sábado, 28 de julho de 2018

Ricardo Noblat: Rodrigo Maia contra um vice do DEM

- Blog do Noblat | Veja

De olho no futuro

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, é contra a indicação de um nome do seu partido para a vaga de vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB).

Natural. Faz parte do acordo de Alckmin com o Centrão o apoio a Maia para que se reeleja presidente da Câmara no próximo ano como ele tanto quer.

Um candidato a vice do DEM, a presidência da Câmara para o DEM… Seria colher de chá em excesso para o DEM, o que desagradaria os demais partidos do Centrão.

Alckmin quer escolher um vice o mais rápido possível. A demora só serve para desgastá-lo.

Jaques Wagner, o candidato de Lula
Por ora, ele nega para ficar a salvo de ataques

O ex-ministro de Lula e Dilma, e duas vezes governador da Bahia Jaques Wagner está pronto para ser o candidato do PT a presidente da República. Lula quer, Wagner topa, e ele só não será se até lá Lula mudar de ideia. Não parece provável.

Antes de ser encarcerado em Curitiba, Lula gravou um vídeo onde declara seu apoio a Wagner. O nome de Wagner é mais bem aceito dentro do PT do que o nome de Fernando Haddad, vice-prefeito de São Paulo, que não conseguiu se reeleger.

O marqueteiro que cuidará da campanha do candidato do PT à sucessão de Michel Temer é o mesmo que cuidou das campanhas passadas de Wagner, e também da que elegeu Rui Costa (PT) governador da Bahia, agora candidato à reeleição.

Pablo Ortellado: Autoengano

- Folha de S. Paulo

Petistas difundiram narrativa para cooptar militantes na defesa do legado lulista

Na última semana, descobrimos que Lula deve empurrar sua candidatura até o último momento e deve concorrer com um programa muito parecido com o que praticou nos anos 2000. Essa estratégia é fruto de uma armadilha retórica na qual o PT se emaranhou.

Desde que foram forçados a retomar a mobilização, para se contrapor aos protestos que pediam o impeachment, os petistas difundiram uma narrativa, a narrativa do golpe, uma estratégia discursiva para assustar a militância de esquerda e cooptá-la na defesa do legado lulista.

A narrativa tenta interpretar todo o processo político recente como uma orquestração conservadora contra os avanços sociais dos governos de esquerda.

Segundo ela, a Lava Jato não teria desvelado um gigantesco esquema de corrupção na Petrobras, mas seria apenas uma armação sem fundamento para perseguir o PT.

Dilma Rousseff não teria sofrido um impeachment porque seu partido se enredou em corrupção e um movimento de massas se levantou contra ele, nem porque perdeu completamente o controle do Congresso por pura incapacidade política, nem por ter cometido erros grosseiros de condução da política econômica, nem por ter traído seu programa eleitoral tão logo reeleita.

O que aconteceu, segundo a narrativa, foi que as elites não teriam tolerado o avanço social dos programas petistas e forjaram uma coalizão com o Judiciário, a oposição e a imprensa para derrubar Dilma e impedir novos governos de esquerda.

Míriam Leitão: O real e o abstrato

- O Globo

O mercado tende a olhar o último evento para explicar movimentos que foram formados por questões bem mais estruturais. Isso vale para qualquer tipo de mudança brusca de valor. A queda das ações do Facebook foi explicada como decepção com o desempenho do segundo trimestre, mas o que acontece com a rede é bem mais amplo. Ela enfrenta uma crise de reputação e de incerteza sobre o futuro.

Há dúvidas mais agudas pairando sobre a empresa de Mark Zuckerberg. Seu valor caiu uma Petrobras e um Bradesco, mas ela permanece sendo uma gigante de meio trilhão de dólares. A perda fez com que seu criador apenas descesse dois degraus na lista dos mais ricos do mundo, com seus US$ 70 bilhões.

O mundo aprendeu na crise das pontocom, no fim dos anos 1990, portanto há duas décadas, que sim, tudo que parece sólido desmancha no ar. Durante o período de alta das empresas de internet, as bolsas americanas chegaram a níveis nunca vistos antes, e a impressão era de que o valor das companhias de alta tecnologia, comércio eletrônico e todas as novidades do então admirável mundo novo, teria crescimento infinito. Até o dia em que a bolha estourou como tulipas.

As empresas do mundo da tecnologia voltaram mais fortes e mais concretas, mas têm na sua natureza a volatilidade e o efêmero. O Facebook nasceu de saltos tecnológicos, mas não é o fim da história. Outras redes surgiram e surgem a cada momento. Fenômenos como ele podem se repetir e ser superados. Essa riqueza abstrata é parte da nova economia, completamente diferente da lógica de outrora onde só havia o mundo físico. A Amazon, outra gigante, tem ponte bem mais direta com o real das coisas. O curioso caminho do seu fundador, Jeff Bezos, o levou do comércio eletrônico de livros à mais clássica das mídias, o jornal impresso.

Murillo de Aragão: Mulheres e democracia

- Revista IstoÉ

Países que respeitam mulheres e asseguram seus direitos e sua participação na política são mais democráticos? Sem a menor dúvida. Países autoritários tendem a restringir os direitos das mulheres, impondo barreiras concretas e sub-reptícias ao papel delas na sociedade e, sobretudo, na política.

Alguns países alegam razões religiosas. Outros nada alegam porque neles sempre foi assim. É humilhante para o ser humano ver uma mulher coberta de negro da cabeça aos pés andando alguns passos atrás de um homem. Nada justifica isso. Deus não aprovaria tal submissão.

No mundo, as mulheres estão avançando na política. Ocupam mais de 20% dos assentos nos parlamentos. Ainda é pouco, mas é o dobro do que existia 20 anos atrás. No Brasil, contudo, ainda estamos muito atrasados. Devemos impor medidas mais radicais, por exemplo, alocando metade das vagas de ministros das Cortes superiores para mulheres.

O mesmo deveria valer para o ministério no Poder Executivo e para os órgãos colegiados. Os concursos públicos deveriam reservar vagas proporcionais para homens e mulheres. E o exemplo deveria começar no governo federal e seguir como regra de ouro para estados e municípios.

Vale recordar que no Brasil pouco funciona a Lei nº 12.034/09, que impôs aos partidos e às coligações o preenchimento do número de vagas com, no mínimo, 30% de mulheres. Como forma de preencher a cota destinada a elas, algumas legendas promovem o lançamento de candidatas “fantasmas”, o que não contribui para o aumento da participação feminina na política.

Com o intuito de evitar manobras como essas, o Supremo Tribunal Federal derrubou em março a regra que estabelecia o limite mínimo de 5% e máximo de 15% do montante do Fundo Partidário para o financiamento de campanhas eleitorais de mulheres. Agora, pela nova regra, os partidos deverão destinar um mínimo de 30% dos recursos do Fundo às candidaturas femininas. É um começo.

Por fim, vale lembrar a frase da política americana Madeleine Albright: “Desenvolvimento sem democracia é improvável. Democracia sem mulheres é impossível.”

Lulopetismo na SBPC: Editorial | O Estado de S. Paulo

A ciência brasileira nada ganha com essa manifestação explícita de obscurantismo

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) tem sido simpática a Lula da Silva, de modo que não surpreende o entusiasmado apoio manifestado ao ex-presidente e hoje presidiário no 70.º encontro anual daquela organização, aberto no domingo, dia 22, em Maceió. Pode-se apenas lamentar que uma das principais entidades dedicadas ao fomento da ciência no País continue a ser usada por alguns oportunistas para fins político-partidários, que nada têm a ver com pesquisa e inovação.

Pretende-se invocar a importante atuação da SBPC durante a ditadura, quando a entidade corajosamente franqueou suas mesas para discussões políticas, como argumento para justificar a necessidade de denunciar a “nova ditadura”, como se ouviu em um discurso no dia da abertura da mais recente reunião.

Por “nova ditadura” entende-se, é claro, o governo do presidente Michel Temer - que, na interpretação de muitos dos acadêmicos presentes ao encontro, simboliza, em conluio com um Congresso corrupto, um Judiciário manipulado e uma imprensa vendida, o “golpe” que, segundo eles, resultou no impeachment da presidente Dilma Rousseff e na prisão de Lula da Silva.

O padrão de denúncia desse “estado de exceção” foi observado na solene homenagem prestada ao físico José Leite Lopes (1918-2006), um dos mais importantes cientistas do País - preso pela ditadura militar, exilado e aposentado compulsoriamente. Na ocasião, foi lida uma mensagem do antropólogo José Sergio Leite Lopes, filho do cientista, na qual ele diz que o pai, “se estivesse aqui hoje, (...) protestaria de forma veemente e irreverente contra uma nova ditadura que se evidencia”, e “estaria clamando pela democracia plena, pela justiça social e por Lula livre”.

