Folha de S. Paulo
A visibilidade alcançada em escândalos de
corrupção ajuda no declínio
Os resultados eleitorais pífios do PT exigem uma
reflexão mais ampla sobre seu significado. Uma das razões da perplexidade diz
respeito ao chamado "efeito incumbência", que foi praticamente nulo
nas eleições.
O que, registre-se, não aconteceu com o PSDB,
em sua trajetória de declínio terminal. O número de prefeituras conquistada pelo PT é irrisório;
4/5 delas estão em pequenos municípios no Nordeste. Um município —Fortaleza— responde pela maior parte da população a ser
governada, mas o prefeito eleito se filiou ao partido em 2023, após três
mandatos pelo PDT. O fato de que Lula foi
eleito em 2022 obscureceu o brutal enfraquecimento do partido no Congresso e na
sociedade em geral.
O declínio do PT e do PSDB interessa não só porque vertebraram a competição política por duas décadas: trata-se dos únicos partidos programáticos "presidenciáveis" do país. O percentual de votos combinados das duas siglas no primeiro turno foi de 44% (1989), 85% (1994 e 1998), 70% (2002), 90% (2006) e 80% (2010) e 75% (2014). Até 1998 ganharam centralidade no sistema partidário, que ganhava musculatura. Entre 1989 e 1998, os três maiores partidos expandiram sua participação no total das cadeiras de 46% a 56% do total; mas a partir deste ano cai monotonicamente: 48% (2002), 46% (2006), 42% (2010), 37%(2014) e 28% (2018).













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