: "Faz parte da cabeça deles tentar destruir o PT". O chefão da companheirada, como se vê, continua julgando os outros por si, pois desde os primórdios de sua militância sindical pautou sua ação pelo objetivo de destruir os "inimigos", antes apenas "os patrões", depois todas as perversas "elites".

De qualquer modo, o que parece claro é a mudança de tom dos petistas diante do curso que está tomando o julgamento da Ação Penal 470. Agora pode pegar mal falar em "farsa do mensalão", antigo refrão predileto de Lula, porque pode haver quem deduza que os ministros da Suprema Corte estão sendo acusados de farsantes. É melhor, então, fazer o papel de herói-vítima, neste momento em que o julgamento do mensalão e a campanha municipal tendem a se imbricar e, inevitável e crescentemente, pautar a agenda política. E é com esse espírito que Lula subiu ao palanque em Belo Horizonte, construindo mais uma esmerada peça do seu repertório de autoglorificação: "Se morreu, enterra, vai embora e acabou", disse, referindo-se à sua doença. "Mas eu não podia viver sem fazer discurso. Estou feliz de estar aqui fazendo meu primeiro comício e dizendo para meus amigos que eu voltei e para meus inimigos que estou vivo e que meus adversários vão me ver muito tempo fazendo comício." Para quem não pode "viver sem fazer discurso", Lula demonstrou que está em grande forma: "O PT não é Lula, não é Dilma, não é Pimentel, não é Patrus. O PT é cada um de vocês". E uma multidão de 5 mil pessoas aplaudiu em delírio.

Mas o ministro Gilberto Carvalho exagerou. Sem poder contar com a "indulgência plenária" que beneficia o Grande Chefe escorado no lastro de enorme apoio popular, Carvalho tem a responsabilidade de ser ministro de Estado, o que, para dizer o mínimo, confere peso diferenciado a suas afirmações. Deveria, por essa razão, tomar mais cuidado ao desenvolver em público argumentos sub-reptícios como o que usou durante o evento da CUT para minimizar a importância da repercussão do julgamento do mensalão sobre a imagem do PT e de Lula, e consequentemente sobre as eleições municipais: "O povo conhece o governo Lula desde 2003 e, postos na balança esses problemas, o saldo é que a vida do povo melhorou".

Em português claro, o que Gilberto Carvalho quis dizer é que probidade, honestidade, escrúpulos na gestão da coisa pública são valores irrelevantes diante da evidência - que ninguém nega - de que houve efetivamente uma melhora no padrão de vida de contingentes importantes da população brasileira em função dos programas sociais nos quais Lula concentrou a ação governamental ao longo de seus dois mandatos na Presidência da República. Do que Gilberto Carvalho disse, pode-se depreender que, se o povo está satisfeito, os governantes podem meter a mão à vontade na coisa pública, subtraindo da população, por um lado, os benefícios que lhe concedem, por outro. É a típica pregação demagógica e populista que mergulhou o País no reino das aparências, do pão e circo.

Banqueiros que não cobram - Míriam Leitão

Não existe banco assim. Banco que empresta sem dados cadastrais completos, com garantias sem valor legal, e que aceita a mesma garantia para empréstimos diferentes. Banco normal não libera dinheiro sucessivamente para a mesma empresa para cobrir um empréstimo não pago e não classifica como A ou B um crédito não pago por vários anos. Mas assim o Rural fez.

Para o relator Joaquim Barbosa, os empréstimos foram simulados. O revisor avisou que não iria dizer que os empréstimos não existiram, mas acha que os dirigentes do banco se comportavam como se fossem uma doação. A então presidente do banco Kátia Rabello, defendida pelo ex-ministro José Carlos Dias, e o vice-presidente José Roberto Salgado, defendido pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, já amargam dois votos pela condenação por gestão fraudulenta de instituição financeira.