No mesmo evento, o ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, e outros representantes do governo federal foram vaiados por pesquisadores, além de estudantes e servidores públicos presentes, que gritaram “golpista” e o slogan “Lula livre”, revelando o já conhecido nível de indisposição dessa turma para o diálogo.

O deputado federal Celso Pansera (PT-RJ) - cuja única atuação conhecida na ciência foi ter sido escolhido como ministro dessa área no governo de Dilma Rousseff, quando ainda era do MDB, tendo como qualificação apenas o fato de ser dono do self-service “Barganha”, na Baixada Fluminense - também discursou na SBPC e, claro, terminou seu pronunciamento bradando “Lula livre”.

O mundo dos monopólios digitais: Editorial | O Globo

Google e Facebook desafiam a regulação de sistemas antitrustes aplicados nos EUA desde o início do século XX, mas agora a atuação dessas empresas é global

No último dia 19, a União Europeia multou o Google em € 4,3 bilhões por práticas anticompetitivas ligadas ao seu sistema Android para celulares. Foi a maior penalidade já imposta pelos reguladores antitruste da UE numa briga que está apenas começando.

Por conta do que a teoria econômica chama de Efeito de Rede, estas empresas digitais tendem ao monopólio. Sejam serviços de busca, redes sociais, mapas de trânsito ou aplicativos de mensagem, quanto mais usuários têm, mais úteis ficam. Porque o processo de inteligência artificial faz com que os algoritmos se tornem mais eficientes de acordo com o número de usuários, os serviços também ficam melhores. Quanto maior, melhor fica, mais gente atrai e menos sobra para concorrentes. É um tipo novo de monopólio. Mas se porta como os monopólios antigos.

A lógica anticompetitiva começa nas aquisições. A prática do Google vem sendo se aproveitar dos bolsos fundos para comprar startups que lhe permitam ampliar seu domínio sobre outros mercados. É o caso do próprio Android, assim como do YouTube ou mesmo do Waze. Já o Facebook compra para impedir que qualquer um cresça no ambiente social a ponto de ameaçá-lo. Foi assim com Instagram e WhatsApp. Como o SnapChat recusou a venda, o Facebook copiou os principais recursos do adversário, pôs no Instagram, sufocando o concorrente. O método de ação monopolista do Google, porém, se dá na forma como explora a busca, espaço que domina. Historicamente, dá destaque às suas buscas especializadas, como de pesquisa de preços ou resenha de lugares públicos, impedindo que usuários encontrem os concorrentes. O Yelp!, uma das startups mais promissoras dos anos 2000, minguou por ter sumido do Google — e este é outro processo pelo qual a empresa já foi multada na UE.

Parceiros, mas não tanto: Editorial | Folha de S. Paulo

Imagem de sintonia dos Brics se enfraquece quando cotejada com medidas adotadas entre eles

Embora seu nome não conste da declaração final da décima cúpula dosBrics, realizada nesta semana em Johanesburgo, Donald Trump era o destinatário primordial da mensagem em defesa do multilateralismo e do papel da OMC (Organização Mundial do Comércio) na solução de conflitos nessa seara.

Previsível, aliás, que se fizesse deste encontro uma oportunidade para marcar posição crítica ao presidente dos Estados Unidos.

Afinal, este tem se empenhado em impor restrições à entrada de produtos da China, o “C” do acrônimo em inglês que abrange as cinco nações emergentes do bloco, formado também por Brasil, Rússia, Índia e África do Sul.

Mesmo antes de o líder americano dar início ao que se prenuncia como uma guerra comercial contra Pequim, o dirigente chinês, Xi Jinping, já se apresentava à comunidade internacional como arauto de uma economia globalizada, aproveitando-se do pendor isolacionista do rival.

A imagem de sintonia dos países-membros dos Brics em favor do livre comércio, entretanto, se enfraquece quando cotejada com medidas adotadas entre os próprios integrantes.

Revelaram-se um exemplo bastante ilustrativo de tal descompasso as tratativas do governo brasileiro, em reuniões paralelas, para convencer a China a derrubar barreiras aplicadas sobre as exportações de soja e de carne de frango.

Desde o mês passado, frigoríficos daquele país que compram do Brasil são obrigados a depositar entre 18,8% e 34,4% do valor das importações, dependendo da empresa.

Juros, câmbio e risco político: Editorial | O Estado de S. Paulo

Diante de quadros muito diversos, com rápido crescimento nos Estados Unidos e atividade muito lenta no Brasil, os bancos centrais dos dois países deverão anunciar no começo de agosto novas decisões sobre os juros. Um novo aperto na política monetária americana será ruim para a maioria dos emergentes, por seus efeitos no câmbio e nas condições internacionais de financiamento. Mas há esperança de uma trégua até setembro. Ontem, a aposta dominante nos mercados americano e brasileiro ainda era de manutenção das taxas em vigor, de 1,75% a 2% no primeiro caso e de 6,50% no segundo. Se essas previsões estiverem certas, governo e empresários terão mais algum tempo para tentar dinamizar os negócios no Brasil, tarefa complicada pela incerteza política interna e ameaçada por um cenário externo carregado de riscos financeiros e comerciais.

Que os juros americanos voltem a subir neste semestre parece fora de dúvida. O comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) poderá manter os juros básicos na reunião dos próximos dias, mas deverá elevá-los, mais uma vez, a partir de 26 de setembro. Esta expectativa foi indicada por analistas e operadores do mercado financeiro americano logo depois da divulgação, ontem, da primeira estimativa de crescimento econômico do segundo trimestre. Segundo o Departamento do Comércio, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu entre abril e junho em ritmo equivalente a 4,10% ao ano, o mais intenso desde 2014.

O maior impulso partiu do consumo privado. O segundo mais importante foi proporcionado pelas exportações. O desempenho comercial foi parcialmente atribuído à antecipação de compras de produtos agrícolas por empresas chinesas. Teria sido uma ação preventiva, diante do risco de imposição de barreiras à soja americana como retaliação às medidas protecionistas do presidente Donald Trump.

Hiperinflação na Venezuela sepulta ilusionismo: Editorial | O Globo

FMI prevê inflação de um milhão por cento este ano e total erosão do bolívar. Violência e desabastecimento continuam estimulando êxodo de refugiados

Dados divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no início desta semana mostram que as condições de vida na Venezuela alcançaram um patamar sem precedentes de desintegração. A inflação anual em junho foi de 46.000%, e deve fechar o ano em torno de 1.000.000%, patamar só comparável ao Zimbábue dos anos 2000 e à Alemanha de 1923. A erosão do bolívar é de tal magnitude que o comércio — dos supermercados aos camelôs — está recusando a moeda nacional.

A economia do país, ainda segundo o FMI, deve encolher 18% este ano, depois de ter perdido cerca de 40% nos últimos cinco anos. O país detém as maiores reservas mundiais de petróleo e gás natural, setor responsável por 96% de suas receitas. Com a desvalorização dessas commodities, a Venezuela perdeu sua fonte de recursos e percebeu o erro de ter uma economia pouco diversificada. À medida que as dificuldades foram se avolumando e sua estatal do setor, a PDVSA, foi sendo sucateada pelo governo, a infraestrutura petrolífera também terminou afetada, a tal ponto que o país não pôde se beneficiar da recente recuperação dos preços do barril.

A economia venezuelana também pagou o preço de financiar o projeto bolivariano de Hugo Chávez, subsidiando países aliados, como Nicarágua e Cuba. O regime brigou com o setor produtivo, nacionalizando empresas, não só afugentando investimentos, mas provocando a ruptura de cadeias produtivas importantes. O resultado tem sido uma crise de abastecimento tanto de serviços públicos, como saneamento e o fornecimento de água e energia elétrica, quanto de produtos básicos, sobretudo alimentos e remédios.

Com a escassez, é preciso senha para comprar em supermercados. A falta de alimentos, remédios e vacinas provocou a volta de doenças já erradicadas, como sarampo e sarna. Aumentaram os casos de doenças sexualmente transmissíveis, e a taxa de natalidade subiu, devido à falta de anticoncepcionais. Com o êxodo de venezuelanos para países vizinhos, em fuga da crise, essas doenças também estão ressurgindo nas nações de acolhimento dos refugiados, caso do Brasil. A ONU estima que 1,5 milhão de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos.

Terror na Nicarágua: Editorial | O Estado de S. Paulo

Na quinta-feira passada, a Associação Nicaraguense Pró Direitos Humanos (ANPDH) divulgou relatório preliminar com o número de vítimas resultantes de pouco mais de três meses de uma crise social e política que vem expondo ao mundo a natureza cruel e autoritária do governo do presidente Daniel Ortega, no poder intermitentemente desde a Revolução Sandinista de 1979.

