sexta-feira, 7 de agosto de 2026

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Resultado do Ideb revela progresso desigual no ensino

Por O Globo

País deve aprender com desempenho dos estados mais bem colocados, como Ceará, Paraná e Goiás

Anunciado nesta semana, o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador de qualidade do ensino brasileiro, revela avanços na comparação com a última medição em 2023. Apesar de o dado geral ser positivo, porém, o progresso é desigual e insuficiente diante da urgência do país em área tão fundamental para a economia e o desenvolvimento.

Nos anos iniciais de ensino (1º ao 5º), a média nacional da rede pública subiu de 5,7 para 6,1; nos anos finais (6º ao 9º), foi de 4,7 para 5; no ensino médio, de 4,1 para 4,3. O índice tem dois componentes: taxa de aprovação e resultados em testes de língua portuguesa e matemática (conhecidos pela sigla Saeb). Analisando somente o desempenho nas duas áreas do conhecimento, também houve evolução.

Em muitos estados, as mesmas redes atendem ao ensino médio e ao fundamental. Mesmo naqueles em que apenas o médio fica a cargo da administração estadual, o papel dos governadores é decisivo para fazer o ensino avançar também nos municípios. Por isso, a dois meses da eleição, o Ideb é uma ferramenta útil para o eleitor avaliar o desempenho dos governos eleitos em 2022.

No ensino fundamental, os principais destaques são Paraná, governado por Ratinho Junior (PSD), e Ceará, do governador Elmano de Freitas (PT). “Ambos os estados apresentaram crescimento na nota padronizada do Saeb em linha com a média nacional, sugerindo que o avanço no Ideb está conectado a avanços na aprendizagem”, afirma nota técnica do Todos Pela Educação. Na administração de Ronaldo Caiado (PSD), Goiás se manteve entre os três primeiros nos anos finais do fundamental e também no ensino médio, categoria liderada outra vez pelo Paraná.

Infelizmente, nem todos os governos obtiveram desempenho satisfatório. Quando eleitos em 2022, Fátima Bezerra (PT), no Rio Grande do Norte, Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe, Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia, Clécio Luís (União), no Amapá, e Helder Barbalho (MDB), no Pará, sabiam que seus estados estavam entre os cinco piores do país nos anos iniciais do fundamental. Três anos depois, os mesmos cinco permanecem entre os retardatários — e quatro continuam entre os piores na faixa do 6º ao 9º ano (Amapá, Sergipe, Bahia e Rio Grande do Norte, ao lado de Roraima). Na educação fundamental, todas essas administrações foram reprovadas.

No ensino médio, o Distrito Federal, onde Ibaneis Rocha (MDB) foi eleito em 2022, logrou a proeza de ficar na última colocação. O Rio de Janeiro continua entre os três piores. Os estudantes da rede pública fluminense puxam a média brasileira para baixo nos três recortes da educação básica — isso apesar do aumento nas taxas de aprovação, manobra que eleva a nota do Ideb. São Paulo, estado mais populoso, caiu de posição na administração de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nos testes de língua portuguesa e matemática, os alunos paulistas dos anos iniciais, finais e do ensino médio obtiveram notas iguais ou melhores, mas inferiores ao progresso registrado no país.

É recomendável que os estados com problemas aprendam com as práticas dos bem-sucedidos. Elas mostram um caminho a seguir para elevar o nível do ensino em todo o país. E, ao escolher candidatos na eleição de outubro, os eleitores têm de considerar o desempenho dos respectivos governadores.

 

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