O relator mostrou como os mensalões se conectam através da parceria Marcos Valério e Banco Rural. Empréstimo anterior concedido à DNA propaganda, e que está sendo investigado no caso que envolve o ex-governador de Minas, pelo PSDB, Eduardo Azeredo, não foi pago pela empresa de Marcos Valério. Era de R$ 13 milhões e foi liquidado por R$ 2 milhões.

Mesmo tendo tido esse prejuízo, o banco deu novos e vultosos empréstimos às empresas do mesmo grupo e aceitou o aval do empresário no empréstimo ao PT. E os renovou quando não foram pagos. No caso do PT, foram 10 renovações.

O BC tem regras de classificação de risco de empréstimos que foram descaradamente descumpridas pelo Rural. Dívidas e empréstimos para capital de giro de 2003 não pagos estavam registrados como risco zero, o nível A, ou pequeno risco, o nível B. O BC determina que acima de seis meses de atraso o nível seja H, que significa reconhecimento total de perda. O banco nesse caso tem que fazer provisão de 100% do crédito.

O Rural publicou nota dizendo que os peritos do Instituto Nacional de Criminalística garantiram que os empréstimos eram verdadeiros. O que Joaquim Barbosa sustenta no seu voto é que os peritos ressalvaram que apenas no aspecto documental e formal eles eram verdadeiros.

Os outros ministros votarão na quarta-feira, assim que o revisor concluir sua fala, mas há grande probabilidade de condenação neste item cinco do mensalão.

A grande dúvida que fica na cabeça de quem assiste por dias a fio o desenrolar dessa questão é a razão de o banco ter se comportado assim. Por que um banco nega sua própria natureza? Por que, em vez de cobrar, empresta novamente; em vez de seguir orientação dos seus técnicos, desrespeita todas as normas de prudência; em vez de seguir as normas do Banco Central, as burla mascarando que um crédito é podre?

O que os ministros deixam claro é que eles queriam, com relações "promíscuas" com o devedor, ter vantagens no governo com o qual ele dizia ter proximidade. Realmente, entre os vários feitos que Marcos Valério conseguiu foi o de marcar encontro da então presidente do banco Kátia Rabello com o então ministro José Dirceu.

Neste mesmo momento dos empréstimos nunca pagos, o Banco Mercantil de Pernambuco estava na Justiça contra o Banco Central. O Rural tinha 22% da instituição em liquidação no BC. As seguidas idas de Marcos Valério ao BC eram para esse assunto. Banco Central e Banco Mercantil divergiam sobre critérios de atualização da dívida do banco falido com a autoridade monetária. A diferença da conta chegava a R$ 1 bilhão, como contei em colunas anteriores. Aí é que morava o maior perigo. Felizmente, o Banco Central não cedeu.

FONTE: O GLOBO

A indústria em perigo - Luiz Gonzaga Belluzzo

Relembrando: durante todo o pós-guerra, até a crise da dívida externa de 1982, o Brasil manteve um ritmo acelerado de crescimento econômico. Entre 1947 e 1980 o PIB cresceu em média 7,1%, uma marca não igualada, no período, nem mesmo pelo Japão ou pelos celebrados Tigres asiáticos.

Comparado a esta "era de alto crescimento" o desempenho econômico dos últimos 35 anos tem sido sofrível. Perde, por exemplo, para a "recessão" que apareceu entre 1962 e 1967, nos anos de crise e estabilização, em que a economia cresceu miseravelmente para os padrões da época: apenas 3,2% ao ano.

A perda de dinamismo da industrialização brasileira provocou, no início dos anos 90, uma reação estremada nas hostes liberais: abrir a economia e expor os empresários letárgicos aos ares benfazejos da globalização. O silogismo em que se desdobra a premissa é grotesco em sua simplicidade: se a indústria brasileira perdeu a capacidade de investir ou de se modernizar, a solução é submeter a incompetente à disciplina da concorrência externa.