De acordo com a organização não governamental (ONG), ao menos 448 pessoas morreram, cerca de 2,8 mil ficaram feridas e 595 estão desaparecidas desde o início dos protestos, em 18 de abril, inicialmente contra a reforma do sistema previdenciário aprovada dois dias antes, mas que logo se transformaram em um movimento mais amplo contra o governo. O número de vítimas pode ser ainda maior, uma vez que os observadores da ONG não conseguiram confirmar suspeitas de assassinatos em áreas de difícil acesso.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou dura resolução no dia 18 deste mês em que “condena veementemente” a violenta repressão aos protestos praticada pela polícia e por milícias paramilitares a soldo do governo de Daniel Ortega, tal como ocorre na Venezuela sob a ditadura de Nicolás Maduro.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) também responsabilizou o governo nicaraguense por ordenar “assassinatos, execuções extrajudiciais, maus-tratos, possíveis atos de tortura e detenções arbitrárias contra a população predominantemente jovem”. Um desses jovens foi a estudante universitária brasileira Raynéia Gabrielle Lima, de 30 anos, morta a tiros na noite da segunda-feira passada em Manágua, capital do país. A informação oficial dá conta de que a brasileira foi morta por um “segurança particular” em local próximo ao Colégio Americano, em um bairro nobre da capital. Entretanto, testemunhas afirmam que Raynéia, que cursava o último ano de medicina na Universidade Americana de Manágua, foi morta por tiros disparados contra seu carro por paramilitares que ocupam a Universidade Nacional Autônoma.

O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, tem sido vigoroso na cobrança das autoridades nicaraguenses para que prestem informações que, de fato, levem ao esclarecimento do brutal assassinato de uma cidadã brasileira. “O governo da Nicarágua diz que foi um guarda de segurança particular (quem matou Raynéia). Mas quem foi? Qual o calibre da arma? Em que circunstâncias a morte ocorreu? Não houve, até agora, um esclarecimento. Nós vamos insistir porque isso nos parece absolutamente inaceitável”, disse o chanceler Aloysio Nunes Ferreira após a cúpula dos Brics, na África do Sul.

O momento Alckmin

A vez de Alckmin

O candidato tucano ao Planalto promoveu uma virada no tabuleiro eleitoral ao unir dez partidos em torno da sua candidatura, criando as condições políticas para, finalmente, decolar. Se, de fato, essa portentosa aliança resultará em votos, só o tempo dirá

Rudolfo Lago, Wilson Lima e Ary Filgueira | Revista IstoÉ

Depois de passar meses estacionado nas pesquisas, sendo ferozmente criticado até por seus aliados por “jogar parado”, ou seja, não se mover no sentido de firmar alianças para compor um palanque robusto, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), enfim, saiu da inércia e fez o movimento mais arrojado até agora na conturbada e imprevisível eleição presidencial de 2018. Celebrou, na quinta-feira 26, um amplo e avassalador arco de apoios partidários, a partir da união de dez legendas, incluindo as quatro do chamado “Centrão” (DEM, PP, PR e Solidariedade), que se somarão ao PSD, PTB, PRB, PPS e PV, siglas com as quais o PSDB já estava coligado. Com esse verdadeiro exército marchando a seu favor, o tucano passará a dispor de quase 6 minutos de tempo na propaganda eleitoral gratuita no rádio e TV (os principais adversários terão menos de 30 segundos cada) e terá ao seu lado quase 300 deputados e a metade dos prefeitos brasileiros. Mais: a colossal aliança vai render ao candidato R$ 852,8 milhões de fundo partidário. Para quem até bem pouco tempo era dado como natimorto, pode-se dizer, sem sombra de dúvidas, que Alckmin vive o mais alvissareiro momento desde que oficializou seu nome na corrida presidencial.

Não por acaso, o tucano passou a ser a aposta sólida do establishment político-empresarial. Agora, o desafio é transformar essa máquina eleitoral em votos capazes de lhe catapultar ao segundo turno das eleições. Hoje, Alckmin amarga índices modestos nas pesquisas eleitorais, entre 5% e 7%, a depender do cenário. Para chegar lá, terá de quase triplicar, já que seu principal concorrente direto, o candidato Jair Bolsonaro, do PSL, oscila entre 18% e 20% das intenções de voto. “O mais importante é estarmos unidos, o que nos garante força em qualquer circunstância”, avalia o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA).

O anúncio da união do “Centrão” em torno de Alckmin, firmada na quinta-feira 26, foi a notícia mais esperada dos últimos tempos, como resultado das inúmeras conversas mantidas nas duas últimas semanas. Oficialmente, tinha o propósito de alavancar a candidatura à Presidência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. No fundo, visava garantir espaço de destaque do bloco no próximo governo, negociando em conjunto os apoios, em troca de mais ministérios e cargos em um novo governo, mas, sobretudo, que mantivesse o comando da Câmara, reelegendo Maia para o cargo. O bloco negociou três alternativas. Além de Alckmin, conversou com Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro. A conclusão de que deveriam se unir ao candidato do PSDB foi um processo de depuração. Pesava contra Alckmin, e isso adiou a decisão final, o fato de o tucano patinar nas pesquisas, mantendo-se num patamar bem aquém do satisfatório. “Se for por isso, Ciro também está mais ou menos nesse patamar”, argumentava Alckmin, nas conversas com o “Centrão”. “A verdade é que a maior parte dos eleitores ainda vai fazer a sua escolha”, complementavam os tucanos. A partir daí, os partidos estabeleceram que a escolha se daria por consenso, e a união ocorreria em torno de quem seguisse sem vetos e questionamentos.

Bateu na trave
Preferido inicialmente por alguns dos líderes do bloco, Ciro Gomes foi perdendo espaço à mesma medida em que se enredava em declarações grosseiras, para dizer o mínimo. Chegou a chamar o vereador negro Fernando Holiday (DEM-SP) de “capitãozinho do mato”, expressão considerada como ofensa racista. A gota d’água, no entanto, deu-se no dia em que o pedetista chamou de “filha da puta”, sem saber de quem se tratava, a promotora Mariana Bernardes Andrade, que pediu investigação por racismo contra ele no caso de Holiday. Além da língua incontrolável, Ciro foi perdendo apoio no bloco pela defesa de propostas distantes do ideário mais liberal desses partidos, como rever a reforma trabalhista e bloquear negociações empresariais como a união da Boeing com a Embraer. “Estava ficando cada vez mais fácil o Ciro fechar aliança com o Boulos do que conosco”, comenta Aleluia.

Contra Bolsonaro, pesaram também posicionamentos, que levaram insegurança quanto à garantia de manutenção da atual lógica democrática de presidencialismo de coalizão. O bloco precisava ter certeza de que, forte no Congresso, teria peso nas decisões do próximo presidente. Sentiu mais segurança nesse sentido com Alckmin. “Ficamos muito perto de obter a unidade do campo democrático que pregávamos”, comemora o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG). “Tínhamos a esperança de unir ainda Marina, Meirelles e Alvaro. Mas a união já garantida é um grande avanço”. Falta apenas a definição do vice na chapa. Josué Gomes, do PR, desistiu. Na última semana, estavam cotados nas bolsas de apostas Aldo Rebelo (SD), Mendonça Filho (DEM) e a atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputada federal Tereza Cristina, do DEM.

Entrevista – Alckmin: “Não tem toma lá, da cá”

Em entrevista exclusiva à ISTOÉ concedida na terça-feira 24, o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin, garantiu que as negociações das alianças partidárias não se pautaram pelo fisiologismo

Germano Oliveira | ISTOÉ

• O senhor acaba de ter o apoio do centrão, como o DEM, PP, PR e PSD. Agora a campanha vai decolar?

Venho trabalhando esse tempo todo para fazer uma boa aliança. É importante para a campanha e para a governabilidade. O esforço de pacificação do País é necessário. Toda vez que o Brasil teve uma conciliação, a democracia consolidou-se, a economia melhorou e os avanços sociais foram maiores. Precisamos olhar para o futuro, trazer esperança para a população.

• O PSDB contará com mais de cinco minutos de horário na TV, enquanto que seus adversários terão menos de 30 segundos. Isso será decisivo?

Ajudará muito. Numa campanha mais curta, é importante ter mais tempo na TV para dialogar, apresentar as propostas, sobretudo no meu caso em que nos últimos 14 anos mergulhei aqui no governo de São Paulo. Agora vou ter maior oportunidade de falar com o Brasil todo.

• Se por um lado o senhor está recebendo a adesão de partidos que reúnem 279 deputados, por outro realiza uma aliança que atrai políticos polêmicos, como Valdemar Costa Neto (PR) e Roberto Jefferson (PTB). Eles podem contaminar seu palanque?

