sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Renan Santos, o candidato tigrinho, é a versão 2026 de Pablo Marçal, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Sem TV, presidenciável aposta em insultos e propostas mirabolantes para viralizar nas redes

A eleição presidencial deu palco a um novo aspirante a outsider. É Renan Santos, chefe da tropa do MBL. Sem tempo de TV, o candidato do Missão aposta em vídeos provocativos e propostas mirabolantes para chamar a atenção nas redes. É a versão 2026 do coach Pablo Marçal.

Renan defende uma típica plataforma de extrema direita. Prega a extinção de benefícios sociais, o fim de políticas para minorias e o sinal verde para a matança policial.

No lançamento da campanha, agitou a claque com uma apologia do extermínio. “Ninguém vai roubar nada do que é teu, porque nós vamos matar quem roubar”, bradou. Os seguidores, quase todos homens, responderam em coro: “Prendeu, matou! Prendeu, matou!”.

O presidenciável abandonou a faculdade de Direito, mas sabe que a ideia é inconstitucional. Seu objetivo é chocar, causar polêmica e estigmatizar os críticos como defensores de bandidos. Já deu certo com um ex-juiz que prometia acabar com o crime à base do “tiro na cabecinha”.

A exemplo de Marçal, o original, Renan investe no insulto para tentar desestabilizar os adversários. No evento do último sábado, chamou Flávio Bolsonaro de “mongoloide” e Lula de “cachaceiro senil”. Falta convencer um dos rivais a revidar com uma cadeirada.

Embora se venda como novidade, o candidato segue a mesma cartilha de outros arrivistas da nova direita latino-americana. “Sou Milei na forma e Bukele no conteúdo”, resumiu, meses atrás. Do autocrata de El Salvador, copiou a proposta de construir megapresídios. Do bufão argentino, imita a pose de roqueiro e uso de um felino como símbolo de campanha.

A diferença é que Milei gosta de se apresentar como leão, enquanto Renan prefere a onça. Suas ideias lembram mais o jogo do tigrinho, que promete ganhos fabulosos ao alcance de um clique.

Em vídeo recente, o presidenciável assegurou: “No meu governo, você vai ter iPhone”. Em seguida, jurou que todo eleitor ficará “magro e saudável”. Seu programa garante que ele vai erradicar as favelas, eliminar 70% dos municípios e criar uma reserva nacional em bitcoin.

Com 3% no último Datafolha, Renan inovou ao cobrar ingresso no lançamento da campanha. O bilhete VIP, a R$ 1 mil, dava direito a “open bar”. O “pacote onça”, por até R$ 7 mil, incluía “lounge exclusivo” e “almoço reservado”. Se faltar voto, a aventura do candidato tigrinho já terá sido um bom negócio.

 

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