Quase todos concordam que se esgotaram as formas de financiamento, de incentivos e de proteção, responsáveis pela sustentação do desenvolvimento industrial brasileiro ao longo de mais de cinco décadas. Custa muito trabalho, além de imaginação, construir as novas instituições financeiras, pensar na reforma fiscal, enfim dar tratos à bola para estabelecer uma nova relação entre o Estado e o setor privado.

Um estudo encomendado pela União Europeia revela aspectos importantes do processo de internacionalização dos anos 90 e 2000: 1) nos países em desenvolvimento, os benefícios do investimento estrangeiro - tais como absorção de tecnologia, adensamento de cadeias industriais, crescimento das exportações - dependeram das políticas nacionais; 2) os países em desenvolvimento que cresceram mais e exportaram melhor foram os que conseguiram administrar uma combinação favorável entre câmbio desvalorizado e juros baixos.

Na era da arrancada chinesa, é superstição acreditar que a abertura financeira e a exposição pura e simples do setor industrial à concorrência externa são capazes de promover a modernização tecnológica e os ganhos de competitividade. Os estudos mais especializados e aprofundados sobre o tema mostram que a concorrência nos mercados contemporâneos está marcada por características que não guardam qualquer semelhança com as crendices simplificadoras das vantagens comparativas.

Até mesmo os estudiosos conservadores reconhecem a existência de economias de escala e de escopo, economias externas, estratégias de ocupação e diversificação dos mercados, conglomeração e acordos de cooperação. Neste jogo só entra quem tem cacife tecnológico, poder financeiro e amparo político dos Estados nacionais. O resto está na arquibancada batendo palmas.

Estas características essenciais da concorrência e do comportamento das empresas, sobretudo na área industrial, estão completamente ausentes das elucubrações dos que pretendem nos ensinar as virtudes milagrosas do curandeirismo que aspira foros de ciência.

Algumas correntes de opinião cultivam com esmero o hábito de ignorar a experiência alheia e, pior, tratam de desqualificar e desfigurar o seu próprio passado, quando não se empenham denodadamente em promover o seu completo esquecimento.

Não há exemplo nos países periféricos \- aí incluídos o Chile e os "Tigres Asiáticos", a China, de renúncia a políticas deliberadas de reestruturação produtiva ou de estímulo à modernização e à conquista de mercados. Seja qual for a estratégia adotada - liderança das exportações ou preeminência do mercado interno - os casos bem sucedidos de avanço industrial e produtivo na dita "era da globalização" têm um traço comum: intencionalidade e coordenação pública.

É insensato subestimar os efeitos causados pelas mudanças da geoeconomia mundial: a expansão sino-asiática vai continuar ameaçando as estruturas industriais do Velho e do Novo Mundo. As políticas asiáticas de promoção e integração industrial estão alicerçadas em ganhos expressivos nas relações produtividade/salário e salário/câmbio na manufatura. Esse processo é amparado por um sistema de crédito voltado para o investimento manufatureiro privado e para a sustentação dos programas públicos de gastos em infraestrutura.

A despeito da crise global e da inevitável desaceleração chinesa, o estilo de desenvolvimento sino-asiático vai prosseguir em seus trabalhos de ganhar a dianteira na porfia competitiva global. Não é por desvio ideológico ou coisa parecida que as medidas protecionistas se espalham e se aprofundam silenciosamente no mundo inteiro, enquanto os adeptos das teorias das vantagens comparativas se lamentam, entre gemidos e murmúrios. Nessas circunstâncias, a valorização cambial é um erro grave, assim como a hesitação em promover políticas adequadas de defesa comercial e de estímulo às exportações.