Nós conquistamos os partidos aliados em torno de uma proposta para o Brasil e não tem toma-lá-dá-cá. Os partidos têm outros quadros expressivos.

• O senhor prometeu a eles retomar o Imposto Sindical?

Não há nenhuma hipótese de retornar o Imposto Sindical. Ele é uma visão atrasada, cartorial e que os sindicatos que realmente têm representatividade nem querem. O que nós falamos é criar o Conselho Nacional do Trabalho, com participação tripartite. Vamos melhorar o uso do dinheiro do trabalhador, que é o FGTS. Fiz um estudo: se em 1995 o trabalhador tivesse R$ 1 e aplicasse no CDI teria R$ 20 agora. Na poupança R$ 10 e aplicado como é hoje teria R$ 5. O trabalhador foi tungado. Vamos fazer justiça aos trabalhadores com a TLP, para corrigir o FGTS, com juros mais correção monetária.

• Pelo fato da sua campanha não decolar, muitos falaram em substituí-lo, inclusive pelo ex-prefeito João Doria. Ficou alguma mágoa?

Eu conheço o João Doria e tenho laços de amizade com ele há quase 30 anos. Zero de mágoa. E eu sou adepto da democratização das prévias. Quando me lancei candidato, abrimos a inscrição para as prévias. Submeti o meu nome e, se o partido escolhesse outro nome, eu acataria. Mas acabei escolhido por unanimidade.

• Além de Aécio Neves, em Minas, tem outros tucanos como o Paulo Preto, em São Paulo, envolvidos na Lava Jato. O senhor acha que eles prejudicarão sua campanha?

Sempre defendi, independentemente de pessoas, que a lei é para todos. Tem que haver investigação e que se faça Justiça. Quem tem que ser inocentado, que o seja. E quem tem que ser punido, que seja punido. Nós não desmoralizaremos as instituições.

• Quem são seus nomes preferidos para ocuparem a chapa como vices?

Existem nomes ótimos, mas a definição do vice ficará bem mais para a frente.

Eleitor valoriza experiência, diz Ipsos

Pesquisa mostra que diminuiu a preferência do eleitorado por candidatos novatos; instituto vê ‘decepção’ com a promessa do ‘novo’ na política

Daniel Bramatti | O Estado de S. Paulo.

Pesquisa feita pelo instituto Ipsos indica que a ânsia dos eleitores brasileiros por uma novidade na campanha presidencial arrefeceu desde o fim do ano passado, ao mesmo tempo em que a experiência dos candidatos passou a ser mais valorizada.

Em levantamentos feitos pelo Ipsos em dezembro de 2017 e na primeira quinzena de julho deste ano, o instituto fez aos eleitores algumas perguntas sobre o perfil desejado do próximo presidente. Uma delas avalia se seria preferível se ele ou ela fosse “alguém que é político há muitos anos” ou “um nome novo na política”. A preferência pelo político veterano subiu 11 pontos porcentuais no período, de 39% para 50%, enquanto as opções por um novato caíram de 52% para 44%.

Outra pergunta foi se os eleitores preferem um presidente “experiente” ou “íntegro e ético”. A opção pela experiência subiu de 31% para 41%, enquanto houve queda de 65% para 56% no quesito integridade.

“Esse resultado reflete uma decepção com o novo”, disse Danilo Cersosimo, diretor do Ipsos. “Essa opção não se concretizou para os eleitores. Experiência política e administrativa vão acabar pesando muito na campanha.”

Ensaios. Nos últimos meses, alguns nomes não ligados tradicionalmente ao mundo político fizeram movimentos e sondagens relacionados a uma possível candidatura presidencial, mas não chegaram a formalizar a iniciativa.

O apresentador de televisão Luciano Huck chegou a admitir a possibilidade de concorrer e conversou com o PPS, mas recuou. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa se filiou ao PSB e também cogitou concorrer, mas desistiu.

O empresário Flávio Rocha, dono da rede de lojas Riachuelo, também não conseguiu viabilizar sua candidatura pelo PRB e anunciou a saída da disputa no último dia 13.

Dos principais nomes na corrida presidencial, quase todos já passaram pelo crivo das urnas – a exceção é Henrique Meirelles (MDB), ex-ministro da Fazenda, mas ele não tem empolgado o eleitorado, segundo as mais recentes pesquisas.

Mau humor. O Barômetro Político Estadão-Ipsos, pesquisa que todos os meses analisa a opinião dos brasileiros sobre personalidades do mundo político e jurídico, mostrou um quadro de quase estabilidade em julho, na comparação com resultados anteriores.

Todos os presidenciáveis que devem participar das eleições seguem com taxas altas de reprovação. O que aparece em pior situação é Geraldo Alckmin (PSDB): 68%% desaprovam seu desempenho, contra 19% de aprovação.

Preso desde abril, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue com a maior aprovação entre os políticos: 45%. Ele é desaprovado por 53%. Jair Bolsonaro (PSL), cuja desaprovação tinha subido em junho, voltou aos níveis que tinha em maio. Ele é aprovado por 23% e desaprovado por 60%.

“O mau humor geral mantém esses indicadores de desaprovação em um nível bem alto”, observou Cersosimo. “Não significa dizer que nomes desaprovados não tenham potencial eleitoral. Dado que as opções são essas, é bem possível que o eleitor acabe optando por nomes que ele desaprove ou vote branco ou nulo.”

Apesar de o Ipsos incluir o nome de possíveis concorrentes ao Planalto em sua pesquisa, o instituto não procura medir intenção de voto. O que os pesquisadores dizem aos entrevistados é o seguinte: “Agora vou ler o nome de alguns políticos e gostaria de saber se o (a) senhor (a) aprova ou desaprova a maneira como eles vêm atuando no País”.

Proporção de adolescentes eleitores aumenta pela primeira vez desde 2006

Levantamento aponta crescimento da fatia de jovens com 16 e 17 anos interessados no pleito geral

Marina Merlo, Sarah Mota Resende | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Aluna do colégio Renascença, localizado na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, Milena Altman Charatz vai votar pela primeira nas eleições gerais de outubro. Aos 17 anos, seu voto é facultativo. Ir às urnas não é obrigatório para analfabetos, menores de idade com mais de 16 anos e idosos acima dos 70.

Charatz faz parte de uma estatística animadora. Em 2018, a proporção de jovens de 16 e 17 anos que tiraram título de eleitor para o pleito geral teve a primeira alta desde 2006.

Segundo dados analisados pela Folha a partir de números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 29,5% desta faixa etária está alistada para votar em outubro. Isso corresponde a 250 mil novos eleitores. Em 2014, na eleição que reelegeu a petista Dilma Rousseff, essa porcentagem era de 23,9%.

"Pelo rumo que a política tomou, eu decidi que precisava fazer alguma coisa e tirei meu título", diz Charatz. A solicitação em ano eleitoral deve ocorrer até 151 dias antes do pleito —data que, neste ano, se encerrou em 9 de maio. Em ano sem votação, o alistamento pode ser feito em qualquer dia em um cartório eleitoral.

"Tirar o título foi uma iniciativa minha. Não quero deixar as pessoas serem eleitas sem a minha participação", diz Charatz. Segundo a estudante, suas ideias e percepções sobre política são formadas a partir de assuntos que ela lê ou assiste na imprensa, principalmente online. Charatz ainda não decidiu seu voto.

Em outra ponta da cidade, na zona sul, Vitória Beatriz da Cruz Oliveira também está indecisa. Aluna da Escola Estadual Professor Alberto Conte, a jovem de 17 anos, assim como Charatz, vai votar pela primeira vez por vontade própria no dia 7 de outubro.

Neste ano, preocupada com o que diz ser "uma crise muito grande no Brasil", resolveu tirar seu título para "ajudar a mudar a situação". Oliveira é também aluna do Studium, curso pré-vestibular voltado para jovens de baixa renda em Pinheiros, zona oeste da capital paulista.

Para Oliveira, a melhor maneira de se informar sobre seus candidatos é vasculhando sites e redes sociais oficiais dos políticos. "E também um pouco na imprensa, mas não tanto porque ela acaba manipulando muito”, diz.

O interesse de adolescentes por votar pela primeira vez, segundo especialistas ouvidos pela Folha, tem relação com a forte presença de jovens em redes sociais, ambiente em que candidatos divulgam sua propostas, repercutem notícias e até fazem pronunciamentos em tempo real —as chamadas "lives".

Outra questão apontada é a identificação de jovens com temas de cunho social.

"Para o senso comum, vivemos um período de descrença política, mas vemos engajamento dos jovens em coletivos, não em partidos, identificados com temas como feminismo, questões LGBT e ambiental, por exemplo", diz Marco Teixeira, professor e pesquisador do Departamento de Gestão Pública da FGV.

