O Globo
Sem TV, presidenciável aposta em insultos e
propostas mirabolantes para viralizar nas redes
A eleição presidencial deu palco a um novo
aspirante a outsider. É Renan Santos,
chefe da tropa do MBL. Sem tempo de TV, o candidato do Missão aposta em vídeos
provocativos e propostas mirabolantes para chamar a atenção nas redes. É a
versão 2026 do coach Pablo Marçal.
Renan defende uma típica plataforma de extrema direita. Prega a extinção de benefícios sociais, o fim de políticas para minorias e o sinal verde para a matança policial.
No lançamento da campanha, agitou a claque
com uma apologia do extermínio. “Ninguém vai roubar nada do que é teu, porque
nós vamos matar quem roubar”, bradou. Os seguidores, quase todos homens,
responderam em coro: “Prendeu, matou! Prendeu, matou!”.
O presidenciável abandonou a faculdade de
Direito, mas sabe que a ideia é inconstitucional. Seu objetivo é chocar, causar
polêmica e estigmatizar os críticos como defensores de bandidos. Já deu certo
com um ex-juiz que prometia acabar com o crime à base do “tiro na cabecinha”.
A exemplo de Marçal, o original, Renan
investe no insulto para tentar desestabilizar os adversários. No evento do
último sábado, chamou Flávio
Bolsonaro de “mongoloide” e Lula de
“cachaceiro senil”. Falta convencer um dos rivais a revidar com uma cadeirada.
Embora se venda como novidade, o candidato
segue a mesma cartilha de outros arrivistas da nova direita latino-americana.
“Sou Milei na forma e Bukele no conteúdo”, resumiu, meses atrás. Do autocrata
de El Salvador, copiou a proposta de construir megapresídios. Do bufão
argentino, imita a pose de roqueiro e uso de um felino como símbolo de
campanha.
A diferença é que Milei gosta de se
apresentar como leão, enquanto Renan prefere a onça. Suas ideias lembram mais o
jogo do tigrinho, que promete ganhos fabulosos ao alcance de um clique.
Em vídeo recente, o presidenciável assegurou:
“No meu governo, você vai ter iPhone”. Em seguida, jurou que todo eleitor
ficará “magro e saudável”. Seu programa garante que ele vai erradicar as
favelas, eliminar 70% dos municípios e criar uma reserva nacional em bitcoin.
Com 3% no último Datafolha, Renan inovou ao
cobrar ingresso no lançamento da campanha. O bilhete VIP, a R$ 1 mil, dava
direito a “open bar”. O “pacote onça”, por até R$ 7 mil, incluía “lounge
exclusivo” e “almoço reservado”. Se faltar voto, a aventura do candidato
tigrinho já terá sido um bom negócio.

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