Em artigo escrito com Júlio Sérgio Gomes de Almeida sugeri que a falsa inserção competitiva da economia brasileira está cobrando o seu preço. Falsa, porque as políticas dos anos 90 entendiam que bastava expor a economia à concorrência externa e privatizar para lograr ganhos de eficiência micro e macro econômicas. Percorremos o caminho inverso dos asiáticos que abriram a economia para as importações redutoras de custos. A abertura estava, portanto, comprometida com os ganhos de produtividade voltado para aumento das exportações. As relações importações/exportações faziam parte das políticas industriais, ou seja, do projeto que combinava o avanço das grandes empresas nacionais nos mercados globais e a proteção do mercado interno. As importações não tinham o objetivo de abastecer o consumo das populações. Estas se beneficiaram, sim, dos ganhos de produtividade e da diferenciação da estrutura produtiva assentada em elevadas taxas de investimento.

Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp e escreve mensalmente às terças-feiras. Em 2001, foi incluído entre os 100 maiores economistas heterodoxos do século XX no Biographical Dictionary of Dissenting Economists.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Acredite se quiser - Celso Ming

É tanta a insistência com que se atira a projeções ultraotimistas sobre a economia, que, às vezes, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, passa a impressão de que acredita nelas.

E aí não se sabe o que é pior: se a determinação do ministro em manter o público falsamente motivado ou se a percepção de que ele está quase sempre enganado.

Antes mesmo da virada de 2011 para 2012, Mantega distribuía boletins cor-de-rosa. Garantia que o crescimento do PIB deste ano seria próximo aos 5,0%. Em janeiro já prevalecia a opinião dos consultores auscultados pelo Banco Central de que o avanço do PIB não passaria dos 2,9%. Mas Mantega batia o pé em "alguma coisa entre 4,5% e 4,0%".

A partir de junho, o Banco Central, para o qual prejuízos de credibilidade custariam mais, passou a trabalhar com 2,5% de avanço neste ano. Mantega preferiu dizer que o Banco Central não sabia fazer projeções das Contas Nacionais tão bem quanto ele.

Semanas depois, então, mudou um pouco a tonalidade da música. Foi quando passou a anunciar que o PIB em 2012 aumentaria mais do que os magros 2,7% registrados em 2011.

Ainda em junho, o banco Credit Suisse advertia seus clientes de que este ano não emplacaria mais do que pífio 1,5% de expansão econômica. Mantega revidou no mesmo dia: "É uma piada!".

Na semana passada, até mesmo o ministro se deu conta do ridículo pelo qual passam certas projeções econômicas do seu Ministério, quando um documento oficial (Economia Brasileira em Perspectiva) insistia em divulgar números escancaradamente irrealistas: crescimento do PIB de 3,0%, em 2012; de 5,5%, em 2013; e de 6,0%, em 2014. Além de desautorizá-las, expurgou essas projeções do relatório que permanece no site do Ministério.

Mas Mantega continua irradiando estrelinhas coloridas. Nos dois últimos dias úteis da semana passada, fez questão de dobrar sua aposta de que, até o final deste ano, a economia estaria avançando a um ritmo anualizado de pelo menos 4,0%. Até agora não há sinais do cumprimento de profecias assim.

Mantega tem toda razão quando dá importância à formação das expectativas na condução da política econômica. As coisas só acontecem quando os agentes econômicos creem previamente nelas. Ninguém produz para amontoar encalhes. O empresário, por exemplo, só investe e contrata pessoal quando está convencido de que terá demanda por seus produtos. Mas o ministro imagina que a cadeira que ocupa no mesão de Brasília é tão poderosa que lhe confere o dom de convencer os brasileiros de qualquer coisa.

Ninguém ignora que o governo é um privilegiado centro de informações. E que, em princípio, um ministro de Estado está mais bem informado do que um mortal qualquer da planície. Por isso, uma política consistente de comunicação é um poderoso instrumento de convencimento e de mobilização das forças da sociedade.

No entanto, essa insistência em querer fazer a cabeça do mercado a qualquer preço está corroendo a credibilidade tanto do ministro como do governo Dilma. E um governo com baixa credibilidade corre o risco de piorar as coisas em vez de melhorá-las - como pode estar ocorrendo agora.

CONFIRA

No gráfico, o comportamento do comércio exterior neste ano.