"Temos uma grande onda global pelos direitos da mulher que pega principalmente jovens, como o caso do aborto na Argentina e o caso Marielle", diz.

Segundo Álvaro Maimoni, consultor político e advogado da Hold Assessoria Legislativa, também pesa sobre os adolescentes a intensificação do debate político após o impeachment de Dilma, em 2016.

"Movimentos como o Vem Pra Rua e o MBL, por exemplo, não existiam de uma forma tão ampla e tão aberta como agora. E eles souberam utilizar as redes sociais como ninguém nunca fez", afirma Maimoni, sobre os coletivos que surgiram na esteira dos protestos de junho de 2013.

Para ele, jovens que hoje estão na faixa dos 16 anos cresceram com o noticiário envolto em corrupção em órgãos públicos. “Sempre escutaram coisas como ‘nós temos que acabar com a corrupção’ e compraram essa ideia”, diz.

A jovem Oliveira, entretanto, não vê interesse dos políticos por essa faixa de eleitores. "Eles não esperam que os jovens votem. Se parar para ver, eles não fazem planos diretamente para os jovens", afirma.
Colaborou Renan Marra

'O Judiciário pode ser criticado, mas desafiar a Justiça, jamais'

Presidente interina, enquanto Temer está fora do País, a ministra do STF Cármen Lúcia tem sido mais cobrado pelo que acerta

Marcio Dolzan | O Estado de S.Paulo

RIO - A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, defendeu nesta sexta-feira, 27, a atuação do Judiciário e declarou que, apesar de ser aberto a críticas e divergências, não pode ter suas decisões desafiadas “jamais”. Segundo ela, que ocupava interinamente a Presidência da República por causa da viagem ao exterior do presidente Michel Temer, “o Poder Judiciário tem sido muito mais cobrado pelo que ele acerta”.

Cármen Lúcia ressaltou que o Brasil tem 80 milhões de processos em tramitação, e declarou que é “natural” que haja divergências sobre as decisões. Mas também criticou quem defende o não cumprimento de decisões tomadas. “O Judiciário pode ser criticado, mas desafiar a Justiça, jamais. Se não se cumprir decisão judicial, se não se acatar decisão judicial, não vejo a possibilidade de se cogitar um Estado democrático de direito”, afirmou. “Não há democracia quando as pessoas resolvem se vingar.”

As declarações da presidente em exercício se deram na sequência de declarações e ações de políticos marcadas por críticas a decisões do Judiciário e até ameaças de interferências na Justiça. Em entrevista ao programa Resenha, da TV Difusora, no Maranhão, o presidenciável Ciro Gomes (PDT) prometeu colocar juízes e procuradores “na caixinha” e sinalizou, caso vença as eleições, com a possibilidade de libertar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena na superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

O próprio Lula e o PT têm repetido que não aceitam a sentença que o condenou. E indicam que também não aceitarão que ele não possa disputar a eleição de 2018 por causa da Lei da Ficha Limpa – o partido mantém o petista como pré-candidato à Presidência e afirma que irá registrar a candidatura dia 15 de agosto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Cármen afima que País passa por 'tempos difíceis'
A ministra falou nesta sexta-feira por 50 minutos em palestra para empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Durante sua explanação, Cármen Lúcia afirmou que os “tempos difíceis” pelos quais o País está passando só serão superados com o empenho de cada um e com segurança jurídica. “Estamos vivenciando tempos mais amargos”, disse a ministra. “Para onde pouso meu olhar, vejo manifestações que parecem raiva. Nunca tinha visto isso antes dessa forma.”

Na avaliação de Cármen Lúcia, o momento pelo qual passa o Brasil está fazendo com que muitos cheguem ao “desalento”, o que atrapalha a retomada e, inclusive, novos investimentos.

"Temos uma insegurança no País, que gera desconfiança, gera frustrações, falta de perspectiva, que chega ao desalento e que faz com que não haja a vontade de mudar”, declarou. “Insegurança econômica, política, fala-se em insegurança jurídica, que chega aos empresários, que afeta nossa imagem no exterior”, completou a ministra.

Tempo de TV de Alckmin é 40 vezes maior do que o de Bolsonaro

À exceção de tucano, principais candidatos têm pouco espaço por falta de alianças

Daniel Gullino e André de Souza | O Globo

A divisão do horário eleitoral gratuito ainda não está definida, mas o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, tem, até agora, larga vantagem em relação aos seus adversários. Com o apoio de nove partidos, o tucano terá ao menos 5 minutos e 12 segundos de cada um dos dois blocos diários de 12 minutos e meio. Além disso, deve ter 11 inserções diárias de 30 segundos, que serão exibidas durante a programação normal.

O retrato do momento deixa Alckmin com um tempo de exposição mais de 40 vezes superior ao do presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A campanha de Alckmin escolheu Bolsonaro como um dos principais rivais, por entender que os dois disputam parte do mesmo eleitorado. Caso o deputado federal continue sem conseguir fechar uma aliança (já rejeitada por PR e PRP), ele deve ter direito a seis segundos diários e a uma inserção a cada cinco dias.

O cenário ainda pode mudar até o dia 5 de agosto, data final para as candidaturas serem registradas. Até o momento, 15 dos 25 partidos definiram seus candidatos. Além de Alckmin, apenas outro presidenciável conseguiu fechar uma aliança até agora: Guilherme Boulos (PSOL), que terá o apoio do PCB. Nove partidos ainda não definiram qual rumo tomar, e o PMN decidiu que ficará neutro. O segundo maior tempo de televisão deve ficar com o PT (1 minuto e 45 segundos), que pretende inscrever Lula. Se a candidatura do ex-presidente for barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base na Lei da Ficha Limpa, o horário eleitoral terá um papel crucial para o partido, já que será preciso transferir os votos de Lula para seu substituto — o ex-prefeito Fernando Haddad e o ex-governador Jaques Wagner são os mais cotados para assumir o posto. O PT tentou conseguir autorização para gravar vídeos de Lula dentro da prisão, mas o pedido foi negado pela Justiça.

MARINA TEM SITUAÇÃO PARECIDA A DE BOLSONARO
O MDB, que tem como pré-candidato o ex-ministro Henrique Meirelles, vem logo atrás, com 1 minuto e 41 segundos. Assim como o PT, a legenda teria três inserções diárias.
Pré-candidato do PDT, Ciro Gomes tem, até agora, 34 segundos e uma inserção diária. Ele ainda tenta o apoio do PSB — o que lhe garantiria mais 50 segundos — e do PCdoB, que tem como pré-candidata Manuela D’Ávila, e é dono de 18 segundos. As duas legendas, no entanto, também são cobiçadas pelo PT. O PSB, até agora, caminha para a neutralidade.

Outra pré-candidata que tenta fechar alianças para aumentar seu tempo de televisão é Marina Silva (Rede), segunda colocada nas pesquisas, mas com apenas oito segundos e uma inserção a cada quatro

dias. Um dos alvos de Marina é o PROS, dono de 14 segundos. Pré-candidato do Podemos, Alvaro Dias conta, até o momento, com 10 segundos.

30/7/2018: Encontro com Luiz Werneck Vianna


Tom Jobim - Chega de saudade

Carlos Drummond de Andrade: No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Opinião do dia: Roberto Freire

Fatos recentes mostram claramente que nós precisamos lutar, manter e preservar as instituições democráticas. Isso porque existem forças políticas no Brasil que trabalham contra a democracia. Pela direita, o Bolsonaro que já é conhecido por não respeitar as liberdades, defender ditaduras, tortura e torturadores. Agora surge pela esquerda uma força política que não respeita a República. Que não respeita nossa liberdade e instituições. Vejam agora o que fizeram os militantes translocados do PT que agrediram a instituição STF. Você pode ter a crítica que tiver das decisões do Supremo e com ela não concordar, mas tem que respeitar. Faz parte da nossa democracia.
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Roberto Freire é presidente nacional do PPS

Centro Democrático declara apoio à pré-candidatura de Alckmin à Presidência da República

- Portal do PSDB

Os partidos do Centro Democrático – PP, PR, PRB, DEM e Solidariedade – oficializaram na manhã desta quinta-feira (26), em Brasília, seu apoio à pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República. Em discurso, Alckmin destacou o “esforço conciliatório” em torno de sua pré-candidatura e o seu compromisso com o país.

“Fico muito feliz de hoje aqui nos reunirmos com o centro democrático. Primeiro, porque o caminho não é nem autoritarismo, nem populismo, mas é democracia, a boa política que leva ao bom convívio social, ao diálogo, ao entendimento. E estamos aqui, para minha honra, recebendo o apoio de cinco grandes partidos, que têm responsabilidade para com o povo brasileiro e para com o nosso país”, reiterou o presidente do PSDB.