Não vai dar. A esta altura do ano, o próprio Ministério do Desenvolvimento reconhece que a meta de exportações, de US$ 264 bilhões, não será atingida.

Ficou faltando. Nos oito primeiros meses do ano, o total exportado pelo Brasil chegou a US$ 160,6 bilhões. Para que a meta seja alcançada neste resto de ano, as exportações teriam de ser de US$ 25,9 bilhões por mês. Até agora, o máximo atingido foram os US$ 23,2 bilhões de maio.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Lama no caminhãozinho - Vinicius Torres Freire

Mundo rico volta de férias com risco de novo tumulto europeu e preocupante desaceleração chinesa

Terminou O período de férias no Hemisfério Norte. A agenda do tumulto já está lotada. Voltam aos palcos os dramas grego e português. Espanha e Itália esperam de pires na mão as decisões de amanhã do Banco Central Europeu. Há rumores de que a China ensaia um espetáculo inédito, a ópera do Pibinho, que no caso deles é crescer menos de 7,5%.

Notícias de um mundo distante da pastosa tranquilidade brasileira? Não, não. Isso tudo é má notícia de interesse imediato para nós, que carregamos o lastro de nossos problemas autóctones e o vento contrário que sopra do resto do mundo.

Os tecnocratas da finança pública e privada do mundo voltam aos seus escritórios com energia renovada para estrangular ainda mais Grécia e Portugal, como se isso fosse ainda humanamente possível. Humanamente, não é.

Portugal não vai atingir suas metas de redução de deficit-dívida públicos, pois afunda na recessão e, pois, pois, arrecada menos. Vai ter de pedir água.

A Grécia talvez atinja suas metas, cortando pela metade os benefícios sociais dos velhos e, talvez aumentando a semana de trabalho de cinco para seis dias, como querem os representantes dos seus credores (União Europeia, BC Europeu e FMI).

Vai dar tumulto. Tumulto na finança mundial assusta todo mundo, inclusive empresário brasileiro, já ressabiado com o crescimento miúdo do último ano e meio.

Para piorar, agosto foi um desgosto em termos de crescimento. Na Europa, a produção industrial provavelmente encolheu pelo 13º mês consecutivo.

Na China, nossa maior cliente, a indústria encolheu pela primeira vez desde 2011. As exportações chinesas, que cresciam a 20% no ano passado, crescem ora a menos de 8%. Os estoques de aço, ferro, carvão e cimento, matéria-prima da infraestrutura, aumentam. Não por acaso, nossas exportações de ferro despencam em preço e quantidade.

Os chineses estão em transição, mudando de governo e, dizem eles, de modelo de crescimento. De 2005 a 2011, cresceram cerca de 11% ao ano, em média, mesmo com o tombinho do crescimento de "apenas" 8,7% em 2009, ano de recessão feia no mundo.

Para este ano, a meta deles é crescimento de 7,5%. Por ora, está por aí, mas há risco de que a meta não seja atingida. Os líderes chineses não se movem, porém, pelo menos até agora ou até o desemprego começar a aumentar.

Parece que os chineses querem mesmo desacelerar. Isto é, reduzir investimentos em infraestrutura, responsáveis por mais de metade do crescimento do PIB; querem exportar menos, consumir mais. "Mudar o modelo", dizem.

Mas parte da freada se deve à anemia do consumo no resto do mundo, sentida em toda a Ásia exportadora -as exportações coreanas estão despencando.

Controlada ou não, contida ou destrambelhada, a freada chinesa nos afeta, assim como a todos os produtores de commodities. Os australianos, por exemplo, cheios de ferro e carvão, estão nervosíssimos com a mudança chinesa, e temem recessão para eles mesmos em 2013.

Nós deveríamos estar mais nervosos também. Europa no pantanal, EUA indefinidos e devagar e China desacelerando, tudo isso é muita lama para o nosso caminhãozinho.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

A "islamização" da política, Serra e PT - Arnaldo Jabor

Vende-se um candidato como se vende margarina. A perversão do marketing transformou as campanhas eleitorais em uma estratégia de insinceridade, em que os marqueteiros "adivinham" o que o povo quer para o candidato se adaptar a esse "desejo". Assim, todos querem ser eleitos pelo que não são, mas pelo que parecem, seguindo o exemplo bem-sucedido do showman Lula, que, na linha de Jânio, bastou "parecer". É a estratégia em vez da verdade: ladrões aparentam honestidade, o comuna finge de liberal, o durão finge de bonzinho.

Em São Paulo há um lugar reservado para um populismo tradicional que, de certo modo, a polarização entre PT e PSDB ensombreceu nos últimos anos; este espaço da ignorância já foi ocupado por Ademar, por Jânio, por Maluf (conversem com motoristas de táxi). O vazio está sempre à espera de um impasse político, para que a "massa atrasada" (um termo do PT) corra a eleger um novo demagogo.

Com o crescimento econômico da chamada classe C, o populismo tende a ser mais mágico, mais imediatista, em busca de sucesso e riqueza, um populismo consumista e conservador. Quem ocupa esse espaço vazio é justamente o movimento evangélico, em seus galpões lotados de milhares de pagadores de dízimos à espera de milagres e riqueza.

E o milagreiro da hora será o Russomano, que é representante da Igreja Universal. Ele nega, claro, mas seus programas de TV só vão ao ar depois de passar pela direção de jornalismo da Record, enquanto obreiros da Igreja Universal visitam casas da periferia, distribuindo santinhos do Russomano.

Assim, amigos leitores, pode ser que em 2013 a cidade de São Paulo seja governada pelo bispo Edir Macedo, o rei dos supermercados da fé que crescem no país e no exterior. Há pouco, uma marcha reuniu 4 milhões nas ruas de São Paulo, todos embalados pelo desejo de alguma certeza palpável que os evangélicos prometem. Vejam na TV os milhares de rostos famintos de respostas para suas vidas angustiadas, pastoreados por bispos que parecem assaltantes, gordos, vulgares e milionários com fazendas, aviões e apartamentos em Miami.

Ou seja, está surgindo uma espécie de "islamização" da política no país, com os votos comandados fortemente pelas igrejas. Já há milhões de fiéis que votam com Deus e política, como no Islã. E há uma sutil coincidência entre isso e o "midiatismo" lulista também feito de abstrações e promessas gerais: o carisma milagreiro da aparência contra a realidade. Em ambos, no "midiatismo" e no "islamismo caboclo", existe algo de divinal, místico. Muitas pessoas do enclave "ademar de barros/jânio/maluf" vão votar no Russomano por quê? Por ordens do bispo, claro, mas muitos também porque sua candidatura tem um sabor de negação da política costumeira, como apostar na zebra porque os cavalos favoritos não resolveram nada.

Há algo do "efeito Tiririca" nisso tudo. No mundo inteiro, a crise econômica e política favorece lideres reacionários. Dentro dos impasses geram-se os canalhas.

O fascista Chávez vai ser reeleito, o fanatismo árabe persiste para além da "primavera", o repulsivo Mitt pode ganhar nos USA e levar o Ocidente ao caos. Aqui, a cidade mais importante da América Latina pode ser entregue ou a uma sutil "teocracia oportunista" ou aos conquistadores do PT, em busca de mais um território tomado para "não" ser governado. E no meio, o José Serra acreditando na racionalidade. Em meio a esse "místico peleguismo", como explicar as vantagens da "social democracia" para uma população semianalfabeta?