Alckmin salientou a crise econômica vivida pelo Brasil e ressaltou que o momento pede um “esforço coletivo” para promover o desenvolvimento do país.

“O nosso foco é melhorar a vida dos brasileiros e das brasileiras. Para mudar, precisamos ter organização, ação conjunta, time, votos. Não é uma pessoa. Não tem ninguém com uma fórmula mágica, não tem um salvador da pátria, tem um esforço coletivo para que a gente possa avançar. Nós temos um causa urgente. O Brasil tem pressa e por isso estamos aqui hoje unidos”, disse.

O pré-candidato adiantou ainda que irá investir no pós-sal para gerar emprego e renda ao país.

“Quero trazer uma palavra muito especial ao Nordeste, nós vamos investir muito com a Petrobrás e com a iniciativa privada no pós-sal, nos chamados campos maduros, em terra e no mar, e isso vai gerar emprego, oportunidade, riqueza. Uma agricultura que é a mais próspera, com a melhor tecnologia, competitividade do mundo. O Brasil vai ser o grande celeiro do mundo. Os desafios das logísticas que vamos trabalhar muito para poder avançar. É isso que nos motiva”.

Em seu discurso, o presidente nacional do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto, também ressaltou a importância dessa união: “O espírito público e o sentimento de brasilidade caracterizaram o avanço dessa aliança dos partidos do Centro Democrático”, disse. “Sempre pensamos numa agenda para o Brasil. Fomos capazes de deixar de lado os interesses individuais, as questões internas dos partidos, para promover esta aliança”, ressaltou. “O melhor nome é o nome de Geraldo Alckmin”, disse ACM Neto.

Participaram do evento, além do próprio ex-governador e dos presidentes dos partidos que formam o grupo, líderes partidários do bloco.

Unidos em apoio a Alckmin, partidos do Centrão e PSDB são rivais em 12 Estados

Siglas do Centrão e PSDB são rivais em 12 Estados

Eleições. Bloco partidário formado por PR, PRB, PP, DEM e Solidariedade confirma aliança com Alckmin; tucano terá, porém, de administrar disputas em campanhas regionais

Renan Truffi, Vera Rosa, Camila Turtelli | O Estado de S. Paulo.

BRASÍLIA - O Centrão, grupo que reúne PR, PRB, PP, DEM e Solidariedade, oficializou ontem o apoio à pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência, encerrando uma negociação que durou meses. A aliança, com dez legendas no total, dará ao tucano cerca de 4 minutos e 40 segundos em cada bloco no horário eleitoral – o que representa cerca de 38% dos 12 minutos e 30 segundos de propaganda presidencial em cada bloco –, mas ainda deixou pendente a escolha de um vice na chapa após a recusa do empresário Josué Gomes da Silva.

Alckmin terá, porém, de administrar conflitos em ao menos 12 Estados onde partidos do bloco rivalizam com o PSDB ou com siglas que já apoiavam o pré-candidato tucano (PSD, PTB, PPS e PV) em campanhas regionais, segundo levantamento do Estadão/Broadcast. Estagnado com 7% nas intenções de voto, o précandidato terá de conciliar palanques importantes para alavancar sua campanha, como o caso de Minas, segundo maior colégio eleitoral do País. Em sete Estados, os tucanos são adversários diretos de pré-candidatos do DEM, por exemplo.

Em Minas, onde os tucanos lançaram o senador Antonio Anastasia ao governo, o DEM insiste em manter a candidatura do deputado Rodrigo Pacheco. Ainda ontem, deputados do Centrão procuraram a campanha tucana para pedir interferência na disputa entre os dois. Segundo um dos parlamentares do bloco, por influência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Pacheco se recusa a abrir mão da candidatura, o que tem atrasado a formação da chapa.

A situação teria complicado depois que Anastasia escolheu o deputado Marcos Montes (PSD-MG) como vice. Parlamentares temem não se reeleger por causa do racha.

Questionado sobre como resolveria esse tipo de entrave, Alckmin contemporizou. “Cada um tem sua singularidade, onde puder juntar todo mundo, estamos fazendo um esforço.”

Terceiro maior colégio eleitoral, o Rio também tem um imbróglio entre os partidos. No Estado, dois aliados devem ter candidatos próprios ao governo: o DEM, com Eduardo Paes, que oficializou a candidatura ontem, e o PSD, que deve lançar Indio da Costa. Nesse caso, os tucanos estudam ficar ao lado de Paes, mas com o consentimento do ministro Gilberto Kassab, dirigente do PSD, que não teria exigido apoio obrigatório ao nome do partido.

‘Conciliação’. No ato em Brasília, que selou o apoio do Centrão, Alckmin se posicionou no meio da mesa na qual estavam dirigentes de cada um dos partidos – todos eles citados em delação de executivos da Odebrecht ou alvos de investigação, incluindo o tucano. Comandante do PR, Valdemar Costa Neto não participou do ato; ele foi representado pelo deputado Milton Monti (PR-SP).

Pregando “conciliação” contra o “extremismo e o populismo”, Alckmin disse que o bloco foi para sua campanha por “convicção”. “Seria fácil vir para minha pré-candidatura se eu estivesse em primeiro lugar.”

No mesmo tom, o presidente do DEM, ACM Neto (BA), afirmou que as legendas tiveram que abrir mão de “interesses pessoais” para fazer a aliança.

ACM Neto também admitiu que o bloco teve “dúvidas”, em referência indireta às negociações com o candidato Ciro Gomes (PDT), mas emendou dizendo que pesou o “coração”. “Todos os partidos tinham précandidatos e fomos capazes de deixar de lado as questões internas para promover uma aliança encarada por muitos com ceticismo e desconfiança.”

Na cerimônia, ACM Neto leu uma carta do presidente da Câmara abrindo mão de sua candidatura ao Palácio do Planalto. Maia, que está fora do País para não ficar inelegível com a viagem de Michel Temer (MDB) (mais informações na pág. A8), já havia dito internamente que não concorreria à sucessão do presidente para ser candidato à reeleição. Faz parte do acordo com o Centrão o apoio à recondução do deputado para o comando da Casa em 2019.

Colaborou Mariana Haubert

Maia desiste de candidatura, e centrão oficializa apoio a Alckmin

Grupo diz que união será chave para eleição deste ano e procura opção a Josué Alencar

Daniel Carvalho, Marina Dias | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Ainda sem definição sobre quem indicar para o posto de vice, o centrão formalizou nesta quinta-feira (26) o apoio à pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa pelo Planalto.

Os dirigentes dos partidos que compõem o bloco —DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade— se reuniram em um hotel em Brasília, ao lado do ex-governador tucano, para chancelar o apoio à chapa do PSDB, decisão que já havia sido tomada na semana passada, mas prolongada até esta quinta para que o vice fosse definido e anunciado oficialmente.

Em carta lida no evento, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), desistiu oficialmente de concorrer ao Planalto e confirmou que será candidato a deputado federal pelo Rio, para tentar se reeleger ao comando da Casa.

Segundo Maia, a aliança de seu partido em torno da pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) fez com que ele "arquivasse momentaneamente" sua pretensão presidencial.

De Miami, o deputado enviou uma carta para comunicar sua decisão, que foi lida pelo presidente de seu partido, ACM Neto.

A pré-candidatura de Maia ao Planalto nunca foi levada a sério, nem mesmo por seus aliados mais próximos. A pretensão serviu, segundo dirigentes, para cacifar o DEM nas negociações para uma aliança mais vantajosa.

No acordo com Alckmin, Maia negociou o apoio do PSDB e dos integrantes do bloco para uma eventual reeleição ao comando da Câmara, em 2019.

O deputado está em viagem ao exterior enquanto Temer participa de encontro do Brics na África do Sul. Primeiro da linha sucessória do governo do emedebista, o deputado não pode assumir a Presidência da República para não ficar inelegível na disputa de outubro.

Centrão dá a Alckmin o maior arco de alianças

Por Vandson Lima, Raphael Di Cunto, Fabio Murakawa, Raymundo Costa e Fábio Graner | Valor Econômico

BRASÍLIA E JOANESBURGO - Estacionado nas pesquisas com um dígito nas intenções de voto, Geraldo Alckmin (PSDB) consolidou ontem o maior arco de alianças da eleição presidencial de 2018. A adesão dos partidos que compõem o Centrão (DEM, PP, PR, SD e PRB) se soma à aliança já anunciada com o PTB, e outras com boa probabilidade de ocorrer, casos do PSD, PPS e, em menor medida, com o PV.