Mas Serra também errou. Tudo começou em 2002 quando, diante de meus pobres olhos perplexos, Serra não defendeu o governo de FHC diante dos ataques de Lula no debate. Eu vi a cara do Lula quando percebeu que a intenção do adversário era "não" defender o excelente governo que acabara com a inflação, fez reformas etc... Por estratégia (quem foi a besta que inventou isso?) ninguém podia defender os grandes feitos que o PSDB tinha conseguido... Lula, espertíssimo, deitou e rolou nesse equívoco imperdoável, inesquecível, que começou a derrotar o próprio Serra e o tucanato por tabela. Nunca entenderei isso. Como não demitiram o chefe da campanha e deixaram-no persistir nos erros até hoje? Serra acreditou no marketing em vez de crer em si mesmo e em sua verdade.

Conheço-o há muitos anos e sei de sua enorme competência administrativa, seu amor ao progresso por adesão à razão. Mas conheço também sua astronômica teimosia, sua autossuficiência de filho único, sua hybris ("arrogância" que provoca punição dos deuses nas tragédias), como apontou o Demétrio Magnoli outro dia. É trágico vermos o crescimento do erro.

Conheço bem o Serra e sei que ele não é "bonzinho" e sorridente como mandam os marqueteiros. O sorriso de Serra prometendo coisas na TV soa falso; o povão percebe que algo está faltando na fala dele. O que falta? Falta a sua sinceridade: Serra é zangado, "empombado" e quer realmente fazer um bom governo.

Teria de assumir isso, enquanto é tempo. Tem de superar seu complexo de Édipo e chamar FHC para a campanha (o que não fizeram até agora), tem de mostrar com clareza, com imagens, o importantíssimo trabalho que fez como ministro da Saúde, e não ficar dando sorrisinhos de Papai Noel na TV. O eleitor respeita gente sincera, cortante, corajosa. Ele tem de mostrar as aventuras populistas e falar das acusações que pesam sobre o Russomano, como as supostas ações de falsidade ideológica, a acusação de seu uso indevido da advocacia, seu suposto envolvimento com o Cachoeira.

E mais: ele errou ao subestimar o papelucho que assinou na TV dizendo que não abandonaria a prefeitura. O povo não perdoa o descaso com que tratou o ridículo juramento. Ele tinha, sim, de chamar testemunhas, até religiosos e juristas e, fazendo um pouco o jogo do populismo "midiático", jurar solenemente diante de todos que jamais largará a prefeitura.

Serra tinha de cumprir sua melhor promessa, quando se lançou em 2010: "Se vierem com mentiras, responderei com verdades".

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

O teste da escolha de ministros do STF – Editorial / O Globo

A indicação de nomes para o Pleno do Supremo Tribunal Federal não costuma mobilizar a opinião pública. Tramita sem despertar maior interesse, como se fosse um ato burocrático sem maior importância. No Brasil, conforme o modelo copiado dos Estados Unidos, cabe ao presidente da República encaminhar a escolha ao Senado, onde o indicado passa por uma sabatina antes de ser ou não aprovado em votação secreta.

Mas as próximas indicações, a serem feitas pela presidente Dilma, serão diferentes. O assunto ganha relevância a partir do julgamento do mensalão, que coincide com a abertura de uma vaga na Corte, devido à aposentadoria compulsória, por ter completado 70 anos, do ministro Cezar Peluso. O interesse aumenta porque em breve sairão mais dois outros ministros: em novembro, Ayres Britto, presidente do STF, também de forma compulsória, e Celso de Mello, decidido a antecipar ainda para este ano a aposentadoria, marcada apenas para 2015.

É feliz a coincidência entre este julgamento e a tarefa que terá a presidente de preencher mais três das 11 cadeiras da mais elevada instância do Poder Judiciário - Luiz Fux e Rosa Weber já foram indicação de Dilma. Como o tribunal tem dado grande demonstração de seriedade e conhecimento técnico no processo do mensalão, a presidente precisará, por óbvio, encontrar nomes que mantenham o nível da Corte.

É bastante provável que a presidente terá de resistir a pressões de grupos petistas insatisfeitos com os votos proferidos neste início de julgamento por ministros indicados por Lula. Será desastroso para a própria institucionalização da democracia se o Planalto permitir a contaminação da escolha de ministros do Poder Judiciário por interesses político-partidários e ideológicos.

A independência demonstrada em votos dados e discussões travadas até agora no caso do mensalão tem criado um saudável clima de otimismo com as instituições nacionais, num momento em que muitos vizinhos enveredam por aventuras autoritárias, cesaristas, rumo a crises políticas graves. E com isso o Brasil se firma como nação séria, em que a segurança jurídica existe para todos, algo que ajuda o país inclusive na atração de investimentos estrangeiros.

A presidente Dilma, portanto, precisa agir como estadista na indicação dos futuros ministros do STF, ao privilegiar, nas escolhas, a seriedade pessoal e o saber jurídico, como, aliás, já fez nos casos do ministro Luiz Fux e da ministra Rosa Weber. Há bons exemplos, também, em nomes indicados pelos presidentes Fernando Henrique e Lula.

Se o modelo de preenchimento de vagas no Supremo é importado dos Estados Unidos, o Senado, por sua vez, também deveria se inspirar no Parlamento americano e tratar a sabatina dos candidatos a ministros com a merecida seriedade.

Ana Costa - Caderneta / Ai Minha Nega

De outras vidas - Graziela Melo

Quando
as areias
se movem,
se misturam,

pelos ventos
revolvidas

olho
o tempo
transtornada,
entristecida
e
busco
histórias
de sereias...

personagens
de outras
vidas!!!

Fantasmas
de amigos
despedidos

que
por acaso

perambulem
pelo
espaço,
perdidos
pelos becos
do universo!!!

Vou sonhando
e a cada
passo,
busco
espaço

para
as dores
envelhecidas

e para
as frases
deste verso!!!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

OPINIÃO DO DIA – Carlos Ayres de Britto: ‘o mensalão maculou a República’ (XXX)

O avanço no patrimônio público e o fazer do patrimônio público um prolongamento da casa, da copa, da cozinha são coisas antigas neste Brasil.

Carlos Ayres Britto, ministro, presidente do STF em seu voto no processo do mensalão, citando o padre Antonio Vieira, 29/8/2012.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Violência na campanha já matou mais que em 2010
Com crise da dívida de 82, Brasil correu risco de racionar gasolina
Mensalão: defesa de réus faz apelo para evitar penas maiores
Em sábado festivo, Lewandowski casa a filha e Joaquim diz que políticos o odeiam

FOLHA DE S. PAULO
Ranking universitário tem 7 federais entre as 10 melhores
Dilma quer nome de perfil discreto para vaga no STF
Cruz Vermelha faz repasse a ONG ligada a dirigente

O ESTADO DE S. PAULO
Agronegócio faz Centro-Oeste liderar crescimento no País
Propostas ocupam só 17% da campanha na televisão
Falcão vê PT e PSB separados em 2014
Relator do mensalão julga empréstimos do Rural ao PT

VALOR ECONÔMICO
Juro em queda traz cruzada por eficiência nos bancos
TV analógica sem prazo para acabar
Mato Grosso paga todos os precatórios
Demografia joga contra a oferta de mão de obra

BRASIL ECONÔMICO
Cresce 25% ao ano a entrada de trabalhador estrangeiro no país
“Lula não será decisivo na campanha de Belo Horizonte”
Governo procura parceiros para fortalecer Infraero
CVM aperta cerco aos intermediários
Fundos se ajustam à queda dos juros

CORREIO BRAZILIENSE
Esplanada: Dilma obtém boa relação com militares

ESTADO DE MINAS
Mutirão contra impunidade
Caindo aos pedaços
Preço da carne surpreende consumidor
Campanhas quase sem doações

ZERO HORA (RS)
Busca por tecnologia empurra Expointer a recorde de R$ 2 bi
Indiferença de Dilma com julgamento frustra o PT

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Acordo com o Panamá reforça Suape

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www.politicademocratica.com.br/editoriais.html