O impasse sobre o vice da chapa permanece. Após a confirmação da recusa do empresário Josué Gomes (PR), uma profusão de nomes começaram a ser especulados, indo desde o senador Alvaro Dias (Podemos), que é pré-candidato a presidente, a pelo menos quatro mulheres filiadas a legendas do Centrão: do PP a senadora Ana Amélia (RS) e a vice-governadora do Piauí, Margareth Coelho. Do DEM a deputada federal Tereza Cristina (MS). Ainda se fala da empresária Luana Baldy, mulher do ministro das Cidades, Alexandre Baldy, filiado ao PP.

Alvaro Dias é o objeto de desejo do entorno de Alckmin para a vice. Alvaro tem resistido às abordagens dos tucanos, mas uma nova tentativa será feita. O desempenho do senador no Sul, região que tradicionalmente vota no PSDB, é superior ao de Alckmin. Entre os tucanos é o nome considerado como o que mais somaria para a chapa.

Na relação de vices possíveis, o nome seguinte é o de Ana Amélia. Também estão em alta o ex-deputado e ex-ministro do governo Lula Aldo Rebelo (SD-SP) e o empresário Flavio Rocha (PRB), que retiraram suas pré-candidaturas a presidente. O empresário Benjamin Steinbruch (PP) vem em seguida. O ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM-PE) também é citado.

O presidenciável tucano afirmou que a definição sai até 4 de agosto, data da convenção do PSDB que vai consolidar a candidatura ao Palácio do Planalto.

Em seu discurso, Alckmin buscou marcar posição em relação ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que lidera as pesquisas, mas está isolado e sem alianças, e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é líder nas pesquisas quando seu nome é incluído, mas está inelegível.

O tucano insistiu que o país não pode se enredar pelo caminho nem do "autoritarismo" nem do "populismo". "Fico feliz de nos reunirmos com o centro democrático. O caminho não é nem autoritarismo nem populismo", disse o tucano. Alckmin afirmou que sempre que o Brasil buscou a "conciliação e a pacificação", o país avançou, e citou como exemplos a redemocratização, o pacto pela Constituição cidadã e o Plano Real.

Frente partidária pode induzir à polarização tradicional

Por Raymundo Costa | Valor Econômico

BRASÍLIA - A adesão do "Blocão", agora rebatizado de Centro Democrático, dá um novo ânimo à candidatura de Geraldo Alckmin ao Planalto e - no limite - pode reviver a polarização PT-PSDB das eleições presidenciais brasileiras, desde 1994, que já era dada por morta e enterrada. Ao todo, dez partidos vão compor a coligação do tucano, o que deve lhe assegurar um tempo de cerca de seis minutos no rádio e na televisão. O maior de todos os candidatos.

Alckmin tem quase 50% do tempo de televisão, mas poucos votos identificados nas pesquisas. O PT não tem tanto tempo de TV (um minuto e trinta e dois segundos, se não agregar outros partidos à esquerda), mas tem os votos de Lula, que giram em torno dos 30%. Cientistas políticos, em geral, acreditam que o ex-presidente da República detém o poder de transferir algo em torno dos 12% desses votos, em todo o país.

O saldo das negociações para a composição das alianças é altamente favorável ao tucano, mas traz embutido também pequenos e grandes revezes.

Primeiro a coluna positiva: Segundo levantamento da consultoria LCA a união dos dez partidos deve reforçar substancialmente o poder de força da candidatura do tucano - que já detém a maior fatia do tempo de rádio e TV - nos Estados e municípios.

Juntos, PSDB, PSD, PTB, PPS, PV, DEM, PP, PR, SD e PRB têm acesso a 50% dos recursos do fundo eleitoral, detêm 55% das prefeituras de todo o país, 53% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 44% do Senado. Sem contar os sete ministérios que ocupam no governo Temer. Tudo conta, sobretudo se a eleição voltar a ser polarizada como foi nas últimas seis vezes - e muito acirrada, como foi em 2014. PT e PSDB só não disputaram o segundo turno da eleição de 1989.

Desde então, a chamada terceira via só chegou perto de passar para o segundo turno na eleição de 2002, com Anthony Garotinho, e a de 2014, liderada em grande parte por Marina Silva, a candidata que substituiu Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo durante a campanha eleitoral. Este ano, a terceira via tem mais opções: além da própria Marina (Rede Sustentabilidade), tem Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PSL), o candidato que lidera as pesquisas, quando o nome de Lula não é citado.

Cercado por investigados, Alckmin formaliza aliança com centrão

Coligação traz vantagens e também ônus para o tucano

Em solenidade realizada em Brasília, o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, anunciou que contará com o apoio do centrão, formado por DEM, PP, PR, PRB e SD, siglas que reúnem diversos políticos investigados em escândalos de corrupção, alguns deles presentes à cerimônia de ontem. O bônus é que, ao se aliar ao bloco, o tucano soma agora dez partidos na coligação, o que lhe garante mais de um terço do tempo total do horário eleitoral gratuito. Cotado para vice da chapa, o empresário Josué Gomes recusou o convite.

Aliança de investigados

Cercado por políticos envolvidos em casos de corrupção, Alckmin recebe apoio do centrão

Bruno Góes, Cristiane Jungblut, Eduardo Bresciani e Leticia Fernandes | O Globo

BRASÍLIA- O pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, anunciou ontem, em Brasília, a aliança com o bloco de partidos do centrão (DEM, PP, PR, PRB e SD). Cercado por políticos investigados em diferentes escândalos de corrupção, o tucano prometeu colocar mulheres em seu Ministério, empolgou-se ao dizer que o seu eventual governo transformaria o Brasil numa Abu Dhabi — em referência à rica capital dos Emirados Árabes Unidos —, mas não se pronunciou sobre o prontuário de seus apoiadores. O evento de Alckmin com seus novos aliados terminou sem a definição de um vice. O empresário Josué Gomes, cotado para o cargo, anunciou oficialmente a recusa ao convite, alegando “motivos pessoais”. O vice na chapa deverá sair de um dos partidos do centrão, e o mais cotado é o PP, maior legenda do bloco.

Dono de uma coligação que já chega a dez partidos, o tucano terá o maior tempo de TV no horário eleitoral (4 minutos e 46 segundos). Bem encaminhado entre os políticos, Alckmin terá de convencer os eleitores de que o seu projeto, repleto de velhos conhecidos da crônica policial, deve ser o escolhido para comandar o país. O próprio Alckmin tem pendência a esclarecer em uma investigação decorrente da Lava-Jato que foi enviada à Justiça Eleitoral sobre acusação de prática de caixa dois.

Cientes desse desafio, os novos aliados de Alckmin no centrão começaram ontem mesmo a tentar reduzir eventuais impactos negativos da aliança. O presidente do DEM, ACM Neto, fez questão de chamar o bloco de “centro democrático”.

PPS de São Paulo oficializa na Convenção Eleitoral Estadual apoio a Márcio França para o governo

O PPS oficializou, nesta quinta-feira (26), em sua Convenção Eleitoral, o apoio ao pré-candidato e atual governador de São Paulo (PSB), Márcio França, nas eleições para o governo do estado. O partido também apoio a candidatura de Mário Covas Neto (Podemos) ao Senado e aprovou o nome de 13 candidatos a deputado estadual, além de 12 candidatos a deputado federal, em coligação com o PSB, PTB, PSC, Podemos, PV e partidos que ainda serão definidos.

O secretário-geral do PPS e deputado estadual de São Paulo, Davi Zaia, afirmou que o partido está “animado” e tem trabalhado arduamente para a ampliação da bancada de deputados e consolidar o trabalho que já estava sendo construído.

“O PPS de SP está animado. Estamos trabalhando muito aqui para ver se ampliamos a bancada e ao mesmo tempo consolidar o trabalho que já estava sendo construído. Ontem nós reafirmamos aquilo que já tínhamos encaminhado que é o nosso apoio ao Márcio França para o governo de São Paulo numa coligação que envolve vários partidos. Vamos participar na chapa de deputados federais e estaduais. Ainda tem o restante da composição da chapa que ainda está em aberto como a indicação do vice-governador, mas isso está sendo debatido entre os partidos”, disse.

Geraldo Alckmim
Davi Zaia também destacou que a Convenção aprovou por unanimidade a indicação de Geraldo Alckmim (PSDB-SP) para a disputa da presidência da República.

“Nós também decidimos na Convenção Estadual que reafirmaremos na Convenção Nacional o nosso apoio para o [Geraldo] Alckmim como candidato à presidente da República. Isso foi referendado por unanimidade pelos presentes no encontro”, adiantou.

Fernando Gabeira: Sísifo e o Centrão

- O Estado de S.Paulo

Eleitores podem colocar a pedra lá em cima para vê-la, de novo, rolar montanha abaixo

Algumas coisas que deveriam estar juntas correm em dimensões ainda diferentes no Brasil, realidades paralelas: o aumento do índice de mortalidade infantil, como sintoma de decadência, e a campanha eleitoral no Brasil. O desencontro da vida real com a política se deve também ao momento em que campanha significa muito arranjo entre partidos, composições, definições de tempo de TV, escolha de vices. É como se o jogo ainda estivesse sendo discutido no vestiário, antes que saia para o campo aberto, diante da plateia.

Mas as notícias que vêm pelo túnel já nos dão matéria para pensar. O famoso bloco parlamentar chamado Centrão é uma das referências do quebra-cabeças. Esta semana, o Centrão decidiu apoiar Geraldo Alckmin. E o mercado reagiu positivamente à notícia.

Uma aliança com o Centrão significa a continuidade do que está aí: ocupação política dos cargos, troca de votos por verbas, enfim, um roteiro que não é necessário relembrar.

O mercado, que aparentemente almejava mudanças, acabou se conformando com a continuidade. Seria isso a manifestação de um senso comum? Não sei bem o que seria um senso comum. Aliás, Leonardo da Vinci tem um belo desenho de crânio em que apontou uma pequena cavidade onde seria o senso comum, o espaço para onde convergem todas as sensações.

Transplantado da fantasia física de Da Vinci para o campo social, o senso comum também poderia estar em outra manifestação: a das pessoas que dão as costas para a política porque rejeitam seus sórdidos métodos. Estas querem mudança, certamente, mas provocam a continuidade. O oposto do que desejam.

A rigor, continuidade dificilmente haverá. Se o mesmo esquema for mantido, as coisas vão piorar. O Congresso já armou uma bomba fiscal que certamente tornará um novo presidente mais vulnerável.

A experiência recente do Congresso foi a de tratar com dois presidentes fracos que precisavam dele para sobreviver no cargo. Dilma caiu, mesmo tentando negociar. Temer teve êxito na negociação para escapar. A correlação de forças entre presidente e Congresso foi alterada por essas experiências recentes. E isso, é claro, vai repercutir no ano que vem. Não importa o presidente vitorioso, de qualquer forma, ele terá de atravessar essa barreira de troca de votos por cargos e verbas.

O mundo real continuará em perigosa decadência. Até gripe se tornou mais letal, num país onde o sarampo reaparece.

Cristian Klein: Bolsonaro contra a história que se repete

- Valor Econômico

PSDB pode "salvar" PT e colocá-lo no segundo turno

O mundo deu muitas voltas para a formação do cenário à Presidência da República. Os partidos, diante do desencanto do eleitorado, flertaram com outsiders, supostos salvadores da pátria e radicais. Teve a onda JB (Joaquim Barbosa), duas marolas JD (João Doria e José Datena), ensaiou-se a JG (Josué Gomes) e esvaziou-se a LH (Luciano Huck). Tudo para culminar - nestes dias de convenções - num movimento que reforça o padrão de competição que vigora há mais de duas décadas no Brasil.

E no isolamento do líder das pesquisas na ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sem coligação, Jair Bolsonaro (PSL), o deputado de extrema-direita, chega ao início da disputa para valer menor do que entrou na pré-campanha e com tendência ao declínio. As seguidas recusas de pessoas ou partidos (senador Magno Malta e PR; o inexpressivo PRP do general Heleno; e até a correligionária Janaína Paschoal, com quem já esperava formar a dupla Ja-Ja) mostram apenas parte da fragilidade e da dificuldade com que Jair terá que se acostumar para chegar ao segundo turno.

Em 2018, nada de repetir 1989, como se imaginou, em sua extrema pulverização de 22 candidaturas. Serão em torno de 15, dos quais dois terços nanicos eleitorais, incluindo o representante do governo e do MDB, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. O apoio do Centrão - ou, mais apropriadamente, Blocão ou Direitão, pelo perfil ideológico das legendas que reúne - ao ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), oficializado nesta quinta-feira, deixou para trás, de uma só tacada, quatro pré-candidatos. Na hora da decisão, os partidos de estratégia tipicamente parlamentar abriram mão do Executivo para quem sempre liderou o campo na disputa majoritária à Presidência.

Com a adesão ao tucano, o Blocão dá condições para o PSDB decolar o voo de Alckmin. É muito tempo de TV, muita capilaridade nos cinco milhares de municípios e muita estrutura à disposição do ex-governador. Alckmin terá cerca de 42,5% dos 12 minutos e meio de propaganda em rádio e televisão, exibidos em dois blocos por dia, três vezes por semana (terça, quinta e sábado). No melhor cenário - com o PT sem alianças - seu programa eleitoral será 3,5 vezes maior do que o tradicional adversário. No pior cenário - com uma improvável coligação entre PT, PSB, PCdoB e Pros -, Alckmin ainda teria o dobro do tempo.

É muita vantagem, que se repete na quantidade de inserções de 30 segundos ou nas menos utilizadas de um minuto de duração. São os chamados "spots", que pegam o eleitor de surpresa durante a programação e têm sido cada vez mais voltados para a campanha negativa. Se partir, no primeiro momento, para o ataque a Bolsonaro - como é se de esperar, para conquistar o campo conservador - Alckmin terá em sua artilharia 60 inserções a cada dois dias de propaganda em rádio ou TV. O deputado contará com apenas um spot. No horário eleitoral, enquanto o tucano terá mais de cinco minutos, Bolsonaro mal terá tempo de dizer seu nome e pedir voto em estimados sete, oito segundos. Será metade dos 15 segundos de que dispunha o folclórico Enéas Carneiro (Prona) na campanha de 1989.

É o processo de demolição de Bolsonaro pela ampla aliança tucana que pode abrir espaço para o crescimento tanto de Alckmin quanto do candidato do PT. O PSDB pode "salvar" o maior rival e ajudar a colocá-lo no segundo turno do mesmo modo que o PT, ao desconstruir Marina Silva em 2014, colaborou indiretamente para a arrancada de Aécio Neves. Essa é apenas uma das maneiras com que os partidos que formam o duopólio nas eleições presidenciais desde 1994 se reforçam mutuamente.

Além de Bolsonaro, há, claro, Marina e Ciro Gomes, ambos igualmente com pouco tempo de TV e estrutura partidária. A situação da líder do Rede Sustentabilidade é quase tão ruim quanto a do ex-capitão e também terá menos segundos de propaganda do que Enéas em 1989. O candidato do PDT, caso feche aliança com o PSB, é quem representa uma ameaça maior ao PT no campo da esquerda, mas já demonstrou não ter se curado da incontinência verbal.
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Merval Pereira: Mudanças em risco

- O Globo

A formalização do apoio dos partidos do centrão à pré-candidatura do tucano Geraldo Alckmin deu uma clareada na disputa presidencial, sem entrar no mérito se esse fato é bom ou mau para o futuro do país. Não se trata aqui de analisar conceitualmente essa união, que para muitos é um abraço de afogados. Outros acham que a candidatura tucana ganha substância e passa a ser competitiva.

O fato é que a adesão do centrão (ou será adesão ao centrão?) passará agora pelo crivo dos eleitores, e as pesquisas eleitorais mostrarão mais adiante as consequências dessa decisão.

Muitos eleitores tucanos rejeitarão esse conchavo partidário com legendas que abrigam investigados e indiciados na Lava-Jato, dando destaque ao inquérito a que o próprio Alckmin está submetido. Se bem que os tucanos há muito tempo lidam com as incongruências do partido, que se recusou a punir o ex-candidato à Presidência Aécio Neves, o que contaminou todo o resto.

Dependendo da intensidade dessa rejeição, quem pode se beneficiar é a pré-candidata da Rede, Marina Silva, que, no entanto, mais uma vez dá a sensação de não controlar seu próprio partido.

Delegar às direções regionais a decisão sobre acordos eleitorais, e ser surpreendida, como foi no Rio, com a aliança com o partido de Romário, que a própria Marina rejeitou, repete o voto do representante da Rede no impeachment de Dilma.

A Rede, depois de uma infindável discussão, resolveu apoiar a destituição da então presidente, mas seu representante na comissão votou contra.

Se, no entanto, a máquina eleitoral dos partidos que formam o centrão superar as eventuais rejeições do eleitorado, que pode reagir com pragmatismo diante da possibilidade de vitória de Bolsonaro ou do candidato da esquerda, o tucano Alckmin poderá se beneficiar do chamado voto útil antecipado, recuperando os votos que foram para Bolsonaro, especialmente no campo, e para Alvaro Dias nas regiões Sul e Sudeste.

A incógnita é a candidatura do PT que, de tanto ser retardada pelo projeto pessoal de Lula, não se sabe se será exitosa, pois os candidatos apresentados até agora não mobilizam o eleitorado.